quinta-feira, junho 30, 2005

Se aquilio é índio, meu pau é coca-cola!

Eu tava assistindo aquela novela da globo Alma Gêmea e achei a história até bem simpática, embora atuação seja raramente boa e toda vez que o protagonista da novela (o cara que cria rosas e tal) abre a boca, dá vontade de dar um soco no queixo dele e do escritor para os imbecis pararem de estragar minha audição com falas tão horríveis, digo "A roseira... está... renascendo...", por favor, né... enfim, o que me deixou puto DE VERDADE é o elenco indigena da novela.
Pra começar com a outra protagonista (eu não vou nem perder tempo pesquisando nome de atriz ruim que acha que falar que nem alguém que não sabe português direito é falar um português perfeito, porém pausado sem o minimo sotaque nem nada), minha nossa, ela é incrivelmente branca (não tanto quanto eu, mas eu não sou ator da globo que corre na praia de copacabana cercado de seguranças) com um olho incrivelmente azul! "Mas Rodrigo, ela é filhad de europeu com índia!" , cara, o pai dela que é o europeu não é tão branco que nem ela, ela não tem NADA de índia, 0%, sem contar, argh, aquele cabelo brilhante e incrivelmente liso! Minha nossa, custa muito antes da filmagem bagunçar um pouquinho o cabelo? Deixar ele um pouco mais oleoso e menos brilhante? Mas nãããããããããããããããããão, a globo tem que ser retardada e enfiar goela abaixo dos dementes que assistem a novela que índios (não só ela, praicamente todos os índios tirando um ou outro) são, no máximo, moreninhos, com a pele perfeita, cabelo perfeito e, minha nossa, que pintura são aquelas? QUE PINTURAS SÃO AQUELAS?
Sério, eu não costumo me irritar por isso, mas será que não existe uma hora onde devemos traçar uma linha de bom senso? Onde certas pessoas mereçam respeito? É a mesma coisa que eu fico puto quando mostram um paulista como um mercenário, um raver como um drogado, um roqueiro como um cara que usa sobretudo preto debaixo de 50 graus de sol. Sério? PORQUE GLOBO? PORQUE? Eu sei que novela é fantasia, é mundo de faz de conta, a novela toda tem um clima meio fantasioso e tal, ninguém é muito realista, nem o pessoal que mora na cidade e esse é um charme da novela (ou deveria ser se fosse bem feito), mas minha nossa, por favor, POR FAVOR, era preciso cometer essa atrocidade? O que é isso? São os MESMOS ÍNDIOS DO ZORRA TOTAL! Só que no Zorra Total é sussa, primeiro porque eu não assistia, depois porque é programa de humor pseudo-pornô e humor pseudo-pornô é isso mesmo, pôr gostosinhas em qualquer fantasia que seja e fazê-las dançar, agora, puta que pariu, pôr esses mesmos índios fakes do zorra total numa novela? Justo a globo que se acha tão boa por suas novelas? Essa não é a primeira vez que a globo é criticada por esse tipo de coisa e pela onipotencia da venus platinada, eu duvido que seja a última, eles estão mais que acostumados a cagarem na boca de todo mundo e saírem impunes.
Mas por pior que sejam os índios, eu tenho que voltar a repetir que, por pior que sejam textos de novelas (generalizando, porque tem alguns que são ótimos), essa novela tem os piores dialogos que eu já vi na minha vida inteira. Minha nossa, é bom que eu nem saiba o nome do verme sujo que escreveu isso, porque a ânsia que eu tenho nesse momento de estuprar suas esposa na frente dele é tão grande que se eu soubesse quem é, eu poderia sair daqui agora e soca-lo até que o velho chore "mas Rodrigo, eu tava com pressa, eu escrevi a novela inteira em 15 minutos antes de ir pro banho! Por favor me perdoe" e eu o agarraria pelas bolas, daria um soco rápido no queixo e falaria "VOCÊ NÃO MERECE A VIDA! HAHAHAHAHA! NÃO MERECE A VIDA!!!!" e acabaria com ele chorando gritando "Oh meu deus, onde você vai enfiar esse caminhãozinho de brinquedo?!"
Então é isso, eu fui um cara que na minha vida protegi muito a globo, no que eu acho que ela acaba sendo bode expiatório de muitas coisas que ela não tem tanto a ver, mas ah, essa novela foi o cumulo, parabéns globo, um sujeito que nem assistia televisão agora te odeia.

quarta-feira, junho 29, 2005

O V e o Rorschach dentro de nós

Alan Moore criou dois personagens incrivelmente memoráveis em suas mini-séries mais bem sucedidas.
Em "V For Vendetta", (obviamente) existe V.
Em "Watchmen" existe Rorschach.
O que isso tem a ver com o humilde blogueiro diante de vós além do fato de ele ser viciado em Alan Moore?
Bem, a questão é que o lance todo me fez pensar com qual dos dois eu me pareço mais, não em um sentido teste da capricho "Qual Backstreet boy você chuparia o pau sem fazer cara feia", mas no sentido mais em termos de atitude em relação ao mundo.
Bem, vamos lá.

V
V é o Zaratustra da era moderna (olha que frase chique).
É o homem que quebrou os grilhões, saiu da prisão e está disposto a libertar os outros.
Ele é otimista, sábio, nós nunca vemos seu rosto, mas a máscara sempre tem um sorriso estampadissimo, ele age com precisão e sutileza, ele inspira os outros e afinal, é um anarquista gente boa que não quer liderar a humanidade, mas sim livra-las dos líderes.
Por todo V for Vendetta, V parece sempre em controle de tudo, é cruel e generoso quando necessário e, ao acabar de ler o gibi, fica a impressão de que tudo tem um dedo dele e Alan Moore nunca esconde isso, o mistério é geralmente centrado na reação dos outros personagens em relação a V, porque V em si é bom demais para ser foco por tanto tempo e ele também não pode ser personagem principal porque é essencial que muitas de suas ações sejam um mistério. Ele é o unico personagem da série que sabe o que ta fazendo, seja emocionalmente ou em termos de pura e bruta ação. Ele é um homem além da máscara, além do próprio homem, é uma idéia, algo a ser lembrado e algo a se inspirar, mas sabe parar antes de ser obedecido.


Rorschach
Rorschach é o que o batman se tornaria se não fosse um herói clássico e intocavel da DC. Na verdade, cada vez mais o batman é empurrado a uma semelhança com Rorschach que só não se concretiza graças ao bom senso dos editores da DC.
Rorschach é o herói que se tornou um psicopata, ele é pessimista, violento, tem um rosto patéticamente comum debaixo da máscara, com sardas e tudo mais, a máscara não tem expressão, é branca com manchas negras, ele age de forma bruta e ao mesmo tempo em que é o mais ativo dos heróis, é também o mais perdido, foi nele especialmente que Alan Moore mirou quando disse "vou matar os heróis", pois Rorschach é a face "má" dos heróis.
Ele se vê como absolutamente bom e os bandidos como absolutamente maus, não entende má ações para futuras boas consequencias e nem como boas ações podem ter resultados ruins, acha que é um facho de luz na vida das pessoas e queria que elas o ouvissem, ele vive em um próprio mundo, em próprias lógicas e a única vez que ele acerta é quando decide investigar o assassinato do comediante e ainda assim seus motivos são os mais errados.


"Mas Rodrigo, ficou óbvio que V é o cara legal enquanto Rorschach é um super-herói que deu errado"
Sim, mas essa é a questão, quem somos nós?
Claro que todos queremos ser V, mas sinceramente, estamos mais perto de quem?
Ambos tem boas intenções, ambos querem "salvar o mundo" e ambos são incansáveis nessa tarefa.
Qual a diferença?
Bem, V tem total controle sobre a situação, ele influencia os outros positivamente, diz as coisas certas e faz o que deve ser feito sem praticamente nenhuma falha (talvez uma, quando ele encontra o policial após matar a doutora, não lembro nome de nenhum, mas quem leu sabe, mas mesmo isso pode ter sido predito).
Agora, como nós, Rorschach não faz a menor idéia de como funciona o mundo, ele na sua ânsia de fazer o bem, acaba influenciando os outros negativamente ao mostrar o que ele considera uma visão realista do mundo, ele é simplesmente um pessimista que leva os outros a depressão, assim como nós, Rorschach corre pra lá e pra cá com suas soluções para o mundo que são tão ridiculamente pequenas e limitadas que o máximo que ele consegue é deixar alguns poucos criminosos bravos, mas nada muito grande, de todos os heróis de Watchmen, ele é provavelmente o mais manipulado pelo vilão (que eu não vou dizer quem é, porque a Rebs ta lendo ainda) ao mesmo tempo que é o menos importante, é tão fácil tirá-lo da pista certa e mesmo que não fosse ele nunca é uma ameaça. Bem, vai falar que esses não é o retrato perfeito de um blogueiro anarquista escrevendo coisas para 3 pessoas lerem enquanto o mundo continua enorme e imutavel? Céus, vai falar que não é a mesma coisa que o Jô Soares, que chora, reclama e esperneia e no final só é importante de verdade pra meia dúzia de pessoas? Mesmo que seu livro seja um best-seller, céus, quem se importa pro que o Jô Soares fala? Você já viu alguém na sua vida dizer "passei a parar de respeitar a ABL por causa do Jô"? O homem é patético, assim como eu, assim como Rorschach.
O que nos leva a questão.
Já que somos Rorschach, como ser V?

terça-feira, junho 28, 2005

Stripsearch

It’s over today
The heat is gone, time is gone
F for fake
I feel no wrong, hide no wrong
I love this place, the lights
Under this face, so dry
Only way to change, give yourself away
Don’t be ashamed, next in line
Close one eye, just walk by
In these days
I’m breathing stone, crying alone
I’ll win this race
I’ll leave alone, arrive alone
Love this place, the lights
Under this face, so dry
Stripped to the bone
I did no wrong
Truth is my name
Give yourself away
F for fake [4 times]
Give yourself away [3 times]

Foi mais ou menos assim que eu me senti no funhouse sábado.
Aliás, bom lugar, se existe alguma lógica nas baladas de São Paulo seria que o Sarajevo é um lugar calmo com bons preços e o Funhouse é um lugar agitado com preços caros.
Na verdade, algum dos planos originais consistia em ir pro Sarajevo, mas depois dum puta showzaço maravilhoso do Golpe de Estado não dava pra ir pra lugarzinho calmo, por mais que a Gin Tônica seja metade do preço do Funhouse.
O foda é que São Paulo é tão longe, minha nossa, que preguiça que da pensar que daqui a pouco vou ter que sair e passar 2 horas em meios de transporte pra chegar na Paulista, mas ah, a paulista vale a pena... por mais tarado psicótico que eu seja, eu não consigo beijar alguém em balada e deixar pra lá e falar "ah, coisa de balada" e esquecer... aiai... pior que o idiota conseguiu pegar o e-mail da garota (através de meios pouco lícitos, mas enfim), mas minha cabeça funciona assim.
Existe espaço para apenas um pensamento.
Pensamento - Insira aqui e-mail da garota
Logo para ser substituido por
Pensamento - Oba! Consegui e-mail dela!
Logo para ser substituido por
Pensamento - Merda! Esqueci!
Esse ano é praticamente o único ano da minha vida que eu tenho de fato saído pra balada, antes desse ano eu acho que sai a noite assim umas 2 ou 3 vezes, esse ano teve uma época que eu ia pra algum lugar todo final de semana e ainda ta mais ou menos assim, o único lado ruim é ter que voltar pra Santo André... céus, 2 horas de viagem, por isso mesmo eu gosto de vir o mais cedo possível que é pra dormir no ônibus e perder a maior parte da viagem.
Mas enfim, nesse tempinho que eu tenho saído, eu descobri algo que é verdade provavelmente apenas para mim, mas enfim...
Não existe balada sem problemas emocionais póstumos.
Não existe.
Não tem como.
Eu nunca sai a noite e voltei bem pra casa, eu sempre fico deprimido depois, eu sempre fico desesperado atrás de alguém que eu beijei mesmo sabendo que a pessoa nem me viu direito, muito menos quer ver.
Mas mesmo assim vale a pena.
Ok, eu me pergunto se vale mesmo...
E não me venham com
"Bã, Rodrigo, eu sou um deficiente mental que acha que é a primeira pessoa no universo a te dizer pra desencanar um pouco, então, bãrãrã *baba e bate a cabeça na parede* relaxa aí pô"
Acho que eu já escrevi esse mesmo post umas 30 vezes, toda vez que eu fico com alguém em balada, eu me arrasto pro blog chorando "ai, eu beijei alguém que nunca mais vou ver de novo" e tal.
Talvez eu devesse desencanar um pouco.

segunda-feira, junho 27, 2005

The Big Fat Hard Bastard Goodbye Yellow Kill

Aham, porque eu fui ver Sin City no cinema e eu to me achando e tal, embora na verdade não seja motivo de tanto orgulho, porque foi lançado mês passado nos EUA, a Sony merece ser sistematicamente atropelada por caminhões de lixo (quoting sieber), mãs, deixando a distribuidora capenga e a pior fila do mundo pra lá...

