sexta-feira, abril 27, 2007

Brekathrough

Ouvindo Modest Mouse eu acho que descobri alguma coisa sobre mim mesmo, ok, não foi agora, eu pensei no conceito antes, mas Modest Mouse me deu o ânimo de vir e escrever a respeito e eu entendo, antes de começar a escrever, que esse post vai ficar estúpido no fim das contas, mas enfim.
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Acho que um problema que eu sofri a vida toda foi uma abundância de confiança na minha inteligência, acho que a grande culpa disso tudo é minha por ter sempre interpretado alguém que é inteligente e ter feito isso bem, mas a questão é que raramente alguém duvida que eu possa fazer algo ou conseguir algo e ao mesmo tempo eu raramente consigo fazer algo ou conseguir algo.
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Eu sinceramente não consigo pensar em algo que está mais errado o tempo todo do que eu, é impressionante minha habilidade de simplesmente errar, ainda assim, não importa o quanto eu fracasse, essa aura de que "ele é inteligente" me segue, então como agora eu to numa de Schopenhauer-Nietzsche-Freud, eu comecei a pensar no inconsciente toda dessas coisas e eu sempre soube que eu me auto-saboto sempre; não é como se eu fosse tão preguiçoso sem motivo, não é como se eu deixasse de estudar ou de levar a sério meu trabalho pelo prazer da coisa, mas acho que é por causa de uma mania que eu tenho de provar que os outros estão errados e, oras, se está todo mundo dizendo que eu vou me dar bem na vida, nada mais natural do que eu fracassar pra poder apontar da cara de todo mundo e dizer que todo mundo está errado menos eu, que tinha certeza que ia fracassar.
É até uma aposta segura já que eu que controlo muitas coisas relacionadas a meu próprio sucesso e fracasso.
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A questão é que eu me esqueço o quanto eu fico feliz fazendo as coisas que eu gosto; o quanto eu incrivelmente gosto de escrever, de estudar, de adquirir conhecimento, de estar bem informado, de ser inteligente num geral e eu acho que minha genuina misantropia e minha preguiça me transformou numa pessoa inteligente até que lega, não legal no sentido de conviver com os outros, isso eu nunca vou ser, mas legal no sentido de que eu provavelmente nunca vou estar no circulo dos "intelectuais" do país por mais que eu saiba mais que eles; talvez eu tenha algum problema mental aí também, minha memória é horrível e por mais que eu tenha uma habilidade extremamente grande trabalhando com conceitos, eu sou muito (muito muito) ruim trabalhando com informações.
Então seria impossível, por mais cursinho que eu fizesse, que eu passasse na USP, porque eu jamais guardaria tudo aquilo de informação e não passar na USP foi provavelmente a melhor coisa que já aconteceu na minha vida; tudo de bom e de feliz que me acontece na São Judas (e eu me sinto honestamente realizado fazendo filosofia na São Judas) provavelmente teria o efeito oposto na USP.
Das poucas certezas que eu tenho na vida, uma que eu tenho é que a USP me quebraria em dois, não pela dificuldade, já que lá a carga horária é menor, pessoal é mais preguiçoso, menos exigente, etc etc e tal; mas eu me veria miserável e deprimido em uma segunda faculdade e talvez já teria até largado. Seria péssimo.
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A questão é que eu me esqueço às vezes como eu gosto do rumo que minha vida toma.
Eu estou aqui, escrevendo para uma revista, ouvindo música e posso largar tudo a hora que quiser para ler um pouco de Schopenhauer e depois escrever alguma história em quadrinho, mas por algum motivo, na maioria dos dias, eu simplesmente escolho não fazer nada dessas coisas e ficar triste e arrependido.
Se eu tenho um acesso tão livre e tão fácil a um estilo de vida que eu gosto, eu me pergunto porque eu simplesmente não o faço.
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Então acho que tem a ver com isso, é irritante admitir que toda essa confiança que depositaram em mim é justificada ou talvez eu tenha medo de fracassar; ter sido demitido da revista da primeira vez me deu um soco gigante no estômago, eu tinha um milhão de planos e expectativas e de repente já não tinha mais nada e como eu ainda estou com a impressão que cedo ou tarde eles vão me demitir de novo, então eu estou evitando ficar feliz demais em relação a isso.
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Eu acho que estou bem perto de achar algum ponto de equilibrio na minha vida; o problema é que como eu de fato ainda não achei, fica dificil criar uma rotina que eu me sinta confortável, porque eu tenho que deixar alguns espaços abertos na minha agenda e isso me irrita.
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Por fim trecho de uma música do Decemberists que está tocando agora.

"And if you don't love me let me go
And if you don't love me let me go

And I am a writer, writer of fictions
I am the heart that you call home
And I've written pages upon pages
Trying to rid you from my bones "

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Eu quero me apaixonar de novo.
Não que eu já não esteja apaixonado, eu estou, eu não sei o que eu faria sem a Helda, acho que se um dia ela perceber o quão desesperadamente dependente eu sou dela, sei lá, acho que ela vai simplesmente fugir e correr tão longe e nossa, eu nem quero pensar nisso, é o pior cenário possível.
Mas eu não quero parar de me apaixonar, nunca quero.
Eu não quero parar de me apaixonar, não quero ter um emprego fixo, não quero chegar ao fim dos meus estudos, não quero nada que signifique conclusão, mas sempre com um progresso, sempre rolando em direção a algo, mas nunca chegando lá e é estranho porque eu sinto que eu só vou ser feliz quando eu chegar lá, mas aí eu simplesmente decido que esse tipo de felicidade plena é inalcançável e parar em qualquer lugar que seja significa simplesmente parar na metade ou sequer na metade; se o percurso é infinito, é impossível percorrer qualquer porcentagem dele que seja.
0.07% de infinito ainda é infinito.
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De qualquer forma, me irrita um pouco que eu tenha que simplesmente continuar a fazer o que estou fazendo ao invés de começar algo completamente diferente, eu sou um fã muito maior de começos do que meios e não sei se vou conseguir lidar com a vida ser um interminável meio para um fim inatingível, mas quem sabe, talvez um dia eu encontre essa resposta...
Agora eu tenho que voltar a fazer aquilo que eu gosto de fazer.

