Um daqueles paradoxos divertidos da era da internet, onde temos um lugar particular que desenvolvemos para ficar sozinhos enquanto nos expomos voluntariamente para todo tipo de gente estranha e má que queira ver.
terça-feira, maio 30, 2006
Mas tudo isso é o que a questão não é, a questão é que não há romance por lá.
A Certain Romance
Well-oh they might wear classic Reeboks
Or knackered Converse
Or tracky bottoms tucked in socks
But all of that's what the point is not
The point's that there ain't no romance around there
And there's the truth that they can't see
They'd probably like to throw a punch at me
And if you could only see them, then you would agree
Agree that there ain't no romance around there
You know, oh it's a funny thing you know
We'll tell 'em if you like
We'll tell 'em all tonight
They'll never listen
Cause their minds are made up
And course it's all okay to carry on that way
And over there there's broken bones
There's only music, so that there's new ringtones
And it don't take no Sherlock Holmes
To see it's a little different around here
Don't get me wrong, though there's boys in bands
And kids who like to scrap with pool cues in their hands
And just cause he's had a couple 'o cans
He thinks it's alright to act like a dickhead
Don't you know, oh it's a funny thing you know
We'll tell 'em if you like
We'll tell 'em all tonight
They'll never listen
Cause their minds are made up
And course it's all okay to carry on that way
I said no
Oh no!
Oh you won't get me to go!
Anywhere, said anywhere
I won't go
Oh no no!
Well over there there's friends of mine
What can I say, I've known 'em for a long long time
And yeah they might overstep the line
But I just cannot get angry in the same way
Not in the same way
Not in the same way
Oh no, oh no no
-
O mundo tem tantas camadas diferentes, eu acho estranho que quando você começa a se aprofundar em qualquer uma delas, você descobre sempre o mesmo padrão, seja falando de política o arte; tem sempre o hype que você respeita, o que você não respeita, o pessoal underground, o pessoal da moda, o pessoal da moda underground, as crianças que não sabem o que dizem, mas acham que vão conquistar o mundo, os velhos cinicos que riem de toda tentativa de se criar algo novo, os garotos ricos e sua futilidade, os garotos ricos e sua intelectualidade, os garotos pobres e sua mediocridade, os garotos pobres e sua humildade, a classe média e seu mundinho a parte... enfim, qualquer assunto ou tribo urbana que você encontrar vão ter suas camadas but all of that's what the point is not, the point's that there ain't no romance around there...
Falar de política é sempre mais fácil, então eu vou começar por aí, mas o hype do momento na política é a "nova direita" que domina os debates da internet e faz toda aquela sagrada intelectualidade que a esquerda conquistou através das décadas parecer um amontoado de vudu que um bando de gente burra arrancou do rabo; nesse hype, eu logicamente respeito a popularidade dos libertarians, que afinal, foram quem começaram um debate político sério na internet, um que derrubou praticamente todo site e blog de esquerda, que, no minimo, fez com que um blogueiro de esquerda pensasse duas vezes antes de vomitar aleatoriamente que capitalismo é uma bosta ou coisa do tipo; mas ainda assim existem as crianças revoltadas, de ambos os lados, da esquerda os habituais burrinhos que gritam "pare a opressão" sem saber o que oprime o que e porque, apenas repetindo o que seus professores de cursinho disseram, da direita existem os novos burrinhos que se revoltam contra os professores de cursinho sendo as Ann Coulters mais bobas e irritantes que conseguem ser, que agem como velhos cinicos e usam retórica liberal para justificar seu anti-socialismo, embora não haja nenhum sentimento liberal, apenas anti-socialista, criando um misto estranho de "temos que mudar isso" e "todos que tentam mudar isso são idiotas" (contradições dessa aberração chamada "liberal-conservador"); existe ainda a esquerda rica com suas crianças milhonárias lutando por "justiça social" através de arte de segunda financiada pelo ministério da cultura, ambos os lados tem seus intelectuais com sua coleção de autores que são escolhidos e descartados no que convém ao debate; existem as crianças pobres que visitam o P-SOL e acreditam que sua pobreza não é culpa daqueles que falam que vão solucionar a pobreza por eles ("basta ser nosso escravo e nós te ajudamos") e existem os pobres que clamam por genocido como solução para as coisas (e sim, eu considero isso humildade), existe a classe média e seu liberalismo chinfrim de instituto millenium onde o real problema é a bolsa-familia but all of that's what the point is not, the point's that there ain't no romance around there...
Nesse maravilhoso mundo das baladinhas indies paulistanas, o hype sempre muda, eu não sei qual é, eu continuo indo nos mesmos lugares e fingindo que aquilo faz sentido, eu diria que o hype hoje são os emos, mas tem os indies que eu respeito (mais pela música que pelas pessoas), tem sempre a galerinha do hardcore que acha que também é a galerinha do emocore que é a mesma galerinha do punk, que no final são pessoas de 12 anos que frequentam o Hangar e ouvem o que os seus donos ordenam que eles ouçam, tudo em um pacote de adolescentes de boné virado e piercing na sombrancelha pegando menininhas que se vestem de preto, que nem qualquer matinê que toca Latino, só que com uma banda tosca de HC fingindo que tocam alguma coisa; existe o pessoalzinho do classic rock que estão há décadas na sua mediocridade dizendo que o rock morreu, tudo pra não ter que ouvir coisas novas e não ter que pensar com a própria cabeça decidindo o que é bom ou não, se limitando a ouvir durante anos as mesmas velhas músicas; existem o que chamamos por aqui de "pessoalzinho Vila Olimpia" que é quem vão para as baladinhas caras, com regras de vestimnta, agir exatamente igual o pessoalzinho de 12 anos age no Hangar, só que gastando 15 vezes mais, se vestindo de modo entediante e ridiculo, com música eletrônica da pior qualidade e sim, eles dominaram a Lôca; existe o pessoalzinho cuja balada são o noitão ou as odisséias de cinema ou os lançamentos de livro ou as exposições de arte ou qualquer coisa do tipo, são pessoas solitárias que que fazem faculdade de humanas e virarão professores de ensino médio deprimidos; existem os que vão em qualquer show de pagode/forró/axé que existe desde que não se gaste mais de 5 reais e que "tenha mulher"; existem os que economizam um tempo para ir nas baladinhas indies sem perceber o quão patética a classe média é e que essas pessoas tão cool não saem nunca de suas panelinhas e não fazem novas amizades e, pior, os que economizam muito tempo para ir na Vila Olimpia "pegar mulher" sem perceber que é lá onde estão os seres mais racistas e elitistas da sociedade, o tipo de gente que a gente esquece que existe, que falando assim parece falso, mas que genuinamente só se importam com você se sua camisa for de marca ou se seu carro for "tunado", mesmo que eles próprios já não tenham tanto dinheiro assim (sempre interessante ver a classe média falindo) e existem os indies, criando hypes em cima de hypes, se esforçando para serem as pessoas mais cool possíveis, criando uma nova existência na noite e amizades de plástico que derretem ao sol, but all of that's what the point is not, the point's that there ain't no romance around there...
E aí você para pra pensar, nada disso que eu escrevi aqui ou em qualquer post é realmente importante, eu sempre lembro daquela clássica do Hakim Bey em que ele diz que "seja sincero, não é verdade que uma vez você foi a uma festa e que aquilo teve mais importância do que, digamos, tudo que o governo dos EUA faz?" e é verdade, mas aí você para pra pensar, que importância realmente há nas festas? Onde está a honestidade do lugar? Será que teve honestidade um dia ou será que esse mundo sempre foi meio bobo e eu só demorei pra perceber? Eu lembro da garota com quem eu conversei uma vez que fui ao FunHouse e ela nunca me ligou; isso faz tempo claro, mas o que isso significa? É o tipo de coisa que marca esse universo pra mim e o Anarcoplayba vai me desculpar, mas eu acho esse negócio de sair pra balada pra "catar mina" tão imbecil quanto era na época em que eu era adolescente, é claro que se a gente vê alguém legal, sempre vai tentar alguma coisa, claro que a maioria dos homens estão lá pra isso, mas ainda assim é imbecil, céus, é como a Rebs diz, alguém sinceramente acha que vai conhecer alguém na balada? Não que seja impossível, mas céus, de repente tudo no universo é rebaixado ao patético nível de "garoto legal de filme norte-americano" onde o importante é chegar nas bases e então marcar e céus, é a isso que nós nos reduzimos, a esse nível de bestas selvagens que sequer conseguimos ser bestas selvagens eficientes para acasalar sem usar taticas de combate? Longe de mim ser moralista e dizer o que as pessoas podem ou não podem fazer, a questão não é dizer "pode" ou "não pode", mas dizer que é imbecil, o quão tudo isso acaba sendo tão sem sentido quanto a santissima trinidade do completo assassinato da alma "casamento/filhos/emprego", and course it's all okay to carry on that way, but all of that's what the point is not, the point's that there ain't no romance around there...
E de novo, a questão aqui não é delinear modos de vida ou coisas do tipo, eu estou triste, me ignorem, falta romance na minha vida e eu tento expandir isso para todo o universo para me sentir melhor comigo mesmo, mas não é como se eu estivesse fazendo um julgamento muito errado, e claro, quem sou eu pra julgar as pessoas? Se bem que eu não preciso de autorização de ninguém pra julgar os outros... sei lá, se as pessoas estão se divertindo e tendo uma boa vida, então é, eu não posso julgar mesmo, só to dizendo, que isso não funciona pra mim, MY GOD, como eu odeio isso, duas vezes já me disseram "se você fala 15 minutos com a mina e não rola, desencana", uma vez o Cunha veio e me disse isso ENQUANTO eu falava com a mina, tipo, eu tava lá, falando com ela, ele vem e me diz "demorou demais" e vai embora e tipo, WHAT THE FUCK, MAN!!!, quero dizer, céus, eu sou um tarado psicopata all right, mas eu gosto de conversar com as pessoas, eu genuinamente gosto, céus, eu não sou bom nesse negócio de "catar mina" e nem quero ser, eu gosto de pensar em mim mesmo como um ser humano, as poucas vezes que eu de fato tento "pegar alguém" em balada, eu fico me sentindo péssimo de novo, como se eu tivesse desrespeitado enormemente alguém e eu tenho certeza que desrespeito muito mais as pessoas nesse blog do que em qualque xaveco furado que tenha feito, mas céus, eu não tentaria ficar com alguém que não merece meu respeito, é um principio básico, eu vou estar dando prazer pra pessoa também e que se fodam vocês e suas estruturas emocionais fodidas, mas eu não me sinto bem usando pessoas e esse é provavelmente o post mais moralista e patético que eu já fiz but all of that's what the point is not, the point's that there ain't no romance around there...
Sabe, falta romance na minha vida, eu não vou sequer fingir que sou uma pessoa minimamente coerente ou razoavel, porque é lógico que eu não vou ficar na balada dizendo pra pessoa "você não devia tentar catar alguém", que se foda isso, as pessoas deveriam tentar sim catar as outras se isso as fazem bem, mas não faz pra mim, não funciona comigo, de nenhuma forma eu quero expandir isso para os outros, mas tem umas coisas; primeiro que eu parei de tentar ficar com pessoas na pista de dança, é inconveniente, as vezes o cara interrompe uma música boa para tentar xavecar a mina e é simplesmente errado interromper a diversão de outro pra tentar usar tal outro, digo, de todas as coisas péssimas que você pode ser numa balada, "incoveniente" é com certeza a pior, se você der um soco na mina, você fez menos mal a ela do que ficar continuamente interrompendo a sua diversão com xavequinhos furados (só que se mesmo assim ela ficar com o cara, então ela é uma imbecil e merece ter a diversão interrompida por toda a vida; incentivar esses sujeitos a continuar sendo incovenientes é um crime contra toda o genêro feminino indie frequentador de balada); depois que eu cada vez menos tento pegar alguém qualquer que seja o ambiente, eu gosto de beber, de dançar, de conversar com pessoas e eu aceitaria numa boa tomar aqueles anti-depressivos que matam o apetite sexual se isso me desse certeza que eu conseguiria conversar com uma garota bonita de bom gosto musical e não tentar avançar nela de nenhuma forma mesmo bêbado (porque todo o dito nesse blog é devidamente apagado pelo absinto), é como a Rebs diz, sabe? Eu espero conseguir uma amizade e que dessa amizade surja alguma coisa, mas sei lá, eu sou racional demais pra isso, eu não consigo ficar me enganando (ou enganando a pessoa) fingindo que não me interesso por ela só pra esperar surgir algo expontâneamente, talvez eu devesse but all of that's what the point is not, the point's that there ain't no romance around there...
domingo, maio 28, 2006
Com sono
Just feel like writing.
Sem assunto e provavelmente vai ser bem curtinho porque eu to com sono também.
Eu tinha escrito um post meio grande sobre finais de jogos de videogame, mas desencanei porque tava ruim.
Mas ainda, me sinto com vontade de escrever.
Uma vez perguntaram pro Neil Gaiman se escrever no blog não faz ele perder vontade de escrever em outras coisas, ele diz que não; meu medo é que comigo aconteça sim, acho que se eu não tivesse um blog pra me expressar, eu o faria através de histórias muitissimo mais frequentemente que faço hoje, ou pelo menos estaria ocupado em escrever bons artigos para publicar em locais mais sérios. Ou não, vai saber...
Ah, um motivo que eu desencanei do post é que eu teria que contar o final de muitas coisas que acho que as pessoas deveriam ver por conta própria, como o final de Final Fantasy X ou do Sandman (gibi mesmo; eu estava escrevendo sobre "finais" num geral e percebi que finais de jogos de videogame me marcam muito mais do que o de filmes.)
Não sei; é estranho como, de certa forma, eu me acostumei a pensar escrevendo, não sei se é algo da minha natureza ou se é um vicio que eu peguei com o blog, mas eu não consigo formar raciocinios a não ser que os escreva, o que não tem nada de errado considerando a carreira que estou pretendendo seguir (que é a de "sei-la-contanto-que-eu-escreva" diga-se de passagem), mas isso faz as pessoas estranharem as vezes com o pouco que eu falo (considerando que os textos do meu blog costumam ser maiores do que o de blogs sérios e profissionais com artigos bem estudados e fundamentados que se ve por aí), mas isso é algo que eu ando percebendo, eu geralmente não penso antes de escrever, eu estou pensando e escrevendo, pensando e escrevendo;pra falar entretanto, fica estranho, não sei se é uma questão de timidez ou mais uma pra minha coleção de "motivos porque minha cabeça não funciona direito" e é engraçado, porque mesmo agora, fazendo um exercicio rápido, eu paro de escrever e digo pra mim "pense em uma idéia completa e depois a escreva", eu começo tal idéia, mas ela não vai pra frente, então eu venho aqui e escrevo linhas e linhas sobre como eu não consigo estruturar uma idéia na minha cabeça, digo, eu acho bem seguro dizer que sou completamente desequilibrado mentalmente e emocionalmente, mas é estranho o quanto eu não consaigo completar uma idéia; não é que ela não vem, é que eu não consigo me concentrar; isso acontece muito no ônibus, mesmo ouvindo música as vezes, eu esqueço da música e começo a pensar (dá aquela sensação de "putz, passou uma música que eu adoro e eu nem ouvi, como pode isso?") e penso sobre muitas coisas, mas muitas coisas, eu relaciono elas todas, e penso sobre um milhão de coisas, mas nenhum pensamento se completa, nenhum começa e termina onde parou; mas parando pra pensar (haha) isso acontece no blog também, não sei dizer quantas vezes eu de fato termino um assunto que comecei, quando é sobre política é fácil, é só seguir uma linha meio "governo = ruim" "mercado = bom" "violência = péssimo" mas ainda assim, às vezes, a impressão que eu tenho... tsc... assim, olha, eu gosto muito de ler meu blog, eu sei que no máximo 5 pessoas vão ler esse post, isso se acontecer algum mlagre, mas não tem problema, é estranho, mas de certa forma, ler meu blog é a única forma que eu tenho de saber como eu penso e é, ao mesmo tempo, a leitura mais agradável que eu posso ter no dia, afinal, eu nunca discordo do autor, eu entendo completamente o ponto dele, porque ele diz as coisas que diz, daonde ele tirou tais idéias, porque ele se sente de tal maneira e, pasmem, mas estou sendo sincero, eu até aprendo uma coisa ou duas lendo o que eu escrevo, eu tenho um zilhão de idéias e teorias na minha cabeça, um zilhão de modos de ver as coisas, mas quando eu leio no meu blog que caminho X foi escolhido para lidar com questão Y, então tudo se clareia e eu não percebo isso escrevendo, porque eu escrevo enquanto penso, eu percebo lendo que tal caminho é o que eu acho melhor, afinal, naquele momento eu o escolhi e os motivos para eu tê-lo escolhido geralmente estão no próprio post; então todas as minhas idéias que eu falo de forma segura, aquelas opinião que eu tenho muito bem formadas, eu as obtive lendo meu blog, mesmo esse post, aposto que depois de ler esse post, eu vou ter muito claro na minha cabeça que a melhor forma de eu me decidir numa questão é escrevendo um post e então lendo ele, não porque eu pensei isso, leia o começo do post novamente, eu to com sono e sem assunto, mas porque enquanto eu escrevia, me veio essa conclusão e os motivos estão todos aqui, tenho certeza que vai fazer um sentido enorme quando eu acabar de ler.
Eu até poderia comentar os meus próprios posts, o problema é que geralmente acho as idéias tão boas, que não tenho nada a acrescentar.
Sem assunto e provavelmente vai ser bem curtinho porque eu to com sono também.
Eu tinha escrito um post meio grande sobre finais de jogos de videogame, mas desencanei porque tava ruim.
Mas ainda, me sinto com vontade de escrever.
Uma vez perguntaram pro Neil Gaiman se escrever no blog não faz ele perder vontade de escrever em outras coisas, ele diz que não; meu medo é que comigo aconteça sim, acho que se eu não tivesse um blog pra me expressar, eu o faria através de histórias muitissimo mais frequentemente que faço hoje, ou pelo menos estaria ocupado em escrever bons artigos para publicar em locais mais sérios. Ou não, vai saber...
Ah, um motivo que eu desencanei do post é que eu teria que contar o final de muitas coisas que acho que as pessoas deveriam ver por conta própria, como o final de Final Fantasy X ou do Sandman (gibi mesmo; eu estava escrevendo sobre "finais" num geral e percebi que finais de jogos de videogame me marcam muito mais do que o de filmes.)
