sexta-feira, novembro 28, 2008

The Modern Age

Up on a hill is where we begin
This little story a long time ago
Stop to pretend, stop pretending
It seems this game is simply never-ending
Oh, in the sun, sun having fun
It's in my blood
I just can't help it
Don't want you here right now
Let me go, oh, let me g-g-g-g-g-g-go


Um tema razoavelmente recorrente aqui são as esperanças feitas que nossa civilização nos fez que não se concretizaram.
Da promessa de Descartes de descobrir as leis dos choques a partir da idéia de Deus passando pela promessa de Newton de descobrir Deus a partir das leis dos choques.
Todas as inúmeras promessas de salvação que nos fizeram: salvação pela fé, pela razão, pelo prazer, pela revolução.
Esses dias esse sentimento tem crescido novamente.
As chuvas de Santa Catarina, os terrorista de Mumbai, a canonização de Pio XII, a crise financeira.
Essa sensação de que tudo nos falha não pode ser uma coincidência.
Falhamos em controlar a natureza, falhamos em estarmos livres de homens violentos arriscando a segurança de todos por conta de algum ideal que nem sabemos quais são, falhamos em ter uma religião que se compreende como verdadeira ao passo que respeita por completo as outras, falhamos em gerenciar nossa produção e há o sofrimento. O sofrimento, o sofrimento, sempre o sofrimento.

Isso não significa que não cheguemos lá. Não significa que nossa tecnologia não vai avançar a ponto de conter qualquer coisa que a natureza jogue em nós ou que a democracia não vai avançar a ponto de que a mera noção de um terrorista seja incompreensível, afinal, essas coisas todas, num geral, foram piores no passado. Há, pelo menos nos padrões observados, um progresso... menos no sofrimento, nossa criatividade é imensa e sempre achamos novos modos de sofrer que sequer eram imaginadas pelos antigos.
Como que um epicurista entenderia o sofrimento da ausência de necessidades e como que um estóico entenderia o sofrimento do auto-controle? Mesmo hoje há os que não entendem tais formas de sofrimento. Tudo bem, eles sofrem de modos que eu não compreendo também.

Mas mesmo que acreditemos que sofremos menos, que há uma progressão aí também, ainda há de se decepcionar... nos prometeram tanto e há tanto tempo... como não ser cínico quando nos prometem de novo?
"Ah, agora sim temos o conhecimento" e "ah, agora sim nós entedemos o mercado" e "ah, agora sim nós..."
Bah, todos os fracassados do passado tinham plena convicção deque "ah, agora sim..." e afinal, acaba que não é bem assim; "agora sim" entedemos algo de novo, talvez, por enquanto... mas é impressionante como que, apesar de todo o entusiasmo, acaba sempre sendo tão pouco...

Conhecimento Metafísico em Schopenhauer

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Conhecimento Metafísico em Schopenhauer by Rodrigo Braga Alonso is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial 2.5 Brasil License

Significa que você pode copiar, publicar, mudar um ponto e dizer que é seu. Só não pode ganhar dinheiro sem eu ficar sabendo porque filósofo de barriga vazia vai pra filosofia analítica. Aí a taxa de suícidio aumenta e o pessoal culpa o capitalismo.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Interdisciplinariedade

Oh céus, Rodrigo falando do que não entende.
Vamos lá.
Lendo uns autores e tentando conciliar meu relativismo.
Por curiosidade; são Paul Boghossian, Richard Nisbett, Antonio Damasio e assim vai.
Mas tudo muito por cima e na internet. Estou tentando "costurar" isso tudo no meu pensmaento atual e já me preparando pro meu cursinho auto-didata de fenomenologia no ano que vem.
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O problema de interdisciplinariedade, especialmente entre ciências humanas e exatas, é que muitos termos simplesmente não se trocam.
Lendo a introdução do livro "fear of knowledge: against relativism and social construtivism" de Paul A. Boghossian - ele cita um grupo de arqueologistas que se dizem relativistas dizendo que as explicações deles próprios para o início do mundo são tão válidas quanto as das tribos que eles estudam.
Esse tipo de relativismo acaba sendo um alvo fácil porque, oras bolas, se conhecimento é assim tão relativo, então pra que perder tempo buscando um rigor e uma objetividade na ciência?

Nesses momentos, por incrível que pareça, é preciso um relativismo para curar o relativismo exacerbado.
Nós, da filosofia, dizemos esse tipo de coisa porque nós estamos falando as coisas de um ponto de vista onde geralmente o conhecimento em si é tomado como problemático. No fim, aquilo que Husserl chama de "atitude fenomenológica" que é oposta a "atitude natural" meio que serve pra filosofia como um todo.
Então quando Rorty faz um apelo ao relativismo, ele com certeza não está falando para os arqueólogos aceitarem a explicação das tribos como "tão válida quanto", esse tipo de trabalho geralmente está em um nível onde não há a possibilidade de interdisciplinariedade.
O trabalho de Rorty me irrita muitas vezes porque ele critica os filósofos de se isolarem, mas afinal, ele acaba escrevendo apenas para filósofos; isso talvez seja inconsciente da parte dele, mas algumas vezes filósofos precisam se fechar dentro dos seus clubinhos para resolver os problemas particulares típicos da disciplina.
Então eu aceito boa parte do relativismo Rortiano, mas um erro que eu me vejo cometendo é quando há uma interdisciplinariedade que eu não percebo; no fim, é preciso um certo exercício para sair da "atitude transcendental" - o clubinho filosófico - e entrar na "atitude natural".

