segunda-feira, setembro 29, 2008

Senhora



Minerva
Sei que tenho sido alguém falho e indigno.
Não tenho sido alguém indigno apenas de ti.
Tenho me perguntado se mereço te adorar em primeiro lugar.
Me questiono agora e meu único orgulho é não questionar a ti.

Creio em ti, Atena, creio que teus olhos iluminam e que tua lança é certeira, mas não tenho certeza mais qual guerra estou lutando e sinto que por vezes tu, de modo muito justo, me atinges.
Agredeço pelo que me faz de mal.
Pois é ao sentir a escuridão da tua ausência que percebo que estou no caminho errado.

Me frustra não te ter.
Me irrita.
Me sinto o menino que sou.
Bravo e indigno de ti.

Ó senhora.
Minha deusa que não está por toda parte.
Que não intercede por nós.
Que sequer se importa se não a merecemos.
Estás mais que certa em ser má.
Quem aqui pode dizer que merece ser um peão em teu jogo?
Não me importaria, senhora, em sofrer eternamente nos teus mais cruéis jogos, mas hoje me sinto uma dessas pessoas que sequer o joga.
E o quão odiosas são essas pessoas que jogam pequenos jogos particulares com pequenos prêmios em vista enquanto fingem jogar o teu jogo, minha deusa?

Seja má com eles, Senhora.
Seja má conosco.
Nos guie para um abismo e dê risada enquanto caímos.
Nos ignore quando a buscarmos para satisfazer nossa pequenez.
Te amo por ser má, Deusa.

Seja má, senhora, com todos nós que falhamos em te seduzir.

Comunidade de filosofia no orkut

Ah, esse é um post enorme que eu fiz lá na comunidade de filosofia, mas enfim, ele já caiu no ostracismo. [:p]
De qualquer forma, acho que tem uma idéia boa ou duas aí no meio, então...
O título do post era algo do tipo "porque esses debates sobre religião são tão chatos"
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Ok, eu passei um tempo fora da comunidade arrumando uns assuntos particulares e porque, sinceramente, enche o saco entrar aqui e ter 1000 tópicos que de alguma forma caem em religião e viram o tipo mais raso de briguinha "nós vs eles", então eu vou tentar aqui fazer algo de razoável que mostra porque esses debates são quebrados pra começo de conversa (e porque é difícil qualquer posição razoável quando a gente cai de para-quedas quando eles já estão avançados).
Sim, eu sei, esse próprio tópico é derrotista porque é um tópico sobre Deus dizendo que é um saco falar sobre Deus. Enfim, um mal necessário se der certo e mais um tópico chato se não der.
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"Deus" é um conceito muito amplo, tanto na história da filosofia quanto na história cultural geral da humanidade, mas, falando em filosofia especificamente, Deus é um conceito primeiro cosmológico e depois moral; ambos os conceitos só se confudem em filosofias, como a platônica em que a ordem moral, de alguma forma, determina a ordem natural do universo. Por exemplo: ao afirmar que as leis da natureza são regulares, pois esse é um modo moralmente bom de se organizar o universo.

Como conceito cosmológico, Deus tem pouco espaço na filosofia atual, pois tem pouco (ou nenhum) espaço na ciência atual. Não que Deus seja cientificamente impossível, mas ele é cientificamente improdutivo, pois a hipótese "Deus" como "causa primeira" é incompatível com uma noção de racionalidade baseada na observação empírica. O problema dos criacionistas não é que eles tentam avançar uma teoria que conflita com a teoria estabelecida, mas que eles buscam todo um novo conceito de pesquisa científica, um conceito muito mais medieval que moderno (quanto mais contemporâneo).

O modelo racional medieval era um que se baseava justamente em argumentos e silogismos. Ou seja, se você conseguir justificar sua argumentação em um raciocinio correto (Se a então b; a, logo b), isso era suficiente e, para discussões metafísicas, não é possível mesmo fazer algo além disso.
O modelo racional contemporâneo é, estritamente falando, não muito determinado; há várias teorias sobre filosofia da ciência competindo, mas o que todas, atualmente, tem em comum, é que o modelo se baseia em eventos que podem ser descritos em linguagem - isso causa uma série de problemas: teorias sobre ciência (filosóficas, não cientificas) que buscaram propostas de ciências plenamente empíricas (algo mais newtoniano que contemporâneo) encontraram problemas, não obstante, todas concordam que, diferente do que pensavam os medievais, argumentos, sozinhos, não podem servir de conhecimento; esse ponto, talvez, é o que marca a maior diferença entre medievais e modernos. Não há concordância, nem antes e nem hoje, do que é esse elemento a mais: observação empírica certamente é importante, mas ela apenas também não funciona (as leis de Newton não são exatamente empiricamente observáveis), mas não quero me prolongar nesse ponto e ele é bem polêmico.
O importante é o seguinte: Esses debates não são sobre duas concepções cosmológicas (a com deus e a sem deus), mas são sobre duas concepções acerca do que é a razão humana: uma que pode retirar conhecimento de argumentos que não podem ser submetidos à observação ou teste e outra que não pode.
Aceitando a concepção mais contemporânea de razão, o máximo que o criacionista pode fazer é ser um cético anti-darwinista. Ele jamais pode usar a palavra "Deus" em suas pesquisas científicas. Não porque é tabu, mas porque a hipótese subverte esse modelo de conhecimento que criou aviões, descobriu curas para doenças, etc.

Sendo que esse debate escrito acima é um debate entre medievais e modernos ("novos filósofos" como eram chamados no séc. XVII). A primeira coisa que torna esses debates chatos é o seguinte: é anacrônico.
Os dois lados são anacrônicos e ridículos.
O dawkinista é anacrônico e ridículo porque perde páginas "refutando" argumentos de São Tomás de Aquino. Oras, praticamente todo filósofo desde Descartes busca refutar Aquino de alguma forma. Pode-se argumentar um propósito social nisso (e vou chegar lá), mas em relação a conhecimento; é um exercício fútil, anacrônico e no fim acaba sendo só provocações baratas ao "time de lá".
O criacionista, por sua vez, é anacrônico porque, se é ridículo "refutar" Aquino, assumir seus argumentos é mais ridículo ainda. Aquino foi um dos grandes da filosofia por fazer o que todo filósofo fez: Ele levou o modelo de racionalidade de sua época às últimas consequências e retirou de tal modelo as conclusões mais importantes de sua época. Tal modelo, como dito, não pode mais ser aplicado hoje.
Não seria impossível existir (e dado a vasta produção acadêmica, não duvido que exista) algum tipo de neo-tomismo; mas teria que ser um que (mesmo por ser "neo") vai muito além de Tomás. Na verdade, eu já vi um ou outro neo-tomista e, seguindo a esteira kantiana (e mesmo husserliana), a primeira coisa que eles fazem é separar o físico do metafísico, pois, após Kant, não se pode mais falar do transcendente como se fosse o empírico.

Teologicamente isso é bem claro: Se deus criou o tempo, ele deve existir de algum modo antes do tempo, como não há sequer um "antes" se não existe tempo, ele deve existir fora. Se ele existe fora, ele não pode ser "a causa primeira" no sentido que o big bang é um tipo de causa primeira. Conclusão: não é possível provar que Deus exista por meio empírico, pois toda observação empírica se dá no tempo e Deus existe fora do tempo.
Como já dito, o modelo medieval ainda é a única forma de se fazer metafísica, então notem que, nas palavras acima, não há ciência - não é dizer que não há conhecimento, mas não há ciência.

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Estabelecido isso, vamos para o segundo ponto, que é mais espinhoso.
Deus como agente moral.
Deus como agente moral é um estudo de todos os tipos: É um estudo sociológico, psicológico, teológico, metafísico e por aí vai (mas, repetindo, não é cosmológico).
Além disso, ele não é um estudo, ele é um guia espiritual, é um arquétipo daquilo que é bom e justo.
Outra coisa que é bem enfático na filosofia kantiana (e se segue, de algum modo ou de outro, em todas as filosofias posteriores) é a constatação de que se a metafísica não pode mais ser utilizada de modo cientifico, para fazer constatações acerca do empírico; está reservada a ela a moral. Pois, como simplifica bem Schopenhauer, "a ordem natural não é a ordem moral".
Psicólogos evolutivos (é assim?) insistem muito nesse ponto. Não é porque o humano tem uma tendência a um ato que significa que esse ato é moral.
Sendo assim, temos uma dupla significação do moral: a primeira é a comportamental ("como os homens agem") e a segunda é moral no estrito mais comum ("como os homens deveriam agir").
A psicologia, sociologia e afins estudam, de modo mais cientifico que suas disciplinas permitem, o primeiro, mas em relação ao segundo apenas fazem sugestões.
Pode ser que isso mude, mas até hoje nenhuma ciência empírica ou humana serve como guia moral (e nem pretende servir), sendo essa uma disputa entre legisladores e filósofos, ambos que se beneficiam enormemente das pesquisas psicológicas e sociológicas, mas, repetindo, a ordem natural não é a ordem moral.
Existe a pergunta se é necessária uma ordem moral e como ela deve ser. Esse é um assunto mais complexo, mas para avançar a argumentação vamos assumir que sim. Que sem um conjunto de leis morais, a humanidade caia em desgraça, desordem e decadência.
Dada a necessidade de uma moral, existem dois tipos de teóricos: os relativistas e os essencialistas (como geralmente acontece nessas polarizações, a maioria dos especialistas são algum tipo de hibrído).
Os relativistas dizem que não há moral universal, mas que há dada as circunstâncias e o trabalho do filósofo e do legislador é descobrir qual a melhor descrição dos termos "bom" e "mau" que se aplicam as circunstâncias de sua cultura (cultura aqui seria a versão mais espiritual do tempo/espaço - algo como "época/país", nada específico demais).
Os universalistas dizem que há uma moral universal, que pode ser plenamente descoberta ou não, mas que, pelo menos em tese, existiria um conjunto de leis que se aplicam a todos, independente da cultura.
O que nos importa é o universalista, que, por sua vez, se dividem em mais duas categorias: os essencialistas e os racionalistas.
Os racionalistas acreditam que sendo a razão comum a todos, um conjunto de normas racionais seria universal.
Os essencialistas acreditam que existe, na própria estrutura do universo, um tal conjunto de normas e que o trabalho seria desvendá-las ao invés de construí-las.
Os religiosos, num geral, são essencialistas. Eles acreditam que seu Deus criou o mundo de tal forma que já está inscrito nele uma lei moral, revelada pela sua religião específica.
È possível existir um essencialista ateu, mas ele teria que ser um metafísico de algum tipo: a tese essencialista é inevitavelmente metafísica uma vez que a ordem natural não é a ordem moral. Se existe uma ordem inscrita no mundo e não está inscrita especificamente na natureza física, então ele deve estar inscrita em uma tal essência metafísica que ou causou ou permeia o mundo.

Aqui chegamos ao segundo ponto que faz esses debates tão chatos: as pessoas discutem diferentes concepções morais sob a máscara de um argumento cosmológico.
Aqui minha crítica é mais específica: se eu tiver que me posicionar em algumo "ismo" lá em cima, eu seria algo como um essencialista ateu metafísico, mas como eu disse, todo mundo é algo de híbrido e minhas concepções metafísicas particulares me inclinam para o relativismo.
Isso é de pouca importância, eu citei mais pela honestidade intelectual, finjam que eu sou um relativista:
Minha crítica é que embora religiosos, num geral, sejam essencialistas; ateus geralmente se dividem entre racionalistas e relativistas. Ambos criticam a religião, mas são críticas diferentes.

A crítica do relativista (que eu considero o ateu saudável - que é como me considero) é que a religião tenta se impôr. O essencialismo não permite que eu discorde de você e seja bom, pois o bem já está inscrito no mundo e se eu não me encaixo nele, então o mundo sequer pode se adaptar. Estou errado e é o fim da história.
Porém a mesma crítica pode ser feita ao racionalista, onde que, se eu discordo, logo sou irracional. E quem é irracional não tem razão por definição de termos. Mas segue a questão de que o modelo de razão do racionalista em questão é o modelo medieval e não o contemporâneo, pois, novamente, a psicologia e a sociologia ainda não criaram morais.

