Ok, como eu fiquei um tempão sem atualizar, vou falar de vários assuntinhos:
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Life with Playstation
Sim, estou com meu playstation 3 e só o Inexistente sabe quantos problemas financeiros isso trará pra minha vida.
Dois jogos também: Metal Gear Solid 4 e GTA 4
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MGS4 é um jogo cujo hype me alimentou do momento que vi o primeiro trailer e que o jogo satisfaça a expectativa já é excelente, mas que além disso, ele consiga me surpreender, tanto em termos de história, como em termos de jogabilidade, isso é brilhante.
E já que traçamos essa linha entre história e jogabilidade, que esse tenha sido o último MGS é bom e mau.
É bom porque a história do snake se concluiu, é difícil ver alguém com coragem de botar um ponto final numa história dessa maneira; como foi discutido foruns de internet afora, ainda existem alguns furos na saga do Big Boss que possam ser jogados (lá pelos anos 70/80) e algumas coisas que o Raiden fez antes do jogo também seria interessante jogá-los, mas quanto a Solid Snake, não tem mais o que fazer, a história termina aí e é bom que termine, ele cumpre sua missão final, sofre um monte a mais do que eu pensei que sofreria no processo (sério, do que seria justo que ele sofresse dado quantas vezes ele salva o mundo antes) e, no fim, termina. Não dá pra pedir por mais em termos de história.
O lado ruim é que a jogabilidade atingiu a perfeição, os inimigos são meio bobocas, mas os controles são perfeitos; a primeira vez que joguei, fiquei todo embaralhado, achei que nunca entenderia como fazer tantas milhões de coisas diferentes, mas pouco depois a mão se acostuma e o controle nunca falha, é aquele tipo de coisa que você sabe que é perfeita porque você não percebe, você se esconde atrás de uma parede, espera o soldado passar, anda lentamente atrás dele, o rende, aí alguém te vê, e você rapidamente nocaltea o soldado rendido enquanto mira e atira em quem está atirando em você, etc e etc e isso tudo sem pensar no que está fazendo, em que botão está apertando; o jogo tem um sistema de auto-mira (comum em jogo de tiro de terceira pessoa), mas em toda minha primeira vez jogando, eu nunca usei, de tão fácil que é mirar manualmente com o controle; só tive que usar mesmo em uma sequência específica na conquista do Big Boss Emblem, enfim, com uma jogabilidade tão perfeita, é ruim não vê-la em outro jogo, a Konami bem que podia usar parte da programação de MGS4 para fazer outro jogo de espionagem; outra história, outro mundo, outro título, enfim, outro jogo, mas com a mesma jogabilidade. Seria excelente.
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GTA4 eu ainda não terminei, o jogo é ridiculamente grande, a história, contada numa sinopse, não é enorme coisa: Niko Bellic, um ex-soldado de alguma guerra do leste europeu, chega na América excitado com as cartas de seu primo, que descreve mulheres e dinheiro em abundância, quando ele chega, a realidade é bem outra e Niko logo se envolve no mundo do crime; o interessante da sinopse é que, diferente do que foi dito nos anúncios do jogo (pelo menos foi o que eu entendi), é que Niko não está lá "em busca do sonho americano", ele tem outros objetivos, bem mais interessantes do que ficar rico, embora dinheiro e poder talvez ajude nesses objetivos; de qualquer forma, os dialogos são incrivelmente bem escritos, especialmente quando Niko resolve falar do seu passado, mas mesmo quando é GTA e seu clássico humor negro, ainda assim os dialogos acertam de modo impecável; aliás, acho que é o primeiro GTA que fez com que eu de fato me importasse e acreditasse no personagem. GTA 3 simplesmente não tinha personagem, era alguém andando pra lá e pra cá obedecendo ordens; Vice City tinha o adorável Tommy Vercetti, que era um personagem excelente e, bom, não tenho reclamações em relação a Tommy Vercetti, não tem nada de errado no personagem, é só que em comparação com Niko, ele acaba se saindo meio superficial demais e, enfim, Carl Johnson de San Andreas foi alguém que eu não gostei; ele sempre me pareceu bonzinho demais pra alguém que mata tanta gente e meio que desmotivado também, mas enfim, talvez eu que não entendi o personagem.