Relativismo, no fim das contas, é isso. É definir qual seu ponto de vista e aí afirmar que, *desse ponto de vista*, o caminho é *esse*. A ambiguidade do pensamento racional, no fim das contas, deve ser resolvida ou pela solução ou pelo esclarecimento de qual ponto de vista estamos falando. Aceitando a perspectiva X, então não pode mais haver ambiguidade.

Aí o debate é sobre se tal perspectiva é suficiente para explicar o mundo - geralmente acaba sendo "a ciência, sem nada além dela, pode explicar o mundo?" - mas aceitar contradições dentro de uma única perspectiva é abandonar princípios básicos que usamos para nos comunicar.
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Dito isso, é uma questão de um passo pra trás pra dar dois a frente. A filosofia precisa se fechar, num primeiro momento, em um grupinho com pesquisas que não faz diferença pro resto do mundo, que é, pra num segundo momento, olhar as coisas como um todo.

Então primeiro assumimos o conhecimento como um problema, dizemos que o empirismo não diz nada, que nenhuma ciência tem nada a oferecer e nós não temos nada a oferecer para nenhuma ciência.
A partir daí, podemos construir, da base, uma disciplina que leve em conta todas as dimensões de nossos conhecimentos. Que somos seres que vivemos nesse momento histórico, influenciados por essa cultura, nessa situação social, com esse corpo que funciona dessa maneira, nos comunicando por essa linguagem, etc.
Entretanto, é sempre bom lembrar do nosso relativismo aqui para impedir o relativismo lá: aqui nós somos filósofos, nós procuramos um tipo de resposta sobre totalidades, algo que não deixe escapar nada, que não deixe nada de fora.
E mesmo dito isso, é preciso assumir uma posição sobre isso.
Aqui não significa tornar o equívoco aceitável (equívoco, lembrando, não é erro; mas é o fato de vozes diferentes terem valor igual), mas sim englobar o equívoco em um esquema não-ambíguo de pensamento.
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A ciência não pode ser relativista assim!
O Arqueólogo, na sua posição de arqueólogo, tem que falar que o que destruiu a vila foi uma chuva e não o deus do vilarejo.
O cientista tem que dizer que o que cura é o seu remédio, etc.
Aqui o problema vai para os dois lados.
Se estamos analisando a totalidade daquilo que é ser, temos que levar em conta várias coisas que não levamos quando estamos analisando o modo como os fatos se encadearam na cronologia humana ou o modo como os organismos vivos se constituem.
Analisando a totalidade, eu não posso ignorar nossa dimensão "exata" como descoberta pelas ciências empíricas do mesmo modo que não posso ignorar dimensões menos exatas, como crenças religiosas, arte, ideologias, comunicação, percepção, etc.

Se nós não gostamos dos reducionistas, ou seja, não gostamos de quem diz "o ser é ISSO" ignorando o que ignoram, mas então nossa explicação deve englobar e o problema de certo relativismo é quando ele cai no niilismo de dizer que as opiniões contrárias se anulam e que nenhuma é conhecimento. Pelo contrário, todo modo de conhecer que traz algo a mesa que os outros modos de conhecer falham em trazer é algo que deve ser acrescentado ao invés de relativizado.
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Então o problema dos arqueólogos é, afinal, uma falta de treino em assuntos filosóficos para "relativizar direito" as coisas.
Quando estamos em contato com uma crença que diverge da crença científica, não é questão de aceitar as duas como igualmente válidas, mas perguntar (e a redução fenomenológica ajuda a responder justamente essa pergunta) o que cada uma me traz como conhecimento?
Não se trata de aceitar todas as descrições do mundo como iguais, mas de ouvir todas e então, com o rigor filosófico, julgar o que cada uma traz.
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O que experiências religiosas e místicas geralmente trazem é (e aqui vou me apoiar em Schopenhauer) um senso de unidade com o mundo; de qualquer modo, é algo único por ser indescritível de outro modo. É preciso ter a experiência para saber o que é - algo parecido do que a experiência da arte; lembro que a primeira aula de estética da faculdade foi um quadro colocado na parede e o professor nos pedindo para descrevê-lo.
Oras, se você descreve objetivamente o quadro, você perde justamente aquilo que faz dele arte, objetivizar a arte é perder aquilo que ela traz de único; assim como explicar racionalmente para alguém que é preciso ter compaixão é perder aquilo que a experiência mística tem a oferecer.
A perspectiva de terceira pessoa tira muitas coisas em termos de conhecimento, mas nós nos comunicamos para uma comunidade de pensadores racionais assumindo tal perspectiva.
Mas enfim, falar mais sobre esses assuntos seria um post só pra eles, o que eu dei aqui foram exemplos bem rápidos e, como exemplos rápidos, faltam neles uma série de nuances.
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Esse post seria melhor se eu de fato acabasse ler o Boghossian, porque embora o pouco que eu li (haha, tipo, duas páginas da introdução) me fez escrever esse post, o medo é que ele esteja lutando não contra filósofos relativistas, mas contra cientistas fazendo mal uso do relativismo, já que o próprio Rorty, citado de novo e de novo como o relativista chefe, argumenta muito contra a legitimidade de governos totalitários, contra a legitimidade de conhecimentos religiosos que tentam tomar o lugar de conhecimentos científicos, etc.
Mas enfim, o relativismo que ele propõe sempre foi meio diferente do meu; eu gosto dos debates que ele considera inúteis por exemplo e, (mais uma vez inspirado por Schopenhauer) eu me vejo como algo além do que o darwinismo que Rorty se inspira.
Certamente Rorty não afirma que duas crenças conflitantes são "igualmente" válidas, se não há o parâmetro do espelho do mundo, há pelo menos o parâmetro da utilidade e mesmo assim não é qualquer tipo de utilidade, mas é utilidade em garantir a sobrevivência da espécie.
Se eu nego o conhecimento empírico que de fato cura doenças em prol do conhecimento divino de que deus cura as doenças e o primeiro salva vidas enquanto o segundo não, então não há relativismo aqui, nem pro Rorty; o conhecimento que salva vidas é mais útil do que o que não salva, mesmo que o que não salve tenha outras utilidades.
Certamente o sujeito pode acreditar que deus ajuda, mas isso não pode interferir em sua vida ou é um conhecimento que deve ser extinguido. Além disso, mesmo que o conhecimento te faça um bem particular, mas seja mal para a espécie, ele ainda assim merece ser extinguido.
Então no fim, o que é objetivo acaba prevalecendo e a ciência acaba sendo salva.
A pergunta em que Rorty se embaraça é sobre como nós sabemos que um conhecimento é mais útil ou não, certamente não é um chute que faz tal conhecimento curar doenças e tal não; mas enfim, eu não estou aqui pra defender o Rorty, só pra dizer que mesmo em alguém tão relativista não há um relativismo ingênuo a ponto de considerar opiniões conflitantes igualmente válidas ao mesmo tempo; quanto muito, se suas opiniões conflitantes conseguem ser hipócritas na medida exata de beneficiar a espécie como um todo, aí sim.
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Por isso que me incomoda quando Boghossian escolhe os exemplos da sua introdução: arqueólogos e sociólogas feministas; imagino que mais pra frente no livro ele vá, de fato, entrar em um dialogo mais saudável com o Rorty, mas por enquanto, eu não me admiraria de ver arqueólogos e sociólogos falando besteiras epistemológicas, porque eu também falaria besteiras argumentando a respeito de arqueologia e sociologia.
Não que esse post não tenha uma série de besteiras epistemológicas que estão desapercebidas, mas é coisa da minha falta de conhecimento particular, porque um bom epistemólogo - e afinal, Rorty era um bom epistemólogo, mesmo que adotando uma teoria polêmica - sabe mais do que simplesmente ignorar a ciência.