O que acontece nesses debates é que o relativista logo se cansa. Ele tem que defender o direito de todo mundo às suas crenças e ele tem que se defender de todo mundo que quer se impôr. É um saco. Eu aceito isso em debates sérios, não no orkut. No orkut eu me sinto como tentando mediar duas crianças que disputam o mesmo caminhãozinho (o da moral universal) e eu uso camisinha que é justamente pra não ter que passar por essas situações.

O problema é que tolerância é justamente uma das bases da nossa sociedade. Não significa concordar, mas essa postura de querer sistematicamente eliminar o outro grupo é prejudicial.
Voltamos a questão das páginas desperdiçadas do Dawkins.
Ele pode dizer que faz isso para se defender dos ataques criacionistas. Mas eu digo que os únicos que precisam da defesa de tais ataques são as escolas e universidades.
As universidades vão bem, obrigado, tanto que os criacionistas choram censura: não é censura. Seu modelo de racionalidade é anacrônico. Ponto.
As escolas, num geral, também vão bem, existem algumas poucas escolas em cantos rurais e isolados do mundo que adotam o criacionismo. Alguns professores aqui e lá.
Em primeiro lugar, eu diria que eles estão errados. Em segundo, eu diria que eles dificilmente se qualificam como ameaça qualquer à sistema educacional: são muito poucos, muito dispersos, muito desacreditados. Se isso se tornar uma tendência a gente se preocupa. Por enquanto são freaks.

Só que, por causa desses freaks, os dawkinistas compram briga com uma porção de gente que não está nem aí pra esse assunto: em primeiro lugar, criacionistas, do tipo que acreditam que a terra tem 6000 anos, são uma minoria da minoria.
Você pergunta pra alguém: "É um criacionista?" e o religioso pergunta "o que é isso?" e você responde "a crença que deus criou o mundo", então lógico que ele vai responder que sim. Se você pergunta "então você acredita que o mundo só tem 6000 anos de idade e que os fósseis são Deus enganando você pra testar sua fé?" e eu não conheço ninguém além dos freaks que aparecem nos jornais e dos freaks do orkut que diriam que sim.
Mas, e esse é um ponto importante, mesmo essa minoria que aceita isso, *NÃO É BIÓLOGA*.
Oras, essa gente *não precisa* entender de evolução. Eles não fazem pesquisa.
O pior daqui são os professores que concordam com isso e esses são mais raros que as escolas que, por pressão da comunidade, adotam o ensino do criacionismo. É irrelevante.
E se um de seus alunos for, eventualmente, estudar biologia, ele vai ver que as coisas não são assim.
De resto. Se eu não sou um cientista, então deixem eu acreditar que a terra nasceu ontem oras bolas, o que isso muda na sua vida?

Se tudo que os dawkinistas fizessem fosse atacar essa minoria criacionista (como é feito há décadas sem ninguém achar desrespeitoso), ninguém ligaria. O problema é quando eles entram nesses juízos bobinhos de dizer que a causa do terrorismo é religião, que a causa da guerra ao Iraque é religião, que a causa de problemas psicológicos é religião, que a causa disso e daquilo e bla bla bla.
Por favor gente, o século XX foi marcado por duas guerras mundiais e ditaduras de todos os modelos por todo o planeta que clamou a vida de milhões e milhões de pessoas e nada disso teve um centimetro a ver com religiões.
O que as mortes do comunismo, do nazismo e do fascismo tem a ver com religião? Nos dois primeiros, os religioso foram os alvos!
O que as duas maiores guerras da história da humanidade tiveram a ver com religião?
Aqui é a parte chata que o relativista tenta agradar todo mundo: então eu venho e digo "é verdade que a religião causa mal a algumas pessoas, é verdade que ela está associada aos regimes fascistas do Oriente Médio", mas enfim, é chato falar isso, você dá a mão e a pessoa quer o braço.
Esses debates são chatos porque eles não permitem posições razoáveis, se você admite que o islamismo é um fator indispensável da Al Qaeda, você logo quer que eu diga que as torres ainda estariam lá se o mundo fosse ateu. Eu não posso fazer isso. Primeiro porque não tenho bola de cristal, segundo porque a gravação do Bin Laden foi bem clara: países cristãos como a Suíça jamais seriam alvo de terrorismo. Apenas os Estados Unidos foram alvo e os motivos foram claramente políticos.
Dá pra continuar esse debate específico, mas não é o propósito desse já irritantemente longo post. O propósito é só mostrar os motivos pelos quais esses debates são chatos.
São duas posturas universalistas da moral e a coincidência entre as duas é que uma exclui a outra. Então pra qualquer um que adota a muito contemporânea postura relativista, o que temos são crianças choramingando que o outro está sendo mal.
A coisa só piora com a internet quando temos um sujeito que mora no andar de cima de um puteiro da rua Augusta na capital de São Paulo com o sujeito que mora na rua da igrejinha em Rodeio no interior de Santa Catarina. Vocês dois veêm o mundo diferente. Não que o paulistano não pode ser cristão e o rodeiense ser ateu; mas vocês foram criados diferentes e toda vez que pessoas de criações fundamentalmente diferentes discutem que o outro deva adotar sua específica posição moral, o que você vai ter é essa chatice de um acusando o outro de ser imoral.

Por fim, volto lá pra cima: Dawkins e companhia irritam um monte de gente que não tem nada a ver com a história.
Pior, eles dizem "ou a razão ou a fé"; "ou a ciência ou a religião"; e aí, amigo, se o sujeito sente que não consegue prosseguir sua vida sem fé e sem religião, ele vai deixar a razão e a ciência pra trás. Do ponto de vista de sua vida particular, porque ele não faria? Ele vai entrar em angústia existencial por perder todo seu referencial ético e moral só porque algum biólogo que ele nunca viu na vida disse que é mal ser irracional? Não vai. Não funciona assim.
Pior, se você *realmente* coloca essa posição "ou A ou B" e o sujeito escolhe "B", você fecha as portas para "A".
Significa que se você convenceu o sujeito de que a fé dele é incompatível com a razão, nas próximas eleições ele vai votar quem acredita em deus e não quem tem o melhor argumento porque *você convenceu ele que fé e razão são incompatíveis*
É isso que toda postura intolerante faz. Ela se fecha ao dialogo. Ela se fecha ao debate. Aí quem sobrevive é o instinto de sobrevivência (sendo darwinista aqui para falar mal do Dawkins).
Se a pessoa sente que sua vida não pode ser vivida sem explicações racionais e científicas para as coisas, ele pode deixar a religião de lado, mas se não (e veja bem, a pessoa não escolhe o ambiente que vive e nem seus mecânismos psicológicos para lidar com esse ambiente), você acabou de criar um fundamentalista que se recusa a debater.
Aí eu tenho que perguntar: que bem isso fez? Pra quem?

Há muito mais que dizer sobre esse assunto. Mesmo mais longo que o orkut recomenda, ele ainda é simplista para que não fosse ainda mais longo. Se alguém quiser uma elaboração melhor de qualquer ponto, pode ser que eu o faça.
No fim, eu peço desculpas pelo tamanho do post, era pra ser uma resposta em outro post reclamando dessa mesma coisa, mas ficou longo demais.
Eu aceito críticas, talvez de modo mais mal humorado que deveria, mas eu vou sistematicamente ignorar argumentos contra ou a favor da existência de deus.
Também vou sistematicamente ignorar acusações de que eu sou extremista no meu relativismo. Veja bem, a postura não é que todo estão certos, mas é que certas descrições do mundo não importam em certos momentos.
Uma descrição metafísica ou religiosa pode ser de grande valia para Richard, o pai de familia e ser inútil para Richard, o biólogo.
Agora, se Richard, como biólogo, tentar realizar uma descrição metafísica do mundo, ele vai, e com razão, enfrentar todo tipo de problemas, no fim, pode até ser uma argumentação muito bonitinha, mas provavelmente não vai ajudar a explicar porque essa bactéria antes era assim e agora é assim.
Da mesma forma, sua explicação biológica provavelmente não me ajuda muito a viver meu cotidiano. Não me ajuda muito a lidar com a rejeição da perda de um namoro, com a morte de um parente, com o nervosismo de uma eminente entrevista de emprego; enfim, pode ajudar às vezes entender o modo como que essas reações são frutos evolutivos de como um neaderthal se relacionava com o meio natural pode me ajudar a tranquilizar, mas pode ser que não, pode ser que eu precise de um deus me dizendo que tudo vai dar certo.
Não é relativismo extremo se eu admito que um cristão fazendo teologia dentro de um lab de biologia provavelmente vai se dar, mas é extremismo dizer que se é errado dentro do lab de biologia, então é errado em todo os momentos da vida.
De resto, se você teve paciência de ler isso tudo, não deixe de comentar.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Hum

Não costumo concordar com tudo que essas pessoas dizem, mas é impressionante que toda vez que toda vez que alguém do meio acadêmico se coloca sistematicamente contra o PT (não ser "anti-PT" em conversa de bar ou mesmo na sala de aula; mas gente que escreve artigo ou mesmo blog falando mal) o sujeito reclama de algum tipo de isolamento.
Pode-se dizer que é coisa de anti-petista mesmo reclamar que o Lula faz censura e tal, mas é que eu vejo isso acontecendo da exata mesma forma com pessoas das mais variadas posições políticas - tendo em comum apenas o modo como o isolamento é feito e o fato da pessoa ser publicamente contra o PT.
Não vou citar nomes senão o que eu estou lendo no momento que é pra não cometer a famosa "indignidade de falar pelos outros", mas enfim:
Roberto Romano
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O modo operante que Romano descreve é muito similar a outros que já ouvi antes.
Quando o sujeito discorda calado ou é a favor do PT (isso bem antes do Lula ser presidente), ele é convidado para bancas de doutorado, palestras, ANPOF, garantem para ele bolsas de estudo, aceitam seus papers.
Depois que ele passa a ser contra o PT, a coisa se inverte: acho que eu não ouvi falar de ninguém que perdeu o emprego ou foi ativamente censuras; mas de repente, seus projetos começam a ser recusados, suas palestras começam a ser cancelados, não o convidam mais para bancas e os alunos começam a ouvir (sabe-se lá de quem) coisas desagradáveis sobre o professor, até que suas aulas perdem a popularidade e suas opiniões começam a ser desconsideradas - enfim, é o que eu disse: isolamento.

Estou errado? Alguém aí é sistematicamente contra o PT e continua com sua reputação e status acadêmico intacto? Porque eu gosto de pensar que essa gente é doida, incompetente e que chora censura por algo que os ocorreria não importa sua posição política, mas os relatos são tão parecidos e não é feito por pessoas que são contra a esquerda, mas que são contra o partido político X (no caso, o PT) - simplesmente ser de direita não faz, aparentemente, ninguém ser abominável no meio acadêmico; já criticar o PT parece causar essas coisas todas (pelo menos é o que eu tenho percebido).

Pessoas, por exemplo, que defendem o liberalismo, não parecem sofrer esse tipo de coisa, pessoas que defendem privatizações e criticam estatizações não parecem sofrer esse tipo de coisa, mas pessoas que ofendem o PT sim sofrem. É a impressão que estou tendo.

