quarta-feira, outubro 31, 2007

Playstaaaaaaaatiooon threeeeeeeeee *gruaaaaaaa*

Não, eu não ganhei o meu.
Só em janeiro. =/
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Mas tem coisas bem legais acontecendo nesse universo.
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Primeiro uma coisa bem chata.
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Metal Gear Solid 4 foi adiado DE NOVO pro segundo trimestre de 2008!
Argh! Eu lembro de um trailer de 2005 ou 2006 do MGS4, que mostrava um "coming soon 2008" então riscava o 2008 e escrevia no lugar "2007"
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O que isso queria dizer? Bem, todos estavam criticando a Konami porque o jogo ia demorar pra ser lançado, então eles fizeram essa piadinha dizendo "mortais incrédulos, eis que nossa super-equipe lançará o jogo em 2007" e o que aconteceu? Bem, eles tiveram que adiar pra Março de 2008 e agora o que aconteceu? Eles adiaram pra *além* de Março de 2008, ninguém sabe exatamente quando.
Argh.
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Abaixo vai o mega trailer de 15 minutos de MGS4 pra mostrar pra todo mundo quão incrivel obra de arte pode um jogo de videogame ser.
E assistir esse trailer até perdoa o quanto ele vem sido adiado (mas argh... seria tão bom se ele saísse agora em 2007 pra poder começar o ano com Metal Gear)

A grande pena desse trailer é estar em japonês. Existem legendas em inglês, mas a voz do Snake em inglês (feita por David Hayter - que também foi (um) roteirista dos filmes dos X-Men entre outros) é insuperável. O cara deve ser um dos melhores dubladores do mundo.



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Mas apesar disso, nossa, tem tantos jogos legais surgindo nesses meses.
Acho que nesses últimos meses do ano estão surgindo muito mais jogos impressionantes do que em toda a vida do Playstation 3 (que foi lançado no começo do ano).
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Abaixo as resenhas de Clive Baker's Jericho, Folklore e Heavenly Sword.
Mais abaixo ainda o trailer do que parece que será incrível Uncharted: Drake's Fortune.
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Divirtam-se. =)
Eu sei que eu irei se chegar o dia mítico em que eu terei dinheiro pra um playstation 3...
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Ah, o Gametrailers.com costuma ser bem malvado e rígido nas resenhas deles, mas é engraçado que eles mostram uma coisa e dizem "isso é uma droga" e não muda o fato que eu ainda estou babando.
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Clive Baker's Jericho



Ok, sobre essa resenha.
Eles jogaram o jogo e eu não, mas eu desconfio que, embora a história não seja assustadora... sei lá, eu fico com medo só assistindo esses vídeos, imagino que jogar ele na sala com as luzes apagadas deve ser absurdo.
O que ele critica é que os personagens nunca parecem assustados, mas oras, eles são paranormais especializados nisso mesmo, a questão é que ele parece que deixa o jogador assustador e a resenha não menciona se o jogador fica com medo ou não.
(Nenhum personagem de Resident Evil nunca me pareceu com medo...)

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Heavenly Sword



Essa resenha tem algo de engraçado no fato que o sujeito fica o vídeo todo falando bem do jogo pra no final dar uma nota relativamente baixa...
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Folklore



De todos esses jogos Folklore é o que tem mais me atraído.
Dados os jogos que vão estar a venda em Janeiro e dado que eu provavelmente só vou poder comprar um jogo junto com o videogame, vai ser difícil escolher entre esse, Uncharted e Assassin's Creed (que eu não coloco vídeo aqui porque ainda não tem resenha e nem "trailer oficial")
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E enfim!
O trailer de Uncharted: Drake's Fortune.