É até algo de interessante no curso de filosofia, sempre que começamos a considerar um ponto de vista diferente do científico, há sempre um aviso no começo: "isso não é pra dizer que a ciência não tem validade"; o próprio Merleau-Ponty diz isso no começo de suas conferências, em que ele diz a famosa frase: "o cientista não tem mais a ilusão de alcançar seu próprio objetivo", ele fala que não diz essas coisas pra desafiar a ciência, mas porque a própria ciência convida a pensar desse modo.

Afinal, uma comparação engraçada que fazem é que a filosofia é a mãe da ciência e como filho, a ciência nos desaponta às vezes, é arrogante, acha que estamos errados e somos velhos e inúteis, mas assim que dá qualquer problema, corre pra debaixo de nossas asas. E como mães, nós nos preocupamos com nossos filhos sendo arrogantes *pelo bem deles*, porque achamos que isso vai fazer eles darem passos maior que as pernas, mas de nenhuma forma queremos dizer que eles são inúteis e que esperamos vê-los fracassar. Queremos que sejam bem sucedido, logo, pedimos alguma cautela e humildade.
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Concluindo, com o disclaimer mais repetido no meu curso de filosofia, isso não é um ataque contra a ciência, não se pode fazer esse ataque, filosofia e ciência são dois modos racionais de ver o mundo, mesmo que o primeiro parta para o irracionalismo de vez enquanto; ser irracionalista não significa ser irracional afinal de contas. Mas é dizer que nossa pesquisa filosófica, pelo menos desse ponto de vista da fenomenologia, parte de um lugar diferente da ciência porque busca objetivos diferentes. O objetivo da ciência é elaborar modelos compatíveis com o que é observável de modo a melhor a influenciar o mundo. O objetivo da filosofia é um tipo de descrição de uma totalidade, assim, ela geralmente parte (seja no caso da fenomenologia ou do pragmatismo) de um ponto pré-científico.
Filósofos sabem que não devem disputar aquilo que a ciência já descobriu (quando muito, disputar que aquilo que a ciência acha que sabe, mas não sabe, pois está usando um método inadequado para analisar tal situação; de novo, o ponto de vista é pré-científico, mas essa situação raramente ocorre porque, afinal, cientistas tendem a ser rigorosos), mas isso não significa se limitar a ela e não se limitar a ciência não significa tomar o que uma tribo indígena fala como "de igual valor", mas simplesmente olhar isso de uma perspectiva que a ciência não pode e retirar disso algo que a teoria filosófica em questão consegue retirar para explicar o mundo da perspectiva que pretende.
Mas adotar perspectivas diferentes é sempre um trabalho complicado; o fenomenólogo precisa realizar a redução fenomenológica, o pragmatista precisa analisar as necessidades da época, por aí vai; num geral, é algo que os cientistas, com suas respectivas especializações, não estão preparados para fazer, mesmo os cientistas das ciências humanas.
Confio em um sociólogo para me dizer como que o trabalho está organizado nessa época, como que certos povos desenvolvem certos modos de viver, como que são as classes sociais, os preconceitos e racismos, toda sorte de coisas envolvendo as pessoas como agentes de uma sociedade, até mesmo como que as diferentes classes tem valores diferentes de verdade e de conhecimento, mas não me venha dizer como que esses fatores influenciam a formação pré-científica do ser dessas pessoas e como que essas estruturas se traduzem em conhecimento. Pra isso temos filósofos.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Blogma

1. Fica vedada qualquer menção a Foucault, salvo esta.

2. Pagará multa o blogueiro que publicar qualquer um destes termos: “pensata”, “de plantão”, “diálogo fecundo” e “num misto de”, ainda que a título de brincadeira.