sexta-feira, abril 20, 2007

Lori Earley


Acho que é impossível dizer o quanto estou apaixonado por isso, talvez seja pelo fato de estar doente e frágil, mas eu estou genuinamente apaixonado.
O nome dessa pintura é "Audrey" e eu acho simplesmente absurdo o quão ela parece poderosa nesse pequeno corpo e eu acho que é daí que conseguimos entender exatamente da onde vem toda a força da mulher.
A forma como ela olha para você... é masoquismo até, porque a forma como ela te despreza é tão incrivelmente atraente que é irracional em todos os sentidos possíveis, pode até ser notada uma certa raiva no olhar dela e talvez o que ela odeie é de fato ser tão desejada, afinal, ela claramente não é do tipo que se esforça para isso.
E a forma como ela está deitada bem na beirada da cama, quase caindo, deixando o cabelo desse jeito, é do propósito, ela quer que você saiba que você a tem, mas que ela não gosta e que você pode fazer o que quiser com corpo dela, mas que ela jamais vai ser, de fato, sua, que não importa o que ela entregue, ela nunca vai entregar seu amor.
É clássico e onírico e tão no futuro que que teremos sorte se nossos tataranetos a verão andando na rua...

quinta-feira, abril 19, 2007

Crítica da crítica da crítica

O propósito desse post é o de qualquer outro post desse blog.
Dar minha opinião sobre qualquer assunto em questão.
Então vamos lá a algumas coisas que me incomodaram no post do cunha sobre a resenha do garagem hermética.
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Primeiro, o Cunha fala da falta de reação dos envolvidos no projeto em relação a crítica, mas ora, crítica não é pra ter reação pública, ficar respondendo a críticas parece tentar concertar uma história depois que ela foi escrita, ou a história e o projeto passam o que deve ser passado ou não passam, a postura em si de querer responder ao crítico já parece, pra começo de conversa, que não existe nenhuma dessa boa vontade em aceitar crítica negativa.
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Sobre o prólogo do Eterno, eu acho que a crítica do Oliboni acertou em cheio, de fato, não dá pra saber do que se trata a história, ela termina de forma pouco clara de propósito, afinal, é só um prólogo, mas como nós não dissemos prólogo do que que era, ninguém é obrigado a saber e pra qualquer um fora do nosso mundinho deve ter ficado realmente confuso.
O problema da falta de informação não é que faltou, na história em si, informação; já que não era proposta da história em si dar essa informação, o que faltou foi uma introdução dizendo tipo "olha, isso vai continuar", senão fica que nem aquelas pessoas saindo do senhor dos anéis 2 sem saber que vai ter uma continuação, pensando que o filme termina na metade, claro que LotR teve toda um marketing deixando bem claro que é uma triologia, mas e a gente? A gente deixou isso claro pra qualquer um que pegue a revista? Se não, então a crítica dele é totalmente certeira.
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Depois vem a questão da proposta e mais do que no post do Cunha, isso me chateou nos comentários, primeiro do Cadu que disse " Mas que tipo de reação vc esperava? O Oliboni aponta como erro algo que é justamente a proposta da revista. (...) a crítica dele de nada vale pra gente." e desse Edu Mendes que eu nem sei quem é, mas que escreveu "A "resenha" do Oliboni desmonstra que ele nunca entendeu a proposta da revista.
Além do mais, eu nunca chamaria o texto dele de crítica, já que as opiniões que ele expressa raramente são fundamentadas ou amparadas em algo. Pra mim, no máximo, é uma opinião, não uma crítica."
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Primeiro, qual o problema em criticar a proposta? Isso parece de novo querer mascarar algo atrás de outro algo, é como aquela gente que faz quadrinhos de humor com o único propósito de, caso alguém criticar, poder dizer "ah, mas é de humor, é pra ser tosco mesmo".
A crítica do Oliboni, na minha opinião, é muitissimo bem vinda.

"Para explicar melhor isso, basta analisar a capa feita por Camila Torrano. A ilustração mistura diversas referências e estilos, mas eles harmonizam entre si, as linguagens visuais se complementam e formam um todo que funciona como algo novo. É isso que falta para a Garagem: encontrar um foco que dê uma liga entre as histórias.

A proposta de ter vários estilos é ótima, mas, apesar de estarem todos agrupados em uma mesma "casa", eles não "convivem". Qualquer leitor pode gostar de uma ou mais histórias, mas não conseguirá ver um conjunto. Assim, continuará curtindo o mesmo estilo de que sempre gostou e não aprenderá como outras idéias podem se conectar.

A Garagem Hermética segue por um perigoso caminho: o de agradar o leitor, mas não o cativar. Justamente por não prepará-lo para entender sua proposta, para gostar tanto de um traço mais torto, mais estilizado, quanto de um desenho "convencional". Isso dificulta a criação de um público para a revista."

Ignorar o que foi muito bem escrito acima numa acusação de que ele não entendeu a proposta da revista não tem base.
Ele entendeu a proposta da revista perfeitamente e criticou exatamente o fato de não soubermos ter utilizado a proposta direito.
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Afinal, vamos falar em frases mal pensadas.
"Além do mais, eu nunca chamaria o texto dele de crítica, já que as opiniões que ele expressa raramente são fundamentadas ou amparadas em algo. Pra mim, no máximo, é uma opinião, não uma crítica.""

Primeiro: TODA crítica é uma opinião, se você acha que exista e crítica "fundamentada" e "amparada" em algo além da experiência subjetiva do autor é entrar no reino mágico da crítica neutra e imparcial, para encontrar lá papai noel estuprando o coelhinho da páscoa por causa de uma aposta de jogo.

