domingo, abril 30, 2006

Talvez eu deva voltar pro orkut...
...
NÃÃÃÃO.
Ok, passou.
Mentira, eu ainda estou entediado.
Mas orkut nunca!
Eu gosto de Placebo.
Qual o problema?
Hein? Hein?
Seus putos.
Céus, que tédio.

Um tosco resumo das minhas filiações e teorias políticas.

First of all:
Eu sou um anarco-liberal.
A parte "anarco" se deve a ausência de qualquer instituição legal que promova a violência. Significa que nenhum homem pode ser forçado a obedecer outros homens e que o individuo, não a sociedade, é dono do seu trabalho. Por isso eu não reconheço a maior parte dos anarco-comunistas como anarquistas, pois eles desejam apenas criar um outro Estado onde todos sejam escravos e reis ao mesmo tempo e eu quero o fim da escravidão e da monarquia.
A parte "liberal" se deve a conclusão lógica de que se um individuo é dono de si próprio, ele é dono do seu trabalho e pode negociar esse trabalho em um ambiente de livre mercado, ele pode contratar outras pessoas e ser contratado, ele pode ter sua propriedade e dentro de tal propriedade ele mantém a sua autoridade quase que irrestrita.

A única lei que anarco-liberais acreditam ser universal é o "Pacto de Não-Agressão"; ele significa que ninguém tem o direito de iniciar agressão contra outra pessoa. O Pacto de Não-Agressão, lógicamente, é maior do que o direito a propriedade, ou seja, eu não posso declarar que assassinato e escravidão é permitido dentro da minha propriedade.

"O que justifica a propriedade?"
Primeiro é uma forma de contrato social. Se eu coloco uma cerquinha ao redor de uma terra e ninguém reclama, está ok.
Segundo é o trabalho, se eu coloco uma cerquinha ao redor da terra, eu estou modificando aquela terra e portanto ela é considerada uma extensão do meu trabalho, ou seja, uma extensão de mim próprio e do mesmo modo que tenho direito ao meu corpo, tenho direito a minha propriedade.
Terceiro que é uma forma útil de organização social. As pessoas dentro de sua propriedade têm liberdade e segurança de desenvolverem sua força criativa ao máximo. Por isso que cooperativas de trabalhadores tendem a gerar trabalhadores mais empenhados e felizes, afinal, a cooperativa é uma propriedade privada do coletivo de trabalhadores.
Quarto que é a melhor forma de lidar com a escassez de recursos naturais.

"Os meios de produção não pertencem a sociedade?"
Não. "Meios de produção" são fruto do trabalho de um individuo que nem o produto em si.
Se o individuo tem direito aos frutos do seu trabalho (coisa que socialistas costumavam acreditar), ele também tem direito a produção de um meio de produção.
A diferença entre socialistas e liberais, nesse caso, está que o socialista acredita que os trabalhadores podem ser donos de algo apenas por usar esse algo, enquanto liberais acreditam que são donos de algo por produzir esse algo (seja diretamente, seja indiretamente, através de acordos de livre mercado) e se eu produzi algo, eu não perco o direito de posse só porque outra pessoa usa tal ferramenta.

"Como negociações num livre mercado produzem coisas?"
Considerando um sistema pleno de livre mercado, onde pessoas enriquecem saciando as vontades da população, se eu tenho muito dinheiro é porque, em algum ponto, fiz um bem muito grande, isso significa que se eu contratar alguém pra me construir uma máquina, eu estou o pagando com o trabalho desse bem previamente feito.
Dinheiro, em uma anarquia capitalista, serve como um medidor de serviços prestados e uma pessoa que presta muitos serviços pode requisitar que outros prestem serviços a ela.
Dinheiro, hoje, significa que você é amigo de algum deputado ou, como Bill Gates, que se aproveitou de uma lei sem nexo.

"Ehrm... Bill Gates?"
Ok, todo mundo usa Windows, mas será que isso justifica o trilhão de dólares que o homem têm? Ele é tão rico quanto alguém que vende petróleo for fuck sake, isso não cheira nem um pouquinho a "distorção de mercado"? Do tipo que só governo faz?
Propriedade intelectual significa que uma pessoa pode ser dono de uma idéia.
Em termos de tecnologia, significa que uma pessoa é dono de uma combinação de bits e que todas as outras pessoas são proibidas de, com seus próprios computadores, realizarem a mesma combinação de bits. Isso é um atentado a liberdade.
Significa que eu não posso usar minha caneta para desenhar um personagem, não posso usar minha fotocopiadora e nem meu papel para copiar um livro, significa que eu não posso usar meus recursos para fabricar um remédio.
Uma idéia é sua enquanto existir dentro da sua mente, quando outra pessoa tem acesso a informação, através de palavras, por exemplo, a idéia "se divide" e passa a existir também dentro da minha mente, logo, eu posso usa-la da forma que bem entendo.
Então prorpriedade intelectual é algo que não existiria em uma anarquia capitalista.

Criticismos comuns:

"E quanto a pobreza?"

Apoiados em economia austríaca, acreditamos que a maior causa da pobreza é o Estado. O Estado, graças a burocracia, gasta mais recursos que uma empresa privada faria e, diferente do que pensam os social-democratas, o Estado não obedece regras.
O Estado também que garante monopólios como leis de propriedade intelectual e todo tipo de subsidios e "empréstimos" a grandes negócios.
E sem intervenção estatal, a economia seria mais dinâmica e isso por si só gera riqueza. O mercado jamais vai ser igualitario, mas ele certamente é mais justo que o sistema de castas e privilégios que existe hoje.
Mesmo porque, todo serviço que o Estado provê, pode ser fornecido voluntariamente pela população (e, particularmente, essa é a área que eu mais me interesso).
Ao invés de nos ajoelhar e rezar para que algum deus-burocrata roube nosso próprio dinheiro e o invista em escolas; porque nós mesmos não vamos dar aulas para os mais pobres? Porque não criamos mais ONGs? Ação direta costumava ser uma parte grande da esquerda, especialmente dos anarquistas, que se esforçavam bastante em criar sindicatos e cooperativas. Hoje as pessoas pegam plaquinhas e vão assinar acordos publicos de escravidão em massa para que os nossos líderes possam nos estuprar em troca de migalhas.

"E quanto a ganância?"

Mercado é cooperação. O mercado faz com que uma pessoa, para satisfazer um desejo egoísta, pense no bem estar dos outros.
A questão é que hoje a cooperação do mercado é substituida pela força bruta e violenta da política. As pessoas nem mais tentam convencer os outros de que seus ideais são bons (e, portanto, merecem ser financiados); elas tentam convencer alguns poucos burocratas a forçarem os outros a financiar tais ideais as custas da fome da população.

"E as pessoas não teriam que obedecer a esse tal mercado da mesma forma que obedecem a um governo?"

O mercado é descentralizado por natureza, e embora as empresas possam apresentar estruturas hierarquicas, o mercado em si não o é, pois é muito fácil, em um ambiente sem regulamentações ou impostos, para novas empresas entrarem no mercado e competir com as grandes (mesmo que em um nivel regional).
"Obedecer o mercado" significa satisfazer pessoas para ter condições de pedir o mesmo das outras pessoas.
Engraçado que essa crítica geralmente veêm de coletivistas, que acham super normal que o ser humano seja reduzido a uma coisa burra e disforme cujo único propósito é obedecer cegamente uma instituição bizarra e abstrata chamada "sociedade", pois satisfazer o mercado é o mesmo que satisfazer a sociedade, a diferença é que eu o faço pelo preço que quero (de acordo com o preço que a sociedade está disposta a pagar) e na quantidade que eu quero.
O mercado me dá a escolha de não satisfazê-lo (desde que eu não peça nada em troca), a "anarquia" comunista te escraviza de forma brutal e o fuzila atrás dos depósitos quimicos quando você se recusa a ser um patético servo do coletivo.

"E quanto a segurança/educação/saúde?"

Sem uma instituição como o MEC para regulamentar a educação, qualquer casa pode ser uma sala de aula; as pessoas não precisariam de uma "escola" para educar seus filhos e poderiam fazer tudo por conta própria.
Mas o mais comum seria que essas coisas fossem comercializadas.
Roderick Long tem um artigo sobre como, durante o século XIX nos EUA, a saúde era "privada", os trabalhadores então começaram a se organizar em clubes e associações (como sindicatos, a difeença é que tais associações eram de grupos de moradores e não de trabalhadores de uma mesma area/empresa) e todo mês depositavam um pouco do seu salário em um banco comunitário (como os que Proudhon previa) e em algum momento de necessidade, a pessoa ia e pegava o dinheiro emprestado a juros nulos.
Isso fez com que a classe trabalhadora tivesse acesso a hospitais e que a competição entre hospitais barateasse o custo a ponto dos médicos, elitistas, reclamarem para o governo que não era certo que a ralé decidisse o salário deles (através do mercado) e que quem deveria decidir o salário dos médicos deveriam ser um grupo de "especialistas".
Sendo assim, o governo passou a dar saúde "de graça" e cobrar impostos por tal; as pessoas, já pagando impostos, saissem das associações (elas pagavam mais de impostos do que pagavam nas associações, mas boicotar um imposto é crime).
Assim o Estado (e não o povo através do mercado) passou a ser padrão do salário dos médicos.
Sem essas coisas "de graça" como concorrentes, é muito certo que surgiriam escolas e planos de saúde e de segurança a preços muitissimo acessíveis.
Um exemplo são os cursinhos comunitários. Diferente das escolas, os cursinhos não necessitam de aprovação burocrática para serem abertos, sendo assim surgiram cursinhos comunitários, com professores assalariados e todo o mais. O que impediria de existir hospitais comunitários ou a preços baixos tendo como objetivo atender a demanda dos ex-clientes do Estado?
Sem contar que sem as distorções que o governo faz ao mercado, haveriam bem menos pobres (se é que haveriam).

sábado, abril 29, 2006

Saturday Night

Pipoca, vinagre, pôker virtual e The New Pornographers.
Toda vez que eu leio o Instituto Millenium, eu me pergunto se eles tem alguma intenção de ser algo mais que um blog...
O foda de não ter nenhum movimento liberal no Brasil é qualquer tranqueira que fala mal das leis trabalhistas assume posto de "defensor da liberdade".