Eu passei meses vendo imagens desse jogo sem me impressionar, então eu comecei a ver vídeos e - minha nossa - a atuação dos dubladores, o ambiente, a história, a ação rápida e constante; esse jogo vai ter de tudo.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Fotologgers celebridades

Estava lendo o engraçadissimo blog "anti fotologger" e pensando em algo a dizer a respeito.
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Não queria entrar nessa coisa tosca de "sou contra" ou "sou a favor" ou "deixa eles fazerem o que quiserem" ou "essa gente é burra" que, afinal, tudo que acontece no mundo dos humanos gera esse tipo de postura.

Mas só pra dizer algo, acho que o acaba *machucando* nos blogueiros que esses fotologgers virem celebridades é porque a internet teve três fases que passaram muito rápido. (e isso eu pensei lendo o textinho da rebs no alcool com açucar impresso)
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Primeiro, só os nerds tinham internet e só falavam sobre videogame e RPG (eu até gostava dessa época), então pessoas com de fato algo a dizer tiveram acesso e criaram blogs e começaram a escrever coisas, eis que a internet estava *começando* a se tornar quase que um platônico mundo das idéias. Era um lugar sem aparência (pouquissimas fotos que tinham que ser *escaneadas* - vídeo então nem sonhando), onde as pessoas expunham suas idéias, não era o mundo das idéias essenciais e certas por definição, mas enfim, era um lugar formado pela linguagem.
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Antes que isso pudesse de fato se concretizar, em termos de pouquissimos anos, as maquinas fotográficas digitais se tornaram populares e então, bem... a internet ficou tão enfadonha quanto a vida real.
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Mas não foi só isso que aconteceu; teve alguma mudança de valores em relação a internet também.
O que aconteceu foi uma gradual ligação da internet com o mundo fora dela.
Fazer a analisezinha histórica tosca de novo.
Antes era uma coisa de nerds e seus mundos imaginários, então foi para o mundo das angústias internas, dos debates políticos, dos textos de opinião sobre assunto X e já não é o mundo imaginário, mas também não é o dia a dia, quando "se tornar popular na internet" se transformou em "se tornar popular na vida real", uma linha bem vital foi apagada. Quando "se tornar popular no colégio" se traduziu em "ter um fotolog que o pessoal do colégio gosta de ver", eis que a porta se abriu para que os *vícios* do mundo real contaminassem a internet.
O resto é detalhe.
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Que tipo de coisa é detalhe?
Bem, o fato das marimoons e suas cópias, das pessoas se dizerem bissexuais, tirarem fotos com vinte pessoas se beijando ao mesmo tempo, tudo isso é detalhe, vai por mim.
Poderiam ser pessoas lotando a internet com imagens de santo ou com fotos da igreja que frequenta. Poderiam ser hordas de adolescentes que ao invés de gritar "bissexualidade" grita, sei lá, "sorvete", isso tudo é detalhe.
Poderia até nem ser imagem. Essa gente poderia estar lotando a internet com poesias, com receitas de bolos, com manuais sobre "como ser hacker".
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Os valores exatamente que essas pessoas abraçam indiferem, nem elas sabem direito o que são.
O importante, na minha opinião, é a linha que se apagou entre a internet e o colégio e a consequência lógica disso; a internet se tornando uma imensa high school.
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O problema disso é que aconteceu dessa "entidade" chamada adolescente deixar de ser uma faixa etária e englobar tudo. Não há mais idade para ser um adolescente, é mais uma questão de atitude mesmo; se você age de maneira X você é um adolescente, quer tenha 12 ou 30 anos.
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E o que *dói* nas pessoas é essa inversão do platônismo.
Nesse caso, a Marimoon é MESMO marxista.
Porque de acordo com Platão, o mundo material era uma cópia tosca do mundo das idéias, já o marxismo diz o contrário, que são as idéias que copiam o mundo material.