Não sei; é estranho como, de certa forma, eu me acostumei a pensar escrevendo, não sei se é algo da minha natureza ou se é um vicio que eu peguei com o blog, mas eu não consigo formar raciocinios a não ser que os escreva, o que não tem nada de errado considerando a carreira que estou pretendendo seguir (que é a de "sei-la-contanto-que-eu-escreva" diga-se de passagem), mas isso faz as pessoas estranharem as vezes com o pouco que eu falo (considerando que os textos do meu blog costumam ser maiores do que o de blogs sérios e profissionais com artigos bem estudados e fundamentados que se ve por aí), mas isso é algo que eu ando percebendo, eu geralmente não penso antes de escrever, eu estou pensando e escrevendo, pensando e escrevendo;pra falar entretanto, fica estranho, não sei se é uma questão de timidez ou mais uma pra minha coleção de "motivos porque minha cabeça não funciona direito" e é engraçado, porque mesmo agora, fazendo um exercicio rápido, eu paro de escrever e digo pra mim "pense em uma idéia completa e depois a escreva", eu começo tal idéia, mas ela não vai pra frente, então eu venho aqui e escrevo linhas e linhas sobre como eu não consigo estruturar uma idéia na minha cabeça, digo, eu acho bem seguro dizer que sou completamente desequilibrado mentalmente e emocionalmente, mas é estranho o quanto eu não consaigo completar uma idéia; não é que ela não vem, é que eu não consigo me concentrar; isso acontece muito no ônibus, mesmo ouvindo música as vezes, eu esqueço da música e começo a pensar (dá aquela sensação de "putz, passou uma música que eu adoro e eu nem ouvi, como pode isso?") e penso sobre muitas coisas, mas muitas coisas, eu relaciono elas todas, e penso sobre um milhão de coisas, mas nenhum pensamento se completa, nenhum começa e termina onde parou; mas parando pra pensar (haha) isso acontece no blog também, não sei dizer quantas vezes eu de fato termino um assunto que comecei, quando é sobre política é fácil, é só seguir uma linha meio "governo = ruim" "mercado = bom" "violência = péssimo" mas ainda assim, às vezes, a impressão que eu tenho... tsc... assim, olha, eu gosto muito de ler meu blog, eu sei que no máximo 5 pessoas vão ler esse post, isso se acontecer algum mlagre, mas não tem problema, é estranho, mas de certa forma, ler meu blog é a única forma que eu tenho de saber como eu penso e é, ao mesmo tempo, a leitura mais agradável que eu posso ter no dia, afinal, eu nunca discordo do autor, eu entendo completamente o ponto dele, porque ele diz as coisas que diz, daonde ele tirou tais idéias, porque ele se sente de tal maneira e, pasmem, mas estou sendo sincero, eu até aprendo uma coisa ou duas lendo o que eu escrevo, eu tenho um zilhão de idéias e teorias na minha cabeça, um zilhão de modos de ver as coisas, mas quando eu leio no meu blog que caminho X foi escolhido para lidar com questão Y, então tudo se clareia e eu não percebo isso escrevendo, porque eu escrevo enquanto penso, eu percebo lendo que tal caminho é o que eu acho melhor, afinal, naquele momento eu o escolhi e os motivos para eu tê-lo escolhido geralmente estão no próprio post; então todas as minhas idéias que eu falo de forma segura, aquelas opinião que eu tenho muito bem formadas, eu as obtive lendo meu blog, mesmo esse post, aposto que depois de ler esse post, eu vou ter muito claro na minha cabeça que a melhor forma de eu me decidir numa questão é escrevendo um post e então lendo ele, não porque eu pensei isso, leia o começo do post novamente, eu to com sono e sem assunto, mas porque enquanto eu escrevia, me veio essa conclusão e os motivos estão todos aqui, tenho certeza que vai fazer um sentido enorme quando eu acabar de ler.
Eu até poderia comentar os meus próprios posts, o problema é que geralmente acho as idéias tão boas, que não tenho nada a acrescentar.
sexta-feira, maio 26, 2006
Motoqueiro Fantasma
Talvez a pior coisa para o motoqueiro fantasma é ele ser um personagem da Marvel, pois ele é obviamente um personagem de terror e não um super-herói, embora talvez ele consiga dar certo se derem a ele a mesma atenção que dão ao Justiceiro por exemplo.
Entretanto, o justiceiro não é lá grande coisa nos dias de hoje (já que um sujeito matando bandidos não é nada que choque ninguém), entretanto um herói que vendeu a alma ao demônio para salvar o pai e que vira um motoqueiro flamejante que pune os inimigos fazendo-os sofrer a mesma dor que causaram ainda é um conceito interessante, entretanto pelo trailer do filme já da pra ver que tal conceito não será bem aproveitado.
Aqui vão umas coisas que eu acho que faria o motoqueiro fantasma dar certo:
O motoqueiro deveria ser solitário, digo, porra, ele é um sujeito amaldiçoado, aquela história de "me aproximar só colocaria os outros em risco" funcionaria tão melhor que ele do que funciona com o Homem-Aranha e, tipo, funcionou com o Homem-Aranha; além do que ele deve ser frio e grosso, o lance da "alma torturada" deve ser muito bem medida nele, de certa forma ele não teria um senso de responsabilidade que nem o Homem-Aranha, mas um senso de vingança que nem o Justiceiro, só que o caso dele é mais sobrenatural, então ele se vingaria pelos outros, de certa forma ele poderia sentir o ódio dos outros; indo além, talvez ele tivesse esse tipo de empatia em que ele pegasse tudo de ruim nas pessoas, então ele andaria pela rua não lendo pensamentos ou indentificando motivos, mas simplesmente sentido toda a tristeza, angústia e ódio das outras pessoas; isso faria com que toda vingança fosse pessoal e que o sentimento de vingança fosse eterno ao mesmo tempo em que ele se mantém solitário e emocionalmente desligado de qualquer um.
O tipo de crime que ele persegue seria, logicamente, o de crimes hediondos, ele persegueria torturadores e assassinos frios, sujeitos que roubam bolsas e bancos seria muito pequeno para ele perder seu tempo, ele é um espirito de vingança e a vingança deve ser lenta e dolorosa, ele jamais faria prisioneiros e jamais mataria alguém com um tiro; ele torturaria, faria a pessoa passar pela mesma dor que a vítima passou e então um pouco mais até que o sujeito implorasse pela morte, talvez ele não precisasse nem matar a pessoa, ele poderia levar a pessoa ao suicidio através de imensa dor física e psicologica; afinal ele é o espirito da vingança, se ele não for cruel ao extremo, quem seria?
Mesmo de dia, na forma de Johnny Blaze, ele seria amargurado, embora não cruel, talvez um tanto arrependido de toda a dor que causa, mas ainda assim com toda aquela aura que sente todo tipo de tristeza e ódio.
É isso!
Eu vou escrever um roteiro do motoqueiro fantasma como eu o vejo; se ficar bom, a gente muda o nome, a aparência e desenha assim mesmo.
Entretanto, o justiceiro não é lá grande coisa nos dias de hoje (já que um sujeito matando bandidos não é nada que choque ninguém), entretanto um herói que vendeu a alma ao demônio para salvar o pai e que vira um motoqueiro flamejante que pune os inimigos fazendo-os sofrer a mesma dor que causaram ainda é um conceito interessante, entretanto pelo trailer do filme já da pra ver que tal conceito não será bem aproveitado.
Aqui vão umas coisas que eu acho que faria o motoqueiro fantasma dar certo:
O motoqueiro deveria ser solitário, digo, porra, ele é um sujeito amaldiçoado, aquela história de "me aproximar só colocaria os outros em risco" funcionaria tão melhor que ele do que funciona com o Homem-Aranha e, tipo, funcionou com o Homem-Aranha; além do que ele deve ser frio e grosso, o lance da "alma torturada" deve ser muito bem medida nele, de certa forma ele não teria um senso de responsabilidade que nem o Homem-Aranha, mas um senso de vingança que nem o Justiceiro, só que o caso dele é mais sobrenatural, então ele se vingaria pelos outros, de certa forma ele poderia sentir o ódio dos outros; indo além, talvez ele tivesse esse tipo de empatia em que ele pegasse tudo de ruim nas pessoas, então ele andaria pela rua não lendo pensamentos ou indentificando motivos, mas simplesmente sentido toda a tristeza, angústia e ódio das outras pessoas; isso faria com que toda vingança fosse pessoal e que o sentimento de vingança fosse eterno ao mesmo tempo em que ele se mantém solitário e emocionalmente desligado de qualquer um.
O tipo de crime que ele persegue seria, logicamente, o de crimes hediondos, ele persegueria torturadores e assassinos frios, sujeitos que roubam bolsas e bancos seria muito pequeno para ele perder seu tempo, ele é um espirito de vingança e a vingança deve ser lenta e dolorosa, ele jamais faria prisioneiros e jamais mataria alguém com um tiro; ele torturaria, faria a pessoa passar pela mesma dor que a vítima passou e então um pouco mais até que o sujeito implorasse pela morte, talvez ele não precisasse nem matar a pessoa, ele poderia levar a pessoa ao suicidio através de imensa dor física e psicologica; afinal ele é o espirito da vingança, se ele não for cruel ao extremo, quem seria?
Mesmo de dia, na forma de Johnny Blaze, ele seria amargurado, embora não cruel, talvez um tanto arrependido de toda a dor que causa, mas ainda assim com toda aquela aura que sente todo tipo de tristeza e ódio.
É isso!
Eu vou escrever um roteiro do motoqueiro fantasma como eu o vejo; se ficar bom, a gente muda o nome, a aparência e desenha assim mesmo.
quinta-feira, maio 25, 2006
Você não é o seu governo.
Acho que uma das coisas mais comuns que ocorrem entre pessoas com "mentalidade de rebanho" é a de se confundir com seu coletivo e então se confundir com seu governo.
Então quando o Lula faz alguma mancada, as pessoas dizem "o povo brasileiro foi envergonhado", mas eu acho que é meio ingenuidade pensar que um sujeito ao pensar em investir em uma empresa brasileira pensa "hum, essa empresa é daquele mesmo presidente idiota, acho que não vou investir"; o presidente não representa o povo que não representa você ou sua empresa; o Lula não tem como "queimar o filme" dos brasileiros e desestimular investimentos, o que ele pode fazer é atos e leis que façam com que a estrutura legal do país não seja confiável (ou rentável) para um investimento, mas uma "queimada de filme" nunca muda nada na economia.
Da mesma forma, há o pensamento totalitário de que o povo é uma mera extensão do governo.
Recentemente um bando de burocrata venezuelano deu de implicar com o jogo "Mercenaries 2" porque o jogo retrata uma invasão norte-americana à venezuela e, lógicamente, que o jogo é uma propaganda psicologica.
O raciocinio aqui é o mesmo por trás daquela crise das charges sobre muçulmanos na Dinamarca.
A empresa que fez o jogo disse claramente que "essa é uma empresa privada e que não tem nada a ver com o governo", mas o conceito de "privado" é um que fascistas não entendem muito bem; na cabeça dos burocratas venezuelanos que negam passaportes e serviços publicos para anti-chavistas se a empresa fez o jogo, logo o governo, no minimo, autorizou que ela o fizesse, sendo assim, o governo apóia uma invasão à Venezuela; que nem as charges; se o governo não proibiu as charges, isso significa, na cabeça dos fascistas muçulmanos, que o governo concorda com o ato, afinal, permitiu que ele tenha sido feito.
A questão toda de democracia e liberdade de expressão é que quando qualquer tipo de trabalho intelectual é feito, nem sequer exista uma agência do governo para avaliar o trabalho, sendo assim, o lance é que quano uma charge sobre muçulmanos é feita ou um jogo sobre guerra contra a Venezuela é criado; o importante é que o governo nem se interesse em saber que essas coisas foram criadas, porque uma das características mais importantes da democracia é que o governante não represente o povo, que o governo seja algo mais separado possível da vida civil; eu acho que uma real democracia liberal não pode nem aceitar a existência de um governo, mas se é pra ele existir, então nenhum burocrata pode jamais ter o poder de sequer opinar (em nome da união) sobre qualquer tipo de coisa feita em um ambiente privado, pois se o burocrata fala como um representante "do povo", ele está forçando que "o povo" tome seu lado, quer queira ou não; então quando o venezuelando diz que o jogo feito pela empresa privada tem a ver com o governo norte-americano, ele lógicamente não entende o conceito de "empresa privada" e sem entender esse conceito, ele não entende o conceito de "poder do povo", pois se o povo é representado pelo seu governo, então ele não é representado por si próprio, então ele não tem poder, então quem tem poder é algum burocrata e não o povo.
Então quando o Lula faz alguma mancada, as pessoas dizem "o povo brasileiro foi envergonhado", mas eu acho que é meio ingenuidade pensar que um sujeito ao pensar em investir em uma empresa brasileira pensa "hum, essa empresa é daquele mesmo presidente idiota, acho que não vou investir"; o presidente não representa o povo que não representa você ou sua empresa; o Lula não tem como "queimar o filme" dos brasileiros e desestimular investimentos, o que ele pode fazer é atos e leis que façam com que a estrutura legal do país não seja confiável (ou rentável) para um investimento, mas uma "queimada de filme" nunca muda nada na economia.
Da mesma forma, há o pensamento totalitário de que o povo é uma mera extensão do governo.
Recentemente um bando de burocrata venezuelano deu de implicar com o jogo "Mercenaries 2" porque o jogo retrata uma invasão norte-americana à venezuela e, lógicamente, que o jogo é uma propaganda psicologica.
O raciocinio aqui é o mesmo por trás daquela crise das charges sobre muçulmanos na Dinamarca.
A empresa que fez o jogo disse claramente que "essa é uma empresa privada e que não tem nada a ver com o governo", mas o conceito de "privado" é um que fascistas não entendem muito bem; na cabeça dos burocratas venezuelanos que negam passaportes e serviços publicos para anti-chavistas se a empresa fez o jogo, logo o governo, no minimo, autorizou que ela o fizesse, sendo assim, o governo apóia uma invasão à Venezuela; que nem as charges; se o governo não proibiu as charges, isso significa, na cabeça dos fascistas muçulmanos, que o governo concorda com o ato, afinal, permitiu que ele tenha sido feito.
A questão toda de democracia e liberdade de expressão é que quando qualquer tipo de trabalho intelectual é feito, nem sequer exista uma agência do governo para avaliar o trabalho, sendo assim, o lance é que quano uma charge sobre muçulmanos é feita ou um jogo sobre guerra contra a Venezuela é criado; o importante é que o governo nem se interesse em saber que essas coisas foram criadas, porque uma das características mais importantes da democracia é que o governante não represente o povo, que o governo seja algo mais separado possível da vida civil; eu acho que uma real democracia liberal não pode nem aceitar a existência de um governo, mas se é pra ele existir, então nenhum burocrata pode jamais ter o poder de sequer opinar (em nome da união) sobre qualquer tipo de coisa feita em um ambiente privado, pois se o burocrata fala como um representante "do povo", ele está forçando que "o povo" tome seu lado, quer queira ou não; então quando o venezuelando diz que o jogo feito pela empresa privada tem a ver com o governo norte-americano, ele lógicamente não entende o conceito de "empresa privada" e sem entender esse conceito, ele não entende o conceito de "poder do povo", pois se o povo é representado pelo seu governo, então ele não é representado por si próprio, então ele não tem poder, então quem tem poder é algum burocrata e não o povo.
domingo, maio 21, 2006
Arte, seus putos.
Enquanto eu andava no espaço cultural Itaú com o Cunha vendo aquela exposição sobre "a arte comteporânea brasileira" foi possível perceber, de forma nada surpreendente, que a maioria das obras eram diferencias em duas categorias:
- A primeira é a da "crítica social", onde, sejam boas ou ruins, as obras tinham como objetivo mostrar uma realidade social.
- A segunda é a da "arte moderna/abstrata/whatever" que eram rabiscos aleatórios sem objetivo nenhum sob o falso pretexto de que "vocês não podem julgar o que é arte ou não seus bobõezões, blééé"
-
A primeira não é lá uma novidade, já que "mostrar como a realidade é através da arte" é algo que Platão já criticava; o que muda é que o artista não tem a intenção de mostrar a realidade pelo puro fato de mostrar a realidade, mas sim de mostrar algo que, na cabeça dele, não veríamos de outra forma.
Uma vez que a arte não é mais ligada ao conceito de belo, a maioria dos artistas comete o erro de achar que a arte também é desconexa de estética; uma obra não precisa necessariamente ser bela para ser estéticamente "competente".
Uma obra que, através da complacência e reflexão, cause um choque ou um espanto, pode levar com que a mensagem social demonstrada no quadro ganhe maior importância, para que as pessoas então, uma vez fora do ambiente de "exposição de arte" possam ter aquela mensagem em mente, para, então, refletir sobre ela.
Quando a mensagem social é mais aparente do que a estética da obra, o que eu tenho a concluir é que o autor não quis fazer arte, mas sim jornalismo; o que é legal também, mas não é arte.
Os artistas parecem tão preocupados em me "fazer pensar" ou me "chocar" que eu não consigo deixar de fazer a pergunta: "Se eu quisesse me chocar com a realidade, não seria mais fácil que eu lesse de uma vez um livro de sociologia ou que fosse de uma vez a uma exposição de fotojornalismo?"
Isso quando não dá aquela impressãozinha irritante que a obra em questão é só um metalinguagem bem vagabunda, quando você quase vê o artista espertinho dizendo "e aí? Isso pode ser considerado arte? Porque não? Hã Hã", o que é pior ainda, quando eu vou a uma exposição de arte, eu quero ver arte que se comunique minha sensibilidade "artistica" e não ver arte que me faz pensar sobre que o que é arte de verdade, alguém poderia me dizer que "se você quiser ver beleza, não vá ao espaço cultural Itaú, mas ao MASP" para o qual eu respondo "mas eu já fui, eu já vi, quando eu vou a uma exposição de arte comtemporânea é porque eu quero saber quais os rumos da arte hoje e se eu chego a conclusão que a maioria das obras é um mero comentário social ou filosófico sobre o conceito de arte; eu não sou de nenhuma forma obrigado a concordar que aquilo é arte só porque o Itaú decidiu que é arte."
Eu já passo boa parte do meu dia lendo sobre política, garanto que qualquer artigozinho da folha de São Paulo tem um conteúdo superior ao de qualquer obra de arte, a diferença da "arte sociológica" é que ela me desperta alguma sensibilidade que o jornalismo jamais poderia fazer; se a obra falha em despertar essa sensibilidade, então não é arte, é só jornalismo tosco.
Eu já passo boa parte do meu dia lendo sobre filosofia estética e sobre o conceito de "belo" e de "arte", se o autor de uma obra tem como intenção fazer eu questionar a definição de beleza de Kant, ele seria muito mais eficiente fazendo um post em um blog sobre filosofia estética e usando a obra como mero exemplo daquilo que ele pretende dizer; uma obra que não me desperta nenhum tipo de sentimento de nenhuma forma e que tem como objetivo apenas perguntar "isso é mesmo arte?" não é arte, é simplesmente filosofia estética tosca.
Eu volto a repetir, "Uma obra que, através da complacência e reflexão, cause um choque ou um espanto, pode levar com que a mensagem social demonstrada no quadro ganhe maior importância, para que as pessoas então, uma vez fora do ambiente de "exposição de arte" possam ter aquela mensagem em mente, para, então, refletir sobre ela"; o mesmo vale pra arte que simplesmente questiona o que arte; se ela conseguir me causar uma experiência "artistica" utilizando métodos que são estéticamente desconsiderados "arte", então ela vai fazer, fora do ambiente "exposição de arte", com que eu questione se o meu conceito de "arte" e "estética" está correto; agora se é meramente um quadro branco com uns dois ou três risquinhos perdidos; isso não me causa nada, nem emocionalmente, nem racionalmente, aquilo não passa de três risquinhos perdidos e a questão é exatamente com que eu questione "isso é arte?" a resposta vêm rápida "não". E aí, claro, a obra cumpriu seu objetivo, afinal eu estou aqui pensando sobre ela e analisando se é arte ou não; mas de novo, a obra talvez nem tenha tido essa intenção, ela pode ser simplesmente tão absurdamente ruim que me levou a questionar todo o sentido da arte; mas mesmo que o questionamento seja o objetivo, temos alguns séculos de filosofia estética que questionam muito melhor que qualquer risquinho perdido, enfim, eu vou sair desse assunto porque estou me repetindo.