O engraçado é que eu acordei pensando "vou colocar 'Dumb' do nirvana no blog"

And the sky was made of amethyst
And all the stars look just like little fish
You should learn when to go
You should learn how to say no

Might last a day yeah
Mine is forever
Might last a day, yeah
Well mine is forever

When they get what they want they never want it again
When they get what they want they never want it again

Go on, take everything, take everything I want you to
Go on, take everything take everything take everything I want you to

And the sky was all violet I want it again, but more violet, more violet
Hey, I’m the one with no soul
One above and one below

Go on, take everything take everything I want you to
Go on, take everything take everything I want you to

I told you from the start just how this would end
When I get what I want I never want it again

Go on, take everything take everyting I want you to
Go on, take everything, take everything I want you to
Go on, take everything, take everything I want you to
Go on, take everything, take everything I want you to
Go on take everything take everything take everything take everything

quinta-feira, abril 27, 2006

Um pouco de stalinismo com suas fritas, senhor?

O Bombordo publicou hoje um texto mostrando uma questão muito séria de que é a das universidades que deixaram de ensinar pra virar um clubinho pra elite intelectual e das escolas que não passam de prédios com adolescentes dentro.
O texto passa então a atacar a mídia, a sociedade de consumo, essa coisa toda e certo certo, isso é legal, mas a questão é, durante todo o texto, há um minima preocupação pra saber o que o jovem pensa?
Longe de mim defender adolescentes (porque eu tenho 20 anos e isso significa que não sou mais um teen faz meses, tá?), mas esse texto é exatamente o motivo pelo qual política se tornou um assunto tão chato. Digo, a gente não precisa se esforçar para que política seja um assunto chato, mas caralho, esse tipo de evangelismo "os jovens são fúteis/alienado/consumistas" eu ouço faz uns 10 anos e eu já achei chato da primeira vez que ouvi.
O texto é muito bom, é muito bem escrito, mas a temática já encheu. Consumismo é uma bosta, educação é o futuro, as crianças não batem continência o suficiente, bla bla bla, claro, ok.
Mas o erro maior do texto é achar que tudo isso que nós passamos hoje é oco, é vazio, que o jovem se tornou um consumista e ah, pronto, fechou, é culpa do capitalismo, vamos tomar um cafézinho e ir dormir. (so fuckin boring)
Sabe, que nem aquelas velhas senhoras que diziam que as pessoas estavam perdendo os reais valores quando começaram a ouvir Bob Dylan ou Beatles, agora eles acham que estamos perdendo os reais valores quando negamos esse coletivismo tosco baseado em uma regra moral que saiu de lugar nenhum e tem motivo nenhum pra ser seguida.
A questão é que durante os anos 60, o socialismo conseguiu se encaixar no mesmo pacote da revolução sexual e da busca por alternativos modos de vida, só que logo ficou claro que o que os socialistas queriam não era um mundo de amor livre, mas sim de coletivismo e quando as pessoas perceberam isso, elas se desligaram de tudo, porque aqueles hippies, que antes eram simplesmente hippies, agora se tornariam evangelistas de um modo de vida que consegue ser ainda mais chato do que o atual vazio que vivemos.
O liberalismo apresenta menos respostas ainda, se revolução é uma coisa chata pra caralho e a pessoa tem que ser incrivelmente retardadas pra lutar por um estado de escravidão como é o comunismo, lutar para simplesmente manter o status quo, mesmo que com melhores indicadores econômicos, não atraem ninguém.
Durante muito tempo, nos enganaram dizendo que eram ideais políticos que moldavam a cultura, de que tudo que aconteceu nos anos 60 era uma "resposta a sociedade de consumo" e, enquanto verdade, não tinha nada de política nessas coisas, a política veio depois quando os partidos perceberam que podiam aproveitar o Geist da cultura psicodélica para conseguir animados marketeiros de seus entediantes sistemas sociais, mas o Geist passou e o que restou? Os entediantes sistemas sociais e as entediantes críticas a "sociedade de consumo" e
Uma fórmula certa para o fracasso é olhar para os jovens e, sem nem fazer uma minimo esforço para entedê-los, os dispensar como "consumistas alienados" que não entendem os "reais valores" e essa é a formula do texto.
Como eu disse nos comentários, nós estamos cansados, suas lutas não só são toscas, como elas fracassaram e se tudo que sua era de ouro conseguiu fazer foi nos trazer para uma era onde "ser revoltado" é lutar por ônibus de graça, então fodeu, vocês não têm nada e ao mesmo tempo, ser um trabalhador honesto e conformado deixou de ser opção mesmo bem antes do socialismo ter deixado de ser opção; o erro todo do liberalismo a la instituto millenium é tentar vender conformismo como se fosse uma coisa nova; um problema dos liberais num geral é não perceber o quanto a própria ideologia é revolucionaria e que liberalismo tem mais a ver com liberdade do que com PIB alto e se é pro liberalismo ter alguma chance é necessário criar uma cultura de liberdade (assim como o socialismo tentou criar uma cultura de submissão) e lutar para que as pessoas trabalhem bonitinhas sem reclamar do salário, definitivamente não é criar cultura nenhuma de liberdade.
E os jovens são frutos do seu tempo, da sua própria luta de classes, com sua própria história, suas próprias lutas e se tal luta não os agrada, pior pra vocês, vão continuar choramingando que todos são consumistas e malvados sem entender o que se passa de verdade no mundo.

terça-feira, abril 25, 2006

Ativismo político

Pink Floyd - Paintbox



Uma crítica comum ao mercado é que a decisão dos consumidores nem sempre é a melhor, que as pessoas se deixam levar mais por propaganda que por coerência ou racionalidade e que, portanto, o mais racional em alguns casos é deixar algum especialista estudar a questão e tomar a decisão que melhor agrade a população no lugar deles.
E ao que eu pergunto "isso não é fascismo?" me respondem "claro que não! A população tem participação no processo político!"
Eu pensei e percebi que realmente. Aqui estão algumas formas que você pode participar do processo político quando um burocrata decide roubar o seu dinheiro e usar no seu lugar:

- Você pode ler o jornal e saber exatamente como o dinheiro está sendo usado.
- Você pode concordar e ignorar o seu vizinho quando ele reclama que tal decisão destruirá a vida dele.
- Você pode discordar e mandar uma cartinha para Brasilia.
- Você pode discordar e fazer greve de fome.
- Você pode discordar, arrumar uns amigos, ir para a paulista e ficar clamando pelo impeachment do presidente.
- Você pode fazer uma comunidade no orkut dizendo "eu odeio tal decisão"
- Você pode ver qual deputado votou contra sua opinião, esperar 4 anos e rezar para que a população não vote nele de novo.
- Você pode escrever um blog dizendo o quanto não gostou de tal decisão.

Então a próxima vez que você for pego tendo que opinar sobre "dinheiro público deve ou não ser gasto com a Varig", você pode pensar "puxa, toda vez que eu uso avião, eu vou pela Gol, é claro, eu poderia ir pela Varig, mas eu não a considero merecedora do meu dinheiro; entretanto, eu sou um imbecil e ainda bem que existem esses políticos legais roubando meu dinheiro, fazendo com que eu tenha, afinal, que viajar de ônibus ao invés de avião, e então dando para a Varig, porque o mercado não é um bom alocador de recursos, o político-aleatório nº 1182 claramente recebendo propina que é, certamente, alguém muito mais apto a tomar tais decisões no meu lugar".

Mesmo porque, se não houvessem essas coisas, seria bem mais dificil dizer que vivemos num fascismo e isso tornaria os debates a favor do liberalismo bem mais dificeis.

But wait, there´s more!
- Você é um fundamentalista do mercado! Nós temos que pensar em uma solução em que iniciativa privada (que só se importa com dinheiro) e Estado (que só se importa com poder) cooperem!
- E isso não é fascismo?!!
- Claro que não! Fascismo é quando o Estado é malvado, quando o Estado é bonzinho, nós chamamos de 'social-democracia', afinal é lógico que, quando eu digo que a iniciativa privada deve cooperar com o Estado, eu penso em Estado como um grupo maravilhoso de pessoas legais que vão defender meus interesses e tomar a melhor decisão pra mim.
- E porque eles fariam isso?
- Porque, veja bem, se eles não fizerem, eu posso sempre ler o jornal, escrever um blog, esperar 4 anos e rezar para metade da população dê mais atenção ao meu blog do que para incessantes e milionárias campanhas publicitárias, afinal, o voto da maioria tem muito mais importância do que a decisão do individuo, não é isso que é democracia? A supremacia absoluta do coletivo tornando o individuo uma coisa que não pode ter escolha senão obedecer ou ser fuzilado pela polícia?

segunda-feira, abril 24, 2006

THE GOD!!!111!1!11shift+um



Esse post é só dedicado a mostrar esse absolutamente impressionante vídeo do David Bowie fazendo um show junto com Arcade Fire.
Digo.
É o David Bowie junto com o Arcade Fire.
PORRA!

A letra da música para vocês cantarem junto.
CANTEM JUNTO! Especialmente os "uoohhh oooohhh".


Somethin' filled up
my heart with nothin',
someone told me not to cry.

But now that I'm older,
my heart's colder,
and I can see that it's a lie.

Children wake up,
hold your mistake up,
before they turn the summer into dust.

If the children don't grow up,
our bodies get bigger but our hearts get torn up.
We're just a million little god's causin rain storms turnin' every good thing to
rust.

I guess we'll just have to adjust.

With my lighnin' bolts a glowin'
I can see where I am goin' to be
when the reaper he reaches and touches my hand.

With my lighnin' bolts a glowin'
I can see where I am goin’
With my lighnin' bolts a glowin'
I can see where I am go-goin’

You'd better look out below

E sobre o Irã.
Eu vou postar também o comentário do Kenji que é bem mais informado, mais inteligente e possivelmente mais bonitão do que eu.
(sério, o comentário dele me deixou mais aliviado, eu fui pego mesmo na propaganda neo-con, eu fiquei genuinamente triste um dia desses com a possibilidade de um ayatolah louco com armas nucleares)

"Segundo analistas, levaria dez anos para que o Irã pudesse enriquecer urânio para ter armas nucleares. O Irã não tem vetores, em especial considerando a Força Aerea de Israel.

Como já escrevi, o governo iraniano não é formado por meia dúzia de malucos, mas sim de demagogos, como o governo de qualquer pais. Isso é só retórica.