Marimoon faz exatamente isso, ela pegou o apartamento dela, as roupas dela, a faculdade cara dela, tudo isso e transportou pro mundo das idéias e tendo ela dinheiro e sendo isso algo dependente de tecnologia, o que aconteceu foi ela ter comprado a primeira cadeirinha desse mundo que logo se tornaria barato e logo estaria populado por cada vez mais adolescentes.
Ou seja, é um mundo onde você pega suas coisas materiais (principalmente seu corpo porque é a coisa material que você tem acesso mais direto) e transforma em idéia.
É por isso que fotologs tendem a ser iguais, ele é simplesmente *empírico* demais e o mundo empírico se esgota rápido demais.
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Então começa com "meu rosto", aí passa pra "meu corpo", então "minha roupa", aí "meu cabelo", então "minha pose" e logo vai se esgotando as possibilidades, afinal, é enfadonhamente parecido com o mundo real.
Então mais uma vez a marimoon se torna o marxismo personalizado.
Ela não consegue separar o material da idéia, mas quer que a idéia pareça algo maior que o material, então o mundo das idéias se torna uma cópia tosca e exagerada do mundo real.
Se fossem cristãos ao invés de "liberados sexuais", estariam então tirando fotos de ângulos inesperados de suas igrejas, estariam photoshopando imagens próprias para parecerem mais angelicais, mais puros, estariam logo apagando suas genitais com o photoshop para parecerem mais perfeitos do que realmente são.
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Mas sendo como são, fazem o que fazem; não gosto de materialismo exatamente porque o material se esgota rápido demais e como a Marimoon é marxista e materialista, o material dela se esgotou rápido demais, então ela precisa liberar de vez em quando um pouco de nudez, precisa de uma pose nova, precisa de uma foto diferente. Mas oras, quantas vezes uma pessoa pode ser fotografada de maneira diferente?
Os fotologgers tentaram, afinal, transformar a internet em um elogio a si próprios, elogios pomposos que, como os bons elogios, são maiores que a vida. É óbvio que o resultado ficaria ridiculo. Quem não dá risada do glutão que se gaba do seu auto-controle?
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Isso é ideologia, caros. É a idealização do material.
Marimoon como boa marxista e burguesa só faz o que marx diz que os burgueses fazem.
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Nada de novo. Só mais colorido.
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Quanto as pessoas que se incomodam com isso.
Bem, é triste que o nosso mundinho das idéias tenha sido invadido pela vulgaridade e mediocridade da realidade, mas isso era inevitável. Então que ajamos como fazemos na realidade.
Deixe os medíocres com seu gregarismo. Sou elitista lá, serei elitista aqui.
Existe um ressentimento por essa impressão que perdemos nosso espaço para algo mais tosco.
E de fato, isso aconteceu, mas não é a primeira vez e ressentimento é uma coisa ruim, tem algumas vezes naquele anti-fotologger que a pessoa que escreve sacrifica a inteligência em prol desse ressentimento.
É fácil nesse post apontar alguma ou outra frase que diz "você só está tristonho porque dão atenção pra essas pessoas e não pra você" e eu não vou fingir que isso não machuca. Internet costumava ser um espaço onde era fácil ser reconhecido pela sua inteligência, coisa que não acontecia no mundo real, agora se tornou difícil de novo. É uma repetição do colégio. Você faz textos lindos, mas a única pessoa que elogia é a professora, mas as 50 pessoas ao seu redor se dividem entre te ignorar e te achar um imbecil por ser diferente.
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Mas digo isso por mim. Doeu ser diferente no colégio, ainda dói; doeu ver pessoas estúpidas ganhando atenção sendo óbvias, ainda dói; mas passa. Daqui a pouquinho vou pra sala pegar meu Kant e estudar. Afinal, elitismo se torna sobrevivência, as pessoas vão sempre preferir os óbvios; a internet nos deu uma ilusão de mudança, mas a internet é tão mundo quanto o mundo encarado pela tela do computador, era inevítavel que a mediocridade se tornasse lei mais cedo ou mais tarde.
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Ainda dói.
Mas ainda existe aquela coisinha, de se olhar no espelho e dizer, *realmente dizer*, sem ser uma auto-afirmação vazia, que sua dignidade está mantida; que seu centímetro está preservado.
E dói. Mas faz um bem.