Mas realmente quero que seja apenas uma impressão.
Alguém tem uma contra-prova aí?

quinta-feira, setembro 25, 2008

Eles

Eles são todos aqueles que não somos nós.
Eles são aquelas pessoas que, por algum motivo, não conseguimos nos identificar.
Reconhecemos que eles são humanos, mas também reconhecemos que ser humano não é o suficiente. Para ser nós é preciso ser humano e mais alguma coisa.
Eles não são.
Eles são apenas humanos e apenas humanos são coisas que nos irritam profundamente porque nós nos recusamos a ser apenas humanos e é frustrante ver que eles abraçam isso sem o maior problema.
Há um sentido de compaixão aí.
Nós sentimos que eles estão desperdiçando suas vidas não vivendo o seu potencial e nós gostaríamos que eles também fossem como nós.
Mas a frustração se torna um tipo de ódio quando nós percebemos que eles sequer querem se tornar como nós.
Que eles gostam de ser apenas humanos sem esse algo a mais que nos torna nós.
Mas nós somos compreensíveis.
Entendemos que por ignorância ou questões culturais, de criação, eles estão além do nosso alcance.
Então odiamos, mas toleramos.
Nós toleramos a irritante existência deles porque se nós não o fizessemos, então seriamos como eles que são apenas humanos sem nada disso que faz com que nós sejamos algo mais, algo de incompreensível para eles.
E enquanto eles existem apenas em suas vidas privadas não afetando a nós, está razoavelmente tudo bem, o problema é quando eles começam a aparecer.
Começa de modo meramente visual. Vamos a um bar que costumávamos ir exatamente para fugir deles, mas então vemos que eles começaram a frequentar o mesmo bar.
E eles nunca são humildes.
Eles trazem consigo seus hábitos irritantes e toda sua pequenez.
E eles vencem.
Eles sempre vencem.
Porque de algum modo, eles conseguem se fazer valer.
Eles conseguem se impôr.
E quando o fazem, aumentam cada ato em 1000 vezes.
Cada pequena derrota ou fracasso que nós sofremos é como esse invisível dedo apontando para nós e nos dizendo como que eles estavam certo o tempo todo.
Cada dificuldade. Cada emprego perdido. Cada amor perdido. Cada sonho perdido.
Eles estão sempre lá rindo.
Não rindo de nós. Rindo entre eles.
Mas ver que eles, com sua mediocridade toda, estão rindo enquanto nós, que tanto nos esforçamos por algo mais, estamos sofrendo, é uma ofensa maior do que se eles de fato nos ofendessem.
Porque se eles nos ofendessem, se eles nos atacassem diretamente, poderíamos nos defender de modo genuíno.
Mas nós não podemos fazer isso. Nós temos que tolerar porque tudo que eles fazem é rir entre eles, sem nem olhar pra nós.
E nós, que tudo que queríamos era estar longe deles, nos sentimos enjaulados a não ser que estejamos isolados porque em todo maldito lugar eles estão. Rindo. Bebendo. Amando. Tendo uma felicidade que, caso o mundo fosse justo, seria reservada a nós.
Até que por fim, derrotados e cansados, nós pensamos em desistir.
Um dia nos olhamos no espelho e percebemos que nós não somos mais nós.
Que agora somos um deles.
E sendo um deles conseguimos ser felizes por um tempo.
Mas toda vez que nós passamos na frente do espelho, nós percebemos que, pela felicidade reservada apenas a eles, tivemos que sacrificar algo de muito importante.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Prefeitura de Santo André [2]

Pois é.
Apesar de tudo, eu vou de Democratas nessa eleição.

Agradeço à esse site (metodista) à esse site (polearte)

Infelizmente, eu não tenho motivos muitos complexos:
Existem dois lugares-comuns de todo candidato que me incomodou - todo mundo vai "investir em educação", todo mundo vai "construir um hospital" e todo mundo vai "tornar Santo André referência em esportes" (jura? Isso interessa pra alguém? Que besteira, pessoal morrendo em fila de hospital e a gente perdendo tempo com estádio)

Dito isso, Raimundo Salles, apesar de ser um picareta desonesto que desvia verba da prefeitura de São Bernardo pra ajudar sua própria candidatura, é o único que toca no ponto de que é preciso atrair mais indústrias e comércios pra cá e tal e, como eu entendo, só se faz isso com cortes de impostos, coisa que Santo André desesperadamente precisa, então é um ponto grande a mais.
Outra coisa que me interessou no plano dele é que todo mundo, como já disse, diz em "investir em esporte" e ele é um dos que diz "investir em cultura" (fiz um curso de roteiro muito valioso pela prefeitura de Santo André, mas ainda assim acho que existem coisas que merecem prioridade - mais uma vez, gente morrendo em fila de hospital), mas enfim, já que não dá pra se eleger sem prometer dar dinheiro pra essas tranqueiras, a idéia dele de criar fundações autônomas me parece muito interessante; claro, a idéia de qualquer coisa autônoma com dinheiro público pode significar simplesmente entregar dinheiro público pra gente que não responde, mas eu gosto de ser otimista e pensar que isso significaria menor custo com burocracia.
No mais, gosto do histórico dele como presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB de Santo André.

No mais, faz acho que um mês ou dois que não passo pelo paço municipal, mas qualquer um que seja eleito, pra qualquer cargo, posso pedir um favorzinho bem singelo?

Alguém pode, peloamordesejalaoquevocêacredita, pintar por cima daquela porra daquela suástica que picharam na porra da prefeitura faz ANOS?
Sério. Temos um prédio público com uma suástica pichada há ANOS e NINGUÉM acha que isso é um problema? Não estou pedindo pra reformar o paço municipal inteiro, só que alguém pegue uma lata de tinta maomenos da mesma cor do prédio e passe meia hora pintando aquele ponto específico.

Aí pessoal não sabe porque ninguém respeita o poder público.
-
Ah, vereador, vou apertar 25 lá e seja o que for, eu dei uma olhada nos candidatos a vereador pelo DEM e nenhum parece ser estuprador de criacinhas ou nada do tipo, então vá lá, estou me sentindo pouco exigente hoje.

=

PROTIP: Quer mudar meu voto? Mensagens inteligentes e educadas por favor.
PROTIP 2: Estimulo propagandas a favor do P-SOL, pois todo mundo sabe que só petista vota no P-SOL, cumprindo sua divina missão de enfraquecer o PT sem conseguir se eleger e nem prejudicar mais ninguém.

domingo, setembro 21, 2008

Template novo

Ok ok.
Mudei o template pra ficar mais acessível ao público mainstream... e falhei miseravelmente.
Oh well, gosto de rosa, azar o de vocês.

Diplomacia inteligente

Apesar de eu achar o Lula inexplicavelmente submisso a Evo Morales, acho que ele nos colocou em uma excelente posição internacional e é uma que pode efetivamente salvar o Brasil de uma porção de problemas que aos poucos surgem no horizonte:
Algumas noticias do dia:

América Latina precisa de Rússia para conter EUA, diz Chávez
Lula embarca hoje para NY, onde recebe prêmio da ONU
Chávez viaja para estreitar relações "estatégicas" com China e Rússia
-

Os EUA estão numa crise financeira grave, além disso, ela provavelmente se tornará uma crise militar eventualmente - sem dinheiro, o exército pára.
Como resultado disso (e de outras coisas do cenário internacional), todo país com um viés mais autoritário do mundo tem se movido: Rússia, Venezuela e Cuba especificamente; a Bolivia provavelmente estaria nessa brincadeira também se não fosse pela sua quasi-guerra civil.
A China por enquanto tem estado calma, calada; as coisas vão tão bem pra China capitalista que ela deve estar amaldiçoando esse renascimento de guerra fria tanto quanto eu estou.

Onde fica o Brasil nisso?
Bom, o Brasil tem um governante que, pasmem, conseguiu se tornar a esquerda moderna - uma esquerda que investe em programas sociais (mesmo que de forma bem populista, mas de qualquer maneira, investe e num país pobre que nem o Brasil precisa mesmo investir), não levanta bandeira de estatização (embora também não levante a da privatização); é um país que está sempre em CPI, o que pode parecer ruim, mas vá lá, significa que a classe política está tendo que prestar contas e se adaptar a uma realidade onde o Estado de Direito não é só uma frase vazia; enfim, as coisas vão bem para o Brasil e eu gostaria de alguém que discursasse mais a favor de privatizações e da redução da carga tributária, mas, de novo, as coisas vão bem.

Internacionalmente, Lula bem faz o que prometeu, ele não é submisso aos EUA; critica, essa semana mesmo fez mais piadinhas do que eu gostaria, mas o faz respeitosamente: quando a guerra do Iraque começou, ele foi contra, mandou uma cartinha pro Bush dizendo "não gostei, não é legal" e ficou por isso mesmo. Fez uma world tour querendo criar seu próprio grupo de países, incluindo Índia, Alemanha e alguns países da África e nesse processo foi crítico dos EUA o tempo inteiro, mas de novo, respeitosamente crítico o tempo inteiro.
Isso eu chamo de diplomacia inteligente.

Enquanto isso, Hugo Chávez e Evo Morales continuam a fazer discursos berrando e berrando de forma grotesca e ridícula que o grande satã é a causa de todos os problemas, bla bla bla; agora Chávez conduz testes militares junto da Rússia, quer se aproximar da China; etc.

O Brasil já é próximo da China, lembro que eu critiquei isso no começo do governo Lula; mas nós já fizemos alguns acordos comerciais com a China, acho que agora em Maio saiu outro; de qualquer forma, veja que são acordos civilizados, que eles vêm aqui ou nós vamos lá e homens de terno se apertam as mãos, dizem "ho ho ho! Ficaremos todos ricos" e cada um vai pra casa.
Na Venezuela; Hugo Chávez faz questão de convocar toda a imprensa dizendo que precisam "conter" os EUA.

O que o Brasil precisa continuar fazendo é isso: acordos comerciais que nada tenham a ver com militarismo, de nenhum lado - o ideal para o Brasil agora (e acho que estamos completamente nessa posição) é se tornar uma enorme Suíça: neutra de todos os modos.
Nosso presidente é mais crítico dos EUA que eu gostaria, mas enquanto ele for crítico apertando a mão, sorrindo, viajando pra lá e eles vindo pra cá, não tem problema.
FHC imortalizou uma frase certa vez dizendo que não precisa ser burro pra ser de esquerda, no fim das contas, Lula ouviu e aprendeu muito bem - eu ainda preferiria um presidente de direita do que um de esquerda, mas enquanto nosso presidente de esquerda não está batendo boca com nenhuma potência militar e enquanto nosso presidente de esquerda está realizando importantes laços comerciais com todas as nações, independentes de ideologia; eu o aplaudo.

E fica aqui minha esperança que se for o Aécio Neves nosso novo presidente daqui 3 anos; que ele tenha a boa vontade de continuar relações com a China e nossa nova presidente for Dilma Roussef; que ela tenha boa vontade de continua relações com os EUA e que ambos saibam criticar a China pelo seu autoritarismo e os EUA pela seu militarismo, mas respeitosamente, como o país civilizado e genuinamente pós-guerra fria que conseguimos nos tornar.
Que ninguém abdique de nossa atual posição privilegiada para agradar vizinhos.

