sexta-feira, fevereiro 20, 2009

E não é que o jogo de tiro pode vencer?

Um update rápido antes, como eu não conserto erros por causa de qualquer problema psicológico que eu tenha que me faça gostar de lembrar das vezes que erre, o post abaixo vai continuar igual, mas a charge não é do Washington Post e sim do New York Post.
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Anyway, eu joguei os (agora menos de) 10 minutos do demo do Killzone 2 de novo e de novo e é, vai ter que ser esse, Street Fighter 4 fica pra outro dia, o que, dada minha situação financeira, pode bem ser apenas no fim do ano (o que significa que ele provavelmente vai cair na lista atrás de Uncharted 2 e God of War 3; oh well).

De qualquer forma, Killzone 2 é um puta dum jogo. Jogando o demo mais algumas vezes em cenários no início do jogo feitos com o objetivo de serem fáceis que é pra você treinar as armas, já dá pra perceber que a inteligência artificial é a melhor que existe por aí. É a melhor que eu já experimentei pelo menos, em qualquer jogo de videogame.

Em uma das vezes o soldado inimigo de fato saiu correndo na minha direção, mas atirando e olhando em outra, quando ele me percebeu (e tudo aconteceu meio rápido, então não deu pra eu parar de correr e atirar), ele parou, ficou algum meio segundo sem reação, e logo correu para uma proteção no lado oposto de onde ele estava correndo.
Eu sempre considerei que o maior desafio pra qualquer inteligência artificial de videogame é não ser perfeita. O videogame, obviamente, "sabe" de tudo que acontece e o grande desafio é como programar o inimigo de modo que ele "finja" que não sabe o que acontece, mas, por outro lado, reaja como se estivesse aprendendo as coisas na hora, como, no caso dessa cena, quando o Helgast "aprendeu", naquele momento, que eu corria em sua direção e teve que pensar o que fazer com essa nova informação.

Outra coisa impressionante, mas na mesma linha, é como os inimigos não agem como "hive mind", ou seja, como se compartilhassem a mesma mente. Eles agem em conjunto, mas cada inimigo é claramente individual. Sempre que podem, os helgastes vão dar cobertura para que algum aliado deles te cerquem, mas o que me impressionou é que algumas vezes aleatórias, algum inimigo tenta dar uma de rambo, ou seja, ele tenta correr atirando na esperança de matar o máximo possível antes de morrer. Se o jogador tenta fazer isso é morte na certa, já quando eles tentam... bom, aí também é morte na certa, a vez a que eu me refiro, que eu vi acontecendo, eu nem precisei atirar, o resto da minha equipe (também computador já que o demo não tem modo online) matou o pobre corajoso. Agora, porque o sujeito fez isso? Vai saber, é tanta coisa acontecendo e tanta gente atirando em tanta gente que vai ver que, do ponto de vista dele, simplesmente pareceu uma boa idéia... e acabou não sendo. Esse tipo de capacidade de errar de modo humano é pra mim uma prova bem decente da capacidade de inteligência artificial desse jogo.

Falando um pouquinho de filosofia da mente, uma coisa que sempre me incomodou em quem diz que o cérebro funciona como um computador é que a minha impressão é que, se fosse esse o caso, então o cérebro deveria funcionar como um computador quebrado.

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Ok, eu prometi um parágrafo sobre a imparcialidade dos historiadores no tweeter.
Do modo que eu entendo, todos devemos buscar ser objetivos tendo consciência que não estamos sendo.
Dito isso, toda falha de objetividade deve ser inconsciente e reconhecer que ela exista é reconhecer o valor do inconsciente.
Então, eu escrevo algo tendo consciência que não estou sendo objetivo, mas eu não posso ter consciência acerca de qual fato não estou sendo objetivo, se eu tiver tal consciência, eu tenho que corrigi-la.
Por exemplo, se eu souber que ao falar do Brasil, eu sou injusto com tal figura histórica por causa de um complexo de vira-lata, então isso não é uma subjetividade inconsciente mais, esse é um desvio consciente do que seria um julgamento correto acerca de tal figura histórica e aí eu tenho o dever de corrigir minha posição.

É da maior importância saber que jamais chegaremos em uma tal objetividade, que jamais vamos refletir uma tal realidade com perfeição, mas isso não pode nos servir de desculpa para quando sabemos que estamos errando.

3 comentários:

Anônimo disse...

Cara, não tem como um Historiador saber que está sendo errado ao deixar de lado alguma coisa ou fazendo um certo julgamento. Então não tem como ele corrigir. Não funciona assim para os Historiadores.