Coração

Coração... porque parece tão cansado de bater?
Tão desesperado, parece que está nas últimas.
Bate bate sem parar coração, eu me pergunto
Como poderia não estar cansado?
Bate sem propósito
Bate sem pensar
Bate sem objetivo
Coração
Essa vida que você mantém
Ela vale a pena?
Descanse um pouco, coração.
Pode parar.
Pode se deitar e ficar em paz.
Essa vida que você garante, coração...
Ela não sente assim tanto prazer em ser vivida.
Essa existência que você perpétua, coração...
Ela não vê sentido em si própria.
Pode parar, doce coração.
Tão fiel, tão leal.
Tanto trabalho.
Não queria desmerecê-lo, mas é inevitável.
Pode parar.
Admiro seu esforço.
Sempre batendo.
Toda hora.
Todo dia.
Pobre coração.
Doce coração.
Amado coração.
Eu sei que você se esforça.
Eu sei que você quer.
Afirmar a vida não é fácil.
E você o faz tão orgulhosamente.
Tão sem razões.
E ainda por cima, nem é a própria vida que você sustenta.
É uma vida que não faz tanta questão assim.
É uma vida que se sente indigna do seu esforço.
Pode parar, coração.
Você fez sua parte, eu que não fiz a minha.
Obrigado.
Pode parar.

sábado, outubro 20, 2007

Algo sobre a realidade

Oh, a distância entre nós e a realidade.
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Existe, entre nós e a realidade como ela realmente é, a intransponível barreira do sujeito que a observa. Desse ser por detrás dos nossos olhos que só capta uma informaçãozinha aqui e ali sobre essa realidade.
Toda a realidade acaba por se resumir a sinais elétricos no cérebro... não é possível que alguma informação não se perca nessa transformação. Não é possível que algo não seja transformado e, ao invés de ser belamente transformado em dados pelo nosso corpo, simplesmente nos atinja como um trem, direto no coração, nos deixando atordoado e confusos... ou ainda que não nos atinja e continua aí, a ajudar a mover o universo, livre do fardo de ser estudado por humanos.
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E quanto àquilo que conseguimos pegar da realidade? E quanto daquilo que entra em nossos olhos e nossa pele e se faz perceber? Ainda isso tem que se organizar de acordo com nossa mente. Tem que ocupar seu lugarzinho no espaço e no tempo, tem que ter uma substância, tem que ser nomeável, tem que ser formado por universais, tem que se distinguir do todo ainda fazendo parte dele, tem que ter uma unidade própria. Regrinhas e regrinhas de nossa mente para fazer uma realidade quadrada caber em um buraco redondo. É só aparar umas arestras.
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E depois que aquilo faz parte do nosso mundo percebido? Depois que ele se adequa a todas as regrinhas? Ainda resta a barreira da nossa razão e nossa razão precisa se adequar as regras dos nossos preconceitos.
É preciso que aquela coisa seja boa ou má ou gostosa ou ruim ou benéfica ou nociva ou vinda de Deus ou vinda da exploração ou vinda do mercado ou aqui pra isso ou praquilo.
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E se tirarmos os preconceitos da razão? Ah, ainda sobra a ciência... é preciso dissecar, cortar, olhar no microscópio, então em um microscópio mais potente, então em outro mais potente ainda, é preciso decidir se está olhando com olhos da física ou da química e é sempre preciso olhar mais perto, sempre mais perto e nunca chega ao fim, tem sempre uma pecinha menor, sempre um pedacinho após a divisão, sempre alguma quantidadezinha de energia errática que ainda está lá, é preciso olhar mais de perto e mais de perto.
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E depois que olhamos de perto o bastante? É preciso aprender a falar, para traduzir aquilo que vimos em conceitos para nós mesmos. E temos uma linguagem limitada, temos uma meia dúzia de palavras para descrever uma infinidade de coisas e modificamos essas palavras a nosso bel prazer, damos a elas significados novos, ressucitamos significados antigos, às vezes estamos por demais no senso comum, às vezes somos demasiados técnicos, estamos vendo, mas precisamos entender, então precisamos escrever em um caderninho, mais regrinhas da realidade, mais transformações, mais informação perdida, mais informação ignorada.
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E depois que escrevemos? Oras bolas, é preciso que os outros entendam! É preciso que dentro da cabeça deles, de alguma forma, a palavra que você usou para si próprio (e que já foi um bocado díficil definir para si próprio) tenha o mesmo sentido, é preciso que se comuniquem, é preciso que o que você tenha visto ele também veja, é preciso conciliar opiniões, pontos de vista, preconceitos, problemas de visão, mais informação perdida, mais um tanto da realidade que fica pra trás.
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Muito complicada essa história de realidade.
Prefiro minhas historinhas de amor.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Meh