3. Como regra, arte plástica contemporânea só é arte no sentido desta frase: “Meu filho, vê se pára de fazer arte!” Arte contemporânea passa a ser contradição em termos.

4. Somos todos contra a última opinião em voga sobre o Paulo Francis. Elogio ou crítica.

5. “Morno se vomita”: aqui é quente ou frio. Frio, de preferência.

6. A qualidade do que se escreve no portal se mede pela capacidade de esculhambar com gentileza.

7. Nenhum nacionalismo, nenhum regionalismo; aqui se fala português por força do acaso. Mas também se falará outro idioma quando necessário e, principalmente, quando desnecessário.

8. A 1ª pessoa do singular serve à farsa; ninguém aqui, antes de completar 60 anos, falará sobre os livros que influenciaram sua formação. Respeitem a memória de Joaquim Nabuco, filisteus.

9. Argumente, seja pela direita ou pela esquerda, mas não lamba a sarjeta. Pense bem antes de soar fascista ou stalinista.

10. O leitor é o cliente, e o cliente costuma ter razão. Como isso tem limites, qualquer ironia será ironia mesmo, sem colher-de-chá.

11. Limpeza (que não é necessariamente clareza), densidade (que não é necessariamente concisão), elegância (que não é necessariamente sobriedade), eis a nossa linguagem.

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Oh céus, eu não respeito quase nenhum desses.
Do Via Moderna

sábado, novembro 22, 2008

Tradições

Enquanto debatia com Bill O'Reily no seu show, Jon Stewart (é, eu sei, um neocon doido e um comediante, ótimas referências. Mas são ambos muito inteligentes) disse: "Tradition is a progression of individual freedoms. You know what the tradition of America would say? Gay marriage is the next step in the tradition of America. You’re misrepresenting the tradition. You’re idea of tradition is a mythological ‘Ozzie and Harriet’ thing".
-
É sempre difícil ver qual é exatamente nosso legado. O que os ideais que nos formam hoje esperam de nós.
Existe uma tendência hoje em achar que nada é esperado de nós, que nós temos algum metafísico pensamento livre que nos liberta da nossa história e das nossas responsabilidades.
É meio o que Dr. Steinmen diz no jogo Bioshock, quando está maravilhado pelas suas habilidades mutantes que permitem ele ser um cirurgião plástico incrivelmente mais eficiente: "Ryan frees us from the phony ethics
that held us back. Change your look, change your sex, change your race.
It's yours to change, nobody else's."
Então hoje nós fazemos aquela coisa bobinha de criar uma listinha de ismos para nós (minha piada mais recente é que eu sou um ateu católico, mas obviamente é uma piada, eu sou um ateu que frequenta a missa, é bem diferente) "Oh, eu sou um rastafari cético niilista racionalista cartesiano".

Há duas coisas para se pensar rapidinho aqui: a primeira é que eu até encorajo combinações doidas de crenças. Algumas são bem necessárias: um cientista religioso deve ser ateu nas suas pesquisas. Um padre, que por algum motivo se tornou um cético, deve, de qualquer modo, falar em nome de uma verdade quando está sendo padre.
Isso tem muito a ver com aquele lance kantiano de uso público e uso privado da razão. Como pessoa pública, você defende aquilo que você quiser, que você acha mais certo, etc; como pessoa privada, realizando um trabalho, você defende aquilo que o trabalho exige que você defenda.
Não dá pra traçar uma linha assim tão clara e certinha, mas é só uma guideline geral para impedir que você se torne menos eficiente naquilo que você faz.

O interessante de Kant na sua distinção entre uso privado e uso público da razão é essa idéia contrária do que temos hoje. O "verdadeiro público" é o mundo e quem fala com o mundo é o indivíduo na sua condição de indivíduo. O público do cientista, do papa, do político são os outros cientistas, a igreja e os cidadãos, é sempre o indivíduo na qualidade de alguma outra coisa.
Então enquanto você é um cientista ou um bispo ou qualquer outra coisa, você precisa de coerência e responsabilidade; relativismo não se aplica aqui at all. No muito quando as coisas estão muito estagnadas e você precisa de um olhar mais solto para conseguir algum progresso, que é geralmente o estatuto da igreja atualmente, mas isso é outro assunto.