Quanto a gameplay, é excelente, mas o sistema de mira automática me irrita demais, não que ele falhe tantas vezes assim, mas como é algo que essencialmente se usa durante um tiroteio, quando ele falha, significa que você morre e às vezes você tem tudo planejado, menos o fato que ao segurar o R2, um pedestre e não o policial atirando em você que vai ser mirado - ou mesmo ninguém! Às vezes tem um sujeito na sua frente atirando em você e a mira não tranca em ninguém e mirar manualmente nesse jogo é ágil de menos pra tentar, mesmo porque, é fácil morrer; o que seria excelente, pois os GTAs antigos eram fáceis demais, mas é frustrante morrer porque o botão não responde da maneira que você espera.
Mas tirando esse problema, dirigir os carros é bom, difícil, mas de um bom modo; o novo sistema de cobertura funciona muito bem (você aperta R1 e ele procura o lugar mais próximo pra se esconder, mesmo que esse lugar esteja há uns metros de distância, ele simplesmente corre na direção, muito útil), eu muito raramento tenho os tais pop-ins que a internet tanto reclama (é quando você se movimenta mais rápido do que o cenário carrega, então você chega no lugar e só tem uma tela meio cinza com blocos cinzas estranhos, aí um segundo depois as texturas e os objetos aparecem do nada) e, afinal, são horas e horas e horas jogando e ele é incrivelmente viciante, sempre tem alguma coisa pra fazer e nenhum lugar parece bom o bastante pra parar.
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PS3 e a conferência da Sony na E3
A Sony anunciou na E3 que vai "voltar sua atenção" para a américa latina; espero que isso signifique um modo fácil para nós comprarmos via Playstatyon Network (PSN), especialmente agora que eles abriram um serviço online de venda e aluguel de filmes em alta definição - além, é claro, dos joguinhos maravilhoso exclusivos da PSN; são jogos pequenos, baseados em conceitos simples, que geralmente se vendem baseados na direção de arte; por 10 dólares, os jogos são pérolas, se existe algo relativo à indie rock (sabe? Essa coisa que não é nem underground, nem mainstream) no mundo dos videogames, eu diria que é a PSN; jogos baratos, pequenos, divertidos, altamente criativos, uma pena que eu tenha que ficar só nos demos, enquanto não dou um jeito de arrumar um cartão de crédito internacional.
E eu ainda tenho que assistir um filme em alta definição nele; mas se alta definição de filme for alta definição de Metal Gear Solid 4, então uau, eu TENHO que ver Piratas do Caribe em alta definição! (que é a melhor triologia do cinema, sério, melhor que indiana jones e star wars, desculpa, mas é... embora tecnicamente indiana jones seja uma tetrologia e star wars uma hexologia, mas enfim)
Sobre a conferência da Sony, eu sou da opinião que foi tão melhor que a da Microsoft e da Nintendo; o maior anúncio da Microsoft é que Final Fantasy 13 não é mais exclusivo da Sony, essa notícia quebrou a internet em dois, fez pessoas chorar por toda parte, mas sério, é estúpido, quem se importa? O maior anúncio da Microsoft é que eles conseguiram um jogo que nós (har har har - agora eu posso falar de "Playstation 3 owners" com um "nós") sempre soubemos que teríamos; toda a conferência da Microsoft foi como eles conseguem imitar bem o resto do mundo e, bom... parabéns, eu acho.