De certa forma se pode dizer muito de como a arte foi contaminada pela politica; mas acho que, na verdade, a questão é que se tornou "imoral" dizer que "X não é arte de verdade", como se dizer isso fosse sinal de uma mente que não seja aberta o bastante para compreender aquela obra (ou pior, como se tal pessoa fosse um reacionario desprezando a importantissima mensagem da obra); pode ser também o lado ruim da ótima tendência de que é que a arte responde apenas ao artista; o artista pode fazer o que quiser sem se preocupar em agradar pessoas ou não e isso é excelente para que a criatividade seja exercitada com plena liberdade; entretanto abre a porta pra todo tipo de vigarista fazer qualquer besteira e dizer "vocês não entendem!!"; a coisa piora incrivelmente quando existem "fundos governamentais para a arte"; uma vez que ninguém pode julgar o que é arte, o povo é escravizado e forçado a financiar artistas escolhidos a dedo pelos burocratas e pelos artistas se sentirem seres iluminados e superiores a sociedade, eles desenvolvem o mesmo ódio pelo capitalismo que os intelectuais (como analisado por Robert Nozick), pois o mercado jamais compraria três risquinhos aleatórios no meio do nada; os únicos que fazem isso são burocratas subornaveis e intelectuais em posição de escravizar e forçar a classe trabalhadora a sustentar a classe intelectual sem devolver nada a esta.
O artista, ao se distanciar do mercado e se aproximar ao governo, se tornou um sujeito protegido pela classe intelectual (que são os governantes) e desprezados pela classe trabalhadora (que são os escravizados), sendo que foi preciso criar "arte não-artistica" para que a classe trabalhadora pudesse aproveitar uma música sem o estigma de que estão lidando com os intelectuais que são sustentados pelo seu sangue e suor; assim surgiu o Blues e o Jazz em pubs esfumaçados onde pessoas dançavam ao som de músicos que se preocupavam com a estética e a satisfação do público enquanto os "artistas de verdade" se enfurnavam em suas acadêmias criando suas vanguardas particulares e desinteressantes, criando assim uma divisão cada vez maior entre o que os intelectuais (escravocratas) desprezam como "entretenimento" (arte para ralé não-iluminada) e o que elevam à posição de "arte" (aquilo que outro intelectual fez, não importando quão apático ou patético que seja).
Óbviamente a industria cultural cria uma quantidade de "entretenimento não-artistico" enorme enquanto a máfia escravocrata cria, vez ou outra, obras geniais e logicamente que ser livre do mercado (graças a escravidão) ajuda com que tais obras geniais sejam criadas, ao mesmo tempo em que o mercado cria demanda por hits e hypes que têm como pretensão apenas repetir novos ou velhos clichês; então não há regras para decidir o que é arte ou não (nunca houve, mesmo quando era apenas a elite intelectual que produzia arte financiada pelos nobres e monarcas); mas uma coisa é certa, que muita coisa que exposições de arte fazem é mero entretenimento pra classe dominante.
- A primeira é a da "crítica social", onde, sejam boas ou ruins, as obras tinham como objetivo mostrar uma realidade social.
- A segunda é a da "arte moderna/abstrata/whatever" que eram rabiscos aleatórios sem objetivo nenhum sob o falso pretexto de que "vocês não podem julgar o que é arte ou não seus bobõezões, blééé"
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A primeira não é lá uma novidade, já que "mostrar como a realidade é através da arte" é algo que Platão já criticava; o que muda é que o artista não tem a intenção de mostrar a realidade pelo puro fato de mostrar a realidade, mas sim de mostrar algo que, na cabeça dele, não veríamos de outra forma.
Uma vez que a arte não é mais ligada ao conceito de belo, a maioria dos artistas comete o erro de achar que a arte também é desconexa de estética; uma obra não precisa necessariamente ser bela para ser estéticamente "competente".
Uma obra que, através da complacência e reflexão, cause um choque ou um espanto, pode levar com que a mensagem social demonstrada no quadro ganhe maior importância, para que as pessoas então, uma vez fora do ambiente de "exposição de arte" possam ter aquela mensagem em mente, para, então, refletir sobre ela.
Quando a mensagem social é mais aparente do que a estética da obra, o que eu tenho a concluir é que o autor não quis fazer arte, mas sim jornalismo; o que é legal também, mas não é arte.
Os artistas parecem tão preocupados em me "fazer pensar" ou me "chocar" que eu não consigo deixar de fazer a pergunta: "Se eu quisesse me chocar com a realidade, não seria mais fácil que eu lesse de uma vez um livro de sociologia ou que fosse de uma vez a uma exposição de fotojornalismo?"
Isso quando não dá aquela impressãozinha irritante que a obra em questão é só um metalinguagem bem vagabunda, quando você quase vê o artista espertinho dizendo "e aí? Isso pode ser considerado arte? Porque não? Hã Hã", o que é pior ainda, quando eu vou a uma exposição de arte, eu quero ver arte que se comunique minha sensibilidade "artistica" e não ver arte que me faz pensar sobre que o que é arte de verdade, alguém poderia me dizer que "se você quiser ver beleza, não vá ao espaço cultural Itaú, mas ao MASP" para o qual eu respondo "mas eu já fui, eu já vi, quando eu vou a uma exposição de arte comtemporânea é porque eu quero saber quais os rumos da arte hoje e se eu chego a conclusão que a maioria das obras é um mero comentário social ou filosófico sobre o conceito de arte; eu não sou de nenhuma forma obrigado a concordar que aquilo é arte só porque o Itaú decidiu que é arte."
Eu já passo boa parte do meu dia lendo sobre política, garanto que qualquer artigozinho da folha de São Paulo tem um conteúdo superior ao de qualquer obra de arte, a diferença da "arte sociológica" é que ela me desperta alguma sensibilidade que o jornalismo jamais poderia fazer; se a obra falha em despertar essa sensibilidade, então não é arte, é só jornalismo tosco.
Eu já passo boa parte do meu dia lendo sobre filosofia estética e sobre o conceito de "belo" e de "arte", se o autor de uma obra tem como intenção fazer eu questionar a definição de beleza de Kant, ele seria muito mais eficiente fazendo um post em um blog sobre filosofia estética e usando a obra como mero exemplo daquilo que ele pretende dizer; uma obra que não me desperta nenhum tipo de sentimento de nenhuma forma e que tem como objetivo apenas perguntar "isso é mesmo arte?" não é arte, é simplesmente filosofia estética tosca.
Eu volto a repetir, "Uma obra que, através da complacência e reflexão, cause um choque ou um espanto, pode levar com que a mensagem social demonstrada no quadro ganhe maior importância, para que as pessoas então, uma vez fora do ambiente de "exposição de arte" possam ter aquela mensagem em mente, para, então, refletir sobre ela"; o mesmo vale pra arte que simplesmente questiona o que arte; se ela conseguir me causar uma experiência "artistica" utilizando métodos que são estéticamente desconsiderados "arte", então ela vai fazer, fora do ambiente "exposição de arte", com que eu questione se o meu conceito de "arte" e "estética" está correto; agora se é meramente um quadro branco com uns dois ou três risquinhos perdidos; isso não me causa nada, nem emocionalmente, nem racionalmente, aquilo não passa de três risquinhos perdidos e a questão é exatamente com que eu questione "isso é arte?" a resposta vêm rápida "não". E aí, claro, a obra cumpriu seu objetivo, afinal eu estou aqui pensando sobre ela e analisando se é arte ou não; mas de novo, a obra talvez nem tenha tido essa intenção, ela pode ser simplesmente tão absurdamente ruim que me levou a questionar todo o sentido da arte; mas mesmo que o questionamento seja o objetivo, temos alguns séculos de filosofia estética que questionam muito melhor que qualquer risquinho perdido, enfim, eu vou sair desse assunto porque estou me repetindo.
De certa forma se pode dizer muito de como a arte foi contaminada pela politica; mas acho que, na verdade, a questão é que se tornou "imoral" dizer que "X não é arte de verdade", como se dizer isso fosse sinal de uma mente que não seja aberta o bastante para compreender aquela obra (ou pior, como se tal pessoa fosse um reacionario desprezando a importantissima mensagem da obra); pode ser também o lado ruim da ótima tendência de que é que a arte responde apenas ao artista; o artista pode fazer o que quiser sem se preocupar em agradar pessoas ou não e isso é excelente para que a criatividade seja exercitada com plena liberdade; entretanto abre a porta pra todo tipo de vigarista fazer qualquer besteira e dizer "vocês não entendem!!"; a coisa piora incrivelmente quando existem "fundos governamentais para a arte"; uma vez que ninguém pode julgar o que é arte, o povo é escravizado e forçado a financiar artistas escolhidos a dedo pelos burocratas e pelos artistas se sentirem seres iluminados e superiores a sociedade, eles desenvolvem o mesmo ódio pelo capitalismo que os intelectuais (como analisado por Robert Nozick), pois o mercado jamais compraria três risquinhos aleatórios no meio do nada; os únicos que fazem isso são burocratas subornaveis e intelectuais em posição de escravizar e forçar a classe trabalhadora a sustentar a classe intelectual sem devolver nada a esta.
O artista, ao se distanciar do mercado e se aproximar ao governo, se tornou um sujeito protegido pela classe intelectual (que são os governantes) e desprezados pela classe trabalhadora (que são os escravizados), sendo que foi preciso criar "arte não-artistica" para que a classe trabalhadora pudesse aproveitar uma música sem o estigma de que estão lidando com os intelectuais que são sustentados pelo seu sangue e suor; assim surgiu o Blues e o Jazz em pubs esfumaçados onde pessoas dançavam ao som de músicos que se preocupavam com a estética e a satisfação do público enquanto os "artistas de verdade" se enfurnavam em suas acadêmias criando suas vanguardas particulares e desinteressantes, criando assim uma divisão cada vez maior entre o que os intelectuais (escravocratas) desprezam como "entretenimento" (arte para ralé não-iluminada) e o que elevam à posição de "arte" (aquilo que outro intelectual fez, não importando quão apático ou patético que seja).
Óbviamente a industria cultural cria uma quantidade de "entretenimento não-artistico" enorme enquanto a máfia escravocrata cria, vez ou outra, obras geniais e logicamente que ser livre do mercado (graças a escravidão) ajuda com que tais obras geniais sejam criadas, ao mesmo tempo em que o mercado cria demanda por hits e hypes que têm como pretensão apenas repetir novos ou velhos clichês; então não há regras para decidir o que é arte ou não (nunca houve, mesmo quando era apenas a elite intelectual que produzia arte financiada pelos nobres e monarcas); mas uma coisa é certa, que muita coisa que exposições de arte fazem é mero entretenimento pra classe dominante.
quinta-feira, maio 18, 2006
Os sentidos e a beleza do amor.
Só registrando uns pensamentos não tão lógicos enquanto não acabo de analisar direitinho o capitulo da crítica a faculdade do juizo...
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Quando as pessoas falam em beleza, a imagem que vem a cabeça é a de analisar um quadro ou ouvir uma música, o que obviamente não tem nada de errado, mas a questão é que apenas dois sentidos estão sendo utilizados aí pra analisar a beleza, o que limitaria essa força motora do juizo estético...
A questão é que a beleza, sendo livre de interesse, é mais fácil quando não há contato direto, é dificil pensar que você use o paladar de forma desinteressada (embora degustadores de vinho façam isso), mais dificil ainda pensar que você usa o tato de forma desinteressada e o olfato simplesmente não parece, ahn, sei lá, preciso o bastante para se analisar a beleza de algo, para continuar esse raciocinio, eu vou colocar a proposição "o juizo estético é livre de interesse"; eu vou explicar isso em outro post (porque se eu for explicar isso agora, eu vou entrar num assunto maior do que o que eu estou querendo tratar aqui); e como eu estou analisando subcultura erótica, eu vou usar o exemplo dessas maravilhosas garotas.

A beleza dessa imagem está exatamente aí; na imagem; é um juizo puramente visual, afinal eu não posso acessar ela através de nenhum outro sentido.
Schopenhauer disse que (e isso é meio que um chute porque eu não li isso, li apenas alguém comentando a esse respeito em um trabalho genérico sobre estética) a beleza não só é livre do interesse, como ela de fato suspende o interesse. Quando vemos algo belo, o desejo de utilizar o objeto desaparece, restando apenas a complacência; ou seja, quando você vê um quadro belo, não pensa em que lugar da sua sala ele ficaria melhor, quer apenas ficar observando o quadro.
A pessoa desse texto que eu li (que eu não vou achar porque faz tempo que eu li) fez a seguinte piada então "mas quando eu vejo uma mulher nua, eu não quero apenas observá-la" e acho que a resposta pra isso está no fato de que tocar uma pessoa que você considera bela não significa necessariamente que o sentimento de beleza seja substituido pelo desejo de sexo; pode significar a complacência através do toque (ao invés de através da visão); aí volta o que eu disse "mais dificil ainda pensar que você usa o tato de forma desinteressada", entretanto pode ser possível nisso encontrar a beleza do amor.
Quando se fala em amor, se pensa em uma forma de atração que age independente da atração física; o amor seria então o juizo de beleza em relação a outro ser humano.
Falando, obviamente, em termo ideais (que se existem ou não nem importa no momento, mas existe sim e vocês não vão tirar isso de mim seus putos!) quando apaixonados se beijam, eles estão expressando objetivamente um sentimento subjetivo e tal ato está livre do interesse; um beijo apaixonado não se preocupa com a possibilidade de satisfação de alguma necessidade, o ato se torna, nesse sentido, uma obra de arte, que você cria ao mesmo tempo em que aprecia, cuja única finalidade é a expressão de um sentimento e na complacência de tal ato, toda forma de raciocinio ou interesse se cessam, os corpos, as mentes, tudo some; fica apenas a representação do sentimento; resta apenas a beleza.
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Quando as pessoas falam em beleza, a imagem que vem a cabeça é a de analisar um quadro ou ouvir uma música, o que obviamente não tem nada de errado, mas a questão é que apenas dois sentidos estão sendo utilizados aí pra analisar a beleza, o que limitaria essa força motora do juizo estético...
A questão é que a beleza, sendo livre de interesse, é mais fácil quando não há contato direto, é dificil pensar que você use o paladar de forma desinteressada (embora degustadores de vinho façam isso), mais dificil ainda pensar que você usa o tato de forma desinteressada e o olfato simplesmente não parece, ahn, sei lá, preciso o bastante para se analisar a beleza de algo, para continuar esse raciocinio, eu vou colocar a proposição "o juizo estético é livre de interesse"; eu vou explicar isso em outro post (porque se eu for explicar isso agora, eu vou entrar num assunto maior do que o que eu estou querendo tratar aqui); e como eu estou analisando subcultura erótica, eu vou usar o exemplo dessas maravilhosas garotas.
A beleza dessa imagem está exatamente aí; na imagem; é um juizo puramente visual, afinal eu não posso acessar ela através de nenhum outro sentido.
Schopenhauer disse que (e isso é meio que um chute porque eu não li isso, li apenas alguém comentando a esse respeito em um trabalho genérico sobre estética) a beleza não só é livre do interesse, como ela de fato suspende o interesse. Quando vemos algo belo, o desejo de utilizar o objeto desaparece, restando apenas a complacência; ou seja, quando você vê um quadro belo, não pensa em que lugar da sua sala ele ficaria melhor, quer apenas ficar observando o quadro.
A pessoa desse texto que eu li (que eu não vou achar porque faz tempo que eu li) fez a seguinte piada então "mas quando eu vejo uma mulher nua, eu não quero apenas observá-la" e acho que a resposta pra isso está no fato de que tocar uma pessoa que você considera bela não significa necessariamente que o sentimento de beleza seja substituido pelo desejo de sexo; pode significar a complacência através do toque (ao invés de através da visão); aí volta o que eu disse "mais dificil ainda pensar que você usa o tato de forma desinteressada", entretanto pode ser possível nisso encontrar a beleza do amor.
Quando se fala em amor, se pensa em uma forma de atração que age independente da atração física; o amor seria então o juizo de beleza em relação a outro ser humano.
Falando, obviamente, em termo ideais (que se existem ou não nem importa no momento, mas existe sim e vocês não vão tirar isso de mim seus putos!) quando apaixonados se beijam, eles estão expressando objetivamente um sentimento subjetivo e tal ato está livre do interesse; um beijo apaixonado não se preocupa com a possibilidade de satisfação de alguma necessidade, o ato se torna, nesse sentido, uma obra de arte, que você cria ao mesmo tempo em que aprecia, cuja única finalidade é a expressão de um sentimento e na complacência de tal ato, toda forma de raciocinio ou interesse se cessam, os corpos, as mentes, tudo some; fica apenas a representação do sentimento; resta apenas a beleza.
terça-feira, maio 16, 2006
Menos direitos humanos ainda?!
Engraçado que andando na rua hoje eu ouvi mais de um grupinho de pessoas dizendo "direitos humanos é o caralho, tem que matar essa gente", sendo que o saldo de "suspeitos" mortos é de 78 (contra 38 policiais), tendo um passado como a carnificina do Carandiru e sem contar o dia-dia bem educado; o meu medo é que corre muito o risco das pessoas acharem que a policia de São Paulo é calma demais, que o que falta é punho de ferro da parte da PM.
Se falta alguma coisa para a Policia paulistana é cerebro, porque até onde eu sei, nenhum policial na rua jamais tratou "suspeito" como se fosse humano pra começo de conversa.
A questão dos presidios é diferente, entretanto não há legislação penal no mundo que dê conta de cadeias superlotadas e construir mais cadeias é lógicamente uma solução pra ser pensada num curto prazo, mas cadeias demais ou punições mais severas não resolvem problema nenhum de criminalidade.
Aliás, o que aconteceu nesses dias foi uma ação de crime organizado e não de criminalidade, então todo mundo chorando porque o Lula cortou verba de segurança pública pode chorar menos, porque isso aconteceria mesmo se ele não tivesse cortado, não tem nada a ver uma coisa com a outra.
Se existissem 3 milhões de policiais a mais na rua, do ponto de vista dos ataques do dia das mães, seria apenas 3 milhões de alvos a mais, o que aconteceu aqui não é um problema de "segurança publica" e sim de "crime organizado", é diferente, porque deter o crime organizado envolve mais cerebro do que fuzilamento, pode explodir 10 cadeias e matar 10.000 pessoas que o crime organizado continua, ainda mais porque, convenhamos, é um crime organizado pelo mercado e não por uma cabeça central e todos sabemos que coisas organizadas pelo mercado são mais eficientes; o comércio de refrigerantes não para se a Dolly for a falência, assim como o comércio de drogas não vai parar se morrer 75% dos traficantes assim como o PCC não vai sumir se morrerem 90% dos presos, essas coisas são organizações sociais tão orgânicas quanto a democracia ou a hierarquia militar.