Dito tudo isso, como pessoa pública, essa que fala com o mundo, você sequer precisa argumentar coisas, basta viver em paz com o mundo.
Se há a necessidade de argumentação derivado claramente de falta de auto-estima e necessidade de se impôr aos outros (meu caso por exemplo), então boa sorte com perdendo tempo no orkut. Já para se proteger contra ataques alheios, então nem se trata aqui de argumentar porque ser evangélico cético rastafari é a melhor combinação possível, mas simplesmente porque ela não é uma ameaça à sociedade. A discussão aqui é uma então, não entre céticos rastafari evangélicos e qualquer outra coisa, mas entre tolerantes e intolerantes. Entre quem acredita que um modo não-coercivo de viver é "certo" e outro modo é "errado". Aí é um pedido ao relativismo.
Aí é algo de muito forte na esquerda norte-americana que o resto do mundo tenta emular com mais ou menos sucesso: o fato de que a esquerda norte-americana não é um grupo conciso de pessoas que dividem os mesmos valores, mas é quase algo do tipo "you scratch my back and I scratch yours".
Então o movimento GLBTS se une ao movimento negro que se une aos sindicatos que se unem aos direitos dos presos que se unem a isso e a aquilo e, enfim, a grande dificuldade e a grande força da esquerda norte-americana é justamente ser uma coalizão de miniorias que frequentemente discordam entre si, mas preservam um pacto de se ajudarem mutuamente.
Quando começaram as notícias de que os negros tinham votado contra o casamento gay, toda a mídia reportou isso como se fosse o fim do mundo. Pra começar, as notícias distorcem os números um pouco, quem "derrotou" o casamento gay foram os grupos de sempre: religiosos e idosos. Mas dito isso, o que a noticia causa de desconforto (e a mídia percebe isso) é que um grupo que é tão carente de tolerância se mostrando intolerante.
Nessa divisão, quem não é maioria vence sempre e que isso tenha acontecido na mesma eleição que deu vitória a Obama, uma eleição que se disse vencida por uma coalizão das minorias com a classe média, mostra o quão frágil é essa aliança.
Justamente motivo maior para defendermos os rastafaris céticos evangélicos, porque perante a ameaça de um dia votarem contra eu ser qualquer coisa não-coerciva que eu queira ser, discutir se eles estão certos ou errados é a mais doente perda de tempo.
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Dito tudo isso, a segunda coisa rápida a se pensar é que apesar de você poder fazer essas combinações, elas são meio ingênuas, não porque você pertence à uma tradição, mas porque você pertence a todas de certo modo.
Você está na rua, conversando com um evangélico, bom, ele provavelmente está te passando valores que pegou na igreja, mesmo que ele não use a palavra "deus" ou "jesus" nenhuma vez, mesmo que ele não perceba.
Do mesmo modo, ele está passando aquela notícia sobre psicologia que leu no jornal, aquele filósofo que o filho dele leu, enfim.
Você "pega" coisas. É difícil se dizer qualquer ismo porque ninguém costuma ser um "ismo" puro e se você é todo misturado, então porque se dizer qualquer coisa?
Se você faz parte de todo tipo de tradições, porque falar que segue só uma? Isso é outro tipo de auto-engano que me preocupa.
Esses dias o "Dawkins" publicou no blog dele (típico do Dawkins que faz as coisas mais banais, mas se acha super espertinho porque seus leitores são incultos e eles aplaudem tudo que ele diz) um lance tipo "Atheists for Jesus", em que ele fazia aquela coisa básica que todo professorzinho de esquerda do colégio faz de elogiar Jesus como um radical, como alguém que se rebelou contra a ordem estabelecida, etc e tal.
Bom, das críticas interessantes que Dawkins recebeu pelo "God Delusion", estava um sujeito que dizia que, afinal de contas, ele só era mais um burguês da classe média branca inglesa expondo idéias burguesas da classe média branca inglesa. Mas no fim, isso meio que se pode dizer de todos nós.
A ingenuidade dos ateus e dos céticos rastafari evangélicos é se acharem livres de cristianismo ou livres de sejá lá do que um cético rastafari evangélico queira se livrar.
E claro que, estar em um time, não ajuda em nada sua autocrítica.
Dawkins, por exemplo, não foi autocrítico nesse post dele, ele achou que ele estava sendo malandro, subvertendo o cristianismo, sem perceber que, por toda sua vida de classe média inglesa branca e burguesa (mesmo que ele não seja de classe média ou inglês), os valores cristãos sempre estiveram nele e que ele jamais realmente combateu religião, mas apenas uma mitologia. Afinal, uma religião é mais que uma mitologia.
Sem cristianismo não teria uma valorização da razão abstrata em detrimento do sensível senso comum; sem cristianismo não teria uma noção de direitos humanos, etc.
Isso significa que precisamos de cristianismo para sermos racionais ou acreditarmos em direitos humanos? Isso é um debate, mas eu vou assumir aqui que não.
É difícil entender qual exatamente a importância da história nas nossas vidas, é só que o problema dos "ismos" é que geralmente eles combatem outro "ismo", só que um ismo é um pacote completo de coisas e você não está "livre de cristianismo" só porque rejeita uma fraçãozinha dele que é a recusa literária da mitologia.
Então ou, num geral, não somos nada, porque dificilmente aceitamos um pacote completo e inteiro de tal "ismo" ou somos todas coisas, porque de todos os "ismos" nós preservamos algo.

Afinal, nós seguimos que tradição? "Ozzie and Harriet" ou "progression of individual freedoms"?
Não dá pra saber, assim de cara.
A história exige MUITAS coisas da gente, temos uma quantidade tão grande de coisas que temos que cumprir que é normal que as pessoas enganem a si próprias se dizendo "pensadores livres" e, ufa, finalmente livres dos preconceitos da história.
Por isso tendo a ver a pluralidade como nossa tradição, o niilismo de certo modo, mas enfim, essa ausência de sentido, essa confusão de valores, essas brigas e essas reconciliações.
E aí me incomoda que qualquer um queira dizer que nossa tradição é ir nesse ou naquele sentido, mas de certo modo, é essa nossa tradição, defender um sentido já meio que sabendo que não vamos pra lá.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Sobre o post abaixo

O post é ressentido, ele tem uma carga de inveja, não porque eu oh trabalhe demais e eles ó vivam uma festa, mas é porque eles podem se dar ao luxo de tirar uns anos de férias da vida e eu não posso. Não vou nem entrar nos motivos, que seria entrar demais não só na minha vida particular, mas na da minha família e eu me exponho sempre nesse blog, mas se falo pouco da minha irmã e da minha mãe é por respeito a elas mesmo.
De certo modo, eu estou tirando agora os anos "de férias" da minha vida e estou fazendo estudando, então a inveja é bobinha mesmo, nós todos sabemos que eles não vão vender coisas na rua assim pra sempre. Toma um banho, corta o cabelo, faz a barba, usa roupa que esconde as tatuagens e em menos de 1 mês ninguém vai sequer sonhar que você passou 3 anos vendendo tranqueiras na rua. Aí o sujeito vai fazer a faculdade dele, vai exibir por aí a pseudo-experiência de vida dele (porque, afinal, ele vai viver 100% do tempo em uma pobreza monitorada e controlada sem jamais sentir o pânico de que se não conseguir dinheiro esse mês vai sofrer uma real necessidade) do mesmo modo que eu exibo meus troféis do PS3 aí do lado.