Só estou com vontade de escrever e não consigo pensar em nada específico.
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O Universo HQ publicou uma resenha da segunda edição do Eterno sem que eu tenha sequer visto o gibizinho em mãos! =D
Pra quem não sabe (e quem não sabe provavelmente é só umas duas leitoras novas que eu tenho porque esse blog é tão imensamente popular que eu consigo de fato acompanhar quem está ou não atualizado sobre minha vida), Eterno é um história que eu escrevi e que está sendo desenhada por Felipe Cunha.
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Enfim, eu acho que é a melhor história que já vi em fanzines na minha vida assim como eu acho que sou um dos grandes escritores de nossa geração, mas também acredito que irei morrer pobre e falido e que alguma pessoa bem menos talentosa que eu, mas mais "humilde" e com mais amigos vai garfar todos os HQ Mixs de 2008 que eu deveria receber.
MAS EU LIGO?
Claro que não.
Faz bem pro caráter.
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Mas falando sério, eu acho que a história está boa mesmo e se as pessoas estão gostando dela agora - na segunda edição - eu nem consigo prever a reação delas nas próximas edições, porque coisas incrivelmente fodidas acontecem.
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Eu queria colocar no gibi algum textinho filosófico que explicaria um pouco do pano de fundo das coisas que acontecem na história, mas a rebs não gostou da idéia, então eu deixei pra lá.
Dito isso, acho que farei isso nesse blog.
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Então la la la, deixa eu pegar o Eterno #1, ver do que se trata e fazer um texto a respeito. (que só vai fazer algum sentido pra quem leu o treco)
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Bom, eu não to achando nenhuam cópia aqui, então eu vou pegar pelo roteiro, que talvez esteja um pouco diferente do gibi.
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Sobre a parte 1 - Vida Pequena