Até por quê o Irã precisa vender uma imagem para poder comercializar com outras nações, é um país mais moderno que parece. Eles não vão estragar isso por qualquer brincadeirinha..."

sábado, abril 22, 2006

Fucked up toughts on a sunday morning

Sabe do que eu gostei? Do modo que tudo que eu simplesmente sorri.
Tem vezes que a gente se cansa de ser engraçado ou inteligente, ainda mais quando ser algum dos dois perde o sentido.
Afinal, o que eu quero? No que eu acredito?
O que eu quero?
Eu tentei dormir essa noite, acho que até consegui durante um tempo, mas enfim... eu sonhei com uma garota que pegava na minha mão e me levava para lugares. Tudo que eu fazia era sorrir. Aí eu acordei e foi engraçado, eu olhei para os lados e pensei "eu realmente estou com ela?" e um ou dois segundos depois eu pensei "não, foi só um sonho, não aconteceu" e eu fiquei triste e eu fui dormir de novo.
Eu sonhei que estava em uma viagem, mas eu estava com pessoas que não gosto, gente que eu gostava quando era criança, mas que hoje não gosto mais, coisa de familia, não perguntem.
Ok, deixa eu voltar, porque no começo do sonho eu não sabia que estava com eles.
Eu sabia que estava longe de casa, do outro lado da rua estava tocando Dropkick Murphys em um bar, parecia ser ao vivo porque as pessoas estavam aplaudindo, não lembro que música era, mas eu lembro que eu cantei junto, mesmo longe, no outro lado da rua e depois que acabou eu gritei "Dropkick! Yeah!", mas aí a minha tia me chamou pra entrar em um circo e eu pensei em ignorar ela, mas tinha esse primo meu e sua postura sempre arrogante pra disfarçar seu extremo conformismo, ele aceitou, eu aceitei, tsc, eu fui patético e conformista também, eu acordei, acho que esse foi meu erro, se eu tivesse mandado eles todos se foderem, eu teria ido ver o Dropkick. Well, fuck that shit.
Eu acordei e eu pensei de um projeto meu que acontece faz algum tempo, eu me tornaria um jornalista freelance, escrevendo sobre qualquer assunto, por mais bobo ou divertido que seja, o que importa é que eu seja freelance, tenha uma conta de banco e um laptop.
Eu simplesmente viajaria pelo mundo, eu iria para o Dj Club com meus amigos, nós beberiamos, dariamos risada, então eu dormiria em algum motel fuleiro da paulista. No dia seguinte eu iria até o aeroporto e viajaria pra Nova York.
Eu vou passar 3 anos na faculdade, tenho 3 anos para conseguir tal nivel de autonomia.
Não sei o que eu faria em Nova York, acho que eu veria shows que seriam impossível pra mim ver em São Paulo, descobriria bandas e pessoas e quando aquilo começasse a cansar, eu iria para Londres ou algum outro lugar.
Eu não sei se conheço alguém que já fez isso, as pessoas geralmente querem fazer isso antes de virar adultas e independentes, é estranho, os adolescentes acham que trabalhar é dependência, que viver do dinheiro dos pais é liberdade, que ir pra Europa com dinheiro que não é seu é revolucionario, eles que se fodam, eu quero me formar, ter empregos mais ou menos fixos que me permitam trabalhar a distância, então eu quero passar minha vida de adulto como um adolescente fazendo o sonhado mochilão pela Europa.
Dependendo do estilo de publicação que eu trabalhe, até dê certo, eu poderia escrever sobre a viagem, comercialmente pode ser interessante manter uma coluna para adolescentes sobre um filósofo vagando de motel vagabundo em balada fuleira de NY descobrindo novas bandas e novas pessoas.
Ei, eu leria.
Quando eu era adolescente eu tinha nojo de adolescentes, nojo de toda banda que fazia sucesso, de todo mundo que saia a noite.
Hoje é óbvio que eu sou o oposto... ou quase, eu ainda não gosto de adolescentes, mas eu quero que as bandas que eu goste façam sucesso e eu gosto das pessoas fúteis que saem a noite... não, isso não é verdade, eu ainda não gosto de pessoas fúteis, eu gosto de sair a noite e conversar com pessoas, de dizer o que eu penso do mundo... mas eu também gosto de não falar nada, eu gosto de simplesmente sorrir, sem tentar ser engraçado ou inteligente. Eu gosto de sorrir e deixar ela pegar na minha mão e me levar. Eu tenho uma necessidade por segurança, essa necessidade vai ser meu maior obstaculo nessa viagem se um dia eu esperar fazê-la.
Eu vou lá no Pirate Bay pegar o celebrity skin do Hole, já volto.
E eu mantenho a posição de que não existe propriedade de recursos não-excassos e bits e idéias são recursos não-excassos e eu cheguei essa conclusão lendo o Mises.org, então vocês não podem me pegar, seus putos.
Isso eu ganhei com a filosofia: que eu quebro leis por principios enquanto os outros o fazem por desonestidade.
Pronto, está baixando, vou tomar banho.
Não, eu vou escrever mais um pouco, não sei sobre o que, mas ah, que se dane.
Vez ou outra eu escrevo alguma coisa nesse blog que faz as pessoas pensarem porque esse não é um blog mais conhecido ou porque eu estou escrevendo em um blog ao invés de alguma publicação séria.
Bom, por dois motivos, se você andar por aí e ver qualquer Wunderblog ou Verbeat, verá que eu escrevo bem pior do que essa gente, minhas idéias são bem mais legais porque eu sou o unico fiel representante da minha geração na blogosfera, mesmo que ninguém da minha geração se pareça comigo, então no fim é algo do tipo, eu sou foda e tal, eu sou metido a liberal achando um saco o que os liberais falam, com sua mania de se fazer de coitadinhos "bué bué, todo mundo é de esquerda menos eu, bué bué" e seu elitismo hipócrita e ridiculo, parem de chorar seus putos, parem de dizer que pobres são vagabundos (depois que o sujeito lançou "O valor do amanhã", os liberais aprenderam a dizer que pobre é "impaciente" ao invés de vagabundo, claro, eles são uns puta criminosos por serem impacientes as grandes empresas estão estuprando o mercado, a sociedade, o governo e tudo que for possível pra garantir que eles vivam seu próprio fascismozinho particular); sou metido a anarquista achando que todos os anarquistas não passam de velhas e gordas senhoras conservadoras, com movimentos ridiculos, patéticos (passe-livre é, de longe, o movimento mais retardado que eu já vi na minha vida) que ainda acham que o Centro da Midia Independente vai libertar o mundo, mas vocês se foderam seus putos, seu site (a tão oh vitória da democratização da comunicação) é tão incrivelmente entediante e ridiculo que se tornou o espelho perfeito do movimento de vocês; merda, anarquia deveria ser mais do que isso, vocês foderam a anarquia seus putos, agora os liberais estão assumindo a cabeça do movimento, sigam ou parem de atrapalahr; sou metido a indie, mas não sou particularmente um indie brilhante (o que envolveria conhecer bem mais bandas que eu conheço), nem particularmente um indie criativo (o que envolveria não ser tão fanático por Interpol), muito menos um indie estéticamente indie (o que envolveria cortar meu cabelo e fazer a barba, coisas que simplesmente não vão acontecer num futuro próximo), ao mesmo tempo eu não sou particularmente estranho o bastante pra ser considerado excentrico... eu acho... sei lá, eu sempre tenho a impressão que sou uma farsa, eu sou excêntrico a primeira vista, mas vá lá, eu sou um cara legal, eu gosto de crianças e de Foo Fighters, gosto de ser bem educado com as mulheres e vou contra os meus próprios ensinamentos, porque geralmente quando eu estou com alguém eu digo coisas do tipo "olha, eu não importo, eu quero que você seja feliz", é claro, na verdade eu estou pedindo que ela faça algo a partir do ponto de vista dela e ah, do seu ponto de vista, não se importe se eu estou feliz ou triste, se importe se eu estou te fazendo feliz ou triste, eu fico feliz quando você está feliz, mas de nenhuma forma eu sou imbecil de achar que o sentimento é mutuo.
Eu não gosto do egoísmo, mas acredito na sua capacidade, bom, tem um lado do egoísmo que eu gosto, que é quando as pessoas seguem aquele "siga seu sonho", eu acho legal porque todo mundo quando diz "siga seu sonho", pra mim, está replicando o básico Lockeano de "busque sua felicidade", contradições da esquerda, eles não sabem se querem que as pessoas sigam a felicidade ou o bem comum, na dúvida decidem que o que eles consideram felicidade é o bem comum e que todos devem seguir aquilo. Eu não seus putos, eu persigo a minha felicidade e eu ficaria feliz em te ajudar com a sua, a não ser que seja uma ordem.
Eu gosto de pessoas felizes que dão a mão e bobas músicas de amor. Eu sou um otimista que pratico o pessimismo como exercicio racional.
Isso tudo é uma amostra de porque esse blog não é famoso e nem deve se tornar famoso.
O outro motivo é esse post. Eu gosto de falar sobre mim, não sou culto, não gosto de literatura e, como já disse, não tenho um gosto musical absurdamente inovador, eu sou um cara estranho que escreve razoavelmente bem sobre assuntos que só interessam a ele.
A Blogosfera tem gente melhor que eu e essa gente geralmente é mais chata e mais velha; queria ver alguém do Wunderblog bebendo absinto e dançando rockabilly no FunHouse; sei lá, blogueiros famosos costumam ir no noitão do HSBC ou em lançamentos de livros da FNAC, coisa que eu faço de vez em quando, então ah, eles são legais, na medida que é possível para gente chata ser legal.
Sabe, acho que a blogosfera mundial tem só um punhadinho de gente inteligente. Os dois, de longe, que eu mais admiro é o Roderick T. Long (que é um sujeito tão genial que uma vez eu vi nos anarcoblogs do protest.net um "anarquistão de verdade" dizendo, "bom, eu concordo com 99% do livre mercado, pelo menos a versão do Roderick", bom sujeito aliás, num post seguinte ele falou algo do tipo "eu odeio essa briga anarco-comunistas vs anarco-capitalistas e sua 'teoria do valor trabalho' vs. 'teoria do valor subjetivo', eu acho que o ideal seria a teoria do valor nulo, as pessoas tem valor, não as coisas", claro que isso é bem simplista e não da pra ser aplicado no mundo real, mas eu achei lindo) e a Lady Aster. Lady Aster é uma prostituta que faz parte da "Libertarian Left" e o blog dela é absolutamente genial, não dá pra medir o quanto, tem um post sobre libertarianismo que ela diz algo que eu achei lindo.
Peraí, vou achar o post.
O nome do lindo post, que me levou a procurar ser bem mais agressivo ao liberalismo mainstream, chama "a reflection on politics and passion"
O post é sobre uma lista que uma socialista escreveu de 50 livros de fantasia e ficção que um socialista deve ler.
A parte que me encantou foi essa, que eu tentei traduzir, mas iria perder a vida do texto, então deixei no original.

