segunda-feira, dezembro 29, 2008

Ideologia e religião

Movimentos para ensinar criacionismo nas escolas dos Estados Unidos tiveram seus momentos.
Aconteceu na década de 60, depois nos anos 80 e foi ressucitado agora nos anos 2000 com uma força descomunal.
Em reação a isso (e a outras coisas, que é o ponto principal desse post), surgiram vários movimentos ateístas também, destinados a manter criacionismo fora das aulas de ciência.
Eu sou a favor, logicamente, de manter criacionismo fora das aulas de ciência. O que criacionismo tem a nos ensinar sobre biologia ou química? Nada. Que fique fora.
E lembrando que no Brasil, recentemente, vários colégios presbiterianos anunciaram que ensinaram criacionismo nas aulas de ciência, então se seus filhos estiverem em algum desses, é um ótimo momento para trocá-los de colégio.

Entretanto, vendo as datas em que as coisas acontecem, eu encontrei várias coisas interessantes.
Estados como Alabama e Kentucky (tudo pego da Wikipedia, portanto pode estar errado) tiveram os seus momentos criacionistas em 1996 e 1999 respectivamente, mas eram mudanças pequenas; o estado de Alabama dizia pra colocar um adesivo nos livros de evolução com um aviso de que era só uma teoria e o estado de Kentucky decidiu trocar a palavra "evolução" pela expressão "change over time" ("mudança através do tempo"), o que eu sinceramente acho melhor, pois evolução passa a errônea idéia de que as coisas melhoram, enquanto a teoria só diz que elas mudam. Se o estado de NY fizesse a mesma lei, diriam que é por motivos filosóficos ao invés de religiosos.

Enfim, o que pega é que o movimento só "estorou" depois de 2002 e obviamente, os ateus como foram uma reação a isso, vieram depois (como o "God Delusion", um livro escrito as pressas e inculto com argumentações baratas tiradas de foruns de internet e que não merece nenhum respeito por quem se interessa pelo assunto, só veio em 2006, quem quiser ateísmo de verdade, eu recomendo "Ateologia" de Michel Onfray).

O que há por trás, entretanto, de um movimento para "reviver" o cristianismo a ponto de algo absurdo e nonsense como criacionismo ser algo significativo nos debates de educação?

Minha teoria é o 11 de Setembro.

É fácil entender como que o 11 de Setembro cria um espirito grupal cristão. Afinal, até hoje não dizem que foram radicais árabes ou radicais sauditas ou radicais da Al Qaeda, mas sempre radicais muçulmanos.
Mas eu queria notar aqui também, que não são só os cristãos que culpam essa gente de uma religião diferente pelos atos monstruosos da Al Qaeda; Hitchens, uma dessas pessoinhas burras idolatradas pelos ateus bobocas atuais, adora falar em "islamo-fascismo".
Todos esses livros anti-Deus, acabam sendo anti-monoteísmo no fim das contas, mas vejamos.
Anti-monoteísmo significa ser contrário ao cristianismo, ao judaísmo e ao islã.

Oras, o cristianismo é a religião dominante, como mostra o poder político de adulterar ensinos científicos com bobagens só porque a maioria burra está ao seu lado; da mesma forma, os ateus cientificistas tem o seu domínio bem estabelecido nas universidades. Por mais que alguma aberração legislativa consiga alterar o quadro de estudos de uma escola pública, as linhas de pesquisa universitárias (espero) não serão contaminadas por isso.

Então restam dois alvos: os judeus e os muçulmanos.

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Primeiro falar sobre os muçulmanos.
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Acredito que embora esses ateus bobinhos atuais gostem de brincar de atacar o cristianismo, seu verdadeiro e inconsciente alvo é o islã.
No documentário recente do comediante Bill Maher concentra seus ataques no cristianismo, mas ele cita o islã... na hora de mostrar as torres sendo explodidas.
Da mesma forma, o islã é o alvo dos cristãos mais fervorosos. Muitos deles não tiveram problemas em atacar o Afeganistão e o Iraque baseados em motivos religiosos. Não estou dizendo que as guerras não deveriam ter acontecido (o Iraque não deveria, mas não é o tema aqui), mas muitos cristãos acharam certo bombardear esses lugares porque, afinal, não eram crentes em Jesus que morreriam.

Então enquanto cristãos e ateus brincam com pistolinhas de água nos fóruns de internet enquanto ambos sabem que nenhum dos dois vai desaparecer, seus verdadeiros e inconscientes alvos continuam sofrendo.

Que os muçulmanos tenham sido dados como responsáveis pelos ataques do 11 de Setembro é talvez o maior irracionalismo de nossas épocas e no cenário atual em que os debates de religião está dividido em "anti-muçulmanos porque não são ateus" e "anti-muçulmanos porque não são cristãos", então não sobra quase ninguém para mostrar a intensa irracionalidade disso.

Então nós temos um lugar feito o Afeganistão, um deserto miserável num ponto esquecido do planeta que se tornou mais miserável ainda porque foi pego na guerra fria. Os afegãos lutam ao lado dos americanos, vencem os invasores e como prêmio continuam na miséria enquanto os Estados Unidos, aos seus olhos e do mundo, passam por uma era de ouro de riqueza, poder e arrogância.
É óbvio que se criará um sentimento anti-americano no lugar. O próprio Bin Laden disse que o alvo sempre foi os Estados Unidos e não, por exemplo, a cristã Suíça.
Hitchens fala em "islamo-fascismo" e por algo que só pode ser descrito como uma patologia, acha que a palavra feia aí é "islã" ao invés de "fascismo".
O problema é econômico até o osso, a religião escolhida pelos habitantes desse fim de mundo poderia ter sido qualquer uma e seus atos seriam o mesmo, poderia ser nenhuma e seus atos seriam o mesmo.
Ainda assim, Bill Maher nos lembra que eles são muçulmanos. Enquanto muçulmanos vivem oprimidos nos guetos britânicos e franceses, em constante medo de que as próximas eleições possam trazer uma nova onda de xenofobia e violência contra eles, ninguém nos lembra que o 11 de Setembro é o que acontece quando damos armamentos para um povo miserável. Não, por algum motivo bizarro de irracionalidade suprema, querem nos convencer que o 11 de Setembro é o que acontece quando damos armamentos para muçulmanos.
É o auge da irracionalidade tranvestida de debate entre cristãos e ateus. Não tem nada a ver com cristãos e ateus. Ser cristão e ser ateu são só duas maneiras de ser anti-muçulmanos.

Eu tenho lá minha birra com os muçulmanos. Acho que como comunidade, eles poderiam fazer mais para melhorar sua própria imagem; mas de certo modo, eles estão mais bravos e cansados do que qualquer coisa e não ajuda que aqueles que tem a riqueza e o conhecimento, ou seja, os cristãos e os ateus, tenham se unido para combater os que vivem nos porões do planeta sem aprender a ler.
Os cristãos tentam nos convencer que é impossível ser muçulmano sem ser terrorista; os ateus tentam nos convencer do mesmo. O meu medo não é só que nós acreditemos, mas que eles também acreditem.

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Agora os Judeus
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Considero o povo Judeu a mais bem sucedida comunidade religiosa da história.
Os judeus conseguiram aquilo que toda religião tenta: criar uma identidade que supera todas as outras.
Se você é judeu, logo não importa seu país ou classe social, você será tratado primeiro como judeu e logo como qualquer outra coisa e isso é, pra mim, o que toda organização deveria ser. É uma religião cosmopolita e democrática por natureza.

Sendo cosmopolita e democrática, os judeus sempre foram um alvo favorito das esquerdas. Tudo que Hitler teve a fazer foi escrever na parede do celeiro que "judeu = burguês" para conseguir apoio de todo social-democrata de seu país.

Note que nos debates "ateus vs cristãos", os muçulmanos são alvos freqüentes dos dois, mas ninguém cita os judeus, nem pra lá e nem pra cá. Mahey mostra os judeus no seu documentário como uma espécie de primos dos cristãos, afinal, nós cristãos (mesmo ateu, eu me considero cristão porque faço parte da cultura cristã) somos mesmos os primos mais barulhentos e desorganizados dos judeus. O próprio papa declara que todo cristão é semita. Obviamente, não teria como ser diferente.

Dito isso, os judeus não são citados nos debates de religião, mas são citados nos debates políticos. Todo esquerdista sabe de cabeça piadas sobre judeus, de fato, o anti-semitismo é o racismo dos esquerdistas.
E funciona como racismo, ninguém mais escreve artigos defendendo, ninguém diz em público, ninguém lava a mão depois de cumprimentar, na maioria das vezes, as pessoas nem tentam, nem querem ser e nem se consideram racistas, mas está lá, não-declarado, mas claramente.

Então é óbvio que quando o Estado de Israel erra (e freqüentemente erra), toda a velha indignação da esquerda é multiplicada por 1000.
Alguém que eu geralmente respeito escreveu esses dias comparando o que acontece em Gaza com o apartheid, nos chamando às armas para boicotar Israel, que essa é a questão humanitária mais importante de nossos tempos (particularmente, considero a África, mas na África não dá pra ser anti-semita, então esquerdista vota no Oriente Médio), etc.

Eu não vou tentar explicar o conflito no Oriente Médio em um post, como fazem os esquerdistas rápidos para dizer que o Estado de Israel ("esses judeus" devem falar em particular) é o mal absoluto e o culpado definitivo.

Nesse mesmo post, o sujeito (que, de novo, geralmente eu tenho o maior respeito) diz até que bombardear uns árabes rende votos "assim como nos EUA"; é uma tática velha da esquerda. Associe os judeus com quem quer sejamos contra (no caso, os conservadores pró-guerra norte-americanos).

Isso não é pra dizer que o que o Estado de Israel fez nesses últimos dias foi correto. Mesmo eu, que tanto admiro os judeus, tenho dificuldades em achar boas justificativas para as atrocidades recentemente cometidas. Mas só quero dizer que é uma situação complicada.
Pedir para boicotar a única esperança de democracia no Oriente Médio baseado em atos tomados em circunstâncias que nenhum de nós compreende inteiramente é o absurdo. Israel é nossa única chance de progresso no Oriente Médio, por alien que isso possa parecer para a esquerda.

De novo, não acho que Israel esteja agindo certo nesse conflito, mas isso significa discordar dos atos de um governo democrático em período de guerra cercado de inimigos por toda parte com uma porção de seu território em disputa militar.
O bom post de Pedro Dória sobre o assunto lhe rendeu a alcunha de "jornalistazinho" em tal blog mesmo admitindo que Israel tem tido uma estratégia desastrada.

Mas com ideologia não dá pra argumentar, você começa ouvindo uma piadinha de Judeu no bar e logo não admitir que Israel seja o mal do mundo é igual se posicionar a favor dos nazistas de nossa época.
Existem sim, muitos judeus de esquerda, aliás, os Kibutz são experimentos que os socialistas gostam de repetir com orgulho de prova de organização socialista bem sucedida, mas ideologia é irracionalidade.
Os judeus poderiam marchar pra lá e pra cá com uma bandeira da união soviética que a esquerda não deixaria de ser anti-semita.

