Meu coração está pesado hoje.
Hoje foi um dia que aconteceu muitas poucas coisas e aconteceu coisas demais.
É o karma imagino.
Eu faço um ato maligno no dia passado e o dia presente representa a total destruição da minha vida e o fim de muitas coisas.
Odeio quando eu tenho contato com qualquer obra de ficção e fica impossível distinguir se sou eu ou o livro falando, mas o Rob do Alta Fidelidade ficou tão chocado quando o pai da Laura morreu e percebeu que tem um enorme medo da morte e que todas as coisas que ele fazia era por medo da morte. Que ele se afastava das pessoas porque tinha medo de perder elas.
E isso é lógico, até, eu estou em uma fase que me pergunto porque criar coisas novas se vou simplesmente ficar com algum medo horrível delas e fugir de qualquer forma.
Quando eu vi que o Friedman morreu, eu senti algo muito próximo do que quando Syd Barrett morreu. (a diferença é que o Syd teve uma influência muito maior na minha vida)
Primeiro eu senti tristeza e pensei em todas as coisas que ele já disse e que ele jamais dirá.
Quem vai defender o livre mercado e o lucro das empresas com tanto entusiasmo quanto ele? Dificil dizer...
Depois eu senti inveja.
Mais inveja do que senti com o Syd. Eu quis ser o Syd quando ele estava vivo, eu quero ser o Friedman agora que ele morreu.
Ele passou por tanta coisa, fez tanta coisa, a biografia do homem é quase inacreditável, ele ganhou um Nobel, mas, não foi só isso, ele lutou pela liberdade. Ele lutou apaixonadamente pela liberdade! E ele lutou como um verdadeiro liberal! Ele usou da razão! Da lógica! Das palavras! E ele queria ganhar nossas mentes e não nosso coração! E isso exige bravura! Isso exige um tipo de honra que eu não sei se teria! Quem escolhe, de forma tão orgulhosa, a razão hoje em dia? Em uma época em que trogloditas se degladeiam nas colunas dos jornais sobre quem é o maior ignorante e quem consegue formular o clichê mais besta, Milton Friedman foi um... um... porra, o cara foi um economista!!! Ele jamais tentou nos ganhar apenas com a bondade de seus ideais! Ele nos mostrou que estamos certos! Ele nos provou!
Nós somos pessoas boas e nós somos pessoas certas, será que todo ato de bondade tem que envolver um sacrificio ou algum dilema horrível?
Será que eu vou conseguir ser tão grande assim?
Quanto Milton Friedman?
Eu duvido! Demais!
Mas eu queria... sei lá... eu queria já ter passado por isso tudo.
Eu não quero ter esse tipo de preocupação, eu não quero estar escrevendo meu blog, eu quero estar escrevendo minha auto-biografia.
Eu queria estar velho e cansado (ao invés de simplesmente cansado) escrevendo sobre como foi dificil meu começo de 21 anos e que eu não imaginava como as coisas iam dar certo e então eu me lembraria da minha esposa morta e como eu conheci ela com aqueles 21 anos e o quão improvável era que o amor da minha vida estivesse tão perto.
E eu sou uma pessoa ruim.
Eu não posso sair daqui.
Eu sou uma pessoa ruim.
Eu sou uma pessoa ruim.
Eu não quero mais ser.
Meu coração pesa tanto.
Eu me recuso a acreditar que sou a única pessoa ruim do mundo.
Será que os outros sofrem como eu? Se sentem tão pesados.
Eu sou uma pessoa ruim e eu não aguento mais isso.
As pessoas geralmente são atéias, mas é dificil compreender o quão gigante é isso. Não há um deus pra tirar o peso do meu coração. Eu não posso entrar em uma igreja amanhã e direi "vai, vou tentar isso", eu não posso tentar isso, seria como, sei lá, ir num forró pra tentar gostar daquele ambiente.
Eu odeio me sentir solitário porque traz consigo tudo aquilo que falam mal dos individualistas, como nossa vida é vazia e whatever.
