Isso ta sendo tema no Jesus Me Chicotea e num dos wunderblogs (sei lá qual, pra mim são todos iguais), mas acho bom que parece que as pessoas finalmente se cançaram dessa palhaçada ridicula de governo cagando dinheiro pra cineasta e escritor fazer suas besteiras. Não que filmes e livros sejam besteiras, muito pelo contrário, mas como Marco Aurélio bem disse "estão querendo dizer que escrever livros é tão importante quanto plantar batatas! SÓ QUE NÃO É!" e, de fato, não é. Eu me decidi há um tempo que quando for gente grnade, vou querer ser escritor, mas pelo jeito é bom ir pensando em ser açougueiro ou coisa parecida, porque eu já me sinto culpado fazendo um curso de roteiro pela prefeitura de Santo André. Ainda mais pegar dinheiro de governo federal, estadual e o caralho a quatro pra fazer um filme.
Meus fanzines funcionam assim:
Eu escrevo.
O Cunha desenha.
O bom moço da gráfica xeroca.
Nós pagamos.
Nós viajamos até eventos em São Paulo.
Nós vendemos.
Com o lucro, nós geralmente compramos uma coca-cola e um cachorro quente.
O dia que eu tomar vergonha na cara e começar a escrever contos e romances, provavelmente será nesse estilo.
Com filme é mais complicado, mas com a boa vontade de um grupo de pessoas, dá pra fazer vídeos nesse esquema.
Teatro então, nem se fala, não precisa nem de palco, teatro de rua é o que há.
Exigir dinheiro publico para a tal chamada "cultura" quando as pessoas morrem de fome durante uma guerra civil onde os feridos não têm hospitais é um absurdo. É, no mínimo, uma monstruosidade. Eu até tava escrevendo um roteiro sobre isso (o Cunha teve uma preview das primeiras 5 páginas, éééé essa a vantagem de ser meu amigo, vocês tem acesso a minhas maravilhosas e exuberantes obras de arte sem nem mesmo querer. Eu simplesmente enfio meus roteiros goela abaixo dele e ele TEM que ler, senão eu vou ficar triste e é um saco me aguentar chorando), enfim, não sei se vou continuar esse roteiro, no que ele ta um pouco clichê demais, mas talvez eu continue, porque o que pra mim, pro Marco Aurélio e pra seiláquem do wunderblog é óbvio, eu chego nas minhas aulas de roteiro e o dá pena porque tem um pessoal que ta sinceramente fazendo projeto de pegar grana do governo achando que vai dar resultado, que o filminho dele vai, por algum motivo bizarro, mudar a situação. Eu concordo que filmes podem despertar um ideal nas pessoas, só que, sinceramente, é o que eu disse do Chico Buarque no post passado, embora tenha pessoas que indubtavelmente abram os olhos graças a música, a grande maioria permanece alienada ouvindo exatamente as mesmas músicas que você. Com filme é a mesma coisa. Você vai tocar 1% do seu publico do filme e provavelmente será alguém que já tinha os mesmos ideais antes, boa sorte fazendo seu festivalzinho de cinema e, por acaso, entrar um favelado lá que chorará ao ver suas belissimas e fortes cenas. Desculpa, não acontece assim, uma hora e meia das melhores cenas que sejam não despertam uma pessoa. Eu costumo dizer que foi "The Wall" do Pink Floyd que me despertou, mas antes de The Wall já haviam acontecido várias coisas na minha vida que estavam me levando a questionar o mundo e esse papo todo. Claro que obras de arte impulsionam você, mas elas te impulsionam numa direção que você já está tomando de qualquer forma. Mas o que te leva a essa direção em primeirissimo lugar? Bom, esse é um mistério. Sinceramente, uma vez eu era que nem esses cineastas que achavam que as pessoas não despertavam por falta de oportunidade, mas aí o jack me disse "Comedy, olha quanta gente tem internet e continua idiota" e, porra, é verdade, entra no orkut e vê quanta gente imbecil. A internet disponibiliza arte pra todo mundo ver e ouvir a hora que bem entende e mesmo assim, as pessoas tiram proveito nulo daquilo, então não sei se tem explicação, talvez seja uma coisa mais freudiana ou simplesmente as pessoas nasçam diferentes e ponto. Se eu continuar meu roteiro criticando os cineastas nacionais e, se ele for feito, dificilmente esses cineastas deixarão de pegar grana do governo por que viram um filme os criticando. Repetindo, não funciona assim, Diogo Mainardi faz sucesso porque ele fala exatamente aquilo que as pessoas querem ouvir, mas não tinham vergonha de falar elas mesmas por ser "politicamente incorreto" (ou "politicamente atrasado em 270 anos"), assim como um motivo que o movimento Hippie caiu por que a maioria das pessoas não levavam a filosofia do estilo de vida a sério. Elas simplesmente precisavam de alguém pra dizer que sexo e drogas era legal, alguém disse, então elas seguiram. Não que elas não achavam isso antes, mas precisavam de alguém pra dizer, assim "autorizando".
A vida funciona assim, nós fazemos o que bem entendemos e pensamos com os mesmos preconceitos de sempre, só precisamos de alguém que "confirme", ver o Marco Aurélio falando algo que eu pensava "confirmou" meu roteiro e portanto eu vou ficar mais tranquilo o fazendo.
A conclusão desse post. Não sei, sinceramente, é um assunto o qual eu ainda penso muito. Eu gosto muito de Nietzsche no que ele fala que a palavra dele não é pra todos e eu acredito que é esse o sentimento que eu devo ter, contar minhas histórias sabendo que pouquissimas pessoas vão tirar daquilo o que eu quero que elas tirem. Mas ainda fica aquele sentimentozinho que não morreu com a década de 70 que "rock n roll is gonna save the world". Bem, não vai e nem deve, o mundo deve salvar a si mesmo quando estiver pronto, o lance por enquanto, é continuarmos a alegrar aqueles que se indentificam conosco.
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