Cruzemos as duas ideologias e temos um problema.
A esquerda geralmente tem um naco para entender que o problema dos "radicais muçulmanos" não é que eles são muçulmanos, mas sim que são um povo miserável, cansado e frustrado que botou as mãos em mísseis.
Então é interessante ver que no post do Pedro Dória, ele fala algumas vezes em "radicais islâmicos" e a expressão não aparece no outro post, o anti-israel, que fala em palestinos o tempo todo.
Da mesma forma, Pedro Dória cita alguém que explicita que o propósito da criação do Estado de Israel sempre foi o de defender judeus e continua sendo, isso não aparece em nenhum momento do post anti-israel.
As coisas tem pesos diferentes, obviamente.
Lembrar as pessoas que são muçulmanos de um lado ativa a ideologia de que "é essa gente esquisita que explodiu as torres", já lembrar as pessoas que são judeus dos outros lembra os não-politizados que "é esse povo que sofreu o holocausto e que só quer construir um lar para si", então se você quer ser pró-muçulmano e anti-semita, você exclui mesmo ambos os termos da conversa.
A esquerda sabe que quando se fala em Israel, está se falando dessa gente das piadinhas do bar, então não é preciso sensibilizar os não-esquerdistas.

Embora a esquerda consiga entender fácil a frustração dos palestinos, ela fecha completamente os olhos para o fato que israelenses também sofrem. Pior, como dito acima, "esquecem" de dizer que o propósito de Israel é criar um lar para os judeus, pode-se argumentar que o local escolhido foi errado, mas não entender que é um povo que também se sente com medo e que age baseado nesse medo (ao invés disso, chamando-os de carniceiros, assassinos e etc. a todo momento) é compaixão seletiva demais.

No mais, entender os motivos menos racionais pelos quais um povo faz algo não significa concordar, ainda não entendo os motivos por trás dos ataques recentes a Gaza, mas consigo entender que um povo como o Judeu que sofreu e ainda sofre tanto preconceito aja como agiu.
Acho que fica mais fácil entender as pessoas quando paramos de pensar nelas como vilões de histórias em quadrinhos que fazem frios cálculos políticos para conseguir seus efeitos obscuros e entendendo, fica mais fácil pedir para que sejam razoáveis.

Tratar Israel como um estado malvado que quer matar gente porque são pessoas malvadas não é racional, é ideologia de quem convive demais com a esquerda, assim como achar que certos árabes são violentos não por causa da opressão que sofrem (inclusive por Israel), mas porque se vestem diferente e se casam diferente e lêem textos sagrados diferentes não é racional, é ideologia conjuntamente criada por dois grupos amedrontados depois de um ataque terrorista.
No fim das contas, é muito fácil ser irracional.

sábado, dezembro 27, 2008

Ain't She Sweet?



Adorei essa imagem por algum motivo.
Aliás.
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Vampira



Uau!
Que excelente vilã ela era!
Quando ela absorveu o poder do Thor (e aí ela já tinha absorvido o Capitão América) e nocauteou o Visão, eu fiquei pensando "nossa, agora ela está invencível!"
E de fato, ela só foi derrotada depois que o poder do Thor e do Capitão se foram. Na verdade, a fraqueza óbvia dela foi o homem de ferro, mas ainda assim, enquanto uma heroína responsável e recalcada não dá pra perceber o quão poderosa a Vampira pode ser.

1 - Ela precisa meramente encostar em *qualquer* inimigo para derrotá-lo (desde que, obviamente, ele não use uma armadura, o que faz do homem de ferro seu inimigo quase por excelência)
2 - Ela não só derrota qualquer pessoa com um toque, como também absorve seus poderes.

Agora, nós já sabíamos disso, mas de novo, é preciso uma vilã sem medo de usar os poderes ao máximo para que vejamos o quanto eles são grandes.

Dito isso e dado que o Claremont vem tentando (e falhando em) escrever uma boa história dela e do Gambit (como sabemos, um ladrão por natureza), não seria uma ótima tentar fazer deles um casal de vilões?
O motivo pode ser bem vilanesco. O Gambit já é alguém que ninguém se surpreenderia em ver traindo todo mundo por uma vida de aventura, ela poderia simplesmente apenas se entusiasmar com isso.
Poderia ser um gibi mensal chamado tipo "Most Wanted: Gambit and Rogue" com aventuras bem Bonny e Clyde ou Assassinos Por Natureza em que um casal corre pelo mundo cometendo crimes pelo fato único de ser divertido cometer crimes.
Sério, não é uma idéia sensacional transformar Gambit e Vampira no Bonny e Clyde do universo marvel?
Poderia até ser alguma coisa bem leve, drama-free, com os dois jurando não matar ninguém, roubar apenas ricos, até darem uma de Robin Hood de vez enquando, mas de qualquer forma, não seria divertidissimo ver os dois fugindo de um herói novo a todo mês?

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Fim de ano



Estou chegando no ponto em que começo a perceber que jamais vou fazer nada de interessante na minha vida.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Mãe, eu quero!



(resposta provável e justa: A gente já não gastou dinheiro demais com joguinho pra você, não?)
Tomara que até o lançamento, eu tenha um salário.
E tomara que os vendedores brasileiros não transformem 80 dólares em 350 reais.

Feliz Solstício de Inverno

Que os deuses que jogam com nossas vidas apreciem o sofrimento das aves que sacrificamos em nome de seus propósitos obscuros.
Que as dolorosas lembranças daqueles que não mais compartilham essa data conosco se traduzam em terríveis e ótimas histórias.
Que nossos presentes nos proporcionem uma doce fuga do onipotente vazio que nos cerca ou que ao menos nos permita esquecê-lo ou fingirmos que o esquecemos.
Que ao abraçarmos as pessoas e desejarmos a elas felizes festas consigamos ser sinceros nesses votos e não lembrarmos o quanto gostaríamos de estar em outro lugar, com outras pessoas.
Que saibamos aproveitar o fato que a solidão será duplamente sentida.
Que compreendamos nossa dívida ontológica com aqueles que estão e com aqueles que não estão.
Que sorriamos sinceramente e, caso isso seja impossível, que finjamos bem para que alguém que amamos sorria sinceramente.
Que acreditemos nos sorrisos fingidos dos outros.
Que façamos promessas que não iremos cumprir.
Que este gesto geralmente insignificante de estar em um planeta girando em um ponto qualquer da órbita de sua estrela, um gesto vazio e mínimo em relação ao infinito de plantes e órbitas e pontos dessas órbitas, ganhe o maior dos significados por estar sendo apreciados por seres que pensam, que amam, que se sentem sós, que fingem, que mentem, que contam histórias, que acreditam em deuses terríveis e deuses bondosos, que acreditam nas velas que queimam além de seu óleo e iluminam os caminhos dos povos, que acreditam no sacrifício e no sofrimento do deus vivo que traz a salvação, que acreditam na profecia não cumprida que trouxe ao mundo a Sabedoria que nasceu com lança em punho da testa de seu pai, que acreditam que a existência é apenas um sonho que repousa numa flor de lótus, para os que acreditam em seus cérebros, nas maquinações de sua química que lhes dá a incrível habilidade de compreender tais maquinações, de compreender o mundo, de encontrar respostas, de, mesmo sendo apenas cérebro, ainda assim sendo um cérebro capaz de iluminar o universo.
Enfim, que lamentemos por todos os planetas sem consciência que não são capazes de apreciar que aqui nessa terra existe uma criatura capaz de tantos deuses, tanto conhecimento, tanto sofrimento e tanta felicidade e, afinal, com a incomparável habilidade de transformar um pequeno planeta em uma infinidade de mundos.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

LittleBigPlanet

Uaaah!
Ganhei hoje (ou ontem, sei lá, perdi noção de tempo) Little Big Planet!
Little Big Planet é 1/3 jogo. A equação inteira é
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Little Big Planet é um jogo de plataforma em 2D com os melhores gráficos que qualquer jogo de plataforma em 2D já teve.
Ele se baseia em conceitos bem simples, elegante, minimalista, ilimitado como um smiley que com seus dois pontos e um risco curvado representam o sorriso de todas as pessoas do mundo.

A primeira vez que Little Big Planet inicia, o que nos recepciona é um filme! Um sujeito dorme em cima de sua mesa e enquanto imagens de várias pessoas dormindo com figuras coloridas saindo de seus pensamentos passam pela tela, o narrador nos conta sobre como os sonhos da pessoa eventualmente se concentram em um lugar e formam um pequeno grande planeta.
Isso pode parecer bobo ou piegas, mas todo o conceito gira em torno disso. Da direção de arte ao modo como se joga, se cria, se compartilha. Little Big Planet é o lugar mais puro da existência. É um universo infinito feito de sonhos.

Logo após a abertura, o narrador nos apresenta ao Sackboy.



Sackboy representa tudo que eu disse acima. Na sua simplicidade, ele é infinito.
Embora você primeiro seja apresentado a criaturinha marrom vestida apenas de seu zíper, logo encontramos roupas, óculos, chapéus, calças, sapatos, etc.
Apesar do número ilimitado de Sackboys que você encontrará em sua jornada online, dificilmente haverão dois iguais.
No começo eu achei difícil me despedir do visual clássico em prol desse ou daquele acessório, mas foi ver o quão adorável sackboy ficava de sombreiro e bigode e mudei de idéia.
Agora toda vez que entro em meu pod (chego lá) a primeira coisa que faço é apertar o "random" e ver que tipo de combinação bizarra vai me surgir.
Um favorito particular foi um sackboy(girl?) com vestido de noiva, cara de palhaço, bigode e bandana ninja.

Assim que você tem controle de seu sackboy, o narrador te explica os movimentos básicos. Assim como a aparência de Sackboy, aqui mais uma vez a simplicidade é utilizada para abrir as possibilidades ao máximo.
Tudo que você precisa para completar todos os níveis do jogo é correr do ponto A ao ponto B no ambiente 2D e pular.
Escrevo isso após 6 horas seguidas jogando (porque começou a chover, mas antes da chuva tinham sido outras boas 4 a 5 horas seguidas de jogo). É assustadora a quantidade imensa de desafios que podem ser enfrentados com um parzinho de pernas de veludo.
Os estágios que vêm no disco do jogo (o story mode, ou "just the beggining" como lembra o troféu) dão uma amostra excelente da quantidade de desafios. As fases são gigantes, horizontal e verticalmente, de Savanas, passando por metrôs, templos e bunkers, o genial de Little Big Planet é que a única coisa que parece ser de verdade é essa criaturinha de pano que você controla.
As pessoas com quem você fala, os inimigos que enfrenta, os veículos, as alavancas, o cenário, são todas coisas feitas de papelão e cordas.
Se um inimigo se move, é porque ele tem um motorzinho, se fantasmas descem do teto e sobem novamente, é porque estão presos em elásticos, se um personagem tem de fato um corpo com uma cabeça e braço, é porque são pedaços de papelão amarrados em cordas.
O ambiente todo seguem as leis da física particulares desse mundo.
Em nenhum momento do story mode, das fases que vem com o disco, há a impressão de que as pessoas que desenvolveram o jogo estão te trapaceando usando seus poderes de programadores para fazer com que algum inimigo obedeça uma física diferente da sua, ao mesmo tempo, essa sólida (e floaty) fundação é o que garante a coesão da multiplicidade ilimitada de Little Big Planet. Tal como o Deus de Leibniz que é perfeito por criar o infinito a partir de poucas regras simples, em Little Big Planet há uma regra simples:
A única coisa que se move por conta própria é Sackboy e todo Sackboy encontrado no jogo é outro humano conectado em alguma parte do mundo.
Tudo que não for Sackboy se move por cordas, elásticos, motores, propulsores, alavancas, etc. Mas tudo tem uma explicação, todo ser obedece as regras do jogo (isso é importante para a seção seguinte).