Putos do caralho, vão xingar a porra do Sartre pela vida vazia dele! Coletivistas do caralho podem ter suas vidas vazias, podem ser solitários, aí dizem que é porque eles estão oprimidos pela ganância dos homens, quando individualista são solitários, é porque somos individualistas, putos do caralho, não me deixam nem ser triste mais sem me julgar.
São os crentes dizendo que eu sou triste porque não acredito em Deus (o que é verdade), são os comunistas dizendo que eu sou triste porque defendo o capitalismo (o que é verdade), são as pessoas sociaveis e amigaveis e felizes dizendo que eu sou triste porque sou anti-social (o que é verdade) e são os fúteis comedores de mulheres dizendo que eu sou triste por achar que essas fêmeas idiotas querem algo mais que um pau no meio das pernas e por exigir mais delas do que sexo e uma carinha de boba-alegre (o que é mentira, eu exijo bem menos que isso, eu me apaixono por uma caminhada na paulista se você quiser, só me deixe ter minha porra de esperança vazia e inutil de que você vai estar segurando minha mão quando eu estiver morrendo!!!!)
Eu não aguento mais viver minha vida, eu quero pedir desculpas, mas não me sinto digno nem pra isso.
Eu sinto que preciso de uma autorização pra pedir desculpas e que eu não tenho.
Eu me pergunto se todos ficam tristes, mas se eu sou o único retardado o suficiente para manter um blog por tanto tempo...
Ou se eu simplesmente não leio os outros blogs...
Talvez eu não queira descobrir que existe mais gente que nem eu por aí...
Sempre dizem que meu charme é que eu sou diferente, mas... charme? Eu atraio alguém ao não sorrir? Ao falar besteiras que só eu me importo? Ao ficar querendo pegar na mão das pessoas? Isso não é um charme, meus queridos, isso é uma maldição.
Jamais façam isso...
Eu quero ter um filho pra ele não ser que nem eu.
Eu não posso ter um filho, porque eu seria um daqueles pais fracassados que cobrariam dele um trilhão de coisas porque eu próprio não consegui fazê-las.
É isso, olha, que se danem os crentes e os comunistas.
Deus morreu, Jesus também e não foi por mim. Eu morro pelos meus pecados, muito obrigado, não precisa tirar o peso do meu coração seu velho safado, eu carrego ele como uma medalha de honra se isso significa que eu sou livre dos seus tentaculos, seu puto!
E quanto às pessoas felizes, vocês que se fodam, a minha vida tem uma trilha sonora melhor que a sua, mesmo que você ouça exatamente a mesma música que eu, que se foda, músicas pra você são meras coisas, mas elas foram feitas pra mim! Engulam essa seus putos, música não foi feita por gente feliz e nem pra gente feliz, é uma brincadeirinha nossa e não, eu não deixo você entrar no nosso circulo, agora vai passear!
E para os machistas e machões...
Bom, eu não tenho o que dizer pra vocês, vocês venceram, as melhores ficam com vocês, vocês são o sonho das fúteis que só querem exibir pras amigas, das intelectuais que querem um homem-objeto pra se fingirem revoltadas do século XIX, das sensiveis que gostam de ser maltratadas.
Enfim, machistas, machões e todas aquelas coisas que dizem na TV pra você não ser é o sonho das mulheres.
Vocês venceram... por enquanto pelo menos.
Um daqueles paradoxos divertidos da era da internet, onde temos um lugar particular que desenvolvemos para ficar sozinhos enquanto nos expomos voluntariamente para todo tipo de gente estranha e má que queira ver.
sexta-feira, novembro 17, 2006
terça-feira, novembro 07, 2006
Porque eu quero criar um site sobre cultura pop
Não é só por um estado de descontentamento com o estado dos atuais portais sobre o assunto.
É mais para ter um lugar onde as pessoas possam falar sobre suas formas de arte favoritas de uma forma sincera e inteligente.
Existem alguns sites até que bons por aí, mas todos tem as suas particularidades que geralmente se traduzem mais em defeitos particulares do que qualidades.
