domingo, fevereiro 27, 2005

Is There Life On Mars?

Então. Foi o Agostini ontem.
Cara, eu nem sei o que falar aqui. Foi um dos melhores dias da minha vida... digo... putz, eu não lembro a última vez que eu me senti tão bem em um ambiente... digo... sei lá, geralmente, mesmo em lugares que eu me divirto e tal, eu me sinto um tanto deslocado, um tanto fora... mas putz, ontem foi diferente.
Eu tava lá, entende? Eu fazia parte daquilo. Sei lá, pela primeira vez na minha vida, eu fazia parte de algo.
Eu ia oferecer fanzine pras pessoas (aliás, o número 4 de Chuva Contra o Vento já saiu, quem for de fora de São Paulo, eu mando por correio, me dá um toque, quem for de São Paulo, nós combinamos de nos encontrar e talz...) e elas já tinham.
Entende isso? Eu ia vender um fanzine pra elas. Um gibi que eu escrevi. E as pessoas olhavam pra mim e diziam "Pô, eu já tenho isso. Achei muito bom. Já tem o número 4! Tava esperando mesmo" e tipo... porra! Sabe? Porra.
Depois rolou pizza e cerveja com uns velhos de guerra dos salões de humor afora (destaque ao Bira e ao Mastrotti, quem encontramos no trem e é gente incrivelmente fina) e também com o pessoal da Mosh.
A Mosh é uma fanzine de rock que já vendeu suas mil e poucas edições. Como os caras são do rio, naturalmente é lá que rola maior distribuição, mas é um projeto grande. Qualquer comic shop rola Mosh. Procure, custa 3 reais e pode ter certeza absoluta que é um marco nos quadrinhos brasileiros. Juro. Daqui a 40 anos alguém vai escrever um livro sobre quadrinhos com o título "Como A Mosh Salvou Nossas Vidas".
Enfim, nós (eu e Cunha), conversamos muito com esse pessoal todo e eu senti uma esperança enorme. No sentido de, ahn... eu sei que dificilmente eu vou viver de quadrinhos, embora pretendo mesmo fazer isso. Quero me tornar um roteirista sério de HQs, confio que se eu me esforçar o bastante, consiga fazer careira nesse sentido. Posso estar sendo ingênuo, mas ei, eu não tenho pressa, eu consigo viver de sub-empregos até esse dia mágico chegar. Contanto que os sub-empregos sejam só uma distração chata que renda dinheiro. E que eu nunca pare de escrever. Nunca pare. Há muitas histórias para ser contadas ainda. Eu vou contar o máximo que eu puder.
Finalizando de forma triste como não poderia deixar de ser.
Esses dias ótimos tem um efeito colateral um tanto quanto amargo. É quando você chega em casa e pensa "cadê minha alma gêmea que não está vivenciando isto comigo?"
Enfim.
Como diz o titulo do post, eu pretendia dar uma de rebs e por a letra de "Life On Mars?" do Bowie aqui. Mas o destino trabalha de formas estranhas e o que ta rolano no winamp é "Yet Another Movie" do Pink Floyd.
Vai essa mesmo. Bem mais a ver.

Yet Another Movie
Pink Floyd

One sound, one single sound
One kiss, one single kiss
A face outside the window pane
However did it come to this?

A man who ran, a child who cried
A girl who heard, a voice that lied
The sun that burned a fiery red
The vision of an empty bed

The use of force, he was so tough
She'll soon submit, she's had enough
The march of fate, the broken will
Someone is lying very still

He has laughed and he has cried
He has fought and he has died
He's just the same as all the rest
He's not the worst, he's not the best

And still this ceaseless murmuring
The babbling that I brook
The seas of faces, eyes upraised
The empty screen, the vacant look

A man in black on a snow white horse,
A pointless life has run its course,
The red rimmed eyes, the tears still run
As he fades into the setting sun


Mas concluindo... foi um dia ótimo e rola um site a la alltv que chama It´s Tv
Então, toda segunda ao meio-dia rola programa do Mastrotti sobre quadrinhos. Vale muitissimo a pena. Assim como o falecido (e saudoso) On The Rocks do AllTV, é um daqueles programa que faz você desejar que a tv aberta tivesse 2 neurônios e visse essas pessoas.
(Não me leve a mal, eu sei de todos os defeitos dessas WebTVs, tenho consciência de que elas tem uma qualidade técnica lamentável e que muitas coisas que rolam não são desculpadas nem pela falta de recurso, mas isso tudo acaba indo pra segundo plano quando alguém que realmente entende de um assunto fala livremente)

