terça-feira, fevereiro 19, 2008

Teoria Social Crítica

Era 1931 quando Max Horkheimer assumiu a direção do Insituto Para a Pesquisa Social; o instituto se diferenciava dos demais departamentos de pesquisa pelos seus objetivos metodológicos; a saber, a criação de uma teoria que mediasse a filosofia e a ciência empírica fazendo com que ambas tivessem em mente suas origens na sociedade.
Horkheimer encontrava na visão histórico-filosófica hegeliana um ponto de partida para tal empreitada, afinal, era em tal visão que se encontrava uma noção de razão que não podia ser separada do cotidiano em que a sociedade vive; além disso, o instituto era profundamente influenciado pela economia política marxista.
Tanto a teleologia hegeliana quanto a marxista apontavam para a razão como emancipadora e viam as distorções na sociedade como frutos da irracionalidade; seguindo esse projeto, o Instituto Para a Pesquisa Social criticava os neopositivistas, pois a visão destes que ciência movia a si própria era ilusória, não daria pra disassociar a ciência da sociedade onde vivem os cientistas; no que os neopositivistas tentavam fazer isso, estavam simplesmente se alienando; criticavam também os metafísicos pós-hegelianos pelo mesmo motivo, pois estes faziam uma crítica da razão sem considerar que a razão não pode ser estudada como algo fora da sociedade em que tais seres racionais vivem.
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O ponto de partida para as pesquisas de Horkheimer, enfim, acabaria sendo a seguinte pergunta: "Como ocorrem os mecanismos mentais em virtude dos quais é possível que as tensões entre as classes sociais, que se sentem impelidas para o conflito por causa da situação econômica, possam permanecer latentes?", ou seja, se a razão tem inscrita em si um potencial para emancipação (como dizia Hegel) e tal potencial é liberado por meio das tensões sociais (como dizia Marx), o que acontece no presente que impede isso de acontecer?
Para responder essa pergunta, vinha a metodologia do instituto de fazer mediação entre ciência empírica e filosofia.
Das ciências empíricas que mais influenciaram o instituto, a psicanálise freudiana, por meio de Pollock, se destaca.
Pollock argumentava que as forças sociais só podiam ser liberadas em um ambiente de capitalismo liberal, de livre mercado pleno, entretanto, tal ambiente não existia, uma vez que o período era o chamado "capitalismo de Estado"; ao invés de uma economi livre, existia uma economia planejada e a sociedade permitia a economia planejada pois o liberalismo teria destruído a unidade familiar e criado, dessa forma, um vácuo na formação dos indivíduos; sem a autoridade dos pais, o indivíduo não desenvolveria um superego e se tornaria facilmente manipulado e aceitaria mais facilmente figuras autoritárias, daí que surgem os cultos a personalidade do fascismo e do estalinismo.
Além da análise da sociedade por meio da psicanalise, o Instituto analisava também a cultura; a teoria da cultura aparece como uma forma de psicologia de massa, onde se estuda empiricamente a forma como os indivíduos se ajustam as novas demandas da sociedade. Foi com base nesses estudos que Adorno chegou aos conhecidissimos conceitos de "cultura de massa" e "indústria cultural"; a idéia sendo que a arte deixa de ser objeto de apreciação estética para ser objeto de entretenimento e, como tal, ao invés de emancipadora, a arte só serve para anestesiar o indivíduo e moldá-lo para a sociedade.
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É importante lembrar que todas as análises do Instituto Para a Pesquisa Social tem como base o marxismo, ou seja, a noção de que os indivíduos agem não por livre vontade, mas por mecânismos de contradições sociais; dessa forma, a economia política é a ciência mestre que explica e absorve as outras ciências, da cultura e da sociedade em geral; além disso, a razão é uma simples faculdade de instrumentalização dos objetos e progresso da razão se torna, portanto, progresso na capacidade de dominação da natureza.