É também uma postura particular sobre o que significa essa coisa toda.
Basicamente os sites se dividem entre pessoas tentando ser intelectuais, pessoas tentando ser cool e pessoas tentando ser rebeldes.
Vez ou outra elas até são sinceramente intelectuais, cool e rebeldes, mas é dificil e nunca ao mesmo tempo.
-
A questão é que falar sobre arte, de maneira sincera e inteligente, sem firulas desnecessárias, mas com uma certa poesia inerente àquilo que tanto amamos, é díficil e é algo que simplesmente não existe hoje.
Existem aqueles que são "analistas" da "cena cultural". Eles simplesmente dizem o que se passa, fazem algum comentários sociológico, comparam movimento atuais a movimentos passados e, enfim, é um trabalho meio bobo, age mais como uma fofoca intelectual dos movimentos artisticos do que uma tentativa de capturar o que eles realmente significam, geralmente é o tipo de gente que escreve pra Bravo ou pro Scream and Yell. Vivem falando a relevância cultural das obras, o quanto elas despertam consciência, o quanto antes era assim e hoje é assado e isso é muito bonitinho, mas sinceramente, quando eu escuto Blowin´ in the wind, eu nem lembrei que o Bob Dylan cantou isso na marcha de Washinton, é uma música linda, que fala sobre coisas lindas, vendo desse lado fica até fácil concordar com Kant quando ele diz que para analisar uma obra de arte você deve agir como se ela "não existisse", ou seja, tirar dela seu contexto histórico, social, etc.
Eu não iria assim tão longe, pois eu não consigo ver uma obra como algo senão uma parte da subjetividade do artista e o contexto histórico e social faz parte dessa subjetividade com certeza.
Mas convenhamos, estamos tratando poesia como se fosse livros de sociologia. Não é a mesma coisa, eu me recuso que seja, um livro de sociologia jamais me destruiria tanto por dentro, jamais bagunçaria minha vida da forma que Blowin´ in the wind fez. Existe algo de muito errado nesses intelectuais da arte.
Existem aqueles que são os espertinhos, os que simplesmente escrevem sem conteúdo nenhum apenas para dizer que conhecem tal coisa. O exemplo mais claro disso, lógicamente, é o Lúcio Ribeiro.
Por incrivel que pareça, eu vejo às vezes mais conteúdo nos textos do Lúcio Ribeiro do que nos do Scream and Yell, mas não muda o fato que são textinhos fúteis e bobos de um sujeito deslumbrado em um universo que participa diretamente, mas que não faz idéia do que signifique.
Existe nos textos dele uma certa sinceridade que dá um valor ao texto, ele é de certa forma muito mais parecido com os adolescentes que compõem o grande público do que eu jamais serei e, sendo assim, ele, de certa forma, entende muito mais essa coisa toda do que eu jamais entenderei, mas eu não estou querendo escrever para adolescentes bobos e deslumbrados pelas luzes de neon de um mundo onde homens bons morrem como cães.
Não não, eu acho muito cômodo (e até bem divertido) simplesmente participar da cena cultural sem pensar nela, deixando-se ofuscar por qualquer luzinha de pisca-pisca como se fosse uma supernova.
Achei ótimo um texto do Lúcio em que ele fala sobre uma tal onda gótica/glam em Paris e que até Paris Hilton e Kelly Osbourne andariam pelas ruas com as unhas pretas. Ele falou como um autêntico moleque deslumbrado, o que é ótimo, pois ele é um profissional e o público dele só quer saber o quão cool é esse mundo, sem sequer pensar o que significam as unhas pretas de Paris Hilton.
Mas eu me recuso a não pensar sobre aquilo que me deslumbra, a não entender porque isso tudo faz tão bem. Existe algo de muito errado em ficar cego olhando para o sol sem sequer perceber suas manchas.