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

A Exemplo do Moon - Uma foto de minha prancheta

Ok, screenshot, dá na mesma... quase... não é tão artistico... e é revelador demais... mas enfim, até a história estar pronta (com o tanto de projetos que temos), até vocês verem isso desenhado já terão esquecido. Então, aí vai.
PS: É só clicar na fotinho abaixo, eu não coloquei ela em tamanho real pra não foder o template que o Bernardo teve tanto trabalho em fazer.

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Caso alguém esteja curioso, a banda é Boards Of Canada e a música que tava rolando na hora é Pete Standing Alone, do album Music Has The Right To Children
Boards Of Canada
é uma banda que eu classifico como música eletrônica progressiva, mas enfim, esse sou eu, eu não manjo nada...
A pessoa no msn é o Felipe Cunha (que muitissimo provavelmente é quem desenhará essa história), o link pro blog dele rola aí no lado, visitem, apesar de levemente desatualizado, tem todas as informações sobre que pé anda nosso fanzine.
E o programinha Screenshot Assistant é o que eu uso pra não ter que fazer a tortuosa tarefa de ter que colar as screens no paintbrush ou algo assim.
Enfim, toda minha vida. Valeu.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

O Roteirista

É isso ae. Eu sou um roteirista. De quadrinhos. Um bravo e nobre representante da nona arte.
Eu to escrevendo isso inspirado pela foto que o Fábio Moon tirou de sua prancheta. O cara é uma inspiração para nós mesmos.
Enfim, eu acabei de ler Preacher, os 60 números inteiros. E fiquei na minha cama pensando "putz, é isso que eu quero fazer". E é o que eu vou fazer, eu tenho uma certeza filha da puta disso.
Aliás, outra coisa que me bolou é que eles ganharam o prêmio agostini e um cara disse "Só no Brasil mesmo pros gêmeos ganharem prêmio de melhor roteirista", agora, eu não sei se ele disse no sentido "esses bostas ganharem prêmio de melhor roteirista" ou "esses gênios ficarem apenas com prêmio de melhor roteirista".
Pô, toda vez que eu mostro um "Chuva Contra O Vento" pra alguém a pessoa fala "Pô, mto bom esse seus desenhos" e eu tipo "ahn... não... eu escrevo... quem desenha é o Cunha..." "Ah... legal... ele desenha muito bem!"
SIM, ELE DESENHA MUITO BEM, PORRA!
Hahahaha.
Acho que a única expressão de arte que respeita o roteirista é o teatro, mas nem fodendo, não é isso que eu faço, eu faço quadrinhos, por mais que eu não saiba fazer nem um boneco palito direito, eu me considero um quadrinista, desculpa se soa arrogante, não sou "tipo, um quadrinista" ou "mais ou menos um quadrinista", nããão senhor, sem essa. Eu sou um quadrinista. É um lance tipo... eu não conheço nenhum roteirista brasileiro... é impressionante isso, é um ramo tão restrito no Brasil, que parece não existir a possibilidade de uma pessoa fazer quadrinhos sem saber desenhar.
Pois bem, eu não sei eu faço. E mesmo que eu soubesse, dificilmente eu iria preferir meus próprios desenhos aos do Cunha. O cara manja, fazer o que? É a arte dele. Escrever é a minha. Juntos nós fazemos nosso trabalho e esperançosamente fazemos bem feito.
Então é isso crianças. A próxima vez que vocês lerem um gibizinho, lembre-se que além daqueles desenhos maravilhosos, ele tem umas letrinhas lá também e que essas palavrinhas dizem coisas importantes para os desenhos ficarem ainda mais legais.
Grato pela atenção e keep on shining.

domingo, fevereiro 20, 2005

The Ticking Crocodile

Tic Tac crocodile
Show me your teeth
Scare me to a corner
Don´t let me leave

Tic Tac crocodile
Make me think
Make me dream
Then rip it from me

Tic Tac crocodile
Make me believe
That the day will come
And the nightmare won´t live