Mas tirando o ressentimento de lado, tem algo de sério que me chateia nisso, que é uma espécie de aura de que se está agindo contra injustiças sociais sem, de fato, estar fazendo algo de concreto a respeito.
É que nem eu dizer que sou vegetariano porque estou lutando contra a indústria alimentícia.
Eu sou vegetariano porque me faz mal a idéia de comer um ser que sofre, mas se eu quisesse atacar a indústria alimentícia, realizaria estudos, publicaria livros e artigos, seria o mais mainstream possível para mostrar para o público mainstream que essa prática é errada.
Todo underground é elitismo. É um modo de pessoas serem indiferentes à outras pessoas. Isso não é errado, mas grita "ideologia burguesa" de modo tão alto e tão claro que a pessoa tem que se esforçar muito perfurando os próprios ouvidos para não ver que isso é um modo de dizer pra si próprio que já faz o suficiente para resolver certas questões sociais, enquanto claramente não faz.
Se você prega pegar 400 reais de um grupo de pessoas todo mês pra levar eles pro meio do mato e isolá-los do mundo, não diz que é anarquia, não diz que é uma luta contra o imperialismo e contra a patriarquia e o racismo, etc. Porque não é. É um spa que custa caro demais porque a clientela burguesa não está comprando um pedacinho no meio do mato, mas sim alguém que passe a mão na cabeça dela e diz: "shh, sem culpa de classe média, você está aqui, quer dizer que você está ajudando os outros".

Nada contra você pagar alguém pra resolver suas culpas de classe média e ainda passar um fim de semana se divertindo com pessoas que nem você no processo, mas de novo, não finge que isso é um ataque ao que há de mal na sociedade burguesa porque isso um ato burguês do material ao ideal. Do tanto que esse povo exige que você pague para ter paz de vida até o quanto te convencem que ao invés de realizar um trabalho árduo para corrigir injustiças sociais, você tem que fazer isso que você já está fazendo. Quanto muito escrevendo um artigo num jornalzinho que três pessoas vão ler usando intelectualismo barato que as coisas são injustas... assim, de modo bem genérico e que propõe muito pouco, mas que faz você se sentir agindo.
E no fim, é esse o maior perigo dessas coisas, fazer você se sentir agindo quando você não está fazendo nada.

Mas eu sou um cara liberal, eu defendo seu direito de não fazer nada desde que você respeite certos consensos democráticos, pague impostos, respeite leis, etc, porque você, afinal, não é uma criatura isolada que vive por acidente no meio dos outros, você se constrói no contato com os outros, isso faz com que cada um tenha uma dívida de certa forma com sua sociedade.
Dito isso, eu não acredito que seja uma dívida infinita, existem liberdades particulares e entre elas está a de fazer o que bem entende com seu dinheiro e repito quantas vezes for necessário que eu defendo ardentemente o seu direito de pagar para resolver seus próprios problemas. Só não chama isso de política, porque aí é um esforço de auto-engano e auto-elogio e é um desserviço à liberdade mentir pra si próprio dessa maneira.

Entrevista com um hippie que vende artesanato na rua

- Quando o senhor decidiu virar Hippie?

- Veja bem, quando eu era criança, papai comprava pra mim todos os brinquedos que eu poderia querer. Mas enquanto eu brincava, papai não; ele estava sempre nervoso e estressado e com suas roupas quentes em dia de calor. Então decidi que não queria ser que nem papai.
Aí quando me tornei adolescente, pedi para papai comprar pra mim a opinião de pessoas que me levassem para uma vida diferente da dele. E papai comprou.
Aí depois do colégio, pedi para papai comprar pra mim um curso de faculdade que me fizesse tão rico quanto papai, mas sem ter que trabalhar tanto, então eu optei por Radio & TV e/ou publicidade e/ou ciências sociais e/ou filosofia e/ou artes cênicas. Ele comprou pra mim todos os anos de cursinho que eu sempre quis para fazer as melhores universidades públicas e se não eram o bastante, papai comprava pra mim vaga em uma particular mesmo.
Mas aí eu percebi que, após formado, eu teria que trabalhar e/ou não seria rico. Isso muito me entediava, então pedi para papai comprar pra mim mais umas opiniões diferentes. Então numa das opiniões que papai comprou pra mim estava a de um estilo de vida mais humilde, sabe? Vendendo coisas na rua e na porta de faculdade.

- Essa vida não é difícil?

- Mas oh, eu já vivi minha vida toda sem fazer nada, o único lado ruim dessa vida é que não ganho tanto dinheiro, mas tudo bem, porque as portas da casa de papai estão sempre abertas pra mim e mesmo que eu não more mais lá, sei que na pior das hipóteses posso sempre voltar.

- Pretende ser hippie a vida toda?