Existem aqueles que são os rebeldes, intelectuais muitas vezes tentam ser rebeldes (geralmente sem sucesso, pois, como disse Nietzsche, "não é com fundamentos que se conquista esses barris de pólvora"), a questão dos rebeldes é que as coisas mais irrelevantes possíveis se tratando de arte são o foco máximo de suas atenções. Então não importa se a música é boa ou ruim, importa se existe "atitude", não importa se a poesia é tosca, importa que ela traga revolta, o lado bom dos rebeldes é, que dos citados até então, eles são os únicos que dão algum valor aos sentimentos, mas mesmo assim são sentimentos específicos à sua causa em questão, causa essa geralmente escolhida de forma preguiçosa por meio de osmose.
Eles vêem pessoas bravas xingando alguma coisa e ele xinga também, afinal, se estão todos assim tão putos é porque deve ter algum motivo!
Os rebeldes, como já dito, não se importam com arte, é um mero meio para algum fim, se é nobre ou não é irrelevante. Se é socialismo, liberalismo ou nazismo, é irrelevante. O que importa não é a arte, mas sim a "atitude" dos artistas e o seu compromisso com os ideais em questão.
Aliás, a enorme diferença do Bob Dylan pro resto do pessoal folk foi exatamente esse. Enquanto o pessoal estava neurótico em fazer panfletagem, o Bob Dylan estava sinceramente cantando seus sentimentos.
Então o rebelde faz uma música falando dos males da intolerância racial com ironia, sarcasmo, ódio, até mesmo inteligência, mas ele jamais atinge um sentimento tão profundo e honesto quanto "how many roads must a man walk down before you can call him a man".
Não que os rebeldes não sejam sinceramente preocupados com seus movimentos sociais e devem estar mesmo, dificilmente suas preocupações são ilegitimas, mas eu me recuso a reduzir a estética a uma mera escrava de alguma opinião ou raciocinio, dando valor muito maior a questões praticamnte irrelevantes (ele assina contrato com gravadora? Faz sucesso? É pobre?) do que à arte em si. Existe algo de muito errado em fazer da arte mero pavil de uma dinamite que sequer se tem consciência do que exatamente irá destruir na sua explosão.
E é por considerar que os sites e escritores atuais estão confortáveis demais em alguma dessas categorias que eu estou propondo algo diferente.
É mais para ter um lugar onde as pessoas possam falar sobre suas formas de arte favoritas de uma forma sincera e inteligente.
Existem alguns sites até que bons por aí, mas todos tem as suas particularidades que geralmente se traduzem mais em defeitos particulares do que qualidades.
É também uma postura particular sobre o que significa essa coisa toda.
Basicamente os sites se dividem entre pessoas tentando ser intelectuais, pessoas tentando ser cool e pessoas tentando ser rebeldes.
Vez ou outra elas até são sinceramente intelectuais, cool e rebeldes, mas é dificil e nunca ao mesmo tempo.
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A questão é que falar sobre arte, de maneira sincera e inteligente, sem firulas desnecessárias, mas com uma certa poesia inerente àquilo que tanto amamos, é díficil e é algo que simplesmente não existe hoje.
Existem aqueles que são "analistas" da "cena cultural". Eles simplesmente dizem o que se passa, fazem algum comentários sociológico, comparam movimento atuais a movimentos passados e, enfim, é um trabalho meio bobo, age mais como uma fofoca intelectual dos movimentos artisticos do que uma tentativa de capturar o que eles realmente significam, geralmente é o tipo de gente que escreve pra Bravo ou pro Scream and Yell. Vivem falando a relevância cultural das obras, o quanto elas despertam consciência, o quanto antes era assim e hoje é assado e isso é muito bonitinho, mas sinceramente, quando eu escuto Blowin´ in the wind, eu nem lembrei que o Bob Dylan cantou isso na marcha de Washinton, é uma música linda, que fala sobre coisas lindas, vendo desse lado fica até fácil concordar com Kant quando ele diz que para analisar uma obra de arte você deve agir como se ela "não existisse", ou seja, tirar dela seu contexto histórico, social, etc.
Eu não iria assim tão longe, pois eu não consigo ver uma obra como algo senão uma parte da subjetividade do artista e o contexto histórico e social faz parte dessa subjetividade com certeza.