"Politically, I've essentially frizzed out of libertarian politics precisely because it totally lacked imagination- not only did it get nowhere, but the act of involvement in That Movement of Theirs felt like a continual reimmersion in the culture I was fighting to be free of. I don't just mean I found myself dealing with the system- I mean that every political action, whatever its stated goal, was performatively recreating the accepted way of doing things in everyone I dealt with and worst of all in myself. Paul Goodman once said that the best way to create utopia is to act, as far as possible, as if one is right now living in it. If that is true, then libertarianism's abject political failure has much to do with its bourgeois cultural politics which virtually ensures the continual renactment of the status quo.

I have come to the conclusion that the most important effect of a political movement is not in the existing institutions it changes or captures, but in the culture it creates within. In the case of social injustice, an easier alternative to changing the laws is often to appeal to existing desires to create a culture within which such laws do not exist. In matters of social injustice, the manner in which one treats others is really more important and equally "political" as the laws and power structures one might wish to revise. Indeed, at the largest level laws and power structures *are* nothing more than opinions and values, mediated through wholly epiphenomenal pieces of paper. Convince enough people that a law is unjust enough not to be unforced, and it actually *doesn't* exist. And history shows that successful social movements, from the 1960s protests to Christianity, are precisely those that change things widely enough that eventually the institutions opposed to them crumble or embrassingly accomodate them (while claiming credit in the official history books, of course, as the agent of social progress)."

Eu senti a mesma coisa quando participava da comunidade de liberalismo do orkut, que foi por causa dessa comunidade que eu decidi sai do orkut, que de repente que vi que as pessoas "do meu lado" eram aquelas querendo regras e leis e embora, em teoria eles concordassem comigo, na prática eles queriam um mundo onde eu não pudesse existir, onde gente como eu não pudesse existir e da mesma forma que os comunistas querem criar um mundo patético e triste além da compreensão, fazendo com que todas as pessoas sejam pouco mais do que formigas burras e escravas de uma sociedade guiada por regras morais tão absurdamente rigidas a ponto de rivalizar com feudos medievais ou fazendas amish; os liberais parecem insistir querer criar um mundo onde todos acordem cedo, vão para o trabalho, aceitem seu pagamento sem reclamar, vão a igreja no domingo e jamais peçam por nada além do que o seu pagamento de todo mês; claro, se os comunistas e os liberais, ambos, querem criar um mundo ridiculo e patético, porque eu sou um liberal? Porque, em teoria os liberais visionam um mundo onde as pessoas fazem o que querem desde que tenham meios e não atrapalhem os outros, enquanto comunistas não vêem o menor problema em dizer que todos devem pensar, agir e se comportar de maneira igual; vejam bem, comunismo não é só uma sistema econômico, como é o caso de capitalismo, é também um sistema social e moral, as pessoas no comunismo não podem ser egoístas, nem bêbadas, nem dançantes, nem nada, a não ser que elas o sejam com a ração que a sociedade determina duas vezes por semana em assembléia ou após o horário de trabalho e é isso que explode minha mente além da compreensão, como é que as pessoas mais legais do mundo sequer cogitam uma sociedade tão absurdamente moralista e religiosa a ponto de você ter que pedir autorização pra paróquia local antes de poder usar a impressora comunitária para imprimir um livro do Marquês de Sade? Eu odeio tudo que os liberais da blogosfera escrevem, não é possível que esse tipo de gente nojenta acredite na mesma coisa que eu, os filhos da puta parecem que gostam de pobreza.
Na verdade parte muito do pensamento de Ayn Rand que diz "o capitalismo é bom não por trazer o 'bem comum' - embora traga- mas por ser o único sistema condizente com o ser humano racional" e então liberais tratam miséria e pobreza como probleminhas ridiculos e que o fato do livre mercado solucionar esses problemas é só um detalhe levemente feliz e algo de se usar como argumento. E vão se foder, eu desprezo igualdade social o quanto é possível desprezar, mas pobreza é um assunto sério, pessoas estão passando fome, tendo suas casas destruidas por simples chuvas, sendo constantes vitimas de violência, racismo e sendo forçados a aguentar empregos que odeiam, vão se foder e vão se foder grande por fazer pouco caso disso seus filhos da puta, se pessoas estão morrendo, eu quero que sua propriedade privada vai se foder, elas estão morrendo, sofrendo e não vai ter caralhada de livre mercado nenhum enquanto tal miséria existir, os lixos burros ao extremo do Instituto Millenium vêm com essa palhaçda de "as pessoas abraçam o socialismo por ser utópico" e vão se foder seus retardados, é por isso que a porra do movimento praticamente não existe fora da internet, porque vocês não param de se esforçar em dizer que todo mundo é burro, vão se foder e vão se foder enormemente, as pessoas abraçam o socialismo porque, por errado e mentiroso que seja, o Lula vai numa favela e diz "eu vou ajeitar sua vida" enquanto vocês, seus putos vagabundos do caralho queimadores de filme do liberalismo ficam confortavelmente nas suas porras de computadores dizendo que pobres são burros por acreditar em utopias. Vocês vão se foder, se o "Instituto Millenium" é referencial de liberalismo, boa sorte ao movimento sem mim, eu vou continuar lutando por justiça social (mas nunca igualdade social) e por um livre mercado que garanta as necessidades básicas enquanto vocês podem continuar babando com sua maldita e queimadora de filme retórica de que "os pobres são impacientes". Os pobres não são impacientes seus vermes retardados, eles são explorados pela burocracia, pelo Estado e pelas consequências econômicas de um mercado clientelista, essas coisas todas que deveriamos estar lutando contra, mas ao invés disso estamos oh tão ocupados em lutar contra "a impaciência dos trabalhadores", vão se foder, vão se foder muito, tudo que o movimento liberal ganha porque uma pessoa com acesso a internet tem acesso a um livro do Rothbard, ele perde porque essa mesma pessoa tem acesso ao Instituto Millenium.

Chega, eu vou tomar banho. Mas o post continua. E sem vídeo. Quero ver quem lê inteiro. Não ganha nada, mas me conhece melhor, o que é um prêmio do caralho, convenhamos.
Olha, antes de eu ir, eu estou ouvindo Interpol e a raiva que eu tenho pelos meus colegas de ideologia está passando graças a "Not Even Jail", então eu vou dizer uma coisa rápida.
Eu me considero um representante da minha geração por me considerar um fruto do meu tempo e espaço, mesmo que os outros frutos desse mesmo tempo e espaço não compartilhem das minhas opiniões.
Eu explico:
O muro de Berlim caiu quando eu tinha 4 anos, meus professores mais chatos foram de esquerda, na faculdade meu professor mais chato (de filosofia, haha, que irônico) era candidato a deputado pelo PSTU, em uma discussão sobre capitalismo vs comunismo, antes mesmo de ler qualquer coisa de libertarianismo, eu disse "e se o sonho de uma pessoa for ser rica?" e ele respondeu (com a classe variando entre confusa, com nojo e indiferente a mim) "belo sonho hein?" e eu respondo "e quem é você pra decidir o sonho dos outros?" e ah, sério, defender liberalismo me entristece não pelo que o ideal representa, eu sou apaixonado pelo liberalismo, digo, porra, olha o quanto do meu blog, mesmo num post que deveria ser sobre mim, eu gasto falando sobre liberalismo, sei lá, foi uma ideologia que me abraçou, é o tipo de experiência que eu posso dizer que me escolheu, eu não fui escolhi defender o liberalismo, foi a infalivel lógica do liberalismo que me atraiu, foi a cinica e linda visão de ser humano do liberalismo que praticamente me forçou a ele.
O que mais me atraiu no liberalsmo não foi nem a realpolitik que tanto agrada os economistas, isso é uma parte que eu uso como retórica em debates, o que me atraiu no liberalismo foi a visão de que o homem é um ser tão grandioso e ao mesmo tempo tão falho que não há como ser humano sem ter liberdade, que viver obedecendo uma autoridade é de tal forma degradante e que fazer algo que você não ama é de tal forma ridiculo que um mundo onde pessoas são forçadas a fazer aquilo que não as dê prazer deve ser eliminado, esse mundo onde pessoas fazem coisas que não gostam não pode existir, é uma aberração, é anti-natural, não é prático, um mundo onde o rei ou o democrático coletivo toma as decisões no lugar do individuo é um mundo de tal forma ridiculo que lutar contra isso é a luta mais nobre que alguém pode se empenhar. O fato da busca por felicidade ser o objetivo maior da teoria é o que me atraiu, a completa falta de interesse em decidir o que a felicidade realmente é combinada com a apaixonante luta pela busca dessa felicidade foi algo irresistivel demais pra mim. A paixão que existe no liberalismo foi a paixão que eu procurei sem sucesso tanto no movimento anarquista quanto no movimento punk, enquanto ambos os movimentos se dizem ser mente aberta, nenhum deles tem como objetivo maior a busca por felicidade e nenhum deles dão um valor tão imenso a opinião de que felicidade é subjetivo. Enquanto toda a esquerda decidiu se dedicar a dizer que "o que vocês vivem não é felicidade de verdade" assim como um padre diz que a vida longe de deus não é felicidade de verdade, os liberais simplesmente dizem "que se foda sua felicidade! Busque-a!" e de novo apelando a autoridade da genial Lady Aster:

"What would happen if we built social institutions the way we approached falling in love? That is, instead of asking what a 'just' political order is we asked what kinds of families, businesses, marriages, or communties we'd really like to live in. The formula for a miserable relationship is to ask what one's partner 'ought' to be, and to ask the same question of oneself, all the while angling for instrumental advantage. But this is exactly the manner in which most radicals approach politics- and the result in that conformist comfort and privatised consumerism look more attractive to most people than freedom and liberation. Something is wrong here. And the problem is that radicalism has failed to show people how a free society could help them emerge into the brightness they have always wanted. Instead, progressives nag people that their existing dull happiness is already hurting someone, while libertarians promise boundless opportunity to enjoy the same pattern of existent dullness. Instead, I would have both ideals present themselves and ask their potential converts: would *you* rather live this way?"