Esse blog

Toda vez que ando pela blogofesra, meu blog me desanima.
Não é só uma questão de falta de popularidade (embora esse seja um indocador razoável do problema), mas mais o quanto eu sou incapaz de discutir as coisas de um bom modo.
Claro, a intenção desse blog sempre foi muito mais eu falando sobre eu mesmo (como agora) e é claro que isso não tem porque (e nem deveria) atrair qualquer tipo de leitores.
Mas eu me pergunto, caso eu crie um blog pra discutir algum assunto determinado ou pensamentos de um modo mais sério e consistente. Será bom?
Me sinto incapaz de fazer qualquer coisa de bom.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Preocupado com o futuro, preocupado com o presente

Pois é.
Muita coisa pra aprender ainda.
Muita coisa pra entender.
E eu queria ficar assim, só aprendendo coisas.
Tsc.
E é isso que é estudar filosofia.
A gente lê lê e lê, sem nunca saber se está lendo certo, se está compreendendo bem, se a teoria sobre o autor é justificada, se dá pra "salvar" o autor que gostamos ou simplesmente admitir que a teoria não dá certo, se dá pra usar aquilo no presente, no atual estado científico das coisas, no atual estado espiritual das coisas, no atual estado político das coisas.
-
Tenho 5000 títulos de livros que nunca escreverei - ultimamente existem dois de auto-ajuda que vem pulando na minha mente.
O primeiro é "Desista agora!" que tem como premissa que a felicidade é impossível e que é mais produtivo parar de tentar e ficar rico - ou o contrário, que ficar rico é impossível e que é mais produtivo parar de tentar e ser feliz. De qualquer forma, é assim: "Qual seu objetivo? Ele está errado."
O segundo é "O universo não se importa", que simplesmente descreveria o quão nefasto e ridículo é a noção de sua vontade influencia no universo - a idéia do Segredo (um subtitulo bom seria: "Não há segredo!") - o engraçado é que meu autor favorito, Schopenhauer, é justamente o que mais fala da relação entre a vontade o universo, mas vejamos uma diferença assim, por cima:

- O Segredo diz (após uma teoria da conspiração das mais bobinhas) que, por exemplo, se você pensar que quer uma casa, você envia uma "mensagem" pro universo e ele "responde" te dando a casa; o problema é que tal processo seria tão absolutamente complexo que eu não consigo nem começar a pensar como ele se daria.
Do ponto de vista físico, os átomos (no sentido de democritiano da palavra, como sendo a menor e indivisível parte de toda a matéria) de uma casa teriam que se reconhecer como pertencendo a uma casa e os átomos do seu pensamento teriam que se reconhecer como pertencendo ao seu pensamento e eles, de algum modo, viajariam em direção um ao outro e afetariam, sei lá, mercado imobiliário, sua conta bancária, e mais um sem número de fatores aleatórios materiais e conscientes envolvendo outros seres humanos (cujo pensamento também influencia o universo) de modo a movimentar, no fim das contas, todo o universo, com o fim de fazê-lo se adequar ao seu pensamento: multiplique esse movimento por 6 bilhões de pessoas e seus mais variados desejos; agora façamos isso niilistas, vamos todos desejar bem forte que o universo não nos responda. O que vai acontecer? A fisica quântica, com suas noções de não-localidade e coisas do tipo, tem trazidos várias perspectivas novas para o modo como enxergamos o mundo material, mas se você quiser me provar *essa daí* especificamente, você vai ter que se esforçar um tantinho.
Do ponto de vista metafísico fica a noção de que as coisas (inclusive os objetos inanimados) são, de algum modo, conscientes de si próprios; afinal, se pensar naquela casa específica (sim, seus putos, eu assisti a porra da versão em vídeo do segredo) te traz aquela casa específica, então *a casa* (esse amontoado de tijolo e tinta) tem que se comunicar de algum modo com a sua *consciência* e o vídeo mostra isso acontecendo *por meio de uma foto da casa*, ou seja, a casa teria que ter uma certa consciência de si, de modo que se reconhecesse na própria imagem para que a pessoa que deseja pensando na foto estivesse de algum modo também se relacionando com seu conteúdo... sério que eu estou levando a fundo as consequências metafísicas do segredo?

- Schopenhauer diz que o mundo é, na sua essência, vontade e que o percebemos como representação. Vontade pra Schopenhauer é um termo muito amplo, pois ele se exterioriza de maneiras diferentes.
Do ponto de vista físico, Schopenhauer é puramente mecanicista, talvez mais do que aceita a física atual: ele acredita que todas as coisas estão ligadas numa cadeia de causas e efeitos e que o tempo e o espaço funcionam exatamente como a mecânica newtoniana diz que funcionam - esse mundo existe dessa maneira não porque ele é assim de fato, mas porque o percebemos dessa maneira; não há, nesse ponto de vista físico, nada que remotamente se pareça com uma consciência universal. Esse é o mundo materialista bruto, são coisas cegamente batendo em coisas de acordo com leis pré-determinadas, determinísticas e absolutas.
Do ponto de vista metafísico, Schopenhauer é um monista, ele acredita que todo o universo é uma única substância - em última instância impossível de conhecer - mas que é identificada pela palavra "vontade" porque a vontade humana é aquilo que "escapa" das formas racionais como representamos o mundo e, portanto, é o que mais se aproxima desse mundo não-representado por uma consciência humana. A vontade se manifesta em diferentes graus, ou seja, a vontade humana nada tem a ver com a vontade de uma pedra, muito embora sejam a mesma substância, essa substância se manifesta de maneira diferente. Na consciência humana se manifesta como desejo, na pedra se manifesta simplesmente como pedra (protip: estou sendo simplista porque essa questão de como a Vontade se manifesta no mundo inorgânico é algo que eu ainda tenho que estudar melhor), mas o importante é que, do ponto de vista do universo, nossa vontade não importa: se a substância do mundo é a vontade, então o que o universo quer, isso sim importa, mas o que nós queremos é irrelevante; veja bem, o universo deseja por meio de nós, ou seja, nosso corpo, nossa consciência, nossa razão, são só marionetes de uma força cega, violenta e auto-destrutiva que tem como objetivo final perceber a si própria como terror e então aniquilar-se da existência.
Soa familiar?
Pois é, porque *não é mesmo*!

De um lado nós temos uma teoria que coloca você, indíviduo patético e insignificante que divide um planetóide com outros 6 bilhões de seres que funcionam mais ou menos damesma maneira, no centro do universo - dando ordens ao universo - além do mais, que ele *responde*!
Do outro lado nós temos uma teoria que coloca você, indíviduo patético e insignificante que divide um planetóide com outros 6 bilhões de seres que funcionam mais ou menos damesma maneira como uma força irracional e violenta que deseja cegamente e de modo auto-destrutivo sem jamais entender o propósito desse eterno ciclo de sofrimento.

As duas visões são esquisitas, mas se metafísica tem algum valor de verdade, ela reside em nos perguntarmos se é possível de fato ver o mundo dessa forma.
Ver o universo como uma eterna guerra motivada por forças cegas (muito embora bem organizadinhas) é uma visão possível, vá lá, um tanto neurótica, mas é uma visão de mundo que faz pleno sentido em um mundo darwinista onde nem sequer a garantia da mecânica newtoniana vale mais; um mundo onde todos nós, dos mais pobres aos mais ricos, somos infelizes por sermos completamente incapazes de parar de desejar coisas e nos entediar quando não há nada para desejar - é um universo cuja única garantia é essa: enquanto formos humanos, desejaremos.

Já ver o universo como algo que te responde? Pergunto isso: você nunca se surpreende? A vida vai sempre da maneira como você espera? As coisas ruins só acontecem quando você pensa que vai dar errado e as coisas boas apenas quando você pensa que vai dar certo? Se você pode honestamente responder "sim" para essas perguntas então largue a auto-ajuda e vá investir na bolsa de valores! (protip: invista em companhias de seguro norte-americanas, seu pensamento positivo pode livrar o mundo de um colapso)

quinta-feira, setembro 18, 2008

Agora sim é uma estatização

Mas interessante o suficiente, o New York Times dá a entender que os próprios norte-americanos não estão vendo essas ações do governo como um desvio de livre-mercado, então sério, eu não sei mais o que porra que está acontecendo aqui, mas eu acho preocupante os EUA entrando em uma depressão econômica tão absurda em época de eleição, ainda mais com uma pesquisa (de novo do New York Times) saindo apontando que os norte-americanos não veêm McCain como um "agente da mudança".
De certo modo, era bom o McCain se distanciar do Bush porque o fazia menos um cabo eleitoral - as eleições até então tem sido sobre McCain vs Obama e Obama vs Bush (na premissa que McCain é "mais do mesmo") - se o partido republicano sentir a necessidade de salvar a imagem do Bush (é possível) pra ajudar a eleição de McCain, então sabe-se lá como que esse povo vai começar a reagir a crises.
Tão ruim quanto, se Obama vencer e a crise estiver a todo vapor, o povo americano pode esperar que ele faça algo rápido e ele pode acabar tomando alguma decisão precipitada qualquer só pra agradar o eleitorado.
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Mas enfim, eu não vi, em nenhum lugar, ninguém com uma opinião desse tipo, então é provavelmente só o Rodrigo não entendendo como as coisas funcionam.
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Queria fazer um post explicando, em linhas gerais, como entendo o conceito de "Ocidente" - acabou ficando complexo demais pro meu próprio bem revelando que eu não entendo o conceito; entender isso é vital pro modo como eu compreendo o mundo, preciso ler mais.
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Queria falar sobre a Bolívia, mas, de novo, teria que pesquisar mais do que permite esses meus posts rápidos, descuidados e inconseqüentes aqui - de qualquer modo, estou acompanhando as notícias e todas elas tem um caráter meio alarmista, a violência tem crescido e o Bush não ajuda nem um pouco de repente decidindo que a Bolívia não está fazendo sua parte na luta contra o narcotráfico (agora? Sério? Precisava anunciar isso no momento em que a esquerda boliviana está certa de que os problemas ocorrendo lá são, de algum modo, influenciados pelos EUA? Obama precisa muito vencer naquele país).
Além do mais, nosso belissimo presidente decidiu apoiar a expulsão do embaixador norte-americano do país (tudo que o Lula é de bom dentro do Brasil, ele consegue ser 15 vezes pior se tratando de política externa - saudades do Fernando Henrique).
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Enfim, pode ser que as coisas se resolvam hoje. Esperemos que sim; é sempre triste ver gente morrendo porque seus líderes decidem ser estúpidos.

terça-feira, setembro 16, 2008

*aiai*

Vaticano aceita evolução, mas não se desculpa com Darwin

O que a manchete indica?
Que o Vaticano rejeitava a evolução, atacava Darwin e agora aceita a evolução, mas não se desculpa pelos ataque.

O que a reportagem diz?
"O papa Pio 12 descreveu a evolução como uma abordagem válida do desenvolvimento humano em 1950 e o papa João Paulo segundo reiterou o fato em 1996. Mas Ravasi disse que o Vaticano não tinha a intenção de se desculpar por sua visão negativa anterior."

Se a igreja aceita a teoria darwinista faz 58 ANOS porque, ó porque céus, ela deve se desculpar? O que? A gente tem que pedir pra biólogo que, em 1950, dadas as teorias e evidências de 1950, discordava de Darwin, pedir desculpa também?
Gente grande no meio científico não pede desculpa. A pessoa quando se percebe errada, ajusta sua descrição do mundo, mas pedir desculpa é coisa política e não científica.

Essa gente faz eu ter vergonha de ser ateu.

Wait what?

"Sem medo de perder votos, Marta foi direta ao defender a diversidade sexual e as escolas laicas. "Eu não aceitaria campanha contra os homossexuais. Quem conhece a minha história sabe disso, e até pela minha formação como psicanalista, não poderia ser diferente."

Fuck yeah Marta!

"A candidata ainda foi questionada quanto a possibilidade de apoiar o estudo religioso nas escolas. "Acho que a escola laica foi uma grande conquista para as escolas estaduais e municipais do país. Se abríssemos espaço para isso, teríamos de ter seis ou sete religiões. Acho que a busca pela religiosidade se faz pela família e não pela escola.""

Fuck Yeah Marta!

""Ninguém é contra a cidade limpa, ou alguém prefere a cidade suja? O problema é que o projeto é incompleto. Para realmente limpar a cidade, seria necessário fazer usinas de compostagens e terminar o nosso projeto de reciclagem de lixo, retirando o lixo, inclusive, de favelas.""

Fuck wait, what?
Peralá, não vamos confundir essa horrível lei que atrapalha n comércios, pequenos e grandes, que sufoca a autenticidade orgânica de uma cidade moderna e que é simplesmente nomeada de modo marketeiro e horrível com uma lei que tem alguma coisa a ver com lixo.
É horrível que a gente tenha que se rebaixar a fazer uma pergunta direta a políticos sob o risco deles fugirem pela tangente.

Querida Marta Suplicy.
Outdoors:
[]Y
[]N

Grato.

