Aham, porque eu fui ver Sin City no cinema e eu to me achando e tal, embora na verdade não seja motivo de tanto orgulho, porque foi lançado mês passado nos EUA, a Sony merece ser sistematicamente atropelada por caminhões de lixo (quoting sieber), mãs, deixando a distribuidora capenga e a pior fila do mundo pra lá...
Sin City - A Cidade do Pecado
Bom, a história é a mesma do gibi, salvo dizer que, como o gibi, é esteticamente brilhante a sua própria maneira, pouquissimos filmes usam o preto e branco de forma tão brilhante, uma vez que P & B é basicamente trabalho com luz e sombras, Sin City usa muito bem as sombras e consegue dar o clima certo para o filme, o Yellow Bastard, que é amarelo em um filme preto e branco, no trailer tinha me parecido muito estranho e mal feito, vendo no filme entretanto, não vi problema nenhum, ele encaixa na história tão bem quanto no gibi e isso é dizer muito. Aliás, tudo encaixa no filme tão bem quanto no gibi e isso é dizer muito.
Bom, eu vou separar a resenha por episódios.
INTRO
Vergonhosamente, eu não sei o nome da HQ em que foi baseada a introdução, mas é a intro que todo mundo viu nos trailers, aí você vê o excelente uso da narração, estilo noir total, aliás, você vê a coragem do diretor em fazer algo tão estilo noir, do tipo o cara narrar algo sobre como a garota é linda e logo em seguida "Care for a cigarette?"
O final é especialmente chocante graças ao brilhante som, a intro não tem trilha sonora, a conversa é lenta, então dá um clarão, um barulho alto e agudo, o narrador volta a falar. Perfeito. Mais perfeito ainda ver a logo do gibi, do jeito que é no gibi na tela.
A Hard Goobye
Se daqui há uns anos voltarem a fazer uma pesquisa do tipo "Top 100 quotes", com certeza estará no meio "Goldie is dead".
Mickey Rourke é Marv em pessoa, não tem como não ser, ele é forte, truculento, mal-humorado, fala cuspindo, fala grosso, é cruel, gosta de ser cruel, leva tiro, é atropelado, o homem é o anti-herói perfeito, ele gosta de ser cruel, mas ele não é um cara mal, ele tem um senso de honra, um sendo de moral, um senso de "não se pode matar um cara até ter certeza que ele merece", mas ah, quando ele descobre alguém que julga "merecedor".
Marv não tem muito o que falar, ele representa o sangue por sangue, aos galões. Os velhos tempos e os maus tempos e tempos do tudo por nada, tudo de novo e quando ele acaba com você o inferno ao qual acabou de te mandar parecerá paraíso comparado ao que você passa até ele acabar com você.
The Big Fat Kill
It´s time to prove to your friends you´re worth a damn.
Sometimes it means dying.
Sometimes it means killing a whole lotta people.
Dwight é o cara legal de Sin City, alguém que o Frank Miller com certeza se baseou um tanto na sua experiência com o demolidor para escrever, pois, assim como o Demolidor protege A Cozinha do Inferno em Nova York, nutrindo respeito e esperança por um dos pedaços mais pobres de Nova York, assim faz Dwight com as prostitutas da Velha Cidade.
Aliás, essa é uma formula repetida várias e várias vezes em filmes policiais, o cara bom de verdade é o que ajuda as prostitutas, pois elas são consideradas criminosas, mas diferente de outros criminosos que manipulam e roubam, elas que são manipuladas e usadas, então pra um cara proteger uma prostituta, ele tem que ser realmente um cara legal.
Claro, as prostituas de Sin City são tudo menos manipuladas.
"Us helpless little girls"
É quase uma surpresa que a Miho nunca tenha tido nada com o Marv, oposta ao Marv ela é rápida e silenciosa, mas tem a mesma crueldade, o mesmo prazer pela matança.
Quanto as outras, bem, claro, eu teria que mencionar que Rory Gilmore faz Becky, a adorável garotinha que se você visse na rua nunca imaginaria estar nesse ramo, com os olhos grandes, azuis e assustados enquanto diz "Oh sugar, you gone and done the dumbest thing in your life".
Gail é a gostosa bondage cheia de armas e por sexista que seja, não dá pra ficar muito melhor que isso. Ela é forte, tem um caso mal-resolvido com Dwight que Frank Miller sabiamente não se aprofunda muito, enfim, ela é a dona da Velha Cidade, é puta, psicopata e apaixonada, como são os personagens de Sin City, são todos bem extremos, estereotipados e brilhantes, não há muitos pensamentos profundos, os personagens se baseiam nos sentimentos, no calor da batalha e bem, eu não saberia dizer se o final funciona tão bem no cinema quanto no gibi, porque eu li antes de ir ver o filme, então eu saberia o que aconteceria, mas eu lembro de ter dado pulinhos de emoção ao ler no gibi.
The Yellow Bastard
Hartigan é, possivelmente, o único policial honesto de Sin City e assim como os outros personagens, ele tem que lutar contra o sistema para permanecer honesto.
Ele é velho, seu coração não funciona direito, a única coisa que ele tem é sua vontade já que sua decência, sua reputação, é tudo jogado no lixo enquanto ele protege Nancy Callahan.
Nesse mundo violento e cruel de Sin City ele faz um bom papel de pai e protetor, ele é praticamente o único personagem que não gosta de matar (apesar de não ver problema com isso quando necessário).
Claro, Bruce Willys não parece nem um pouco que tem 70 anos de idade, mas isso foi uma coisa que eu reclamei no gibi também, então imagino que esteja sussa. O gibi também da mais atenção ao momento que ele passa na prisão, a importância das cartas, isso acho que faltou um pouco (esqueci de dizer lá em cima, que faltou no Hard Goobye também dizer o quanto Gladys, a arma de Marv, é importante pra ele).
Mas no fim, é uma das histórias mais fortes, pra começar pelo pedófilo playboyzinho que estupra garotinhas de 11 anos, tendo tesão só quando elas gritam.
Encontrar Nancy adulta, imagino que seja um certo choque também, assim claro, como o final.
Enfim, eu sou péssimo de resenhas e essa é a minha, esperem um mês e assistam no cinema, saiam do cinema e comprem o pirata, mas assistam primeiro no cinema, por favor.
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