Mas convenhamos, estamos tratando poesia como se fosse livros de sociologia. Não é a mesma coisa, eu me recuso que seja, um livro de sociologia jamais me destruiria tanto por dentro, jamais bagunçaria minha vida da forma que Blowin´ in the wind fez. Existe algo de muito errado nesses intelectuais da arte.
Existem aqueles que são os espertinhos, os que simplesmente escrevem sem conteúdo nenhum apenas para dizer que conhecem tal coisa. O exemplo mais claro disso, lógicamente, é o Lúcio Ribeiro.
Por incrivel que pareça, eu vejo às vezes mais conteúdo nos textos do Lúcio Ribeiro do que nos do Scream and Yell, mas não muda o fato que são textinhos fúteis e bobos de um sujeito deslumbrado em um universo que participa diretamente, mas que não faz idéia do que signifique.
Existe nos textos dele uma certa sinceridade que dá um valor ao texto, ele é de certa forma muito mais parecido com os adolescentes que compõem o grande público do que eu jamais serei e, sendo assim, ele, de certa forma, entende muito mais essa coisa toda do que eu jamais entenderei, mas eu não estou querendo escrever para adolescentes bobos e deslumbrados pelas luzes de neon de um mundo onde homens bons morrem como cães.
Não não, eu acho muito cômodo (e até bem divertido) simplesmente participar da cena cultural sem pensar nela, deixando-se ofuscar por qualquer luzinha de pisca-pisca como se fosse uma supernova.
Achei ótimo um texto do Lúcio em que ele fala sobre uma tal onda gótica/glam em Paris e que até Paris Hilton e Kelly Osbourne andariam pelas ruas com as unhas pretas. Ele falou como um autêntico moleque deslumbrado, o que é ótimo, pois ele é um profissional e o público dele só quer saber o quão cool é esse mundo, sem sequer pensar o que significam as unhas pretas de Paris Hilton.
Mas eu me recuso a não pensar sobre aquilo que me deslumbra, a não entender porque isso tudo faz tão bem. Existe algo de muito errado em ficar cego olhando para o sol sem sequer perceber suas manchas.
Existem aqueles que são os rebeldes, intelectuais muitas vezes tentam ser rebeldes (geralmente sem sucesso, pois, como disse Nietzsche, "não é com fundamentos que se conquista esses barris de pólvora"), a questão dos rebeldes é que as coisas mais irrelevantes possíveis se tratando de arte são o foco máximo de suas atenções. Então não importa se a música é boa ou ruim, importa se existe "atitude", não importa se a poesia é tosca, importa que ela traga revolta, o lado bom dos rebeldes é, que dos citados até então, eles são os únicos que dão algum valor aos sentimentos, mas mesmo assim são sentimentos específicos à sua causa em questão, causa essa geralmente escolhida de forma preguiçosa por meio de osmose.
Eles vêem pessoas bravas xingando alguma coisa e ele xinga também, afinal, se estão todos assim tão putos é porque deve ter algum motivo!
Os rebeldes, como já dito, não se importam com arte, é um mero meio para algum fim, se é nobre ou não é irrelevante. Se é socialismo, liberalismo ou nazismo, é irrelevante. O que importa não é a arte, mas sim a "atitude" dos artistas e o seu compromisso com os ideais em questão.
Aliás, a enorme diferença do Bob Dylan pro resto do pessoal folk foi exatamente esse. Enquanto o pessoal estava neurótico em fazer panfletagem, o Bob Dylan estava sinceramente cantando seus sentimentos.
Então o rebelde faz uma música falando dos males da intolerância racial com ironia, sarcasmo, ódio, até mesmo inteligência, mas ele jamais atinge um sentimento tão profundo e honesto quanto "how many roads must a man walk down before you can call him a man".
Não que os rebeldes não sejam sinceramente preocupados com seus movimentos sociais e devem estar mesmo, dificilmente suas preocupações são ilegitimas, mas eu me recuso a reduzir a estética a uma mera escrava de alguma opinião ou raciocinio, dando valor muito maior a questões praticamnte irrelevantes (ele assina contrato com gravadora? Faz sucesso? É pobre?) do que à arte em si. Existe algo de muito errado em fazer da arte mero pavil de uma dinamite que sequer se tem consciência do que exatamente irá destruir na sua explosão.