Um pouco de filosofia política seus putos:
- Quando os liberais perceberam que confiar em líderes humanos dava merda, eles criaram um conceito chamado "Império da lei"; (ou TH3 RUL3 OF DA L4W!1!!!1!!1111! como o moderninho movimento liberal de um instituto só gosta de chamar) o império da lei significa que a lei permanece sendo lei não importa quem esteja no poder e que mesmo aqueles no poder tem que obedecer tais leis; a lei então está acima de qualquer pessoa, ela é a autoridade em si, não precisa de nenhum rei a reforçando, mesmo porque o próprio rei deve responder a lei, essa é uma das bases mais esquecidas das "democracias" modernas.
Agora, o tráfico também tem seu "império de lei", oras, se os lideres do PCC estavam incomunicaveis, o que causou os ataques? Mesmo após o cessar fogo porque os ataques não cessaram completamente? A resposta é um misto de "patriotismo mafioso" (que eu falei sobre no outro post), oportunismo de quem acha que matar policial é fácil, e uma espécie de "império da lei" implicito no ato de "fazer parte do PCC"; se você é marxista pense numa espécie de "superestrutura" e as coisas podem fazer mais sentido ou se você é jungiano pense em "inconsciente coletivo", seja como não há nenhuma logistica ou cerebro por trás dos ataques, mas sim uma rede de individuos realizando ações individualmente chegando a resultados positivos para todos os participantes da máfia (que sobreviverem).
Uma mente criminal provavelmente centralizaria o ataque em uma area ou tentaria algo grandioso como explodir alguma estação de metrô ou uma faculdade (e tirando a Artur Alvim, nenhuma estação de metrô foi atacada, nem ameaçada, nem ninguém com nenhum carro, metralhadora, pistolinha de agua ou bomba sequer passou perto e a própria Artur Alvim foi metralhada de fora, nenhum criminoso entrou na estação).
Agora quando individuos agem em liberdade, ah, as coisas funcionam bem melhor, sem burocracia, foi possível para que São Paulo inteira fosse atacada.
-
Enfim, esse post está uma bagunça, mas aqui é a coisa, matar "bandidos" não vai ajudar em nada, exército na rua não vai ajudar em nada, carnificinas em cadeia não vão ajudar em nada e se continuarmos com esse misto bonito de pobreza/proibicionismo então podemos ir nos acostumando que todo dia das mães vai ser legal assim.
Se falta alguma coisa para a Policia paulistana é cerebro, porque até onde eu sei, nenhum policial na rua jamais tratou "suspeito" como se fosse humano pra começo de conversa.
A questão dos presidios é diferente, entretanto não há legislação penal no mundo que dê conta de cadeias superlotadas e construir mais cadeias é lógicamente uma solução pra ser pensada num curto prazo, mas cadeias demais ou punições mais severas não resolvem problema nenhum de criminalidade.
Aliás, o que aconteceu nesses dias foi uma ação de crime organizado e não de criminalidade, então todo mundo chorando porque o Lula cortou verba de segurança pública pode chorar menos, porque isso aconteceria mesmo se ele não tivesse cortado, não tem nada a ver uma coisa com a outra.
Se existissem 3 milhões de policiais a mais na rua, do ponto de vista dos ataques do dia das mães, seria apenas 3 milhões de alvos a mais, o que aconteceu aqui não é um problema de "segurança publica" e sim de "crime organizado", é diferente, porque deter o crime organizado envolve mais cerebro do que fuzilamento, pode explodir 10 cadeias e matar 10.000 pessoas que o crime organizado continua, ainda mais porque, convenhamos, é um crime organizado pelo mercado e não por uma cabeça central e todos sabemos que coisas organizadas pelo mercado são mais eficientes; o comércio de refrigerantes não para se a Dolly for a falência, assim como o comércio de drogas não vai parar se morrer 75% dos traficantes assim como o PCC não vai sumir se morrerem 90% dos presos, essas coisas são organizações sociais tão orgânicas quanto a democracia ou a hierarquia militar.
Um pouco de filosofia política seus putos:
- Quando os liberais perceberam que confiar em líderes humanos dava merda, eles criaram um conceito chamado "Império da lei"; (ou TH3 RUL3 OF DA L4W!1!!!1!!1111! como o moderninho movimento liberal de um instituto só gosta de chamar) o império da lei significa que a lei permanece sendo lei não importa quem esteja no poder e que mesmo aqueles no poder tem que obedecer tais leis; a lei então está acima de qualquer pessoa, ela é a autoridade em si, não precisa de nenhum rei a reforçando, mesmo porque o próprio rei deve responder a lei, essa é uma das bases mais esquecidas das "democracias" modernas.
Agora, o tráfico também tem seu "império de lei", oras, se os lideres do PCC estavam incomunicaveis, o que causou os ataques? Mesmo após o cessar fogo porque os ataques não cessaram completamente? A resposta é um misto de "patriotismo mafioso" (que eu falei sobre no outro post), oportunismo de quem acha que matar policial é fácil, e uma espécie de "império da lei" implicito no ato de "fazer parte do PCC"; se você é marxista pense numa espécie de "superestrutura" e as coisas podem fazer mais sentido ou se você é jungiano pense em "inconsciente coletivo", seja como não há nenhuma logistica ou cerebro por trás dos ataques, mas sim uma rede de individuos realizando ações individualmente chegando a resultados positivos para todos os participantes da máfia (que sobreviverem).
Uma mente criminal provavelmente centralizaria o ataque em uma area ou tentaria algo grandioso como explodir alguma estação de metrô ou uma faculdade (e tirando a Artur Alvim, nenhuma estação de metrô foi atacada, nem ameaçada, nem ninguém com nenhum carro, metralhadora, pistolinha de agua ou bomba sequer passou perto e a própria Artur Alvim foi metralhada de fora, nenhum criminoso entrou na estação).
Agora quando individuos agem em liberdade, ah, as coisas funcionam bem melhor, sem burocracia, foi possível para que São Paulo inteira fosse atacada.
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Enfim, esse post está uma bagunça, mas aqui é a coisa, matar "bandidos" não vai ajudar em nada, exército na rua não vai ajudar em nada, carnificinas em cadeia não vão ajudar em nada e se continuarmos com esse misto bonito de pobreza/proibicionismo então podemos ir nos acostumando que todo dia das mães vai ser legal assim.
Me sentindo ridiculo
Sinceramente, essa "onda de terror" toda foi uma imensa tempestade em copo d´agua; daria pra ir pra faculdade e voltar tranquilamente.
Todos os lugares que você possa ter ouvido que foram atacados, não foram, a não ser que a imprensa esteja deixando de reportar essas coisas, mas eu duvido muito, então a não ser que você veja em qualquer meio de comunicação "oficial" dizendo "X lugar foi atacado", deduza que não foi e... sinceramente, daria pra ter sido uma segunda-feira como qualquer outra...
Todos os lugares que você possa ter ouvido que foram atacados, não foram, a não ser que a imprensa esteja deixando de reportar essas coisas, mas eu duvido muito, então a não ser que você veja em qualquer meio de comunicação "oficial" dizendo "X lugar foi atacado", deduza que não foi e... sinceramente, daria pra ter sido uma segunda-feira como qualquer outra...
segunda-feira, maio 15, 2006
Mais ainda sobre violência.
Dos pelo menos 81 mortos nesses ataques, 38 são criminosos, ou seja, quase metade, ou seja, pra cada ataque que eles matam dois, pelo menos um morre. (em médias grosseiras)
Mesmo assim os ataques não param e vale sempre lembrar que "entrar pro crime" é uma escolha, eles não estão sendo convocados e entregues uma arma na mão; eles não tem uma religião dizendo que vão encontrar virgens no fim do túnel, aposto que não é sequer algo absurdamente bem remunerado (que valha arriscar a vida? Dúvido que um desses soldados que de fato pegam nas armas e vão fuzilar policias são muito bem pagos). Esse ódio todo é natural que as pessoas não parem pra pensar o que faz um sujeito arriscar sua vida numa "cruzada contra a policia" (a não ser lógico a esquerda que vai dizer "é o capitalismo" e ir dormir sonhando com seu maravilhoso mundinho cor-de-rosa onde todos os problemas são explicados nessa frasezinha)
Esses ataques começaram quando decidiram mover os líderes das cadeias (ou algo assim) pra outros lugares; a máfia (vou chamar o tráfico de "máfia" porque é bem mais que simples comércio de coisas ilegais) então decidiu retalhar.
As pessoas tem que entender a máfia como outro governo, um que historicamente sofre ataques do "nosso" governo "oficial" e que, portanto, retalha quando pode.
Se a Bolívia sequestrasse alguns ministros nossos e dissesse "bom, o Brasil não segue nossas regras então nada mais justo que acabemos com sua hierarquia", nós certamente iríamos a guerra contra a Bolívia, embora fosse algo mais burocrático do que patriótico, tipo, alguém honestamente se importa se matarem algum ministro? O caso da máfia é diferente, é um governo "voluntário", as pessoas nascem no Brasil, são carimbadas de brasileiras sem ter escolha; agora elas entram para a máfia e portanto querem se esforçar para ser aceitas nesse país.
Lógicamente, quando algum dos seus líderes é preso, o patriotismo mafioso fala mais alto que o instinto por sobrevivência e lá vão eles pra guerra; assim como o governo brasileiro aceitaria umas baixas civis bolivianas no meu caso, o governo mafioso aceita alguns civis brasileiros mortos; atacar bancos e ônibus não é nada diferente de quando explodem uma linha de trem numa guerra, é uma forma de enfraquecer economicamente o governo inimigo.
Então eu continuo na minha argumentação passada. Ou reconhecemos a máfia como um grupo de cidadãos e deixamos eles em paz para traficar suas drogas, prostituas e caminhõezinhos de plástico e paramos de prender seus governantes ou brinquemos direito desse negócio de ditadura e vamos sair por aí espalhando o caos e carnifica que uma guerra merece, com direito a bombardeio de creches, escolas e hospitais, como toda boa guerra.
Mesmo assim os ataques não param e vale sempre lembrar que "entrar pro crime" é uma escolha, eles não estão sendo convocados e entregues uma arma na mão; eles não tem uma religião dizendo que vão encontrar virgens no fim do túnel, aposto que não é sequer algo absurdamente bem remunerado (que valha arriscar a vida? Dúvido que um desses soldados que de fato pegam nas armas e vão fuzilar policias são muito bem pagos). Esse ódio todo é natural que as pessoas não parem pra pensar o que faz um sujeito arriscar sua vida numa "cruzada contra a policia" (a não ser lógico a esquerda que vai dizer "é o capitalismo" e ir dormir sonhando com seu maravilhoso mundinho cor-de-rosa onde todos os problemas são explicados nessa frasezinha)
Esses ataques começaram quando decidiram mover os líderes das cadeias (ou algo assim) pra outros lugares; a máfia (vou chamar o tráfico de "máfia" porque é bem mais que simples comércio de coisas ilegais) então decidiu retalhar.
As pessoas tem que entender a máfia como outro governo, um que historicamente sofre ataques do "nosso" governo "oficial" e que, portanto, retalha quando pode.
Se a Bolívia sequestrasse alguns ministros nossos e dissesse "bom, o Brasil não segue nossas regras então nada mais justo que acabemos com sua hierarquia", nós certamente iríamos a guerra contra a Bolívia, embora fosse algo mais burocrático do que patriótico, tipo, alguém honestamente se importa se matarem algum ministro? O caso da máfia é diferente, é um governo "voluntário", as pessoas nascem no Brasil, são carimbadas de brasileiras sem ter escolha; agora elas entram para a máfia e portanto querem se esforçar para ser aceitas nesse país.
Lógicamente, quando algum dos seus líderes é preso, o patriotismo mafioso fala mais alto que o instinto por sobrevivência e lá vão eles pra guerra; assim como o governo brasileiro aceitaria umas baixas civis bolivianas no meu caso, o governo mafioso aceita alguns civis brasileiros mortos; atacar bancos e ônibus não é nada diferente de quando explodem uma linha de trem numa guerra, é uma forma de enfraquecer economicamente o governo inimigo.
Então eu continuo na minha argumentação passada. Ou reconhecemos a máfia como um grupo de cidadãos e deixamos eles em paz para traficar suas drogas, prostituas e caminhõezinhos de plástico e paramos de prender seus governantes ou brinquemos direito desse negócio de ditadura e vamos sair por aí espalhando o caos e carnifica que uma guerra merece, com direito a bombardeio de creches, escolas e hospitais, como toda boa guerra.
Ainda sobre a violência
Não que eu ache que vá adiantar uma coisa, mas nem que seja pra calar a boca de algumas pessoas. Porque o exército nunca intervêem no Rio de Janeiro ou em São Paulo?
Sério, não que o exército brasileiro preste, não que ele vá garantir alguma segurança, mas pra que porra ele existe se toda vez que esse tipo de merda atinge o ventilador, ele se recusa a intervir?
Sério, não que o exército brasileiro preste, não que ele vá garantir alguma segurança, mas pra que porra ele existe se toda vez que esse tipo de merda atinge o ventilador, ele se recusa a intervir?
domingo, maio 14, 2006
Violência
Eu odeio começar post com citação, ainda mais da Ayn Rand, mas enfim, no fim das contas, eu acho que ela está certa em dizer "What the 'have nots' have not is freedom" ou seja "o que 'os que não têm' não têm é liberdade".
Lula disse que a causa da violência é a falta de investimento em ensino e eu nem quero ver, mas deve ter algum conservador doido em algum lugar dizendo que é falta de exército na rua; eu acho que os dois estão errados. O que falta é liberdade.
Em um sentido bem amplo. Porque um jovem se torna um criminoso? A resposta é porque vale a pena.
Seja pelo status de andar por aí com uma arma na mão, seja pelo dinheiro, seja pela impunidade; o motivo maior é que, por algum motivo, vale a pena.
Mas aqui vão umas coisas básicas do "Libertarianism for dummies"
-
Quando você torna algo ilegal, você cria, logo em seguida, um lucrativo mercado em cima desse "algo" e nesse mercado, os comerciantes serão, em primeiro lugar, os pobres; primeiro porque eles tem menos a perder se forem pegos, depois que é melhor forma de renda que qualquer emprego que eles poderiam achar num curto prazo; depois de um tempo, alguns desses comerciantes se tornam bem sucedidos, bem ricos e sendo constantemente atacados pela policia, eles toma a atitude completamente racional de investir em segurança, veja bem, se você tem uma loja em um lugar que é assaltado frequentemente e você não quer sair daquele lugar, você eventualmente vai contratar uma empresa de segurança; o traficante faz o mesmo. Agora olha só, suponhamos que os assaltantes sejam de uma gangue, que usem uniformes e carros personalizados. Lógicamente você vai dizer pra sua empresa de segurança que é para ser o mais hostil possível contra tal gangue.
Ou seja, a causa da violência ainda é a pobreza, mas o fato de existir uma quantidade absurda de comércios ilegais (drogas, contrabando, prostituição, pirataria, além do clássico roubo) dá tranquilamente aos "ilegais" um poder de fogo que rivaliza com o do Estado; como bem vemos no dia-dia.
A máfia italiana surgiu nos EUA graças a lei seca. De repente aquele punhado de imigrantes viram uma oportunidade inacreditavel de lucro contrabandeando alcool; a mesma coisa acontece com os pobres das grandes cidades. É como se o governo, ao proibir as drogas, tivesse feito questão de que surgisse uma oportunidade de lucro para pessoas dispostas a quebrar a lei. Faça de novo o caminho que eu fiz acima: Novo mercado -> comerciantes bem sucedidos -> investimentos em segurança.
Não é nada de absurdo, não é nada de surpreendente, criar uma máfia é o caminho racional para qualquer empreendedor de ilegalidades. Nos guetos judeus da alemanha nazista, as pessoas traficavam frango e bolo, alguém vai me dizer que tais guetos não tinham segurança o bastante? Os lugares eram rodeados por muros e soldados armados!!!!! Porque alguém tem a patética ilusão de conseguir impedir que droga entre, saia, seja vendida e produzida no Brasil?
-
A coisa engraçada da liberdade é que toda tentativa de tentar proibi-la (99% das vezes em nome da paz) gera guerra; o pobre não tem liberdade para escolher um bom emprego (um prisioneiro econômico digamos assim), ele vai iniciar uma guerra contra a propriedade privada; o sujeito não tem liberdade para vender sua mercadoria, ele vai contratar a própria segurança e iniciar uma guerra contra a segurança "oficial";o empresário não tem liberdade de contratar alguém sem pagar seguro de saúde, ele contrata sem assinar carteira e inicia uma guerra (fria) contra o ministério do trabalho.
Todos os conflitos que existem na sociedade é um de pessoas sem liberdade tentando adquirir liberdade. Só o bobão aqui pensa em derrubar o governo, mas, de certa forma, todo mundo que quebra alguma lei (e todo quebra alguma lei) inicia sua própria guerra individual contra o poder.
Honestamente, acho que falta ao Estado atual ou uma melhor noção de democracia ou uma melhor noção de tirânia. O problema é que nas épocas passadas, quando o governante queria proibir algo, ele tacava fogo em vilas inteiras, matava todas as crianças, aumentava os impostos pra níveis absurdos e coisa do tipo; quando o mundo mudou pra "democracia", os governantes passaram a não poder mais fazer essas coisas, entretanto, eles continuam proibindo coisas. Quando a noção de "democracia" surgiu e com ela aquela porção de "direitos civis", acho que estava bem implicito que govenantes não deveriam proibir mais coisas, porque é impossível proibir uma coisa e manter os direitos civis que vêm no pacote de uma democracia; porque há tanto debate sobre direitos civis de presidiários? Porque parte deles nem são criminosos pra começo de conversa; que moral teria alguém de defender os direitos civis de um assassino ou de um estuprador? Vamos tirar as questões econômicas do caminho. Aquele estudante de medicina que entrou no cinema atirando em pessoas? Alguém honestamente vê algum problema em pegar uma agulha e vazar um olho dele ou arrancar a língua dele ou alguma outra tortura egipcia divertida? O sujeito acabou com um monte de vidas sem nenhum motivo! Pra fogueira com ele! Que se dane! Agora qual o problema de se dizer isso? Porque logo virá a Veja dizendo "se o nobre estudante de medicina em um breve momento de desequilibrio psiquico está cometendo esses abusos, porque não fazer o mesmo com esses pretinhos que envenenam nossas crianças com essas drogas ou zombam do nosso sistema legal ao vender caminhõezinhos de plástico sem pagar impostos?"
A questão é que existem tantos crimes, que não dá pra saber que preso é criminoso ou simples vitima de um sistema legal retardado, então não tem como discutir "direitos civis de presidiario" porque alguém a favor sempre dará exemplo do aviãozinho transportando um pacote que ele nem sabia que continha drogas enquanto o pessoal contra sempre vai dar exemplo do assassino e com todo mundo na mesma cela, não dá pra ser a favor e nem contra, já que eu acho que um é uma vítima enquanto o outro merece ser torturado.
Então é isso gente, se decidam, ou a gente vive numa democracia e o Estado não tenta proibir nada ou vivamos numa tirania de uma vez e passemos a queimar cidades e fazer chacinas ao menos sinal de disturbio porque esse meio termo ta uma bagunça.
Lula disse que a causa da violência é a falta de investimento em ensino e eu nem quero ver, mas deve ter algum conservador doido em algum lugar dizendo que é falta de exército na rua; eu acho que os dois estão errados. O que falta é liberdade.
Em um sentido bem amplo. Porque um jovem se torna um criminoso? A resposta é porque vale a pena.