- Deus me livre. Mais dois anos e estou fazendo uma faculdade de admnistração em empresas e indo trabalhar com papai. Daqui 5 anos te juro que estarei casado, terei um filho pequeno e estarei entre os 20% mais ricos do país.

- E o que acontece se você fizer parcerias com alguém que sinceramente precisa vender as coisas na rua pra viver e pra quem isso não é só uma fase ou uma brincadeirinha boba? O que acontece com ele se ele depender de você e você simplesmente largar tudo pra retomar a vida que está meramente adiando com essa piada?

- Estarei ocupado e não vou ter tempo pra pensar nessas coisas. Mas me entreviste de novo daqui 20 anos e te contarei a mágica história de um hippie que conseguiu, por determinação e força de vontade, se tornar um empresário de sucesso.

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Post ressentido da semana.

terça-feira, novembro 11, 2008

Coisas, muitas coisas

Ufa, finalmente um dia relativamente sem nada pra fazer.
Quero falar de tantos assuntos, nem sei se vai dar. Ainda vou falar mais dessas coisas, mas só quero descarregar alguns pensamentos (blog é pra isso mesmo, eu tiro as coisas da cabeça, às vezes literalmente, às vezes escrever no blog me faz esquecer o assunto).
Então, vamos lá, pra me organizar:

Aniversário
Schopenhauer
Obama
Quadrinhos
Bioshock

Aniversário

Meu aniversário dia 7 agora não me fez triste. Os outros fizeram.
Acho que desde os 16 anos, fazer aniversário é um evento triste. Hoje foi só neutro. Foi um dia como outro qualquer, mas com presentes. Então foi bom. Acho um sinal de que eu estou me tornando alguém mais próximo da pessoa que quero ser.
Eu não quero fazer uma retrospectiva do ano. Mas acho que ele foi. Eu me achei de modo mais claro dentro da filosofia, tirei boas notas, espero que continue tirando agora nessas últimas provas.
Pessoas vieram e foram, como elas sempre fazem. Aniversários e natais estão virando rotina. Mas eu me sinto menos cansado do que estava antes. Acho que aos poucos estou aprendendo como que é esse negócio de viver.
Ano que vem apresentam novos desafios (espero).
Espero começar a dar aula e espero começar a fazer planos concretos para um mestrado.
Nada disso vai ser fácil, mas acho que estou pronto. Sinceramente acho. Acho que estou pronto para uma porção de coisas.
Para retomar uma vida espiritual, mesmo que eu ainda me considere ateu. Para retomar uma vida de roteirista de quadrinhos. Para começar a pensar no futuro. Para a solidão e para a tristeza. Para o mundo mais difícil que se anuncia aí. Vou falar desses tópicos.

Schopenhauer

Terminei meu TCC, vou fazer a última orientação hoje. Provavelmente terei que alterar bastante coisa, depois disso publico no google docs.
Estou bem satisfeito com os caminhos que esse estudo sobre a metafísica de Schopenhauer me levou.
Schopenhauer me ensinou a relevância do modo como fomos construídos na nossa percepção do mundo. Como que, basicamente, nós vemos tudo de um ponto de vista interessado. Anais nin diz que vemos as coisas não como elas são, mas como nós somos. Com Schopenhauer eu aprendi que vemos as coisas não como nós somos, mas como são nossas necessidades. Daí acredito que vem o caráter aparentemente passivo de uma percepção que é na verdade uma representação: nós não controlamos nossas necessidades, então nós moldamos o mundo de acordo com elas e agimos sempre buscando saciar essas coisas.
O que Schopenhauer também apresenta é que, nessa visão de mundo bem darwinista, há espaço para um olhar desinteressado. Pela arte e pela compaixão, nós podemos ver o mundo de modo como ele é na ausência dessas necessidades.

Eu fui na missa esse domingo. Eu gostei bastante, vou voltar certamente. Ainda me sinto meio como um peixe fora d'água lá. É difícil conciliar o fato de que eu sou um ateu com a minha vontade de querer participar dessa comunidade cosmopolita que é a igreja católica. O tema dessa missa foi bem de acordo com essa busca. Foi sobre a basílica de Latrão, que é a igreja do papa (coisa que eu não sabia, o padre até brincou com o fato de todo mundo achar que é a basílica de São Pedro); então o tema foi sobre como que as igrejas diferentes em diferentes comunidades estão unidas em uma. É um tema interessante e excelente. Eu poderia até elaborá-lo aqui, sobre o quanto estou satisfeito com a igreja católica atualmente, a esperança que vejo nela de ser uma força positiva na construção de um mundo mais unido. Como que ela é multicultural em um senso muito especial. Como que ela é multicultural não pelo relativismo, afinal, ela se considera a verdadeira igreja, etc; mas pela aceitação em viver lado a lado com as outras culturas.
Demorou muito para a igreja chegar nesse ponto, é questionável se ela já chegou. Mas considero hoje a igreja católica a instituição religiosa mais apta para lidar com as necessidades da contemporaneidade; assim como considero os judeus a comunidade religiosa mais bem sucedida. Tudo isso pelas suas respectivas qualidades de adaptação em um mundo diverso. Mas com pretensões de ser unido apesar de diversidade.
Dito isso, porque colocar isso no tema do Schopenhauer?
Porque o motivo que eu decidi ir a igreja foi para exercitar minha compaixão e toda vez que leio algo escrito por alguma autoridade católica, o tema é, de algum modo, relacionado a necessidade de vermos o sofrimento dos outros como algo importante. Os católicos praticam a compaixão e a caridade de fato? Não sei. Mas eu quero exercitar essas qualidades em mim e acredito que compaixão é algo que vem de um sentimento e não de um conhecimento. Saber que os outros sofrem não faz nada pela caridade se esse sofrimento não te sensibiliza. Então eu quero "treinar" esse sentimento de sofrer o sofrimento alheio.
É algo sábio? É bom? Eu não sei. Eu certamente não sou do partido que acredita em forçar os outros a serem altruístas. Mas exatamente porque eu não gosto de ver a obrigação legal em ajudar os outros, eu gosto de pensar nisso como uma obrigação moral. E claro, ainda seguindo Schopenhauer, fica a esperança de que compaixão afete a minha percepção do mundo. Que me permita um olhar mais desinteressado e contemplativo.
Claro que se Schopenhauer concordasse com essa minha atitude, ele próprio seria religioso, coisa que ele nunca foi até onde eu sei. Ele tinha lá suas críticas duras a religião. Mas eu acho sinceramente que a Igreja aprendeu com seus erros do passado. Posso estar errado. Posso estar sendo enganado por textos bem escritos. Mas enfim, é um risco. Se eu estiver errado, então estou. Paciência.