E é por considerar que os sites e escritores atuais estão confortáveis demais em alguma dessas categorias que eu estou propondo algo diferente.
segunda-feira, novembro 06, 2006
Aiai, vamos nós de novo
Ok, eu voltei a frequentar o Orkut, voltei a discutir política lá e voltei a encontrar coisas bobinhas sendo ditas.
Então vamos lá, voltando ao básico, coisa e tal...
Uma idéia estúpida que teve bastante influência nessa eleição é de que um lugar é pobre porque o outro é rico.
Daí você pode traçar os paralelos mais estúpidos.
O nordeste é pobre porque o sul é rico.
O Brasil é pobre porque os EUA são ricos.
A África é pobre porque os EUA são ricos. (????!!!!!!!)
-
Houve uma época na humanidade em que países de fato exploravam os outros.
Eles pegavam seus barquinhos, viajavam a terras distantes, brutalmente assassinavam os nativos com requintes de crueldade enquanto os chamavam de "bárbaros" e tentavam enfiar a machadadas sua doente religião na cabeça deles.
Aí eles iam matando, pegando coisas, colocando nos barquinhos e colocando de volta.
A maioria dos países que são atualmente de primeiro mundo fizeram isso mais cedo ou mais tarde.
Teve um que não fez.
Isso mesmo amiguinhos e amiguinhas.
Os Estados Unidos.
O grande satã.
Bla bla bla
Os EUA tem sim seus muitos motivos extra-mercado para estarem ricos.
Eles financiavam ditaduras por aqui, depois emprestavam a grana e viviam de renda.
Mas claro, que isso por si só não faria os EUA serem assim tão ricos como são hoje, afinal, eles produzem muita coisa, tem um mercado interno muito grande.
Hoje não funciona assim, mas lá pelos anos 60, se o mundo quebrasse (e o mundo quebrou na segunda guerra mundial) os EUA não sofreriam tanto (e de fato, não sofreram tanto, o mundo inteiro em guerra, os EUA entraram na guerra e ainda tiveram dinheiro pra emprestar até pra Deus, que montou uma casinha lá no céu, mas que desabou porque tudo que é solido se desmancha no ar nessas outras dimensões esquisitas que não são o universo no qual vivemos, dizem que até hoje Deus deve uma grana aos EUA), estranho pensar que um país que cresceu graças a "exploração" pode viver numa boa se os explorados fizessem "puf" de repente.
-
Vamos ao exemplo mais estúpido.
A África!
Se alguém algum dia montar uma teoria da conspiração dizendo que a África é uma farsa, uma resposta da União Soviética a farsa do pouso na lua, criada só para desmoralizar o capitalismo, eu até acreditaria... se a África fosse um bom exemplo de capitalismo.
Se não existisse a África, talvez não existisse socialismo nos dias de hoje, porque todo dia que você precisa de uma fotinho pra dizer o quanto o capitalismo é horrível, você mostra as criancinhas da África, mas de novo... se a África fosse um bom exemplo de capitalismo.
-
Sobre a África, dizem "existe muito dinheiro no mundo, mas ele não chega na África", isso é muito verdade, mas ele não chega porque nós malvados ocidentais que amamos a miséria não deixamos ou porque os problemas internos da África (que nada tem a ver com o capitalismo, que, se algum coisa, são uma herança cruel do mercantilismo que os liberais tanto combateram) não deixam?
Um problema grande da África são guerras civis.
Outro problema grande da África são seus governos, na sua grande maioria, centralizadores e ditadores, muito parecidos com os de Cuba, que são o motivo dessas guerras civis.
Dizer que a África tem guerras porque ocidentais malvados vendem armas é outra baboseira. Pessoal estaria se matando a machadadas se pudssem e, de fato, estão.