Sin City - A Cidade do Pecado
Bom, a história é a mesma do gibi, salvo dizer que, como o gibi, é esteticamente brilhante a sua própria maneira, pouquissimos filmes usam o preto e branco de forma tão brilhante, uma vez que P & B é basicamente trabalho com luz e sombras, Sin City usa muito bem as sombras e consegue dar o clima certo para o filme, o Yellow Bastard, que é amarelo em um filme preto e branco, no trailer tinha me parecido muito estranho e mal feito, vendo no filme entretanto, não vi problema nenhum, ele encaixa na história tão bem quanto no gibi e isso é dizer muito. Aliás, tudo encaixa no filme tão bem quanto no gibi e isso é dizer muito.
Bom, eu vou separar a resenha por episódios.

INTRO
Vergonhosamente, eu não sei o nome da HQ em que foi baseada a introdução, mas é a intro que todo mundo viu nos trailers, aí você vê o excelente uso da narração, estilo noir total, aliás, você vê a coragem do diretor em fazer algo tão estilo noir, do tipo o cara narrar algo sobre como a garota é linda e logo em seguida "Care for a cigarette?"
O final é especialmente chocante graças ao brilhante som, a intro não tem trilha sonora, a conversa é lenta, então dá um clarão, um barulho alto e agudo, o narrador volta a falar. Perfeito. Mais perfeito ainda ver a logo do gibi, do jeito que é no gibi na tela.

A Hard Goobye
Se daqui há uns anos voltarem a fazer uma pesquisa do tipo "Top 100 quotes", com certeza estará no meio "Goldie is dead".
Mickey Rourke é Marv em pessoa, não tem como não ser, ele é forte, truculento, mal-humorado, fala cuspindo, fala grosso, é cruel, gosta de ser cruel, leva tiro, é atropelado, o homem é o anti-herói perfeito, ele gosta de ser cruel, mas ele não é um cara mal, ele tem um senso de honra, um sendo de moral, um senso de "não se pode matar um cara até ter certeza que ele merece", mas ah, quando ele descobre alguém que julga "merecedor".
Marv não tem muito o que falar, ele representa o sangue por sangue, aos galões. Os velhos tempos e os maus tempos e tempos do tudo por nada, tudo de novo e quando ele acaba com você o inferno ao qual acabou de te mandar parecerá paraíso comparado ao que você passa até ele acabar com você.

The Big Fat Kill
It´s time to prove to your friends you´re worth a damn.
Sometimes it means dying.
Sometimes it means killing a whole lotta people.

Dwight é o cara legal de Sin City, alguém que o Frank Miller com certeza se baseou um tanto na sua experiência com o demolidor para escrever, pois, assim como o Demolidor protege A Cozinha do Inferno em Nova York, nutrindo respeito e esperança por um dos pedaços mais pobres de Nova York, assim faz Dwight com as prostitutas da Velha Cidade.
Aliás, essa é uma formula repetida várias e várias vezes em filmes policiais, o cara bom de verdade é o que ajuda as prostitutas, pois elas são consideradas criminosas, mas diferente de outros criminosos que manipulam e roubam, elas que são manipuladas e usadas, então pra um cara proteger uma prostituta, ele tem que ser realmente um cara legal.
Claro, as prostituas de Sin City são tudo menos manipuladas.
"Us helpless little girls"
É quase uma surpresa que a Miho nunca tenha tido nada com o Marv, oposta ao Marv ela é rápida e silenciosa, mas tem a mesma crueldade, o mesmo prazer pela matança.
Quanto as outras, bem, claro, eu teria que mencionar que Rory Gilmore faz Becky, a adorável garotinha que se você visse na rua nunca imaginaria estar nesse ramo, com os olhos grandes, azuis e assustados enquanto diz "Oh sugar, you gone and done the dumbest thing in your life".
Gail é a gostosa bondage cheia de armas e por sexista que seja, não dá pra ficar muito melhor que isso. Ela é forte, tem um caso mal-resolvido com Dwight que Frank Miller sabiamente não se aprofunda muito, enfim, ela é a dona da Velha Cidade, é puta, psicopata e apaixonada, como são os personagens de Sin City, são todos bem extremos, estereotipados e brilhantes, não há muitos pensamentos profundos, os personagens se baseiam nos sentimentos, no calor da batalha e bem, eu não saberia dizer se o final funciona tão bem no cinema quanto no gibi, porque eu li antes de ir ver o filme, então eu saberia o que aconteceria, mas eu lembro de ter dado pulinhos de emoção ao ler no gibi.

The Yellow Bastard
Hartigan é, possivelmente, o único policial honesto de Sin City e assim como os outros personagens, ele tem que lutar contra o sistema para permanecer honesto.
Ele é velho, seu coração não funciona direito, a única coisa que ele tem é sua vontade já que sua decência, sua reputação, é tudo jogado no lixo enquanto ele protege Nancy Callahan.
Nesse mundo violento e cruel de Sin City ele faz um bom papel de pai e protetor, ele é praticamente o único personagem que não gosta de matar (apesar de não ver problema com isso quando necessário).
Claro, Bruce Willys não parece nem um pouco que tem 70 anos de idade, mas isso foi uma coisa que eu reclamei no gibi também, então imagino que esteja sussa. O gibi também da mais atenção ao momento que ele passa na prisão, a importância das cartas, isso acho que faltou um pouco (esqueci de dizer lá em cima, que faltou no Hard Goobye também dizer o quanto Gladys, a arma de Marv, é importante pra ele).
Mas no fim, é uma das histórias mais fortes, pra começar pelo pedófilo playboyzinho que estupra garotinhas de 11 anos, tendo tesão só quando elas gritam.
Encontrar Nancy adulta, imagino que seja um certo choque também, assim claro, como o final.
Enfim, eu sou péssimo de resenhas e essa é a minha, esperem um mês e assistam no cinema, saiam do cinema e comprem o pirata, mas assistam primeiro no cinema, por favor.

sexta-feira, junho 24, 2005

John, I´m only dancin´

Well, Annie's pretty neat, she always eats her meat
Joe is awful strong, bet your life he's putting us on
Oh lordy, oh lordy, you know I need some loving
I'm moving, touch me!

John, I'm only dancing
She turns me on, but I'm only dancing
She turns me on, don't get me wrong
I'm only dancing

Oh shadow love was quick and clean, life's a well thumbed machine
I saw you watching from the stairs, you're everyone that ever cared
Oh lordy, oh lordy, you know I need some loving
I'm moving, touch me!

John, I'm only dancing
She turns me on, but I'm only dancing
She turns me on, don't get me wrong
I'm only dancing

John, I'm only dancing
She turns me on, but I'm only dancing
She turns me on, don't get me wrong
I'm only dancing

Dancing, won't someone dance with me?
Touch me! Ohhh!



O cara mais cool do mundo!
Com certeza o cara que tem mais poder de fazer eu esquecer minha heterossexualidade.
ODISSÉIA de cinema»
Onde: Espaço Unibanco de Cinema (r. Augusta, 1.475, Cerqueira César, São Paulo)
» Quando: Dia 24, sexta, a partir das 23h
» Quanto: R$ 13 (meia para estudante)
Sala 1 vai rolar pré-estréia de Sin City!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Possivelmente o melhor filme dos ultimos 279 anos.
E como se isso não fosse o bastante, se vocês forem terão a oportunidade única de me ver incomodando estranhos para que eles comprem Chuva Contra o Vento!
Isso mesmo, eu terei algumas cópias lá e estarei vendendo, portanto, é isso. Amanhã será O dia. (A madrugada na verdade)

quinta-feira, junho 23, 2005

EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ!

EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
AHHHHHHHHHH!
*TENDO ESPASMOS DE FELICIDADE CAI DA CADEIRA TENDO ATAQUES EPILÉTICOS, PERDE A RESPIRAÇÃO ENQUANTO INSETOS ENTRAM PELO OLHO*
BLUBLBUBÇBBUBÇBUBLB

EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ!

EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ
EU VOU VER SIN CITY AMANHÃ

quarta-feira, junho 22, 2005

A long long time ago, in a galaxy far far away...


Ah sim, é mais uma vez tempo de perigo para a Republica, 4000 anos antes da Batalha de Yavin, onde a primeira estrela da morte foi destruida, os jedis se recuperam da guerra contra o Sith Exar Khun. Aproveitando o fim de uma guerra, os Mandalorians, raça guerreira, começa a dominar mundo após mundo, enfrentando praticamente nula resistência, mais nula ainda, pois um conselho jedi enfraquecido da guerra anterior se recusa a enviar Jedis para ajudar na guerra.
Mais e mais mundos caem nas mãos dos Mandaloreans, quando uma fissura surge na ordem Jedi. Revan e Malak, cansados da passividade do conselho, vão para a guerra e levam com eles um número de Jedis.
Malak é poderoso, mas Revan é a força primordial por trás das vitórias da republica, lider nato e estrategista brilhante, graças a Revan, os Mandaloreans são forçados a voltar aos anéis externos da galáxia e em uma lendária e gloriosa batalha em Malach V, Revan pessoalmente derrota Mandalore.
É o fim da guerra.
Revan e Malak são vitoriosos, mas exilados do conselho Jedi que não permite desobediencia.
3 anos depois.
Uma armada sith, inacreditavelmente grande, feita com tecnologia desconhecida, ataca a republica, liderados por Darth Revan e seu aprendiz Darth Malak.
Bastilla, uma inexperiente, mas talentosa Jedi, atrai a frota Sith para uma armadilha, ela e um pequeno grupo de Jedis invadem a nave mãe de Darth Revan e o Lorde é confrontado, antes que a batalha possa começar entretanto, a nave é atacada... por Darth Malak.
Após trair o mestre, Malak toma para si o manto de Lorde Sith, Bastilla sobrevive, mas é o alvo maior dos Sith.
Mestre de uma meditação especial para batalhas, Bastilla é capaz de aumentar o ânimo das tropas aliadas e estimular medo nas tropas inimigas, qualquer que seja a tecnologia, geralmente é o que basta para se vencer uma batalha, mas ainda assim, sua nave-capitã, o Leviathan, é atacado.
Você acorda, dentro do Leviathan, e começa assim a jornada em busca de seu destino.

