Sempre que eu ouço 1979 do Smashing Pumpkins dá vontade de escrever alguma coisa, mas eu nunca sei exatamente o que... então, é isso, o que eu vou falar sobre a música? Acho que cada frase diz tanto, mas naquele esquema de poesia... que se eu pudesse fazer um texto a respeito, a música não seria tão essencial.
Toda a parte:
We don't even care, as restless as we are
We feel the pull in the land of a thousand guilts
And poured cement, lamented and assured
To the lights and towns below
Faster than the speed of sound
Faster than we thought we'd go, beneath the sound of hope
diz algo muito sobre a minha vida ou sobre como eu vejo minha vida, é difícil explicar, a coisa é bem encaixada demais; no que não nos importamos, na nossa inquietude, sentimos o puxão de mil culpas e cimento, lamentações e garantias e no meio de todos esses sentimentos estão as luzes e as cidades e a velocidade e mais velocidade e mais mais mais, mas ainda tudo abaixo do som da esperança. Enfim, não sei o que falar a respeito, é um daqueles sentimentos de verdade que boa arte causa às vezes, sentimento de conhecimento, de saber algo mais sobre o mundoo.
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Nesse sentido é ruim ser de Santo André, eu sempre senti que os paulistanos sabem algo que eu não sei, que eles tem algum conhecimentozinho secreto, ir pra São Paulo é sempre uma dor, pegar um ônibus de 50 minutos para chegar ao metrô mais próximo e aí sim começar a jornada pela cidade, que se não tiver um guia, vai acabar sendo sempre mais ou menos pros mesmos lugares, mas talvez por isso, por ser levemente de fora, por querer tanto aprender qualé dessa cidade, que São Paulo é tão importante pra mim, não sei descrever a sensação de respirar o ar frio da paulista num dia de manhã, sabe? Estar lá cercado pelos prédios e respirar fundo - antes que alguém faça piadinha com poluição, não sei, não sinto, só o frio congelando minhas narinas enquanto os prédios parecem um pouco mais próximos, um pouco mais aconchegantes e naquele momento eles me dizem algo, me contam algo que eu só posso entender por ser estrangeiro, mais estrangeiro que os imigrantes porque um imigrante se torna um paulistano no momento em que se mistura aos tantos e tantos outros imigrantes da cidade, mas eu sou o eterno turista, visitando a cidade frequentemente só para voltar para Santo André a noite.
E eu agradeço o conhecimento e fico feliz com ele, me sinto de certa forma privilegiado, mas ainda resta aquele sentimento irritante de que existe algo que não estão me contando.
Um comentário:
Estrangeirinho...
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