Sabe... ah, isso é uma declaração de amor, eu não escondo minha ideologia, embora toda vez que eu conheça uma pessoa nova que eu sei que é inteligente eu tenha medo de falar sobre ela, mas esconder eu não escondo, eu sou um liberal, eu tenho tanto orgulho de ser um liberal quanto tenho de ser um anarquista, por isso que toda vez que eu leio alguém dizendo que "liberais não podem ser anarquistas", sei lá, eu levo pra um nível pessoal, é algo do tipo..... como você questiona o meu amor? Como você pode, por um segundo, ousar questionar o meu amor por liberdade? Por justiça? Como você pode dizer que eu não sou um anarquista? Como pode duvidar que eu choro toda vez que eu sinto que uma era de guerras se aproxima? Que meus olhos queimam de raiva quando eu penso em todas as vítimas do governo? Eu quero destruir o Estado, eu quero destruir o poder, eu quero destruir isso tudo. Como você pode duvidar que eu sou um anarquista? Se minha teoria econômica não é boa para satisfazer os seus sagrados parâmetros, então deixe minha paixão mostrar o quanto eu sou um anarquista.
Sabe, essa história de anarco-capitalismo... ah, velho, porra, eu me sinto tão absurdamente triste sabe, de não ser aceito pelo "movimento anarquista" mainstream. Eu quero que os liberais se fodam, eles entendem a teoria econômica, mas não entendem a liberdade, eu consigo defender uma teoria econômica sem companheiros, mas... minha nossa, como é dificil passar por tudo isso sem... sei lá... faz falta, entende, um grupo com quem sair e ir lutar contra a policia, contra a burocracia, é o que a Lady Aster fala, "no caso de injustiça social, uma alternativa mais fácildo que udar as leis é frequentemente apelar para desejos existentes de criar uma cultura em que tais leis não existam" mas não há ninguém pra me ajudar a esse desejo de criar uma cultura onde não exista um estado paternalista, nem leis, regras ou violência; os punks, além de serem chatos pra caralho, estão mais preocupados em destruir coisas aleatórias do que lutar contra o sistema, os idiotas atacam ônibus, McDonalds, fazem cartazes dizendo que o Bush é nazista, mas não chegam perto de talvez relar no centro da questão. "O que essa 'ordem social' faz de tão bom pra você compensa o que ela te impede de fazer?"
Não estou chorando mais. Chorei um tempo sim, é triste, de certa forma, pensar que talvez tudo que eu consiga fazer é ter um blog que não foi feito pra ser famoso porque eu dou valor demais a liberdade para me juntar aos "anarcos" da vida.
E a minha mensagem ao movimento anarquista é a mesma ao movimento liberal, só que enquanto eu odeio o movimento liberal, essa minha mensagem ao movimento anarquista é ainda em tom de choro.
Se tudo que o movimento anarquista tem a me oferecer são moleques lutando por ônibus de graça, comunismo e uma visivel falta de coragem na hora de desafiar as questões centrais e sérias do governo, desde de sua forma atual até sua legitimidade em si, então boa sorte ao movimento anarquista, continuem felizes com sua "revolta da catraca", vai ser dificil, sinceramente, encarar esses monstos sem vocês, mas até que vocês provem pra mim que valorizam a liberdade, eu vou continuar vendo vocês como um braço do PSTU que não conseguiram vaga no jornalzinho do sindicato local.
Agora eu vou tomar banho, quando eu voltar escrevo mais, eu quero que esse fique um post mais ou menos completo sobre mim, pra quando eu conhecer pessoas, eu posso passar pra elas e dizer "olha, eu sou fodido assim, se você conseguir lidar com isso, talvez a gente se entenda, mas na dúvida não perca tempo... lidar comigo não é fácil e seria crueldade da minha parte exigir isso de qualquer pessoa..."
Sabe, eu sou estranho e sei lá, geralmente eu gosto, mas tem dia que não, agora eu não gosto, solidão me faz querer ser mais comum, ser mais apresentavel, sabe... eu queria simplesmente sorrir, pegar na mão dela e deixar ela me levar, mas infelizmente eu sou estranho, com um coração ruim... acho que é por isso que eu fico tão triste quando eu leio no CMI que punks confrontaram a policia por [insira aqui um motivo bem estupido pra ser espancado num sabado a tarde], por um lado é porque eu queria estar do lado deles, mas infelizmente meus ideais são coerentes demais pra isso; por outro lado é porque eles representam uma coisa que eu sempre odiei, que são essas pessoas fazendo um enorme esforço pra ser "alternativo" e se a Rebs está lendo isso, ela deve até saber pra onde isso vai porque eu já falei várias vezes, mas na boa, que as pessoas com tatuagem, piercing e cabelo colorido vão todas se foder, eu sou esquisito, vocês são bullys, eu sou alternativo, vocês são mainstream, eu tenho idéias estranhas, atitudes estranhas, sonhos estranhos, comportamentos estranhos, eu sempre me senti deslocado da sociedade e sempre me esforcei pra me deslocar mais ainda, porque por mais dor que a solidão me traga, essa sociedade é simplesmente imbecil demais pra eu aguentar, talvez eu seja o imbecil, mas não importa; porém enquanto a minha esquisitice me trouxe solidão, mesmo que rodeado de amigos, a estranheza de vocês os leva a grupinhos e eu seria hipócrita dizendo "vocês são nojentos por serem fúteis e passarem a vida em festas", mas o que eu quero dizer é isso: vocês acharam uma tribo e fizeram um ritualzinho de dor e cores para ser parte dessa tribo, são padres dessa tribo e essa coisa toda; eu não tenho tribo, cada vez que eu acho que encontrei uma, eu percebo que não é o meu lugar. Eu fiz um esforço pra fazer parte do "movimento liberal", mas eu sou individualista demais pra esses individualistas.
Eu sou clichê demais pra fazer parte dos indies e até anti-social demais, eu tenho essa caracteristica, às vezes eu saio, conheço uma pessoa e converso muito com ela, adoro conversar com pessoas, mas não com os amigos da pessoa, eu gosto de conhecer pessoas e não panelinhas, eu quero amigos e não grupinhos. Haha, eu sou um individualista seus putos, engulam essa, céus, como eu odeio punks.
Mas eu ouço Ramones, Clash e Sex Pistols e acho do caralho. Haha, eu disse que meu gosto musical era clichê.
Eu vou tomar banho.