Knights of the Old Republic (ou KOTOR para os íntimos) ganhou 35 prêmios de "jogo do ano" em 2003 e apresenta possivelmente uma das melhores histórias já vistas no universo de Star Wars.
Passada 4000 anos antes da trama dos Skywalker, Knights of the Old Republic mostra como os jedis dificilmente eram o suficiente para manter a paz no universo.
Soldados, burocratas, comerciantes, todos acabam tendo que escolher um lado e a influência de todos é refletida no grande esquema das coisas, mas afinal, a tripulação da Ebon Hawk é, claro, quem define o resultado final.
O jogo traz toda uma idéia criativa sobre dark side e light side. Nas suas respostas e ações, você pode ser bom ou mal a vontade, a história raramente te mata por escolher algum caminho (bem, uma vez, durante um julgamente, eu quis dar uma de light side e admiti culpa durante um julgamento, me levando a ser executado, a resposta certa era mentir).
O resto da tripulação (já que você não é um personagem especifico, sendo que pode mudar de rosto, nome, profissão, etc. a cada nova partida) é automaticamente alinhada com algum dos lados, Bastilla, o veterano de guerra Carth Onasi, a ladra Mission Vao e a jedi Juhani representam o lado bom, mas se juntam ao seu grupo também o Mandalorian Canderous Ordo e o psicopata andróide HK-47 (cuja soluções para os problemas geralmente são "esmagar o pescoço desse pedaço de carne") e, providenciando tons de cinza, estão o Wookie Zalbaar, o Jedi exilado Jolee Bindo e o pequeno andróide T3-M4.
Você vai para o lado que quiser e de novo, o jogo não te pune, mas a história muda.
Na verdade, ambos são dificeis em situações diferentes, algumas vezes é mais fácil matar os selvagens povo do deserto que atrapalha a corpooração Zerka, do que fica fazendo favores para o líder sair pacificamente, em outra horas é muito mais simples pedir do desculpas do que enfrentar um exército de Wookies raivosos. Ambas as maneiras entretanto são possíveis de se completar o jogo.
O jogo é bom até no ponto que a escolha do sexo influência na história, sendo macho, abre a possibilidade de romance com Bastilla, algo pouquissimo correspondido porque jedis não podem amar, sendo fêmea, abre a possibilidade de romance com Carth, algo pouquissimo correspondido, por causa de seus traumas de guerra.
Darth Malak é um bom vilão, mesmo que desacreditado, pois é bem sabido que Revan era mais forte que Malak e o fato de Malak ter matado o velho mestre em uma manobra covarde não melhora sua reputação, mas tudo bem, porque ele se define assim, ele passa o jogo inteiro distraindo o grupo para evitar confronto direto e, mesmo no final, sendo o chefe final, o inimigo mais forte do jogo, ele arruma um jeito de trapacear durante a luta.
O jogo tem uma história absurdamente excelente, e, repetindo o que exatamente todo site de videogame disse sobre o assunto. "há uns dois pontos de virada no roteiro que são impressionantes e é impossível descobrir o primeiro". Realmente é algo que choca e é algo que o jogo da dicas o tempo todo, o que lhe é lembrado na forma de flashbacks quando o momento chega. Dialogos que pareceram estranhos ou, melhor ainda da parte dos roteiristas, que não pareceram nem um pouco estranho, que pareceram apenas os personagens conversando sobre outro assunto, afinal, fazem um sentido absurdo na hora da revelação.
Por falar em personagens, Kotor tem provavelmente uma das melhoras atuações já vistas em videogame, os personagens tem personalidade e a voz dos atores que os dublaram reflete muito bem, muitissimo raramente você percebe que é alguma atuação, se é que se percebe alguma vez. No fim, resta jogar esta maravilhosa peça que ocupou umas 40 horas da minha vida.
E sim, você se torna um jedi que é incrivelmente bem conectado com a força, mesmo que demore horas para chegar nesse ponto. Sim, você constrói seu próprio sabre de luz.
Aliás, as batalhas são outro ponto a parte, o jogo é um rpg, então a questão das batalhas não é reflexo, você pode pausar a qualquer momento, ninguém pede que você aperte muitos botões rápidos, a questão é estratégia e, irônico que seja, por você dizer "ataque" e fazer o personagem automaticamente lutar contra os inimigos ao invés de apertar um botão pra cada chute e soco, as batalhas saem algo muito parecido com o visto nos episódios 1, 2 e 3.
Mais pro final do jogo, você se vê contra batalhões de jedis caídos e é simplesmente lindo ver 10 jedis saindo na porrada ao mesmo tempo (2 do seu lado e 8 do deles).
Enfim. São 18 e 30 e eu to um tanto atrasado, que a força esteja com vocês e que vocês a usem para fazer um ithorian "lembrar" que lhe devia dinheiro.

terça-feira, junho 21, 2005

São 3 e 54...
E não tem ninguém pra conversar...
Eu passo as noites com tanto sono quanto eu passo com sozinho...
Eu assisto Gilmore Girls (que deve ta pra começar, ou deve estar acabando, não sei) e, com muita alegria, ouço Panis et Circenses do Mutantes... ah, que banda perfeita, é uma das poucas músicas que posso chamar de "Bela", que voz linda tinha a Rita Lee, que voz linda tinha Arnaldo Antunes, que voz linda tinha essa época que eu nunca vivi... as noites são solitárias, elas demoram pra passar, eu tenho sono, mas não consigo dormir, o que lembra algo do tipo... tenho cpf, mas não lembro meu nome.
É amigos... não há mais festa, nem carnaval, acho que eu fui enganado...
Passo minhas noites na companhia de Pink Floyd que toca há 30 anos atrás, para eu ouvir hoje "Is There Anybody Out There", que há tempos atrás, em uma época mais ingênua e, de muitas e muitas formas, mais dolorosa, eu dizia que era a música mais completa do mundo... bem, talvez seja mesmo, não tenho como saber, "Is There Anybody Out There" é com certeza uma das coisas que eu mais me perguntei no mundo... que eu mais me pergunto...
E várias vezes durante esses posts, começa a tocar Ten Years Gone, são 1230 músicas no meu winamp, faça as probabilidades... mas por algum motivo sempre toca Ten Years Gone... talvez seja Deus, talvez seja algo correspondente a Deus, mas não exatamente, talvez seja coincidência, talvez seja aquilo que nos faz querer ver sinais onde eles não existem para fingir que existe ordem no universo... ah, deixa eu sonhar, é noite e eu estou sozinho, deixa eu sonhar...
É, eu passo a noite sozinho, eu e vários eus na forma de personagens, é a hora que eu brinco com eles, que eu faço eles dizerem coisas que não deveriam ser ditas, que eu faço eles errarem, que eu faço eles terem esperança, escrever é cruel às vezes, pelo drama, tudo pelo drama, você tem que machucar uma parte de você, tem que pôr aquele personagem em cheque, tem que fazê-lo falhar, tem que fazê-lo se perguntar "is there anybody out there?".
Acho que eu gosto de escrever histórias porque é uma forma socialmente aceita de brincar de de bonequinhos com 19 anos de idade.
Até uns 16, talvez 17 anos, meus bonequinhos me acompanhavam todos os dias... eu chegava da escola, desiludido e confuso com o mundo, sempre com aquele sentimento que as pessoas eram idiotas e, ao mesmo tempo, não conseguindo entender porque eu agia de forma tão idiota... então eu brincava com meus bonequinhos, vários deles, quebrados e sujos... não, eu não era pobre, bem longe disso, os bonequinhos não eram velhos, eles eram muito usados, cada um tinha sua personalidade e seu propósito, eles conversavam, discutiam, saiam na porrada 90% das vezes, os bons ficavam maus e os maus ficavam bons... era a minha novelinha, era uma história que durou minha infância e adolescencia, uma única história, personagens apareciam e se perdiam, mas nunca mudavam de nome ou de personalidade, ah, eu tinha um Wolverine que quebrou os dois braços! Dá pra acreditar? Um Wolverine sem braços, sem garras que são seu ponto forte, mas ainda era o Wolverine, sempre foi... uma grande história... e eu não lembro da maioria dela... porque eu não a estava contando, eu a estava vivendo, quando eu lembro da minha adolescência eu lembro de chorar na escola, de realmente odiar aquele lugar, eu me lembro de jogar Everquest, eu me lembro de chorar vendo os finais de Final Fantasy, eu me lembro do Homem-Aranha e de que como a saga do clone me deixou triste, eu me lembro de chorar por um monte de motivos, mas acima de tudo eu me lembro da solidão, da inveja daqueles que tinham amigos, eu me lembro de ir a shows e dançar ouvindo as primeiras bandas, aquelas que as pessoas ainda não se animaram a ir dançar, eu me lembro de ser estranho, de ver pessoas usando roupas esquisitas, usando drogas e falando engraçado e eu me lembro de pensar "quem são vocês? Quem vocês estão enganando? Vocês querem ser diferentes? Vocês sabem o que é ser diferente? Se vocês soubessem, não iriam querer ser". Mas ah, "ele é branco e heterossexual, o que sabe sobre ser diferente?" eu sei... e eu não gosto de falar, porque comunidades do tipo "sou diferente" no orkut tem dezenas de milhares de pessoas, então é claro, eu sou diferente igual todo mundo... é... mas eu sempre fui diferente e só recentemente eu tenho abraçado esse lado, muito recentemente mesmo eu tenho começado a me aceitar, a tentar entender o que, exatamente, é essa diferença... porque eu lembro de estar sozinho, eu lembro dos que se esforçavam para ser estranhos olhando para mim e dizendo "que cara estranho, vamos sair de perto dele". Eu era diferente, mas diferente dos diferentes do orkut, eu não queria ser... minha mãe me perguntou um dia porque eu não era mais normal... eu me senti exatamente no filme do x-men quando perguntam pro bobby "dá pra não ser mutante?" numa clássica alusão a "dá pra não ser gay?".
É, eu não sou mutante, tenho dois braços e duas pernas funcionando bem, sou branco e heterossexual, quem eu penso que sou pra dizer que sou diferente?
Ah, mãe, se ela soubesse quantas vezes eu olhei pra ela, magoada com alguma merda minha e pensava "desculpa, eu sei que você queria um filho mais normal, mas saiu eu."
Acho que essa época da minha vida é a época em que eu estou tentando me entender, acho que esse blog nunca foi tão ativo... acho que é porque eu estou tentando contar minha história ao invés de vivê-la... talvez se eu ler sobre mim, eu consiga me entender...
Eu me sinto egoísta por passar tanto tempo dedicado em auto-conhecimento... mas afinal, é a minha religião... eu sou ateu, dos fanáticos, mas eu me indentifico com um número de religiões, especialmente as que falam de auto-conhecimento, porque se existe um segredo pra fecilidade, ele com certeza passa pelo auto-conhecimento... ah, cristãos... haha... eles lêem que é pra entrar em contato com deus, para se unir com jesus e saem de casa e vão para uma igreja... eles são deus e jesus e ainda assim passam a vida os procurando em igrejas, templos, centros ou whatever... é surpresa que eles nunca achem?
Não, esse blog é onde eu acho deus.
Poderia ser um diário, mas eu gosto dos comentários.
Claro, que se eu escrevesse puramente por causa dos comentários, eu faria textos mais curtos e fáceis de ler.
Eu na verdade releio tudo que escrevo nesse blog umas duas ou três vezes... eu entro no meu próprio blog, leio e penso "quem é essa pessoa?".
Hahaha, eu não sei se dá resultado, porque eu penso "puxa, eu me indentifico mesmo com esse cara, mas não faço a menor idéia do que ele ta falando". Mas ainda assim eu gosto dos comentários.
Eu gosto de escrever, parece que eu to falando com alguém e eu gosto de falar, eu falo e falo e nem sei sobre o que eu to falando, eu simplesmente falo e falo, Rebs e Cunha que o digam, eles que me aguentam nos finais de semana e eles sabem o quanto eu falo incessantemente coisas que, se fossemos transcrever, não fariam o menor sentido.
Mas ah, eu ouço também, o que eu não sei fazer é responder. Eu sou ótimo em monólogos, sejam meus ou da outra pessoa, porque eu não sei responder.
Esse blog é uma coisa arriscada também lógico, você se expõe pra pessoas que você vai querer xavecar no futuro e céus, minha única esperança é que essas pessoas não te levem a sério ou que pensem que eu exagero, porque, ah, não é fácil, eu vivo em um mundo a parte dentro da minha cabeça, não é nem matrix, porque não é um mundo coletivo. Outros escritores falam que buscam inspiração quando saem na rua e observam as pessoas. Eu não consigo observar as pessoas, eu vejo uma pessoa e é como se fosse uma placa com perninhas escrito "gente" andando. Não, eu não consigo ver seres humanos como seres pensantes, a não ser quando a pessoa tem uma aura, outro dia eu tava no ônibus e tinha um cara numa cadeira de rodas vendendo doces, eu fiquei olhando pra ele e ele olhou pra ele, eu fiz algum gesto com os olhos, eu levantei as sombrancelhas ou algo assim, eu geralmente ando no ônibus com a mão tapando a boca, então basicamente meus olhos eram toda minha face, ele começou a dar risada, eu vi ele como um ser humano... eu fico tão feliz quando consigo ver uma pessoa como um ser com quem eu poderia conversar, céus, é tão raro e eu me odeio tanto por isso, mas ah... eu ando na rua e só consigo ver silhuetas do que um ser humano talvez seria... eu fico feliz mesmo quando consigo ver uma pessoa...
Eram 3 e 52 quando eu comecei, agora são 4 e 42. Agora sim eu tenho certeza que perdi Gilmore Girls... mas ah, foi por uma boa causa, esses encontros com deus demoram um tempo mesmo... pôr a conversa em dia... tirar todas essas coisas do peito... falar do passado, do presente, da minha postura elitista em relação ao resto da humanidade... são assuntos que demoram... especialmente esse último, é o que eu mais penso antes de escrever... aí eu penso "quem eu to enganando? Se eu não escrever, eu vou continuar sentindo, não posso me enganar", que nem leis que incentivam o politicamente correto... "ok, vocês podem odiar negros, só não falem em voz alta, certo?"
Nós precisamos de uma lei dizendo para não dizermos que odiamos pessoas pela sua cor de pele... céus, como podemos estar assim tão longe? Será que a humanidade não anda? Espero que algum descendente esteja vivo daqui há 10.000 anos para ver o momento que as pessoas dirão "afinal, porque estamos votando?". As pessoas já perderam a confiança nos políticos, eu queria estar lá no dia em que elas ganhassem confiança nelas próprias... em que elas disessem "eu posso ser dona da minha vida" e "eu vou ajudar meu vizinho, não porque deus manda ou uma lei ordena, mas que é porque eu entendo que esse é o caminho para viver a minha vida em paz".
10.000 anos... só 10.000 anos... a humanidade já aguentou 6.000, mais 10.000, vamos lá...
Céus, como meus filhos irão sofrer... eu não desejo esse mundo a ninguém... céus...
Se eu tiver um filho, eu quero que ele me desaponte, que ele seja fútil e que nunca pense em politica, quero que ele acredite em Deus e que faça faculdade de economia.
Quero que ele seja normal, não quero que ele passe pelo mesmo que eu... eu vou odia-lo, mas ele vai ser feliz e é iso que conta...
Sempre me falam "mas Rodrigo, você acha que essas pessoas são felizes?" e bicho, eu acho sim... pode ser ingenuidade minha, mas a pessoa passa a vida inteira rindo de mulheres que gaguejam quando falam sobre nutrição, se rir durante tanto tempo de algo estúpido como isso não é felicidade, cara, sei lá o que é...
Que nem os crentes, eu tenho inveja dos fanáticos, eles tem tanta certeza que já descobriram a resposta do grande mistério do universo, da vida e de tudo o mais que esse imenso peso foi tirado de suas costas.
Eles tem certeza que sabem porque nasceram, pra onde vão quando morrerem, sabem exatamente o que fazer em vida, tem uma noção perfeita de certo e errado. É o tipo de ignorância tão profunda, que os prende em um mundo cor de rosa no qual eles são, de fato, felizes...
Claro, isso não é pra todos, eu vejo minha mãe trocando de religião a cada 2 semanas e não é fácil ver ele chorando porque as promessas falsas da religião passada não se concretizaram... minha mãe não se permite um estado tão supremo de ignorância e cegueira, ela só tem medo de admitir, porque seria "não ter fé".
Coca-cola... pfff, os marketeiros de jesus dão de 10 neles.
É fácil pra um crente apontar para um ateu e dizer "olha, ele é infeliz porque não crê em deus". Olha, vou dar esse ponto pra eles, é verdade, se eu acreditasse em deus, eu seria bem mais feliz, mas eu não acredito, seria realmente um peso ENORME tirado dos meus ombros ter essa certeza da vida após a morte, mas não tenho, eu penso em não-existência e um sentimento horrivel me consome, o que é a não-existência? Você consegue imaginar algo que não existe? Você consegue se imaginar não existindo? Você consegue dizer "depois da morte, eu não existirei", mas você consegue se imaginar não existindo? É claro que não, porque se você pensa, você existe e se imaginar é "pensar como se estivesse no lugar" e ei, na não-existência não há pensamento. Então resumindo, não dá. A não-existência é impossível de imaginar.
Claro, eles usam isso contra nós, "nós temos a resposta". Sim, eles tem uma resposta que eu chamo de "possibilidade", isso significa que deus existe? Óbvio que não, significa apenas que a idéia da existência de deus tem um efeito de conforto sobre a mente humana... eu queria esse conforto, mas ele não existe.
Eu queria muitas formas de conforto, eu queria conseguir conversar com as pessoas sem ser estúpido ou engraçado, eu queria conversar com uma pessoa da mesma forma que eu converso com meu blog. Eu queria parar de ter tanto pensamentos por segundo, queria que minha cabeça me desse sossego, nas palavras de Johnny, The Homicidal Maniac, "I wish someone would just shut me off and fix me"
Queria mesmo, literalmente, que alguém desligasse minha cabeça, apertasse dois parafusos e eu acordasse normal.
E eu poderia me reconfortar dizendo "puxa, o problema é de nascença, é uma quimica errada, não sou eu."
Isso me dá medo... mais medo do que ter um cancêr no cérebro que faz ele funcionar de forma estranha, o medo de não ter absolutamente nada de errado comigo.
O que significaria?
Se eu descobrisse que não tenho nenhum tipo de problema emocional, que não tenho nenhum problema mental, que não tenho nada. Que eu sou que nem os outros.
Se eu sou que nem os outros porque, oras, eu não consigo ser que nem os outros? E não me venham com essa de "diferente igual a todos", porque os outros conseguem ser que nem os outros, já saiu de balada? Todo mundo ta sendo que nem todo mundo lá, só eu que não consigo. Só eu que não me sinto confortável em absolutamente nenhum lugar do mundo. Eu chego bem perto de me sentir confortável no sofá do Sarajevo e eu definitvamente me sinto confortavel escrevendo no blog. Mas porque eu não consigo ser confortavel com outras pessoas se não tem nada de errado comigo?
Não, tem que ter alguma coisa de errado comigo! Minha mente não aceitaria que não tivesse! Se eu tivesse a confirmação que não há nada de errado, aí sim eu surtaria pra valer, mnha mente simplesmente não aguentaria tanta solidão sem motivo, sem culpa de nada. Tem que ser alguma química estranha.
Não é possível que não seja.