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A seção "Play" oferece como recompensa para desafios adesivos.
Adesivos com rostos, animais, cores, etc. Além de objetos como bolas, flores, cubos, carros, formas de papelão, etc.
O desafio grande de Play é conseguir 100% desses itens (ainda estou longe disso). Mas para que essas coisas todas?
Como dito, Little Big Planet é 1/3 jogo.
O segundo terço é que todo a seção jogo, bem consolidada nessas regras que o pequeno grande plaenta cria pra si próprio, foi feita utilizando ferramentas que o jogador também tem acesso.
Por isso é importante que todo inimigo ou personagem se mova por corda ou motor, porque tudo que existe no jogo, você é capaz de criar e a solução de Little Big Planet para evitar que criar seus próprios estágios fosse apenas uma interface de programação (como os RPG makers, digamos), o que a direção de arte e a programação andam genialmente de mãos dadas é que você constrói um estágio de Little Big Planet como se construísse um trabalho escolar do jardim de infância.
Quer um inimigo? Pegue uma das formas pré-feitas ou crie a sua própria usando as ferramentas geométricas, pinte da cor que quiser ou coloque os adesivos conseguidos no "Story Mode", coloque um olho (para sinalizar que é um ser vivo), duas rodinhas e um "cérebro" com uma dada função (seguir, evitar ou ignorar - aqui o cérebro serve de motor também) e pronto, você tem um inimigo que pode ser derrotado caso o jogador consiga alcançar o cérebro.
Quer fazê-lo mais ameaçador? Coloque um motor giratório com uma cone armado de espinhos ou eletrizado ou em chamas e você tem um inimigo bem ameaçador! Quer mais? Depende da sua imaginação apenas.
Agora a pouco, jogando uma fase criada por outro jogador baseada no guerra das estrelas, eu tinha que, em determinado momento, desviar das pernas gigantes de um robô do império (aquele do começo do Império Contra-Ataca, que parece uma tartaruga).
O mágico de Little Big Planet é que ele faz sua versão de tudo. Você vê os fantasmas com as cordas amarradas, vê que os búfalos são pedaços de papelão pintado mal escondendo suas rodinhas, vê que o macaco é uma coleção de juntas, não importa. O desafio de Create é apenas decidir quantas cordinhas, elásticos, motores e propulsores você precisa para criar sua própria versão de papelão de um inimigo ameaçador.
É uma brincadeira de criança. A criança sabe que a espada dela é de plástico e desde quando isso estraga a diversão? Ser de plástico permite que a espada seja ao mesmo tempo uma arma mortal e inofensiva. Little Big Planet é pra onde vão nossos sonhos. As ameaças que vemos nos sonhos são isso. Ao mesmo tempo que são ameaçadoras, elas são de mentirinha e ver algo impressionante dentro de Little Big Planet satisfaz em todos os níveis.
Em primeiro lugar há o senso de admiração em ver o que alguém pode fazer com essas ferramentas e em segundo lugar há o senso de entusiasmo em pensar que apenas sua imaginação o limita de fazer algo tão impressionante!

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E imaginação é o tema.
Há uma quantidade impressionante de estágios feitos por jogadores, todos publicados para qualquer um jogar sozinho ou com até 3 sackboys(girls?) o acompanhando, que se baseiam em algo que parece um veículo em que uma alavanca aciona uma propulsão na potência máxima.
Parece que essa é a primeira coisa que passa na cabeça de todo mundo. Eu mesmo não criei meu level, estou ainda um pouco intimidado pela quantidade de coisas que eu posso fazer (embora já começo a pensar no esquema de um estágio chamado "Nihilistic Plataformer"), mas dado uma quantidade IMENSA de espaço e as ferramentas para fazer, de mentirinha, com papelão e cordinhas, o que você quiser. O que você faz?
Os jogadores não desapontam! Você faz algo rápido que explode quando bate numa parede!
Passados os clichês, as homenagens a filmes e os remakes de outros jogos, quando as portas da imaginação se abrem. Vemos que esse é um jogo que vai durar pra sempre.
Níveis complexos, com direções de arte bizarras, surpresas, armadilhas, puzzles; o próprio "guerra das estrelas" que alguém fez que eu mencionei antes. Você desvia das pernas robóticas, aciona foguetes, muda de localização, tem que desviar de explosivos, acionar botões atrás de armadilhas, lutar contra o gelo (ok, o material na verdade é "vidro", mas a gente finge que é gelo por causa do cenário) escorregadio e isso tudo em uma fase que é mais uma homenagem ao Star Wars do que um estágio propriamente dito.
Os infinitos níveis ficam distribuídos em algo claramente inspirado pelos Youtube da vida.
Você seleciona "community" de um menu e logo te aparecem umas dezenas de opções de "cool levels"; apertando a função "search" você pode pesquisar pelo "highest rated" (tem o rating de 1 a 5 estrlas), pelos mais "hearted" (você pode colocar um coraçãozinho nos estágios que gosta), pelos mais jogados, pelos que estão sendo mais jogados agora, por tags (pré-definidas, mas imensas, como "ugly", "artistic", "hard", "cute", "boring", "braaains..." e tudo mais que puder pensar), por descrição, pelos níveis dos seus amigos da Playstation Network, pelos níveis que eles jogam, pelos níveis do amigos deles, pelos níveis que os amigos deles jogam, enfim, achar o que jogar não é problema e o único problema é o eventual estágio mal feito, que assim como os vídeos mal feitos do Youtube deveriam ser a norma, mas as ferramentas de criação garantem que mesmo uma fase mal feita tenha a sua diversão, afinal, tudo se baseia no princípio de correr e pular. Não dá pra errar demais com isso.

Enquanto escrevo esse post vou tendo idéias para o meu "Nihilistic Plataformer", penso em como trabalhar certos dialogos enquanto o jogador pula de plataforma em plataforma, como colocar um twist no final, tanto em termos de direção de arte como em termos de jogabilidade, como fazer para ser difícil sem ser frustrante e acessível sem ser fácil.
No fim, eu vou ter que dizer que a maior realização de LittleBigPlanet é algo maior que videogames, é algo maior que qualquer mídia com que tive contato nos últimos anos. Para todos os indies lendo isso, é algo que acho que apenas Amelie Poulain, Twee Pop ou "Meu Coração Não Sei Porquê" dos gêmeos Bá e Moon conseguem.
Little Big Planet nos oferece uma habilidade que nos é absolutamente difícil nos dia de hoje:
É a habilidade de sonhar sem nos sentirmos constrangidos pelos cínicos.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Twee! Twee! Twee!

Recomendações do mais que excelente zine Twee As Fuck

Theoretical Girl - The Boy I Left Behind



The Brunettes - Brunettes Agains Bubblegum Youth (B.A.B.Y)



The Pains Of Being Pure At Heart - Everything With You



Vivian Girls - Tell The World



E é isso por hoje crianças.

Filmes para assistir

Esses dias eu assisti Enter the Dragon com o Bruce Lee e achei impressionante o quanto eu gostei do filme.
Eu não absolutamente me apaixonei, mas em nenhum momento do filme eu me senti entediado ou insatisfeito de algum modo. Nenhuma parte eu pensei que o filme poderia ficar sem e nenhuma luta eu achei que não funcionou.
Então eu decidi dar uma pausa com as séries e assistir alguns desses filmes aparentemente bobos, mas com grande capacidade de me divertir.
A palavra aqui é sempre entretenimento.
Bem... acho que achei meu próximo filme.



Mas fica abaixo Enter The Dragon. O filme é bom de verdade.



Don't think... feeeeeeeeeeeeel

UPDATE:
As tartarugas que me desculpem, eu achei um torrent com todos os filmes do Jackie Chan. De 1971 até 2008!
A dúvida é se eu começo do começo ou de 1978 que foi o ano que ele fez fama.
Acho que vou ver todos. Tosqueira atual é tosca, mas tosqueira antiga é cult.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Trailers!

Brutal Legend



Eu não gosto de metal nem um tiquinho, mas esse jogo parece sensacional!
=

Dante's Inferno



A idéia me interessou quando eu li a respeito, mas depois de ver o trailer, eu sinto que vai ser só mais um jogo de ação em terceira pessoa razoavelmente genérico. Mas, faland oem jogos de ação em terceira pessoa...
=

God Of War 3



Hum, eu não sei o que pensar. Na primeira cena, os gráficos parecem ótimos, aí quando passa pra ação, parece que perde um pouco.
Eu sinto que o trailer foi mal montado na verdade, ele parece aleatório demais.
Mãs... teve UM trailer que explodiu minha mente e me fez todo OMFGOMFGOMFG!
=

Uncharted 2: Among Thieves



"That's my blood... that's my blood... that's a lot of my blood..."

Nathan Drake é sensacional e o sujeito que dubla dele é provavelmente o melhor dublador que a indústria tem a oferecer agora.
E todo mundo elogiou o primeiro jogo como providenciando uma experiência "Indiana Jones". Um tipo de aventura com um personagem bacana que proporciona muita e muita diversão.
Dito isso, dá pra notar nesse trailer que isso continua a todo vapor.
Uau!

sábado, dezembro 13, 2008

Uma breve história do meu gosto musical

O primeiro CD que eu comprei, acho que lá pelos 12 anos, foi do Raimundos. Aquele Só No Forevis. (aliás, vou ver que ano ele foi lançado pra ver minha idade. Quanto mais alta, mais vergonhoso)
Ok, é 1999... 99 - 85... hum... 14 anos.
Ok, não está mal! Mas é mais vergonhoso do que eu pensava.
Enfim, eu adorei.
Eu ouvi pela primeira vez na casa de um colega da escola e não conseguia conter meu sorriso. Música, pela primeira vez, fez sentido. Até então era a coisa que meus pais ouviam. Pela primeira vez, graças a esse álbum horrendo, era uma coisa que eu ouvia. Era meu.

Daí meu gosto ia caminhando por essa linha pop rock. Eu gostava de Green Day, Offspring... e acho que that's about it... Pennywise é dessa época? Não lembro.
Anyway, logo veio a internet e eu comecei a querer "melhorar" meu gosto musical.

Eventualmente, um professor passou The Wall na sala de aula e eu me apaixonei por Pink Floyd.
Das decisões que marcam minha vida, eu dou importância a ter escolhido um videogame ao invés de uma bicicleta em algum natal e ter ouvido Pink Floyd.
Pink Floyd foi minha primeira obsessão e acho que durou até bastante tempo. Acho que o único CD deles que eu não tenho é o Ummagumma.

A época do Pink Floyd foi a época da minha adolescência, dito isso, eu ainda tendo a ver como um som meio infantil, como pseudo-substância, vejo Pink Floyd da mesma forma como vejo a mim próprio na adolescência. Como algo que se fantasia de profundo sem saber de nada. (mas afinal, a pergunta aqui é: existe profundidade? Não é, afinal de contas, tudo superfície?)
Meh, não ouço Pink Floyd faz uns bons anos e não consigo me pensar voltando a ouvir. Faith No More é uma banda da mesma época e vez ou outra eu me pego com saudades do Angel Dust, mas Pink Floyd? Foi TÃO importante na minha vida. Me definiu por tanto tempo. Me marcou tanto, mas oh, o tédio.
O que Pink Floyd tem a me oferecer hoje? Não consigo pensar na resposta. Não consigo pensar em nenhuma música deles que me dá vontade de ouvir e eu pretty much sei a discografia inteira de cabeça.
Wish You Were Here e Atom Heart Mother parecem demandar demais e eu não acho que a banda mereça. The Wall parece longo demais. Darkside of the Moon parece pouco interessante demais. Piper at the Gates of Dawn parece alienado demais. Uma amiga disse uma vez que isso é fase. Que eu vou voltar a ouvir e achar sensacional de novo. Mas no momento, me vejo indo em uma direção tão oposta e tão mais excitante que eu não consigo pensar... só se essa progressão me levar de novo ao Pink Floyd, mas me parece difícil. Estou comprometido demais com algo de punk. Mas eu chego lá daqui a pouco.

Eu me pego algumas vezes ouvindo o Madcap Laughs do Syd Barrett e chorei muito a sua morte. O álbum ainda me atrai muito por todos os motivos que Pink Floyd não me atrai mais. Ele é íntimo. É isso. Pink Floyd perdeu sua capacidade de ser íntimo, pelo menos comigo. Parece pomposo demais pra mim. Arrogante demais. Syd Barrett, por outro lado... é o cara estranho que perde os amigos. Isso é insuperável. E ele tem uma coisa também de... hum... não sei se é DIY (Do It Yourself pra vocês menos legais que eu), não é *exatamente* DIY que eu respeito tanto nessas bandas, mas é algo nesse sentido. É algo no sentido de que é a pessoa fazendo a música e não a música se fazendo por meio da pessoa, o que é irônico, dada toda minha admiração por Schopenhauer, que eu tenha uma reação tão contrária a esse tipo de gênio que é um mero instrumento de sua arte.
O meu tipo de gênio se perde em suas músicas. O meu tipo de gênio é o artista que morre. Não é o artista que faz arte, mas é o artista que morre em sua arte. De tal forma que não poderia se dizer que outra pessoa faria aquela obra porque apenas o sacrifício daquele indivíduo poderia criar aquela obra.
Esse tipo de gênio não existe em nenhuma outra parte. Estamos falando aqui de uma arte individualista e egocêntrica e que, portanto, vida particular e arte se misturam.
Há de se definir esse tipo particular de gênio porque ele é definitivamente diferente dos outros tipos de gênios justamente porque nestes, o conhecimento ou o talento aparecem, meio que do ar (diríamos, das ideologias) e o usam como instrumento.
Aqui há a presença fortissima de ideologias, como é inevitável, mas acima de tudo, o artista não é instrumento da arte. Ele é a própria arte. Seu nome, sua biografia, suas fofocas, suas notícias na E! Entertaiment valem tanto quanto sua arte.
O gênio morre e a obra genial perdura sem ele. Não é o que ocorre aqui.
Aqui o gênio morre *na* arte e a obra genial vive enquanto ele vive e ele só morre quando a obra morre.
Eu vou elaborar mais isso adiante. Por enquanto, Syd Barrett com Dark Globe se suicidando em sua obra.



Continuando. Eu passei muito tempo fissurado em Pink Floyd, entrei numa de classic rock no geral, nunca consegui entrar numa de rock progressivo, embora mesmo como fã de Classic Rock, teve coisas que eu nunca consegui apreciar inteiramente. Gostava de Deep Purple, por exemplo, ainda ouço Perfect Strangers com prazer, mas nunca tive a profunda admiração que tive pelo Pink Floyd.
Isso foi até eu ter uns 18 anos e aí eu comecei a sair para as baladinhas indies e me apaixonei pelas bandas da época.

A cena indie prometia muito há 5 anos atrás. Prometia ser arte, prometia ser pop, prometia ser punk, prometia ser intelectual, prometia ser divertido, tudo ao mesmo tempo e para qualquer um com senso estético suficiente para entrar.
Eu logo me apaixonei por Franz Ferdinand e Killers. O primeiro pela pretensão e o segundo pela falta dela.

Bem, eu não consegui achar um video de "Do You Want To" do Franz Ferdinand pra colocar aqui.
Então vai o link

Esse vídeo acho que cumpre de forma excelente tudo que a cena indie prometia. Ele tem um toque de arte, um toque de sarcasmo, um toque de punk, um toque de diversão, um toque de inteligência. Enfim, The Killers, pelo contrário, pareciam ser os garotos caipiras querendo fazer sucesso e é oooutro vídeo que o Youtube não me deixa compartilhar. Eis o link e eu diria que esse vídeo também cumpre bem as promessas da cena indie.
Afinal, bandas vieram e foram, músicas boas e ruins apereceram. Toda a cena indie pareceu emocionante em princípio, mas no que ela continuamente falhava em cumprir suas promessas, foi se tornando cada vez mais frustrantes e algo que tem cinismo como uma parte tão integral de sua subcultura se tornou cínico ao ponto de duvidar de si próprio.

O problema da cena indie é que de repente as pessoas iam nas baladas e não encontravam artistas e nem rebeldes e nem gente inteligente... foi isso que me afetou pelo menos, que me fez desencanar desse universo.
Nos prometeram ótima pornografia com o XPlastic e o que tivemos foi um site estéril, prepotente, nem um pouco sexy, nem um pouco revoltado, sem nenhum bom ou mal gosto. xplastic é simplesmente sem graça e as baladas indies não são diferentes.
Yeah Yeah Yeahs nos prometeu sexy, mas as meninas recalcadas da classe média paulistana continuaram a ser meninas recalcadas da classe média paulistana (só que usando saia e bota). Franz Ferdinand nos prometeu arte, mas as pessoas continuaram com sua mentalidade de curso de engenharia de que essa gente que fala de filme que não vem de Hollywood são elitistas e arrogantes e deveriam ser ridicularizadas. Logo as crianças surgiram. Enfim, não dá pra listar problema por problema dessa cena. Foi uma boa proposta, mas falhou. Acontece. Quem se deu bem vendendo camiseta cool nessa época, parabéns. O resto de nós, só resta a tristeza de termos investido nossos 21 anos em algo que falhou.



Os que ainda se consideram parte da cena continuam com o cinismo que a caracterizou, mas vai saber quem são essas 6 ou 7 pessoas que acham que criticar o fato de Strokes ter ficado famoso demais vai prevenir qualquer estrago.
Não foi a "moda indie" que arruinou a cena, foi o próprio núcleo "underground" da cena que falhou em cumprir suas promessas. Vou me incluir nisso e pensar em todos aqueles quadrinhos sobre noites paulistanas que eu acabei não produzindo. Gente como os gêmeos Moon e Bá com suas histórias que passavam na Fun House e suas lindas mulheres tatuadas foram verdadeiros guerreiros nessa luta. O mesmo vale pra Mosh. Mas os primeiros foram faturar em meio a gente que de fato dá valor (e ainda bem que eles conseguiram) e os últimos faliram... ou brigaram. Sei lá o que houve com a Mosh.
De qualquer forma, faltou muita coisa. A cena de quadrinhos até que se segurou bem considerando que eu pensei que veria altas exposições de artes plásticas, altos shows de bandas independentes, altos estilistas independentes, altos filmes independentes, todos com a mesma qualidade da Mosh e dos gêmeos.
Não aconteceu. As exposições de grafite sempre foram médias e as excelentes fizeram como os gêmeos e voaram para um país que não trancafia seus artistas porque uma bienal de arte é incompetente. As bandas independentes não conseguiram deixar de oscilar entre gente que os gringos adoram, mas nós que vivemos aqui sabemos que é bullshit (crianças super ricas fazendo sucesso porque a mãe conhece alguém) e entre punk amador da pior qualidade. A moda nunca veio. Os filmes nunca vieram. E se vieram, ninguém percebeu, o que é o mesmo que não existir.
E tem as baladas... o que dizer das baladas? Nada foi tão prometido e falhou tanto quanto as baladas interessantes.
Diferente do resto citado. Várias baladas aconteceram. Várias festas. Vários lugares. Todos eram a mesma variação do mesmo tema. Um DJ e uma pista de dança tocando os sucessos. A maior variação que tiveram criatividade para pensar era um DJ e uma pista de dança tocando coisas obscuras.
Ninguém pensou em incorporar sarais e exposições de artes e filmes amadores e performances. Ninguém pensou em fazer nada que fosse inteligente, chegou um momento que deixou até de ser divertido.
Pra mim, obviamente, de resto, um monte de gente ganhou dinheiro e as pessoas continuam frequentando.
Boa sorte pra eles. Eu ainda estou esperando a minha balada interessante.
Existe um meio de fazer baladas diferentes do que DJ + Pista de dança? Dá pra incorporar artes plásticas e poesia e filmes nessa equação de modo que não perdesse a premissa básica de diversão? Não sei.
Voltando ao xplastic, eles sacrificaram a pornografia em prol dessas coisas e, afinal, acabaram simplesmente tediosos. Talvez as baladas temeram que o mesmo acontecesse.



Em algum momento dessa época eu comecei a baixar música como doido. Baixava tudo que saía de novo e era elogiado pela NME, baixava tudo que considerava histórico. Li "Mate-me Por Favor" e logo fui atrás de todas aquelas bandas.
Me vi ouvindo e adorando imensamente Bob Dylan, Velvet Underground, Rolling Stones, Sonic Youth. Via Sonic Youth, eu voltei a apreciar Nirvana (eu ouvia um pouco na adolescência, mas nada de demais).
Assim, eu comecei a me distanciar das bandas novas e das baladas. Mas esse foi um processo que demorou muito, porque na minha cabeça existia essa progressão bem clara. Primeiro veio Bob Dylan, aí vieram os Stones, aí o Velvet Underground, então o Sonic Youth, aí o Nirvana, aí a cena indie.
Então eu passei muito tempo tentando unir as coisas, mas foi em vão. Eu acabei inconsciente preferindo ouvir as mesmas músicas do Bob Dylan de novo e de novo ao invés de desperdiçar mais tempo com as bandas da NME. E dando menos atenção às bandas, fui dando menos atenção a cena até que ouvir música se tornou algo que se faz no quarto na esperança de ter uma experiência nova.
E essas bandas todas me ofereceram ótimas experiências. Mesmo algumas das bandas indies. Ainda ouvia Franz Ferdinand, Killers, Strokes, Arctic Monkeys, Yeah Yeah Yeahs, Kills, Death Cab for Cutie, etc.
Essas bandas todas me proporcionavam ótimas experiências, elas diziam algo de verdadeiro, assim como Sonic Youth e Stones e Dylan e o Velvet Underground diziam algo de verdadeiro.
Lendo "Mate-me Por Favor", toda a cena punk fez enorme sentido desde que Sex Pistols e Ramones fossem ingorados.
Ignorando essas duas bandas feita por e para pessoas burras, o punk deixava de ser uma glorificação da ignorância para virar uma reflexão interessante sobre o niilismo.



Velvet Underground, Andy Warhol, Pop Art. Essas coisas me soaram algo como o que o punk deveria ter se tornado. Ramones e Sex Pistols por outro lado, é o que infelizmente se tornou quando foi sequestrado por gente de pouco talento e pouco a dizer.
O lance do Punk, como eu entendi na época, é que mais importante que a sonoridade estavam os temas.
E o tema era desilusão, era uma certa estética do loser, da falta de esperança, mas sem o cinismo. Não era um "desistimos porque não importa", mas um "importa muito e dói demais dizer isso, mas nós falhamos".
Existia uma mistura de maturidade e ingenuidade, de amadorismo e profissionalismo, de experimentalismo e volta às raízes. Era um movimento de volta aos Rolling Stones que acidentalmente se tornou um progresso ao Sonic Youth.
E eu acho que cresci junto com o Sonic Youth de certo modo, pois meu primeiro contato com eles foi nesse clima de desespero do punk:



A primeira vez que ouvi Daydream Nation, eu tive aquela ótima impressão de que nada seria capaz de superar isso.
Tudo que uma banda - qualquer banda - deveria tentar ser era o Sonic Youth.

Acessíveis, corajosos, inteligentes, cotidianos, experimentais, barulhentos. Eu entendo que existe um modo muito fácil de não gostar do Sonic Youth, envolve não ter paciência para as distorções. Mas se as distorções clicam, então elas fazem a banda ser mais importante do que qualquer outra no universo, pois é nesse momento que, da sonoridade à letra, o Sonic Youth cumpre todas as promessas do punk.
Ele é rebelde, desesperado, divertido, é uma volta aos Stones e é um progresso em direção a algo, é belo, é feio, não há defeitos em Sonic Youth uma vez que você se liga a música.
Mas eu entendo que depende de algo quase sobrenatural para que a conexão seja estabelecida.
De Sonic Youth, voltei a ouvir Nirvana e ainda adoro Nirvana, mas é nessa dupla que eu estava concentrado: Sonic Youth e Velvet Underground.
Logo o Sonic Youth se tornou algo... Sonic Youth demais e me alienou do resto, assim como acredito que eles tenham se alienado.



Embora seja inegável que Sonic Youth é mais belo no seu mais estranho. A intenção era colocar Little Trouble Girl aliás, mas não achei.
*aiai*

Enfim, em algum momento desse período, eu voltei a buscar novas coisas. De algum modo eu descobri que adorava cantoras.
Realmente me envolvi em Giant Drag e Pipettes.
Ambas as bandas são atuais. Pipettes está morrendo uma morte lenta não tendo mais nenhuma integrante original no grupo e ambas as bandas me impressionam porque elas são excelência e não fazem sucesso. Não fazem sucesso sequer na cena indie. Não fazem sucesso e ponto, mas são excelência.
Infelizmente pra mim e felizmente pro grupo, eles tem algum tipo de contrato com a Universal, que é o tipo de empresa que proíbe vídeos do Youtube de serem compartilhados em blog. Então no Anne Hardy for you!
Mas Pipettes é genial. Porque elas desistiram... sei lá, é triste demais que elas tenham desencanado.



Infelizmente o Youtube não me deixa compartilhar o clipe dessa música (caramba, comum demais isso ultimamente), but oh well.
De qualquer modo, explode minha mente como que Pipettes não se tornaram a banda mais bem sucedida de 2007 assim como explode minha mente que Little Big Planet não se tornou o jogo mais vendido de 2008.
Talvez não haja mercado para criatividade disfarçada de nostalgia e para inteligência disfarçada de "cute".

Além de Pipettes e Giant Drag, eu entrei numa de Camera Obscura e isso é importante.
Pesquisando coisas de Camera Obscura, eu descobri que eles fazem parte de um estilo chamado "indie pop" e tem uma espécie de subdivisão disso chamado "twee pop"... ou são a mesma coisa com nomes diferentes.
Unindo minha fascinação pelo que eu acho que o Punk deveria ter se tornado com meu amor por cantoras, Twee Pop foi um estilo que pareceu criado especificamente pra mim.

Um dos artigos mais lidos até hoje no Pitchfork Media é o "Twee as Fuck" que conta a história desse estilo musical.
Não só é a única fonte de informação sobre a história do Twee, é muitissimo bem escrito.

"Indie pop is not just "indie" that is "pop." Not too many people realize this, or really care either way. But you can be sure indie pop's fans know it. They have their own names for themselves (popkids, popgeeks) and for the music they listen to (p!o!p, twee, anorak, C-86). They have their own canon of legendary bands (Tiger Trap, Talulah Gosh, Rocketship) and legendary labels (Sarah, Bus Stop, Summershine). They have their own pop stars, with who they're mostly on a first-name basis: Stephen and Aggi, Cathy and Amelia, Jen and Rose, Bret and Heather and Calvin. They've had their own zines (Chickfactor), websites (twee.net), mailing lists (the Indie pop List), aesthetics (like being TWEE AS FUCK), festivals (the International Pop Underground), iconography (hand drawings of kittens), fashion accessories (barrettes, cardigans, t-shirts with kittens on them, and t-shirts reading TWEE AS FUCK), and in-jokes (Tullycraft songs and the aforementioned TWEE AS FUCK)-- in short, their own culture. They're some of the only people in the world who remember that Kurt Cobain used to kind of be one of them, and they've been wildly generous about the moments where one of their private enthusiasms-- like, say, Belle and Sebastian-- bubbles up into the wider world of indie music."

E até hoje eu nunca ouvi Belle and Sebastian. Tenho medo de gostar, sei lá.
Enfim, duas coisas aconteceram ao mesmo tempo.
Eu descobri Twee e eu descobri Blondie e eu me apaixonei por ambos pelos mesmos motivos.

Twee, como o artigo explica, foi uma espécie de reação ao Punk. Era gente que gostava da idéia de fazer música em suas garagens, mas não comprava todo o machismo da cena. Era algo do tipo, você não precisa fazer um moicano e berrar dizendo que vai matar os outros pra ser underground.
Então Twee é algo que cumpre o incrível efeito de ser mais underground que punk sendo menos revoltado. É uma música bem conservadora na verdade. É sobre meninas e meninos e tristeza e solidão e amor e coisinhas.
É sempre sobre coisinhas.
Toda a idéia do DIY está no twee. Pessoas não sabem tocar, os álbuns não são bem produzidos, é tudo amador ao máximo. Ainda assim, eu considero algo quatro trilhões de vezes mais corajoso do que qualquer banda punk do ABC paulista porque não disfarça falta de habilidade com distorção e com riffs.



Talulah Gosh foi a primeira banda Twee que eu me apaixonei.
Ela personifica tudo que existe de excelente nesse estilo musical.
Vejam que a música parece simples porque ela é simples, não há nenhuma máscara, ninguém parece legal porque ninguém é legal.
E as biografias das bandas são diferentes do que tudo que você lê no "Mate-me Por Favor".
Talulah Gosh terminou, por exemplo, porque a mãe de uma das vocalistas era cristã e achava que esse negócio de rock n roll era malvado.
A outra vocalista, Amanda Fletcher, continuou fazendo outras bandas, das quais Heavenly é provavelmente a mais bem sucedida e hoje ela é economista da ONU.
O único ponto em que infelizmente a história se intercala com tantas outras bandas é que o bateirista, irmão menor de Amanda Fletcher, cometeu suicídio anos depois do fim da banda.
As bandas de Twee tem uma característica de terem biografias imensamente mal sucedidas. As mesmas pessoas fazerem parte de muitas bandas porque a maioria fracassa e dos álbuns saírem muito raramente porque seus membros geralmente não tem tempo de fazer.
É, como dizem os fãs, o pop mais puro que existe.



Não sei nem se dá pra falar em evolução do genêro. Se hoje as coisas parecem melhor é só porque fazer um vídeo caseiro com câmera digital é melhor do que um vídeo caseiro em VHS.
Além disso, há um mercado para indie que acaba absorvendo um pouco as bandas twee atuais. Mas ainda é uma coisa bem obscura, do tipo que a maior parte das pessoas, mesmo os fãs de Killers, Franz Ferdinand e Arctic Monkeys, atravessam a vida sem saber que existem.
E a cena nunca existiu também. Sequer há um cena para morrer. O que sempre houve foram pessoas desconectadas nos diferentes cantos do mundo lutando para conseguir as músicas, algo que se mantém bem vivo no que eu não consigo achar um álbum da Velocity Girl pra download não importa o que.
Por isso que dizemos que Kurt Cobain era meio que um dos nossos. Porque ele de algum modo inexplicável conseguiu, em Seattle, um álbum dos escoceses Vaselines.
Como ele fez, na verdade, está registrado em algum lugar, mas eu não lembro. Algum amigo deu uma demo pra ele ou algo assim, quem sabe.
De qualquer modo, Vaselines é uma banda cuja discografia completa cosnsiste numas 20 músicas. O Nirvana fez cover de 3 dessas.
"This was written by the Vaselines..."



A ligação que nós, popgeeks, temos com Kurt Cobain é algo que toda menina roqueirinha de 15 anos deseja. =D

O que tudo isso faz, na minha cabeça, é algo muito claro.
Primeiro vieram os Stones, aí tentaram voltar aos Stones (assim como no século XIX tentaram voltar a Kant... embora eu não sei se os neokantianos chegaram a criar algo de novo nessa volta... fenomenologia, talvez? Posso chamar Husserl de Neokantiano?) e disso acabou saindo o Velvet Underground e do Velvet Underground veio o Sonic Youth e do Velvet Underground veio, de modo muito indireto, a cena punk londrina e como reação a essa cena londrina veio o Twee e Kurt Cobain ouviu Sonic Youth e ouviu Vaselines e daí veio o Nirvana.
A pergunta é se o Vaselines só serviu pro Nirvana de cover ou se eles acrescentaram algo. Essa é uma pergunta irrespondível, mas eu vou deduzir que sem os Vaselines, o Nirvana talvez fosse punk demais, barulhento demais e não se tornaria o bom equilíbrio que se tornou.
E aí não precisamos decidir quem está certo: os metaleiros que dizem que o Nirvana é pop ou os fãs que dizem que o Nirvana é barulho e poder. Ele é o pop dos Vaselines, o barulho e poder do Sonic Youth.
Os Beatles entrariam na equação, mas eu não gosto dos Beatles.

Enfim, há o Blondie.
Como dito, eu descobri Twee e Blondie ao mesmo tempo e o que Blondie faz por mim é coisas do tipo eu estar apreciando agora Fleetwood Mac e Stevie Nicks e The Corrs.
O engraçado é que não acho que é um sentimento tão diferente de apreciar Tullycraft, Rose Melberg e Blueboy. A diferença é que esse pop, assumidamente pop, muito bem sucedido é bem melhor produzido.
Mas ainda são músicas sobre coisinhas.



Gostando tanto de Blondie, eu deveria gostar de Madonna, mas acho que a Deborah Harry, apesar de ter sido famosa ao ponto do superestrela absurda, nunca perdeu essa intimidade.
É difícil isso. É uma coisa que só algumas bandas são capazes.
O que a Madonna introduziu e se culminou em Britney Spears e coisa do tipo é o tipo de supershow que o Queen e o Pink Floyd faziam na música pop.
O supershow tinha algo a ver com as grandes bandas de rock dos anos 70 porque elas buscavam alguma teatricalidade, algo de ópera. Obviamente, não há espaço pra ópera no pop e bandas que entendem isso, como é o caso do Blondie e de Fleetwood Mac, se dão muito melhor.
Pop sem nenhuma conexão com o público é algo que eu não entendo... e conexão com o público pode surgir de algo tão simples quanto segurar o microfone.



E nada supera uma música sobre coisinhas



No fim, é isso.
O que começou com Pink Floyd (antes disso foi só uma introdução, really) hoje está indo pra The Corrs.
Eventualmente eu vou ouvir Belle and Sebastian e me amaldiçoar porque gosto... ou não enender porque justo essa banda foi fazer sucesso. Veremos.

No fim, eu tenho que dizer que é sobre experiências. É sobre conseguir algo. É sobre se convencer que seus sentimentos valem algo nesse mundo porque, afinal, essas pessoas legais estão cantando sobre eles.

E é sobre estar em casa.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Ok! Final Fantasy XIII me empolgou de novo! \o/



A parte da divindade/realeza andando em meio aos guardas. *aiai*
Clássico Final Fantasy.
E é impressionante que eu não consigo ver a Lightning (a menina com a espada) sem me apaixonar um pouquinho.
Oh céus, qual foi a última vez que tivemos uma protagonista feminina num Final Fantasy? FFVI? (X-2 não conta, por motivos que devem ser óbvio para todos).
Na verdade, ela me lembra um pouco a Terra, no sentido em que ela parece boa, super poderosa e ingênua. Espero que ela seja ingênua, não sei se aturaria uma protagonista arrogante.
Dito isso. Eis abaixo, Final Fantasy Versus XIII



Acho que o que eu mais gostei nesse trailers é que existe um "grupo" mais visível do que Final Fantasy XIII. Acho que desde Final Fantasy VIII o aspecto do grupo tem decaido em relação ao personagem principal. Final Fantasy IX e X tem ótimos personagens, mas a história é claramente sobre esse cara e eles são só os personagens legais acompanhando.
Obviamente, isso vai se repetir aqui, mas dito isso, parece que há um motivo real pra esses caras estarem juntos. Eles parecem ser velhos amigos ou algo assim. Parece uma boa estratégia, de certo modo, parece melhor do que quando você vai colecionando parceiros pela aventura.
E o pessoal zoa o estilo dele, mas qualé, a única coisa boa de ter um japonês pensando o visual desses jogos é essa postura over the top, onde todo mundo se veste como se não se importasse em demorar 3 dias para colocar a roupa, mas não importa.
-
E esperando Little Big Planet! Está pra chegar entre amanhã e segunda.
Muito ansioso, o jogo parece fantástico e recentemente li que vendeu pouquissimo nos EUA.
Porque será um mistério para as gerações.

Abaixo a resenha do Gametrailers.
Eu não curto muito as resenhas do Gametrailers, mas não vejo modo melhor de assistir o jogo em ação.



Note que The Go! Team toca um pouquinho no começo. :)
(a segunda música que toca, se não me engano)
=
Falando em música.
Álbuns para por mergulhar meus sujos ouvidos:

Velocity Girl - Copacetic
Sarah Shannon - City Morning Sun
Stevie Nicks - Bella Dona
Stevie Nicks - Trouble in Shangri-La
Fleetwood Mac - Rumours
The Corrs - Home

E pensar que eu joguei fora todos aqueles anos da minha vida ouvindo rock progressivo.
Declaro hoje que apenas pop é arte.
Underground só é permitido quando é pop mal sucedido... que é basicamente a definição de Twee.
E todo mundo sabe que Twee é a única coisa pura que sobra nesse mundo. Pena que é difícil de achar até na internet.

Stevie Nicks motherfuckers!



E mais uma prova que twee é a única coisa pura que sobrou no mundo.

Rose Melberg - Take Some Time



Mais Rose Melberg vai!

Each New Day

Descanse em paz



NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!
POR QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE?!

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Ainda sobre o caso Carolina Pivetta de Mota

O André comentou aqui esse link:

"O ministro da Cultura, Juca Ferreira, pediu ao governador José Serra (PSDB) que ajude a libertar Caroline Pivetta da Mota, 23, presa há mais de 40 dias por pichar as paredes da Bienal, no parque Ibirapuera. Ferreira ligou anteontem para Serra e para o presidente da Fundação Bienal, Manoel Francisco Pires da Costa, pedindo intervenção imediata."

É bom ver que pelo menos um ser humano dentro do nosso governo percebeu a insanidade que foi essa prisão. Ainda assim, mesmo com a intervenção de um ministro, as coisas continuam lentas.
Claro, longe de mim que a palavra do ministro fosse lei e que ela fosse libertada só porque uma autoridade disse que sim, mas justiça no Brasil é isso. Carolina está na prisão há mais de 40 dias e ainda nem foi julgada.
No post passado eu reclamei de não ter encontrado nome de ninguém responsável. Bom, isso acontece porque ninguém foi.
Isso mesmo, pode vir a acontecer que algum juiz diga que ela não fez nada de errado. E aí? O que acontece? Vão dar pra ela uma máquina do tempo pra ela viver esses meses perdidos?

Estamos tão distantes de uma democracia que meu medo é que quando sequer pudermos avistá-la no horizonte, ninguém perceba.

EDIT:
Mais uma vez revoltado com a caixa de mensagens pedindo o sangue da menina dizendo pro ministro levar ela pra pichar a casa dele (alguém se preocupa em dizer que o que ela pichou não foi uma casa, mas paredes em branco dentro de uma bienal de arte cuja curadoria disse "interajam com essas paredes em branco dentro da bienal de arte"?).
Mas o que eu reparei agora foi isso. As pessoas que dizem que o que ela fez não é cultura não sabem sequer escrever.

"E a mídia por favor, para de dar olofotes a esta medíocre, como a maioria desta juventude transviada e que o corpo mais parece um gibi de péssimo gosto."

É, eu gostaria que notícias de site de jornal respeitado não tivesse caixa de comentários, assim gente iletrada e inculta não teria esses olophotiz na cara.


"É RIDICULO, O MINISTRO DA CULTURA INTERFERIR A FAVOR DE UMA PICHADORA, QUE CULTURA TEREMOS COM UM MINISTRO DESSE?
PICHAÇÃO É UMA DAS COISAS MAIS AGRESSIVAS , QUE EXISTE HOJE, DESSES REBELDES SEM CAUSA.
CADA DIA MAIS NOSSAS AUTORIDADES MOSTRAM, QUE REALMENTE SOMOS UM PAIZ DA INPUNIDADE, PODE SE TUDO, SÓ SE TEM DIREITOS, DEVERES NENHUM.
ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE, BRASILEIRA."

Eu acho esse post um atentado contra nossa cultura muito maior do que as pichações e olha que eu sou do tipo que acha que moleque que picha muro de casa deveria receber alguma punição sim (aliás, alguém discorda disso? Alguém discorda que pichar a casa dos outros é errado?).
Posso me dizer que este paiz de inpunidades onde os, brasileiros, se revolta não caminha com a humanidade.
Eu gosto bastante da humanidade, mas gosto cada vez menos dos brasileiros.
E peço perdão aos compatriotas. Eu tenho um orgulho muito grande da nossa história recente e tem dias que eu quase acredito que estamos aprendendo como esse treco de governo democrático funciona.
Mas os dias que não funciona, ele não funciona feio e o pior é quando aplaudem quando ele deixa violentamente de funcionar.
Um dia talvez eu volte a ter orgulho de me dizer brasileiro, mas no momento, quero arrancar a pele de meus ossos e ferver até que este sangue evapore e se perca no ar.

Also

terça-feira, dezembro 09, 2008

Céus! Pixação é um crime tão grave quanto assassinato de criança de 5 anos agora!

Ok, eu não gosto de me envolver em polêmicas que existem fora da minha cabeça ao invés de coisas que só eu me preocupo, mas hoje, graças ao blog do Alex Castro, eu tive contato com algo que me produziu uma revolta absurda.
Não só por causa do fato em si, mas por causa da reação que o fato gerou.
Ok, o fato é esse

40 pessoas invadiram uma sala vazia da bienal de arte para pixá-la.
Foi um gesto bacana, "olha, essa sala está vazia, vamos lá e preenchê-la".
Acho que foi uma postura legal, foi uma iniciativa boa por parte dos artistas, foi urbano, foi bem menos passé do que colocar as torres gêmeas no cenário do space invaders.
Aí começa o país mais imbecil de todos as épocas possível. Esse país que eu tenho nojo de morar agora, que eu quero fugir pra mais longe possível por causa do imenso, gigante e obfuscante fascismo que ainda paira feliz nesses doentios e nojentos e repugnantes céus.

Das 40 pessoas que invadiram, uma foi presa.
Uma menina de 23 anos, imigrante do RS, que disse só estar assistindo o ato.
Ela está presa, I quote, "na mesma penitenciária por onde passaram presas famosas, como Suzane Von Richtofen (acusada de participar da morte dos pais) e Ana Carolina Jatobá (acusada de ser cúmplice da morte da enteada, a menina Isabela Nardoni)".
Por pixação, assumindo que isso é crime, colocaram ela nesse presídio.
O ato é tão doente que é inimaginável pra mim. Como alguém deixa isso acontecer?
Uma coisa é clara: em QUALQUER país civilizado, isso seria tido como doentio. Como um ato perverso. Como um ataque à liberdade. Não só a liberdade de expressão, mas a qualquer liberdade.
Escolheram, aleatoriamente, uma pessoa entre 40 e a trancafiaram junto com assassinas, sem nem terem julgado ela propriamente.
Digo, há ainda uma discussão, razoavelmente filosófica, se o que eles fizeram é considerado arte ou não.
Sei lá que mula doente inimiga da liberdade pensou um minuto em esperar um julgamento próprio? Um debate sobre a questão? Uma punição razoável pra alguém que nunca cometeu um crime e participou de um evento social com outras 40?
Claro que não! É o Brasil. Esse lugar ridículo e nojento com essas pessoas doentes doentes doentes! Trancafiaram a menina! Junto com assassinas! É doente! Eu não consigo formular um argumento racional! Muita raiva nesse momento! É doente! Eu repito quantas vezes for! É uma doença! É uma patologia social!

E pra aumentar a revolta que esse ato sujo e cruel invoca?
Os comentários dos leitores da notícia.

"embueno
09/12/2008 - 18h 10m

Pior que tem gente que defende...que tal defenderem os que quebram os óculos do Drummond em Copa? Ou os que pixam todos os muros da cidade? Muito bem falado a frase do "Detetive": "Pichação no muro dos outros é colírio".
Punição não só a ela, mas também à sua turma (cadê a identificação via câmeras de vigilância?)"

"lulufla - e-mail
09/12/2008 - 18h 09m

Pichação do bem publico é terivel, as cidade fica suja, estes caras querem se exibir, tentar se superar as custas dos outros, um erro não justifica outro, pau neles e qualquer outro fora da lei"

"Augusto2007
09/12/2008 - 18h 06m

Bem-feita!!!

Agora está fazendo uma "intervenção" é no visual da cadeia..."

"paulo rodrigues
09/12/2008 - 18h 02m

Vândalalismo não se confunde com arte...
Como esses escrementos sociais não conseguem aparecer na mídia como os artistas, por exmplo, querem notoriedade...
Está demorando para dar uma pena rigorosa para estes vândalos, que só enfeiam as cidades !!!"

"Detetive
09/12/2008 - 17h 40m

Soltem ela, mas na hora de sair ela ganha um balde, água, sabão e uma escova. E levem ela para limpar um pouco da sujeira feita pelos seus amiguinhos em algum monumento público, escola, casa....Aí acho q aprenderia..."

-

Isso é o que eu consigo pensar de mais próximo a que a internet consegue de um linchamento público.
Uma pessoa é profundamente injustiçada por um sistema jurídico arcaico que dá poderes ilimitados a sei lá quem decidiu essas coisas.
QUEM DECIDIU ISSO?
A reportagem não fala de um delegado, de um juíz!
Uma pessoa invisível arruinou uma vida e os doentes habitantes desse país nojento dão risada! Uma pessoa sofrendo por causa de um ranço fascista que deveria estar extinto a décadas e as pessoas DÃO RISADA!
Isso é crueldade! É crueldade! É o tipo de gentinha que se "indigna" quando uma criança é assassinada! Que não entendem "como alguém faz isso?"
Querem entender como alguém é cruel o bastante para assassinar uma pessoa? Comecem pensando no que vocês sentem enquanto riem de uma menina de 23 anos trancafiada em meio a assassinas por causa de uma questão absurdamente mal resolvida na justiça!

Brasileiro é um bicho puto.
Brasileiro não quer justiça, brasileiro quer vingança e foda-se quem paga. O que brasileiro quer é sangue.
Justiça é uma instituição. Ela envolve transparência, clareza, justa defesa, sei lá, minha especialização não é filosofia do direito. Mas é uma coisa meio básica que não é justiça se alguém está sendo trancafiado de modo muito mal resolvido. Não se prende alguém sem saber direito se a pessoa cometeu ou não um crime. Especialmente não se expõe uma pessoa a risco de morte sem saber se a pessoa cometeu ou não um crime.
Aí entra a irracionalidade suprema dos nossos vingadores brasileiros.
O que aconteceu na galeria foi algo muito específico. Tanto que 39 dos acusados saíram de boa. Só a coitada da menina, por uma burocracia boba envolvendo comprovante de residência, ficou presa.
Os curadores da bienal deixaram o espaço vazio e disseram para os visitantes interagir.
ELES - DISSERAM - PARA - OS - VISITANTES - INTERAGIREM

Eu não sei como interpretar isso de outro modo senão "rabisquem as paredes vazias" e foi isso o que eles fizeram.

ELES - INTERAGIRAM - COM - A - OBRA - QUE - A - CURADORIA - DISSERAM - QUE - ERA - PRA - INTERAGIR!

Se não era bem isso que a curadoria tinha em mente, então oras bolas, um mal entendido.
"Gente, não era isso".
Sério. Te dão uma sala com paredes em branco dentro de uma exposição de arte e dizem "interajam".
O que era pra esperar? O que você esperaria? Jura pra mim que rabiscar as paredes em branco da exposição em arte não é uma interpretação legítima? Pior! Juram pra mim que é um crime?!
Bem, foi como os podres doentes curadores fascistas inimigos da liberdade interpretaram.
Eu sei que perco ponto usando a palavra "fascista", mas se você trabalha com arte e não esperava que isso fosse acontecer, então ou você é fascista ou você é uma mula. Eu vou ser legal e arriscar a primeira opção.

Dito isso, qualquer juíz de bom senso poderia falar "olha, vocês cometeram um crime, mas pôxa, os caras falaram que podia interagir, então está aqui uma pena leve, simbólica e vocês crianças, não façam isso de novo"
Isso aconteceu? Não!
Sei lá o que aconteceu!
Algo misterioso aconteceu e lá está uma menina de 23 anos, provável idade da filha de alguns dos comentadores querendo o sangue dela, trancafiada no meio de assassinas! E uma advogada solitária lutando a favor do que é um atentado flagrante a liberdade DE TODOS NÓS, brasileiros!

VOCÊS NÃO ENTENDEM QUE A QUALQUER MOMENTO POR QUALQUER MOTIVO ESDRÚXULO SEM NENHUM TIPO DE JULGAMENTO JUSTO VOCÊS PODEM ESTAR TRANCAFIADOS NO MEIO DE PESSOAS QUE ASSASSINARAM O PRÓPRIO FILHO?

VOCÊS NÃO ENTENDEM QUE SE REVOLTAR NÃO É SÓ UM GESTO DE COMPAIXÃO EM RELAÇÃO A UMA INJUSTIÇADA MAS TAMBÉM UMA DEFESA CONTRA UM SISTEMA JURÍDICO QUE PODE AGIR CONTRA VOCÊ DE MANEIRA SURPREENDENTE E SEM QUE VOCÊ POSSA SE DEFENDER?

VOCÊS QUE RIEM, VOCÊS NÃO ENTENDEM QUE ESTÃO RINDO DA PRÓPRIA LIBERDADE? QUE ESTÃO RINDO DA PRÓPRIA SEGURANÇA? QUE ESTÃO APLAUDINDO UM RISCO ÀS SUAS VIDAS?

Ok, perdi mais pontos pela letra maiúscula. Mas existe algo de mais revoltante que um governo que se coloca como inimigo de uma cidadã por causa do que foi, no máximo, um mal entendido causado por uma curadoria que não teve a capacidade de expressar direito suas intenções em relação à uma obra?
Ela é uma cidadã brasileira!
Uma cidadã brasileira!
Isso devia significar algo... deveria significar que estamos protegidos de algo... ser um cidadão brasileiro deveria significar que superamos ditaduras... que lutamos pela liberdade... que temos uma constituição! E que ela é importante! Que ela é nossa carta! É nosso acordo com aqueles a quem confiamos as armas!
Ela é uma cidadã brasileira... isso deveria ser um ataque a todos os cidadãos... deveria te ofender como alguém que confia que um mal entendido não vai arruinar sua vida porque temos um sistema que garante a justiça e não vingança cega... não temos esse sistema... isso é triste. Deveria ser triste.

E agora vamos ao assunto mais triste de todos.
Os comentadores... não estão revoltados com ela. Estão revoltados com aqueles que picham suas casas, que picham seus muros.
Eles desenvolveram ódio de um grupo de pessoas que de fato cometem algo que é um crime e deslancharam esse ódio em uma menina de 23 anos que entendeu mal o que uma curadoria quis dizer.
Não vou entrar aqui nos méritos da pichação. Pra continuar o tema da cidadania desse post, as pessoas mais que têm o direito de não ter suas propriedades privadas depredadas. Oras bolas, eu tenho o direito de não querer pichação no muro da minha casa. Eu trabalho por esse muro, eu pago os impostos da limpeza pública por esse muro. Não deveria acontecer. Simplesmente não deveria. Quem gosta de pichação como arte que contrate um grafiteiro pra fazer um serviço direito no seu muro.
E existe uma revolta, correta, na pessoa acordar e perceber que aquele lugar que ela tanto trabalha para manter do jeito que ela gosta está destruído. De algo que ela construiu com seu suor está depredado por algum anônimo com uma lata de tinta que resolveu ignorar esse contrato que faz de todos nós cidadãos da mesma pátria.
Eu entendo, mas é exatamente por isso que se deve cobrar que justiça seja feita!
Há universos e universos de diferença entre o sujeito pichar o muro da sua casa e a menina ter pichado a parede da bienal que praticamente tinha uma inscrição do tamanho do universo escrito "piche aqui!"

Mas não é justiça que o povo brasileiro quer... é sangue.
O sujeito está revoltado com Dantas. O sujeito está revoltado com Pimentel. O sujeito está revoltado com uma menina de 23 anos que pichou o muro da casa dele. E ninguém parece ser punido e a justiça parece não funcionar.
Aí ele não deseja que a justiça funcione. Ele não deseja um governo que possa ser confiável. Ele deseja sangue. E aí uma menina de 23 anos, que nada tem a ver com aquela primeira que pichou o muro da casa dele, é presa.
E ele se revolta mais ainda porque além de tudo mais uma injustiça foi feita? Não. Ele ri. Ele aplaude. Ele diz que merece. Porque ele não acredita mais em justiça. Ele regrediu a uma época pré-histórica. Ele está em guerra contra todos. Ele quer sangue e não importa sangue de quem.
Se a menina envolvida no mal entendido tem algum traço simbólico muito fino com aquela menina que pichou o muro da casa dele está pagando, então está bom. Ele não quer justiça, só quer o sentimento mesquinho de vingança dele satisfeito.
...e eu só quero sair daqui.
Não me sinto seguro. Não faço nada de errado e não me sinto seguro.

Você tem noção de quantos mal entendidos podem acontecer com você em um dia?
Você tem noção de que um vendedor pode te assegurar que o produto é mais barato porque está em queima de estoque quando na verdade é roubado?
Você tem noção de que você pode estar numa festa e alguém começar a brigar com você porque acha que você olhou pra namorada dele?
Você tem noção da quantidade imensa de coisas que podem acontecer e que a única coisa que te livra de uma prisão é um sistema que ouve o seu lado? É um sistema que deixa você explicar o que aconteceu? É um sistema que te trata como alguém decente até que provem o contrário?
E você tem noção de que, por ódio de certas pessoas, por ódio de gente que de fato cometeu crime, você pode estar aplaudindo a prisão de alguém que só se envolveu em um mal entendido?
Em alguém que foi vítima de uma curadoria caolha que foi incapaz de prever o óbvio e foi incapaz de reagir de maneira decente dadas as circunstâncias?
Você tem noção de que uma galeria de arte não é o muro da sua casa?

A democracia levou um golpe aqui... todos nós levamos.
Isso é básico. O propósito da justiça não é vingança, é reparar um mal social.
O nosso judiciário praticou um mal social.
Ele agiu de modo que nenhum de nós pode andar qualquer coisa menos que paranóico na rua porque se algo acontecer de inesperado, você vai passar mais de um mês trancafiado com assassinos sem chance de se defender.
Todos nós estamos naquela cela.
E você cínico acha que eu exagero... até deixar de ser um simbolismo.
Até você estar lá e se perguntando: "porque ninguém me defende? Eu não sou um cidadão?"

domingo, dezembro 07, 2008

Stuff

Blogosfera

Estou lendo faz um tempo que a blogosfera brasileira é feia, boba, fútil, comprada, carente de atenção, etc.
O meu medo é que eu não faço idéia do que seja uma blogosfera brasileira. E se eu faço parte dessa gente e ninguém me avisou?
Aliás, li em algum lugar que o grande problema é a teorização excessiva. What the fuck? Tudo que eu faço nesse blog são teorizações excessiva e ninguém me visita! Aí dizem que tem que deixar a teorização de lado e ser só conversa e amizade. What the fuck?[2] Eu sou patologicamente incapaz de conversa e amizade.
A blogosfera me odeia e eu nem sei quem ela é.
O que eu faço de popular não funciona porque o blog não é popular, ao mesmo tempo, eu não posso dizer que sou underground, porque não estou conversando com ninguém e nem fazendo amizades.
Solidão é o caminho. Minha experiência com a internet é quase monástica.

Pornografia
Há um tempo eu tenho vontade de fazer um blog sobre pornografia. Eu sou razoavelmente viciado em pornografia de internet (mantendo com ela uma relação saudável mesmo quando minha vida sexual está relativamente bem) e eu sempre vejo coisas que me interessam e eu gostaria de compartilhar.
Aí hoje indo pra igreja eu pensei bem e cheguei a conclusão de que seria muita cara-de-pau criar um blog novo e esconder um lado meu. Esse blog sempre foi sobre eu eu eu e vários desses "eu" são bem ridículo, então porque não o eu que está sempre vendo pornografia?
Então não estranhem se vez ou outra vocês encontrarem aqui um vídeo pornô.
No mais, falando em tentativas de intelectualização da pornografia, o debate geralmente cai no feminismo (pornografia é uma amostra de independência feminina ou objetivização da mulher?) ou "pornografia é arte?"
Então aqui vai dois palitos sobre essas questões.

(abaixo, exemplo de teorizações excessivas que estão assassinado a sagrada blogosfera)
Para o primeiro, eu diria que pornografia é inevitavelmente machista. Eu vejo pornografia pra me masturbar, logo a mulher lá é só um objeto para determinado fim.
Falando sobre prostituição numa comunidade do orkut, as respostas dos garotões bonitos e legais era óbvia: "oras, porque eu pagaria alguém pra fazer sexo quando eu consigo de graça?" e o que eu perguntei (mas não fiquei pra ver a resposta) é "vocês conseguem sexo machista de graça? Parabéns pra vocês e pêsames pras suas parceiras".
Há uma diferença imensa entre fazer sexo com alguém que voluntariamente aceitou dividir aquele momento de prazer com você e com alguém que você paga.
Mesmo uma one night stand precisa levar o outro lado em consideração, no caso de prostituição, não precisa.
Pornografia é a mesma coisa. Eu não gosto de pensar em pornografia como um instrumento para difundir poder feminino porque eu vejo pornografia com o propósito explícito de tratar mulheres como um meio para o fim de me masturbar.
É uma questão similar a fé e ciência. Se você diz que o que eu faço na pesquisa tem uma ligação extrema e indissociável com o que eu faço na igreja, eu não avanço nem minha pesquisa e nem minha fé.
Se o que você diz que minha postura em relação a pornografia é a mesma que minha postura em relação a mulheres num geral, então eu acabo não satisfazendo uma necessidade carnal e nem lutando em prol dos direitos de uma minoria historicamente oprimida.
Se eu deixo o feminismo completamente de fora da minha pornografia é exatamente pra quando encontrar uma mulher fora do universo pornografia/prostituição eu tratá-la como um fim em si próprio, como um indivíduo, como uma cidadã, etc.
Se eu encontro uma prostituta ou uma atriz pornô fora do lugar de trabalho, inclusive em questões relacionadas a seu trabalho (questões de legislação por exemplo), eu devo tratá-las como cidadãs trabalhadoras que merecem o maior dos respeitos.
Mas enquanto eu utilizo seus serviços, eu estou, oras bolas, utilizando um serviço. Estou usando seu corpo para satisfazer uma necessidade minha, não posso, de modo algum, colocar ela em risco de vida, ser mal educado, agressivo, etc, porque isso não se faz com ninguém em nenhuma profissão; mas eu não vou tratá-la como trataria sequer uma one night stand, quanto mais uma namorada. Eu vou tratá-la como um corpo que existe naquela hora (porque oh céus, eu nunca vou ter dinheiro pra mais de uma hora) apenas para que eu ejacule. Ela é um objeto e ela é um meio para um fim. Assim como o garçom é um meio para a comida, o professor é um meio para o aprendizado, o roteirista é um meio para a história, etc.
E esses todos devem ser tratados com respeito, devem ter condições de trabalho dignas, devem ser bem pagos, etc. mas assim como um garçom não pode me recusar carne por ser vegetariano, um professor não pode me recusar aprendizado de evolução por ser crente e o roteirista não pode me recusar uma história por não concordar com o tema, tudo isso, a não ser, claro, que ele se recuse a receber o dinheiro, então a prostituta e a atriz pornô não podem se recusar ser feita objeto sexual pelo seu feminismo.
Ir além disso é questionar se todo o capitalismo não é errado, que é o que algumas feministas fazem, mas aí o assunto fica complexo demais pra esse blog e eu tenho um trauma dessas discussões de capitalismo vs whatever.
É um trampo oras bolas e o trampo de prostituta não é diferente do trampo de professor e para toda profissão a mesma regra se aplica: se o dinheiro te ofende, não aceita, mas se aceita, você aceitou prestar um serviço e prestar um serviço é sempre ser um meio para o fim do outro.

Sobre se pornografia é arte, teríamos que entrar numa discussão mais ampla sobre o que é arte, mas de novo, eu vejo pornografia pra me masturbar, eu assisto filmes para ter uma experiência estética. Não sei se é impossível que aconteça os dois ao mesmo tempo, alguns teóricos (Schopenhauer é um exemplo, Kant seria outro) diriam que o mero fato da pornografia te causar um desejo e fazer com que você se interesse pelo objeto tornaria nula a possibilidade de uma experiência estética. Eu não seria tão extremo, mas tendo a ir nessa direção. Se eu assisto pra me masturbar, então eu assisto pra me masturbar; uma obra de arte, idealmente, você se expõe sem expectativas, você deixa a obra te dizer qual o objetivo dela.
Isso pra mim é o que dificulta a compreensão de pornografia como arte, a pornografia nunca me surpreende, o que ela faz é satisfazer uma necessidade em maior ou menor grau, mas ela nunca me diz nada de novo. Não sei se há arte sem esse elemento de aprendizado.

Quadrinhos
Preguicinha de continuar minhas análises, eu tenho pela frente a morte de Gwen Stacy, a saga do Capitão América chamada "Império Secreto" (que eu nunca tinha lido e absolutamente amei); eu vou pular a saga do Korvac porque achei um saco (muito DC; nada contra a DC, mas pra mim é bizarro ver os vingadores correndo na rua e o povo aplaudindo, as meninas chamando pra sair, os policiais dizendo "olá Homem de Ferro, tudo bem?" - Pô, o legal do universo marvel é que é os heróis são razoavelmente injustiçados pela opinião pública.)
Vou começar a ler hoje a saga da Fênix Negra que também nunca li antes (é, uma vergonha, eu sei) e depois disso tem uma que eu nunca li e estou empolgadissimo pra ler que é "Dias Do Futuro Do Passado" (não sei se foi traduzido exatamente assim: é "days of future past"), o problema é que eu estou fazendo uma análise meio quadro a quadro, meio edição a edição e Days... tem 57 partes!
Tem até revistas da Dazzler (esqueci o nome em português) no meio. Tem até revista da mulher-aranha no meio.
Ninguém lê os meus posts quando o tamanho deles já é... bem... que nem esse. Se eu faço uma análise de uma saga de 57 partes, comentando edição por edição, aí eu jamais vou poder choramingar que ninguém lê e esse blog e eu bem gosto de choramingar que ninguém lê esse blog.
Enfim...

Infância
Alguém me disse esses dias no Playstation@Home que eu estava sendo infantil e eu respondi "eu tento crescer, mas a cada coração quebrado volto a ter 16 anos".
Hoje na igreja eu agradeci a Jesus por ter sofrido conosco e logo me perdi em pensamentos sobre se importa ou não se o Jesus histórico tenha existido. Como ateu, minha tendência é achar que ele não existiu, mas como alguém que leu muito Joseph Campbell, tenho também a tendência de achar que isso não importa, que o simbolismo traz um conhecimento que como todo conhecimento é histórico, no sentido de atrelado a história, mas que não precisa dizer respeito aos eventos históricos.
Então eu não acredito em Jesus, mas agradeci o seu sofrimento. É muito bom ter um deus que sofre.
Ter ido a igreja não me fez esquecer minha Senhora Atena; embora eu tenha começado a associar ela com Santa Catarina de Alexandria e esteja cada vez mais difícil separar as coisas. De certo modo, foi Atena que me guiou até a igreja, embora eu pense que talvez ela tenha me pregado uma peça.
Semana passada, o vaticano se posicionou contra uma proposta da ONU que propõe descriminalizar o homossexualismo no mundo. A desculpa deles é que isso criaria uma espécie de discriminação reversa e faria, por exemplo, os países que democraticamente decidiram banir o casamento gay parecerem tolos. Sinceramente, qual o problema em fazer a tolice parecer tola?
Me interessei pela igreja porque minha Senhora me indicou que ela estava conseguindo superar seus preconceitos, suas pequenezas e estava começando a se tornar a instituição moderna que cada vez mais católicos querem que ela seja. Aí eles fazem isso, uma decisão que pode bem levar a morte de incontáveis homossexuais pelo mundo, pois dificulta o fim da perseguição dos homossexuais em lugares como o Irã.
Teria minha deusa me pregado uma peça? Ou queria ela que eu visse o deus que sofre?
Me sinto uma criança em que os adultos se irritam de ter por perto. Sinto que minha Senhora diz para mim ir resolver meus problemas de criança e deixá-la para quem merece.
Me sinto abandonado e infantil.
Sinto que meu coração está quebrado.
Ser ateu e ir na igreja às vezes se prova difícil. Me esforço para perdoar quem eu ofendi, mas não há deus para perdoar minhas ofensas.
Não o deus que criou o céu e a terra de qualquer modo... mas pelo menos sinto que há o deus que sofre.
E há minha Senhora que me diz algo... não sei se ela pede paciência ou se ela ri de mim. Talvez os dois.
Amo tanto a cruel Atena até nesses momento em que ela diz que não precisa de mim e que rejeita o amor.
Quão estúpido. Quão infantil.
Esse sou eu e com esse eu tão patético e pequeno, ainda acho que seria de alguma forma vergonha colocar uns vídeos pornôs aqui.

Juliette and the Licks

E opa! Um post sobre stuff e eu esquecendo de falar o que estou ouvindo.
Influenciado pela sua engraçadissima narração no GTA 4, eu baixei a discografia de Juliette and the Licks.
Logo eu pensei que o álbum com Dave Grohl está bem melhor, entretanto, eu não consigo parar de ouvir o álbum sem ele!
Aqui vai minha teoria: Dave Grohl é simplesmente overkill pra uma banda que nem Juliette and the Licks.
Pra acompanhar a bateria dele, Juliette Lewis tem que berrar e a guitarra tem que distorcer e o resultado é bem mais punk que eu gosto.
O primeiro álbum é incrivelmente mais íntimo e, ultimamente, como demonstrado pela minha recente adoração por Kimya Dawson e Rose Melberg, intimidade é o que eu tenho mais valorizado nas minhas cantorinhas de voz medíocre.
Então, no álbum "You're speaking my language" (aquele sem o Dave Grohl), eu sou completamente pego pela armadilha clichê da música lenta com acompanhamento de piano no final.
E a voz dela é tão ruim quando ela canta "It´s a long road out of here, when you love me like you do, it's hard to me... to leave" e é isso, eu estou apaixonado.
No more good singers pra mim, quero Kimya Dawson e sua vozinha irritante recitando suas letras imensas, quero Rose Melberg cantando suas musiquinhas com sua voz de velhinha de coro de igreja, quero Juliette Lewis e sua voz que fica rouca ao menor esforço e claramente não está nem um pouco treinada para esse negócio de cantar.
Como eu amo essas mulheres que cantam mal.

A minha Deusa ri de mim, o meu Deus sofre, o meu coração é quebrado e minhas cantoras não sabem cantar.
É nessas horas que eu amo minha vida.