Por mais que pensemos que vivemos em uma época sem valores, a verdade é que sempre no fundo de tudo que é dito publicamente ou considerado "bom", está o ideal da democracia, a saber, igualdade, liberdade e fraternidade.
É claro, que essas palavras tem significados dos mais variados dependendo da sua filiação política, mas é sempre igualdade, liberdade e fraternidade e quem quer ser uma pessoa "boa" é preciso utilizar essas três coisas, estuprando o significado das palavras o quanto quiser, mas utilizando as três palavras.
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O que isso tem a ver com nosso herói?
Bem, nosso herói logo de cara propõe algo que é muito comum de ser visto em conversas de boteco, mas que nunca chega a ser falado em debates.
É um tema muito antigo, que acabou sendo considerado incoerente com os ideais democráticos, ou seja, que algumas pessoas aproveitam melhor a vida e que outras a desperdiçam.
Como nada que é sólido se desmancha completamente, esse não é um tema assim tão polêmico, mas ainda assim, alguém declarar que a vida dos outros é estúpida ou um desperdício é algo simplesmente elitista demais para ser considerado pra valer.
Nossa sociedade, que ainda bem abraça a liberdade de expressão, aceita que expressemos nosso elitismo, mas não há nada direcionado a uma "melhoria do homem".
Fato, o propósito da vida não é ser um "homem bom" ou um "homem sábio", é só que embora essas coisas não sejam pressupostos da existência, não seria mau que elas aparecessem como valor; os valores, por sua vez, são algo do tipo "deixe eu pensar o que quiser, nenhum pensamento é errado; mas pague seus impostos, pois é sua função manter os outros vivos", eu prefereria que fosse o contrário, que tivessemos uma sociedade aberta ao debate (liberdade de expressão não é sinônimo de debate - obviamente, não existe debate sem liberdade de expressão, mas o contrário é o que eu vejo hoje), ou seja, uma sociedade aberta ao "apontar o dedo e chamar de burro" e que em relação as coisas materiais imperasse o "cada um cada um", mas né...
Enfim, nosso herói reconhece a pequenez dos outros e quer evitar isso, ao mesmo tempo, o que ele percebe de errado nos outros, não percebe em si próprio, se os outros desperdiçam a vida, ele sequer gosta da própria, acho que é uma maneira minha de dizer que embora, de fato, a vida cotidiana é imbecil e sem sentido, só perceber isso não faz a sua vida melhor, o passo seguinte ao "perceber que a vida é sem sentido" é de fato construir um sentido pra sua vida, se você não dá esse passo, só está desperdiçando a existência maneira mais consciente.
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Um dia talvez eu escreva sobre a Parte 2 (que na verdade é a primeira edição porque a parte 1 é a introdução e tal)

terça-feira, outubro 16, 2007

Argh
Terceiro texto gigante que eu apago hoje por estar escrevendo mal.
Minha mente hoje não está colaborando em nada.
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Ah vai, já que não consigo escrever.
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Angélica, bem se vê que você não manja de blogs, querida, porque sem e-mail eu não tenho como te responder, ou seja, tenho que falar com você via posts, o que acredito que seja uma ofensa as minhas preciosas concubinas, porque eu não faço posts dedicados a elas, mas eis que tenho que fazer um dedicado a você.
Mas respondendo a pergunta, não, eu não escrevo em nenhum lugar mais, o Rodrigo é um infeliz e um miserável, ninguém contrataria o Rodrigo pra escrever nem em papel higiênico.
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Se eu tivesse feito algum curso de jornalismo, hoje eu estaria ganhando 470 milhões de reais a hora porque eu sou um gênio e tal, mas acho que existe algo de muito errado em considerar jornalismo uma "profissão".
Afinal, que porra que é um jornalista? É um cara que se especializa em não saber nada que é pra poder, da forma mais cega e imbecil possível, escrever o que os outros ordenam que ele escreva sem questionar.
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Neutralidade meu ânus. Eu chamo é de covardia mesmo.
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Se alguma coisa, jornalista deveria dar notícia e só. Ainda assim, não vejo porque uma faculdade disso já que qualquer asno alfabetizado sabe pagar o reuters pra dar ctrl+c ctrl+v nas matérias.
De resto, a Super Interessante deveria ser feita por físicos e biólogos e químicos e etc.
Revista de história deveria ser escrita por historiadores, de filosofia por filósofos, de economia por economistas e assim vai.
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Fato, esse povo não escreve de forma tão agradável, então acho que a empresa deveria pagar algum cursinho de estética linguistica e that's that. Pronto. Sem mais esses asnos superestimados escrevendo sobre física quântica.
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Pessoal que sai na rua conseguir notícia deveria ser próprio pessoal que sai na rua. A polícia deveria ter um "jornalista" deles, associações diversas de moradores deveriam ter um jornalista deles (pra denunciar a polícia).

