http://edsongil.wordpress.com/2008/07/28/o-argumento-do-cogito-segundo-ayer/
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Ok, só dois comentários rápidos sobre dois tecos do texto.
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"A razão disso é que o “sum” segue do “cogito” dependendo de regras que governam o usuário do “cogito” e “sum“, e é sempre aberto à dúvida o fato de alguém estar aplicando tais regras corretamente. Ayer considera esta dúvida fútil, e dispensável através de um ato de resolução segundo o qual não afirmaríamos sob hipótese alguma o “cogito” se não estivéssemos preparados para afirmar o “sum”. Mesmo assim, que eu assinto a tal resolução é um fato empírico, não necessário. Desta maneira, se todas as proposições empíricas forem consideradas dubitáveis, esta dúvida também não poderá ser resolvida. Se nada for contar como estando certo da verdade de qualquer proposição, então é necessariamente verdadeiro, neste sentido, que nenhuma proposição é certa. O gênio maligno, que Descartes evoca na Meditação Primeira como a forma suprema de dúvida, triunfa por definição, segundo a argumentação de Ayer. Por conseguinte, não há razão pela qual se importar com o mesmo."
Isso é exemplo da linguistic turn em esteróides, a sensação de que eu existo é claramente anterior ao fato de eu podê-la expressá-la em linguagem e mesmo que eu não possa expressá-la, ela é indubtável, o problema aqui parece anacronismo mais que qualquer coisa e falta de respeito pela ordem de argumentação do autor do que qualquer coisa.
Primeiro, Descartes não estava nesse debate "empirismo vs racionalismo" por incrível que pareça (pois ele é o modelo do racionalista), como de certa forma foi ele que inaugurou o debate, não se pode exigir dele uma afirmação do tipo "todas as proposições empíricas são consideradas dubitáveis", o que é considerado dubitável é o que vem dos sentidos externos, resta a questão se o "sentido interno" (a sensação empírica dos meus pensamentos) é considerado duvidoso para descartes e todo o sentido do argumento do cogito é que não, que desse "sentido interno" não é possível duvidar, duvido da validade dele, se o que eu penso corresponde a uma realidade externa é duvidoso, mas sua existência é indubtável, isso é algo *anterior* a proposição lógica, dessa forma, Ayer está certo em considerar fútil a dúvida a respeito da lógica do "cogito ergo sum", "penso logo existo" não é verdadeiro por sua forma lógica, a validade lógica está no argumento anterior (daí a necessidade de respeitar a ordem de argumentação do autor) e o argumento anterior é "se há algo que duvida, então há algo", o que é lógico, daí vamos pra conclusão do texto.
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"Ayer finaliza sua crítica chamando a nossa atenção para o fato de que o que é necessariamente verdadeiro é que ‘eu estou tendo a experiência que estou tendo’, mas que disso não se segue nem que é necessário que há tal experiência, nem que qualquer descrição que possa enunciar da mesma seja correta, nem mesmo que esta é a experiência de qualquer pessoa, se ser a experiência de alguma pessoa for entendido como implicando que esta é relacionada a qualquer coisa além de si mesma. Em suma, para Ayer as únicas coisas certas além de qualquer dúvida são proposições que possuem seu valor de verdade em virtude de sua forma (e.g. “homens solteiros não são casados”), ou seja, sentenças analíticas[3]; e aceitando tal acepção não é possível conferir ao argumento do “cogito” o papel que Descartes atribui ao mesmo: o de engendrar uma primeira certeza."
O problema aqui é mania de pegar Descartes pela segunda meditação e esquecer o resto.
De novo, a primeira certeza não é "penso, logo existo"; a primeira certeza é "duvido, logo há uma coisa que duvida", como duvido em pensamento, essa coisa é "uma coisa que pensa" e é isso. O que "existe" é "uma coisa que pensa" e isso é induvidável.
A problemática aqui não é se a coisa que pensa é uma pessoa ou não, esse é o tipo de coisa que só vai ter sua certeza afirmada depois que Descartes conclui a existência de um deus perfeito; a pergunta é se essa coisa sou eu.
Então, o principal problema desse trecho específico da segunda meditação é se a coisa que tem pensamentos duvidosos sou eu, mas é justamente isso que ele dá como dado, já que a certeza, pra ele é ‘eu estou tendo a experiência que estou tendo’, minha dúvida é se isso é logicamente necessário, embora seja intuitivamente inegável, como você formula uma frase a respeito do seu próprio pensamento sem usar a primeira pessoa? Como você diz "eu não existo"? Logicamente, me parece que é possível afirmar que outra pessoa pensa no meu espírito, desde que seja uma lógica pré-linguagem, mas aí eu fodo toda a lógica (já que por definição, um sistema lógico precisa de uma semântica... ou assim dizem), então deixa isso pra lá.
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O importante é que Descartes jamais usa "cogito ergo sum" por si só para afirmar algo além de "eu existo", sendo que "eu" é "uma coisa que pensa" e *nada* além disso. Pode ser até uma coisa que toda vez que pensa 2 + 2 = 4 erra na conta porque um gênio maligno manipula os pensamentos, mas mesmo uma coisa manipulada por pensamentos alheios ainda pode ser dita "eu" e ainda pode ser dita "existente" e isso É uma certeza e se isso É uma certeza, não sei do que porra que Ayers reclama.
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Qualquer proposição que o Ayers finge que o Descartes retira disso, a de que "eu sou uma pessoa" e "eu penso corretamente" e etc; passa primeiro pelo fato de que um criador perfeito garante que o universo funcione perfeitamente de modo que 2 + 2 seja 4, de modo que quando eu me vejo no espelho com um corpo humano isso seja real, etc.
Enfim, Cogito Ergo Sum permanece a primeira certeza de Descartes e o próprio jamais tenta retirar nada dela além do fato de que "a existência existe", após o argumento do cogito, descartes argumenta em favor de um deus criador perfeito e essa é a segunda certeza dele e dessas duas ele retira a certeza de que toda matéria é extensa e dessas três ele retira proposições empíricas.
Sem esse movimento, Descartes não teria um sistema filosófico, quem pula da certeza 1 pra certeza 5 é o crítico e não o autor.
3 comentários:
É, os trechos dele são confusos.
pois é ese cara ai um tal de rodrigo deve tomar gardenal só pode+++++++++++++++
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