Segundo: A fundamentação da crítica é a experiência do Oliboni com fanzines cujas propostas são o de colocar diversos autores na mesma revista e ele certamente viu outros desses antes, então se ele diz algo que sequer passou pela minha cabeça (mas que agora concordo plenamente), ou seja, " A Garagem Hermética segue por um perigoso caminho: o de agradar o leitor, mas não o cativar." é porque ele já viu isso acontecer ou algo na experiência dele diz que isso vai acontecer; não é um juizo a priori, ele não sentou na cadeira dele e disse "ahn, acho que isso não vai criar público", ele entende do que resenha e se a proposta da revista é uma incapaz de cativar o público apesar de agrada-lo, então que tenhamos isso em mente, como algo próprio da proposta, ao invés de dizer que a resenha não nos serve ou que ela é mal fundamentada.
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Então, já que era pra se expressar sobre o assunto, aqui está a minha opinião, as críticas a crítica foram totalmente mal fundamentadas e dizer que elas não servem é ou abraçar as falhas da revista e seguir em frente com elas ou fingir que tais falhas não existem; o primeiro caminho é uma escolha, o segundo é simplesmente um erro.
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EDIT: (resposta ao comentário porque o grilo tem um milhão de blogs e eu não sei pra qual responder)

Ele não simplesmente disse que a proposta era falha, ele só disse que a revista está dispersa demais, das que você citou eu só conheço a heavy metal, mas há de se convir que quando você pega uma história da heavy metal, ela tem aquele feeling de heavy metal, ela é ou dark, ou noir, ou cyberpunk, sci-fi apocaliptico, enfim, é sempre algo "adulto" e "negativo" que é amplo o bastante pra permitir qualquer tipo de história estranha, mas ainda assim é uma característica.
Não to falando pra mudar a proposta da garagem, (o Oliboni talvez esteja, but oh well), como escritor da revista, eu adoro a liberdade de poder fazer a história que eu quiser e eu acredito que tem muita gente que gosta de pegar a revista sem saber o que vai esperar (sabendo apenas que vai esperar qualidade), eu só to dizendo que o Oliboni apontou umas coisas verdadeiras sobre ela e eu achei de extremo mal gosto simplesmente jogar a crítica dele fora só porque foi negativa.

De que serve uma crítica dessa? Pra mesma coisa que serve toda crítica, pra saber como que as pessoas de fora olham pra revista, não é um guia de como mudar a revista, ela pode ser totalmente ignorada no sentido de "o que vamos fazer na próxima revista?", mas ignora-la no sentido de "ela diz coisas que não concordamos", isso não existe.

quarta-feira, abril 18, 2007

Evolução

Acho engraçado como algumas pessoas tentam dar uma finalidade a evolução.
Eu não sei o quão certo eu estou sobre isso, mas eu sempre vi o resultado de evolução como aquilo que sobrevive, não necessariamente aquilo que é útil, simplesmente o que sobrevive, então a evolução é muito boa eliminando aquilo que atrapalha a sobrevivência, mas não necessariamente tão eficiente em criar o que é útil.
Digo isso porque às vezes vejo gente se perguntando qual seria a finalidade disso ou daquilo, no sentido de, "porque a evolução agiu dessa forma?" de uma forma muito parecida com que falam "como que isso se encaixa no plano divino?"
Acho que sempre que se perguntarem qualquer "porque" pra evolução, seria legal colocar na listinha de respostas um "pra nada, simplesmente sobreviveu".

quinta-feira, abril 12, 2007

Porque jamais fariam um seriado sobre filósofos (ou historiadores, sociologos e intelectuais do tipo)