Daquela conferência estou bem empolgado por Resistance 2 (irck, vou ter que arrumar um jeito de comprar Resistance 1 primeiro... e Uncharted... e Call of Duty 4... céus, tantos jogos bons por aí), nem tanto por Killzone 2; curioso acerca do MAG, mas, como todo mundo, esperando pra ver se é possível colocar 256 pessoas se fuzilando ao mesmo tempo num campo de batalha sem quebrar a internet e MUITO empolgado por Little Big Planet! MUITO MUITO! É TÃO fofinho! Awww, sackboy... anyway, deu até vontade de ser um fã da DC e não da Marvel só pra jogar DCU Online, mas enfim, eu não manjo nada de DC, então vou passar esse; mas The Agency (que por bobeira ele não citou na conferência) parece excelente e se for mesmo de graça como dizem os boatos, então com certeza (embora provavelmente vai cobrar uma taxa mensal...) e então há God of War... mas na boa, não existe uma data, não existe uma ceninha do jogo em ação, é um trailer de 10 segundos, Kratos todo bonitão e tal, mas ah, vou esperar mais um ano até me empolgar por esse. Resident Evil 5 chegando! Street Fighter 4 chegando! Mirror's edge parece absolutamente excelente! Infamous está muito bom também! *respira* muitos jogos. Devo até estar esquecendo algum que eu vi e gostei.
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Pra não dizer que não pensei em filosofia durante esse tempo:
Marx, o burguês
Não é nada daquela besteira de dizer que Karl Marx não era trabalhador, ou bla bla bla de panfletista de direita, mas um tópico que eu tenho pensado bastante ultimamente é como que todas essas pessoas que dizem que "eu vejo a realidade e você é alienado dela" fez para se libertar do feitiço em primeiro lugar; algo como alguém te dizer que você só vê algo assim porque seu cérebro te engana: "você não tem um? Você conseguiu arrancar seu cérebro da cabeça, deixar ele de lado, estudar o fenômeno e aí colocar de volta, então você sabe como é ver a vida sem o seu cérebro te enganando?"
Nisso, eu acabei pensando no quanto o socialismo só faz sentido se nós comprarmos, com esse pacote, com um monte de premissas ideológicas da burguesia.
Vamos lá, seguindo a cartilha marxista, esse modo aparentemente neutro e objetivo de pensar e fazer pesquisa científica, na verdade esconde objetivos ideológicos de satisfazer a classe dominante.
Ok, mas tem uma coisa desse rol de objetivos que é necessário ao marxismo e que eu entendo como puramente moderno (e pensamento moderno = burguês pros marxistas, até o coitado do Descartes que vivia dos seios da monarquia da época é considerado burguês) que é a noção de progresso; é claro que quando pensamos em uma caminhada do escuro da caverna pra luz do sol, pensamos em progresso, mas progresso no sentido moderno é diferente, não é progresso em direção a uma essência, mas é a noção de que o desenvolvimento do pensamento sempre faz o futuro melhor que o passado; então uma das diretrizes do materialismo histórico é essencialmente uma ideologia burguesa - o fato de que há rupturas na história e de que elas fazem a história avançar - desde o começo da modernidade sempre se fez questão de discursar a respeito de uma ruptura com o passado, com a escolástica; na prática, a transição entre o pensamento "místico" para o pensamento "científico" foi bem gradual; dá pra citar um medieval como Ockham que já não tinha quase nada de místico e o matemático Descartes que não conseguia deixar de enfiar seu deus em suas teorias, mas não é só isso, se fosse isso, eu estaria dizendo apenas que o progresso não é feito por rupturas, mas que há progresso; a questão aqui é que nada que é sólido se desmancha no ar (ou quase nada, sei lá), os pensamentos sempre continuam, sempre sobrevivem, perdem a força, então voltam, aí a mesma idéia se divide em dois ou três conceitos e dois ou três conceitos passam a ser considerados como um, enfim; pensamentos são coisas eternamente líquidas; não são sólidos e nunca se desmancham no ar.
Então, no fim, o materialismo acaba ficando restrito a si mesmo, coisas que causam graves mudanças sociais são aquelas coisas materialistas: guerras, pestes, catástrofes num geral.