Pronto, mas não lavei o cabelo, o xampu ta no finzinho e eu decidi economizar pra segunda feira quando eu preciso do cabelo limpinho pra ir pra faculdade. Essa é pra vocês que acham que economia não funciona no dia-dia.
Eu pensei que eu ia voltar com algo a dizer, mas não é tanto o caso, eu acho que poderia falar de música, eu lembro um dia, quando um desses meus professores de esquerda (o de geografia) me emprestou um vídeo do The Wall (do Pink Floyd, lógico) e nossa, aquilo destruiu minha mente, eu lembro muito claramente de ter ido assistir e ao fim do filme estar em posição fetal no chão, completamente espantado com aquilo, antes disso eu tinha algum contato com Raimundos e Green Day, mas porra, nem se compara, Pink Floyd me destruiu aquele dia; hoje meu sentimento em relação ao Floyd é muito mais de gratidão do que apreciação, grande parte desse se deve ao fato do Waters ser um imbecil, mas no fim, acho que eu absorvi o que precisava da música e não sei o quão dissose incorporou ou não a minha vida, mas de qualquer forma, passou, talvez não seja nada profundo, talvez eu tenha simplesmente enjoado depois de ter passado anos e anos ouvindo, sei lá, eu ando voltando a me interessar por música, eu gosto muito da cena indie e tem dias que eu sinto que ela é a grande coisa e que não tem como haver rock depois disso, tem dia que eu sinto que está passando e que eu estou aproveitando o finalzinho, mas sei lá, tem muitas bandas boas por aí que estão bem na ativa, minha única esperança é que quando eu tenha condições pra viver como nômade-jornalista-freelancer, essas bandas ainda estejam na ativa. Se bem que boas bandas sempre existiram e sempre existirão, eu gosto da época que estamos vivendo porque New Metal oficialmente morreu e as bandas famosa são aquelas que vazaram na internet e se provaram divertidas. A internet está criando essas situações em que a classe média tem acesso a bandas antes da MTV, então quando a MTV decidiu dar atenção ao Franz Ferdinand, qualquer um com acesso a internet já os considerava mainstream e eu estou falando de muitas pessoas.
Antes de baixar música ser algo tão absurdamente cotidiano, eram as gravadoras que escolhiam os famosos; agora estamos voltando a uma época bem feliz onde as gravadoras tem que correr atrás do gosto da molecada, porque se você lançar merda na MTV, as pessoas simplesmente vão desligar a MTV e baixar música na internet.
Eu gosto de sair a noite porque me da a impressão (falsa) que eu faço parte de algo, algo muito mais poderoso do que política ou religião ou familia ou qualquer instituição social. É a sensação de estar num lugar, se sentir bem, saber que as pessoas ao seu redor estão bem, independente de você e saber que naquela noite você talvez se apaixone, talvez se decepcione, talvez dê risada, talvez chore, mas que aconteça o que acontecer, tudo que você precisa é de uma ótima trilha sonora para que qualquer emoção que decida surgir seja incrivel e explosiva. De certa forma é por isso que eu evito tribos e grupinhos, eles fazem com que sair a noite seja uma obrigação social, o que destrói todo o sentido da coisa, não é nada raro grupinhos de amigos criarem uma pressão social que nem aquela de uma familia que te insiste pra ir no churrasco naquele sabado de manhã que você quer simplesmente ficar na internet.
Eu gosto de viver. Eu gosto da vida. Eu amo tanto a vida que eu acho que ela deva ser curta para ser bem aproveitada. Mas isso eu penso hoje, porque sou novo, quando envelhecer eu provavelmente vou arrumar desculpas para ser velho, mas por enquanto não acho...
Olha, é isso por esse post, eu esperava que ele ficasse maior, mas eu não chego perto de ser interessante como eu pensava que sou, de certa forma eu falei bem menos do que eu queria... eu fui hipócrita várias vezes, enfim, é um post que eu vou passar pra pessoas assim que eu conhecê-las, então tomara que eu não mude muito porque escrever esses posts são experiências emocionais que eu não tenho certeza se quero repetir muitas vezes. Mas no fim, eu nunca mudo muito, eu sou esquisito e tal, mas eu sou sempre o mesmo esquisito e isso é uma fraqueza fodida minha.
Não falei de filosofia, porque não tenho nenhum relacionamento especial com a filosofia como tenho com a politica ou com a música, filosofia pra mim é uma ferramenta para se chegar a algumas verdades e saber algumas coisas sobre a vida que você não saberia de outra forma, eu tenho amor por conhecimento, mas não esperem que eu chegue aqui todo feliz dizendo "putz! Olha o que Platão disse!", mas talvez eu encontre outros filósofos, Nietzsche era parte essencial e inseparavel da minha vida há uns dois anos atrás, hoje eu não vejo nada de demais nele, mas isso é mais efeito do fato que faz tempo que não leio do que falta de respeito pelas idéias, ele foi um poeta, isso tem que se respeitar, falando em linguagem beatlemaniaca: ele foi um amante e um dançarino; estranha a imagem dele de um sujeito bravo, louco e deprimido; ele certamente era triste, mas poucas pessoas amaram tanto o próprio oficio quanto ele, ele amou a filosofia a ponto de deixar ela destruir sua felicidade, é uma prova de amor tão poderosa que Nietzsche é um daqueles casos raros que eu meio que pouco me importo quando criticam as idéias, mas muito cuidado ao criticar o homem.
Eu quero me tornar uma pessoa boa, não faço a menor idéia de como fazer isso... tem dias que eu me sinto perdido, hoje eu me sinto bem. Eu vou até falar com a Rebs, ela merece minha atenção, esse post pode esperar.
Olha, eu não sei o que fazer pra me tornar uma pessoa boa, mas às vezes parece que tudo que eu faço é na direção errada. E sim, eu tenho consciência que esse sentimento podre na minha alma vem de defender o capitalismo, o egoísmo, os vicios e tolices das pessoas, eu já falei isso dúzias de vezes aqui, mas o foda de defender liberalismo (e liberdade num geral) é que ninguém quer que você apresente um argumento em favor da liberdade de ajudar uma criança passando fome, mas sim em favor da liberdade de ser imbecil. Ninguém quer que você defenda o casamento entre pessoas do mesmo sexo, nossa, como eu ficaria feliz de encontrar alguém que diz "gays são uma aberração", putz, eu poderia brigar contra esse desgraçado com toda a paixão e furia do meu ser, poderia lavar minha alma contra esse fascista maldito; mas não é isso que acontece, o que acontece é que eu tenho que defender a liberdade do sujeito dizer "gays são uma aberração" sem ser preso ou morto... aí é foda, a alma estraga mesmo...
Mas eu não quero desistir da minha alma, eu acho que eu tenho um lado bom, sei lá, geralmente quando eu estou com alguém eu gosto de ser carinhoso, de tratar a pessoa bem, essas são coisas que eu queria me concentrar, em tratar as pessoas bem, em prestar atenção nos sentimentos delas, que é algo que eu fazia bem melhor do que faço hoje... queria ter alguém pra segurar a mão e sorrir... ah, queria alguém pra me proteger, merda, eu continuo egoísta!
...aiai...
É... no final, acho que isso resume tudo, eu queria ser uma boa pessoa, defender bons ideais, fazer parte de bons movimentos, essa história toda e frequentemente eu não sei se sou mal interpretado ou se estou do lado errado das coisas... eu não quero ser uma pessoa ruim... eu quero ser bom, viver em um mundo bom, com pessoas felizes sendo felizes e pessoas chatas se afogando em angustia por não poder botar o dedo na vida dos outros, quero que as pessoas que tenham vontade de poder sejam forçadas a colaborar com os outros caso queiram algum poder e que as pessoas que gostem de colaborar pacificamente com os outros sejam recompensadas por isso. Ah... argh..........
Ok, eu cheguei a publicar isso e deletei. (eu salvo meus posts no computador, seus putos).
Digo, é assim que eu quero terminar isso? Como alguém que quer alguma coisa e não sabe se consegue?
Não sei se tenho algo mais o que dizer, acho que me frustra que eu não sou nada além disso que escrevi aqui. Não sei, talvez falte uma visão de fora, esse é afinal o tipico post idiota de garotas de 12 anos. "hoje eu acordei feliz, blé blé blé", mas ainda assim eu sinto que talvez pudesse sair algo bom disso... não sei se saiu... pra começar eu duvido que alguém leia, olha, são 11 da manhã agora e eu to desde as 6 e meia escrevendo. São 5 horas em um post, se eu dedicase esse tempo a escrever uma história em quadrinho, eu teria pelo menos umas 10 páginas.
haha! Eu nem falei de quadrinhos.
Sei lá, o que dizer? Minha experiência com quadrinhos é particular demais talvez até pra esse blog, eu me considerei um tempo parte de uma leva de fanzineiros e tal e talvez eu ainda seja, mas não sei, é mais um movimento do qual eu não me sinto parte...
Acho que quadrinhos é um porto seguro, ainda hoje é uma das coisas com as quais eu mais gasto dinheiro, que eu mais gasto tempo, é minha expressão de arte favorita, eu devoto parte boa da minha aos quadrinhos, então ele serve como porto seguro, é algo que eu gosto tanto e que eu sou tão bom fazendo, que eu deixo como plano B, porque no fim se der merda, eu posso sempre escrever ótimas histórias.
Diferente de escrever sobre política, escrever roteiros é algo que eu sou tecnicamente capaz de fazer. Mesmo sem nenhuma inspiração, eu consigo fazer uma história razoavel, eu não consigo escrever ótimas coisas usando simplesmente tecnicas, mas eu conheço as tecnicas e eu sei fazer bom uso delas, então é, eu sou um bom roteirista. Ponto.
Vou na lotérica e já volto.
Olha, eu tava falando com a minha mãe, tem alguma coisa de bom pra falar de mim mesmo afinal. Eu levo minha vida do jeito que eu quero, eu não abaixo a cabeça pra merda, sei lá, é uma caracteristica tipica de gente mimada, mas que seja, a questão é que existem pessoas realmente tristes no mundo, elas são as que mais sorriem e as mais mediocres. Pessoas geralmente se esforçam em seres patéticas; eu sou contra autoridade, contra hierarquias, mas eu acho que essas coisas vão se manter na mais libertária das sociedades porque no fim das contas, tem um monte de gente imbecil por aí e a incrivel mediocridade de tais pessoas destrói, por si próprio, qualquer proposta de utopia; as pessoas tem a incrivel capacidade de misturar uma enorme vontade de obedecer com uma enorme vontade de ferrar a vida dos outros. Então que se dane essas pessoas, eu me relaciono a pessoas por respeito e sentimento, as pessoas, assim como as idéias, me atraem por sua capacidade de me impressionar. Mediocridade não tem esse nome a toa; a maioria é, por definição da palavra, medíocre. Eu me recuso a ser, me recuso a ser mediocre como brasileiro, como pensador, como escritor, como qualquer coisa que seja. Eu não sou competitivo com as outras pessoas, mas sou comigo mesmo, porque eu sei que me deixar cair na mediocridade seria levar uma vida triste, seria ser submerso, de forma violenta e horrivel, em uma estilo de vida o qual eu tenho certeza que me levaria a uma vida tão claustrofóbica que seria impossível viver e acho que não tem nada mais humilhante pra uma pessoa aceitar se rebaixar a uma posição tão apagada a ponto de não conseguir sequer levar uma rotina entediante sem tentar copiar a rotina entediante dos outros.
Isso eu não faço. Não permito que os outros me governem. Não me filio a movimentos. Eu luto minhas batalhas e sorrio cada vez que alguém acredita que tais lutas valem a pena, mas eu não espero que você se junte a mim, espero apenas que sinta medo de ficar no meu caminho.
Haha. Eu não sei o que sou.
Que merda escrever um post desse tamanho pra chegar nessa conclusão. No fim eu sou meu próprio clichê.
Enfim.
Parabéns.
Você conhece o Rodrigo.
Boa sorte.

How many times will the cannonballs fly before they are forever banned?