Tic Tac crocodile
What you want from me?
Tickin´s pretty far, you know?
But I can hear it, I can hear it

sábado, fevereiro 19, 2005

OMFG! Ele ta sendo sentimental de novo e acha que alguém se importa

Acabei de ler Preacher nº 50
A busca por Jesse Custer por Deus está definitivamente se tornando interessante (na verdade já ta faz muito tempo) e mesmo que Garth Ennis tenha criado a série certamente pra ser uma zoeira com religião, a série criou vida própria e 50 edições depois, estou chorando.
Não vou contar mto da história pra não estragar, quem quiser que eu passe (sei lá como porque são uns 300 mega de arquivo) eu passo, mas a moral é.
Jesse Custer é um padre que recebe em seu corpo uma entidade, a partir daí ele começa a procurar respostas e uma dessas respostas o traz a busca principal da série. Achar Deus e mandar ele se foder.
Como eu disse, com certeza começou como zoeira, mas Jesse ganhou vida própria, fez amigos próprios, virou um herói lendário. Sua busca não é só por deus, mas é por entedimento, ele quer saber porque o mundo foi criado, porque uma coisa tão ruim e suja como a terra existe.
Na edição 50 Jesse encontra pela segunda vez um amigo de seu falecido pai, um ex-soldado, da época do vietnam. E a história é o velho negro (chamado na época de Spaceman) e o pai de Jesse (apelidado de Texas) em sua última busca por vietnam.
Garth tem alguma coisa com o vietnã, não sei o que, é uma espécie de misto de respeito por aqueles soldados e repulsa pelos governantes. O sentimento ideal se me pergunta, nunca achei certo tratar soldados como assassinos cruéis. Ele põe isso perfeitamente no papel. A voz do velho spaceman reflete a dor e a confusão dos soldados.
A primeira história de Vietnam do Preacher, trazia como final uma citação de um soldado anônimo que dizia
"Algumas vezes eu desejo, só por um momento, estar lá de volta, só um pouco e então voltar. Queria voltar pra lá só para lembrar como é bom estar em casa"
Essa segunda se passa toda em frente ao memorial, quem não sabe, é um gigante muro (não lembro o material) que tem escrito o nome de todos que morreram na guerra do vietnam. E de fundo há uma estátua.
Spaceman diz que gostou do memorial, que é silencioso e que achou digno que estivessem lá os nomes, um por um, daqueles homens, do que uma estátua com a data da guerra ou algo assim.
Então, ele olha para a estátua dos soldados e diz. (uma foto da estátua está no final deste tópico)
"Eu gostei também daquela estátua, é como três garotos que acabaram de voltar de patrulha e então viram o monumento e disseram 'porra... alguém se lembrou'."
Ao final da história, Jesse se inspira pela história e continua sua busca pelo todo-poderoso; Spaceman olha para o memorial, o nome de todos aqueles soldados mortos no vietnam e diz "Me digam algo..."
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E assim acaba... 50 edições... Preacher pegou meu coração, de jeito, de forma que eu nunca esperava, por que o trabalho, é, em enorme parte, humorístico. Mas Garth Ennis é um homem de alma, ele certamente se esforça para ser um comediante, mas as vezes o drama vem a tona, e quando vem... ele se supera...
E como prometido, a tal estátua