segunda-feira, junho 20, 2005

Analise do vídeo

História.
Garoto "ishperto" de Niterói escondeu uma camêra no quarto para poder passar o vídeo adiante e falar "olha como eu sou foda e tal". Aham.
http://videolog.click21.com.br/videolog/vdl_index.php?user=como_nao_se_faz
O vídeo fala por si próprio.
Mas mesmo assim, vou analisar essa pérola que quase me matou de dar risada .

O vídeo começa sussa, como todo bom vídeo amador, o casalzinho se beijando, inocente e tal, ele põe a mão no peito dela, esfrega (?) pra cima e pra baixo, ela fica confusa, mas sussa, o casal continua.
Tranquilamente, sem pressa e sem sex-appeal, ele lentamente desabotoa a sala dela.
Voltam-se os beijos e ele quebra o clima pra tirar algo que eu não faço a menor idéia do que é da gaveta. Totalmente compreensivo se fosse uma camisinha, mas ainda não descobri o que ele foi fazer naquela gaveta a não ser destruir o ritmo da ação.
Ah sim, depois da gaveta, ele fica peladinho, (ênfase no 'inho'). Mais beijinhos graciosos e ela finalmente põe a mão lá, orgulhoso, ele dá um sinal aos amigos, algo que eu tentei reproduzir na minha própria mão, sem sucesso, é... sei lá, parece uma daquelas coisas de Star Trek, mas eu sinceramente não faço a menor idéia do que ele faz, talvez tenha tentado reproduzir uma garra do jurassic park... enfim.
Ele tira a calcinha dela e cai de boca, algo que eu pessoalmente não gosto muito de fazer, devo admitir, mas que com certeza é uma jogada hábil nas preliminares, eu não faço porque, que as fêmeas da espécie me desculpem, o lugar, apesar de parecer uma flor, não cheira como uma flor. Mas enfim, ofensas ao sexo dominante a parte, a questão é que ela parece gostar no primeiro segundo, mas ela vai gradativamente ficando entediada, olha para o teto, faz uma cara de "humm", até que alguns poucos segundos depois acaba isso que foi mais uma pequena introdução do que preliminares propriamente dita... ou assim ela espera.
Essa é uma parte que eu particularmente dou muita risada.
Ele volta a beija-la, o soldadinho dele está na entrada do castelo, basta um pequeno empurrãozinho e ele entra, ela sinceramente parece feliz aqui, ela sinceramente parece ansiosa, mãs... ahhhh, não foi dessa vez... ELE SAI DE CIMA DELA!
Ela até parece protestar um pouco, mas, nada feito, filme pornô que se preza tem que ter boquete e aqui entra a ilusão masculina de que, por algum motivo misterioso, nosso cheiro seria melhor do que o delas.
Ela está desapontada, mas ele parece dizer umas palavrinhas bonitas para a garota e ela decide que ele é um garoto de Niterói "ishpertu" o bastante pra ganhar uma chupetinha carioca.
Agora outra parte que pra mim seria uma prova de que esse vídeo não passa de uma pegadinha, algo que só os mais sórdidos escritores de sitcom pensariam.
Ela põe a boca lá, ele mostra a língua para a camêra dizendo "eu sou um garoto ishpertu de Niterói" e então, ahhhhhh, o que é isso Klaus? Papai não te ensinou a lavar o pipi quando você era pequeno? Que vergonha, Klaus... graças a essa cena, Klaus se tornou responsavel por muitos namorados não ganharem boquetes por medo das namoradas de encontrarem surpresas desagradaveis. Que vergonha, Klaus.
Mas ela é forte, ela está disposta e ela pensa "céus, porque eu vim aqui?", mas ela continua numa cena que ele provavelmente deve ter dito pros amigos "caraca galiera, a mina engoliu até o talo", de fato, mas o fato do "talo" deve estar apenas 2 centimetros e meio da ponta ajudou bastante.
Acabada as preliminares, (de novo), ela já entediada consegue pensar apenas "minha nossa senhora, esse moleque não vai me comer NUNCA?"
E então.
O Climax.
ELE FICA DE JOELHO.
Isso mesmo, é uma coisa que só da pra entender assistindo o vídeo porque... céus... o que é isso? Porque isso? Ele conseguiu descobrir a posição sexual menos efetiva do mundo. Essa cena é uma aula de educação sexual que deveriam ser mostradas na escola.
Ok, talvez seja falta de experiência minha, talvez alguns bons machos da espécie consigam copular nessa posição, mas ele... o que ele faz?
Ele põe uma vez, tenta, não da certo, tira, tira o travesseiro, se ajeita, põe de novo, tenta um pouquinho, não da certo e esse "tenta, mas não rola" procede até o final do filme.
O vídeo original provavelmente é mais longo, mas até o visto aqui, vamos resumir o que ele fez.
A - Se mostrou um idiota por filmar escondido uma garota que, pode ser legal, vadia, vagabunda, whatever, a questão é: isso não é legal, não digo nem em termos de direito (embora não seja legal nesse sentido também), mas no sentido de... gente, nós contamos vantagem de mulher no bar, tomando Gin Tônica, por favor, filmar e mandar pros amigos. Isso é babaquice. Isso não é contar vantagem, é repartir um momento íntimo, o que não seria problema se ambos estivessem de acordo, mas assim... é pura canalhice.
B - Se mostrou um idiota por filmar escondido o sexo mais desajeitado do mundo fazendo careta de "sou foda" no processo
C - Fez a gente dar risada