Pois Historiadores, pelos menos os bons, não se pautam por valores de justo, injusto, certo, errado, etc, quando fazem seu ofício. Pois se eles fizerem isso, podem cair na velha armadilha de julgar apenas por um ponto de vista que se considera como o correto e absoluto "ok, esse é um julgamento correto, mas a partir do ponto vista de quem? E os outros pontos de vista, não contam?" E o Historiador sabe de antemão que sempre estará errado, e sempre estará certo, dependendo de quem faz o julgamento.

Então simplesmente se deixa essas noções de certo e errado de lado, elas não importam a princípio pro ofício do historiador.

O que importa para o Historiador é simplesmente relatar os fatos, tentando expor o maior número de lados possíveis, mas sabendo e evidênciando todos os filtros de subjetividades que existem, e sem ter medo de dizer que pertence a um desses lados. Afinal, não é porque você optou por um lado, que todos os outros se tornam automaticamente errados e sem importância ou valor.

Do contrário, um agnóstico como eu seria incapaz de estudar religiões helenicas evidenciando todas as suas complexidades e significados que possuiam pros seu praticantes na antiguidade. Para isso, tenho que tentar assumir o ponto de vista daquelas pessoas, tornando-o como se fosse meu. Mas mesmo assim, sei que no final, o que vai prevalecer é minha visão de Historiador agnóstico do século XXI.

Então o texto final de cada Historiador irá revelar toda a sua subjetividade, seus valores e crenças, e o recorte que ele faz irá com certeza deixar várias coisas de fora, e isso não será um erro. O bom Historiador simplesmente irá dizer, sim, deixei esses fatos de fora, não porque os considero certo, errado, justo, ou injusto, seja lá o que essas coisas signifiquem pra você, mas simplesmente porque tais fatos não eram relevantem o suficiente pro ponto de vista e a tese que escolhi defender. Simples assim.

Enfim, como Historiador, por mais que sempre haverá alguém dizendo que sou feio, sujo e malvado porque deixei de fora vários fatos ou fiz julgamentos diferentes do que tal pessoa considera o correto, não tenho obrigação nenhuma de me corrigir, pois não há nenhum erro, mas simplesmente um ponto de vista subjetivo e parcial. Ponto de vista esse que será posto em contraponto por outros Historiadores a seus póprios pontos de vista, e com o ponto de vista dos que vieram antes, e dos que virão depois. E é assim que vamos construindo esse grande poligno de infinitos lados que é a História. =)

Rodrigo Braga Alonso disse...

Velho, eu entendo e concordo com praticamente tudo (só vou fazer uma observação sobre seu último parágrafo), mas o que eu tenho que adicionar (e foi esse o propósito do meu parágrafo) é ressaltar o que há de consciente e inconsciente nessa relação.

Quando falo em "justo" (e vou defender que isso também se aplica ao "certo") não é em um sentido moral (embora seja impossível escapar completamente do sentido moral), é no sentido do "bem julgar".

Eu sou justo, nesse sentido, se eu julgo corretamente.
Se você sinceramente acredita que "tais fatos não eram relevantem o suficiente pro ponto de vista e a tese que escolhi defender", então é fair game. Não há problema.

O problema é considerar um fato importante, omiti-lo por algum propósito (por exemplo, político) e, quando chamado a atenção de que está tomando como irrelevante aquilo que é relevante (ou seja, julgando mal, ou seja, sendo injusto), dizer "não tenho obrigação nenhuma de me corrigir, pois não há nenhum erro, mas simplesmente um ponto de vista subjetivo e parcial".

É preciso tomar cuidado pra não deixar de ser um relativista para se tornar alguém simplesmente desonesto. É a isso que chamo atenção.
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Dito isso, mesmo quando você está sendo sincero, acho complicado você dizer que não há nenhuma obrigação de se corrigir. Se você adquire uma nova informação ou uma nova perspectiva que invalida seu juízo anterior, então há sim uma obrigação de se corrigir.

O meu problema não é alguém ser imparcial como algo que naturalmente ocorre, o meu problema é alguém ser imparcial de propósito com o objetivo de avançar uma tese que defende por algum motivo político ou econômico.

Se um dia algum doido no Vaticano decide escrever que a inquisição não existiu (assim como doidos antissemitas tentam nos convencer que o holocausto não existiu), nós não podemos dizer que esse é o ponto de vista subjetivo deles. Isso é ignorar a realidade com um propósito político.

Relativismo é uma ferramenta necessária para se analisar a realidade. Afinal de contas, tudo que sabemos da realidade é essa teia de percepções e sem pegar o "polígono de infinitos lados" na mão e girá-lo para registrar o maior número de lados possíveis, não podemos dizer estar analisando a realidade. Por isso mesmo, não podemos nos prender apenas ao nosso ponto de vista subjetivo e nos recusar a adicionar outras perspectivas.

Se recusar da obrigação de se corrigir em relação a uma nova perspectiva é a antítese do relativismo.