A única interação que intelectuais tem é com livros e mesmo nas conversas com pessoas nunca se chega a resultados imediatos.
Séries com advogados e médicos dão certo porque em ambos existe um juiz.
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No tribunal, um lado ou o outro vence e that´s that.
No hospital, o paciente vive ou morre, não há escolha.
Agora no trabalho intelectual, as conclusões se arrastam por anos, talvez séculos e nessa ou naquela questão pode durar até milênios.
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Uma série com intelectuais só teria alguma relevância em momentos historicos muito especificos, mas diferente das séries sobre médicos/advogados/policiais, nunca seria possível mostrar o processo de investigação.
O máximo que pode acontecer seria tipo, o historiador percebe a história se repetindo no que seu país comete erros do passado e busca chamar atenção das pessoas para isso ou o sociologo ou economista que vê o quão fodidas estão as coisas e precisa lutar para ter suas idéias divulgadas.
Isso poderia dar uma boa série contanto que siga as regras das demais, que o intelectual seja excêntrico de alguma forma.
De qualquer forma, filmes com esse tema foram feitos já e geralmente são filmes bons, o dificil é transformar em uma série, é mostrar como cotidiano e emocionante a vida de alguém que tenta provar suas teorias sobre os rumos da humanidade.
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Uma série sobre um filósofo poderia facilmente tomar o irritante ar de uma série bonitinha onde o sujeito que vê o mundo de forma diferente vai acabando com a nuvem de ignorância e obscurantismo das pessoas enquanto viaja por aí ou algo do tipo, isso pode dar levemente certo se for um personagem de uma série maior, mas ninguém aguentaria temporadas e temporadas desse tipo de sujeito.
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Mesmo porque, quanto as personalidades dos filosofos, elas se dividem em dois tipos:
O otimista e o pessimista.
Essas duas classificações não tem nada a ver com idéias, é algo puramente das personalidades. O otimista é geralmente alguém que acha que as gerações futuras vão saber algo que ele não sabe ou que as gerações futuras vão aprender algo que ele sabe, de qualquer forma, o otimista nunca está presente e ele tem aquela imagem de sujeito olhando sorridente para o céu, imaginando um mundo melhor para todos onde a razão dominará e destruirá as trevas do obscurantismo bla bla bla tédio.
O pessimista (que é um tipo de filósofo relativamente recente, que, por motivos óbvios, só poderia ter surgido depois de Kant) é aquele que acha que a humanidade está condenada a ignorância, sempre presa por suas limitações, que com muito esforço podem apenas ser parcialmente superadas; esse tipo de filósofo pode ser completamente pessimista a ponto de achar que todo o exercicio filosófico é um esforço inútil ou simplesmente de achar que A solução universal de todos os problemas é inalcançavel, mas que com esforço podemos eternamente ir caminhando em direção dela.
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Na verdade, isso tudo tem o propósito oculto mais imbecil de todos:
Eu acho que eu me pareço muito com o House e eu adoraria de ver uma série sobre minha vida, ou pelo menos sobre a vida de alguém que escolheu um rumo parecido com o meu.
House é provavelmente o melhor personagem que existe e a questão toda é uma que, as primeiras vezes que você assiste a série, parece que você saca o personagem inteiro - ele é mal-humorado - depois com o tempo, uma coisa muito interessante vai aparecendo.
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O ponto neutro do House é que ele é triste, só que ele não é de todo mal-humorado, digo, ele está sempre fazendo piadas, ele é constantemente sarcástico, a tristeza dele vira algo comum e todo o humor da série está justamente nessa tristeza (a não ser aquelas raras vezes em que ele cruza a linha e de mal-humorado se torna simplesmente cruel).
A melancolia está sempre nos pontos em que ele busca a felicidade; primeiro porque significa que ele está abandonando um lado importante de si próprio e depois por causa simplesmente da dinâmica incrível do roteiro e da direção, quando ele está completamente insensivel em relação a seus pacientes em condições graves, então ele está sendo engraçado, quando ele se torna uma pessoa comum e de fato se sensibiliza com aqueles pacientes, a coisa se torna meio agridoce, no sentido em que por um lado é bonito, mas por outro é triste porque sai da dinâmica da série, a doença deixa de ser uma curiosidade e, mesmo que solucionada, se torna uma doença.
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Agora, a impressão que eu tenho do House é que seria muito interessante colocar esse personagem na função de um filósofo, sempre mal humorado e grunhindo, só que aí que está, ele é o único personagem do mundo que funcionaria como um filósofo e eu não sei se daria uma série legal.
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A questão é que esse ponto é inegável.
Seu normal (e feliz) deveria ser o pessimista que ri da tola humanidade que acha que tem respostas e o deprimente da série deveria ser encontrar alguém que de fato tem alguma resposta.
O antagonista típico do filósofo, por exemplo, é o crente.
O crente é antagonista até do filósofo cristão, porque o crente ENCONTROU a verdade e daí que ele está errado? Subjetivamente, o verdadeiro crente, não tem nenhuma das dúvidas que o filósofo tem; o pobre imbecil não está em contato com nada senão seu delirio inutil, mas eis que ele anda feliz pela rua enquanto o filosofo está deprimido por estar cercado por esse mundo que não compreende.
O filósofo cristão entende a importância da fé, mas isso não muda que ele procura algum respaldo na realidade, que por mais fé que ele tenha, nunca vai ser tanta fé quanto a do simplesmente crente, porque o sujeito verdadeiramente crente acredita em Deus por mais que a realidade berre o completo oposto, já o filósofo cristão precisa encontrar algum eco dessa causa primeira na realidade, ou isso ou ele separa sua filosofia da sua fé.
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Ou seja, uma série sobre um filósofo teria que mostrar alguém com uma visão radicalmente diferente da vida num meio completamente adverso.
Ainda nos exemplos óbvios, o do ateu em uma comunidade religiosa (mas também pode ser do religioso no meio de ateus); de qualquer forma, ele tem que ser constantemente desafiado pelo meio em que vive, mas ele tem que dar alguma forma de mostrar que a filosofia vale a pena ser estudada, o que é muito dificil, eu consigo imaginar rarissimas situações em que alguma coisa acontece e alguém diz "eu só sai bem dessa graças a filosofia" (mas talvez eu não esteja pensando direito), sem contar que ele precisa arranjar um motivo para a sociedade acreditar que ele é útil mesmo a desafiando; ou seja; temos que dar uma função utilitaria para o filósofo e todos sabemos o quão furado é isso.
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Nota que eu estou dispensando "trapaças", ou seja, tanto o House, como o Grissom do CSI poderia ser "filósofos"; bastaria que eles jogassem uma citação ou outra fora de contexto ou fizessem alguma obsefvação metafísica qualquer, o que de certa forma já ocorre.
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O que eu quero aqui é saber se uma série sobre um filósofo daria certo.
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Uma coisa poderia fazer a série ficar mais interessante (mas isso tem pouco a ver com filosofia): o próprio filósofo ser misterioso de alguma forma.
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Ele poderia chegar em uma cidade estranha com sua forma estranha de ver a vida e aos poucos dissipando a obscuridade E falso otimismo daquele povo (lembre-se, ele tem que pessimista e otimista AO MESMO TEMPO).
A questão é que eu tenho alguns "momentos House" que eu gostaria de preservar numa série; ou seja; aquele momento de todo episódio em que ele está parado sem resposta, então alguém diz algo que não tem absolutamente nada a ver com o contexto que o faz ver a coisa de uma forma completamente diferente e solucionar o mistério por olhar aonde ninguém estava olhando.
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Então ele não poderia ter respostas, todas elas; a sociedade não poderia desafia-lo simplesmente no sentido tosco, ou seja, perseguindo com tochas aquele demônio que quer destruir sua tradição circulas e inculta; ela teria que por ele a prova intelectualmente, suas convicções, seu estilo de vida.
E no último momento, quando nosso herói estivesse perto de sucumbir a tentação de abandonar a filosofia em prol de algo mais "útil", ele veria algo que ninguém vê e manteria orgulhoso seu estilo de vida.
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Esse último paragrafo funciona em todas as histórias do universo (substitua "a filosofia" por qualquer coisa importante para o herói), a idéia seria pensar que tipo de situação que poderia criar algo assim em termos de filosofia, se é que existe tal coisa.
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Tentando dar uma importância maior pra essa coisa que realmente tem, mas acho que se alguém (aham) conseguisse escrever uma série onde esse impulso do filosofar é posto a prova, então acho que conseguiriamos entender exatamente porque a filosofia é tão importante para a humanidade.
Ela certamente não o é em um sentido cotidiano e instrumental da coisa, a filosofia não é uma ferramente que você usa pra isso ou praquilo; mas se não existisse esse impulso, a humanidade jamais avançaria, porque a única coisa que permitiu, não só a ciência, mas também a moral e a legislação a chegar no ponto que chegou hoje é o ato de pensar além dos limites considerados razoáveis.
A questão é; esse impulso persiste em um ambiente completamente hostil a ele?
E muito mais importante; quantas temporadas de uma série semanal com episódios de uma hora duraria o impulso filosófico?

segunda-feira, abril 09, 2007

Chris Ryniak

Um post bom.