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Então é isso. Sei lá o que dizer mais... um monte de coisa que tenho que tirar do peito... eu tenho mais umas 4 ou 5 fototirinhas pra fazer. Hahahhaa, qu eu tive idéias boas e outras nem tanto, mas num geral... sei lá... muita coisa me indica que esse é o momento da minha vida... entende? Que é agora... que eu nunca vou conseguir ser mais feliz quanto eu conseguir ser agora... e aí vem aquele medo de ferrar tudo... e se tem algo que tem me dado força são essas histórias... de super-heróis eu sei, a forma de arte mais baixa da terra é um gibi do homem-aranha, bla bla bla, digam o que quiser. ME FAZ BEM PRA CARALHO. Homem-Aranha, Demolidor, Jesse Custer, esses são heróis, entende? E por mais que sejam ficção, eles fazem parte da minha vida... toda minha vida foi acompanhada por esses heróis... eles são reais pra mim, eles vivem dentro de mim, respiram através de mim. É importante.
Tão heróis quanto os astros do rock que estão sentados em seus tronos multi-milhonários pouco se fodendo pro que eu penso... não importa... eles são meus heróis... por mais drama e brigas judiciais e podres que eles tenham... eles são meus heróis, eles fazem minha vida.
Cada vez que Pink Floyd ou Led Zeppelin tocam no meu winamp. Cada vez que o Homem-Aranha supera um desafio que julgava impossível. Cada vez que alguma coisa dessa de nerd acontece. Eu sinto que posso dar um passo adiante. Eu sinto que posso ter fé no mundo por um pouco mais de tempo.
Chame do que quiser, não precisa vir com antropologia barata pra cima de mim, eu sou inteligente demais pra isso, então eu sou um sub-produto patético do século 20, sem heróis reais que precisa inventar seus próprios. Pois eu sou, bela merda, não preciso nenhum velho me dizendo isso. Quem tem algo contra heróis fictícios deveria parar de adorar Jesus agora mesmo. Deveria parar de usar camiseta do Chê Guevara. Triste de quem precisa de heróis, triste mesmo, mas você vai fazer o que? É um mundo triste. E para deixar de ser triste temos que lutar e para lutar precisamos de algo que nos inspire.
Pra mim é uma música... um ser de uniforme colorido... um ato de heroísmo. É disso que eu preciso. Atos de heroísmo, que me mostrem que eu também posso ser um herói nos meus próprios termos, alguém que me diga que eu posso fazer as coisas, que é só ter coragem. Porque no final, é isso que um herói faz. sentido de aranha nenhum poderia superar o fato que o Homem-Aranha é tão querido por causa do homem por baixo da máscara. Essa é a diferença clara entre heróis que funcionam e heróis que não funcionam. Quem é o homem por trás dos atos? Porque ele fez? Qual a história da vida deles? Ora, Michael Jackson vendeu muito mais álbuns que os Beatles. Porque os Beatles são heróis e Michael Jackson não passa de uma piada sem graça? Porque os anos 60 e 80 foram tão importantes pros heróis de quadrinho? Porque os 90 foram tão ruins? Naquela palhaçada que eram os gibis da década de 50, Stan Lee criou um herói que tinha alguém debaixo da máscara. Não era um soldado valioso, nem um milhonário sem problemas, era um garoto. Porra, um simples garoto. Que ficava puto e fazia besteira. Que perdia o dinheiro. Que era impulsionado pelo desejo de sair com a vizinha. Porque os anos 80 foram importantes? Porque finalmente perceberam que um ser humano complexo estava debaixo da máscara. O demolidor era um católico de dia que se vestia de demônio a noite ao mesmo tempo que era um advogado de dia que se caçava bandidos a margem da justiça a noite. Frank Miller descobriu a sacada genial que estava por trás disso, ele deu profundidade ao personagem, nem o anjo e nem o demônio são falsos. Ele é sinceramente um anjo, temedor de deus e sinceramente um demônio, agindo pelas próprias regras. Ele luta pela justiça fielmente nos tribunais e fielmente a desafia nas ruas. Ele é um herói. O mito do herói é algo que tem nos acompanhado pela humanidade. Jesus é um herói e o erro todo do cristianismo foi não perceber o herói incrivel que eles adoram.