Todo mundo faz algumas desajeitadas na cama, sexo quadradinho e limpinho deve ser a coisa mais sem graça do mundo, sempre rolam algumas trapalhadas, algumas coisas que faz você pensar "hum, não devia ter feito isso" e algumas outras coisas vergonhosas que o casal mantém pra eles, que é algo que quando você ver sua ex daqui há 20 anos, ambos darão uma risadinha lembrando de uma cena estranha. O foda mesmo é o cara ter repartido isso com o mundo e achado que fez um bom trabalho. Coisa típica de moleque que vê filme pornô e acha que sexo na vida real é redondinho e certinho daquele jeito.
Enfim, aí está a minha análise do vídeo, assistam, aprendam, ele pode ser muito educacional e, não se preocupem, eu faço bem melhor.

sábado, junho 18, 2005

O desenhista

Cinema é uma arte estranha, é cara, trabalhosa e envolve um número impressionante de pessoas, uma produção pequena não rola com menos de 10 pessoas e, mesmo assim, é tudo centrado no diretor, que não é um trabalho fácil, mas no final acaba sendo uma espécie de supervisor, ele diz o que quer e outra pessoa vai lá e faz, ele só fica de olho pra ver se está tudo certinho. Claro, é impossível negar o talento de diretores famosos, mas e quem dirigiu coisas do tipo "As Panteras" ou "10 Coisas Que Eu Odeio Em Você"? São meros supervisores contratados pelos estúdios para garantir que a produção saia quadradinha no prazo. De qualquer forma, cinema é um esforço de equipe.
Quadrinhos também é um esforço de equipe, mas eu acho impressionante como todas as milhares de funções do cinema se centram no desenhista.
Eu crio um personagem para um filme e dou a ele as ações. O diretor irá ler o roteiro e procurar um ator que interprete aquele personagem, irá procurar um diretor de arte para vesti-lo, irá procurar um diretor de fotografia para ilumina-lo, irá encontra alguém pra pensar no cenário, alguém pra pensar na continuidade entre as cenas e, enquanto isso, o ator pensa nas expressões, nos gestos, em uma forma de dar um pequeno sorriso e parecer sincero.
Nos quadrinhos, eu também crio um personagem e dou a ele as ações, mas o desenhista terá que ser tudo isso acima ao mesmo tempo, ele tem que pensar no cenário, na roupa, no pequeno sorriso, na iluminação, na continuidade e, afinal, não é uma foto, ele terá que pensar no traço, o quanto o personagem deve ser realista e o quanto deve ser caricaturado e aposto um milhão de coisinhas que eu não sei porque não sei desenhar (assim como aposto que a maioria das pessoas não reparam nas milhões de coisinhas que eu pensei ao escrever o roteiro).
A questão é, assim como no blog, nos meus roteiros, eu gosto de escrever sobre mim, sim, eu sou uma pessoa egoísta e tal, mas acho que é por isso que escolhemos nos expressar em primeiro lugar, queremos falar algo porque temos algo a dizer, então eu ponho meus sentimentos e ponho eles em vários personagens que andam pra lá e pra cá em um mundo, que é uma versão minha do mundo, com meus conceitos e preconceitos, escrever é uma coisa estranha, pois os personagens são você, quando um personagem faz algo ruim, é você, na verdade, fazendo aquilo, seja um ato que você, no fundo, concorda ou que despreza, você tira um pedaço da sua alma, seja um pedaço que você gosta ou não e põe no papel. Muitas vezes não aprovamos o que nossos personagens fazem, mas sempre os entendemos, sabemos seus motivos, quando o vilão tem a tipica cena em que explica sua noção de ética para o mocinho, nós temos que adotar aquela ética, nós temos que nos tornar odiosos, frios e cinicos, para que possamos transmitir a idéia com sinceridade. É fácil distinguir um coringa qualquer e o coringa do Alan Moore. O coringa qualquer fala "eu vou te matar batman, porque eu amo ser mau", você percebe o roteirista dizendo "minha nossa, um cara desse não existe. Ele é mau mesmo, ahn... vou escrever como pessoas más devem falar", o coringa do Allan Moore é diferente, "Eu sou você, após um dia ruim." ele entende. Ele entende o vilão. É aquele pedaço da alma dele que diz "eu poderia ser esse cara" e todos temos isso, só precisamos deixar nosso moralismo de lado quando escrevemo um roteiro e incorpora-lo.
E assim é escrever um roteiro. Mas a parte legal vem depois que você escreve, pois o desenhista é o seu primeiro e mais importante leitor, porque isso tudo que você sentiu ao escrever, ele vai sentir também e afinal, é ele quem vai passar adiante, não é só ler que o personagem está triste e desenhar um menino com um rosto infeliz, é preciso ser um verdadeiro ator, é preciso entrar naquele personagem, é preciso ser diretor, diretor de arte e fotografia e é preciso construir o cenário e tem que pensar no quanto aquilo tudo é importante, é ele quem decide quão brilhante é o sol e como que os passaros voam, é ele que decide a velocidade do vento e como como reage o cabelo do personagem que ele decide o quão desarrumado é.
O desenhista, esse tão importante leitor, viu o que você tem a dizer e o que os outro leitores verão é a interpretação dele, é a opinião pessoal dele, são os sentimentos dele em relação aquele universo, é um sentimento que eu não saberia descrever, mas é dificil escrever personagens já existentes pelo motivo que você tem que sentir o que os autores (ou a pessoa que inspirou o personagem) sentiu e então por palavras e ações no personagem que sejam sinceras, imagino que é isso que um desenhista passa, ele tem lá aquele amontoado de letras e frases e aquilo tem que fazer sentido pra ele, tem que significar algo, pois agora aqueles personagens são ele e toda vez alguém abrir o seu gibi, ele olhará nos olhos tristes do desenhista e aquilo fará sentido pra ele, porque afinal, o mais importante da história é quem a lê, quem lê que faz a história, quando o roteiro está pronto, o personagem não sou mais eu e sim a interpretação do leitor, os sentimentos do leitor e se esses sentimentos não "baterem", então você vai ter traços e palavras numa folha de papel, só e é por isso que o desenhista é tão importante, porque é ele quem transmite o sentimento, é ele quem cria o canal que torna sua história em um ser vivo, é ele que transforma sua idéia em um mundo e são os sentimentos que ele tem em relação aos seus próprios sentimentos que dará forma a esse mundo.
Seja lendo ou seja escrevendo, a sua reação ao brilho nos olhos daquele jovem que vê a pessoa amada é um elo que você e ele repartem juntos e o resultado dessa união é a história.

E claro, esse post é uma homenagem a Felipe Cunha, que é quem dá vida aos meus sonhos, além claro de ser bem melhor amigo do que eu mereço.
Pelos desenhos, pelas Cubas Libres e pelos momentos juntos, que por mais que uma imagem valha mais que mil palavras, uma amizade vale mais ainda que mil imagens.

sexta-feira, junho 17, 2005

Castidade

Cara, a comunidade de castidade no orkut é a mais engraçada. Saca só isso.

me ajudem??? to mal.. 15/6/2005 14:29
DPOIS Q COMECEI A NAMORA ENCONTREI DIFICULDADE EM VIVER A CASTIDADE... NOS DOIS SOMOS VIRGENS.. MAS TA DIFICIL.. EU NAO KERO PERDER MINHA VIRGINDADE NEM ELE.. MAS AS VEZES SEMPRE PASSA DOS LIMITES.. JA FIZEMOS SEXO ORAL... TO MTO MAL PREOCUPADA... EU RPEFIRO TERMINA O MEU NAMORO DO Q DESAGRADAR O CORAÇAO D DEUS... TEMOS UM PADRE CONFESSOR ELE DISSE Q TEMOS Q SABER OND PARAR.. MAS Q E NORMAL..E Q ELE VE MTA SINCERIDADE NAS NOSSAS PALAVRAS. E Q A NOSSA UNIAO SERA ETERNA... EU E MEU NAMORADO TEMOS UMA VIDA MTO ATIVA NA NOSSA COMUNIDADE... TEMOS O DESEJO E A CONFIMAÇAO DE SER UM CASAL MISSIONARIO... MAS MINHA DIFICULDADE EM VIVER A CASTIDADE TEM ME ATRAPALHADO.. SOU PREGADORA E TEVE UM DIA Q NEM CONSEGUI PREGAR D TANTA VERGONHA... OQ EU FAÇO???

*Reação de Rodrigo lendo*
Hum.. hum... huuummm... haha... hahaha... HAHAHAHAHA. BWAHAAHAHAAAHAHAHA

*7 horas depois, Rodrigo azul por falta de ar, no chão, tendo uma parada cardiaca*
HAHAHAH... COF... HAHAHA.. AAHHHH... CHAHA.. GOOG... HAA. AHH... .......... ..........................................

Céus........
Ok, eu sou ateu fanático e tal, mas eu acredito que religião realmente ajuda algumas pessoas, digo, não tem como reclamar de algo que só faz bem a uma pessoa, mas isso cara... minha nossa, isso é auto-flagelação... o casalzinho crente no pico da saúde, próximos de passar um adoravel momento de alegria e prazer, quase lá e *blam* culpa, ódio, terror, dor, o horror o horror, céus, o horror.
Qualé. Gente, sexo é sexo. É divertido e tal, mas é possívelmente a coisa mais superestimada do mundo, seja pro bem ou pro mal, seja pessoas que estupram e sejam casais que deixam de ser felizes por uma tal "castidade", a questão é que sexo É legal, mas gente... qualé... é só sexo. É divertido, é legal, é gosmento, mas... qualé, tratar isso como objetivo de tudo ou como mal do universo é babaquice.
Mas ah, mas ah, as respostas, as respostas!

Oi... 15/6/2005 21:19
O Primeiro conselho é uam boa confissão e a acredeitar que nela Deus realmente nos perdoa. Não deixe que a acusação impeça vc de lutar.
Um segundo conselho é evitar as ocasiões de perigo. Evitem mesmo ficar sozinhos por essa fase ou fiquem em lugares em que alguém sempre passe ou possa chegar. Se vc não pode lutar contra fuja, vale a pena ser Casto.
E, conte sempre com a intercessão de Maria.
Abração.

"O bom Deus não me inspiraria desejos irrealizáveis, por isso, apesar da minha pequenez posso aspirar a santidades" (S. Teresinha)

HAHAHAHAHAAAHAA, "Se você não pode lutar fuja, vale a pena ser Casto." "evitem mesmo ficar sozinhos" "evitar ocasiões de perigo"
MEUS CÉUS!
OCASIÕES DE PERIGO!
DE PERIGO!
PERIGO!
DANGER!
DANGER WILL ROBINSON!
DANGER!
Dá pra imaginar o robozinho quebrando a parede e atirando um jato de agua fria nas pessoas.
DE PERIGO.
Só eu que acho que tem algo SERIAMENTE errado quando alguém chama sexo de "OCASIÕES DE PERIGO"?
Se fosse medo de AIDS ou de engravidar, tudo bem, pode até chamar de ocasiões de perigo, mas cara... ah, eu sei, eu não devia questionar a crença dos outros, porque um nazista pode questionar porque eu não acho os negros uma ameaça, crenças são pontos de vista, mas, na moralzinha, não deve ser NADA saudavel ficar se segurado assim. Acabar com um namoro, fazer pessoas tristes, por causa de passagens possivelmente mal interpretadas do livro mais desatualizado do mundo... qualé.
Jesus não morreu na cruz exatamente por causa disso?
"Pai, é o lance velho, eu morro e você libera o pessoal pra comer porco e trepar, belézz?"
Pessoal come bacon, porque não faz sexo? Ta no pacote de coisas que eram proibidas e que não é mais!
Mas, a melhor ainda está por vir.