Eu sinto necessidade de fazer um post bom.
Eu estava escrevendo outro, mas ele estava arrogante demais e eu não sinto vontade de fazer isso, por um lado eu não me sinto tão merecedor de tanta arrogância, por outro eu quero me convencer que eu sou uma pessoa boa e todo o lance do post arrogante era esse, mas eu não quero me convencer que eu sou bom no estilo malandricus da coisa (ou seja, "eu sou um escravinho ridiculo que queria ter testiculos de verdade, mas não deu certo, então eu jogo rugby e finjo que isso significa qualquer coisa"), mas eu quero ser bom no sentido de ser alguém que eu tenha orgulho.
É dificil isso, colocar em si mesmo a expectativa de ser alguém que você admira, porque afinal, você não vê os podres dos seus heróis ou suas memórias ruins e mesmo que veja, a gente perdoa muito mais fácil o erro das pessoas que já admiramos, agora criar uma admiração por si próprio é dificil porque você tem erros empilhados em erros e um minimo de coisas boas no que se espelhar.
Sem contar isso, o quão ridiculo é tentar se espelhar em si próprio, mas é o ideal acho... sei lá, realizar alguns atos bons e então se espelhar no sentimento bom que eles criam (afinal, um ato nobre que seja que não gera um bom sentimento não pode ser chamado de um "ato bom") e usar isso como impulso para continuar.
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Ou como Goethe diz (vi hoje na versão extendida do Quase Famosos) "Seja corajoso e forças poderosas te ajudarão".
Recentemente eu tenho me tornado mais aberto a esse tipo de mística porque eu estou desligando esse lado mais espiritual do universo de qualquer moralidade cristã que exista. Então existem essa série de valores, sei lá, "pagãos" (é que TANTA coisa é dita pagã, mas afinal, no que eu elaborar vai ficar mais claro que não tem nada a ver com esse povo wicca que são simples cristãos remanejados) e chega a fazer mais sentido que o universo esteja alinhado com eles.
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Então enquanto a ousadia, a ferocidade e a honra são dispensados no plano cristão, eles são admirados nesse outro universo, que é um universo que favorece força e ousadia.
A questão toda é estranha, na verdade, porque eu também to pegando muito da "mística" do Schopenhauer, e é interessante porque Nietzsche diz que Schopenahauer meio que ressucita ("alça ao trono") uma maneira antiga de pensar que dizia que todas as coisas faziam parte da vontade desse ou daquele ser, mas o que Nietzsche, pelo menos nesse aforismo, despreza é que diferente dessas religiões, a Vontade schopenhauriana está em conflito com a vontade individual.
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Então eu acho legal essa maneira de pensar (resta saber se é certa, mas ah, deixa eu só achar legal hoje) de que existe uma vontade do universo, existe um fluxo, mas que essa vontade ela quer sua morte, ela quer te absorver em si própria, então ela luta contra você e o pensamento religioso geralmente diz pra você deixar ela te abater, pra você "ir com o fluxo" e eu ainda não cheguei na parte em que Schopenhauer recomenda o que fazer, mas o que eu posso dizer é que manter o conflito é uma coisa boa, porque o livre-arbitrio, afinal de contas, existe, mas ele é algo que pode ser muito facilmente ignorado, basta você seguir o fluxo.
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Não é uma questão de entrar em conflito direto com o universo só pelo prazer da batalha, (sentir prazer na batalha é uma noção ridicula, criada por gente que quer convencer os outros a lutar suas lutas particulares, algumas pessoas são viciadas em vitória e por essa possibilidade elas se entregam a batalha por qualquer motivo besta que seja, mas eu quero ver o prazer que elas sentem na batalha enquanto são abatidas.), mas é uma questão de que a sua vontade não é simplesmente um teco da vontade universal agindo em você, ela é uma parte diferente (se não fosse, saberiamos sem nenhum problema a teleologia toda), de qualquer forma, existe, nas suas mãos, a chance de fazer seu próprio destino, independente da Vontade universal, às vezes você pode dar sorte e ir pro mesmo lado, mas é provável que vez ou outra você tenha que entrar de cabeça contra o fluxo, faz parte do jogo.
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Falando em jogo, aliás, eu diria que achar seu caminho na correnteza é a única esperança que temos de sair desse jogo.
Se você simplesmente segue o fluxo, então, bem, você segue o fluxo e não tem como saber pra onde isso vai, vai saber se o fluxo não acordou de mau humor e decidiu que todos devem pegar em facas e matar os outros ao seu redor, não vejo nenhum lugar dizendo que o fluxo vai pra um lugar pacifico e bom senão religiões mesmo que se especializam em wishful thinking.
Se você vai contra o fluxo, você está sempre na batalha, sempre se quebrando, sempre ficando cansado e, claro, você evita cair de cima das cachoeiras de cabeça nas pedras, mas por quanto tempo?
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Se metáfora vale de alguma coisa (e raramente vale), então a coisa da vontade universal ser um rio, a solução parece se segurar numa margem. Ficar paradinho e não ir nem contra e nem a favor, mas isso derruba todo o ponto, se é pra eu deixar o rio decidir o meu curso, eu pego o caminho mais tranquilo e caio da cachoeira.
A questão é que a sua vontade ela não é o seu impulso primeiro... não sei... pode até ser, mas ela é toda misturada, eu não caio nessa de que seu corpo age primeiro e só depois sua cabeça vai racionalizar a ação, isso acontece, mas certamente não é a regra, a gente não escolhe, por exemplo, com quem vai se casar (blergh) por algum instinto (já viu aquela gente dizendo que escolhemos parceiras pensando na reprodução, engraçadissimo né? É engraçado porque não tem nada a ver), a gente pensa no assunto e a vontade ela é parte dessa equação (e sempre vamos dar uns pontos automaticos para o que a vontade diz, mas de nenhuma forma significa que nós a obedecemos, a não ser que estejamos falando de multiplas vontades dentro de si mesmo, mas aí fica tenso demais pra mim, um passo por vez), mas de nenhuma forma você segue apenas sua vontade ou apenas sua razão ou apenas qualquer coisa que seja.