Anônimo disse...

Cara, nada do que eu falei trata-se relativismo. O relativista relativisa tudo. E isso não tem como ser feito pelo Historiador. Pois o bom Historiador, nega o absoluto, incluido aí o relativismo absoluto.

Quando se trabalha com um objeto histórico é preciso determinar muito bem quais são os programas de verdade agindo sobre esse objeto. E eles não podem ser relativisados, pois são muito bem precisos e determinados. A questão é que na maioria das vezes esse conjunto de programas de verdade só funcionam para aquele objeto histórico específico, e não pra outro.

Por exemplo, não posso de forma alguma analisar a sociedade grega antiga usando os mesmo programas de verdade que uso pra analisar a sociedade grega moderna. E não há nada de relativismo em eu estar usando dois paradigimas diferentes para dois objetos históricos diferentes, pois tais paradigmas possuem programas de verdades muito precisos e determinados, e que são verdadeiros pra esses objetos em questão, mas apenas pra eles.

Sendo assim, os programas de verdade servem como medida pra sabermos que está certo ou errado, ao menos quando se fala daquele objeto histórico definido. Esse julgamento de certo e errado é apenas no que se refere a clareza e precisão da informação. Sabemos, por exemplo, por diversas fontes históricas, que o homosexualismo era uma pratica aceitável na sociedade grega antiga. Esse é um programa de verdade desse objeto histórico que está muito bem determinado e é verdadeiro pra esse objeto e não há como ser negado por qualquer pessoa por mais que ela tente. Mas apesar disso, há diferentes relatos de gregos antigos que condenavam a prática do homosexualismo. Mas esses relatos não ivalidam o fato de que o homosexualimso era bem aceito pela sociedade como um todo, então se eu deixá-los de fora de meu texto, mesmo concientemente, não estou incorrendo em erro, e não tenho por que me corrigir. Outros historiadore talvez acharão melhor citar essas pequenas vozes contrárias, apenas pra dizer que havia na época opiniões contrárias, mas isso não invalida ou refuta a tese original.

Em ambos os casos, o que deixou o fato e de fora e o que colocou, ao fazerem isso, o fizeram não preocupados com algum julgamento, seja moral ou não. Como eu disse, esse julgamento de certo ou errado, justo ou injusto não importa pro ofício do Historiador. O Historiador não se importa se está "bem julgando" ou "mal julgando". O que importa pra ele é relatar, e que os julgamentos fiquem pras outras pessoas. Afinal, julgamentos como esses são discussões sem fim, e não interessa ao Historiador, pois seu objeto de estudo é sempre muito bem delimitado e preciso, ainda que subjetivo e parcial.

E também não disse que você deve se ater apenas o seu ponto de vista. Isso nunca, em hipótese nenhuma, deve ser feito pelo Historiador. Como eu disse, o bom Historiador compara seu ponto de vista ao de outros, sejam de seu próprio tempo, seja de tempos anteriores. Essa comparação é apenas feita pra se juntar mais algumas peças ao quebra cabeça, mas como todos os pontos de vista são parciais, sempre estará faltando alguma peça, por mais pontos de vista que vc assuma.

Por isso, mesmo que um Historiador mal intencionado queira negar algum fato, como a Inquisição ou o Holocausto, seja por qual motivo seja, é impossível. Pois os Historiadores se auto regulam ao fazerem essas contraposições de pontos de vista. E por mais que alguém tente, é impossível negar um fato histórico, ainda mais um já bem estudado, analisado e documentado, por mais pontos de vistas e diferentes opiniões que existam sobre esse fato. Um cara mal intencinado desses, não dura muito na comunidade de Historiadores, e é rapidamente colocado em descrédito. E sua opinião e ponto de vista não valerá mais nada e será desconsiderada.

No entanto, esse cara que omite um fato por má fé, ainda assim o está fazendo por achar que aquilo é irevante pra sua defesa. Ele de fato não acha aquilo importante. Então pra ele, ele está fazendo um julgamento justo.

Mas como eu disse, se ele fosse um bom Historiador, não se preocuparia em julgar, mas sim em relatar. Ser justo ou injusto não interessa de fato ao Historiadores e não tem a mínima relevância pra execução de seu ofício, e levar esse conceitos tão imprecisos em consideração, só atrapalha. Eu poderia achar que os gregos antigos eram um bando de safados promíscuos por aceitarem socialmente o homesexualismo. Mas esse meu julgamento não interessa em nada para História. Pois meu julgamento não altera o fato de que o gregos antigos aceitavam o homosexualismo, isso é fato, e é isso que importa, e por mais que eu possa achar isso uma safadeza, os bons Historiadores simplesmente irão ignorar meu julgamento e nem irão perder tempo discutindo se é um julgamento justo ou não.