Os tolos adoram o vinho que ele transformou, os tolos adoram o fato que ele voltou dos mortos, os tolos adoram a fé que move montanha e a caminhada pela água. Os tolos, por algum motivo que eu não entendo até hoje, adoram o sofrimento que ele passou. Os tolos não percebem que seu maior ato de heroísmo foi ter passado dor sem ter sofrimento. Jesus não sofreu. Sentiu dor, muita dor, mas ele encarou, o maior heroísmo de todos é encarar a dor de olhos bem abertos. Ele abriu os olhos, ele caiu e se levantou. Gosh, como eu odeio os cristão, todo tipo de cristãos, raça burra, o herói maravilhoso que eles adoram e o adoram pelos motivos mais fúteis e banais do mundo. A questão não é certo ou errado. A questão não é quem é gay ou maconheiro. Puta que pariu, isso não chega perto de ter alguma coisa a ver. A questão não é quem morre ou quem ressucita. A questão é quem luta. Não é nem quem vence ou perde a luta. Mas quem tem coragem de lutar. Quem se levanta. Puta que o pariu. Fãs de Rocky - o lutador, entendem mais de cristianismo do que aqueles malditos padres. E não me venham com essa baboseira de "bem, é assim que você vê, eu vejo diferente" você não leu a porra do livro, esse é o problema. Não com os olhos certos. Você já leu tendo em mente alguém pra culpar pelos problemas do mundo, gente, a bíblia tem uma certo senso de continuidade. Você não pode pegar uma passagem das primeiras páginas, como a destruição de gomorra e sodoma e tomar aquilo como lição. Não funciona assim. O livro é um todo. Você aprende ao decorrer dele, e não em frases isoladas. Se matar tarados pervertidos é uma boa idéia, porque diabos deus parou de matar pessoas?
Não me levem a mal, eu sou ateu, mas acredito na bíblia. Sou ateu e desculpa ser arrogante, mas sou inteligente demais pra levar aquela coisa ao pé da letra. NÃO FOI ESCRITO PARA SER LEVADO AO PÉ DA LETRA. Talvez uma parte ou outra por ditadores romanos ou reis medievais tenha sido escrita para o povo levar tudo ao pé da letra, mas puta que o pariu, a intenção era deliberadamente manipular as pessoas. Acreditar que um barbudo andou por aí com dois buracos na mão dizendo "simão, acredite" é atestado de burrice. E não me vem com essa bullshitagem de "eu acredito em x, você em y" repito, você não leu a porra do livro. Você não sabe nada sobre ele e sobre as pessoas que o escreveram. O que você sabe é o que uma INSTITUIÇÃO POLÍTICA com o claro propósito de fazer você PAGAR DÍZIMOS disse pra você. Eu te perdoô, neste momento, por ter sido cristão, ao admitir que "Fé" é a maior jogada de marketing que existe no mundo, mas agora vá atrás e leia. Leia Joseph Campbell, leia mitos de outros lugares, aprenda mais sobre budismo. Se depois de tudo isso você ainda acreditar num maconheiro que andou por aí com dois buracos no meio da mão, me desculpe, você provou ser mais ignorante que eu, escrevendo um texto desse tamanho, num blog onde entram 10 pessoas por mês.
Fé é marketing.
Marvel Comics é marketing.
Kurt Cobain ser considerado um anjo imortal é marketing.
Heroísmo é real.
Esse texto todo foi pra dizer isso.
Essas histórias, essas músicas podem despertar o melhor que existe em você, basta você se abrir para elas, deixá-las fluir em seu ser e deixá-las te libertar das suas amarras. É assim que funciona. Simples assim. Deixe aquilo que te faz completo, que te faz uno, entrar em você, te completar, te unificar, depois disso, faça o que tem que fazer. Simples assim.