Eventualmente, esse pensamento levou ao pessimismo de seus integrantes, influenciado por Schopenhauer e vivendo cada vez mais sob a ameaça do nazismo na Alemanha; Horkheimer e Adorno começam a chegar a conclusão de que o potencial libertador da razão não é liberado, pois a própria maneira como a razão funciona, ou seja, como faculdade de instrumentalização, tem como destino não a liberdade, mas a dominação; que a dominação do homem pelo homem é só mais um passo em um processo que começa com a dominação da natureza pelo homem, enfim, não mais a dialética do trabalho social explica como que a humanidade caiu em fascismo, mas a dialética da própria razão, em sua origem.
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Existe mais a se falar sobre esse assunto, ele é um tanto mais complexo do que eu exponho, existe o chamado "círculo externo" que não leva Marx tão a sério e que não caiu em pessimismo.
Além disso, o próprio texto que me serviu de base para esse post aponta as falhas desses pensadores, a saber, fidelidade demais ao funcionalismo marxista (que acabava por "esgotar" a vida social, reduzindo tudo a economia), quanto mais o Instituto começou a se aprofundar em suas próprias teorias, mais perdiam de vista o propósito inicial que dava ampla importância ao papel das ciências empíricas; enfim, se tornaram dogmáticos demais, criaram para si próprios um mundinho particular e ficaram brincando nele.
Não sei se eu tenho muito mais a dizer sobre isso, o que vai provavelmente me causar problemas acadêmicos, mas enfim, não consigo ver esses pensadores; Horkheimer; Adorno; Marcuse; como algo mais do que pensadores simplistas que se esforçavam por aplicar certas teorias "da moda" (como marxismo e freudianismo) na sociedade; ou seja; ao invés de olhar para a sociedade e tentar explicá-la usando a filosofia e as ciências empíricas como ferramentas (o que acredito que era o objetivo inicial do Instituto), eles partiam de uma teoria e ao encontrar obstáculos na teoria, tentavam procurar o problema que estava no mundo chato que se rescusa a concordar com a teoria que faz "tanto sentido" em suas cabeças; fazendo isso, utilizavam de todo tipo de ad hoc ridículo e imaginável.
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Eu sei, pouquissimo filosófico e menos inteligente ainda esse tipo de afirmação, bom, azar; a idéia geral do Instituto é boa; ter sempre em mente que você não pode separar a teoria da sociedade que o teórico vive, não rejeitar as ciências empíricas, não rejeitar a filosofia; esses pressupostos todos aparecem de certa forma em todos esses posts que tenho escrito nos últimos dias; a diferença de gente como Quine pra gente como Adorno não chega a ser uma diferença metodológica gigante; ambos dão grande valor as ciências empiricas, ambos dão importância enorme para o ambiente cultural em que o cientista vive, ambos são fisicalistas; a diferença é que Quine, e todo bom filósofo, de fato pensou a respeito do mundo ao invés de ficar brincando de tentar encaixa-lo dentro da teoria que te faz quentinho por dentro.

3 comentários:

Anônimo disse...

Os textos que você faz referentes aos assuntos que desgosta são semelhantes aos que faço referentes aos assuntos que gosto, haha.

- Então, desculpa, gostei assim.

IDELAZIR disse...

RODRIGO, ESTAVA PROCURANDO SOBRE TEORIA SOCIAL CRITICA E ENCONTREI SEU TEXTO, GOSTEI MUITO DA SUA MANEIRA DE ESCREVER, CLARA, CONCISA, PRÓPRIA DE QUEM SABE O QUE FALA.
VOU PROCURAR OUTROS TEXTOS TEUS.
PARABENS

Anônimo disse...

1° não me ajudou em nada. 2° não tem nada ver com critica social 3° as pessoas querem saber o que é CRITICA SOCIAL, não a sua critica social. espero que tenha ajuda-lo(a) obrigada