AVENGEEEEERRRRSSSS



1 - Logo acima do homem de ferro, o homem-aranha avança em direção ao inimigo.
É interessante que enquanto os outros estão parados, o homem-aranha e o visão já estão indo diretamente de encontro com a ação.
2 - Nos velhos tempos seria o capitão américa quem gritaria o "Assemble!"; hoje é o homem de ferro. Mesmo assim, é reconfortante ver o escudo e o martelo logo atrás dele, mas ainda assim, duvido que o homem de ferro tenha essa capacidade de liderança. No fim das contas, toda tragédia que tem ocorrido ao universo marvel se deve a não ser o capitão américa na frente do quadro.
3 - Nick Fury ajuda. É bom ver ao seu lado a viúva negra e o seu novo time - o homem de ferro não só roubou o lugar do capitão américa à frente dos vingadores como roubou lugar do Nick Fury à fente da Shield, mas aí está ele agora.
4 - Cassie Lang, filha do antigo homem-formiga, gigante no fundo: com o Hank Pym sendo um skrull e Bill Foster morto na guerra civil, os vingadores precisavam de uma pessoa gigante - confio mais em Cassie Lang do que qualquer um.
5 - Aliás, confio nos jovens vingadores num geral. É muito bom ver o patriota atrás do novo capitão américa. É muito bom ver o hulkling e o wiccan perdidos no meio. É excelente demais ver "a" gavião arqueiro com a flecha pronta (gostaria de ver essa mesma cena com "o" gavião arqueiro ao lado dela, mas Clint Barton está com o nome de Ronin e num canto que, na minha opinião, não faz justiça a sua importância).
6 - O quarteto fantástico visivelmente ausente, mas Reed Richards está aí - acredito que o coisa e o tocha humana vão chegar a tempo de salvar a pele de muita gente.
7 - Ares muito ameaçador com o machado e o pequeno Phobos à sua frente. Seria interessante ver ambos mais perto do Thor, mas de qualquer modo, são três deuses na batalha; pela pouca participação, Ares teve uma das melhores caracterizações que já vi nessa série. Geralmente visto como um ser meio irracional e violento, aqui ele se mostrou como um deus da guerra. Foi o primeiro a identificar a cilada Skrull na terra selvagem e notou logo de cara o chamado de Thor - ele foi chamado aos vingadores por ser alguém que possui, ao mesmo tempo, a ferocidade do Wolverine e a mente estratégia do Capitão América - a ferocidade foi bem demonstrada desde o inicio dos vingadores, mas é realmente bom ver ele utilizando sua mente estratégica pra variar.
8 - Venom e Norman Obsorn em algum lugar por aí. Além disso, taskmaster atrás da Cassie; o Hood com as armas duplas é um ótimo toque e gosto de ver um membro do esquadrão da demolição lá atrás - desde a guerra civil a marvel brinca com a idéia de vilões fazendo boas ações pelos motivos errados - agora é pra valer.
9 - Wolverine é o único representante dos X-Men, triste, odeio quando alienam os mutantes.
10 - Capitão Marvel morre no começo dessa edição, o Nova está preso no espaço, os guardiões da galaxia estão presos em knowhere, os inumanos estão na lua - baww, é triste não ver ninguém aí que represente esse povo "cósmico" todo. (se bem que, de novo, os x-men só são representados pelo Wolverine...)
11 - Howard the Duck! Com o Quack-fu do nosso lado, não podemos perder!
8 -

domingo, setembro 14, 2008

Sempre a pergunta: Por quê?

É sempre bom perguntar o porquê das coisas.
Nós somos primeiro seres de Vontade e segundo seres de Razão; não é nada difícil nos encontrarmos empenhados em algo que não sabemos o motivo, entretanto, não há debate que faça sentido que antes concordemos que queremos chegar à resposta da mesma pergunta e que fazemos a mesma pergunta com o mesmo propósito.
Então acho que assim que passar essa loucura de final de ano, eu vou começar um blog novo, mais sério, perguntando coisas e tentando respondê-las.
A proposta do blog vai ser analisar as questões de uma perspectiva niilista e pessimista. Por quê?
Em primeiro lugar, porque pra responder as questões precisamos deixar claro em que universo conceitual estamos.
O universo conceitual do pessimismo é aquele que diz que o universo não há uma ordem natural que leva ao bem-estar da humanidade - disso se segue a necessidade moral de uma ordem artificial, anti-natural, fazendo com que o exercício do filósofo seja não a descoberta, mas a criação.
O universo conceitual do niilismo é aquele que diz que com a negação do sofrimento e do caos da ordem natural também traz a negação da razão e da ordem artificial, pois o primeiro tem um estatuto ontológico primário ao segundo (há vontade sem razão, não há razão sem vontade).
São dois universos conceituais Schopenhaurianos, ambos devidamente modificados por Nietzsche, Heidegger e Sartre - mas eu vou usar o pano de fundo de Schopenhauer aqui, primeiro, pelo motivo prático de que é a filosofia que estou mais familiarizado, em segundo lugar, porque há em Schopenhauer o conceito de "Salvação" e o conceito de uma metafísica sem cristianismo; conceitos que talvez só existem em Nietzsche (na figura de Zaratustra), mas de qualquer forma, em Schopenhauer eles estão mais sólidos.
O que não existe em Schopenhauer que será adotado nesse projeto é o perspectivismo; que é conclusão do próprio estatuto ontológico da vontade-de-vida (que pode ser entendida como vontade de poder) em relação à razão: a razão é uma ferramenta utilizada pela vontade para realizar suas necessidades - se a proposta leva em conta a necessidade de uma democracia, então é preciso que todas as vontades sejam consideradas - existia em Schopenhauer o conceito de "compaixão", que significa ver no sofrimento do outro o próprio sofrimento, mas ele depende de uma vontade universal que faz com que todos sofram da mesma forma - como é inaceitável a idéia que todos sofrem da mesma forma, é preciso mais do que compaixão, pois não é o suficiente reconhecer no sofrimento o outro o próprio sofrimento, mas sim reconhecer que o sofrimento do outro é diferente, mas que na garantia da livre satisfação da vontade dele existe a garantia da livre satisfação da própria vontade; logo, a democracia.
Por fim, estabelecido o universo conceitual, a relação será entre as diferentes representações do mundo e a representação aqui proposta, para que, a partir delas, se possa criar propostas de ordens morais que consigam guiar uma prática que é racional sem a ingenuidade da liberdade da vontade e uma prática que é democrática no sentido que assegura, ao mesmo, a coesão enquanto seres que discordam entre si.
Em suma, a proposta é mais uma tentativa de realizar o que Kant e Schopenhauer pretendiam - a moral por meio da metafísica - mas levando em consideração que o mundo sem deus é o mundo sem unidade e sem obrigações éticas dadas pelo passado.
Como tal, a proposta não é fechada, alterando-se cada vez que o "por quê?" for alterado.

quarta-feira, setembro 10, 2008

All I really want



Do I stress you out?
My sweater is on backwards and inside out
And you say: "how appropriate!"

I don't want to dissect everything today
I don't mean to pick you apart, you see
But I can't help it

And there I go, jumping before the gun-shot has gone off
Slap me with a splintered ruler
And it would knock me to the floor if I wasn't there already
If only I could hunt the hunter

And all I really want is some patience
A way to calm the angry voice
And all I really want is deliverance

Do I wear you out?
You must wonder why I'm relentless and all strung out
I'm consumed by the chill of solitary

I'm like Estella
I like to reel it in and then spit it out
I'm frustrated by your apathy

And I am frightened by the corrupted ways of this land
If only I could meet the Maker
And I am fascinated by the spiritual man
I am humbled by his humble nature

And what I wouldn't give to find a soulmate
Someone else to catch this drift
And what I wouldn't give to meet a kindred

Enough about me
Let's talk about you for a minute
Enough about you
Let's talk about life for a while
The conflicts, the craziness
And the sound of pretenses falling
All around, all around

Why am I so petrified of silence?
Here, can you handle this?
Did you think about your bills, your ex, your deadlines?
Or when you think you're gonna die?
Or did you long for the next distraction?

And all I need now is intellectual intercourse
A soul to dig the hole much deeper
And I have no concept of time, other than it is flying
If only I could kill the killer

And all I really want is some peace, man
A place to find a common ground
And all I really want is a wave-length

And all I really want is some comfort
A way to get my hands untied
And all I really want is some justice

terça-feira, setembro 09, 2008

Respostas simples

E de repente eu me lembro de vários e vários motivos pelos quais eu não gosto do PT
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Um motivo pelo qual eu nunca duro muito tempo em nenhum tipo de grupinho é o quanto eu tenho nojo de respostas simples, de uma linha, que explicam todos os males do universo.
O que certamente me "desligou" da esquerda na adolescência era um professor de geografia que insistia em dizer que os EUA eram culpados de tudo que existia de ruim na terra.
Eu o acompanhei um tempo, ok, eu era novinho, mas poucas vezes eu rejeitei um grupo sem ter concordado com ele durante um tempo.
Então quando as torres foram atingidas, eu tinha lá meus 16 anos e cheguei em casa comemorando, dizendo que não morreu tanta gente assim, que os estados unidos tinham merecido, coisa de adolescente bobinho influenciado por professor de geografia.
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Enfim, chegou o momento que cansou, pouco depois desse 11 de Setembro, eu já estava arrependido, me senti horrível por ter comemorado a morte de toda aquela gente e comecei a me questionar se os EUA eram realmente assim tão maus quanto todo mundo diz.
Quando o professor de geografia entrou na sala, com um sorrisinho no rosto, dizendo que foi "interessante" os ataques; essa foi a gota d'água: o mundo tinha que ser mais complicado do que os malvados norte-americanos dominando os oprimidos, pois na minha mentalidade "bem vs mal" de história em quadrinhos, não era possível que os heróis fosse um sujeito que não conseguia conter o sorriso após a morte de milhares de pessoas.
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Então por aí foi a história da minha vida: ainda tem coisas que me assumo, me assumo como liberal e me assumo como ateu, mas me recuso a utilizar a frase "o livre mercado soluciona" e "a culpa é da religião".
É mais complicado que isso, o mundo é mais complicado, se a resposta é simples demais, certa demais, universal demais, ela provavelmente está errada, pois o mundo de contigências em que vivemos é mutante demais para uma resposta universal qualquer.
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Então vem essa notícia:
O governo norte-americano, pra prevenir uma recessão, injetou um dinheirão em duas empresas importantes do mercado imobiliario.
Foi certo?
Não sei, não sou economista, não vou dar minha opinião.
O que eu vou dar um chute é que a reação do PT foi errada.
Começa que essa palavra "neoliberalismo" é uma palavra sem significado, ela não se aplica a nenhum país, a nenhum modelo econômico específico, é usada de modo muito amplo para descrever uma política com pouco welfare state, mas aí dona tonta e óbvia (pessoa a quem o Aécio Neves agradece por lhe garantir uma presidência fácil) diz "que os Estados Unidos nunca praticaram o neoliberalismo puro", mas até aí, não existe esse tal "neoliberalismo puro" senão no mundo imaginário e encantado da retórica petista.
Mesmo olhando de uma perspectiva de esquerda, todo estado sempre defendeu seus capitalistas, olhando de uma perspectiva mais geral, é preciso, em primeiro lugar, se perguntar o que causa essa crise econômica e, de novo, não sou economista, mas eu vou rejeitar tanto as respostas "foi o livre mercado" quanto "foi intervenção estatal na economia" porque com um cenário econômico globalizado e complexo como esse, quem é que pode apontar *uma* causa pra qualquer coisa?
Bom, o PT se decidiu, é "culpa do livre mercado" e todo aquele governo moderno que ele dá dicas de ser logo se desfaz nos socialistinhas clichés de sempre, com o mesmo messianismo de boteco sobre essa misteriosa queda do capitalismo que está constantemente na esquina, mas nunca chega, assim equivalendo os governantes da nossa nação a qualquer pé rapado de comunidade de liberalismo no orkut que carregam suas tábuas de "é culpa do Estado".
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Que o ministro da fazenda tenha aceitado essa explicação assim tão fácil é o que há mais de trágico, vamos lá:

- Fannie Mae e Freddie Mac são duas empresas *criadas pelo governo*, lá na grande depressão, com o propósito exclusivo de comprar hipotecas; em algum momento da década de 80, elas deixaram de ser estatais para virar uma espécie híbrida: passou a ter aciosnistas, CEOs com salários milionários, coisas do tipo, mas ainda é algo como uma empresa pública, no sentido que ela deve manter seu trabalho de financiar hipotecas.