Calma irmã! 16/6/2005 00:49
Sei que existe aquela frase, se sua mão é motivo de pecado, arranca e joga fora!
Porém, temos q aprender a nos controlar. Eu tb tenho sofrido muitas tentações, nem sempre dá p resistir, mas a luta é essa. FUJA das situações de pecado, somos fracos sozinhos, e se vc teve a confirmação do seu casamento, por que desmanchar agora?
Siga em frente, quando vc e seu namorado estiverem sozinhos e vier a vontade, orem juntos!
Quanto a vc, irmão anônimo, é fácil criticar se escondendo de todos, quero ver vc assumir o q vc disse, colocar a cara a tapa!
Não julgue, pois com a mesma força que julgardesm será tu também julgado.
Fiquem com Deus.
PAX ET BONVM!!!!!!!

"se sua mão é motivo de pecado, arranca e joga fora"
Ehrm... não é bem a mão...

"quando [...] vier a vontade, orem juntos!"
HAHAHAHAHAHAHAHAAHAHHA
Essa é a cena que eu MAIS queria ver.
- Querido?
- Sim, querida.
- O que esses seus três dedos estão fazendo dentro de mim?
- O que? Mas eu nem tinha percebido. Que mão boba.
- Teremos que arranca-la querido.
- Vale só os dedos?
- Hum... acho que se rolar uma oração agora vale...
- Pai Nosso, que estais no...
- Querido...?
- Sim, querida?
- Você ainda não tirou a mão.

quinta-feira, junho 16, 2005

Hoje foi uma das únicas vezes na minha vida que eu olhei no espelho e gostei do que vi.
E que as pessoas que mandam eu tirar a barba enfiem pacotes de pipoca de microondas no cú, eu to gostoso pacas.

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Olha só pra isso.
Eu tenho certeza que me pareço com algum vilão de quadrinhos, só não lembro qual. O bigodinho com certeza é do Ra´s Al Ghul (é assim que escreve?), mas eu não acho que algum vilão (ou herói ou ser humano) tenha o cabelo assim.
Enfim, eu acho que o flash dessa maquina podia ser um tiquinho mais fraco e... minha nossa, como eu sou gostoso. Puta que pariu! É incompreensivel isso! Como que alguém teve a coragem de me dar um fora um dia? Gostoso desse jeito, com um pau enorme desses (se a demanda for popular, eu posto fotos dele também) e incrivelmente bom de cama. Como é que conseguem me dar foras? Hein? Hein? Ah, é eu surto de vez em quando... hum... ... ... enfim, eu sou gostoso e em um mundo justo isso anularia o fato que eu sou problemático.
nossa, eu postei uma foto aqui que ficou gigante, só um minutim. (caso no espaço de segundos em que eu to arrumando a foto, alguém entre)
Pela primeira vez (que eu me lembre), eu apaguei um texto porque fiquei com vergonha de publicar. Eu me odeio nesse momento, não pensei que fosse ruim a ponto de ter pensamentos do qual teria vergonha, sabe, você lê, assiste, ouve e no fim, é um ser humano com preconceito horríveis e ódio infudado... só resta eu me perguntar onde eu errei pra me tornar essa pessoa tão ruim... que vem em um blog procurar redenção...
Pior que meu preconceito nem é contra raça ou sexualidade ou qualquer coisa, é contra todo mundo... de repente eu me peguei falando coisas horríveis de seres humanos, mas sem me incluir, eu percebi que tava escrevendo um texto me pondo superior a toda a raça humana... eu não quero sentir isso de novo, céus, onde foi que eu errei? Eu quero parar, eu quero ser bom, eu quero gostar das pessoas, eu quero fazer parte delas, eu quero parar de ver todo mundo como se fosse tão pequeno.... eu não me entendo, céus, juro que não, como pode uma pessoa que se odeia tanto se achar tão melhor que todo mundo? Eu não quero mais ser uma pessoa ruim, eu quero nascer de novo, eu quero tentar de novo, da próxima vez eu não vou ser tão ruim, juro... tem tanto ódio dentro de mim, o tempo todo, eu odeio tanto as pessoas, céus, todo mundo parece tão idiota pra mim, todo mundo parece tão pequeno, tão inferior, o que aconteceu comigo? Onde foi que eu errei? O que aconteceu que de repente eu simplesmente parei de respeitar todo mundo? Quando foi que eu passei a olhar pra todas com desprezo? E vem aí que eu me pergunto. E se eu estiver certo? E se as pessoas forem, de fato todas iguais? E se for todo mundo imbecil mesmo? Eu sei que existem algumas pessoas legais, mas e se as outras forem realmente desperdicio de carne? E se eu não passar de um desperdicio de carne? Eu penso no pessoal do PSTU, que são idiotas completos com teorias imbecis e ideais completamente falidos ou então o Olavo de Carvalho que não passa de uma gosminha paranóica. Essas pessoas estudaram a vida inteira, fizeram faculdade, mestrado, doutorado, escreveram livros, deram palestras, publicaram textos em jornais, revistas e, mesmo assim, são inuteis completos... é aí que eu penso que nada me impede de me tornar uma gosminha feia com idéias imbecis? Céus, o que impede eu de ser isso agora? Eu olho pra humanidade de forma tão superior que a idéia de ser um humano, exatamente que nem os outros humanos, me assusta, incrivelmente me assusta, eu não quero fazer parte DISSO.
E minha nossa, céus, olha o que eu to falando, de novo eu to sendo uma pessoa ruim, para para para, nossa, porque isso não sai de mim, o que é isso? Porque? Minha nossa. Para. Sai. Eu não quero mais. Céus, porque eu não posso apagar essas dúvidas da minha cabeça, porque eu não posso ser uma pessoa boa ou então ser ruim sem me sentir culpado, céus, porque eu não posso ser uma coisa que não eu, mas, pelo amor de pink floyd, mas também não eles.
Tudo que eu passei na minha vida e hoje eu não sei quem sou. Que desperdicio...

quarta-feira, junho 15, 2005

Olha, pra essa gente bonita que quer conversar comigo a qualquer hora.
diamantelouco@hotmail.com
Só não usem aquele baratinho que faz tremer a tela porque... ah... um saco.
De resto, pra quem achou que o post passado era algum tratado místico que eu invoquei do fundo da minha alma, eu explico (não deveria, mas enfim)
Eu tava ouvindo Heart Shaped Box do Nirvana e senti vontade de colocar a primeira frase da música no blog.
Porque?
Bem, é o meu blog e eu escrevo a porra da inutilidade que eu quiser.
De resto, o resto da música.
(aliás, o lance foi tão patético que eu até errei a letra. Não é "I´m awake" e sim "I´m weak". É que eu to acostumado com weak sendo pronunciado "uíqui", esqueci que pra fazer a música ficar bonitinha coisas do tipo "pronuncia" são jogadas no lixo e ele pronuncia "ueiqui")

She eyes me like a pisces when I am weak
I've been locked inside your Heart-Shaped box for weeks
I was drawn into your magnet tar pit trap
I wish I could eat your cancer when you turn black

Hey!
Wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice

Hey!
Wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice

Hey!
Wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice

Man eating orchids forgive no one just yet
Cut myself on Angel's Hair and baby's breath
Broken Hymen of your highness I'm left black
Throw down your umbilical noose so I can climb right back

Hey! Wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice
Hey! Wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice
Hey! Wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice
Your advice



She eyes me like a pisces when I am weak
I've been locked inside your Heart-Shaped box for weeks
I've been drawn into your magnet tar-pit trap
I wish I could eat your cancer when you turn black



Hey! Wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice
Hey! Wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice
Hey! Wait!
I've got a new complaint
Forever in debt to your priceless advice



Your advice
Your advice
Your advice

terça-feira, junho 14, 2005

segunda-feira, junho 13, 2005

É assim em todo lugar?

Sério. É só no Brasil que politica é tão complicada?
Ler o MSM (Mídia Sem Máscara) é dificil, porque, bem, temos lá verdadeiros representantes da direita idiota, mesmo tipo de gente que atua no PCO ou PSTU, só que do lado oposto.
Mas o engraçado é como eles se esforçam para fazer crer que vivemos (ou estamos perto de viver) em um regime socialista e, bem digo, quando a discussão passa a ser "mas afinal, vivemos no socialismo ou não?" significa que temos um caminho um tanto longo pela frente.
Os argumentos dos caras são os mais engraçados. Quando dizem que o PT faz alianças com bancários, atitude total capitalista, os caras respondem "ah, mas teve um banqueiro que ajudou a revolução russa" e eu pensando "WTF??!!!", os caras acham SINCERAMENTE que o Itau faz parte de uma conspiração pra gerar uma revolução socialista? Que merda é essa? Quem, em pura sã consciência, apareceria com uma teoria tão idiota? Céus, é o tipo de argumento que eu mais odeio no mundo, o que é tão idiota e abusrdo que perder tempo tentando responder faz VOCÊ parecer idiota. Digo, quer dizer que agora eu vou ter que perder tempo tentando convencer as pessoas que o Itau não é parte de uma conspiração socialista? O que é isso? Daqui a pouco eu vou ter que provar que Elvis não morreu!
Por outro lado, o país é tão paternalista que, em um momento de lapso de sanidade, é possivel afirmar que caminhamos em direção ao socialismo, só que, céus, fala sério, você já entrou num hospital/escola/whatever público? Não, o governo não é socialista que permite um ínfimo comércio para poder sobreviver. O governo é total capitalista que só "socializa" algo quando tem máfia envolvida. Sim, o governo pega 1/3 da grana geral de impostos, mas a corrupção é tanta que... ah... "mas Rodrigo, na Russia rolava corrupção adoidado também", sim, mas, diferente do Brasil, o sistema não foi construido com o único propósito de ser corrompido. O Brasil tem uma estrutura política pensada puramente na roubalheira, a Russia era o contrário, eles pensavam tão pouco em roubalheira que tornou o ator de roubar o governo algo completamente fácil.
Enfim, chega, eu juro que vou parar de pensar em politica, sério, a única pergunta que eu tenho a fazer é se o Brasil é o único lugar que se tem que lidar com idiotas como os do MSM?
Só um ultimo detalhe, o Olavo de Carvalho disse que o problema da direita brasileira é que se abstém de dar sua opinião sobre assuntos como aborto e casamento gay e como esses assuntos são dominio da "esquerda dominante" e o que eu tenho a dizer é "aham, ok, você já tomou seu remediozinho hoje?"

domingo, junho 12, 2005

The eletric tits.