Bob Dylan - Blowin In The Wind & Just Like A Woman



Irã
Olha, eu posso ser só uma alienada vítima da mídia do medo norte-americana, mas vou dizer uma coisa: Estou com medo do Irã.
A questão é a seguinte:
Há um tempo atrás, começou a se cogitar invadir o Irã por estar retomando seu programa nuclear e minha reação a admnistração Bush foi "O que?! De novo invadir um país do oriente médio? Quão retardados vocês podem ser?!!!!?!?!?!?!"
Mas agora a questão está aumentando, a possibilidade de invasão do Irã se torna cada vez menos um boato e cada vez mais um tema que jornais importantes discutem diariamente.
O que me preocupa é:
"E se o Irã construir uma bomba nuclear?"
Se já me da nojo um país com um minimo de sanidade como os EUA terem armas nucleares, mesmo sabendo que precisaria algo drástico para eles usarem, como eu devo me sentir com um país completamente controlado por ume elite religiosa tendo armas nucleares?
Acho que essa questão vai colocar o movimento anti-guerra numa encruzilhada... pelo menos deveria... mas enfim, eu sei que eu estou indeciso em relação a questão.
A guerra do Iraque por exemplo é algo nem a se pensar. Declarar guerra a um país que não atacou apresenta ameaça nenhuma e nenhum outro país é errado. Ponto final.
Agora um Irã com armas nucleares representa sim uma ameaça a outros países.
Pense em como você se sentiu quando acordou de manhã e soube que Londres foi alvo de um atentado terrorista, pense em como você vai se sentir quando souber que foi alvo de um ataque nuclear? Não precisa nem ser uma bomba atômica. Imagine um homem-bomba com urânio debaixo do braço.
E o que fazer? Eu não sei. Vale a pena invadir o Irã? Eu não sei.
Vamos por a pergunta de outra forma:
Vale a pena consentir com uma guerra que com certeza matará milhares de inocentes por que uma elite político-religiosa está pensando em foder o planeta?
Então não.
Não posso aceitar essa guerra.
A solução mais clara pra mim é a que eu definitivamente vejo como a mais improvável: um desarmamento em massa.
Minha posição é a seguinte.
Sou a favor da legalização completa e irrestrita de todas as armas de pequeno porte e da banição completa de todas as armas de destruição em massa.
O problema é que teriamos que fazer logo, antes do Irã ou da Coréia do Norte ter armas nucleares.
As nações do mundo deveriam se unir e ameaçar invadir primeiro os EUA, o resto é resto.
E não deveriamos banir simplesmente "armas nucleares", mas todo tipo de arma de destruição em massa.
Essas coisas devem ser banidas. A mera existência de uma arma de destruição em massa é um ato de agressão.
Não há livre acordo ou livre mercado quando um dos lados tem bases militares espalhados pelo mundo e armas nucleares o bastante pra destruir o planeta várias vezes.
O "grande satã" ainda é os EUA, indiferente do que o Irã faça, mas a encruzilhada é a seguinte:
Um argumento que a esquerda usa bastante é "se os EUA tem armas nucleares, porque o Irã não pode ter?" e isso é a coisa mais doente e retardada do mundo. O certo é que nenhum dos dois tenham armas nucleares e não que os dois tenham! Temos que lutar contra a proliferação porra!
Agora. E se uma ação militar dos EUA for a única forma de impedir o Irã de ter tais armas? O que faremos?
A questão é a seguinte. E essa é uma opinião que eu lutei pra não ter, mas eu não consigo me desafazer dela agora, existe um grupo de fundamentalistas islâmicos que tem claros objetivos políticos e que estão sim se infiltrando nos lugares pra impôr seu fodido modo de vida nas pessoas.
Não que isso seja novidade, os islãs não estão fazendo nada 1/10 grave do que os EUA fizeram na década de 60.
Se o Irã esta construindo armas nucleares pra impôr seu ponto de vista, isso só quer dizer que eles estão repetindo o que os EUA fez durante a guerra fria e que se foda sua retórica "os EUA estavam lutando contra o grande satã da URSS"
Desculpa se eu não morro de gratidão pelos EUA dos anos 60 por ter armado os fundamentalistas do Oriente Médio, por ter derrubado governos e mais governos na América Latina, por ter instalado, no país onde eu moro, uma ditadura fascista cujo modelo econômico estadista e clientelista se mantém até hoje.
É até engraçado ver esses conservadores dizendo que o Irã usa seu petróleo para fazer pressão econômica para impôr seu estilo de vid!!!! Pressão econômica para impôr estilo de vida é o que eu ouço dos EUA desde que eu tinha 12 anos de idade!!!!
E como geralmente ocorre nesses casos, temos um problema "de esquerda" e outro "de direita".
O problema da direita é óbvio (como geralmente ocorre nesses casos), os cães da guerra logo se animam com a possibilidade de explodir algumas pessoas em prol do way of life, do manifesto destino, essas besteiras todas.
O problema da esquerda é achar que não há nada de errado com esses fundamentalistas! Alguns até aplaudem! É o velho "anti-americanismo como ideologia". Digo, não importa se o Irã é incrivelmente mais fascista e corporativista que os EUA, importa que ele é anti-EUA e sendo anti-EUA até nazismo vale!
Faz muito tempo que os EUA vem tendo oportunidades para dar um bom exemplo, se desarmarem e destruir toda a moral dos seus inimigos, eles tem feito o oposto e graças a isso o mundo está se envolvendo em conflitos cada vez mais violentos.
Depois da queda do muro, os EUA poderiam ter declarado os conflitos como terminados e desmantelado todas as WMDs, depois do 11 de Setembro, poderiam ter adotado uma postura pacifica e ter iniciado uma verdadeira "guerra ao terror" ao se desmilitarizar.
Terrorista, afinal, tem todo o seu aparato baseado em pessoas e ideologia, se os EUA não se mostra como violento, a ideologia terrorista perde o sentido, se os EUA sai por aí invadindo países, qualquer mula imbecil consegue ver que o mundo vai se afogar em mais guerras.
E no fim é isso.
Portugal e Espanha invadiram povos pacificos para impôr seu estilo de vida, depois foram Portugal e França, aí a Alemanha, então a URSS e os EUA ficaram disputando quem invadia mais, aí ficou só os EUA e agora o Oriente Médio quer tentar?
Podemos culpa-los?
Pra finalizar. Palavras sábias.

Blowin' in the Wind
by Bob Dylan

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?

Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?

How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?

Yes, 'n' how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind

quinta-feira, abril 20, 2006

Your famous friend. I blew him before you, oh yeah!

Franz Ferdinand - Do You Want To

Eu percebo que existe cada vez um hype maior sobre o dia em que eu vou cortar meu cabelo.
Bem, podem desencanar, eu estava meditando sobre a questão hoje e não vai rolar.
A questão é que eu nunca gostei de me olhar no espelho. Sei lá, pode ser coisa de adolescente, mas eu nunca me vi ao olhar no espelho.
Eu sempre vi um sujeitinho patético que ficava chorando a noite depois de levar um fora.
Claro, eu ainda sou um sujeitinho patético que chora depois de levar um fora, mas pelo menos eu gosto do que vejo no espelho.
Esteticamente eu ja deveria ter cortado o cabelo, feito a barba, essa coisa toda há muito tempo atrás. Eu tenho consciência eu eu pareço feio. Mas eu sou feio. Minha alma é feia. E eu gosto de ver no espelho essa criatura cabeluda e barbada.

Então é isso, meu cabelo veio pra ficar, lidem com isso.

quarta-feira, abril 19, 2006

Evil

Interpol - Evil


Eu recebi hoje um e-mail com uma coluna do Arnaldo Jabor.
E, bom, primeiro é que eu acho que é do Olavo de Carvalho, mas tão dizendo que é do Jabor porque, tipo, ninguém respeita o Olavo.
Se for mesmo do Jabor, então ele tem copiado o estilo do Olavão.
O objetivo da coluna é tentar entender porque Lula se mantém nas pesquisas; ela tem uns pontos interessantes, mas na sua maioria é simplesmente infantil. Vamos lá.


Uma coisa ele acerta. Uma onda de burrice assola o mundo e ele faz muito bem em traçar isso ao Bush.
Quando o Bush foi eleito, é como se o mundo tivesse perdido a sanidade. Para um monstro que nem o Bush ter sido eleito e re-eleito significa que as regras caíram, a democracia oficialmente falhou com as eleições do Bush, se um genocida psicopata que nem o Bush pode ser eleito, qual o problema em se eleger Lula, Evo Moralez ou Hugo Chavez?
Mas não é só isso, há mais do que uma "onda de insanidade" ou uma onda de "falta de ideais."

Ele então pergunta "Os crimes desse governo deixariam o Collor no tribunal de pequenas causas, ele que, por muito menos, foi "impichado". Mas Lula se mantém inatingível. Por quê?" e responde com um "Bem, Lula é a figura mais legível para a imensa população de ignorantes do País (e não falo só dos grotões remotos...). Lula parece "fazer sentido", em meio a uma fase política sem ideologias claras".
Jabor falha em compreender exatamente porque lula parece "fazer sentido"; não é só a falta de ideologia que faz isso, mas também a falta de confiança em qualquer outro, mas não é só uma questão de "todos são corruptos."
Olha, tem uma coisa acontecendo na América Latina que toda a direita se recusa a ver ou interpreta mal, mas o que está acontecendo nessa onda de populismo não é um delirio por utopia, não é um monte de gente burra se agarrando a "bolsa-voto" e não é um monte de adolescente gritando "fuck bush" que está elegendo essa gente toda por aqui.
O que está acontecendo é um povo sem paciência pra ideologias; isso pode também ser traçado de volta ao Bush, o clima das eleições norte-americanas era de que ideologia é coisa de bicha e que o que os EUA necessitava era uma mão forte, não importa a merda que essa mão forte faz, o que o povo buscava era um líder.
Na América Latina de certa forma acontece a mesma coisa, as pessoas não querem o Chavez porque ele é um socialista, mas porque ele é um líder. Elas querm seguir alguém, não é uma questão de ser um povo que quer obedecer sem pensar, mas de um povo que está puto, sem poder e quer alguém que faça algo; porque foi assim que os Estados modernos e a social-democracia fez com a população.
Parece impossivel pensar hoje em um mundo onde o governo não controle a educação, a saúde publica, a lei, a ordem. Tudo se centraliza no governo. Tudo existe em torno e por causa do governo. A maquina estatal brasileira virou um fim em si e, sendo assim, as pessoas querem alguém que comande isso com punho firme e com seus interesses em mente, sem frescuras e bichices como "democracia".
Mas eu agora estou me equivocando. Esse é o caso da América Latina, não do Brasil. O Lula não é um lider forte, ele é talvez o presidente mais apagado que nós já tivemos em muito tempo.
Então se o que acontece no Brasil não é a necessidade por punho forte que acontece nos EUA, Alemanha, França e América Latina; exatamente o que acontece no Brasil?

A parte "Olavística" do texto do Jabor explica pouco. É como se a corrupção fosse um deliberado plano comunista, que é uma possibilidade um tanto patética. Quem tem planos comunistas pro Brasil é o P-SOL e o PSTU, não o PT.
O que me interessa é entretanto esse trecho:

"Como explicar que queriam a volta do atraso, por um intervencionismo de ruptura, com a reestatização da economia? Como explicar para o povo que é
preciso desconstruir o Estado arcaico, diminuir os gastos públicos, para que um "choque de capitalismo" desfaça a solidez do sistema patrimonialista,
como explicar que é justamente o Estado inchado que impede o crescimento e faz a miséria, como um câncer comendo a poupança nacional?

Como explicar isso a um sujeito que está num barraco da periferia recebendo 100 paus por mês de uma Bolsa Família ou então está de porre em Ipanema chorando por seus sonhos infantis? Como falar em globalização, modernização, diante das metáforas do Lula sobre futebol, se dizendo o melhor presidente "desde Pedro Álvares Cabral"?"

Exato. Como explicar tudo isso? Como explicar que o Brasil precisa de mais capitalismo sem parecer um monstro insensivel que não se importa com os pobres?
O liberalismo está cada ganhando mais força entre os intelectuais, que clamam, com razão, que o mercado é a melhor ferramenta para acabar com a pobreza, mas como explicar isso para o sujeito num barraco da periferia recebendo 100 paus por mês?
Com certeza não é repetindo diariamente que ele é burro por não deixar o mercado cuidar dele. Eu passei um ano estudando economia austriaca, ele não. O que os liberais esperam? Que ao invés de dar "bolsa-familia" nós darmos "bolsa-ação-humana-de-Ludwig-Von-Mises"?
Como o sujeito se sente quando o que falamos por "choque de capitalismo" não é um choque contra a burocracia, as oligarquias e as regulamentações, mas sim um choque contra a bolsa-familia, as leis trabalhistas e o décimo terceiro?
Como explicar que não somos esses elitistas querendo dominar os pobres quando tudo que conseguimos dizer é "O tucano quer ser eleito porque se acha educado, complexo, mas o povo quer
grossura, obviedades, estatuetas para adorar. E Lula é um perfeito orixá: tem a crescente arrogância das "vítimas das elites", tem um "layout" nítido do herói operário de barba e sem dedo. É a figura perfeita para os menos instruídos se identificarem."

