sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Oh Deus, o medo. O mundo doido.

Eu tenho quase nenhum respeito pelos ateuzinhos de internet. São burros 99,97% das vezes e fingem que sua burrice tem qualquer coisa a ver com ciência porque compraram um tratado de pop science ausente de peer review na livraria.
Mãs, uma coisa podemos dizer dos ateuzinhos: eles não são perigosos.
A não ser que você ache que ateísmo significa a ruína da civilização ocidental, eu acho que significa simplesmente uma civilização ocidental mais boboca ao invés de arruinada.

Dito isso, o outro lado da moeda, o do fundamentalismo religioso: esse sim é perigoso.
Infelizmente, a maior arma contra o fundamentalismo são os religiosos moderados insistindo que religião não tem nada a ver com coisas doidas como mandar prender alguém por ter ofendido uma religião (como aconteceu da Índia esses dias, portanto, o post atual).
Meu medo toda vez que vejo um país como a Índia e a Inglaterra se curvando aos ímpetos de fundamentalistas é que os moderados estejam perdendo a voz; pior, que os moderados estejam, mesmo que secretamente, gostando que a tirania esteja vencendo uma tal ameaça do secularismo.

Estou com medo do nosso século.
O século passado foi denominado "a era dos extremos" e isso significou a morte de mais de cem milhões de pessoas (bem mais, eu digo cem milhões que é por preguiça de pesquisar, estou chutando um número baixo de quantos morreram nas guerras mundiais e nas ditaduras da guerra fria, à esquerda e à direita).
Não sei se o planeta aguenta mais uma era de extremos.
Eu fiquei tão feliz com a vitória do Obama porque foi uma vitória do centro, da democracia, do debate - e por mais que os republicanos e direitistas num geral apontem qualquer lentidão natural de um processo legitimamente democrático como algum tipo de prova de que não existe centrismo, acho que a vitória do Obama ainda significa isso.

Mas mesmo assim, é só os Estados Unidos.
O Oriente Médio não parece pronto para um centro (nem em Israel, nem na Palestina, nem na Arábia Saudita, nem no Irã, nem no Paquistão... e esses são só os lugares que eu meio que acompanho, medo de saber o que rola em nações ainda mais obscuras que essas); a Europa não parece fazer idéia do que fazer, mas parece estar presa entre ultra-nacionalismo e um abandonar o secularismo em nome do multiculturalismo; aqui na América Latina, o único lugar são do continente é nosso país, hoje mesmo li a notícia de que Hugo Chavez está respondendo com violência contra prefeitos que ganharam em cidades que ele não gostaria de ter perdido, Evo Morales não parece se decidir acerca da realidade de uma guerra civil, o Paraguai... bom, acho que o Paraguai está all right, sujeito é de esquerda, mas não parece ser diferente do Lula. Mas isso prova o quão doida está a coisa, "ser que nem o Lula" virou, relativo ao resto da América Latina, algo excelente. E eu sei lá da Ásia, não leio da Ásia.

Esse século vai ser difícil.
Hoje eu estava tomando sopa pensando na possibilidade do Irã atacar Israel com uma arma nuclear. Embora a possibilidade seja quase impossível, caso aconteça, o mundo inteiro vai atacar o Irã - e não vai ser com outra bomba nuclear porque nós, diferente deles, nos importamos com causalidades civis.
E aí o que acontece se o mundo árabe inteiro decide apoiar o Irã nessa guerra? O que acontece é que os EUA não dão conta.
E se os EUA não dão conta, quem sobra?
Isso aí molecada.
Nós vamos lá pro Oriente Médio morrer porque algum doido achou uma boa idéia explodir Israel.

Me ignorem, eu estou com medo. Gente com medo diz coisas doidas.

Nenhum comentário: