quarta-feira, novembro 28, 2007

domingo, novembro 25, 2007

Legal não é só comentarem um post de agosto de 2002, legal mesmo é não entenderem o tipo de ironia óbvia e bobinha que eu fazia com 17 anos.

sábado, novembro 24, 2007

Sono... são 4 da manhã, faz sentido estar com sono, mas não quero dormir.
Na verdade estava passando Top Gun e tocou alguma música que fez eu querer ouvir música. Ouvindo Blondie agora, que como todo mundo sabe, é a única banda boa que surgiu do movimento punk e só conseguiu ser boa por não ser punk.
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You asked me what was my pleasure
A movie or a measure
I'll have a cup of tea
And tell you of my dreaming.
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Sabe, essa questão de sonhos e histórias... (aliás, a genialidade grande do Neil Gaiman foi fazer sandman tanto o mestre dos sonhos quanto das histórias; talvez algo a ver com Joseph Campbell - "mitos são sonhos públicos; sonhos são mitos privados")
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Essa música me afeta tanto por que eu gostaria de contar pra alguém meus sonhos... não é como se eu não tivesse pra quem falar, mas é estranho, eu gostaria de saber quais sonhos são esses, eu sei que eles estão perdidos em algum lugar na minha cabeça, mas é isso, eles estão perdidos, fragmentados, eu não saberia o que dizer se tivesse que contar para alguém meus sonhos.
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Então eu conto histórias e não é nenhuma surpresa ou segredo que as histórias que eu escrevo são incrivelmente pessoais, mas é impressionante o tanto de idéias que eu tenho que eu simplesmente não posso escrever porque não seriam nada interessantes, mas só desejos e coisas do tipo "que bom que isso acontecesse comigo"; geralmente em relação as historinhas bobinhas de amor.
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Esses dias eu pensei em uma história onde um personagem falava pra namorada por algum motivo algo do tipo "isso é tão estúpido quanto aquela gente que diz que nirvana é ruim porque o kurt não sabia tocar guitarra" e ela responde "o que é nirvana?" e ele fica puto e vai lá e pega um CD qualquer (o In Utero acho) e põe lá e diz "agora a gente ouve" e ela vai falar alguma coisa e ele responde emburrado "naaah, a gente ouve" e ele ficam lá emburrado ouvindo e ela acha aquilo super bonitinho da parte dele e é *essa* a parte imbecil do lance todo porque eu vivo tentando fazer esse tipo de coisa na vida real e a reação dela *nunca* é bonitinha, é sempre tédio... e sei lá, eu sinto estar perdendo minha habilidade de contar histórias (se é que tive isso um dia) porque estou perdendo minha habilidade de levar uma vida interessante pros outros...
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Eu acho minha vida super interessante, mas é porque eu gosto de ficar em casa estudando e escrevendo em um blog que ninguém lê, mas eu não tenho saído, bebido, nem me apaixonado, nem vendido fanzine, nenhuma dessas coisas que acabavam virando material para as histórias interessantes.
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Tenho medo de não conseguir sonhar e de ter alguém pra quem contar meus sonhos, mas não ter sonhos pra contar.

terça-feira, novembro 13, 2007

Sobre influências e metrópoles



Se existe alguma utilidade em estudar história da filosofia (ou do pensamento num geral) é saber de onde vem as coisas que você pensa que você ou acha que é senso comum que simplesmente existe do nada ou acha que é algo que você descobriu "sozinho".
O mesmo acontece com bons filmes. Ontem eu assisti pela primeira vez Taxi Driver e fiquei surpreso do quão o filme foi familiar, do quanto ele é diferente, mas sem ser surpreendente; ele não poderia mesmo ser surpreendente, ele é (mesmo sem eu nunca o ter assistido antes) uma grande influência minha e boa parte das minhas histórias, eu acabo tentando (com bem menos sucesso que o Scorsese) criar o mesmo clima estético do filme.
Esse "clima estético" é aquela coisa, cidade é uma coisa suja, claustrofóbica, é um amontoado de gente solitária e podre sorrindo de dia nos seus empregos entediantes enquanto choram, pagam prostitutas ou espancam suas esposas a noite.
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É impressionante, no fim das contas, como uma grande cidade te engole, como ela te mantém preso em um ambiente que você sente que não pertence, porque afinal, ninguém pertence a esse ambiente.
Eu sou uma pessoa bem urbana, ir para algum lugar mais rural, nem que por um fim semana, já faz meu nariz ficar todo zoado, gosto de neon, gosto de prédios, gosto de barzinhos, gosto da superlotação, gosto de prostitutas na rua, de ter que olhar para os dois lados antes de atravessar, gosto das pessoas desde que eu não tenha que de fato interagir com elas, gosto das pessoas estranhas, das que se esforçam pra parecer estranhas, gosto do quanto as noites são cinzentas com bolas amarelas no chão vindas dos postes de luz, não gosto da miséria, mas acredito que ela não existe em uma escala tão assustadora quanto dizem as pesquisas oficiais (feitas por gente que ou querem verba para "acabar com a pobreza" e que portanto precisam de uma imagem de calamidade e caos para receber seus fundos ou que se baseiam em impostos e documentos oficiais, ignorando o quanto as pessoas vivem bem "off the records").
Enfim, esse quadro todo que faz uma São Paulo ser uma São Paulo, eu acho isso tudo muito belo, fiquei chateado com a tal lei "cidade limpa" porque é uma tentativa de acabar com a espontaneidade que faz São Paulo ser São Paulo. Acabar com os outdoors é tão absurdo quanto acabar com os grafites ou as pixações ou as luzes de neon dos puteiros da Augusta.
Esteticamente falando, a cidade se beneficia do fato de não ter sido planejada, da poluição visual que seus professores de geografia sem graça tentaram te convencer que é um mal. O caos da cidade é bom porque permite que nos indentifiquemos com a cidade em sim, pois nossa vida na cidade é caótica e é caótica, em parte, por causa da cidade.
Mas o caos de um centro urbano sempre vai ser mais poderoso e mais lindo do que o delírio de algum burocrata, bastou que se tirassem os outdoors e surgiram em baixo deles prédios sujos, rachaduras gigantes, pinturas mal feitas e todo tipo de beleza suja que faz São Paulo um lugar tão bom de se viver.
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Voltando ao Taxi Driver, uma cena importantissima do filme mostra Travis conversando com o Senador Palantine e o senador pergunta "o que mais te incomoda nesse país?" esperando uma resposta do tipo "a guerra do Vietnã" ou "a falta de um sistema de saúde", a supresa foi quanto Travis não conseguiu pensar nacionalmente, a cidade o engoliu, não existe "Estados Unidos" para ele, existe "Nova York" e "essa cidade é como um esgoto aberto", o que foi a segunda surpresa do senador, uma que causou até nojo. Oras, Travis não é um neonazista, ele é racista e ele deseja "limpar a escória", mas ele não tem uma ideologia por trás, ele é simplesmente alguém vivendo na cidade e o que a "mente política" não consegue absorver é o quão clara é a metáfora do "esgoto aberto"; mas acho que isso vai ficar mais claro quando eu analisar esse personagem mais adiante.
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Existem, no filme, três personagens que são três pontos de vista.
Betsy é o ponto de vista "oficial" da cidade; ela acorda de manhã, troca piadinhas bobas com os co-workers e quando ela flerta com Travis, ela está flertando com o lado "não-oficial" da cidade, um lado que ela sente que deveria se sentir confortável, afinal, ela usa um broche dizendo "nós somos o povo" (da mesma forma que o senador que sentiu nojo de Travis se sentia parte "do povo" e acho que o que Scorsese tentou passar aqui é o quão ridículo que essa gente engravatada vivendo das 7h as 17h diga "nós somos o povo"; não concordo com isso, mas acho que foi o que ele tentou passar), só que quando ela entra um pouquinho na sujeira que é a vida do Travis (na forma de um filme pornô, que é algo tão rotineiro para ele, que tem tanto nojo dos outros, que sequer passa pela sua cabeça que ela pudesse se sentir ofendida) ela logo foge, diz que eles são diferentes e sua fachada de "liberal" cai como uma bomba atômica devastando seu relacionamento com o personagem principal.

Iris é o ponto de vista oposto, ela tem "doze anos e meio", é prostituta, seu namorado é seu cafetão e a vida "no esgoto" é tão comum que ela não consegue nem entender o conceito de "vim te tirar daqui", se Betsy se ofendeu em um mero cinema pornô, imagino a reação dela se ela tivesse que viver a vida de Iris por 5 minutos que seja. É uma vida suja, amoral, irracional, linda em todos os aspectos, ela sofre, ela ama, ela se sacrifica, se diverte, se defende, ela está tão completamente em sintonia com a cidade que anda pelas suas ruas como se fosse parte do cenário.

Travis é algo como o meio termo e ele é, como Betsy diz, uma contradição (o que o torna um personagem tão interessante).
Ele faz parte do "esgoto" em relação a Betsy e é "quadrado" em relação a Iris.
Ele acha que a cidade é um "esgoto aberto", não aguenta a vida de lá, odeia as pessoas e o ambiente, mas quando Iris propõe que eles fujam para uma "comuna" hippie em outro estado, ele recusa e não consegue sequer se imaginar fora da cidade.
Minha opinião sobre Travis é que ele é uma pessoa naturalmente organizada que não conseguiu absorver o caos da cidade; caos que o transformou e essa contradição entre ser, ao mesmo tempo, organizado e caótico, é o que o deprime.
Os problemas reais do filme começam (acredito) a primeira vez em que vemos na casa dele a plaquinha "one of these days I will get organized"; isso causa a contradição absurda que é a lei "cidade limpa" ou os grupos neonazis, não dá pra se organizar e ficar em sintonia com a cidade ao mesmo tempo.
Quando Travis consegue se organizar, quando ele compra as armas, passa a fazer exercícios, passa a comer direito, etc e tal; o filme nem mostra ele mais no taxi, a vida de taxista com os tipos estranhos que ele pega, a falta de destinos certos e a imprevisibilidade toda é simplesmente estranha demais para um estilo de vida "organizado".
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Por fim, ele faz o que a "mente política" considerou um nojo e é aclamado como herói, mostrando a contradição que a esquerda permanentemente vive, a saber, que se posiciona "a favor do povo" sendo anti-racismo e anti-preconceito e "mente aberta", mas tal povo sendo racista, preconceituoso e pronto pra aclamar como herói alguém que mata um cafetão.
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Enfim, acho que tem muita coisa a ser dita sobre esse filme, assim como tem muita coisa a ser dita sobre a vida na cidade, sinceramente, eu não consigo imaginar a pessoa que eu sou distinta de São Paulo, da beleza da cidade e da sujeira da cidade e claro, existe bem mais sujeira do que eu poderia suportar, estou mais perto da Betsy do que do Travis e seria absurdo começar a me comparar com Iris, mas todos os personagens fazem parte desse caos urbano a sua própria forma, ninguém é completamente puro ou completamente sujo e tanto "pureza" como "sujeira" estão em igualdade, ninguém é melhor, "mais real", mais útil ou mais fútil; é a mesma cidade que atinge as pessoas de maneira diferente e que se revela de maneira diferente e nenhuma dessas maneiras está mais próxima da realidade do que outra, no fim, não é uma questão de opinião ou de ponto de vista, mas também de que sua cidade tem máscaras que influenciam e respondem às suas máscaras.
Fica a pergunta, como sua cidade se revela para você?

quinta-feira, novembro 08, 2007

X-men: The Messiah CompleX



Impressionante como a Marvel sempre tem um truquezinho na manga pra fazer com que eu me interesse de novo.
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Só pra não ficar muito no ar.
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Não sei a quanto tempo atrás, a Feiticeira Escarlate endoidou, causou a morte do Gavião Arqueiro, do Homem-Formiga, do Visão, criou uma linha do tempo alternativa onde Magneto era o rei do mundo e, no final de tudo, fez um encanto mágico para desaparecer com os mutantes.
O chamado "Dia M" fez com que a maioria dos mutantes perdessem seus poderes, o que os fez voltar para a condição de minoria.
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No enterro de um mutante que morreu em um acidente de carro, os X-Men percebem que a espécie talvez esteja chegando ao fim. O Fera procura um meio de reverter o Dia M, mas ao final, o Doutor Estranho diz que a magia da Feiticeira Escarlate foi poderosa a ponto de que meramente tentar reverter o universo poderia fazer com que a realidade implodisse.
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Enquanto isso, Senhor Sinistro e os Acólitos atacam todo mundo que tenha vindo do futuro ou que tenha capacidade de prever o futuro, eles conseguem matar Nathan Gray (Cable - filho de Ciclope e Jean Gray - que viveu no futuro por motivos que eu sinceramente não quero ter que explicar); no processo, Mística e Gambit traem os X-Men, Vampira tem na sua mente página por página dos Diários da Sina (uma mutante que conseguia prever o futuro e morreu há um tempão atrás), mas ela acabou absorvendo as memórias de bilhões de alienigenas, o que fez com que fosse impossível ler sua mente. (de qualquer forma, graças ao Gambit, ela agora está nas mãos do Senhor Sinistro)
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Então a história se desenrola da seguinte forma:
Existe uma profecia que o Senhor Sinistro tem uma vaga noção qual é - tem a ver com mutantes dominando o mundo - mas ainda assim ele precisa das memórias que a Vampira absorveu da Sina a muito tempo atrás para saber exatamente o que vai rolar.
Enquanto isso, tudo que os X-Men sabem é que eles foram atacados e que os alvo tinham alguma coisa a ver com o futuro; o que é exatamente o plano do Sinistro; fazer o que quer que eles tenham que fazer sem que os X-Men sequer saibam quais são seus planos.
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Tal profecia está provavelmente relacionado a um novo mutante que vai surgir - o primeiro a nascer desde o Dia M. (O tal Messias)
A série então vai consistir em uma corrida entre três facções - O Senhor Sinistro e os Acólitos que são os que mais sabem o que está acontecendo; os X-Men que têm que descobrir o que está acontecendo, salvar a Vampira e impedir os vilões porque seja lá o que eles estão tramando não pode ser bom e, afinal, os Purifiers (não sei como traduziram isso) que são uma seita religiosa destinada a acabar com mutantes.
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Isso é legal porque aqui nós temos a típica trinidade que faz os X-Men serem tão legais.
De um lado você tem os mutantes do mal, do outro os mutantes do bem e enfiados de alguma forma no meio, os humanos anti-mutantes.
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Além disso, a Marvel está com um costume legal (sem ironia) de usar um evento pra complicar o mundo e o outro pra acertar e os dois tipos podem ser legais ou não dependendo do quão bem foram feitos.
E for Extinction foi uma das coisas mais bacanas que já foram escritas em todas essas décadas de X-Men e complicou fodidamente o universo Marvel, tanto que o tal "Dia M" surgiu, em parte, para consertar a bagunça que o Morrissom criou, mas tudo bem, porque esse tipo de equilibrio faz parte dos gibis, essa coisa de "no final, tudo volta ao normal".
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Esse parece ser do tipo que conserta as coisas. Os X-Men não estão bem atualmente e parece que o propósito dessa série "Endangered Species" foi mostrar isso - os mutantes estão ficando extintos, é a típico problema excelente para os X-Men porque eles não estão tentando salvar o mundo, mas a si próprios; até onde o mundo sabe, que os mutante sumam da terra é uma coisa boa.
As equipes X restantes estão todas meio perdidas e simplesmente lamentando isso; a série parece ter como objetivo estabelecer, pra valer, que o Ciclope (e não o professor X) é o líder dos X-Men e pronto; porque até então ele não tem sido um bom líder e ele sabe disso.
Dessa vez ele vai ter que ser um bom líder. Acho excelente que ele seja um foco da série ao invés, sei lá, do Wolverine.
O Wolverine tem seus momentos, mas esse tem que ser o momento do Ciclope; lá na década de 80, Chris Claremont não gostava dele e escreveu o personagem como o certinho bundão de propósito, mas agora Ciclope não é o cara supervisionando as ordens do professor X; ele é, de fato, o novo professor X e é bom ver que talvez agora ele comece a agir como tal.
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Enfim, estou empolgadissimo. =)

terça-feira, novembro 06, 2007

Um ano...

Daqui há uns 20 minutos vai ser meu aniversário.
Do jeito que eu demoro pra escrever essas coisas, provavelmente o dia vai chegar e eu ainda vou estar no meio disso. Mas não importa.
Mais uma vez eu estou ouvindo Theresas's Sound-World e pensando como eu cheguei até aqui.
Um ano...
Foi uma ano que eu tive, acima de tudo, expectativas e acima de tudo, desapontamentos. Não consigo nem listar o número incrível de coisas que deram erradas esse ano.
Não comprei meu videogame, não consegui arranjar um emprego, não escrevi muita coisa que tenha considerado decente (embora tenha melhorado enormemente coisas que escrevi no passado).
2006 foi um ano tão parado que eu achei que 2007 *tinha* que acontecer algo ou eu ia explodir e 2007 aconteceu tanta coisa, mas nenhuma delas teve significado.
Eu mudei bastante, eu comecei a usar antidepressivos, parei de usar antidepressivos, passei por três psicólogas diferentes: uma eu gostava, mas ela teve que prosseguir com a vida dela e não tinha espaço pra mim; outra eu não gostei e a terceira eu acho que gostaria se não tivesse sido dispensado por falta de dinheiro.
Pensando agora eu nem tenho certeza se estou fazendo 21 ou 22 anos, não importa, é tão igual.
Eu tinha tantos projetos e todos falharam. Meus projetos agora se referem simplesmente a posturas em relação a vida.
Hoje eu me sinto bem deprimido e desanimado, acho que é a terceira vez que o orkut faz isso comigo e é sempre doloroso e é sempre imbecil e nunca passa completamente.
Nenhum dos erros passa, não dá pra deixar o passado pra trás e aprender com ele não muda o fato que dói.
O que eu quero fazer agora... é não julgar.
Estudar mais, me importar mais com idéias do que com pessoas.
O mundo gira por conta própria, não precisa de mim.
Essa última vez -- isso foi burrice demais.
Foi uma burrice de longa data, foi uma atitude burra que eu tomei em relação a vida que acabou me levando a isso.
Eu percebi uma fraqueza minha e abracei ela, pensei que um dia ia simplesmente passar, mas não passou, eu só esqueci que era uma fraqueza, eu tentei transformar isso em idéia, em teoria, eu caí na armadilha mais besta, mais manjada e mais destrutiva.
Sabe, não é tão fácil indentificar suas fraquezas, ainda mais quando você tem algum talento com palavras e com conceitos, fica fácil dar força às suas fraquezas, fica fácil proteger seu lado mais podre atrás de ideais lindos. A gente vê isso acontecendo e portanto acha que não vamos cair no mesmo erro, mas nós caímos.
O meu problema foi ter dado espaço a esse meu lado que gosta de julgar e eu encontrei gente que julgava e se escondiam atrás de algo que eles chamavam (com letras maiúscula) de Objetivo.
Eu não cheguei a compartilhar disso, mas ficar em um meio dedicado a apontar o dedo e dizer que os outros agem errado e a tentar explicar como os outros funcionam e a tentar entender os motivos dos outros, isso tudo é muito fodido, é lindo pra quem gosta de se ver na crista de uma onda moralista, é auto-destrutivo pra mim, ter dado vazão a isso me tornou uma pessoa ruim em pouquissimo tempo.
Não quero mais.
Uma pessoa que julga nunca é justa, não dá pra esperar justiça de alguém que diz que o outro age errado; existe algo inerentemente fodido em achar que outro estilo de vida é vazio ou ruim.
Não quero julgar, não quero dizer que ninguém está certo e não quero dizer que ninguém está errado, não quero esconder "certo" e "errado" atrás de outras palavras e não quero esconder o impulso de julgar atrás de uma máscara mais bonitinha qualquer.
Apontar o dedo e dizer "você não leva sua vida de uma forma 'direita'" não pode ser bom e se você entra em um meio que tem esse propósito exclusivo não tem como algo de bom sair disso.
É claro que terão conflitos de ego, é claro que terá falsidade. Esse tipo de ambiente traz o que há de pior na humanidade.
Costuma-se dizer que uma guerra traz o que há de pior no ser humano, mas matar não é o pior do ser humano, existem n motivos verdadeiramente nobres pelos quais pessoas foram a guerra, o que há de pior no ser humano é tentar, de uma forma ou de outra, esse impulso de julgar o outro, de querer que o outro tenha vergonha de como vive, de deixar de viver uma vida que você considera virtuosa para tentar fazer com que o outro viva essa vida.
Eu não consigo chegar perto de ser quem eu quero ser, como é que eu vou dizer que o outro não faz isso?
O tipo de ambiente que se dedica a dizer aos outros como viver, sob a máscara do altruísmo e do "Objetivo" que seja é destrutivo e eu sou uma pessoa carente que se deixa influenciar demais por qualquer grupo que me dê esperança de finalmente ter encontrado "o meu lugar".
E eu tenho uma série de características estranhas que torna isso tudo muito pior.
Eu não tenho indentidade própria, eu me modifico muito rápido, eu me deixo levar muito fácil, eu me envolvo muito.
É bom que eu me envolva muito, mas o problema é que isso faz com que eu tenha que ser muito mais seletivo. Que eu me envolva dessa forma nas minhas histórias e em filosofia é excelente, mas me envolver em julgar a vida dos outros; isso é ridículo.
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Enfim, escrever esses posts é bom porque eu posso sempre ler isso mais tarde e me lembrar do quanto eu erro e do quanto eu preciso estar atento pra não errar no futuro. O que entristece é que eu sei que eu vou errar e eu vou voltar nesse blog chorar as pitangas...
Insônia, nervosismo, mais um projeto que falha, mais uma rejeição.
Não me sinto bem; me sinto doente, me sinto triste, sinto ódio de mim mesmo, arrependimento; é a hora que você estuda as coisas, vê aonde errou e prossegue; vários erros em vários lugares diferentes ao mesmo tempo.
Erro de postura, erro de julgamento, erro de tema; é o que acontece quando se sai da toca, agora vergonhosamente pegar as coisas e voltar. Não existe cima, mas o baixo está bem visível, o fundo tem o formato exato do seu corpo, feito pra que você sobreviva, mas triste, imóvel.
Não tem como fugir das pessoas, das suas frescurinhas, dos seus rituais; mais uma derrota, tudo bem, teve um monte, vencer é tedioso de qualquer forma, ficar triste me dá um tema, preciso ter algo no que pensar.
Me sinto triste e derrotado, quero dormir, mas não consigo, quero ficar acordado, mas dói, quero conversar, mas não tem com quem. Carente, burro, fracassado e sozinho.
Não quero mais ter forças para tolerar viver, está enchendo o saco.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Nada pra dizer, na verdade. Só deu vontade de escrever.
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Estou ouvindo Theresa's Sound-World do Sonic Youth; essa música me causa tantas coisas.
Sonic Youth é uma banda surpreendente demais, não conheço nada no mundo parecido com eles, por um lado eles tem um certo "esquema" de música, seus álbuns, num geral, são todos mais ou menos parecidos; mas ainda assim, não é um esquema muito rígido, argh, eu não sei explicar, eu não entendo, eu só sinto coisas estranhas quando ouço, é bom demais, é um sentimento elevado mesmo.
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Mania de dizer que as coisas são "elevadas", não sei o que isso quer dizer exatamente, acho que é algo do tipo... sentimentos que me fazem querer ser algo maior do que eu sou agora, sentimentos que me fazem querer ser mais, me aproximar mais daquele tipo de pessoa que eu admiro e que eu espero ser um dia.
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Porque afinal, é nisso que eu tenho confiado ultimamente... eu não sei descrever de nenhuma forma que tipo de pessoa eu quero ser, mas existe na mente humana esse algo de irracional, esse impulso em direção a algo... existem muitas pessoas dentro de mim, existem as que eu gosto e as que eu não gosto e eu não sei explicar porque gosto das que gosto e vice-versa, mas eu tenho me esforçado ultimamente e encontrar essa pessoa que eu me orgulho, essa pessoa que é só uma partezinha de mim, e indo em direção a tornar ela cada vez mais e mais parte de mim.
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Sinto inveja das outras pessoas porque elas parecem estar tão em contato com essa "pessoa boa" dentro delas. É claro que os outros disfarçam esse tipo de coisa melhor que eu, mas eu não tenho como saber, não posso entrar na cabeça dos outros e dizer "todos vivem confusos" ou "todos vivem tristes", eu só sei que eu vivo confuso e que eu tenho me sentido triste, que tem alguns lados meus que eu gosto muito e outros que eu queria que simplesmente me deixassem em paz. Queria poder abraçar a esquizofrênia, queria poder abraçar o múltiplo e a diversidade de Rodrigos e conseguir conviver com isso tudo, mas... ah, eu não sei, se for pra falar objetivamente da mente humana, acho que existe esse impulso de unificação, de ver um milhão de coisas e dizer que isso tudo é uma coisa só e pra reparar em um detalhe você tem que meio que ignorar o contexto simplesmente por causa dessa mania de ver tudo em unidades... eu não sei, não quero elaborar nisso agora, é uma teoria em progresso e eu preciso ler mais pra continuar falando, talvez eu esteja errado, talvez essa questão de múltiplo e uno seja um problema cultural (como já me foi sugerido) e não da mente humana, mas eu não sei, eu só queria concilizar o múltiplo e o uno dentro de mim. Existe *uma* pessoa que eu quero ser, essa pessoa está inteira dentro de mim, mas ela está toda espalhada, um braço dela está em um tronco que eu não gosto e um olho dela está em um rosto que eu não gosto e são infinitas pessoas dentro de mim, então eu preciso fazer infinitas cirurgias e nada me garante que caso eu monte esse frankenstein que ele seja, afinal, alguém bom como eu espero que seja porque de novo, eu não sei descrever essa coisa, eu só tenho esse impulso meio-cego em direção a ela, algo quase no sentido de tentativa e erro, eu faço algo e me sinto bem e sinto que é certo e sinto "ah, esse é o Rodrigo", então eu vou na direção desse e eu faço algo e me sinto mau, sinto que é errado e sinto "ah, esse é o Rodrigo", mas é tão confuso, é tão difícil, daonde vem esse sentimento de certo e errado? Esse sentimento do Rodrigo bom e do Rodrigo mau? Até onde eu sei estou seguindo algo completamente errado.
Ah, é um mundo fodido esse, eu não posso confiar na racionalidade porque ela não dá conta do real, das contradições, da mundo-em-si de vontades desesperadas e forças misteriosas em que eu vivo, não dá pra confiar nos instintos porque sabe-se lá o que são esses instintos, se tudo se resumir a um impulso irracional em direção a reprodução da espécie, eu dispenso, no mais, pode ser ideologia, recalque, Vontade, ocidentalismo, cristianismo, sei lá mais o que; é tão confuso, é tão fodido e as pessoas parecem que simplesmente *sabem* o que é certo e pra onde ir e o que fazer e eu não faço idéia e eu me sinto tão incrivelmente burro. Não quero mais me sentir burro...