- Ela não está conseguindo financiar hipotecas, logo, o governo norte-americano está injetando dinheiro nela (coisa que é grande, mas nada remotamente parecido com o "proer" como tem economista ignorante dizendo aí, já que os bancos salvos pelo FHC eram privados e Fannie Mae e Freddie Mac são - de novo - algo como híbridos) - se isso não der certo, o governo provavelmente vai completamente re-estatizar as empresas.

- O fato de que as duas maiores empresas do mercado sejam empresas que nasceram estatais, por si só, já pode ser apontado como uma causa da crise do mercado imobiliário, ao invés de salvação, mas aí vai da sua interpretação; Sarah Palin, por exemplo, que tem a mentalidade conservadora cliché, diz justamente que as duas empresas se tornaram "grandes demais" e que, caso eleita, as tornará "menores"; dá a entender pela fala dela que ela considera as empresas como estatais logo de cara, enquanto tem gente aqui no Brasil dando a entender que são empresas privadas sendo estatizadas.

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No fim, é isso, não sei o que causa, não sei qual a solução, mas ver ministro da fazenda comprando respostinha pronta de professor de geografia é foda.

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EDIT: Só vi jornal brasileiro falando em "200 bilhões de dólares"; ainda não descobri daonde eles tiraram esse valor.

EDIT2: Ah, ok, achei uma reportagem do New York Times que explica direitinho.
Mas ainda apresenta discrepâncias, tanto com o que vem sendo reportado por aqui quanto com a reação do PT.
Por exemplo:
A reportagem diz que o plano representa o "cessar-fogo ideológico" de décadas, onde conservadores (ou neoliberais como chamariam aqui) dizem que a empresa se tornou grande demais no mercado, sendo uma extensão de "big government" enquanto democratas a defenderam.
Agora, como exatamente a falência de uma empresa considerada uma extensão do governo representa uma vitória contra o neoliberalismo é algo que eu falho em compreender, mas de novo, o problema são as respostas simples.
Que o governo tenha assumido controle das empresas e que tenha prometido até 100 bilhões de dólares para garantir seu funcionamento (o que é levemente diferente de ter injetado 100 bilhões de dólares em cada) e que isso tenha sido necessário, certamente é algo que vai contra defesas do livre-mercado; outro lado da moeda é se esse problema não teria se extinguido, em começo de conversa, se ao invés de subsidiar as empresas por tanto tempo, o governo não tivesse diminuído seu tamanho (que é o que pretende fazer agora - algo oposto ao estatismo que os petistas parecem pensar estar ocorrendo) há décadas atrás.
O que pode gerar a tal situação: Um ato "anti-liberal" hoje é certo, mas no contexto geral de uma economia saudável, o que faltou foi liberalismo.
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Mas enfim, de novo, quem sou eu, os economistas da esquerda que comemorem o que quiser.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Edcuação

Baseado nisso: nisso

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E é por isso que eu não falo muito de educação, primeiro lugar porque não tenho uma opinião formada, segundo lugar, porque eu cada vez mais acho que o sistema educacional é ativamente nocivo para a juventude.
Sob o risco de parecer hippie demais, fico triste que em algum momento paramos de criticar a escola como instituição, que nos rendemos ao ciclo escola->faculdade->emprego->vida infeliz de modo tão passivo.
Aí vem quem me diga que eu estou sendo pragmático de menos, que *temos* que incentivar a educação que é melhor pra economia, pra sociedade, pro individuo, pra bla, blé, bli, bló, blu.
Eu sei disso tudo e é exatamente porque eu evito falar a respeito, pois é exatamente esse lado que me impede de ter uma opinião formada.
Se eu pudesse advogar aqui "estilos de vida alternativos" na maior e sem preocupações, diria que a escola é um mal e ponto final, mas é irresponsável dizer isso, as pessoas, afinal de contas, tem que trabalhar, tem que entrar no mercado de trabalho, tem que isso, tem que aquilo, ainda assim, toda vez que eu vejo adolecentes estressados em entrar nas melhores universidades para ter os melhores empregos em menos tempo possível, etc e tal; eu não consigo deixar de achar que todo o sentido da educação está se perdendo, de que educação é só um anexo do sistema econômico e embora qualquer marxista aí fora vai comemorar porque eles sempre disseram isso, eu digo que *não precisa* ser assim, o capitalismo não precisa disso pra funcionar, só está se tornando assim porque pais (e namorados mais velhos) se estressam desnecessariamente com adolescentes que sem jamais terem uma chance de realmente refletir sobre o que querem de suas vidas, já a planejam toda.
Como conciliar isso com um mercado de trabalho "cada vez mais competitivo"?
Sei lá, é por isso que não tenho grandes ambições financeiras, acho que o que acontece com essa criançada é simplesmente que eles tem medo de viver uma vida sem empregada doméstica e sem internet e sem dinheiro pra roupa, etc; aí eles acham que tem que ter o *PUTA* do emprego senão o destino é a favela.
E não necessariamente, empregada doméstica não faz tanta falta, internet não é tão caro, roupa de brechó também é bacana. Relaxe, meu povo.
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Acho que universidade é um passo muito bom e importante na vida de uma pessoa, mas até aí, eu faço filosofia, minha universidade me promete muito pouco em termos de carreira profissional, mas o que ela me deu de conhecimento, eu não conseguiria em nenhum outro lugar e por isso eu sou grato; claro, eu poderia ter tido pelo menos uma aula de Tomás de Aquino e eu poderia ter visto mais de Locke, mas num geral, foi um bom curso, mas acho que um motivo grande pelo qual eu aproveito minha faculdade é que a educação em si é uma espécie de objetivo; educação não é um meio para se conseguir um emprego, logo, não é um peso. É difícil e cansativo, mas não é um peso, não é algo que, caso eu fracasse, meu futuro seja a favela.
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O lado pior disso, entretanto, não é nem tanto os adolescentes de classe média estressados. Isso é péssimo, isso é horrível, mas pior do que isso, é que quando educação se torna um mero passo estúpido em direção a uma faculdade, a classe baixa, que não tem esperança de fazer faculdade, passa a não se importar com educação.
Então é isso, educação pode muito bem ajudar um pobre a ter uma vida profissional melhor, mas se não serve *pro vestibular* então *não serve e ponto* e isso faz com que o seu colégio público habitual seja uma prisão/puteiro ao invés de centro de ensino.
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Diga-se de passagem: vi uma pesquisa esses dias que 95% dos universitários da classe baixa estuda em universidade particular (acho que vi isso na Veja, então, heh, vai saber).
Mas de qualquer forma, pra qualquer um que estuda em universidade particular (eu incluso), sabe que é visível que as pessoas lá são mais pobres do que as que estudam de graça em universidade pública.
Isso cria algo de pior:
Universidade particular, num geral, tem um vestibular meramente simbólico, então o sujeito não estuda nem pra entrar na universidade, uma vez lá dentro, ele quer saber do diploma e não do conhecimento, então ele não estuda dentro da universidade, ele usa a universidade pra conseguir um estágio e no estágio ele aprende a profissão, ou seja, as aulas, as provas, tudo o mais é como que uma punição arbitrária e sem sentido para que se possa, no futuro, conseguir um diploma.
Uma vez no emprego, sujeito se acomoda e assim vai até o fim da vida.
Ou seja, no fim, temos um diplomado atuando no mercado de trabalho que, na prática, não teve educação, não significa que ele não seja bom no seu emprego, mas meio que mostra como o sistema é besta, porque a empresa poderia muito bem ter contratado alguém sem faculdade como estagiário que daria na mesma.
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Mas podemos falar sobre isso?
Não podemos.
O lance é perguntar: "como fazer com que mais pessoas passem por esse estúpido e inútil processo que, de forma quase irônica, chamamos de 'educação', enquanto ele nada se assemelhe com obtenção de conhecimento"?
Aí começamos a falar do salário dos professores, das vagas das universidades públicas, das cotas, etc.

sábado, setembro 06, 2008

Criacionismo e metafísica

Após ler esse artigo.
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Uma coisa que me incomoda muito nesse debate ateísmo vs criacionismo é que os dois lados se fazem de bobos porque ambos discutem um problema metafísico como se fosse físico.
Então sendo um debate falido logo de cara, ele se torna ativamente ridículo quando qualquer dos lados tenta se aprofundar - um "provando" que deus não existe e o outro "provando" que não existe evolução, enfim, no fim, nenhum dos dois lados prova nada, mas, lado, o pêndulo tende ao ateu, porque ao mesmo tempo que ele não pode provar que deus existe, ele pode ao menos provar a evolução; o criacinista não prova um, nem desprova outro.
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Mas vamos lá, vamos nos concentrar nos criacionistas:

"n his recent TV series, The Genius of Charles Darwin, Richard Dawkins visited a London secondary school, took a mixed bunch of kids out fossil hunting on the beach, and then came back to the school to talk to them and their teachers.

Some of what he discovered in his travels was truly shocking – like the science teacher who honestly believes that the world was created by God a few thousand years ago because the Bible tells him so."

O que me espanta na resistência criacionista em admitir que a terra foi criada há mais tempo que isso é que é uma crença falsa, provada falsa e ele não precisa dessa crença para crer na bíblia.

Olha, eu sou ateu, mas eu vou formular aqui como eu entenderia racionalmente a bíblia se eu cresse em deus:

- Deus é um cara inteligente. Ele escreveu a bíblia pra um público-alvo que demoraria milhares de anos para entender o quão complicada é a maquinaria da existência. Então veja bem, por motivos pragmáticos, deus não poderia ter escrito "a evolução das espécies" no gênesis; ele tinha, afinal, que explicar a queda, as primeiras familias, etc.
Então deus, sendo esse cara inteligente, cria uma explicação satisfatória pra época da primeira edição da bíblia e pensa "bom, depois que ela for aceita, certos fatos físicos como se o mundo foi criado em 7 dias ou bilhões de anos vai ser de menos, porque, afinal de contas, o que realmente importa é que as pessoas entendam que o mundo foi criado por mim, que ele é dessa maneira por causa da arrogância humana em buscar conhecimento do bem e do mal, etc."
Enfim, temos que pensar que se deus criou um livro para resistir a eternidade, contendo verdades eternas, daí não se segue que ele contém fatos eternos; há de se entender duas coisas:
Uma verdade pode ser simbólica sem deixar de ser verdade.
O livro tem que ser lido por todas as pessoas - dos humildes do século III aos cientistas contemporâneos - se ele contivesse a explicação completa de como o mundo é mundo, isso significaria que ele estaria nos dando por literatura o que ele nos tirou no pecado original, o que é nonsense; não tendo uma explicação completa do mundo, ele tem que ser universalmente acessível levando em conta as limitações culturais de todas épocas, ou seja, ele não pode entrar em detalhes sobre genes e DNA, então ele escreve alegoricamente, esperando que os fiéis sejam inteligentes pra entender o detalhe relevante ("eu criei o mundo") e deixando de lado os detalhes menos relevantes ("eu o fiz em 7 dias e não mais").
O que nos leva a outro problema do criacionismo:

- Eles adotam um modelo de racionalidade que eles mesmos consideram falho como ideal:
Várias vezes os criacionistas criticam o uso da indução e da observação como descobrir que o universo foi criado, esse livro por exemplo:

"CRIAÇÃO - Criacionismo Bíblico
Alexander vom Stein


CRIAÇÃO deixa claro que as perguntas sobre “de onde” e para
onde” não devem ser respondidas somente pela observação e dedução, mas em última análise pela fé. "