Seja pelo status de andar por aí com uma arma na mão, seja pelo dinheiro, seja pela impunidade; o motivo maior é que, por algum motivo, vale a pena.
Mas aqui vão umas coisas básicas do "Libertarianism for dummies"
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Quando você torna algo ilegal, você cria, logo em seguida, um lucrativo mercado em cima desse "algo" e nesse mercado, os comerciantes serão, em primeiro lugar, os pobres; primeiro porque eles tem menos a perder se forem pegos, depois que é melhor forma de renda que qualquer emprego que eles poderiam achar num curto prazo; depois de um tempo, alguns desses comerciantes se tornam bem sucedidos, bem ricos e sendo constantemente atacados pela policia, eles toma a atitude completamente racional de investir em segurança, veja bem, se você tem uma loja em um lugar que é assaltado frequentemente e você não quer sair daquele lugar, você eventualmente vai contratar uma empresa de segurança; o traficante faz o mesmo. Agora olha só, suponhamos que os assaltantes sejam de uma gangue, que usem uniformes e carros personalizados. Lógicamente você vai dizer pra sua empresa de segurança que é para ser o mais hostil possível contra tal gangue.
Ou seja, a causa da violência ainda é a pobreza, mas o fato de existir uma quantidade absurda de comércios ilegais (drogas, contrabando, prostituição, pirataria, além do clássico roubo) dá tranquilamente aos "ilegais" um poder de fogo que rivaliza com o do Estado; como bem vemos no dia-dia.
A máfia italiana surgiu nos EUA graças a lei seca. De repente aquele punhado de imigrantes viram uma oportunidade inacreditavel de lucro contrabandeando alcool; a mesma coisa acontece com os pobres das grandes cidades. É como se o governo, ao proibir as drogas, tivesse feito questão de que surgisse uma oportunidade de lucro para pessoas dispostas a quebrar a lei. Faça de novo o caminho que eu fiz acima: Novo mercado -> comerciantes bem sucedidos -> investimentos em segurança.
Não é nada de absurdo, não é nada de surpreendente, criar uma máfia é o caminho racional para qualquer empreendedor de ilegalidades. Nos guetos judeus da alemanha nazista, as pessoas traficavam frango e bolo, alguém vai me dizer que tais guetos não tinham segurança o bastante? Os lugares eram rodeados por muros e soldados armados!!!!! Porque alguém tem a patética ilusão de conseguir impedir que droga entre, saia, seja vendida e produzida no Brasil?
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A coisa engraçada da liberdade é que toda tentativa de tentar proibi-la (99% das vezes em nome da paz) gera guerra; o pobre não tem liberdade para escolher um bom emprego (um prisioneiro econômico digamos assim), ele vai iniciar uma guerra contra a propriedade privada; o sujeito não tem liberdade para vender sua mercadoria, ele vai contratar a própria segurança e iniciar uma guerra contra a segurança "oficial";o empresário não tem liberdade de contratar alguém sem pagar seguro de saúde, ele contrata sem assinar carteira e inicia uma guerra (fria) contra o ministério do trabalho.
Todos os conflitos que existem na sociedade é um de pessoas sem liberdade tentando adquirir liberdade. Só o bobão aqui pensa em derrubar o governo, mas, de certa forma, todo mundo que quebra alguma lei (e todo quebra alguma lei) inicia sua própria guerra individual contra o poder.
Honestamente, acho que falta ao Estado atual ou uma melhor noção de democracia ou uma melhor noção de tirânia. O problema é que nas épocas passadas, quando o governante queria proibir algo, ele tacava fogo em vilas inteiras, matava todas as crianças, aumentava os impostos pra níveis absurdos e coisa do tipo; quando o mundo mudou pra "democracia", os governantes passaram a não poder mais fazer essas coisas, entretanto, eles continuam proibindo coisas. Quando a noção de "democracia" surgiu e com ela aquela porção de "direitos civis", acho que estava bem implicito que govenantes não deveriam proibir mais coisas, porque é impossível proibir uma coisa e manter os direitos civis que vêm no pacote de uma democracia; porque há tanto debate sobre direitos civis de presidiários? Porque parte deles nem são criminosos pra começo de conversa; que moral teria alguém de defender os direitos civis de um assassino ou de um estuprador? Vamos tirar as questões econômicas do caminho. Aquele estudante de medicina que entrou no cinema atirando em pessoas? Alguém honestamente vê algum problema em pegar uma agulha e vazar um olho dele ou arrancar a língua dele ou alguma outra tortura egipcia divertida? O sujeito acabou com um monte de vidas sem nenhum motivo! Pra fogueira com ele! Que se dane! Agora qual o problema de se dizer isso? Porque logo virá a Veja dizendo "se o nobre estudante de medicina em um breve momento de desequilibrio psiquico está cometendo esses abusos, porque não fazer o mesmo com esses pretinhos que envenenam nossas crianças com essas drogas ou zombam do nosso sistema legal ao vender caminhõezinhos de plástico sem pagar impostos?"
A questão é que existem tantos crimes, que não dá pra saber que preso é criminoso ou simples vitima de um sistema legal retardado, então não tem como discutir "direitos civis de presidiario" porque alguém a favor sempre dará exemplo do aviãozinho transportando um pacote que ele nem sabia que continha drogas enquanto o pessoal contra sempre vai dar exemplo do assassino e com todo mundo na mesma cela, não dá pra ser a favor e nem contra, já que eu acho que um é uma vítima enquanto o outro merece ser torturado.
Então é isso gente, se decidam, ou a gente vive numa democracia e o Estado não tenta proibir nada ou vivamos numa tirania de uma vez e passemos a queimar cidades e fazer chacinas ao menos sinal de disturbio porque esse meio termo ta uma bagunça.
sábado, maio 13, 2006
Poucas músicas fazem tanto sentido
Interpol - Not Even Jail
I'll lay down my glasses
I'll lay down in houses
If things come alive
I'll subtract pain by ounces
Yeah, I will start painting houses
If things come alive
I promise to commit no acts of violence
Either physical or otherwise
If things come alive
I'll say it now
I'll say it now
Say it now
Oh I'll say it now
Cause I want it now
When personality is scar tissue
It travels south with disuse
I'm subtle like a lion's cage
Such a cautious display
Remember take hold of your time here
Give some meanings to the means
To your end
Not even jail
We marshal in the days of longing
We tremble like anyones children
And wait to watch the fire
And erring on the side of caution
Betraying all the symptoms
But girl you shake it right
I will bounce you on the lap of silence
We will free love to the beats of science
And girl you shake it right
I'll say it now
Oh but all this to learn and your hair's so pretty
Can't you feel all the warmth of my sincerity
You make motion when you cry
You're making peoples lives feel less private
Don't take time away
You make motion when you cry
We all hold hands
Can we all hold hands
When we make new friends
I pretend like no one else
To try to control myself
I'm subtle like a lion's cage
Such a cautious display
Remember take hold of your time here
Give some meanings to the means
To your end
Not even jail
I'll lay down my glasses
I'll lay down in houses
If things come alive
I'll subtract pain by ounces
Yeah, I will start painting houses
If things come alive
I promise to commit no acts of violence
Either physical or otherwise
If things come alive
I'll say it now
I'll say it now
Say it now
Oh I'll say it now
Cause I want it now
When personality is scar tissue
It travels south with disuse
I'm subtle like a lion's cage
Such a cautious display
Remember take hold of your time here
Give some meanings to the means
To your end
Not even jail
We marshal in the days of longing
We tremble like anyones children
And wait to watch the fire
And erring on the side of caution
Betraying all the symptoms
But girl you shake it right
I will bounce you on the lap of silence
We will free love to the beats of science
And girl you shake it right
I'll say it now
Oh but all this to learn and your hair's so pretty
Can't you feel all the warmth of my sincerity
You make motion when you cry
You're making peoples lives feel less private
Don't take time away
You make motion when you cry
We all hold hands
Can we all hold hands
When we make new friends
I pretend like no one else
To try to control myself
I'm subtle like a lion's cage
Such a cautious display
Remember take hold of your time here
Give some meanings to the means
To your end
Not even jail
A marca de Lula
Não sei se alguém já leu alguma coisa que eu escrevi sobre o Lula, mas uma das poucas coisas que eu me mantive coerente foi que o governo dele não foi particularmente ruim, nem particularmente bom, foi simplesmente mais um governo e que a marca principal dele tinha sido o tédio.
Eu sempre elogiei o ProUni e sempre fui contra liberais que criticavam excessivamente as bolsas-familia da vida.
Mas agora pra mim isso mudou. Se teve um episódio político que me enfureceu ao ponto de surtar e fazer um post em letras maiusculas com frases do tipo "cada criança que morre no Brasil, um esquerdista deve ser punido pois ele diretamente causou essa morte" (post tal que eu apaguei, pois eu fico ridiculo quando surto) foi esse da Petrobrás e a Bolivia.
O Lula pra mim, até então, foi simplesmente mais um burocrata incompetente e ineficiente, como tantos outros; o fato de ele não ter mudado a nossa política econômica comprovadamente fracassada foi muito mais crime pra mim do que qualquer denuncia de corrupção. Políticos são corruptos, se eu me surpreendesse ao ver um burocrata roubando, eu não seria nem anarquista.
Enfim, acredito que o que me deixou puto nessa questão foi a mesma coisa que deixou a maioria das pessoas putas; que foi o fato do Lula, não só não ter sequer feito um discurso público protegendo a Petrobrás, como ele impediu que essa cancelasse investimentos.
Fazendo isso, ele não só recompensou moralmente o ato de usar o exército para resolver problemas diplomáticos (que foi o que Morales fez), como ele também recompensou que alguém atacasse um patrimônio nacional (que foi o que Morales fez).
Recompensou e ainda aplaudiu.
Visto o óbvio de que, tirando a esquerda idiota, ninguém apoiou tal fato, só agora ele está (meio que) indo atrás de fazer alguma coisa...
Como bem disse o Alex Soares, do LLL; o bom disso é que prova (como se tal fato óbvio precisasse de prova) que o Lula não tem nada a ver com Morales ou Chavez. Essa é a melhor coisa do Lula; eu prefiro um presidente tedioso e mediocre do que freaks fascistas fanaticos por exércitos. Se bem que dessa vez um pulso firme fez muita falta. Se quer saber, eu estou muito satisfeito com a atuação da Petrobrás nessa história toda; até onde eu li pelo menos, ela não fez nenhum cu doce; aceitou a nacionalização porque o exército estava em suas refinarias.
Vale lembrar que a Petrobrás é "semi-privada" e eu garanto que foi esse lado "semi", esse amor aos investidores e consumidores, que está fazendo a Petrobrás correr atrás de cancelar investimentos e está rebatendo todas as críticas de contrabando e ilegalização. A parte "semi-estatal" da Petrobras está forçando que consumidores e investidores paguem por investimentos não muito lucrativos (o que farão que tais investidores invistam menos e tais consumidores consumam menos) e está o tempo todo dizendo "olha, eles estão no direito deles".
São os consumidores, como sempre, agindo em nosso favor e os cidadãos, como sempre, agindo contra nós. Não existe, nesse mundo, criatura mais desprezivel e ao mesmo tempo mais assustadora, irracional, selvagem, brutal e violenta do que um cidadão.
Ser um cidadão significa, pra mim, algo como ser um cavaleiro do apocalipse. Cidadãos são xeretas profissionais. Eles nem sequer são burocratas que roubam nosso dinheiro, são simplesmente aquelas pessoas sujas que apontam pro outro e diz "mestre, esse escravo se recusa a obedecer."
--
O engraçado é que, citando a BBC Brasil, "O líder boliviano fez questão de dizer, no entanto, que não está "expulsando" a Petrobras, que, segundo ele, assim como a espanhola Repsol, leva ao país investimentos que permitem que a Bolívia combata seus problemas econômicos e sociais."
Sinceramente, essa frase acaba com qualquer prova de que o Brasil "explore a Bolivia". Nós exploramos como? Dando dinheiro? Por favor, é muito falta de auto-estima achar que receber investimento para explorar uma fonte natural que de outra forma ficaria ali parada uma "exploração".
Aqui entramos numa questão assim:
Se esse fosse um mundo justo, a Bolivia teria como extrair o próprio gás, mas ela não tem, sendo assim, a Petrobrás deu a ela uma fonte de renda que ela não teria de outra forma.
É a mesma coisa de desempregados e empregos toscos. Em um mundo justo, ele com certeza teria liberdade de achar um bom emprego, mas como ele não tem essa liberdade, o emprego tosco só comete o crime de não ser bom, mas de nenhuma forma é explorador.
É claro que é uma tragédia (enorme) que pessoas tenham que trabalhar em empregos que não gostam, assim como países tenham que depender de estrangeiros para lucrar com seus recursos naturais; mas sem o emprego tosco e a multinacional a situação seria ainda pior.
Se o acordo não está bom, refaça porra, eu acredito que países, muitissimo mais do que individuos, tem que ter completa liberdade de refazer contratos, só que, de novo, esse é um problema diplomático. Resolver um problema diplomático usando o exército põe qualquer governante de qualquer país em qualquer situação no nível do Bush. Morales pra mim é só mais um Bush sul-americano, assim como Hugo Chavez.
--
Por fim, essa pra mim acabou sendo a imagem do Lula, ele que antes era simplesmente incompetente (como todo burocrata) e corrupto (como todo político), agora não é capaz sequer de ser demagogo para passar a impressão (mesmo que falsa) de que existe uma autoridade nos protegendo. Desse ponto de vista, Lula fez um enorme serviço aos anarquistas, algo como "esqueça, ou nós cuidamos dos nossos assuntos ou morreremos, porque o cara que devia nos proteger, na única vez em que ele foi requisitado pra fazer isso, não fez."
Eu sempre elogiei o ProUni e sempre fui contra liberais que criticavam excessivamente as bolsas-familia da vida.
Mas agora pra mim isso mudou. Se teve um episódio político que me enfureceu ao ponto de surtar e fazer um post em letras maiusculas com frases do tipo "cada criança que morre no Brasil, um esquerdista deve ser punido pois ele diretamente causou essa morte" (post tal que eu apaguei, pois eu fico ridiculo quando surto) foi esse da Petrobrás e a Bolivia.
O Lula pra mim, até então, foi simplesmente mais um burocrata incompetente e ineficiente, como tantos outros; o fato de ele não ter mudado a nossa política econômica comprovadamente fracassada foi muito mais crime pra mim do que qualquer denuncia de corrupção. Políticos são corruptos, se eu me surpreendesse ao ver um burocrata roubando, eu não seria nem anarquista.
Enfim, acredito que o que me deixou puto nessa questão foi a mesma coisa que deixou a maioria das pessoas putas; que foi o fato do Lula, não só não ter sequer feito um discurso público protegendo a Petrobrás, como ele impediu que essa cancelasse investimentos.
Fazendo isso, ele não só recompensou moralmente o ato de usar o exército para resolver problemas diplomáticos (que foi o que Morales fez), como ele também recompensou que alguém atacasse um patrimônio nacional (que foi o que Morales fez).
Recompensou e ainda aplaudiu.
Visto o óbvio de que, tirando a esquerda idiota, ninguém apoiou tal fato, só agora ele está (meio que) indo atrás de fazer alguma coisa...
Como bem disse o Alex Soares, do LLL; o bom disso é que prova (como se tal fato óbvio precisasse de prova) que o Lula não tem nada a ver com Morales ou Chavez. Essa é a melhor coisa do Lula; eu prefiro um presidente tedioso e mediocre do que freaks fascistas fanaticos por exércitos. Se bem que dessa vez um pulso firme fez muita falta. Se quer saber, eu estou muito satisfeito com a atuação da Petrobrás nessa história toda; até onde eu li pelo menos, ela não fez nenhum cu doce; aceitou a nacionalização porque o exército estava em suas refinarias.
Vale lembrar que a Petrobrás é "semi-privada" e eu garanto que foi esse lado "semi", esse amor aos investidores e consumidores, que está fazendo a Petrobrás correr atrás de cancelar investimentos e está rebatendo todas as críticas de contrabando e ilegalização. A parte "semi-estatal" da Petrobras está forçando que consumidores e investidores paguem por investimentos não muito lucrativos (o que farão que tais investidores invistam menos e tais consumidores consumam menos) e está o tempo todo dizendo "olha, eles estão no direito deles".
São os consumidores, como sempre, agindo em nosso favor e os cidadãos, como sempre, agindo contra nós. Não existe, nesse mundo, criatura mais desprezivel e ao mesmo tempo mais assustadora, irracional, selvagem, brutal e violenta do que um cidadão.
Ser um cidadão significa, pra mim, algo como ser um cavaleiro do apocalipse. Cidadãos são xeretas profissionais. Eles nem sequer são burocratas que roubam nosso dinheiro, são simplesmente aquelas pessoas sujas que apontam pro outro e diz "mestre, esse escravo se recusa a obedecer."
--
O engraçado é que, citando a BBC Brasil, "O líder boliviano fez questão de dizer, no entanto, que não está "expulsando" a Petrobras, que, segundo ele, assim como a espanhola Repsol, leva ao país investimentos que permitem que a Bolívia combata seus problemas econômicos e sociais."
Sinceramente, essa frase acaba com qualquer prova de que o Brasil "explore a Bolivia". Nós exploramos como? Dando dinheiro? Por favor, é muito falta de auto-estima achar que receber investimento para explorar uma fonte natural que de outra forma ficaria ali parada uma "exploração".
Aqui entramos numa questão assim:
Se esse fosse um mundo justo, a Bolivia teria como extrair o próprio gás, mas ela não tem, sendo assim, a Petrobrás deu a ela uma fonte de renda que ela não teria de outra forma.
É a mesma coisa de desempregados e empregos toscos. Em um mundo justo, ele com certeza teria liberdade de achar um bom emprego, mas como ele não tem essa liberdade, o emprego tosco só comete o crime de não ser bom, mas de nenhuma forma é explorador.
É claro que é uma tragédia (enorme) que pessoas tenham que trabalhar em empregos que não gostam, assim como países tenham que depender de estrangeiros para lucrar com seus recursos naturais; mas sem o emprego tosco e a multinacional a situação seria ainda pior.
Se o acordo não está bom, refaça porra, eu acredito que países, muitissimo mais do que individuos, tem que ter completa liberdade de refazer contratos, só que, de novo, esse é um problema diplomático. Resolver um problema diplomático usando o exército põe qualquer governante de qualquer país em qualquer situação no nível do Bush. Morales pra mim é só mais um Bush sul-americano, assim como Hugo Chavez.
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Por fim, essa pra mim acabou sendo a imagem do Lula, ele que antes era simplesmente incompetente (como todo burocrata) e corrupto (como todo político), agora não é capaz sequer de ser demagogo para passar a impressão (mesmo que falsa) de que existe uma autoridade nos protegendo. Desse ponto de vista, Lula fez um enorme serviço aos anarquistas, algo como "esqueça, ou nós cuidamos dos nossos assuntos ou morreremos, porque o cara que devia nos proteger, na única vez em que ele foi requisitado pra fazer isso, não fez."
quinta-feira, maio 11, 2006
Os dois maiores motivos para se comprar um PS3
Primeiro, a trilha sonora!
A PORRA DA TRILHA SONORA!
Putz, inacreditavel.