sábado, fevereiro 05, 2005

A Balada do Desbarbado

Era uma vez um homem de verdade (de verdadeeeeeee)
Macho pra caralho que comia todas as menininhas (de mentiraaaaaaa)
Ele tinha uma bela plumagem (ahhhhhhh)
Que bela pelugem (uuuuuuugem)
Rodrigo era um homem barbado
Motivo de orgulho
Admirado por gerações
Um homem de verdade
Agora não é mais nada (aaaaaaada)
É um gato pelado (aaaaaaaaado)
Vive triste e sozinho (iiiiiiinho)
No espelho não se vê mais pêlo (eeeeeeeelo)
Pelas ruas abandonado (aaaaaaaiai)
Nem suas back vocal são mulheres (somos traveeeeeecos)
Rodrigo era um homem barbado
Motivo de orgulho
Admirado por gerações
Um homem de verdade
E agora? (agoooooora?)
Es un porco miserável.

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quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Carta Aberta à população e à imprensa, em prol da solidariedade ao Squatt Teimosia

Carta Aberta à população e à imprensa

Devido a larga e deturpada cobertura dada pela imprensa sobre o ocorrido no dia 28 de janeiro de 2005, quando a polícia adentrou o "Espaço Kultural Autônomo Autogerido Squatt Teimosia", cituado na R. João Telles, 369, Bairro Bom Fim, Porto Alegre/RS, em busca de materiais explosivos alegando ter recebido uma denúncia anonima de que punks estariam prontos para os participantes do FSM no Acampamento da Juventude; sentimos a necessidade, enquanto gestores do Espaço Kultural, de desmistificar esta fantasiosa e oportunista armação. O imóvel, que estava abandonado por mais de 7 anos, se tornando um estorvo para a comunidade local e não cumprindo com sua função social como determina o Plano Diretor do Município, hoje é um espaço ocupado, onde se realizam diversas atividades culturais gratuitas, como oficinas de malabares, fanzines, palestras diversas assim como o funcionamento de uma biblioteca comunitária, não sendo mais uma casa abandonada e tampouco um mero alojamento. No dia do acontecido, os vários visitantes presentes aguardavam o início de mais uma atividade artística que estava programada para acontecer dentro da casa. Porém, com a inesperada invasão da polícia o que era para ser uma tarde descontraída reverteu-se em horas de tensão, humilhação, detenção e acusações infundadas. Nos assusta como materiais tão comuns foram transformados em artefatos de guerra: garrafas de cerveja vazias recolhidas para reciclagem (um dos projetos desenvolvidos pelo espaço)se converteram em cocktaill' s molotov's; sinalizadores e fogos de artifício utilizados em apresentações teatrais desenvolvidas pelo nosso grupo de teatro se transformaram em rojões de poder ampliado; facas de uso doméstico tão presentes nos lares, foram encarados como parte do suposto armamento bélico. Para completar a apreensão de ditos materiais perigosos, foram incluídos e confiscados fitas de vídeo VHS tais como o clássico Nosferatu, eventos realizados e documentários políticos históricos, além de um livro da Ed. L&M Pocket sobre anarquismo. É com receio que manifestamos aqui nossa indignação, tendo em vista que diante deste ocorrido nossa liberdade de pensamento e vivência se encontram à mercê de manipulações e repressões. Esta é a cultura do medo, que distorce e os fatos para coagir as pessoas e tentar acabar com as manifestações culturais que não são controladas pelas instituições e órgãos estatais e privados. Afinal, num mundo onda a cultura é um produto a ser vendido e consumido, a cultura como vida incomoda, e esta é a única ameaça que representamos. Esta é a nossa teimosia.

Squatt Teimosia 30 de Janeiro de 2005

" Ocupa e Resiste!!!"

Email:: solidariedadesquattteimosia@yahoo.com.br


Então, taí minha pequena parte pra divulgar esse ato de barbárie da polícia de Porto Alegre. Iniciativas como a deste grupo ajudam tanto a comunidade a que pertence e é uma vergonha que as pessoas tenham essa imagem de anarquismo tão ligada a violência niilista, culpa talvez dos próprios punks, mas agora não é hora de apontar dedos e sim de tomar ação contra esse ato absurdo. Ajudem a divulgar isso por favor, porque é uma vergonha.
Aliás, eu tava pesquisando aqui e parece que a globo noticiou o fato ao mostrar as supostas bombas e os supostos coquetéis. Não mostraram, claro, panfletos do grupo que vinham com símbolos explícitos dizendo "não as armas". Agora grande parte da população acha que os malvados anarquistas estavam com planos de bombardear o fórum mundial. Esse mundo desanima às vezes... mas enfim, por favor, publiquem essa carta, vamos esclarecer esse mal entendido.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Bloqueio.
Bloqueio.
Não consigo escrever.
Não consigo pensar em nada.
Bloqueio.
Bloqueio.
Nada bom.
Nada bom.
Nõa consigo escrever.
Não consigo pensar em nada.
Bloqueio.
Bloqueio.

Alguém aí tem alguma receitinha de chá ou simpatia qualquer pra acabar com isso?
...
Bom...

Rodrigo era um sujeito engajado em política, ia a protestos e reclamava dos governantes, mas passou a jogar Sim City e percebeu que a vida de um prefeito é bem díficil e passou a respeitar seus governantes.

Não, sério, vocês já jogaram o Sim City 4000? É muito foda. Eu demoro uns 10 a 15 anos pra ter uma cidade de 10.000 habitantes, mas até aí tudo bem, as coisas andando, eu não sou muito popular, mas também não sou odiado pela população, orçamento ta beleza. Mas aí alguma coisa acontece e o jogo desanda! Simplesmente isso! Em questão de meses, eu de repente perco toda a grana, tenho que fazer cortes em polícia, saúde, educação, tudo! A cidade vira um caos de uma hora pra outra!
Ah... vida díficil.
Eu vou começar a postar screenshots aqui. Isso mesmo! Enquanto meu bloqueio não passar, esse daqui virará um blog sobre a íncrivel sblarghland! Aguardem!