Então, onde exatamente estão os porcos capitalistas explorando essa pobre gente?
Em lugar nenhum, claro.
Como um porco capitalista explora uma região?
Ele vai pra lá e monta fábricas aproveitando a mão de obra barata.
Ele vai pra lá e contrata pessoas para extrair as riquezas naturais.
Ele vai pra lá e FAZ ALGUMA COISA!
Mas eles não estão indo pra lá!
Eles não estão fazendo nada!
Se alguma coisa, uma meia dúzia de palhaços está vendendo armas velhas.
Porque eles não fazem? Primeiro porque as guerras são um custo muito caro.
Garanto que existem um monte de porcos capitalistas só esperando que as horríveis guerras civis africanas acabem para ir lá e explorar aquele povo fazendo a crueldade de dar-lhes empregos e salários (monstros)
Segundo porque os governos não deixam. De novo, muitos governos africanos tem economias altamente centralizadas e estatizadas, governos controlando os preços e os salários, nesses lugares, muito parecidos com a China, realmente existe exploração, pois o governo centralizador mantém artificialemente os salários embaixo, impedindo os trabalhadores de se organizarem e reinvidicarem por melhoras.
E onde nesse processo existe os europeus ficando multi-mega-bilhonários a custa da fome?
Oras, vamos ao nordeste brasileiro, há pouquissimo tempo atrás a expressão "industria da seca" aparecia uma vez a cada 3 segundos e 57 centésimos no jornal.
Estranhamente, quando o PT ganhou popularidade no Nordeste, de repente não se fala mais nisso.
A industria da seca funciona como o FMI, mas numa escala nacional.
Os pobres dos estados ricos mandam dinheiro para os ricos dos estados pobres, sempre com a desculpa que "por sermos pobres precisamos de mais".
Tal como ocorre na África, o dinheiro nunca chega ao povo, sempre para no governo que sempre dá o seu jeitinho para que a população jamais seja explorada pelos porcos capitalistas que querem lhes dar comida em troca de trabalho (monstros).
Qual a solução dos humanistas? Ora, alimentar ainda mais tais governos corruptos.
-
Então esse texto foi só um ensaio de um assunto batido e óbvio.
*aiai*
É capaz de eu voltar a escrever sobre política.
Que saco.
-
Na verdade, eu pretendo ler mais do que escrever nessas férias.
Mas enfim, né?
Então vamos lá, voltando ao básico, coisa e tal...
Uma idéia estúpida que teve bastante influência nessa eleição é de que um lugar é pobre porque o outro é rico.
Daí você pode traçar os paralelos mais estúpidos.
O nordeste é pobre porque o sul é rico.
O Brasil é pobre porque os EUA são ricos.
A África é pobre porque os EUA são ricos. (????!!!!!!!)
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Houve uma época na humanidade em que países de fato exploravam os outros.
Eles pegavam seus barquinhos, viajavam a terras distantes, brutalmente assassinavam os nativos com requintes de crueldade enquanto os chamavam de "bárbaros" e tentavam enfiar a machadadas sua doente religião na cabeça deles.
Aí eles iam matando, pegando coisas, colocando nos barquinhos e colocando de volta.
A maioria dos países que são atualmente de primeiro mundo fizeram isso mais cedo ou mais tarde.
Teve um que não fez.
Isso mesmo amiguinhos e amiguinhas.
Os Estados Unidos.
O grande satã.
Bla bla bla
Os EUA tem sim seus muitos motivos extra-mercado para estarem ricos.
Eles financiavam ditaduras por aqui, depois emprestavam a grana e viviam de renda.
Mas claro, que isso por si só não faria os EUA serem assim tão ricos como são hoje, afinal, eles produzem muita coisa, tem um mercado interno muito grande.