Ainda na minha personagem do cristão: eu concordo 100% com isso sem discordar uma vírgula da evolução.
Primeiro que evolução não pergunta "para onde"; mas entender o "de onde" no sentido físico é mesquinho, é praticamente uma definição de materialismo, é praticamente entender deus como o big bang e, bom, não como deus.
Uma coisa ridícula dos ateus atuais é o quanto eles se esforçam pra dar "contra-provas" pros argumentos de Tomás de Aquinos, mas no mínimo desde Hume que os argumentos de Tomás não podem mais ser aceitos; isso não impediu grandes filósofos modernos, quase contemporâneos, como Kant e Hegel de realizarem uma defesa da existência de deus.
Deus, afinal de contas, é uma causa extra-temporal se por nada mais senão o simples fato de que ele criou o tempo (logo, deveria existir antes do tempo).
Mas claro, os ateus só são bobos porque eles mordem a isca de teólogos ignorantes, pois um bom teólogo entenderia que uma explicação racional da fé *não é* uma explicação indutiva e empirista da fé porque, como a própria sinopse do livro diz, ela não nos dá todas as respostas.
Indutivismo e empirismo são o modelo da explicação física do mundo e, mais do que nas evidências ou no seu próprio modelo de prova, ele tem sua confirmação no fato de que alguém, guiado por esse conhecimento, consegue manipular a natureza de modo mais consistente do que alguém que não tem esse conhecimento.
Explicar a natureza, no entanto, NÃO É explicar a criação inteira; isso é trabalho para nós metafísicos, campo em que concorremos com os religiosos, se os criacionistas fossem espertos, eles pegariam daí.
Explicações simbólicas, alegóricas, probabilisticas, metafísicas também são verdadeiras, só não o são para o mundo natural, mas se estamos falando em um ser que existia antes do próprio tempo-espaço, então certamente estamos falando de um ser que, pra ser compreendido, precisa de algo diferente do que a explicação natural.
Todo o trabalho de Kant foi feito no sentido de mostrar que uma explicação mecanicista e uma explicação transcendental, embora aparentemente sejam contraditórias, podem muito bem viver lado a lado.
O que os criacionistas fazem é dizer "não, não podem! Apenas uma explicação deve existir!" então eles adotam o modelo cientificista (nem o empirista mais) de verdade e partem pra usar ele em uma explicação metafísica, quando falha (porque deus existindo ou não, o principio está errado), eles resultam a coisas ridículas como "deus coloca evidências do contrário para nos enganar" o que já é algo imensamente complicado de responder física, teológica e metafisicamente; muito mais complicado do que simplesmente dizer "darwinismo é o fenômeno espaço-temporal de uma criação que se deu transcendentalmente"; admitir isso seria a metafísica mais responsável, mais racional, menos nonsense, mas aí entramos no terceiro problema:

Todo esse debate não é a toa.
Não é um desejo genuíno por descobrir os mistérios da existência.
Não nasceu do espanto de um homem para com a natureza.
Esse é um debate político e é *por isso* e não por causa da bíblia, que os criacionistas rejeitam evidência, assim como tem socialista que jura de pé junto que o capitalismo vai cair enquanto as evidências mais que provaram que o modelo capitalista é imensamente resistente a crises, o criacionista recusa evidências porque minaria um projeto político dele.
Criacionismo foi o modo que alguém imbecil pensou de colocar ensino religioso de volta às escolas disfarçado do dogma de ciência.
Seria muito mais honesto se o imbecil simplesmente dissesse "as escolas precisam de ensino religioso" ou ainda, se ele organizasse sua comunidade e investisse em criar mais aulas de catecismo.
Mas isso não é bom o bastante pra religião como força política; assim como não é o bastante para certos socialistas criar um partido e disputar eleições, eles tem que se infiltrar em aulas de geografia e história para dizer para as crianças que seus pais empresários são criminosos: o imoralismo é igual.
Então, sobre isso, eu não tenho que fazer. Eu só tenho que esperar que os cristãos honestos percebam que estão sendo usados como ferramenta política e que isso não vai acabar bem pra ninguém:
Não acaba bem para o progresso científico, pois explicações criacionistas não contribuem para a manipulação da natureza.
Não acaba bem para o progresso espiritual, pois explicações criacionistas distraem o cristão das questões transcendentais importantes para questões físicas irrelevantes.
Não acaba bem para o progresso intelectual, pois explicações criacionistas confundem o físico com o metafísico e não nos elucidam nada sobre um, nem sobre outro.
E tudo isso para que esse ou aquele governante tenha uma vantagem eleitoral.

Memoirs

Meu primeirissimo contato sério com música foi com Pink Floyd; antes de Pink Floyd eu já tinha escutado Green Day, Raimundos, Blind Guardians, mas enfim, foi Pink Floyd que realmente me marcou fortemente na adolescência... não que isso importe, porque hoje eu não faço absolutamente nada que remotamente se assemelhe a música (embora tive minha cota de momentinhos em termos de jornalismo musical) e só ouça bandas de meninas apaixonadas (Becky, I wanna borrow your boyfriend...), música teve lá sua importância na minha vida, vá lá, música importa na vida de todo mundo em certo grau em algum certo momento.
Aí eu acabei cruzando com Alanis Morissette e me lembrei de um fato até agradável de antes mesmo disso tudo.
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Quando eu era pequeno, eu costumava viajar pra lá e pra cá em férias com a familia; nunca gostei dessas viagens, mas enfim, criança, etc; o que eu ia fazer? Eles me arrancavam do meu videogame que eu oh tanto amava, me jogavam num carro e lá eu perdia meu precioso fim de semana.
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Numa dessas viagens, lembro de ter ficado em um hotel, eu tinha levado pra ler a arte da guerra de sun tzu, estava realmente empolgado com Warcraft 3 que tinha acabado de baixar da internet (e era um lançamento - detalhe importante pra eu saber o ano que se passou isso... ok, foi lá por 2002) e enfim, minha irmã tinha levado o cd-player dela com alguns CDs.
Um CD que tinha lá era um inteiramente preto, sem nenhum nome whatsoever, que só depois eu fui saber que se chamava Jagged Little Pill (ainda hoje quando me vem a cabeça, a primeira expressão que vem é algo como "Tar Jagged Pit" porque foi o que eu memorizei antes de aprender o nome real do CD... fazia sentido também, ele era todo preto e me lembrava um poço de alcatrão = tar pit).
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E eu achei esse CD tão bom.
Durante todo o período dessa viagem, eu escutei ele de novo e de novo e eu não sabia o nome das músicas ou as letras, então eu o escutava inteiro, do começo ao fim e agora eu estou baixando ele de novo, curiosamente, alguma coisa sempre me impediu de baixar ele... acho que tem muito a ver do quanto eu me envergonho de mim mesmo essa época, ainda hoje me acho mais imaturo do que deveria ser; 6 anos atrás então... eu me odiava naquela época e eu ainda odeio quem eu era naquela época e Alanis estando tão relacionada a isso... é, eu nunca baixei o CD, não sei se ouvi ele de novo, ainda agora eu hesitei um tempo antes de fazer esse post, como se ouvir Alanis fosse tão vergonhoso quanto ouvir alguma banda ruim que a gente ouve quando é pequeno, mas não é. Alanis é bom, eu que era ruim.
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Talvez eu faça outro post com alguma resenha do CD, vou precisar ouvi-lo de novo pra elaborar no que eu estou pensando agora, mas lembro que ele tinha essas partes poderosas, de novo, eu escutava como um todo, não fazia distinção de faixas, o álbum inteiro, do começo ao fim, era a una e inseparável experiência de retrair-me dentro de mim mesmo em um quarto de hotel estranho longe do meu quarto e do pequeno mundinho dentro dele que continha todas as coisas que eu gostava.
Ainda lembrando, a música me incentivou a algumas histórias; isso foi no colégio e lembro que eram histórias em quadrinhos que eu pensava, talvez eu e o Cunha back then tínhamos um plano de histórias em quadrinhos, mas só foi se concretizar anos depois quando eu estava na faculdade e continua se concretizando até hoje... a história tinha alguma coisa a ver com alguém que se tornava um anjo; era coisa de super-heróis, mas acontecia que um menino tinha que proteger uma menina de algum vilão e ele falhava de alguma forma e o vilão se aproximava para desferir o golpe final e ela se tornava um anjo e ela, que era pra ser a protegida, salvava os dois.
Estranho lembrar disso... hoje a noite eu esperei que isso acontecesse... nossa mente faz ligações inesperadas mesmo... não tenho problemas em aceitar um universo sem design, mas às vezes parece que meu inconsciente é bem consciente de seus atos.
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Falhas de caráter que levam a sofrimentos alheios. Eu gosto de me convencer... e convencer às pessoas que eu amo... que eu quero protegê-las.
E não é mentira, mas eu faço um acordo escondido aí. Eu protejo, mas eu quero proteção e é um acordo desonesto porque meus demônios podem ser... demais.
Se bem que é sempre mais fácil lidar com o problema dos outros, mas talvez eu seja o único que ativamente exija que os outros aguentem os meus quando eles chegam a certas circunstâncias.
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Eu gosto do que sou hoje e eu odeio aquele menino de 16, mas ainda assim, ele está aqui digitando certas palavras, eu queria que ele fosse embora, mas ele tem o seu direito, ele exige que eu o proteja porque eu só gosto do que sou hoje por causa de todo sofrimento que ele passou.
Tenho uma dívida com esse menino de 16 anos e por isso ele nunca vai embora.
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Voltando a história, o momento que o personagem se tornava um anjo era um momento que a música dava uma parada e então voltava triunfante, agora de cabeça eu acho que era You oughta know e ela sempre me causou esse conflito, porque o CD tinha essa cor preta e eu o ouvia de olhos fechados e tudo nele me gritava a cor preta, mas então a música parava e de repente ela retornava e eu imaginava esse ser abrindo asas brancas e longas e envolvendo tudo.
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Talvez eu tenha que escrever essa história.
Talvez faça parte da minha dívida com esse garoto de 16 anos que eu tanto odeio e de quem eu sinto tanta vergonha.
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A história de um menino que protege uma menina apenas para ver que era ele, o tempo todo, a criatura desprotegida.
Não é uma história que eu tenho orgulho, mas é a minha história de qualquer modo.

Oh I did! No you didn't! Yes I did!

Eu criei um twitter muito embora minha vida se resuma a sopa com ovo e Schopenhauer.
Então as mensagens provavelmente vão ser.
"Tomando sopa"
"Lendo Schopenhauer"
"Pornografia"
"Lolcats!"
Ao infinito.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Nosso criador, McCain? Jura?

"Somos todos americanos, uma ligação que significa mais para mim que qualquer outra. Somos dedicados à premissa de que todas as pessoas são criadas iguais e dotadas por nosso Criador de direitos inalienáveis."
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Não não não.
Não foi "nosso Criador" que dotou os norte-americanos de direitos inalienáveis, foram um grupo de iluministas inspirados por John Locke.
Baseado em um argumento muito racional, muito empirista, sem nenhuma referência a qualquer entidade metafísica, que John Locke formula o conceito de direitos inalienáveis; então não vem que não tem, teu deus pode ter criado o universo, esse com miséria, violência e terroristas doidos, mas foi um filósofo que te garantiu os direitos aos quais você tanto se dedica.
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Mesmo porque tem um erro teológico *GRAVE* em falar que Deus garante direitos inalienáveis a vida, liberdade e propriedade privada (ou vida, liberdade e busca pela felicidade como está na constituição norte-americana).
Deus não garante direitos, ele criou o universo, se ele quisesse assegurar sua vida e sua liberdade por meio de algo forte como um direito, certamente ele, em sua onipotência, teria criado um universo sem assassinato e sem escravidão; o que deus faz é criar leis para que os homens a obedeçam de livre-arbítrio, se deus tivesse dotado os homens de direitos que eles não podem se desfazer, um outro homem não poderia violá-los.
"Mas deus cria mandamentos e os homens violam".
Pois a diferença é que obedecer a lei ou não é um ato de livre-arbítrio e deus permite o livre-arbítrio; já um direito, é uma "proteção", você não escolhe que o outro viole seu direito.
Pode bem haver uma lei divina "não escravizar" porque "escravizar" é um ato feito que parte do meu livre-arbítrio, mas não pode haver um direito divino "ter liberdade" porque "ser escravizado" é um ato que parte do livre-arbítrio de outro.
Motivo enough, que o mandamento é "não matar" ao invés de "não ser assassinado".
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Nota que direito divino é coisa de monarquia e o raciocínio não era "me obedeçam, pois deus me garantiu esse direito", mas sim "deus me garantiu esse direito, logo vocês não tem escolha, quem afinal pode violar um direito divino?"