No fim das contas, acho que ao invés desses macacos inúteis, um jornal deveria apenas ter editores de cartas abertas e todo mundo que abrisse um jornal, ao invés de imaginar que lá está "a voz da verdade" saberia que teria apenas relatos de gente comum.
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A questão é que "mídia" é uma coisa ligada demais a democracia pra deixar nas mãos de um grupo de pessoas diplomadas; democracia pra mim funciona por checks and balances, ou seja, ao invés de você ter um juiz procurando ser oh tão melhor que todo mundo (porque é isso que um jornalista é; ou seja; alguém que não tem nenhum conhecimento, mas ainda assim acha que sabe mais o que os outros a ponto de decidir o que é justo de ser relatado), você teria relatos de gente que você sabe "de que lado está" e você teria esses relatos lado a lado para serem facilmente comparados.
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Então ao invés de uma "noticia", você teria uma carta dizendo "ontem, na rua tal, tal hora, eu vi policiais atirando em adolescentes" e do lado "os policiais estavam se defendendo" e logo abaixo "os policiais atiraram sem terem sido provocados" e assim ia, antes de ser um leitor passivo, o sujeito estaria no meio de um debate com as várias opiniões apresentadas pra ele. Mais ou menos como funciona em fóruns de internet mesmo. A diferença é que não seria uma discussão em tempo real, ou seja, não seria bem um debate, seria sim coletâneas de relatos simultâneos.
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O mundo seria tão bom se as pessoas ouvissem o Rodrigo.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Estava fuçando o orkut de um amigo antigo meu (com quem eu não converso - de propósito - sem motivo senão falta de vontade - faz uns 5 anos).