Hoje não funciona assim, mas lá pelos anos 60, se o mundo quebrasse (e o mundo quebrou na segunda guerra mundial) os EUA não sofreriam tanto (e de fato, não sofreram tanto, o mundo inteiro em guerra, os EUA entraram na guerra e ainda tiveram dinheiro pra emprestar até pra Deus, que montou uma casinha lá no céu, mas que desabou porque tudo que é solido se desmancha no ar nessas outras dimensões esquisitas que não são o universo no qual vivemos, dizem que até hoje Deus deve uma grana aos EUA), estranho pensar que um país que cresceu graças a "exploração" pode viver numa boa se os explorados fizessem "puf" de repente.
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Vamos ao exemplo mais estúpido.
A África!
Se alguém algum dia montar uma teoria da conspiração dizendo que a África é uma farsa, uma resposta da União Soviética a farsa do pouso na lua, criada só para desmoralizar o capitalismo, eu até acreditaria... se a África fosse um bom exemplo de capitalismo.
Se não existisse a África, talvez não existisse socialismo nos dias de hoje, porque todo dia que você precisa de uma fotinho pra dizer o quanto o capitalismo é horrível, você mostra as criancinhas da África, mas de novo... se a África fosse um bom exemplo de capitalismo.
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Sobre a África, dizem "existe muito dinheiro no mundo, mas ele não chega na África", isso é muito verdade, mas ele não chega porque nós malvados ocidentais que amamos a miséria não deixamos ou porque os problemas internos da África (que nada tem a ver com o capitalismo, que, se algum coisa, são uma herança cruel do mercantilismo que os liberais tanto combateram) não deixam?
Um problema grande da África são guerras civis.
Outro problema grande da África são seus governos, na sua grande maioria, centralizadores e ditadores, muito parecidos com os de Cuba, que são o motivo dessas guerras civis.
Dizer que a África tem guerras porque ocidentais malvados vendem armas é outra baboseira. Pessoal estaria se matando a machadadas se pudssem e, de fato, estão.
Então, onde exatamente estão os porcos capitalistas explorando essa pobre gente?
Em lugar nenhum, claro.
Como um porco capitalista explora uma região?
Ele vai pra lá e monta fábricas aproveitando a mão de obra barata.
Ele vai pra lá e contrata pessoas para extrair as riquezas naturais.
Ele vai pra lá e FAZ ALGUMA COISA!
Mas eles não estão indo pra lá!
Eles não estão fazendo nada!
Se alguma coisa, uma meia dúzia de palhaços está vendendo armas velhas.
Porque eles não fazem? Primeiro porque as guerras são um custo muito caro.
Garanto que existem um monte de porcos capitalistas só esperando que as horríveis guerras civis africanas acabem para ir lá e explorar aquele povo fazendo a crueldade de dar-lhes empregos e salários (monstros)
Segundo porque os governos não deixam. De novo, muitos governos africanos tem economias altamente centralizadas e estatizadas, governos controlando os preços e os salários, nesses lugares, muito parecidos com a China, realmente existe exploração, pois o governo centralizador mantém artificialemente os salários embaixo, impedindo os trabalhadores de se organizarem e reinvidicarem por melhoras.
E onde nesse processo existe os europeus ficando multi-mega-bilhonários a custa da fome?
Oras, vamos ao nordeste brasileiro, há pouquissimo tempo atrás a expressão "industria da seca" aparecia uma vez a cada 3 segundos e 57 centésimos no jornal.
Estranhamente, quando o PT ganhou popularidade no Nordeste, de repente não se fala mais nisso.
A industria da seca funciona como o FMI, mas numa escala nacional.
Os pobres dos estados ricos mandam dinheiro para os ricos dos estados pobres, sempre com a desculpa que "por sermos pobres precisamos de mais".
Tal como ocorre na África, o dinheiro nunca chega ao povo, sempre para no governo que sempre dá o seu jeitinho para que a população jamais seja explorada pelos porcos capitalistas que querem lhes dar comida em troca de trabalho (monstros).
Qual a solução dos humanistas? Ora, alimentar ainda mais tais governos corruptos.
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Então esse texto foi só um ensaio de um assunto batido e óbvio.
*aiai*
É capaz de eu voltar a escrever sobre política.
Que saco.
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Na verdade, eu pretendo ler mais do que escrever nessas férias.
Mas enfim, né?
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