Quer o mundo perceba ou não, o tal Vaticano que "tira férias da realidade" e "abraça antissemitas" faz, ainda mais uma vez, uma grande contribuição na luta contra o antissemitismo.
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Pois vejam, que a SSPX começou a retirar dos seus websites textos relacionados ao judaísmo.
O antissemitismo da SSPX vai além das declarações doidas do Williamsom. O grupo é, em si, antissemita. Um dos motivos pelos quais eles se separaram da igreja era que a igreja não mais aceitava que se acusasse os judeus de deicidio e que a igreja não mais pedisse conversão dos judeus; mesmo porque, seria redundante. O povo judeu já é tão salvo quanto o povo cristão (Wiccas ainda vão pro inferno, sorry).
Trazer a SSPX pra igreja significa dizer "abandone essas coisas". Claro, o Vaticano tem um péssimo departamento de relação pública, mas vá lá; são monges, não marketeiros e nem políticos. Monges lutam kung fu, não fazem conferências de imprensa.
Está acontecendo uma quebra na SSPX; os que quiserem continuar antissemitas vão provavelmente ser expulsos e criar um outro secto ainda mais doido e extremista. Mas a maioria (e são alguns milhares de fiéis no mundo) vai simplesmente deixar o antissemitismo pra lá.
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Isso é o que a Igreja faz; ela acolhe pecadores e vai aos pouquinhos expurgando o pecado. A gente costumava queimar as pessoas pra ser mais rápido, mas isso se tornou politicamente incorreto, então ao invés disso usamos essas táticas de abolir excomunhões pra iniciar um dialogo.
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O lado mais progressivo da Igreja está puto que o Papa escolheu abraçar primeiro esse grupo, levar todo esse dano na imagem; do que abrir um maior dialogo com posições como ordenação de mulheres e aceitação dos gays católicos.
Eu concordo que essas questões merecem ser mais levadas em consideração pelo Papa; eu tenho um especial carinho pelos gays católicos, que foram basicamente eles que me fizeram ver o quanto a Igreja pode ser uma força positiva no mundo (e aí, graças a eles, eu passei a estudar o assunto e ver que a Igreja é uma força positiva no mundo de muitas outras maneiras); mas o pessoal tem que lembrar que o Papa é católico (é, eu sei, um choque) e que religião é uma força política, em primeiro lugar, conservadora e tradicionalista.
Dito isso, a igreja católica é a instituição política com maior capacidade de progresso, não significa que ela é progressista, só significa que ela conversa e é racional enquanto as outras religiões estão colando flyers de "o povo de Deus não vota em gay" na av. Paulista; declarando 5 penas de morte diferentes para homossexuais no Teerã; etc.
A igreja católica ainda vai aceitar os gays, inclusive casamento gay; considero isso algo inevitável. Só não é agora. Por enquanto o que podemos fazer é ensinar esses sectos mais tradicionalistas que os velhos ensinamentos acerca dos judeus estavam errados e que hoje eles são bacanas e bonitos. Já acho ótimo. Não acredito em revoluções, acredito em passos de pomba mesmo.
5 comentários:
Caro Rodrigo.
Penso ser importante subverter o enfoque que se tem dado a toda essa polêmica. Mas dizer que é inevitável que a Igreja acolha com bom olhos não só as relações homossexuais mas também o "casamento gay", ou seja, a possibilidade do Sacramento do Matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, é algo que supera toda e qualquer teologia estranha que já vi por aí, rs.
Abraço.
A Igreja é uma instituição política e a teologia segue a tendência política da Igreja.
Quando chegar o momento de aceitar o casamento gay, alguém vai adaptar a teologia.
A SSPX nunca pensou que um dia algum tipo de teologia doida diria que não é legal pedir pela conversão dos judeus, mas essa é a realidade que vivemos hoje.
Caríssimo Rodrigo.
Ora, caso sua lógica estivesse certa, seria impossível o próprio conceito de Tradição. Mude-se então o Credo. Despreze-se, por exemplo, o Catecismo de Trento. A Didaché então seria uma piada de mau gosto. Os primeiros Padres então, deveriam ser considerados apóstatas...
Reduzir a teologia ao devir político é tão absurdo quanto ignorar um tanto de sua ingerência.
Gabriel.
A tradição é, também, uma força política. Não o fosse, o que seria impossível é a existência de um movimento conservador político.
A Igreja, como instituição política, não é uma mera escrava do jogo, mas é também uma participante. Fica difícil entrar nessa de o que afeta o que, porque é fácil entrar em um dilema de galinha e ovo.
A igreja muda por causa da política ou a política muda por causa da igreja?
Acho que existem os dois.
A igreja, enquanto pode, afeta o jogo político, mas depois que não pode mais, obedece ou perece, que nem qualquer outra força política.
Por enquanto, a igreja influencia uma série de jogos, como AIDS, aborto e casamento gay; mas casamento gay é inevitável no ocidente, é uma continuação da tradição progressista de valorização da individualidade e da igualdade jurídica ocidental.
Quando o casamento gay for uma norma, a igreja não vai conseguir, sozinha, lutar contra isso; então ela vai ou se atualizar ou desaparecer.
Você bem sabe que existem alas mais progressistas na igreja que pedem que isso aconteça já. Que já estamos no momento de atualizar ou desaparecer.
Eu acho que ainda não, mas acho que está próximo.
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Conclusão: é sim, um erro, reduzir a teologia ao devir político enquanto a teologia é uma força que pode influenciar o devir político; mas o contrário pode bem acontecer, acho que ignorar isso é ignorar a própria história de uma igreja que já comandou exércitos e autorizou penas de morte.
E aí entramos em um conflito de forças.
Agora, existem questões, como a do aborto, em que a teologia resiste muito contra qualquer força política que seja.
Mas a teologia que proíbe o casamento gay é mais frágil. É mais um apego a tradição por ser tradição do que uma discordância em relação algo que se acredita de fundamental no ser humano.
A minha tese é que defender o casamento gay não trai nenhuma concepção forte da igreja, apenas concepções fracas e, portanto, o jogo político pode mudar essas concepções.
Rodrigo.
Compreendo o que você diz. Mas há tantos problemas na sua fala que fica difícil explicitar por aqui. Assim que tiver tempo vou postar algo sobre nossa pequena querela...rs
Só adianto que não compreendo o motivo pelo qual você divide a tese contra o aborto daquela contra o matrimônio homossexual como um sendo uma concepção forte e outra fraca. Há uma má compreensão do discurso antropológico básico da Igreja.
Vejamos.
Abraço.
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