quinta-feira, setembro 04, 2008

Querido blog

Descobri hoje que sou um cara mais "Estadão" do que "Folha de São Paulo"; isso faz de mim uma pessoa ruim?
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Minha memória falha, agora mesmo, eu tinha algo planejado pra dizer antes de "a minha memória falha", mas não lembro mais; caminhando por posts antigos, eu achei um de 2005 que eu falo que lia na Sartre na adolescência e isso me incomoda agora: será que alguma vez na minha vida eu li Sartre e não lembro mais? Sei que lia Nietzsche (como também falo no post), sei que sempre gostei de Simone de Beuvoir, mas Sartre? Será que minha mente suprimiu essa informação? No mais, eu termino aquele post com uma fala legal; disse que "anime friends industrializou meu estilo de vida".
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Meu estilo de vida:
Hoje consiste em pouco mais do que tomar sopa de letrinhas com ovo, ler Schopenhauer e temer pelo futuro.
Há amor e sou muito grato (a quem?) pelo que amo e pelo que sou amado de volta, mas há anos e anos esse fantasma de "você está perdendo tempo, poderia estar produzindo e não está" me assombra.
Nesse sentido, fazer minha monografia de final de curso tem sido uma experiência boa, me fez ver o quão boa é essa área de filosofia, o quão bom é escrever e estudar, mas agora vem o medo: hoje levarei o meu primeiro capítulo para meu orientador e relendo agora, vi que talvez não esteja bom o bastante, pra termos de academia, tem uma idéia ou outra que eu reconheço interessantes, mas num geral, eu não sei se cumpro o que a instituição espera de mim.
Mas é um desafio a se enfrentar, filosofia é uma área divertida e só melhora no que vamos nos especializando, mas é também um trampo, mão na massa, rigor, clareza, etc, sempre me disseram pra não transformar seu hobby em emprego, bom, filosofia não é meu hobby, filosofia é toda minha existência; metafísica é o único conhecimento que me desperta interesse e o único cuja resposta considero absolutamente essencial pra vida (os outros conhecimentos ajudam, mas dá pra viver sem eles; já sem metafísica, não sei), mas além disso, é, como já dito, um trampo e, como trampo, eu tenho que obedecer certas regras do jogo e, bom, nunca fui bom em obedecer regra de lugar nenhum, acho que estou pra entrar em um momento complicado da minha vida.
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E ah, eu deveria estar trabalhando, certamente preciso do dinheiro e tenho como consegui-lo; mas primeiro a metafísica, peço perdão a todos aqueles prejudicados no processo.
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Mesmo porque, eu já tenho um Playstation 3.
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Playstation 3:
Minha TV está quebrada e não o jogo faz um bom tempo, mas me decidi não ser levado tanto pelo hype dos lançamentos e arriscar comprar jogos usados no mercado livre; meu alvo agora é Resistance: Fall of Man ou Uncharted: Drake's Fortune : o que estiver mais barato, mas se a diferença de preço não for grande, vai Uncharted.
Um motivo, possivelmente, é uma entrevista a muito tempo com um diretor de arte, ele dizia algo do tipo: "enquanto todos os jogos dessa nova geração tendem a ter uma paleta de cores mais voltadas para o preto e o cinza, utilizamos o verde como nossa cor principal" e isso reflete no jogo todo.
Não só o cenário é de fato colorido, como os personagens são simpáticos e o ambiente todo é de filmão de aventura, que nem Indiana Jones, o que nos mostra uma coisa:
Tomb Raider sempre foi comparado com Indiana Jones, pois ambos os personagens principais são arqueólogos, mas me ouçam todos, Indiana Jones poderia ser um exterminador de ratos, o que sempre fez George Lucas se destacar foi colocar otimismo em uma época que o principal era "palheta de cores que tendem ao preto e ao cinza" e por Atena, blog, preciso de um final feliz!
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Tem ovo na geladeira, vou lá comprar sopa.
Parei de contar os meses que sou vegetariano, só digo que me sinto sim moralmente superior ao resto de vocês por poder dizer "não como bichos" enquanto tento me esquivar de maneira desajeitada daqueles que dizem "mas come queijo e ovo".
Carne não faz falta, só não é prático.
Eu vou a uma praça de alimentação qualquer e fico impressionado com quão poucas opções existem pra vegetarianos e a desculpa sempre é "eu não conseguiria".
Ah, consegue, carne não faz falta.
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Sarah Palin me assusta.
Faz colocar coisas em perspectivas.
Eu tendo a considerar esse debate ateísmo vs teísmo muito entendiante (sim, eu, que gosto tanto de metafísica), como diz Schopenhauer, importa pouco o número de deuses, o que pega mesmo é sua postura é otimista ou pessimista (entendendo "otimismo" como "um universo desenhado para garantir nossa felicidade" e "pessimismo" com o"universo que não garante nossa felicidade") e, dessa perspectiva, ateísmo e cristianismo ficam de um lado, judaísmo e paganismo ficam do outro (afinal, o "design inteligente" cristão foi criado com o propósito de nos fazer sofrer até pagarmos pelo pecado original, felicidade é coisa pra outro mundo, esse daqui é porrada).
Mas quando uma candidata a vice-presidente do país mais poderoso do mundo é criacionista e ganha votos por isso, algo me desperta pra que, talvez, eu tenha que colocar essa coisa de metafísica pra um uso menos nobre do que "metafísica é bacana" e entrar nesse debate.
Aí as circunstâncias ditam; um dia os ateus serão uma ameaça, já o são de certo modo, mas hoje os cães da guerra estão nas mãos dos criacionistas, então um inimigo de cada vez, tem metafísica bélica pra todo mundo e acredito que no percurso de uma vida rica o bastante dá pra irritar todo mundo.
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Então é isso, caro blog.
Na falta de deuses, agradeço a você por manter o niilismo em guarda, agradeço também a menina bonita que muito pacientemente me espera em lugares mais frios do Brasil, sem um coração aberto esperando a distância e um ouvido surdo para escutar textos inócuos, o que seria desse pobre Pangloss pessimista?

quarta-feira, setembro 03, 2008

Oh wow

Ok, eu sei que tem muita gente doente na internet, mas essa tem que ganhar o prêmio.
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Então, como alguns de vocês já sabem, meu feed meio que pega qualquer blog que fale de "filosofia", não sei se é tão assim, mas enfim.
Eu achei esse blog e é dessa menina que lançou um livro e, enfim, o blog dela é todo cor-de-rosa, o livro tem a capa cor-de-rosa, com um pônei (ou algo suficientemente parecido) cor-de-rosa na capa, aí eu fui ler a descrição do livro e é algo tipo "O Mundo de Sofia"; é uma menina que por algum motivo começa a se questionar sobre o mundo e eu, genuinamente, pensei: "uau, interessante, deve valer a pena dar uma olhada nesse livro".
Aí eu comentei no blog dela:

"Enfim, em primeiro lugar, parabéns pelo blog, pelo livro, etc; eu vou procurar dar uma olhada (embora parece que homens barbados e pessimistas não são seu público alvo, adoro essas coisas de menininhas quando são bem feitas, ou seja, mais do que tentar convencer menininhas a serem esposinhas)"

Nota, que eu ainda dei um "twist" feminista; eu disse que *ADORO* essas coisas de menininhas, *desde que* seja "mais do que tentar convencer menininhas a serem esposinhas".
Agora relendo eu não sei se isso fica absolutamente claro, digo, porra, é um comentário de blog, eu não pensei muito nele, forçando a barra, até dá pra entender que eu gosto mais de coisas de menininhas do que eu gosto de "tentar convencer...", mas vá lá, olha o sentido do texto, eu acho que tá bem claro que no máximo falta aí entre o "ou seja" e o "mais" um "desde que seja".
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Enfim, foi isso o que eu tentei dizer, que eu gosto de coisas de menininhas (e pessoal que me conhece sabe o quanto eu gosto de Pucca, de gibis do tipo peter parker loves mary jane, ia até fazer um comentário sobre o wolverine: first class desse mês que foi bem nesse estilo) quando fazem menininhas serem mais do que esposinhas.
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Enfim, após tudo isso, qual a resposta?

"Talvez homens barbados e pessimistas possam gostar do livro. Embora talvez você tenha razão, meninas são seres inferiores, só têm beleza e não têm nada na cabeça. Pelo menos elas são bem úteis para comer. Eu gosto de fazer sexo com as meiguinhas, porque elas gritam mais no momento do estupro. Como eu digo em Velevi, mulheres deveriam ser empalhadas, pois assim podemos apreciar a beleza delas e não precisamos escutar as besteiras que elas falam."
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E eu estou chocado!
Poucas coisas me chocam na internet, nesses longos anos de internauta eu já cruzei com todo tipo de psicopata doente e asqueroso, mas porra, daonde meu comentário foi tão incrivelmente ofensivo a ponto de ela dizer algo horrível como "eu gosto de fazer sexo com as meiguinhas porque elas gritam mais no momento do estupro"?
Quero dizer "embora talvez você tenha razão, meninas são seres inferiores, só têm beleza e não tem nada na cabeça?"
De onde, oh céus de onde, ela tirou do meu comentário de que eu acho que meninas são seres inferiores?
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Agora vem o questionamento de porque esse ato me soou tão monstruoso.
Acho que é porque, de tudo que eu passei na internet, poucas vezes eu fui tão acusado de ser algo que eu não sou.
Uma coisa é me "acusarem" de ser tarado ou de ser libertino ou de ser imoral ou de ser anarquista ou de ter problemas psicológicos variados, enfim, de ser um monte de coisas que a certo ponto eu bem sou e que eu não tenho nada que me justificar porque não acho ser errado ser esse caos que eu sou, MAS me acusar de machismo, cara? E ainda colocar no meio algo forte como "estupro".
Isso é doentio.
Isso é mais doentio que pornografia onde as pessoas comem a merda das outras.
Isso é mais doentio que gatinhos sendo pisoteados por chinesas. (e olha que tenho adoração por gatos)
Isso é mais doentio que animaizinhos sendo queimados vivos. (e olha que sou vegetariano por não aceitar nem que animaizinhos sejam queimados mortos)
Uma acusação dessa como ela me fez, totalmente de graça, quando eu estava tentando elogiar o livro dela (e sério, quantas vezes vocês já me viram elogiando algo?) é algo que sinceramente me chocou, porque, em primeiro lugar, eu sou algo como um humanista e, sendo um humanista, eu me posiciono ferrenhamente contra qualquer tipo de discriminação; quando eu digo que gosto de coisas de "menininhas", digo que gosto de um certo estilo estético que remete àquele universo teen feminino, *desde que* (e essa é minha condição, que eu deixei explicíta no comentário) tal estilo não seja usado para incentivar mais machismo, para incentivar que meninas são esposinhas e nada mais.
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Essa é a parte "learn 2 internets"; não exponha seus sentimentos assim na internet, isso só vai fazer ela vir e, sei lá, dizer que é pra eu não negar meu fetiche por estupro ou algo assim (coisa que, surpreendentemente, não tenho; tenho uma seleção bem variada e doentia de fetiches: tenho fetiche por palhaço, por pirata, por virgens, por nerds, por pessoas dormindo, por cosplay [o que já me causou problemas em feiras de anime], enfim, alguns mais, mas filme pornô envolvendo estupro [claramente fake] é algo que nunca gostei, mesmo sabendo que era fake) e só vai me chatear mais ainda; se você se expõe na internet de modo que algo te chateie, você está fazendo algo errado, mas enfim, como que eu vou saber que ao elogiar o livro de uma pessoa ela vai acusar você de estuprar pessoas? Enfim, é como eu disse, já encontrei gente doente na internet, mas essa ganha um prêmio.
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Mas só como vingancinha; ela está começando faculdade de filosofia e...

"Já dei uma olhada no “Crítica da Razão Pura”, que talvez seja mais interessante, não sei. Vou descobrir quando ler. Mas eu não costumo simpatizar muito com esses livros excessivamente técnicos."

Hoho, tadinha, essa não dura um mês.