Também notem que quando entra os violinos e stuff, dá pra ver um menu:Abaixo tem uma imagem melhor:
Essa imagem tem tantas informações, que é inacreditavel que eles tenham soltado uma assim tão cedo (eu lembro que imagens do menu deFF12 demoraram muito pra aparecer)
Mas o mais impressionante é que parece que eles conseguiram superar o maior problema dos final fantasys, que, apesar das batalhas serem absolutamente emocionantes (coisa que só quem joga entende), visualmente elas eram bem paradas. Dessa vez parece que as coisas estão mais dinâmicas. Lutar contra chefes num ambiente desse deve ser... deve ser... *aiai*... nessas horas que eu acho legal ser nerd. Vocês nunca vão entender uma experiência dessa, seus putos!!!
E agora.
Se isso não é arte. Eu não entendo o que seria:
Minhas opiniões pessoais sobre o que a Sony mostrou na E3
Eu sou meio que um playstation fanboy, eu nem sequer considerei um XboX ou Gamecube e agora nem sequer estou considerando um XboX 360 (que lançou faz meses atrás e eu nem sabia) ou um Nintendo Wii.
Mas aqui vamos.
Acredito que quem dominou a E3 esse ano foi a Nintendo; o Wii é um videogame bem inovador (graças a seus dois controles) e recebeu toda a atenção; mas sinceramente, eu odiaria mesmo ter que jogar um Wii, não tem como explicar os dois controles:

O "controle remoto" e a coisinha estranha é o controle do Wii; eles funcionam mais na base de sensores de movimento do que de aperto de botões; ou seja, em jogos de tiro, você aponta pra tela e atira, pra dar um soco, você da um soco na vida real (segurando o controle), esse tipo de coisa; enfim, pra mim é um saco ter que fazer tudo isso, eu não faria e aqui vem uma noticia triste pra mim que gosta de PS3:
O novo controle do PS3:

Até então, o controle do PS3 parecia uma espécie de boomerang, o qual, pelas fotos, parecia bem desconfortavel (embora nada é tão ridiculamente desconfortavel quanto aquele controle mostro patético do XboX), então eles felizmente trouxeram de volta o DualShock, só que com uma espécie de sensor de movimento.
A diferença entre o controle do Wii e do PS3 são imensas; o controle direito do Wii funciona através de sensores que captam movimento na tela; o controle do PS3 funciona que nem o controle esquerdo do Wii, que tem um giroscópio (ou algo assim) construido internamente, então ele não percebe nada na tela, ele apenas detecta movimentos que você faz, independente do que acontece na tela (cima/baixo, esquerda/direita, frente/trás).
O controle do Wii permite muito mais possibilidades e, horror horror, garanto que todas elas serão utilizadas; o do PS3 felizmente é limitado e mesmo assim eu acho demais; eu não gosto mesmo da idéia de ter que ficar chacoalhando o controle, eu espero muito que dê pra desligar essa função.
Mas num todo, eu estou feliz que eles mantiveram o design do DualShock, é o melhor design de controle que existe mesmo.
Agora, a segunda parte:
O preço
A Sony vai lançar duas configurações do PS3
Por US$500, vai ter a versão com HD de 20GB, não compátivel com BlueRay Disc (e eu tenho uma certezinha que muitos jogos vão usar o Blue-Ray), sem memory stick e sem mais algumas coisas.
Por US$600, vai ter a versão com HD de 60GB, completo.
O XboX 360 foi lançado por US$ 400, o Wii não tem preço ainda, mas se os sites especializados valem como referência, ninguém está achando que chega a US$600 .
Ou seja, embora US$ 500 seja muito caro, eu não vejo nexo em esperar um pouquinho, economizar outros 100 US$ e comprar logo a versão completa.
Mesmo porque esse é o preço de um videogame que será lançado em Novembro, praticamente no natal, a minha esperança é que a grande maioria dos jogadores faça que nem eu e espere até Janeiro ou Fevereiro, que é pra Sony cortar o preço pelo menos um pouco.
A previsão dos cara é vender 2 milhões de unidades em Novembro, mais 2 milhões em Dezembro e mais 2 milhões até Março. Sinceramente, eu duvido que atinja os primeiros 2 milhões em Novembro, natal é outra história; sendo um mercado que ainda depende muito de moleques pedindo pros pais um presente novo, essa parcela toda do mercado só vai receber qualquer coisa no natal, então eu não imagino 2 milhões de pessoas comprando o videogame no mês de lançamento, mas ei, garanto que tem gente bem mais competente na Sony decidindo essas coisas e pelo que rolaram os rumores, o maquinario dentro do PS3, se vendido separadamente, sairia uns US$ 900, então chances são que a Sony já está jogando o preço mais embaixo que pode (prova disso são as duas versões, eles não lançariam uma versão incompleta e mais barata do videogame se não sentissem que o próprio preço está muito caro).
A Sony tem atualmente a maior parcela do mercado de videogames e, mesmo que o PS3 não se dê tão bem na estréia, mesmo que demore até o ano que vem, eu não acho que a Sony vá perder mercado e a resposta são os jogos:
O XboX 360 teve como maior anuncio na E3 o GTA4; que também vai sair para PS3, possívelmente com melhores gráficos e coisa do tipo, pois o PS3 é uma máquina mais potente.
A maior força da Nintendo é Zelda e Mario e, se alguém se lembra, Zelda e Mario foram provavelmente as únicas coisas boas do N64 e o Mario de Gamecube nem foi lá essas coisas, embora o Zelda e o Metroid tenham sido impressionantes.
Já a Sony tem como força a capacidade de contar com várias produtoras "independentes" para fazer os jogos. A Rockstar (que faz GTA) e a Square-Enix (que faz Final Fantasy) são os maiores exemplos.
De qualquer forma, temos o XboX 360 com Halo; a Nintendo com Mario, Zelda e Metroid e a Sony com Metal Gear Solid e Final Fantasy (os outros jogos costumam sair em mais de uma plataforma diferente).
Halo é jogo de tiro, assim como Metroid, e pra competir com isso, a Sony terá uma série de jogos de guerra; se compensa ou não, resta esperar.
Eu não sei o que competiria com um jogo novo do Mario e, honestamente, se for mais um jogo de plataforma a la Rare, então eu nem sei porque perder tempo tentando competir com Mario.
Se Zelda e Final Fantasy baterem de frente, eu aposto feliz feliz todas minhas fichas em Final Fantasy.
E finalmente, nenhuma das outras duas terão nada tão histórico quanto o novo Metal Gear.
Além disso, qualquer jogo interessante que o XboX 360 possa ter, é garantia que o PS3 terá também (Como GTA4 ou Sonic por exemplo).
Sendo o PS3 um tanto melhor que o XboX 360, eu acho que o fato dos jogos serem melhores também vão acabar fazendo a diferença no natal.
Enfim, quanto a mim, eu estou economizando desde já, sendo um yuppie maldito, eu acredito que conseguirei economizar os 1.200 reaizinhos até Fevereiro (isso se eu não arrumar nenhum trampo novo até lá, o qual acredito que arrumarei).
Então é isso.
Que venha a próxima geração!
Mas aqui vamos.
Acredito que quem dominou a E3 esse ano foi a Nintendo; o Wii é um videogame bem inovador (graças a seus dois controles) e recebeu toda a atenção; mas sinceramente, eu odiaria mesmo ter que jogar um Wii, não tem como explicar os dois controles:
O "controle remoto" e a coisinha estranha é o controle do Wii; eles funcionam mais na base de sensores de movimento do que de aperto de botões; ou seja, em jogos de tiro, você aponta pra tela e atira, pra dar um soco, você da um soco na vida real (segurando o controle), esse tipo de coisa; enfim, pra mim é um saco ter que fazer tudo isso, eu não faria e aqui vem uma noticia triste pra mim que gosta de PS3:
O novo controle do PS3:
Até então, o controle do PS3 parecia uma espécie de boomerang, o qual, pelas fotos, parecia bem desconfortavel (embora nada é tão ridiculamente desconfortavel quanto aquele controle mostro patético do XboX), então eles felizmente trouxeram de volta o DualShock, só que com uma espécie de sensor de movimento.
A diferença entre o controle do Wii e do PS3 são imensas; o controle direito do Wii funciona através de sensores que captam movimento na tela; o controle do PS3 funciona que nem o controle esquerdo do Wii, que tem um giroscópio (ou algo assim) construido internamente, então ele não percebe nada na tela, ele apenas detecta movimentos que você faz, independente do que acontece na tela (cima/baixo, esquerda/direita, frente/trás).
O controle do Wii permite muito mais possibilidades e, horror horror, garanto que todas elas serão utilizadas; o do PS3 felizmente é limitado e mesmo assim eu acho demais; eu não gosto mesmo da idéia de ter que ficar chacoalhando o controle, eu espero muito que dê pra desligar essa função.
Mas num todo, eu estou feliz que eles mantiveram o design do DualShock, é o melhor design de controle que existe mesmo.
Agora, a segunda parte:
O preço
A Sony vai lançar duas configurações do PS3
Por US$500, vai ter a versão com HD de 20GB, não compátivel com BlueRay Disc (e eu tenho uma certezinha que muitos jogos vão usar o Blue-Ray), sem memory stick e sem mais algumas coisas.
Por US$600, vai ter a versão com HD de 60GB, completo.
O XboX 360 foi lançado por US$ 400, o Wii não tem preço ainda, mas se os sites especializados valem como referência, ninguém está achando que chega a US$600 .
Ou seja, embora US$ 500 seja muito caro, eu não vejo nexo em esperar um pouquinho, economizar outros 100 US$ e comprar logo a versão completa.
Mesmo porque esse é o preço de um videogame que será lançado em Novembro, praticamente no natal, a minha esperança é que a grande maioria dos jogadores faça que nem eu e espere até Janeiro ou Fevereiro, que é pra Sony cortar o preço pelo menos um pouco.
A previsão dos cara é vender 2 milhões de unidades em Novembro, mais 2 milhões em Dezembro e mais 2 milhões até Março. Sinceramente, eu duvido que atinja os primeiros 2 milhões em Novembro, natal é outra história; sendo um mercado que ainda depende muito de moleques pedindo pros pais um presente novo, essa parcela toda do mercado só vai receber qualquer coisa no natal, então eu não imagino 2 milhões de pessoas comprando o videogame no mês de lançamento, mas ei, garanto que tem gente bem mais competente na Sony decidindo essas coisas e pelo que rolaram os rumores, o maquinario dentro do PS3, se vendido separadamente, sairia uns US$ 900, então chances são que a Sony já está jogando o preço mais embaixo que pode (prova disso são as duas versões, eles não lançariam uma versão incompleta e mais barata do videogame se não sentissem que o próprio preço está muito caro).
A Sony tem atualmente a maior parcela do mercado de videogames e, mesmo que o PS3 não se dê tão bem na estréia, mesmo que demore até o ano que vem, eu não acho que a Sony vá perder mercado e a resposta são os jogos:
O XboX 360 teve como maior anuncio na E3 o GTA4; que também vai sair para PS3, possívelmente com melhores gráficos e coisa do tipo, pois o PS3 é uma máquina mais potente.
A maior força da Nintendo é Zelda e Mario e, se alguém se lembra, Zelda e Mario foram provavelmente as únicas coisas boas do N64 e o Mario de Gamecube nem foi lá essas coisas, embora o Zelda e o Metroid tenham sido impressionantes.
Já a Sony tem como força a capacidade de contar com várias produtoras "independentes" para fazer os jogos. A Rockstar (que faz GTA) e a Square-Enix (que faz Final Fantasy) são os maiores exemplos.
De qualquer forma, temos o XboX 360 com Halo; a Nintendo com Mario, Zelda e Metroid e a Sony com Metal Gear Solid e Final Fantasy (os outros jogos costumam sair em mais de uma plataforma diferente).
Halo é jogo de tiro, assim como Metroid, e pra competir com isso, a Sony terá uma série de jogos de guerra; se compensa ou não, resta esperar.
Eu não sei o que competiria com um jogo novo do Mario e, honestamente, se for mais um jogo de plataforma a la Rare, então eu nem sei porque perder tempo tentando competir com Mario.
Se Zelda e Final Fantasy baterem de frente, eu aposto feliz feliz todas minhas fichas em Final Fantasy.
E finalmente, nenhuma das outras duas terão nada tão histórico quanto o novo Metal Gear.
Além disso, qualquer jogo interessante que o XboX 360 possa ter, é garantia que o PS3 terá também (Como GTA4 ou Sonic por exemplo).
Sendo o PS3 um tanto melhor que o XboX 360, eu acho que o fato dos jogos serem melhores também vão acabar fazendo a diferença no natal.
Enfim, quanto a mim, eu estou economizando desde já, sendo um yuppie maldito, eu acredito que conseguirei economizar os 1.200 reaizinhos até Fevereiro (isso se eu não arrumar nenhum trampo novo até lá, o qual acredito que arrumarei).
Então é isso.
Que venha a próxima geração!
terça-feira, maio 09, 2006
Gramática
Eu geralmente uso a palavra "advogado" num sentido muito parecido com o de "apologista". A questão é: eu posso fazer isso?
Quando eu falo "advogados do sistema" eu não quero dizer "pessoas que se formaram em direito e que trabalham no sistema", mas sim "pessoas que defendem o sistema". Isso é uma falha de minha parte?
Quando eu falo "advogados do sistema" eu não quero dizer "pessoas que se formaram em direito e que trabalham no sistema", mas sim "pessoas que defendem o sistema". Isso é uma falha de minha parte?
segunda-feira, maio 08, 2006
Os putos me fizeram pensar em política de novo. Merda. Eu juro que tava conseguindo me livrar desse assunto.
Ainda no assunto abaixo; sério, eu não entendo, juro que não entendo, essa gente suja e podre sinceramente vê o Estado como solução pra qualquer coisa? Juro que isso desafia toda e qualquer racionalidade. É irracional confiar no Estado.
Os exemplos extremos disso são incomentaveis. 100 milhões de mortos nas experiências comunistas.
Mesmo se excluirmos os 100 mil a 500 mil fuzilados por Lênin, foram 30 milhões de mortos por fome (afinal, o Estado admnistrava a distribuição de comida)
Agora, aqui vai uma pergunta aos comunistas de plantão:
Porque nem Chavez, nem Evo, nem ninguém se propõe a nacionalizar as plantações do país?
Se o problema é que coisas privadas representam concentração ao invés de privatização, não seria uma bela solução para a fome se o benevolente Estado nacionalizasse a comida produzida no país?
Uma resposta tecnica eu dou; porque "nacionalização de gás" não é nada que nenhum comunista clássico tenha defendido. Isso é uma coisa Keynes defendia, que era que o Estado deveria manter alguns setores-chave da economia para controlar inflação (meaning; se petróleo afeta todos os preços, o Estado sendo dono do petróleo impediria que o mercado de pretróleo influencie a inflação.), esse modelo econômico não é o adotado por Lênin, Mao ou Fidel; mas sim por Franco, Mussolini e Hitler. (o que é bem melhor que o modelo adotado por Lênin, Mao ou Fidel)
Eu já disse isso aqui nesse blog e repito mais uma vez:
Chavez não está fazendo nenhuma revolução socialista; ele está apenas sendo o típico social-democrata nos moldes de Getulio ou Perón só que com um discurso anti-americano. (aham, Getulio também chamava a oposição de "entreguista"...)
Esse modelo não foi "desmantelado" por Collor; ele foi desmontado as pressas porque o país estava oficialmente falido.
O que está acontecendo na América Latina não é nada novo, a única diferença é que a retórica é socialista ao invés de conservadora; mas é só retórica, a Bolivia e a Venezuela vão a falência (de novo) e vão culpar algum outro país (já que culpar judeus é, oh, tão demodé).
E crises econômicas virão seguidas de "os liberais são fracos chorões" ou "apologistas do capitalismo" ou "individualistas" e a culpa pela miséria não será modelos econômicos comprovadamente fracassados, mas coisas como "egoísmo" ou "fetiche por comodismo" ou "exploração pelo império X" ou qualquer coisa que seja e o que farão? Elegerão mais um nacionalista e assim vai...
Uma coisa é defender uma sociedade mais justa. Isso eu faço com todo prazer.
Outra coisa é defender que o Estado deve ser reponsável pela (e decidir o que é) justiça.
Outra coisa é defender modelos econômicos comprovadamente fracassados.
O primeiro caso é pura arrogância, fome de poder e tirânia.
O segundo caso é pura burrice. Fazer o Estado andar junto com mercado (como acontece na Escandinavia ou no próprio EUA) é uma coisa; substituir o mercado por Estado é pura burrice. Nunca deu certo, nunca vai dar, desistam, não é uma questão de corrupção, é uma questão de burocracia, o Estado não consegue administrar recursos, se a Venezuela vende petróleo é porque quem decide o preço é o mercado de postos de gasolina, se os postos de gasolina fossem outra estatal, seriam burocratas e não consumidores que decidiriam os preços.
Países como a URSS e a China conseguiram crescimentos econômicos, mas vamos fazer uma experiência. Qual empresa cresce mais?
Empresa A permite que os funcionarios se organizem e peçam por pagamentos maiores e jornadas de trabalho menores.
Empresa B fuzila o porco liberal que se recusa a trabalhar 15 horas por dia e proíbe os trabalhadores de sair da fábrica.
A empresa B tem bem menos gastos e é assim que a URSS se industrializou tão rápido. Com milhões de mortos de fome porque toda comida era destinada aos setores industriais que também não facilitavam em nada a vida de seus trabalhadores, pode-se comparar a industrialização da URSS a construção das pirâmides do Egito. Impressionante e tudo ao preço de uns escravinhos, mas quem se importa? Individualismo é coisa de porco capitalista, o importante é que a nação cresça.
Esse post é sobre vários assuntos. Eu não estou comparando diretamente a Venezuela e a Bolivia com a URSS. Cuba é comparavel com a URSS equanto Venezuela e Bolivia são comparaveis ao Brasil e Argentina das décadas de 60 a 80. A questão aqui, no fim, são duas:
1 - Não é nada de novo, só o discurso é mais bonitinho. (mas vá lá, é sempre legal quando o Chavez fala mal do Lula)
2 - Falhou antes. Está falhando de novo. E a culpa não é do capitalismo, mas sim dos advogados desses sistemas que não dão certo por razões obvias.
Anfam; é isso.
Os exemplos extremos disso são incomentaveis. 100 milhões de mortos nas experiências comunistas.
Mesmo se excluirmos os 100 mil a 500 mil fuzilados por Lênin, foram 30 milhões de mortos por fome (afinal, o Estado admnistrava a distribuição de comida)
Agora, aqui vai uma pergunta aos comunistas de plantão:
Porque nem Chavez, nem Evo, nem ninguém se propõe a nacionalizar as plantações do país?
Se o problema é que coisas privadas representam concentração ao invés de privatização, não seria uma bela solução para a fome se o benevolente Estado nacionalizasse a comida produzida no país?