Isso ta sendo tema no Jesus Me Chicotea e num dos wunderblogs (sei lá qual, pra mim são todos iguais), mas acho bom que parece que as pessoas finalmente se cançaram dessa palhaçada ridicula de governo cagando dinheiro pra cineasta e escritor fazer suas besteiras. Não que filmes e livros sejam besteiras, muito pelo contrário, mas como Marco Aurélio bem disse "estão querendo dizer que escrever livros é tão importante quanto plantar batatas! SÓ QUE NÃO É!" e, de fato, não é. Eu me decidi há um tempo que quando for gente grnade, vou querer ser escritor, mas pelo jeito é bom ir pensando em ser açougueiro ou coisa parecida, porque eu já me sinto culpado fazendo um curso de roteiro pela prefeitura de Santo André. Ainda mais pegar dinheiro de governo federal, estadual e o caralho a quatro pra fazer um filme.
Meus fanzines funcionam assim:
Eu escrevo.
O Cunha desenha.
O bom moço da gráfica xeroca.
Nós pagamos.
Nós viajamos até eventos em São Paulo.
Nós vendemos.
Com o lucro, nós geralmente compramos uma coca-cola e um cachorro quente.
O dia que eu tomar vergonha na cara e começar a escrever contos e romances, provavelmente será nesse estilo.
Com filme é mais complicado, mas com a boa vontade de um grupo de pessoas, dá pra fazer vídeos nesse esquema.
Teatro então, nem se fala, não precisa nem de palco, teatro de rua é o que há.
Exigir dinheiro publico para a tal chamada "cultura" quando as pessoas morrem de fome durante uma guerra civil onde os feridos não têm hospitais é um absurdo. É, no mínimo, uma monstruosidade. Eu até tava escrevendo um roteiro sobre isso (o Cunha teve uma preview das primeiras 5 páginas, éééé essa a vantagem de ser meu amigo, vocês tem acesso a minhas maravilhosas e exuberantes obras de arte sem nem mesmo querer. Eu simplesmente enfio meus roteiros goela abaixo dele e ele TEM que ler, senão eu vou ficar triste e é um saco me aguentar chorando), enfim, não sei se vou continuar esse roteiro, no que ele ta um pouco clichê demais, mas talvez eu continue, porque o que pra mim, pro Marco Aurélio e pra seiláquem do wunderblog é óbvio, eu chego nas minhas aulas de roteiro e o dá pena porque tem um pessoal que ta sinceramente fazendo projeto de pegar grana do governo achando que vai dar resultado, que o filminho dele vai, por algum motivo bizarro, mudar a situação. Eu concordo que filmes podem despertar um ideal nas pessoas, só que, sinceramente, é o que eu disse do Chico Buarque no post passado, embora tenha pessoas que indubtavelmente abram os olhos graças a música, a grande maioria permanece alienada ouvindo exatamente as mesmas músicas que você. Com filme é a mesma coisa. Você vai tocar 1% do seu publico do filme e provavelmente será alguém que já tinha os mesmos ideais antes, boa sorte fazendo seu festivalzinho de cinema e, por acaso, entrar um favelado lá que chorará ao ver suas belissimas e fortes cenas. Desculpa, não acontece assim, uma hora e meia das melhores cenas que sejam não despertam uma pessoa. Eu costumo dizer que foi "The Wall" do Pink Floyd que me despertou, mas antes de The Wall já haviam acontecido várias coisas na minha vida que estavam me levando a questionar o mundo e esse papo todo. Claro que obras de arte impulsionam você, mas elas te impulsionam numa direção que você já está tomando de qualquer forma. Mas o que te leva a essa direção em primeirissimo lugar? Bom, esse é um mistério. Sinceramente, uma vez eu era que nem esses cineastas que achavam que as pessoas não despertavam por falta de oportunidade, mas aí o jack me disse "Comedy, olha quanta gente tem internet e continua idiota" e, porra, é verdade, entra no orkut e vê quanta gente imbecil. A internet disponibiliza arte pra todo mundo ver e ouvir a hora que bem entende e mesmo assim, as pessoas tiram proveito nulo daquilo, então não sei se tem explicação, talvez seja uma coisa mais freudiana ou simplesmente as pessoas nasçam diferentes e ponto. Se eu continuar meu roteiro criticando os cineastas nacionais e, se ele for feito, dificilmente esses cineastas deixarão de pegar grana do governo por que viram um filme os criticando. Repetindo, não funciona assim, Diogo Mainardi faz sucesso porque ele fala exatamente aquilo que as pessoas querem ouvir, mas não tinham vergonha de falar elas mesmas por ser "politicamente incorreto" (ou "politicamente atrasado em 270 anos"), assim como um motivo que o movimento Hippie caiu por que a maioria das pessoas não levavam a filosofia do estilo de vida a sério. Elas simplesmente precisavam de alguém pra dizer que sexo e drogas era legal, alguém disse, então elas seguiram. Não que elas não achavam isso antes, mas precisavam de alguém pra dizer, assim "autorizando".
A vida funciona assim, nós fazemos o que bem entendemos e pensamos com os mesmos preconceitos de sempre, só precisamos de alguém que "confirme", ver o Marco Aurélio falando algo que eu pensava "confirmou" meu roteiro e portanto eu vou ficar mais tranquilo o fazendo.
A conclusão desse post. Não sei, sinceramente, é um assunto o qual eu ainda penso muito. Eu gosto muito de Nietzsche no que ele fala que a palavra dele não é pra todos e eu acredito que é esse o sentimento que eu devo ter, contar minhas histórias sabendo que pouquissimas pessoas vão tirar daquilo o que eu quero que elas tirem. Mas ainda fica aquele sentimentozinho que não morreu com a década de 70 que "rock n roll is gonna save the world". Bem, não vai e nem deve, o mundo deve salvar a si mesmo quando estiver pronto, o lance por enquanto, é continuarmos a alegrar aqueles que se indentificam conosco.

Perseguindo o coelho branco

Antes eu era desiludido.
Aí eu fiquei romântico.
Então eu fiquei tarado.
E hoje eu sou violento.
E como toda pessoa violenta, eu só sou um covarde esperando que alguém veja meu interior sensível.
Só avisando pra tomar cuidado, pois ao procurar pelo meu interior, você pode ganhar um belo soco, que graças aos meus braços fininhos não fazerão muito efeito, mas eu ainda sou ótimo em ofender as pessoas. Ossos quebrados por paus e pedras são fichinha perto das minhas palavras. Que fique avisado.
Se bem que eu devia parar com isso, porque o clichê "fala o que quer, ouve o que não quer" já se repetiu incrivelmente tantas vezes na minha vida que eu poderia sim ser mais bem educado com os outros seres humanos ao meu redor, mas assim como meu lado pessimista/romântico/tarado, o meu lado violento surge antes que eu possa racionalizar a situação. Então é isso, eu sou gostoso, inteligente, atencioso, esse lance todo, o lado ruim é que eu surto. É como se eu me transformasse em uma besta horrenda e cruel ou em mulher. Sim, esse homem perfeito não vem de graça.
Eu tenho absoluto 0 autocontrole e sim, eu continuo queimando meu próprio filme que é pra você saber o que lhe espera se decidir me dar uma chance.

Coisas que eu fiz tão raramente na minha vida que é possível considerar que eu nunca fiz.

Ouvir Chico Buarque:
Uma música lá ou cá, talvez, por acidente, mas num geral sempre me pareceu um moço bom demais. "Mas o que? Rodrigo, ele é super revoltado e tal", é eu sei, e por isso pra mim ele é um bom moço, ele foi super revoltado numa época em que todos imploravam que os artistas fossem revoltados e fizessem letras subliminares pra enganar a ditadura e tal. Talvez seja eu olhano para uma época que não vivi, mas a visão que eu tenho dos 60 é "ta vendo aquele cara que é contra o governo? Vamos ama-lo, pois ele salvará nossas vidas" e, depois que a ditadura caiu por seus próprios motivos, sem participação nenhuma de Chico ou de Caetano, as pessoas olham "ta vendo aquele cara que foi contra o governo? A ditadura não caiu um dia depois do que cairia normalmente por causa da sua música, ele é incrivelmente famoso e mesmo assim as pessoas são alienadas e idiotas, vamos ama-lo, pois, por algum motivo misterioso, ele foi importante naquela época do país". Então afinal, a intenção aqui não é falar de Chico Buarque porque eu não conheço sua música, mas é mostrar que ele sempre pareceu um padre pra mim que as pessoas mais incrivelmente puritanas amavam (não estou falando de você Lilith, só estou comentando que além de você, as pessoas tradicionalistas e aristocratas amam Chico Buarque), então a impressão que me dava era que, se eu ouvisse Chico Buarque, o passo seguinte seria completar o catecismo.

Ir Ao Teatro
Mais ou menos o mesmo motivo do acima. Todo mundo fala tão bem da impecável arte do teatro, que eu nunca me interessei por uma única peça, fui em uma ou duas só na minha vida inteira e nenhuma delas foi por iniciativa minha (uma foi com a escola e a outra foi um programa familiar), ir no cinema é um ato cotidiano e ninguém estufa o peito pra falar que foi (um motivo pelo qual vou pouquissimo ao centro cultural unibanco, que é sem dúvida o lugar que passa os filmes mais interessantes de São Paulo), já teatro é diferente, as pessoas não vão ao teatro 4 fun, a impressão que sempre me deu de pessoas que vão ao teatro é que elas não vão pela peça e sim pra contar para os outros que foram a peça (tipo show do Placebo), e bem, conhecer atores de teatro não me ajudou em nada. "O que? Ver ESSES idiotas no palco? Eu já não aguento eles quando eu posso ser mal-educado a vontade, ainda mais no palco, longe da minha fúria!". Mas no geral, é a mesma coisa da música do Chico Buarque, todo mundo se esforça tanto pra me explicar que teatro é socialmente importante, que é um veiculo de idéias revolucionarias e que pessoas legais e bonitas frequentam o teatro que eu nunca quis ir que é pra não correr o risco de me compararem com essa corja socialmente bonita.
Eu to correndo o risco nesse post de parecer aquela gente que se orgulha da burrice, o que não é verdade, eu procuro ler, me manter informado, esse tipo de coisa, não sou fã de Diogo Mainardi que se mantém alienado por ideologia, a questão é que eu não vejo como teatro faz uma pessoa ser mais inteligente do que cinema, assim como não entendo porque livro tem mais valor do que quadrinhos. Eu entendo que são artes diferentes com diferenças e que as pessoas se satisfazem, então eu leio quadrinhos porque acho a mistura perfeita entre imagens e palavras, eu leio livros pelo ritmo e "musicalidade" que alguns livros tem, saca? Quando você lê um livro e seus olhos dançam pelas letras, cinema eu gosto porque é a arte da edição, tem ritmo também, tem até trilha sonora, e os personagens estão lá, pouco se fodendo pra gente, simplesmente vivendo suas vidas para que nós possamos ver.
Agora, a visão que eu tenho do teatro é um monte de palhaços egocentricos tentando um aparecer mais que o outro em cima do palco, talvez essas peças que eu tenha ido ver eram realmente ruins (eu sei que "A farsa de inês pereira" foi horrível, o lance é se "Violetas na Janela" era ruim mesmo ou não, porque eu gostei do livro, apesar de ser livro espirita, ainda é um livro que eu gosto), mas a cena inicial de "Violetas...", onde a personagem principal morre, eu me segurei MUITO pra não dar risada, acho que era costume do cinema, mas eu achei tão ridiculo uma moça, sozinha, num quarto, começar a berrar "ai, minha cabeça, dói, minha cabeça, ai ai". No cinema, ela simplesmente se levantaria da cama, daria um grito, faria uma cara feia, colocaria a mão na cabeça e iria ao chão. Sem um escândalo. E aí a peça inteira era escândalo e, no que as pessoas sempre me disseram que "no teatro os atores tem que falar mais alto mesmo e fazer os gestos mais exagerados", a vontade de ir diminuia consideravelmente, porque na minha cabeça pelo menos, eu nunca vou conseguir me conectar com atuações exageradas e atores que interagem com a platéia, por mais que isso seja parte essencial do pós-modernismo, a quebra da quarta dimensão pra mim tem que ser especial e muito bem feita, como em Amelié Polan quando ela, de vez em quando só, dava uma piscadinha pra platéia. Era lindo, charmoso e não destoava da história. Agora, eu lembro de, mesmo numa peça séria como "Violetas...", a atriz, na pior atuação de uma bêbada que eu já tive o desgosto de ver, olha pra platéia e dá risada segurando o copo de "claramente guaraná, mas que deveria ser whisky". Mas, repetindo pela enésima vez, isso tudo é preconceito meu, eu deveria tomar vergonha na cara, ir ver peças boas e me livrar desse tipo de preconceito, o que provavelmente acontecerá com Avenida Droopsie, que eu só confio que será uma boa peça porque foi baseada na HQ de Will Eisner e ainda assim fica aquele sentimento de "transformaram uma HQ numa pecinha? Sacrilégio!"