Já os pensamentos, são afetados pela condição econômica no sentido que economia é uma parte da vida e a vida afeta o pensamento, mas enfim, existe mais na vida e, portanto, existe mais que afeta o pensamento.
Mas estou saindo do ponto, a questão é que, no ramo dos pensamentos, existiu algo importante na modernidade que foi esse grupo de pensadores batendo os pés, escrevendo fora das universidades, adotando uma postura diferente, dizendo "não somos o mesmo que o passado", é claro, eles ainda tinham muito do passado, mas sempre gostavam de falar que não, isso foi algo que Marx acreditou, ele viu esse pensamento e olhou "uau, esses caras são realmente diferentes do passado" e ele olhou pra sociedade civil burguesa e falou "uau, isso realmente é diferente da idade média! Ouve uma ruptura em ambas as partes", fast-foward e ele deduziu uma nova ruptura intelecto-social mais a frente desbocando no comunismo.
Mas a questão aqui é que ele viu a história com olhos burgueses, com olhos desses caras que (de acordo com o marxismo) tinham que fazer você acreditar que o pensamento deles era distinto do medieval que era pra que você acreditasse que o estado civil burguês era melhor que a monarquia; é claro, eu não acredito nisso, acho que em nenhum momento houve rupturas de pensamentos (a ciência tem suas rupturas devido a novos e surpreendentes fatos, mas a filosofia, lidando com o que é eterno, não tem novos e surpreendentes fatos pra causar rupturas) e as rupturas sociais podem muito bem ser explicadas sem que se faça uso de nada transcendente à condições econômicas, etc; enfim, existe um certo senso de holismo no universo, de que tudo está ligado a tudo, então alguma mudança no pensamento leva a alguma descoberta científica que leva a alguma mudança social, mas ah, deu pra entender o que eu quis dizer, né? Não estou falando de mudanças indiretas causadas pela rede das coisas, mas de achar que Locke acreditava nas propriedades secundárias porque construíram uma fábrica do lado da casa dele ou achar que os trabalhadores passam fome porque Hume era cético. (ei, não riam, já me disseram que a maior aceitação dos homossexuais a partir dos anos 70 só acontece porque surgiu uma industria com esse público-alvo; tipo, um sujeito na casa dele inventa uma cueca com um furo na parte de trás e pensa "uau! Isso é genial! Pena que não tem ninguém pra comprar!!! Hum... talvez eu devesse promover direitos civis dos homossexuais")
Enfim, a conclusão disso é que uma noção de progresso só surgiu no nosso inconsciente porque pessoas que queriam se auto-promover disseram "estamos progredindo", não é pra dizer que não é possível fazer um conceito razoável de progresso, mas o que temos hoje como progresso é simplesmente o ato de se distanciar da idade média e foi isso que Marx entendeu e foi isso elevado ao infinito que ele pensou como sua sociedade perfeita: uma sociedade sem nenhum tipo de misticismo, plenamente racionalista, baseada numa ciência empirista, materialista e coletivamente produtiva (oposto a agriculturas familiares ou artesanatos individuais) - é sim uma premissa marxista que o próprio marxismo é algo que só poderia surgir na socidade burguesa, mas é preciso se perguntar até onde a ideologia burguesa influencia o pensamento de esquerda, pode ser que no final se deêm conta que toda sua luta é só o sonho da classe dominante.
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Enfim, não é nenhum pensamento genial ou relevante, mas qualé, não peguei num livro as últimas semanas.
Playstation 3, caras! \o/
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E o quanto ter ido a falência por um aparelhinho caro que me deu tanta felicidade me influenciou a escrever um post falando mal de marx?
*aiai*
Isso aí, vou colocar uma plaquinha de "não ultrapasse" do lado do meu tijolão de ébano e atirar em qualquer comunista que vier! Yeah!
Um comentário:
Hahaha, adorei.
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