quinta-feira, novembro 01, 2007

Manter a motivação em alta é...

"...transformar o que precisa ser feito num jogo e se envolver com isso, como se estivesse numa gincana. Use o alarme do celular para marcar o tempo de uma tarefa, crie recompensas para cada meta alcançada, mantenha o foco no resultado final e no que ganhará ao cumprir aquilo que precisa fazer."

- Jael Coaracy

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Pois é, amigos.
A dica é bem sábia: Vamos tratar o que precisa ser feito como se fosse um jogo, como se fosse uma brincadeira!
Então se você for demitido do seu emprego, não desmotive! Marque no alarme do seu celular que até as 15h conseguirá um emprego novo e então vá para a rua!
Se você não conseguir... bem, quer dizer que você perdeu o jogo, que você não ganha nada, que a recompensa que você criou pra si próprio terá que esperar... volte pra casa, se sente na sua cama, chore um pouquinho, fique pensando sobre o quão inútil e patético você é por não ter cumprido sua meta. Calma calma, isso, pode chorar.
E no dia seguinte! Mais uma vez! Alarmezinho do celular e vamos para a rua! Motivação!
Ah, mas você perdeu de novo! Pôxa! Cade a motivação, irmão? Depende de você cara! Só de você! Desse jeito você fica sem recompensa!
Mas vai lá! De novo! Não perde o ânimo, chora mais um pouquinho, sua familia não te odeia completamente *ainda*, mas vai acontecer! Lembre-se! Só depende de você!
...pôxa, amigo! Você não conseguiu cumprir sua meta MAIS uma vez? Tem certeza que você está motivado? Você está *mesmo* encarando isso como um jogo? Como uma gingana? Acho que não, hein, veja bem, você não está aplicando o método corretamente.
Olha só, lembra quando você era criança e tinha que fazer uma gincana onde tinha um objetivo do tipo "conseguir um ovo", o que você fazia?
Corria na casa mais próxima e dizia "aaahhhh ahhhh tia! Tia! Tia! Dá um ovo!" e ela dizia "nem te conheço moleque vagabundo! Vai embora!" aí diz "Tia! Tia! Tiaaaaa, dá um ovo! Dá um ovoooo tiaaaa! É pra um jogo!" aí ela enchia o saco, te dava um ovo e você vencia! Ou perdia porque o outro grupo tinha um menino que morava perto e simplesmente foi em casa pegar o ovo, mas não importa! Você estava motivado! Você está motivado agora?
Quando você vai procurar emprego, tudo o que você faz é entregar o curriculo, fazer uma dinâmica e ir pra casa quando eles dizem "te ligamos pra avisar sobre a vaga"? Cadê a motivação? Tem que ficar lá, pulando na frente deles dizendo "Tio! Tio! me dá um emprego! Vai tio! Um emprego! Olha só aqui tio, tenho inglês básico e curso intermediário de Word e Excel! Word e Excel, tio!"
Agora vá lá e sem essa de voltar de mãos fazias! Marque no relógio um horário! Uma gincana! Lembre-se! Gingana!
...mas amigo, tu és um fracassado mesmo, hein...