Uma resposta tecnica eu dou; porque "nacionalização de gás" não é nada que nenhum comunista clássico tenha defendido. Isso é uma coisa Keynes defendia, que era que o Estado deveria manter alguns setores-chave da economia para controlar inflação (meaning; se petróleo afeta todos os preços, o Estado sendo dono do petróleo impediria que o mercado de pretróleo influencie a inflação.), esse modelo econômico não é o adotado por Lênin, Mao ou Fidel; mas sim por Franco, Mussolini e Hitler. (o que é bem melhor que o modelo adotado por Lênin, Mao ou Fidel)
Eu já disse isso aqui nesse blog e repito mais uma vez:
Chavez não está fazendo nenhuma revolução socialista; ele está apenas sendo o típico social-democrata nos moldes de Getulio ou Perón só que com um discurso anti-americano. (aham, Getulio também chamava a oposição de "entreguista"...)
Esse modelo não foi "desmantelado" por Collor; ele foi desmontado as pressas porque o país estava oficialmente falido.
O que está acontecendo na América Latina não é nada novo, a única diferença é que a retórica é socialista ao invés de conservadora; mas é só retórica, a Bolivia e a Venezuela vão a falência (de novo) e vão culpar algum outro país (já que culpar judeus é, oh, tão demodé).
E crises econômicas virão seguidas de "os liberais são fracos chorões" ou "apologistas do capitalismo" ou "individualistas" e a culpa pela miséria não será modelos econômicos comprovadamente fracassados, mas coisas como "egoísmo" ou "fetiche por comodismo" ou "exploração pelo império X" ou qualquer coisa que seja e o que farão? Elegerão mais um nacionalista e assim vai...
Uma coisa é defender uma sociedade mais justa. Isso eu faço com todo prazer.
Outra coisa é defender que o Estado deve ser reponsável pela (e decidir o que é) justiça.
Outra coisa é defender modelos econômicos comprovadamente fracassados.
O primeiro caso é pura arrogância, fome de poder e tirânia.
O segundo caso é pura burrice. Fazer o Estado andar junto com mercado (como acontece na Escandinavia ou no próprio EUA) é uma coisa; substituir o mercado por Estado é pura burrice. Nunca deu certo, nunca vai dar, desistam, não é uma questão de corrupção, é uma questão de burocracia, o Estado não consegue administrar recursos, se a Venezuela vende petróleo é porque quem decide o preço é o mercado de postos de gasolina, se os postos de gasolina fossem outra estatal, seriam burocratas e não consumidores que decidiriam os preços.
Países como a URSS e a China conseguiram crescimentos econômicos, mas vamos fazer uma experiência. Qual empresa cresce mais?
Empresa A permite que os funcionarios se organizem e peçam por pagamentos maiores e jornadas de trabalho menores.
Empresa B fuzila o porco liberal que se recusa a trabalhar 15 horas por dia e proíbe os trabalhadores de sair da fábrica.
A empresa B tem bem menos gastos e é assim que a URSS se industrializou tão rápido. Com milhões de mortos de fome porque toda comida era destinada aos setores industriais que também não facilitavam em nada a vida de seus trabalhadores, pode-se comparar a industrialização da URSS a construção das pirâmides do Egito. Impressionante e tudo ao preço de uns escravinhos, mas quem se importa? Individualismo é coisa de porco capitalista, o importante é que a nação cresça.
Esse post é sobre vários assuntos. Eu não estou comparando diretamente a Venezuela e a Bolivia com a URSS. Cuba é comparavel com a URSS equanto Venezuela e Bolivia são comparaveis ao Brasil e Argentina das décadas de 60 a 80. A questão aqui, no fim, são duas:
1 - Não é nada de novo, só o discurso é mais bonitinho. (mas vá lá, é sempre legal quando o Chavez fala mal do Lula)
2 - Falhou antes. Está falhando de novo. E a culpa não é do capitalismo, mas sim dos advogados desses sistemas que não dão certo por razões obvias.
Anfam; é isso.
Guerreiros a favor da corrupção do lado deles.
Eu recebo (ainda) uma porra duma propaganda do P-SOL com o nome de "Guerreiros Anti-Corrupção"
Assim que eu recebi o primeiro e-mail, eu fiquei bem animado por existir um grupo assim, mas logo eu vi que era uma propaganda anti-PT pró-PSOL, aí eu mandei o seguinte e-mail (com a delicadeza pela qual sou tão bem conhecido)
"Subject: Re: Continuamos a convidá-lo/a a entrar em Guerreiros Anticorruptos: vá a www.guerreirosanticorruptos.org. E escreva. Colabore
E eu vou continuar recusando seu porco fascista! Você e o resto da sua trupe de assassinos do P-SOL podem se enforcar no inferno!
Eu dedico minha vida para que ditadores que nem vocês sejam eliminados da face da terra, vocês são o mal, são vermes totalitários e assassinos, são a personificação viva do poder maléfico da policia e do exército, são os mais reacioarios militares viciados em escravidão que esse pais já viu. Eu daria minha vida com prazer para ver vocês queimarem no inferno seus porcos fascistas!"
E no boletim seguinte (não numa resposta pessoal, mas no boletim, mandado pra várias pessoas) veio a resposta.
"P-SOL parece ser sobretudo um estado de espírito, e não apenas uma organização política. É por isso que a seguir o "crítico" petista nos mistura a todos num saco só, ignorando que nada temos a ver com o P-SOL. Exceto uma canção de amor - a da nossa profunda admiração por Heloísa.
Esclareça-nos, Rodrigo Alonso, em que momento é que sobretudo somos uns porcos fascistas. Se quando votamos em Lula em 2002 e até choramos de emoção ao comemorar a sua vitória. Ou se agora, quando lhe damos um pontapé no traseiro.
Quanto a uma coisa, porém, não há dúvidas: os críticos lulo-petistas são extremamente educados!
Um abraço do Paulo Bacellar "
Ao qual eu respondi:
"Pra começo. Eu não sou petista, eu sou um liberal, do tipo que não é representado por nenhum partido no Brasil e essa choradeira toda.
Segundo. Os liberais estão dizendo há 30 anos que votar no Lula ia dar merda. Vocês votaram. Deu merda. Agora se enforquem.
Votar na Heloisa Helena vai ter o mesmo efeito. Ela vai ser corrupta igual e vocês vão chorar igual. O fascismo de vocês vem na eterna procura de um "pai dos pobres" que peguem todos pela mãozinho e vão dançar rodinha eternamente. Esquecem a população, a democracia, esquecem tudo, querem apenas o exército na mão do seu líder. Se tal líder é Lula, Heloisa Helena, Bornhausen ou Alckmin pouco importa. O que vocês querem é um chefe. Um dono. Alguém a quem obedecer cegamente.
E tal como Chavez faz na Venezuela, vocês querem que aqui o exército cumpra a vontade do dono ao espancar manifestantes, destruir propriedades, fechar jornais que são considerados "imprensa marrom". Tudo em prol do líder. Do Fuhrer. Da cabeça.
Continuem vocês e suas canções de amores a seus lideres. Eu não me rebaixo a ninguém.
Como Joseph-Pierre Proudhon bem disse: "Aquele que colocar a mão sobre mim para me governar é um tirano e eu o declaro meu inimigo".
Vocês não querem prosperidade, tampouco paz e é piada falar em liberdade.
Vocês querem um dono a obedecer, aconteceu com o Lula, acontece de novo com Heloisa Helena e vai acontecer com qualquer que seja o aproveitador que virá após ela."
Eles pararam de me mandar e-mails, eu fui no site e vi que surigram mais um monte de boletins desde então e eu acredito que em nenhum deles a minha colaboração foi publicada e a cada boletim vem com um letreiro cada vez maior de "Salve Heloisa Helena, nossa esperança" ou coisas do tipo.
O Brasil precisa de um grupo genuinamente anti-corruptos? Lógico que precisa, mas de que adianta um grupo que só sabe atacar um para defender outro?
Eu trouxe esse assunto a tona porque, de novo, eles pararam de me mandar e-mails, me mandaram dois novos hoje (depois de um mês ou dois do último), o primeiro é um "raio-x" de Heloisa Helena, uma extensa propaganda política e no final, de novo a mesma mensagem "Esqueça-nos, Rodrigo Alonso" bla bla. (sinceramente, tinha esquecido, mas vocês vieram me atazanar me lembrando de novo).
E além desse veio o e-mail mais recente. Uma extensa carta de amor a Evo Morales e a Hugo Chavez, o primeiro que realizou um ataque pessoal a nós e cuja "nacionalização" foi feita com homens armados invadindo uma empresa que tanto fez àquele país.
Longe de mim ficar todo patriótico, deixo a xenofobia pros fascistas vermelhos, desejo ver o fim de todas as fronteiras nacionais, de todas as barreiras, deixo os gritos de guerra e a reverência ao exército para os "pró-corrupção do nosso lado", lembrando sempre que toda ditadura conservadora do século XX (alemã, italiana e espanhola) vinha com a conversa de que corrupção só acontecia porque a democracia é fraca e que esses liberais individualistas chorões não entendem que a nação deve se comportar como um único corpo que apenas obedece as ordens da cabeça e se defende bravamente contra (insira o alvo do momento aqui); porém é preciso lembrar que Evo Morales nos atacou, em uma jogada demagoga (do tipo que só os mais trouxas caem), ele jogou fora a chance de uma nacionalização legitima (não que eu ache que linhas imaginarias possam ser donas de qualquer coisa) para simplesmente confiscar de forma brutal um patrimônio brasileiro. Eu não me importo, primeiro porque eu quero que o governo se foda e depois que vai ser um certo prazer ver Evo fracassar em todas as previsões de grandeza que faz (e o culpado, lógico, vai ser o capitalismo, os EUA ou qualquer besteira do tipo).
Hugo Chavez é outro social-democrata-comum-com-discursinho-demagogo que transformou o país em uma bomba relógio economica e se eu não sorrio ao prever a queda inevitavel de tal modelo já provado fracassado é porque sinto pelo povo preso, fisica e psicologicamente, por um governante que orgulhosamente se mostra de farda e que sorri em meio ao exército e helicopteros e que não sente nenhum remorso em usar a policia contra o próprio povo (preciso mais uma vez usar a palavra "fascismo"?).
Todo o boletim é uma ode ao Estado. Vejamos alguns trechos:
(notem que, todos os artigos são exibidos no boletim como se fossem coisas boas)
Com tropas do Exército invadindo refinarias e postos de gasolina da Petrobrás, Morales levou adiante uma lei aprovada no ano passado que reverteu o processo de privatização dos anos 1990. Antes sujeitas a um imposto de 18% sobre o lucro da produção, as estrangeiras viram essa porcentagem subir para 50% no ano passado e, finalmente, para 82%
Aqui podemos ver em primeira mão o amor pelo exército, pela violência, pela guerra; Murray Rothbard, quando percebeu que a direita norte-americana com nada se parecia com o liberalismo que ele defendia, se aliou a esquerda anti-autoritaria que protestava contra a guerra do Vietnã; pouco depois ele deixou esse bando, pois percebeu que socialistas não são contra a Guerra, mas sim contra aquelas guerras especificas que eles discordam. Atacam (com muita razão) os norte-americanos dizendo que esses não passam de barbaros imperialistas; mas eis que quando o exército do lado deles invade refinarias e postos de gasolinas, eles aplaudem. Por esse tipo de coisa que eu me recuso a ser de esquerda. Sou um pacifista. Luto com palavras e contra sistemas. Sou como Proudhon que procurou desenvolver vias a partir da contradição em sistemas já existentes. Não sou como os guerreiros pró-morte que lutam contra um tipo de ditadura e a favor de outra.
E já que falamos de Proudhon, vamos cita-lo de novo (nunca é demais):
"Liberdade, mãe e não filha da ordem"
Se bem que essa é uma frase que geralmente funciona com aqueles que dão um minimo de valor a liberdade, o que claramente não é o caso dos guerreiros pró-tirania.
Assim que eu recebi o primeiro e-mail, eu fiquei bem animado por existir um grupo assim, mas logo eu vi que era uma propaganda anti-PT pró-PSOL, aí eu mandei o seguinte e-mail (com a delicadeza pela qual sou tão bem conhecido)
"Subject: Re: Continuamos a convidá-lo/a a entrar em Guerreiros Anticorruptos: vá a www.guerreirosanticorruptos.org. E escreva. Colabore
E eu vou continuar recusando seu porco fascista! Você e o resto da sua trupe de assassinos do P-SOL podem se enforcar no inferno!
Eu dedico minha vida para que ditadores que nem vocês sejam eliminados da face da terra, vocês são o mal, são vermes totalitários e assassinos, são a personificação viva do poder maléfico da policia e do exército, são os mais reacioarios militares viciados em escravidão que esse pais já viu. Eu daria minha vida com prazer para ver vocês queimarem no inferno seus porcos fascistas!"
E no boletim seguinte (não numa resposta pessoal, mas no boletim, mandado pra várias pessoas) veio a resposta.
"P-SOL parece ser sobretudo um estado de espírito, e não apenas uma organização política. É por isso que a seguir o "crítico" petista nos mistura a todos num saco só, ignorando que nada temos a ver com o P-SOL. Exceto uma canção de amor - a da nossa profunda admiração por Heloísa.
Esclareça-nos, Rodrigo Alonso, em que momento é que sobretudo somos uns porcos fascistas. Se quando votamos em Lula em 2002 e até choramos de emoção ao comemorar a sua vitória. Ou se agora, quando lhe damos um pontapé no traseiro.
Quanto a uma coisa, porém, não há dúvidas: os críticos lulo-petistas são extremamente educados!
Um abraço do Paulo Bacellar "
Ao qual eu respondi:
"Pra começo. Eu não sou petista, eu sou um liberal, do tipo que não é representado por nenhum partido no Brasil e essa choradeira toda.
Segundo. Os liberais estão dizendo há 30 anos que votar no Lula ia dar merda. Vocês votaram. Deu merda. Agora se enforquem.
Votar na Heloisa Helena vai ter o mesmo efeito. Ela vai ser corrupta igual e vocês vão chorar igual. O fascismo de vocês vem na eterna procura de um "pai dos pobres" que peguem todos pela mãozinho e vão dançar rodinha eternamente. Esquecem a população, a democracia, esquecem tudo, querem apenas o exército na mão do seu líder. Se tal líder é Lula, Heloisa Helena, Bornhausen ou Alckmin pouco importa. O que vocês querem é um chefe. Um dono. Alguém a quem obedecer cegamente.
E tal como Chavez faz na Venezuela, vocês querem que aqui o exército cumpra a vontade do dono ao espancar manifestantes, destruir propriedades, fechar jornais que são considerados "imprensa marrom". Tudo em prol do líder. Do Fuhrer. Da cabeça.
Continuem vocês e suas canções de amores a seus lideres. Eu não me rebaixo a ninguém.
Como Joseph-Pierre Proudhon bem disse: "Aquele que colocar a mão sobre mim para me governar é um tirano e eu o declaro meu inimigo".
Vocês não querem prosperidade, tampouco paz e é piada falar em liberdade.
Vocês querem um dono a obedecer, aconteceu com o Lula, acontece de novo com Heloisa Helena e vai acontecer com qualquer que seja o aproveitador que virá após ela."
Eles pararam de me mandar e-mails, eu fui no site e vi que surigram mais um monte de boletins desde então e eu acredito que em nenhum deles a minha colaboração foi publicada e a cada boletim vem com um letreiro cada vez maior de "Salve Heloisa Helena, nossa esperança" ou coisas do tipo.
O Brasil precisa de um grupo genuinamente anti-corruptos? Lógico que precisa, mas de que adianta um grupo que só sabe atacar um para defender outro?
Eu trouxe esse assunto a tona porque, de novo, eles pararam de me mandar e-mails, me mandaram dois novos hoje (depois de um mês ou dois do último), o primeiro é um "raio-x" de Heloisa Helena, uma extensa propaganda política e no final, de novo a mesma mensagem "Esqueça-nos, Rodrigo Alonso" bla bla. (sinceramente, tinha esquecido, mas vocês vieram me atazanar me lembrando de novo).
E além desse veio o e-mail mais recente. Uma extensa carta de amor a Evo Morales e a Hugo Chavez, o primeiro que realizou um ataque pessoal a nós e cuja "nacionalização" foi feita com homens armados invadindo uma empresa que tanto fez àquele país.
Longe de mim ficar todo patriótico, deixo a xenofobia pros fascistas vermelhos, desejo ver o fim de todas as fronteiras nacionais, de todas as barreiras, deixo os gritos de guerra e a reverência ao exército para os "pró-corrupção do nosso lado", lembrando sempre que toda ditadura conservadora do século XX (alemã, italiana e espanhola) vinha com a conversa de que corrupção só acontecia porque a democracia é fraca e que esses liberais individualistas chorões não entendem que a nação deve se comportar como um único corpo que apenas obedece as ordens da cabeça e se defende bravamente contra (insira o alvo do momento aqui); porém é preciso lembrar que Evo Morales nos atacou, em uma jogada demagoga (do tipo que só os mais trouxas caem), ele jogou fora a chance de uma nacionalização legitima (não que eu ache que linhas imaginarias possam ser donas de qualquer coisa) para simplesmente confiscar de forma brutal um patrimônio brasileiro. Eu não me importo, primeiro porque eu quero que o governo se foda e depois que vai ser um certo prazer ver Evo fracassar em todas as previsões de grandeza que faz (e o culpado, lógico, vai ser o capitalismo, os EUA ou qualquer besteira do tipo).
Hugo Chavez é outro social-democrata-comum-com-discursinho-demagogo que transformou o país em uma bomba relógio economica e se eu não sorrio ao prever a queda inevitavel de tal modelo já provado fracassado é porque sinto pelo povo preso, fisica e psicologicamente, por um governante que orgulhosamente se mostra de farda e que sorri em meio ao exército e helicopteros e que não sente nenhum remorso em usar a policia contra o próprio povo (preciso mais uma vez usar a palavra "fascismo"?).
Todo o boletim é uma ode ao Estado. Vejamos alguns trechos:
(notem que, todos os artigos são exibidos no boletim como se fossem coisas boas)
Com tropas do Exército invadindo refinarias e postos de gasolina da Petrobrás, Morales levou adiante uma lei aprovada no ano passado que reverteu o processo de privatização dos anos 1990. Antes sujeitas a um imposto de 18% sobre o lucro da produção, as estrangeiras viram essa porcentagem subir para 50% no ano passado e, finalmente, para 82%
Aqui podemos ver em primeira mão o amor pelo exército, pela violência, pela guerra; Murray Rothbard, quando percebeu que a direita norte-americana com nada se parecia com o liberalismo que ele defendia, se aliou a esquerda anti-autoritaria que protestava contra a guerra do Vietnã; pouco depois ele deixou esse bando, pois percebeu que socialistas não são contra a Guerra, mas sim contra aquelas guerras especificas que eles discordam. Atacam (com muita razão) os norte-americanos dizendo que esses não passam de barbaros imperialistas; mas eis que quando o exército do lado deles invade refinarias e postos de gasolinas, eles aplaudem. Por esse tipo de coisa que eu me recuso a ser de esquerda. Sou um pacifista. Luto com palavras e contra sistemas. Sou como Proudhon que procurou desenvolver vias a partir da contradição em sistemas já existentes. Não sou como os guerreiros pró-morte que lutam contra um tipo de ditadura e a favor de outra.
E já que falamos de Proudhon, vamos cita-lo de novo (nunca é demais):
"Liberdade, mãe e não filha da ordem"
Se bem que essa é uma frase que geralmente funciona com aqueles que dão um minimo de valor a liberdade, o que claramente não é o caso dos guerreiros pró-tirania.
domingo, maio 07, 2006
A próxima geração chegou... de novo.