Sim, claro que o Lula é uma figura atraente as massas, mas nós aprendemos com isso ou ignoramos como "burrice das ralés"?
Pelo que parece com o texto do Jabor, é claro que a direita brasileira insiste em ignora, não as necessidades do povo, mas as suas vontades, que é algo que Hayek disse ser o erro da maioria dos cientistas sociais.
E no passo em que Trotskystas norte-americanos foram pra direita se tornando Neo-Conservadores; os velhos socialistas brasileiros continuam analisando a sociedade da mesma forma que analisavam quando eram socialistas, só que "de direita".
Então se antes o Jabor repetia todos os clichês da esquerda de achar que a salvação virá quando todos fizerem sexo juntos, hoje ele repete os clichês da direita ao achar que Lula é uma imagem para os pobres por eles serem burros.

Os pobres estão passando por dificuldade e nós sabemos que a melhor forma de saciar essas dificuldades é acabando com a burocracia e deixando a economia de mercado fazer o que sempre fez e acabar com a miséria, entretanto não estamos atacando a burocracia, estamos atacando o bolsa-familia, não estamos atacando as leis, estamos atacando os assistencialismos, estamos fazendo aquilo que liberais sempre foram acusados de fazer, que é se horrorizar quando a classe média sangra para dar um pequeno alivio aos pobres pouco se importando que os pobres estão sendo escravizados pelos ricos.
Liberalismo não pode ser isso. Temos que atacar o poder e não o povo. Temos que atacar os BNDES, SUDAM, SUDENE e não as tristes consequencias dos males que essas instituições corporativizantes fazem. Temos que atacar o governo federal, a centralização de recursos nas mãos do presidente e não uma leve distribuição de renda dos pouco pobres pros muito pobres.
Temos que acabar com a miséria e isso tem que vir através do mercado e da globalização, mas enquanto existir miséria, não podemos atacar tais programas.
Lembrando do que eu disse num post passado:
"O Estado, ele quebra suas pernas, lhe dá muletas e diz que o ensinou a andar."
O que temos que fazer é impedir esse monstro que quebra pernas e não arrancar as muletas das vítimas.

terça-feira, abril 18, 2006

I Bet You Look Good During The Revolution

Pra fazer meus posts mais user-friendly. Eu decidi abusar do youtube e deixar um vídeo aqui.
Então, funciona assim.
Assim que o vídeo começar a carregar, vocês clicam "pause" senão ele vai tocar um pouquinho e parar e esperam ele carregar inteiro.
Enquanto vocês esperam vocês leêm minhas choradeiras sobre política e whatnots.

Enfim, o vídeo de hoje é I Bet You Look Good On The Dancefloor do Artic Monkeys.



Essa música é uma daquelas pra mim que são importantissimas por se tratar de algo que eu estou tão vivendo hoje, que é simplesmente esse mundo de baladas e pistas de dança.
Eu queria muito conseguir juntar isso tudo com a minha política e eu acho que eu estou chegando cada vez mais perto.
Quinta no FunHouse, uma garota disse pra mim (sei lá porque) "ai, passei tanto tempo estudando socialismo e anarquismo e agora eu to procurando emprego, que é pra ser capitalista" e eu pensei "você não procura emprego pra ser capitalista, você procura emprego pra vir aqui dançar", entretanto pobre garota, a diversão dela é manchada porque comprar bebida é um "ato capitalista".

O que me distanciou, em primeiro lugar, do socialismo, sempre foi o tédio dos seus participantes. Eu sempre soube que eu seria um anarquista. Isso sempre esteve claro pra mim, a questão então era "que tipo de anarquista ser" e na faculdade eu cheguei a ter contato com grupos anarco-comunistas e... bem, eles são as pessoas mais entediantes do mundo.
Não é uma mera questão de "ser entediante", mas pra citar uma anarco-comunista: "Não é minha revolução se eu não posso dançar."

Eu sou descrente em revoluções, ainda mais as armadas, mas acredito que chegará a hora em que teremos que abandonar a democracia representativa e encarar o Estado de frente, cara a cara.
Quando esse dia chegar, eu quero ao meu lado pessoas felizes, o que sempre me irritou em anarco-comunismo é o quanto eles centralizam tudo no trabalho, eu não quero uma revolução para me tornar um trabalhador, nem para me tornar um "comunitário". Eu quero uma revolução para me libertar do trabalho, para me libertar da sociedade, para me libertar das regras e da opressão.
Anarco-comunismo basicamente propõe basicamente um Estado soviético, só que com democracia participativa perfeita, onde não é o Stalin que decide as coisas, mas as urnas, só que porra, eu não quero uma revolução pra isso! Eu não quero uma revolução para me colocar em uma situação onde eu tenha que votar cada livro novo do Sandman que eu quero adquirir ou cada folga que eu queira fazer no fim de semana!

Eu quero uma revolução onde eu possa ser livre! Eu possa ter uma casa, onde eu possa trocar de empregos, onde eu possa me arriscar a largar tudo e tentar viver vendendo histórias. Eu quero uma revolução onde eu possa dançar como um electro-pop-robot from 1984!

segunda-feira, abril 17, 2006

Fell in love with a girl
Fell in love with her almost completely
But she´s in love with the world
Sometimes these feelings can be so misleading...
I bet you look good on the dancefloor.
Don´t know if you´re looking for romance or...
Don´t know what you´re looking for...

Tentando de novo...

E diga-se de passagem, esse album novo do Placebo ta do caralho.
Isso mesmo.
Eu não achei que meu blog estava visualmente poluido o bastante.

domingo, abril 16, 2006

Eu estava estudando umas coisas aqui de situacionismo, que é basicamente uma parte do movimento anarquista "pós-esquerda", que mistura elementos de niilismo com revolta, coisa e tal.
É no situacionismo que os Anarcopunks se situam (mesmo que não saibam); é basicamente um movimento anarquista baseado em niilismo, algo como "capitalismo é uma merda, comunismo é uma merda, tudo é uma merda, fuck the system!!" e começa o bate cabeça.
A definição "oficial" de Situacionismo é "um termo sem significado impropriamente derivado do acima. Não há tal coisa como situacionismo, o que significaria uma doutrina de interpretação de fatos existentes. A noção de situacionismo é obviamente criada por anti-situacionistas."
Situacionismo ficou famoso como um dos movimentos responsaveis pela revolta de 68 na França e um de seus mais famosos manifestos chama-se "Sua revolução é chata pra caralho".
Enfim, eu gosto muito de algumas posturas de tal movimento, mas aí eu tava lendo sobre Franz Ferdinand e vi que eles fazem parte de algo chamado "Post-Punk Revival".
Aí me surgiu.
Punk, como movimento politico, é "Post Left"
Joy Division é "Post Punk"
Franz Ferdinand é "Post Punk Revival"

Eu sei que eu saltei de politica pra música, mas eu achei engraçado que situacionismo tomou uma postura de "vocês são chatos pra caralho, vamos fazer nossa revolução!" e agora vem o post-punk como que dizendo pros punks "vocês são chatos pra caralho, nós vamos ficar nesses bares escuros dançando e você e sua revolução que se foda, seus velhos patéticos."

sábado, abril 15, 2006

FunHouse Love.

Eu não sei quanto tempo foi que eu conversei com ela.
Nós estavamos naquela sofá por acaso.
Ela parecia tão triste, parecia procurar algo, procurar forças, motivos ou simplesmente algo que desse a ela a ilusão de que valeria a pena se levantar dali por algum motivo.
Nós conversamos sobre tudo. Sobre nossos sonhos, nossos amores passados, nossa mania de ter relacionamentos que não passam de um mês.
Eu disse pra ela minhas idéias mais bobas. Os meus planos para o futuro.
Eu disse um monte de coisa que ela queria ouvir. Disse coisas que eu queria me ouvir dizendo.
No fim das contas, eu acho que amei ela.
Estava escuro, eu estava cansado, ela também, a bebida já havia deixado de fazer efeito e eu não sei por quanto tempo eu conversei com ela, mas eu acho que amei ela e eu acho que ela me amou também.
Ela pediu meu telefone, eu dei. Eu me despedi e fui embora, mas ainda fiquei por lá.
Um pouco mais tarde, eu vi ela de novo. Não estava mais escuro, eu estava rodeado pelos meus amigos e ela pelos dela. Nós nos despedimos uma segunda vez, bem mais sem graça e envergonhada do que a primeira, aí eu percebi que não a amava mais.
Mas eu ainda espero ela me ligar, mas espero pouco porque eu sei que ela me amou também e que também deixou de me amar.
Não acho que a vida tenha me ensinado muito, se é que ensinou alguma coisa, ainda mais sobre esse assunto, mas se eu aprendi algo é que amor é uma coisa do tipo que vem e vai, ele não está preso ao tempo e nem ao espaço, ele sobrevive por anos e a continentes de distância, mas ele também vem e vai; simplesmente desaparece do mesmo modo que simplesmente apareceu, pouco importando quão próximos realmente ficamos.
E no fim, não dá pra explicar o que é o amor, assim como não da pra explicar o que é um frio na espinha, ainda mais porque não é só algo que sente, mas também é algo que você sabe que é bom, algo que vale a pena acreditar.
Eu estava assistindo agora na TV Senado um documentariozinho sobre Brasilia e... minha nossa... Brasilia é o museu de arte mais feio do mundo.
Exatamente o que essa gente tinha na cabeça? É um monte de pedaço de pedra torta!

Sem contar que uma grande parte de Brasilia é dedicada a inconfiência mineira, pois ela é considerada o inicio da luta por soberania. É dada muitissima mais importância a inconfidência mineira do que a proclamação da republica em si. Um turista desinformado certamente acreditaria que Tiradentes foi um revolucionario que liderou um exército contra Portugal ou coisa do tipo, mas não, ele é só um bode expiatório de um grupinho que não era nem tão organizado assim, que mesmo que não tivesse sido traído, seria duvidoso se tivessem feito algo.

Isso diz algo sobre nós. Como valorizamos mais os fracassados.