Pra começar, sempre espanta como o tempo passa rápido, essa sensação de ter memórias vívidas de acontecimentos de uma década atrás... isso não é legal, é quando você percebe que há 10 anos atrás estava se apaixonando pela primeira (em uma sala de chat! Há! Por uma menina que tinha uma personagem que tinha 12 anos, mas que na real era bem mais velha) é quando você percebe como é que o tempo não volta.
Digo, nós sempre sabemos que o tempo não volta (porque tempo é só uma intuição pura do pensamento e sua regressão iria contra as leis do entendimento - haha - ).
Enfim, esse amigo em questão (que eu não vou dizer o nome pra ele não googlar e achar isso - porque uma coisa que é diferente do eu de hoje e do eu de antes é que o eu de hoje quer manter algumas coisas escondidas de algumas pessoas... mas o cunha vai sacar quem é... mas o cunha nunca lê essas porras de posts) tocava bateria, aliás, ele tocou na banda do cunha e ele abandonou essa banda e a gente nunca entendeu ele.
Nós sempre sabíamos que tocar bateria era a vida dele, mas ele nunca parecia estar se dedicando direito a isso. Ele ensaiava, mas parecia sempre ter medo de levar isso adiante. E eu julguei ele muito por isso.
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No orkut dele tem uma foto dele ganhando um prêmio de melhor bateirista sei lá da onde (mas tinha uma porrada de gente na audiência vendo ele ganhar o prêmio) e ele está tendo aula em conservatório e... enfim, ele sabia algo que nós não sabiamos, abandonar bandas que tinham tudo pra dar certo não era um jeito de desistir de projetos, mas sim de se focar direito no que ele queria fazer e não se distrair pelo que não queria, mesmo que isso fosse eventualmente dar certo.
O lado mais dificil de fazer escolhas é deixar coisas pra lá e somos tão bombardeados diariamente por frazezinhas de efeitos do tipo "é melhor tentar e se arrepender do que nunca tentar" e não necessariamente, o tempo rola, as coisas acontecem, é preciso coragem e visão pra saber que estradas você não vai nem tentar tomar.
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Eu já visualizei todo tipo de futuro pra mim; um dia eu seria um profissional de radio e tv, no outro eu seria algum tipo de escritor, então roteirista, aí roteirista de quadrinhos, então teria um site e falaria sobre música e agora filosofia.
Dessas coisas todas eu só espero continuar sendo roteirista, mas agora não tenho nenhuma pretensão em fazer carreira disso, só espero poder continuar escrevendo os melhores fanzines do mundo pra sempre, acho que eu vou ser publicado um dia, mas não está na minha lista de prioridades.
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Minha prioridade atual é a filosofia.
Eu estou decidindo agora abandonar a idéia de fazer um site. Não achei webmaster quando eu tinha saco de ter o site e agora não tenho saco mais, música pra mim não é mais o que era.
Na época em que eu trabalhei escrevendo sobre música (sem receber, pois a revista em questão foi a falência), eu achava que gostava de escrever sobre música, pensando hoje, eu não sou bom nisso.
Em termos de jornalismo, na minha curta carreira, teve UMA coisa boa que eu fiz, um único texto que eu senti orgulho imenso e esse texto foi uma biografia do Damien Rice (alguém que eu nem gosto muito) pra revista transamérica (por esse sim eu recebi - haha), mas a minha postura ao escrever essa biografia foi a de que eu estava relatando um épico e eu não mudei nenhum fato, mas eu dei a elas uma grandiosidade linda e tornei heróica a vida desse cara e, afinal, música pra mim não é o que costumava ser.
Não quero mais me importar com os lançamentos mais recentes, eu encontrei o tipo de música que eu gosto, que é twee pop ou indie pop ou simplesmente música alternativa que também é bonita e eu não quero mais falar a respeito, eu quero só ouvir e eu não me importo as bandas que vêm ou não pro Brasil, mesmo essas bandas que eu gosto, não quero ver seus shows, quero só ouvir suas músicas, aqui mesmo, em MP3 de qualidade duvidosa, com fone de ouvido, em madrugadas que eu deveria estar dormindo.
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Como carreira me resta a filosofia e mesmo isso eu me pergunto se quero seguir como carreira profissional... eu acho hoje que quero estudar filosofia pra sempre (como eu achei antes que iria querer fazer outras coisas pra sempre), mas essa área, assim como toda área, tem muita máfia, muita dor de cabeça.
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Se a carreira de filosofia for, de fato, dar aula - estudar - escrever, isso me parece perfeito. Até dar aula, que eu costumava ver como um peso, hoje é algo que eu quero fazer, que eu quero tentar ao menos, mas eu não quero... tsc... .... eu não quero ter que dar satisfações a ninguém, não no sentido "emprego" da questão, mas no sentido filosofia mesmo, eu não quero ter que explicar porque o que eu estudo é útil ou interessante, porque, no momento, eu tenho certeza que meus interesses na filosofia são tão inúteis quanto possível e quanto a interessantes... bom, digamos que eles não fazem parte do interesse de ninguém... você não pode usar o que eu estudo como base de nenhum projeto pedagógico, não pode usar como base de nenhuma plataforma política, não pode usar como auto-ajuda e enfim, ninguém que vive no mundo se interessaria por isso.
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Porque na verdade, é essa visão de filosofia que eu tenho tido ultimamente, que filosofia é justamente um estudo desinteressado da realidade... digo, não é possível ser completamente desinteressado, mas não é algo que eu possa justificar pra alguém porque eu estou estudando senão pelo fato que eu acordei afim.
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E claro, como pessoa eu dou minha opinião sobre assunto que eu quiser, mas e como profissional? Eu não posso ajudar ninguém a viver melhor, não posso dizer qual presidente é o mais indicado, qual plano econômica é o mais vantajoso, não posso te dizer como se livrar dos seus medos, como ser feliz, nem como comer melhor. Pelo menos não por enquanto, se um dia meus estudos me levarem pra esse lado tudo bem, mas por enquanto eu não consigo dizer muita coisa além do que explicar porque vemos 3 dimensões ao invés de 17 ou porque vemos as coisas como unidade enquanto por trás delas existe todo um caos metafísico.
E mesmo essas coisas não se pode provar.
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Esses dias um professor citou Quine quando ele disse que "na filosofia não estar certo, mas tem estar errado".
É um ramo legal esse, a sua única possibilidade de sucesso é que não descubram aonde você está errado, porque você também não tem como provar que está certo.
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Enfim, eu só quero uma vidinha tranquila.
Mas eu sempre escolho os caminhos mais bélicos.