O Playstation 3 (nome ainda não-oficial) será lançado em Novembro.
Eu não sei se é porque eu ando desligado desse universo todo de videogames, mas por algum motivo eu estou sentindo bem menos hype nessa passagem PS2-PS3 do que houve na PSX-PS2, entretanto, eu acho que o PS3 vai ser mais revolucionario que o PS2.
Analisando agora, o PS2 é um PSX com graficos muitos superiores, porém não muita coisa mudou além disso.
Agora, se você analisar os vídeos (principalmente os que tem jogos de tiro), você vai ver que os gráficos do PS3, apesar de impressionantes, não são de tirar o folego (quando comparados ao PS2; eu lembro que os gráficos do PS2, comparados aos do PSX eram de tirar o folego), porém, nos jogos de tiro que apareceram, não tem como não notar a sensação de que estão acontecendo um milhão de coisas ao mesmo tempo e que você é só mais um soldado no meio dessa bagunça e pra mim essa é a grande revolução (que só poderá ser plenamente sentida ao jogar os jogos), em um vídeo sobre o Metal Gear Solid 4; um dos programadores disse que no bigode do Snake (!!!) havia mais poligonos (que, ao meu leigo entender, são coisinhas que se mexem) do que em todo um soldado inimigo do MGS3. Isso no bigode do sujeito!!!!!
Imagine como que isso funcionaria online! Alguém algum dia lançará um jogo de tiro que será uma verdadeira guerra? Onde, sei lá,100 jogadores ao mesmo tempo se fuzilarão em tempo real? Pense no que uma produtora como a Square-Enix (que produz o Final Fantasy) lidará com isso?
Engraçado que o Final Fantasy X ficou conhecido como "O jogo que fez você comprar um PS2"; a square se fodeu feio depois de FFX, entrando em um monte de projetos complicados e caros que não deram retorno, Final Fantasy XI não chegou perto de ser algo além de "mais um MMORPG" e Final Fantasy XII demorou 6 anos para ser feito (e não foi um tempo planejado, os 6 anos foram perdidos por causa de imprevistos). Final Fantasy XII saiu no Japão, mas nos EUA ele só saíra... em Novembro, junto com o PS3.
O PS3 rodará jogos de PS2 e seria irônico ver pessoas comprando o PS3 e, no mesmo dia, Final Fantasy XII.
É interessante notar também que o PS3 usará, além de CD e DVD, um "Blue-Ray Disc" que suporta de 8GB (8cm de espessura, single-layer) até 200GB!!! (12 cm de espessura, 8 layers)
Mas enfim, eu desviei o assunto.
Aqui está as coisas que a rede online do PS3 proporcionará:
Communication/Community:
Account created through user registration
Lobbies/Matchmaking
Scores/Ranking
Game data upload/download
Presence/Friend List/Avatar
Voice/Video Chat
Messaging
Commerce
Shops (can be accessed from inside games)
Content Download
Game boot from HDD
Subscription
Selling item by item
Micropayment
Entitlement Management
Account
User Registration
Login ID/Handlename issue
Com uma plataforma dessa (que foi algo que o XboX tentou fazer sem tanto sucesso, porém eu confio 1 trilhão de vezes mais na Sony do que na Microsoft), não seria de se espantar que a maioria dos jogos venham com pelo menos alguma coisinha online, aumentando a "vida-util" de cada jogo em muito.
Claro, eu não dei uma olhada muito muito no que a Microsoft e a Nintendo estão planejando (além dos nomes, XboX 360 e Wii, isso mesmo, o novo da Nintendo se chamará, Wii), mas eu sinceramente acredito que as coisas continuarão como estão hoje (Sony para adolescentes-adultos, Nintendo para crianças-adolescentes e XboX para quem não manja de videogame, mas quer ter um moderno em casa pra jogar algum jogo de futebol, corrida ou algo assim).
Não se fala muito sobre preço ainda, eu li em algum forum que será entre US$500 e US$800, mas não encontrei a fonte disso.
Esse é um preço um tanto elevado mesmo pros padrões classe-média norte-americana, mas como o videogame será lançado em Novembro, rola sempre aquela estratégia de esperar o natal passar, então acho que em Janeiro o preço não vai estar tão mais alto que US$500 (se estiver, eu me fodi...)
Enfim, é isso, assistam o video e boa sorte a Sony com seu novo projeto.
sábado, maio 06, 2006
Tentando entender o primeiro momento de "Critica da Faculdade do Juizo" de Kant.
O juizo no gosto é estético
A distinção da beleza ocorre não pelo conhecimento, mas pela imaginação, logo ela é subjetiva.
O belo, mesmo sendo subjetivo, pode ser representado objetivamente, tal representação é, obviamente, empirica.
O juizo se refere a um sentimento de prazer ou desprazer e não contribui em nada ao conhecimento, apenas com a representação da consciência que a alma tem de si própria.
Ok, com "representação da consciência que a alma tem de si própria" eu entendi que o juizo contribui para que possamos saber como que nossa alma "se parece" subjetivamente, pois afinal, a beleza é um conceito subjetivo transformado objetivo através de um objeto (geralmente de arte, mas não é essa a questão agora); quando vemos a subjetividade objetivizada através dos sentidos, conseguimos, de certa forma, ver como que a alma "se parece", tentando formular um exemplo, nós não podemos ver o amor, mas podemos ver minha visão subjetiva de amor objetivizada através de uma imagem:

A complacência que determina o juizo no gosto é independente de todo interesse.
Interesse significa a complacência que ligamos à representação da existência do objeto e se refere a faculdade de apetição, porém se algo é belo, não importa a existência da coisa, mas sim como a julgamos na contemplação; ou seja,
Para julgar a imagem acima de forma "pura", eu tenho que ignorar a existência das garotas acima; a beleza delas independe de quem elas são, o que elas bebem quando saem a noite, a música que ouvem e coisas do tipo.
Para analisar a beleza dessa imagem, eu teria que colocar algumas coisas de lado; para ser um juizo "puro", eu teria que dispensar toda a admiração que sinto por garotas que fazem parte desse meio (subcultura erotica).
Porque veja bem, um dos propósitos todos que eu estou estudando esse assunto é exatamente isso. Que as coisas se tornam mais belas por que as garotas são legais! Então, ok, para analisar a beleza da imagem, eu teria que ignorar a existência delas, mas aí, sinceramente, onde estaria a graça? O engraçado é que quando vemos um filme pornô comum com as loiras peitudas, nós ignoramos a existência delas, nós tratamos uma atriz pornô comum da mesma forma que tratamos uma boneca inflavel; isso não acontece aqui; eu não conheço essas garotas, existe uma chance grande que eu esteja sendo enganado por um estilo de se vestir e, quem sabe, talvez elas sejam garotas tão bobas quanto as bonecas inflaveis de carne e osso de um site pornô comum; entretanto se eu realmente acreditasse isso, eu não visitaria esses sites.
Aqui vem a parte que eu não sei se estou dando mais valor a subcultura erotica que realmente tem, talvez seja realmente só pornografia; mas eu não acredito nisso, porque se fosse só pornografia não seria tão belo.
E é aqui que eu vou contra Kant; se a postura dessas garotas em relação a sociedade e em relação ao amor faz elas serem tão mais belas, como é que beleza só pode ser medida através da ignorância da existência do objeto? Eu não ignoro que existem seres humanos por trás dessa imagem e isso faz tudo ser mais belo.
A distinção da beleza portanto (e céus, eu estou no primeiro ano da faculdade questionando Kant, me sentindo bem idiota fazendo isso pra falar a verdade porque eu tenho uma impressão que ele vai falar sobre coisas do tipo no decorrer do livro) envolve sim o conhecimento.
Ela não ocorre através do conhecimento, ainda é através da imaginação (como eu disse, eu não conheço tais garotas, eu imagino que elas tenham um comportamento), mas há elementos racionais presentes aí (quais são exatamente é o tema do estudo que eu vou começar quando estudar mais).
A complacência no agradável é ligada ao interesse
Agradavel é o que apraz os sentidos na sensação.
Tudo que apraz os sentidos é agradavel, portanto no que concerne o agradavel, impressões no sentido (inclinação, interesse), principios da razão (vontade) ou formas refletidas da intuição (juizo) são a mesma coisa.
Avaliar o agradavel consiste no deleite que a coisa promete e como apenas os meios divergem (pois o objetivo é sempre o deleite), as pessoas divergem uma com as outras em relação a escolhas desse meio, mas nunca de caráter, pois o objetivo é sempre o mesmo.
Por exemplo:

Um padre poderia dizer que essas garotas são tolas, pois elas escolhem um meio de agradar os sentidos que não é tão eficiente quanto uma familia que frequenta a igreja e finge não ter problemas quando almoçam juntos no sabado; mas ele jamais poderá dizer que elas são más, porque o objetivo de todos é o deleite.
O juizo sobre um objeto declarado agradavel desperta interesse e desejo no mesmo, logo o objeto agradavel não é simplesmente aprovado, mas também desejado; as pessoas que procuram apenas o prazer dispensam o julgamento, ou seja, a busca por prazer, por si só, dispensa tanto a racionalidade quanto a noção de beleza.
A complacência no bom é ligado a interesse
Bom é aquilo que apraz mediante a razão.
Uma distinção que Kant faz, mas que, na minha opinião, ele não dá a atenção que merece, é a distinção entre o "bom para" e o "bom em si".
"bom para" é aquilo que é útil para se conseguir alguma coisa coisa, o "bom em si" é, obviamente, aquilo que é bom em si próprio. (mas sempre mediante a razão, coisas como "dançar" ou "fazer sexo" são agradáveis e não boas.)
Para saber se um objeto é bom, é necessário entender o conceito de tal objeto, para saber se é belo, não precisa.
A diferença do agradavel pro bom é que o agradavel se refere apenas aos sentidos, mas o bom precisa da razão para que o desejo seja desperto; isso que eu vou dizer agora talvez falta de um pensamento mais profundo de minha parte, mas eu eliminaria o conceito de "bom em si"; diria que tudo que é bom mediante a razão é "bom para" algo.
Porque por exemplo:
Comer é um prazer agradavel, mas se eu analiso o conceito de "comer", eu chegaria a conclusão de que é bom para manter a saúde ou (e isso é talvez onde haja uma falta de profundidade no meu pensamento) bom para se ter um prazer agradavel.
Todas as coisas que seriam "boas em si" na minha opinião, acabam sendo "boas para" despertar um sentimento de prazer.
Se nós analisarmos "dançar" de uma forma racional, descobriremos que dançar é "bom para" ter o sentimento de prazer ligado a dança.
A razão consegue, por si só, criar algo "bom em si"?
A busca pelo conhecimento é boa em si? Conseguir um conhecimento novo, por nenhum outro motivo senão conseguir um conhecimento novo seria "bom em si", mas existe algo como "filosofia por filosofia" (tal qual existe "arte pela arte").
Comparação dos três modos especificamente diversos de complacência

O agradavel e o bom têm ambos referência a faculdade de apetição e trazem consigo uma conexão com a existência do objeto.
O juizo do gosto independe da existência do objeto (não na minha opinião, mas enfim...)
O agradavel, o belo e o bom designam três relações diversas ao sentimento de prazer ou desprazer.
A imagem acima é bela (na minha subjetiva opinião) e ela pode ser agradavel (no sentido de causar excitação sexual), mas, diferente de uma imagem pornô qualquer, essa imagem ainda mantém muita força mesmo que você não se excite por ela. Isso "eleva" a subcultura erótica ao nível de arte?
Bem, pra mim não há duvida de que é arte, a questão do meu estudo será:
Isso é belo independente da existência do objeto ou o fato de eu saber que existe um ser humano que eu respeito por trás dessa imagem faz com que ela seja mais bela?
Kant diz que o belo é a única complacência desinteressada e livre, pois é a única independente do interesse e da razão, mas será mesmo que a beleza não se relaciona em nada com a razão?
O juizo no gosto é estético
A distinção da beleza ocorre não pelo conhecimento, mas pela imaginação, logo ela é subjetiva.
O belo, mesmo sendo subjetivo, pode ser representado objetivamente, tal representação é, obviamente, empirica.
O juizo se refere a um sentimento de prazer ou desprazer e não contribui em nada ao conhecimento, apenas com a representação da consciência que a alma tem de si própria.
Ok, com "representação da consciência que a alma tem de si própria" eu entendi que o juizo contribui para que possamos saber como que nossa alma "se parece" subjetivamente, pois afinal, a beleza é um conceito subjetivo transformado objetivo através de um objeto (geralmente de arte, mas não é essa a questão agora); quando vemos a subjetividade objetivizada através dos sentidos, conseguimos, de certa forma, ver como que a alma "se parece", tentando formular um exemplo, nós não podemos ver o amor, mas podemos ver minha visão subjetiva de amor objetivizada através de uma imagem:
A complacência que determina o juizo no gosto é independente de todo interesse.
Interesse significa a complacência que ligamos à representação da existência do objeto e se refere a faculdade de apetição, porém se algo é belo, não importa a existência da coisa, mas sim como a julgamos na contemplação; ou seja,
Para julgar a imagem acima de forma "pura", eu tenho que ignorar a existência das garotas acima; a beleza delas independe de quem elas são, o que elas bebem quando saem a noite, a música que ouvem e coisas do tipo.
Para analisar a beleza dessa imagem, eu teria que colocar algumas coisas de lado; para ser um juizo "puro", eu teria que dispensar toda a admiração que sinto por garotas que fazem parte desse meio (subcultura erotica).
Porque veja bem, um dos propósitos todos que eu estou estudando esse assunto é exatamente isso. Que as coisas se tornam mais belas por que as garotas são legais! Então, ok, para analisar a beleza da imagem, eu teria que ignorar a existência delas, mas aí, sinceramente, onde estaria a graça? O engraçado é que quando vemos um filme pornô comum com as loiras peitudas, nós ignoramos a existência delas, nós tratamos uma atriz pornô comum da mesma forma que tratamos uma boneca inflavel; isso não acontece aqui; eu não conheço essas garotas, existe uma chance grande que eu esteja sendo enganado por um estilo de se vestir e, quem sabe, talvez elas sejam garotas tão bobas quanto as bonecas inflaveis de carne e osso de um site pornô comum; entretanto se eu realmente acreditasse isso, eu não visitaria esses sites.
Aqui vem a parte que eu não sei se estou dando mais valor a subcultura erotica que realmente tem, talvez seja realmente só pornografia; mas eu não acredito nisso, porque se fosse só pornografia não seria tão belo.
E é aqui que eu vou contra Kant; se a postura dessas garotas em relação a sociedade e em relação ao amor faz elas serem tão mais belas, como é que beleza só pode ser medida através da ignorância da existência do objeto? Eu não ignoro que existem seres humanos por trás dessa imagem e isso faz tudo ser mais belo.
A distinção da beleza portanto (e céus, eu estou no primeiro ano da faculdade questionando Kant, me sentindo bem idiota fazendo isso pra falar a verdade porque eu tenho uma impressão que ele vai falar sobre coisas do tipo no decorrer do livro) envolve sim o conhecimento.
Ela não ocorre através do conhecimento, ainda é através da imaginação (como eu disse, eu não conheço tais garotas, eu imagino que elas tenham um comportamento), mas há elementos racionais presentes aí (quais são exatamente é o tema do estudo que eu vou começar quando estudar mais).
A complacência no agradável é ligada ao interesse
Agradavel é o que apraz os sentidos na sensação.
Tudo que apraz os sentidos é agradavel, portanto no que concerne o agradavel, impressões no sentido (inclinação, interesse), principios da razão (vontade) ou formas refletidas da intuição (juizo) são a mesma coisa.
Avaliar o agradavel consiste no deleite que a coisa promete e como apenas os meios divergem (pois o objetivo é sempre o deleite), as pessoas divergem uma com as outras em relação a escolhas desse meio, mas nunca de caráter, pois o objetivo é sempre o mesmo.
Por exemplo:
Um padre poderia dizer que essas garotas são tolas, pois elas escolhem um meio de agradar os sentidos que não é tão eficiente quanto uma familia que frequenta a igreja e finge não ter problemas quando almoçam juntos no sabado; mas ele jamais poderá dizer que elas são más, porque o objetivo de todos é o deleite.
O juizo sobre um objeto declarado agradavel desperta interesse e desejo no mesmo, logo o objeto agradavel não é simplesmente aprovado, mas também desejado; as pessoas que procuram apenas o prazer dispensam o julgamento, ou seja, a busca por prazer, por si só, dispensa tanto a racionalidade quanto a noção de beleza.
A complacência no bom é ligado a interesse
Bom é aquilo que apraz mediante a razão.
Uma distinção que Kant faz, mas que, na minha opinião, ele não dá a atenção que merece, é a distinção entre o "bom para" e o "bom em si".
"bom para" é aquilo que é útil para se conseguir alguma coisa coisa, o "bom em si" é, obviamente, aquilo que é bom em si próprio. (mas sempre mediante a razão, coisas como "dançar" ou "fazer sexo" são agradáveis e não boas.)
Para saber se um objeto é bom, é necessário entender o conceito de tal objeto, para saber se é belo, não precisa.
A diferença do agradavel pro bom é que o agradavel se refere apenas aos sentidos, mas o bom precisa da razão para que o desejo seja desperto; isso que eu vou dizer agora talvez falta de um pensamento mais profundo de minha parte, mas eu eliminaria o conceito de "bom em si"; diria que tudo que é bom mediante a razão é "bom para" algo.
Porque por exemplo:
Comer é um prazer agradavel, mas se eu analiso o conceito de "comer", eu chegaria a conclusão de que é bom para manter a saúde ou (e isso é talvez onde haja uma falta de profundidade no meu pensamento) bom para se ter um prazer agradavel.
Todas as coisas que seriam "boas em si" na minha opinião, acabam sendo "boas para" despertar um sentimento de prazer.
Se nós analisarmos "dançar" de uma forma racional, descobriremos que dançar é "bom para" ter o sentimento de prazer ligado a dança.
A razão consegue, por si só, criar algo "bom em si"?
A busca pelo conhecimento é boa em si? Conseguir um conhecimento novo, por nenhum outro motivo senão conseguir um conhecimento novo seria "bom em si", mas existe algo como "filosofia por filosofia" (tal qual existe "arte pela arte").
Comparação dos três modos especificamente diversos de complacência
O agradavel e o bom têm ambos referência a faculdade de apetição e trazem consigo uma conexão com a existência do objeto.
O juizo do gosto independe da existência do objeto (não na minha opinião, mas enfim...)
O agradavel, o belo e o bom designam três relações diversas ao sentimento de prazer ou desprazer.
A imagem acima é bela (na minha subjetiva opinião) e ela pode ser agradavel (no sentido de causar excitação sexual), mas, diferente de uma imagem pornô qualquer, essa imagem ainda mantém muita força mesmo que você não se excite por ela. Isso "eleva" a subcultura erótica ao nível de arte?
Bem, pra mim não há duvida de que é arte, a questão do meu estudo será:
Isso é belo independente da existência do objeto ou o fato de eu saber que existe um ser humano que eu respeito por trás dessa imagem faz com que ela seja mais bela?
Kant diz que o belo é a única complacência desinteressada e livre, pois é a única independente do interesse e da razão, mas será mesmo que a beleza não se relaciona em nada com a razão?
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