"1) todos os filosofos abandonariam a filosofia se pudessem....
2) um freak na filosofia entao seria alguem que não busque a verdade. porque eh isso que todos buscam... "
1) Estou bem interessado em saber daonde saiu essa conclusão.
Não vou ficar nem insistindo nisso, só acho *bem* problemático esse negócio de tentar adivinhar o que as outras pessoas fariam se pudessem.
E me levou a me perguntar também porque um filósofo não poderia abandonar a filosofia caso quisesse; não é como se fosse lá o trampo mais recompensador do universo.
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2) Aí a gente entra em questões complicadas. A questão da verdade é uma que eu não me sinto capaz de formular uma opinião; ela é um paradoxo pós-moderno. É praticamente consenso que a verdade não pode ser alcançada, sequer vislumbrada a distância; isso não muda o fato que ela deixa de ser o norte que guia as pesquisas. Quanto mais a verdade deixa de existir como fato cognoscível; mas ela se impõe como categórico hipotético, algo do tipo "vamos fingir que isso é um fato e não uma interpretação por motivos pragmáticos"; é mais ou menos a idéia do Quine quando ele diz que, epistemológicamente, os objetos físicos não tem um estatuto tão mais válido que os deuses de Homero, mas enfim, o pragmatismo se impõe (e "impôr" aqui é um verbo forte; significa que por mais que teorizemos dessa ou daquela forma, algo nos impede de incorporar isso em nosso cotidiano ou mesmo em nossas teorias; uma teoria que busca desqualificar a verdade vai ter, como objetivo, revelar a verdade sobre a verdade; é um valor tirânico).
A questão do freak é estranha, de novo, eu não sei se alguém busca a verdade, de novo, ela se impõe. Conscientemente, eu tomei uma decisão há um tempo atrás de valorizar mais a beleza do que a verdade; por um lado é porque eu acho que "Beleza" é um universal "mais forte", ela tem algo de empírico sem ser racional ou objetivo, nós a "sentimos" de alguma forma. A verdade já me parece um conto de fada, mas de novo, ela existe como postulado, como "vamos fingir que existe senão não saímos do lugar".
O que eu quis dizer com o freak é exatamente que ele não é alguém que age de forma "anormal" ou diferente; aliás, ele não é nada anormal, ele é um produto das leis e das normas como todo mundo, mesmo que não as obedeça; ele vive nesse mesmo mundo que o resto, mesmo que isolado ou ignorado; a idéia do filósofo como freak não é que ele age de forma oposta ou mesmo diferente, que ele olha pra um lado quando todo mundo olha pro outro. É o mesmo mundo que ele vê, é a mesma verdade que ele busca, o que muda é como ele vê o mundo, como ele busca a verdade; porque as formas científicas ou cotidianas de ver o mundo não vão levar ao tipo de resposta que ele precisa, pois seu objeto de pesquisa geralmente tem peculariedades; eu não saberia dizer exatamente quais são, mas acho que uma coisa que torna um assunto "filosófico" como sendo "filosófico" e não científico é exatamente o fato de tal assunto ter alguma coisa que o impede de ser examinado de outra forma, ou até, que o impede de ser examinado e ponto; restando a tal assunto a especulação pura.
Pra finalizar porque eu to com sono e tenho que dormir pra prosseguir com minha vidinha infeliz; acho que o filósofo, pelo menos o atual, tem menos esperança que o resto de encontrar a verdade, é algo do tipo; se a ciência, com seus aparelhos, labs, ambientes controlados e cobaias, não encontra respostas últimas e definitivas; que esperança tem o pobre filósofo tendo a seu serviço apenas sua cabecinha fodida? Mas não tem como evitar que o objetivo seja a verdade; se a gente deixa de buscar a verdade, o que fazemos? Fazemos ficção? Contamos pegadinha? Dizemos "esse conceito é 'Y'" pensando que é X só pelo prazer de eludir a verdade? Escrevemos livros desnecessariamente complicados e obscuros só pra escaparmos dos critérios lógicos?
São possibilidades, só não vejo o que de produtivo pode sair disso (o que não deve impedir ninguém de tentar); mas o fato de termos um objetivo não significa que temos esperança ou pretensão de alcançá-lo, é até uma forma boa de evitar fanatismo; enquanto o "sábio" estóico é um ser admitidamente inalcançável, até onde você vai na direção dele é escolha sua e ninguém pode te culpar pra parar pra jogar videogame no meio do caminho, mas quando ser um cristão ideal não só é possível, como pressuposto para entrar no paraíso, então todo o resto tem que ficar em segundo lugar, saca?
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Bah, eu vou parar por aqui, esse post está ficando circular.
Só queria dizer, quando eu frequentava o orkut era normal ter gente dizendo que tinha medo de postar nas comunidades que eu frequentava porque, enfim, eu respondia e eu respondia dessa forma; não quero que ninguém tenha medo de comentar, se eu não tiver um e-mail pra responder, vou responder aqui mesmo, mas a intenção não é menosprezar a opinião de ninguém, é só que eu fico preocupado mesmo que não estou sendo claro E que não estou passando a idéia completa (porque um problema gigante do orkut era esse, a pessoa tinha medo de receber um tl;dr [Too Long; Didn't Read] e simplesmente vomitava sua opinião em uma frase assumindo que todo mundo tem o mesmo acesso que você a linha de pensamento que te levou até lá, então eu tenho essa mania chata de querer explicar o porque de cada coisa, mesmo que eu não consiga fazer isso, mesmo que só complique mais, então quando eu paro pra escrever esses posts, fica esse debate chato na minha cabeça entre ser claro e objetivo e não deixar nenhuma ponta solta; não raro, falho nos dois, como desconfio que foi o caso aqui; oh well)
2 comentários:
Escrevemos livros desnecessariamente complicados e obscuros só pra escaparmos dos critérios lógicos [2]! Por obséquio, né? Amo, haha. (Hmm, ou não - À sério, ficou meio circular, e não que seja ruim; Movimento perfeito, coisa e tal).
eu sei que essa palavra cognoscível é estranha ein
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