As coisas são relativas, não relativas ao nada como os imbecis dizem (tudo é relativo, diz um imbecil [que não é o Einstein, mas as pessoas que usam a frase fora de contexto] e aí você pergunta "relativo a que?" e o imbecil não sabe a resposta), qualquer coisa depende de muitas outras coisas pra acontecer e com nossas decisões é o mesmo, dizer que é instinto, livre-arbitrio ou vontade é sempre limitante, você sempre acha contra-exemplo, de forma que a única solução mesmo é misturar isso tudo, até conflitar essas coisas, de nenhuma forma o que eu faço é uma soma do meu instinto com o meu livre-arbitrio com a minha vontade (senão seria tudo uma coisa só), então eu tenho o instinto* de sobrevivência e também a vontade de sobrevivência e racionalmente, sobreviver faz sentido, então suicidio é uma possibilidade remota; já eu tenho o instinto de preservação da espécie, alguma vontade de preservação da espécie e racionalmente ela não faz nenhum nexo; assim nós vamos conflitando ou cooperando essas coisas no que elas importam; sua vontade ou seu instinto não importam nem um pouco na hora de fazer uma conta matemática, então é algo puramente racional; quando lidamos com teorias (mesmo matemáticas e cientificas) que você não tem 100% de certeza e que sua racionalidade, no momento pelo menos, não alcança; então o mais provável é que sua vontade que é quem vai decidir a parada; já o instinto não faz parte da razão, embora ele a pegue emprestada de vez em quando pra te convencer a fazer coisas, assim como a vontade; então o instinto quer se alimentar, mas você não está nem perto de morrer de fome, então ele usa a razão pra criar um silogismozinho do tipo "se eu não comer, então eu morro" ou "então eu vou ficar com mais fome" ou "tal comida é bem gostosa", enfim, a vontade faz isso mais claramente, então você quer ficar em casa, aí você fica pensando "ok, se eu faltar não tem problema porque não tem lista de chamada", isso é a vontade pegando sua razão emprestada, porque puramente racional você faria todas suas obrigações e tudo que é bom pra sua sobrevivência, mas o lance é que a razão não quer nada senão fazer sentido, então a razão ela fica se degladiando entre ser ferramente pro instinto, pra vontade e pra fazer sentido; então a razão te impede de se demitir pra comer um cachorro quente meia hora mais cedo porque isso não faz nexo e a razão te impede de gastar todo seu dinheiro em entretenimento porque isso não faz nexo também, afinal, as duas coisas arriscam sua sobrevivência desnecessariamente ou por motivos banais e, afinal, razão = egoísmo, porque auto-preservação é a coisa que mais faz sentido no mundo, pelo menos pra razão, porque se você não vive, então você não pensa, racionalmente o suicidio só faz nexo se você conseguir provar que não tem mais nada no que pensar, porque mesmo que viver seja fútil, você tem que viver, nem se for pra pensar que viver é fútil; já vontade de se matar tem dia que não falta, mas é da natureza da vontade se livrar do sofrimento (que graça, eu to ligando as teoriazinhas todas, sempre soube que tinha talento pra isso, tipo, misturar um milhão de coisas diversas e fingir que é um pensamento original, tipo a história que eu escrevi, que eu misturei band of brothers com dungeons and dragons e eu vou misturar isso com bob dylan e com chuva contra o vento, que já deve ser uma mistura de outras coisas, talvez de mim mesmo com 10 pãezinhos, vai saber, afam, voltando), então é por isso que é tão fácil perder a razão, porque afinal, ela é um instrumento pra sua vontade e pro seu instinto (que, vale lembrar, podem muito bem fazer você fazer coisas sem ela) e a única coisa que ela quer é se auto-preservar (e ela faz isso sendo lógica), talvez seja pela natureza da razão querer se auto-preservar que é justamente ela que cuida da nossa auto-preservação; afinal, ela se preserva sendo lógica e nos mantendo vivos; já a vontade não precisa de nós, ela é parte de algo maior, da Vontade universal do começo do post, a vontade da vontade individual, no caso, é o de manter sua unidade e pra fazer isso ela precisa que você fique vivo; voltando a analogia do rio, a vontade no seu corpo é como água dentro de um copo e você pode colocar uma etiqueta escrito "Rodrigo" nesse copo e fica tudo de boa, não é só mais água, é a água do Rodrigo, é uma água particular, individual; mas aí se o copo quebra e a água cai no esgoto e volta pro rio, ela fica sem importância de novo; só que no caso, esse é um rio-monstro que fica tentando quebrar o copo pra ter sua água de volta, mas enfim, a gente ta explodindo minha pobre metáfora (tadinha dela), mas por vontade que a vontade particular tenha de manter sua unidade, ela não depende disso pra viver (diferente da razão, lembrando) e existe o quanto ela aguenta lutar contra o rio-monstro, até que ela de fato desencana e a vontade de viver (e, por consequência, de todo o resto) some; no que diz respeito ao instinto, você é útil enquanto tem um papel pra desempenhar na conservação da espécie, então ele te usa enquanto você não procria, claro que o instinto sendo algo tão intimo do corpo (talvez não haja nada de instinto no espirito, mas vai saber), ele não tem *para* de funcionar depois que a gente tem o terceiro filho, ele vai indo, se alguma coisa ele fica menos determinado e com o corpo envelhecido, ele fica menos ativo também, mas de qualquer forma, ele existe enquanto existe corpo.
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Então aqui a gente indentificou três coisas: Instinto, vontade e razão.
Instinto é como a biologia mantém a espécie
Vontade é nosso pedacinho particular da alma do universo (que frase besta)
Razão é uma ferramente lógica (mesmo que ineficiente)
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Desses, o instinto tem plenamente a ver com o corpo, talvez o instinto seja o corpo de certa forma.
A vontade é algo que tem a ver com o espirito, acho que Schopenhauer "pretty much nailed" o que tem a dizer sobre ela e eu nem vou fingir que consigo resumir aqui.
A razão é algo que tem a ver com a mente.
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A questão é as três coisas ficam brincando entre si, então a mente está no corpo de certa forma (cerebro gentem, dãr, né?) e é inseparável desse, que é o motivo pelo qual somos egoístas, o instinto é algo que está mais no DNA, então como DNA é um lance que tem em todas as células, faz sentido ainda dizer que corpo e instinto são meio que a mesma coisa, mas da mesma forma que seu DNA fica com seus pimpolhos, o mesmo ocorre com o instinto, já a vontade tem suas próprias maquinações e quem sabe qual é, de qualquer forma, em nós, ela é individual e com uma dose muito grande de meditação e auto-conhecimento, nós talvez tenhamos alguma chance de descobrir qualé a dela, mas de qualquer forma ela tem seus próprios planos e ela te usa pra eles; visto o tipo de coisa que temos vontade de fazer, eu diria que ela quer simplesmente se divertir, talvez o fluxo do universo seja algo entediante e uma vez que a vontade é vontade, não seria dificil de acreditar que ela aproveitaria os seres vivos para tirar umas férias, engraçado que sempre pensam que somos instrumentos pra uma vontade universal, mas quem sabe, talvez sejamos instrumentos justamente para fugirmos dessa vontade e dançarmos a vontade, but well, who knows, eu não conheço nem minha vontade (no momento ela só quer fazer um post bom), quem dirá a vontade universal.