Usar drogas
Esse não cai nem na categoria de "fiz tão raramente", porque eu nunca fiz.
E na verdade, o motivo tem mais ou menos a ver com os outros, a diferença é que tem menos nexo ainda.
Apesar de eu não ver o porquê, eu até entendo porque as pessoas acham Chico Buarque e teatro socialmente saudáveis, mas... fumar maconha...?
Céus, fumar maconha por ideologia é de muitissimo longe a coisa mais imbecil que uma pessoa pode fazer na vida.
Fumar 4fun deve ser divertido (digo, o pessoal passa a dar risada sem motivo, se isso não é diversão, não sei o que é) e tal, mas... fumar por ideologia? Qualé?
Vou dizer agora algo que eu li no cocadaboa faz um ano e meio ou algo assim...
O cara deixa de comer no McDonald´s porque consegue imaginar centavos de dólar se convertendo no novo iate do CEO que converterá em impostos para o bush comprar uma arma e fazer guerra lá no Iraque, mas continua fumando maconha sem ver 75% dessa grana virando uma arma comprada no morro ao seu lado usada para assalta-lo no dia seguinte.
E sim, esse é um motivo que eu não uso drogas, pra mim o tráfico é um comércio que nem qualquer outro e como eu não concordo com as consequencias desse comércio, não o incentivarei. O que aliás, é minha mensagem pra qualquer universitario que acha que tem na palma da mão a solução pro fim da criminalidade, acabar com o tráfico não acabará com a pobreza que, afinal, é o que incentiva a criminalidade, mas com certeza acaba com a compra de fuzis e granadas e, repetindo, tráfico de drogas é um comércio, PAREM DE COMPRAR E A PORRA DO COMÉRCIO ACABA. Eu sei que o pessoal do Allan Sieber odeia que chamem os drogados de incentivadores do tráfico, mas há de se convir que, se não é o cliente que incentiva um comércio, eu não sei quem é.
Eu não vejo usuarios de drogas como monstrinhos deprimidos que usam drogas para substituir a ausência dos pais ou qualquer besteira sem sentido desse tipo que tentam enfiar na sua cabeça durante o colégio, as pessoas usam drogas para se divertir e usam ideologia para se isentarem da culpa de que estão incentivando uma guerra civil, e claro, eu falo isso e vem a desculpa HIPER clássica "mas eu nunca comprei, eu só pego dos outros quando eles me oferecem". Eu acho engraçado que ninguém nunca comprou, que existe uma pessoa em todo o Estado de São Paulo que compra toneladas de cocaína por dia e empresta pra todo mundo, qualé gente? Quer usar drogas, a vontade, mas admitam que estão incentivando um mal e não me venham com essa de "faço isso pra ir contra o sistema" ou "fumo maconha porque é natural" porque eu nunca vi maconheiro plantar árvore.

sábado, junho 11, 2005

Noitão

É preciso um certo preparo psicológico pra varar a noite no cinema, três bons filmes, assisti-los 20 horas depois de ter acordado não ajuda, mas um fato interessante no segundo e terceiro filme foi que eu tava pescando e cochilando até algo acontecer no filme que pegava minha atenção e de repente eu passava a prestar atenção. Pois bem, uma resenha bunitchinha dos três filmes com o tema "Odeio Dia Dos Namorados"
PS: O Noitão do Cine Belas Artes funciona assim, um filme começa a meia-noite e após ele são 20 minutos de intervalo, então vem outro e + 20 minutos e então vem o filme surpresa, não divulgado anteriormante qual é.

A Vida Secreta dos Dentistas
Dirigido por Alan Rudolph baseado na obra "The Age of Grief" de Jane Smiley, "A Vida Secreta dos Dentistas" conta a história de um casal, que são dentistas e com três filhas pequenas (uma particularmente irritante).
O filme gira em torno do fato de que é clarissimo de que há algo errado neste casamento e de que uma traição esteja sendo feita, entretanto, o casal (e nosso instinto de happy end movies) se recusa a confrontar essa realidade.
O filme muito bem atuado por dois atores aparentemente conhecidos e respeitados na Inglaterra (porém desconhecidos pra mim) tem uma das edições mais criativas que eu já vi no cinema que se utiliza de cortes rápidos e flashbacks sem "anúncio" e, diferente de muitos filmes, o faz de forma eficiente.
Enfim. Campbell Scott que faz David Hurst é um dentista, comum, que tem motivos de sobra para acreditar de que sua mulher o esteja traindo nos primeiros 15 minutos de filme. Um dos maiores desafios de se escrever um roteiro de cinema é dizer o que um personagem sente de uma forma que não seja idiota, dificilmente um filme bom vai por um ator parado na tela com uma voz em off dizendo "devo chutar essa vagabunda", então ele utiliza o recurso do diabinho em cima do ombro, no caso, o diabinho é um trompetista irritante quem ele havia atendido e cabe a esse trompetista (interpretado por um sósia do Willem Dafora chamado Denis Leary).
A questão todo do filme é que o personagem tem uma vida idiota sendo dentista de dia e pai de três pequenos monstrinhos psicóticos a noite, a suspeita da traição o faz surtar um pouco, mas de forma realista, ele realmente age como se estivesse em depressão, ele tem pensamentos loucos, mas muito raramente dá atenção a eles. A esposa interpretada por Hope Davis age como uma esposa que trai o marido, ela não é fria, violenta, de nenhuma forma um monstro, ela simplesmente vive chegando tarde em casa e esse tipo de coisa, embora, ela claramente não goste muito de cuidar das crianças, não que o esposo goste, mas acaba sobrando pra ele e, apesar de todas as dúvidas e surtos, o filme é muito eficiente em mostrar que muito raramente ele desconta nas filhas as frustrações do dia e, por pior que as coisas estejam, ele ainda age como um pai bem exemplar.
Enfim, é um filme sobre relacionamentos e sobre como as pessoas agem (ou não agem) diante das dificuldades da vida. Muito bom.

Fome De Viver
Trash clássico de 1983 baseado no livro homônimo de Whitley Striber mostra a história de Miriam Blaybock, interpretada por Catherine Denevue (famosa na França, desconhecida por mim) e seu marido John (interpretado pelo homem mais cool do mundo: David Bowie) que apesar de serem famosos entre a aristocracia, eles são bem perversos e encaram orgias sangrentas com naturalidade. No meio disso tudo está Sarah Roberts, interpretada por Susan Saradon, (a Louise de Thelma e Louise) que é uma médica investigando envelhecimento precoce que entra na história no que John começa estranhamente a envelhecer de forma absurdamente rápida.
É provavelmente o filme mais cool do mundo, tem sexo e lésbicas o tempo todos, tem macacos assassinos que fazem barulhos estranhos e se atacam sem motivo aparente, tem mortos-vivos se levantando dos caixões para atacar uma vitima e tem um final que não faz nenhum sentido, mas que foi posto lá por exigência do estúdio que planejava uma continuação (sim, aos que não curtiram o final, aí está a explicação).
Não dá pra dizer mais da história sem entrega-lo, o lance é que a primeira meia hora do filme é formada por cenas aparentemente aleatórias de sexo e violência, mais pra frente o filme vai se acalmando e se preocupa em contar a história, mas é preciso ir preparado pra ver um filme desse, sabendo que você vai passar um bom tempo apreciando imagens pelo seu puro valor estético e nem tanto porque elas contam algo. O ritmo frenético não é algo que eu faria, não que seja ruim, mas ele faz aquela coisa típica de filme cult que é testar o público, é tipo "sim, eu sei que esse é um filme dificil de ver e eu vou fazê-lo mais dificil ainda para apenas os verdadeiros amantes da arte", então, até a meia hora final, o filme não se esforça quase nada em explicar o que está acontecendo, as pessoas estão simplesmente morrendo, trepando e envelhecendo, o que deve ter sido um tanto mal recebido em 1983, pois não houve a tal continuação e acho que o lance do filme não ter sido bem aceito não foi nem moralismo por causa da nudez e sangue constante, mas sim o fato de que ele é dificil de ver, ele se esforça pra isso e pode ser realmente cansativo algumas horas, embora seja esteticamente belissimo, a história demora para começar a tomar uma direção.
Dirigido por Tony Scott de Enemy of the State e Spy Games.

Coração Selvagem
Nunca estive no cinema vendo um filme ser aplaudido e, possivelmente o cansaço por ser 4 e meia da manhã que provocava os aplausos, mas a verdade é que essa comédia estranhissima de David Lynch (Veludo Azul) que satiriza os filmes de adolescente rebelde da década de 50/60 é uma das coisas mais absurdas e engraçadas que pode se esperar ver nesse tipo de paródia.
Os clichês levados ao extremo somado a algumas estranhices sem motivo de David Lynch fazia um filme tão absurdo que no final, ele foi aplaudido por três cenas quase seguidas, tamanha a besteira que é o filme, e besteira no bom sentido, porque é uma paródia e a moral da paródia é dizer "gente, esse tipo de filme é ridiculo, deixa eu te mostrar".
O filme é de 1990 e é interpretado por um jovem Nicholas Cage que está absurdamente engraçado, especialmente porque atua da melhor forma possível pra uma paródia: de forma séria.
Nada é mais engraçado do que um ator conhecido dizendo coisas ridiculas (como a HIPER-CLÁSSICA "essa é minha jaqueta de couro de cobra, ela representa minha individualidade e crença na liberdade pessoal") com um rosto sério. E as poses de atorzinho de filme de ação que ele faz também são maravilhosas, a forma como, após espancar (e um puta espancamento) um assassino, ele aponta para a mandante do assassinato como se dizendo "você é a próxima", é impagavel.
O filme conta uma história de amor entre Sailor Ripley (Cage) e Lula (Laura Dern, de vários filmes que vimos em algum lugar, mas não lembramos onde, o mais recente que eu conheço é "I am Sam") que fogem pelo país enquanto são perseguidos por assassinos contratados por sua mãe (Diane Ladd que fez um monte de filmes ingleses que eu não conheço).
O filme é absurdo, é uma comédia, o pessoal viu o nome do David Lynch na tela (repetindo, esse foi o filme surpresa) e ficou esperando (assim como eu) algo sério, profundo e filosófico, ao invés disso o que acontece é uma descarada comédia absurda mostrando esse casal cruzando o país da forma mais clichê possível.
Os personagens são completamente psicóticos, Lula é viciada em Magico de Oz, teve uma infância fodida (literalmente) e, nas palavras de Sailor, tem um pensamento que é "um mistério de Deus" (uma fala que gerou muita risada após sei lá que comentário nonsense ela fez pra variar).
Sailor Ripley é O cara.
Vence todas as brigas, incansavel na cama, carinhoso, compreensivo, começou a fumar com 4 anos e não teve aconselhamento parental. Defende Lula mesmo que ela seja uma psicótica retardada e é bonzinho, mesmo sendo bad boy.
É um filme que se apóia bem mais nas piadas engraçadissimas do que na história que, não fosse uma paródia, seria um clichê. Vale a pena para quem curte um humor estranho e doente.

E pra terminar, uma dos mestres que tem tudo a ver com "Odeio dia dos namorados"
Pink Floyd - One Of My Turns
Day after day,
Our love turns gray,
Like the skin on a dying man.
And night after night,
We pretend it’s all right,
But I have grown older,
And you have grown colder,
And nothing is very much fun, anymore.
And I can feel,
One of all my turns coming on.
I feel,
Cold as a razor blade,
Tight as a tourniquet,
Dry as a funeral drum.

Run to the bedroom,
In the suitcase on the left,
You’ll find my favorite axe.
Don’t look so frightened,
This is just a passing phase,
One of my bad days.
Would you like to watch tv?
Or get between the sheets?
Or contemplate a silent freeway?
Would you like something to eat?
Would you like to learn to fly? -- would ya?
Would you like to see me try?
Ooohh. no!
Would you like to call the cops?
Do you think it’s time I stopped?
Why are you running away?