Barack Hussein Obama
É muito bom poder falar o "Hussein" de Obama agora que isso não significa mais uma ameaça eleitoral.
Obama é mais uma peça dessa minha esperança em um mundo mais unido.
O lance do Obama é que todo mundo ficou feliz com a vitória dele. Então quem gosta do Chávez, concorda com ele de que os dois são parecidos; já quem não gosta, como eu, acha que isso significa o fim dele. Mas como alguém disse: os líderes do mundo estão esperando um molengão que aceite suas exigências pra não parecer alguém bélico. É dever de Obama desapontá-los.
E eu acho que vai mesmo. O que eu tenho lido de Obama é geralmente centrado em duas características: pragmatista e centrista; que no fim é a mesma coisa nas contigências atuais. Como disse Joe Biden na campanha: alguém vai querer testar esse presidente. Pode ser a Rússia ou o Irã; pode ser até um novo ataque terrorista.
Mas é batata, quando há um novo presidente nos EUA, em menos de 6 meses alguém tenta avançar pra cima dele só pra ver como ele responde. O próprio 11 de Setembro pode ter sido um desses casos e o palerma do Bush respondeu, passo a passo, do jeito exato que os terroristas queriam que ele respondesse.
A guerra do Iraque e os problemas decorrentes dessa é a maior vitória de Bin Laden.
Obama, acredito, vai conseguir se safar dessas sem ser um molenga. Mas isso é predição de futuro e, enfim, agora é esperar pra ver e vaiar e jogar tomates podres toda vez que ele pisar em falso.
Mas acredito que ele vá se dar bem, mesmo porque, o magrelo orelhudo de nome estranho deve muito bem saber lidar com bullies.

Quadrinhos
Acabadas as aulas, vou iniciar um esforço para voltar a ter quadrinhos meus desenhados. Vou voltar a escrever, voltar a procurar desenhistas, voltar a distribuir meus quadrinhos via correio.
Quero voltar a ser um fanzineiro mais old school também; quero voltar a vender meus fanzines de mão em mão, explicando pra cada um sobre o que é a história. Porque afinal, é isso, eu faço fanzine e não publicação independente ou coisa do tipo. É um fanzine. É uma coisa que eu tiro na xerox, grampeio, dobro e vendo por conta própria e bem quero voltar a ser assim.

Bioshock
Por fim, tenho jogado Bioshock. Estou terminando no survivor sem usar as vita-chambers. Está bem difícil, mas estou conseguindo. Bioshock é um jogo excelente e jogá-lo no modo mais difícil sem direito a ressucitar de graça após morrer está tornando ele bem complicado. Mas baseado nas vezes anteriores que terminei em modos mais fáceis. Ele é um jogo que vai ficando mais trabalhoso. Mas mais fácil. No que o jogo prossegue, acumulam-se armas, bônus de pesquisas, munições especiais, plasmids, tonics e, enfim, estou na "segunda fase" ainda. Mas pela minha experiência, é a mais difícil porque enfrentar os Big Daddies no começo é complicadissimo. Mas fica mais fácil.
Aí o difícil deixa de ser o Bid Daddy e vira os splicers normais. Mas esses nunca são assim tão difíceis. Só trabalhosos.
Enfim, fotos abaixo para ilustrar. ;)


Big Daddy e Little Sisters:
Elas recolhem o ADAM (material genético que permite alterações genéticas) e eles a protegem.
O Big Daddy nunca começa uma briga, ele no máximo te empurra pra longe da little sister quando você se aproxima muito. Mas pra ter ela, tem que passar por ele e sem as garotinhas não dá pra ter os poderes essenciais pra terminar o jogo, então ouvir os pesados passos de um significa toda uma preparação.
Analisar o terreno, as armas, os poderes, ver o que pode te ajudar e pra onde correr quando o bicho vier atrás. Porque uma vez que você der o primeiro tiro, inicia uma batalha que nunca é fácil demais.



Mr. Bubbles!



Splicers são os habitantes de Rapture.
Antes eles eram a nata da sociedade, reunidos em uma sociedade libertarianista para que suas forças produtivas não fossem usurpadas por esses parasitas que insistem em pegar nosso dinheiro para comer e se vestir. Agora, após um vício auto-destrutivo em ADAM; os cidadãos andam pela falida utopia procurando vítimas.
O local é Arcadia: uma floresta construída para prover oxigênio para a cidade.



A última festa de Rapture



"O impossível não é construir Rapture no fundo do oceano. O impossível é construí-la em qualquer outro lugar" - Andrew Ryan, fundador de Rapture.