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Agora eu percebo que eu entrei num problema cristão básico, porque enquanto tudo era Vontade, era fácil, tudo partiu da vontade, quer voltar pra ela, estamos de boa, agora nós temos três coisas, que conflitam e cooperam, é dificil achar um inicio; a vontade ainda parece uma boa aposta, mas aí teriamos que dizer que ela criou seres vivos como colônia de férias, mas que algo deu errado e a gente desenvolveu instinto e razão (e livre-arbitrio, que talvez não faça parte nem de um e nem de outro, que é outra coisa completamente diferente; outra ferramenta; ou é um sub-produto das outras três), porque veja bem, se algo não tivesse dado errado, nós seríamos seres de pura vontade e, como vimos nesse post que revoluciona a filosofia, isso não rola, eu até aceito a idéia de que a vontade crie instinto pra que seu parque de diversões se reproduza, mas a razão fica de fora, talvez a razão seja uma ferramenta pra que nem um, nem outro tome controle; ou seja, para que o instinto não se torne outro tédio de fluxo e o parque de diversões perca seu sentido e para que a vontade não cause a extinção da espécie; isso faz sentido se você for ver que a razão é de fato uma mera ferramente enquanto as outras duas coisas tem suas maquinações próprias e, afinal, egoísmo é um bom meio-termo entre diversão e preservação da espécie.
Mas ainda tem um elemento humano aí que não pode ser explicado puramente por forças universais, o qual eu esqueci, mas juro que tava na ponta da língua, (céus, aflição, eu não lembro), ah sim, lembrei, é a questão da individualidade; nossa idéia de busca pela felicidade é diferente e é um conceito bem complexo, se a gente for cair no misticismo de boteco do Rodrigo de acreditar que somos transatlanticos da vontade em férias, então teriamos que acreditar que assim que um teco da vontade vê a oportunidade de se desprender do todo e se tornar algo, ele também passa a ter propósitos diferentes do todo; o que afinal, é o começo desse post, a vontade individual ela briga contra a vontade universal, elas não são diretamente opostas, mas são certamente diferentes.
E sem contar que, de fato, existe o livre-arbitrio, que é também daonde surgiu essa conversa dessa trinidade, que, de fato, o sub-produto dela parece dar ao livre-arbitrio sua direção, mas não sei se é só isso.
É possível ir contra a razão, o instinto e a vontade ao mesmo tempo? O suicidio parece levar a crer que sim, mas acho que eu já expliquei o suicidio aqui, é simplesmente a razão não vendo mais propósito para si própria, o instinto perdendo a esperança de passar para a prole e a vontade achando que a viagem ficou tão desagradavel que vale a pena voltar ao uno, mas e a questão do aprendizado? Eu só tenho vontade de Playstation 3 porque eu sei que ele existe, será simplesmente a abstrata vontade por "diversão" escolhendo o Playstation 3? Mas ela faz isso baseada, também, no meu hábito, porque eu jogo videogame desde pequeno e eu comecei a jogar videogame por uma questão social, então será que a vontade meramente dá o abstrato impulso da busca pela felicidade e permite que nós escolhamos o motivo? Eu sei que a vontade é algo dentro de mim nesse momento, atrás da minha cabeça, me olhando, mas eu por algum motivo imaginei ela mais malvada que isso, talvez seja coisa de desenho animado demais, mas é estranho pensar numa vontade boazinha que diz "fiote, quero ser feliz, você decide como", embora faça certo sentido, separada do uno, talvez a vontade se sinta meio perdida e não saiba mesmo o que fazer, apenas supervisionando nosso trabalho e nos deprimindo quando fazemos ele errado.
Será que eu estou dando uma forma humana demais pra vontade? Se ela é como Schopenhauer diz, então ela tem pensamentos, eu disse algumas vezes nesse post "a vontade da vontade", mas isso foi um erro, porque isso dá um carater mais racional a ela do que deveria ter, a vontade ela simplesmente age, a não ser que estejamos falando da vontade de outra coisa que se sente entediada no fluxo universal e quer umas férias, aí a gente volta a colocar a Vontade como primeiro movimento, porque essa coisa sente vontade, ou as mônadas dessa coisa de qualquer forma, porque afinal, são elas que se separam e vem pra cá tirar férias, mas aí não tem diferença entre dizer que isso é coisa do ser primeiro ou da vontade primeira, nossa, peraí, eu to ficando confuso.
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Eu to perdendo a concentração aqui, calma um pouco, então a vontade ela simplesmente explodiu, porque é isso que a vontade faz, ela age e ela agiu em direção a algo, a questão é que a vontade, entre outras coisas, fica entediada, ela é vontade, ela precisa ser feliz, mas ela não pode perder sua unidade, então ela conflita consigo própria, se separa, cria seres vivos, ou seja, seres fora da ordem do universo, isso tudo sem pensar, simplesmente agindo por impulso, porque a vontade é uma força violenta, ela cria um ser vivo e esse ser vivo primeiro não diferencia vontade e instinto, os seres unicelulares são o exemplo perfeito disso, eles lutam pela sobrevivência, eles querem sobreviver, mas produto do querer e do instinto é a mesma coisa, então eles vão indo, vão evoluindo para se tornar seres mais divertidos, mais complexos, mais afastados da ordem natural das coisas até chegar no homem que é esse ponto da evolução justamente por ter razão, porque através da razão ele consegue tomar decisões por conta própria e só assim, decidindo por conta própria, que ele consegue sair do jogo, sair da ordem universal, sendo assim a montanha-russa perfeita pra vontade universal, mas isso tudo por impulso e sempre com a Vontadezona tentando pegar seus filhotinhos de volta pra que eles voltem ao trabalho.
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Ah, fez sentido, né?
Bem mais que aquela baboseira de ser bonzinho fazendo tudo por amor.
E ficou redondinho cara, eu explico várias coisas numa tacada só.
Isso que é teleologia de qualidade.
Me sinto tão bem.

Aliás...

Eu mostrei esse post pra um monte de gente, mas esqueci de anunciar aqui.

http://www.filosofiailustrada.blogspot.com/

Tem aí uma boa prévia sobre nossos projetos futuros.

Assustador, Kevin Smith...

"Aquele cara sempre me fascinou. O filme trata desse assunto e desse ponto de vista levado ao extremo. Pra mim há toda uma variedade de horror, e matar uma pessoa não é a pior coisa que você pode fazer a outro ser humano", explicou, indicando que o seu filme não se encaixará na linha de terror homicida. "Pra mim, usar um personagem similar a Phelps como vilão, ameaçador como só ele pode ser, não é tão tenebroso quanto saber que há um governo por trás que permite que ele faça essas coisas - isso é outro ponto que eu quero examinar de maneira geral."



Já eu acho assustador um governo que não permita essas coisas, mas cada um cada um, né?


Phelps é um pastor norte-americano que fica fazendo passeatas com placas do tipo "Deus odeias as bichas" e "agradeça a Deus pelo World Trade Center" e por dizer que os soldados merecem morrer pois são pecadores, a questão é que por mais imbecis que eles sejam, eu acredito sim que liberdade de expressão deva ser mantida até nesses níveis mais amedrontadores, porque se a gente (que não tem nada contra homossexualidade) proibir esse cara por dizer algo que nos ofende, ele pode muito bem usar a exata mesma justificativa pra dizer que ateu não pode falar mal de religião e eu acho muito assustador um governo que tenha poder pra decidir esse tipo de coisa.

Então eu acho que o Kevin Smith pisou profunda e fodidamente na bola nessa quote. Ele poderia perfeitamente dizer que é assustador que exista gente que pense assim, mas achar assustador um governo que permita liberdade de expressão é um absurdo.

sexta-feira, abril 06, 2007

Síndrome de Aesperger

A síndrome ou o transtorno de Asperger (doença rara; também chamada "Desordem de Asperger" código CIE-9-MC: 299.8) está relacionada com o autismo, diferenciando-se deste por não comportar nenhum "atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou de linguagem". O termo "síndrome de Asperger" foi utilizado pela primeira vez por Lorna Wing em 1981 num jornal médico, que pretendia desta forma honrar Hans Asperger, um psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido internacionalmente até à década de 1990. A síndrome foi reconhecida pela primeira vez no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, na sua quarta edição, em 1994 (DSM-IV).

Alguns sintomas de Asperger são: dificuldade de interação social e empatia; interpretação muito literal da linguagem; dificuldade com mudanças, perseveração em comportamentos estereotipados. No entanto, pode isso ser conciliado com desenvolvimento cognitivo normal ou alto. É mais comum no sexo masculino. Quando adultos, podem seguir uma profissão, casar-se, e até mesmo, há indivíduos com Asperger que se tornam professores universitários. Uma Asperger de sucesso chama-se Temple Grandin, nos Estados Unidos, uma engenheira e zoóloga, professora universitária.

Outro Asperger de sucesso é Syd Barret, vocalista, guitarrista e compositor dos Pink Floyd, que devido ao Síndrome de Asperger, possível consequência do excessivo consumo de drogas psicotrópicas, viria a só participar no primeiro álbum (maioritariamente) e, minoritariamente, no segundo álbum dos Pink Floyd.

Também o vocalista da banda australiana The Vines, Craig Nicholls, foi diagnosticado com a sídrome. Nicholls cataliza toda a sua inteligência na música, criando climas energéticos e totalmente psicodélicos, estando, no entanto, afastado de quase todo o relacionamento social.

Suspeita-se que Albert Einstein, o físico Isaac Newton, o compositor Mozart e o pintor renascentista Michelângelo também fossem portadores da síndrome, além do cineasta Stanley Kubrick e do filósofo Wittgenstein, bem como Andy Warholl e até mesmo Bill Gates.

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(quem assistiu House ontem sabe onde isso vai)

Esse sempre foi um pensamento podre meu e acho que eu já falei disso com a Rebs algumas vezes, mas eu realmente queria ser diagnosticado com uma doença dessas.
Problemas com interação social, obsessão por certos temas e "perseveração em comportamentos estereotipados" eu já tenho, então não sei que diferença faria ser diagnosticado com essa versão mais light do autismo (que é a síndrome de Aesperger).
Se alguma coisa, ela ajudaria a me concentrar, porque não se pode negar que pessoas obsessivas são dedicadas em seus trabalhos, a única coisa que parece me diferenciar de alguém com isso é que eu sou anti-social por maldade mesmo e minha obsessão não faz eu me dedicar o suficiente a um tema qualquer.
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Sem contar que ser diagnosticado com qualquer tipo de trauma de infância, disturbio psicologico ou doença neurológica me livraria do peso de ter um espirito ruim.

terça-feira, abril 03, 2007

Yes! Sblargh prevê o futuro com sucesso mais uma vez!

(clique no titulo, é um link)

Do sblargh: (um texto sobre Web 2.0 que eu escrevi pra revista Pronto e que foi brutalmente ignorado)

"E se isso se espalhar em todos os produtos? E se um dia a tecnologia tornar a construção de um carro algo tão simples e automatizado quanto a confecção de uma camiseta? Existiria um CafePress para carros?"

Do Techguru:

"Um projeto desenvolvido pela Sociedade para a Natureza e Meio Ambiente da Holanda em parceria com mais três universidades daquele país (Eindhoven, Twente e Delft), resultou em um carro baseado na filosofia dos softwares de código aberto. Ou seja, o usuário pode modificá-lo conforme bem entender."

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Ok, não é bem um CafePress para carros, mas quem duvida que essa moda pegue daqui há alguns anos?