quarta-feira, outubro 31, 2007

Playstaaaaaaaatiooon threeeeeeeeee *gruaaaaaaa*

Não, eu não ganhei o meu.
Só em janeiro. =/
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Mas tem coisas bem legais acontecendo nesse universo.
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Primeiro uma coisa bem chata.
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Metal Gear Solid 4 foi adiado DE NOVO pro segundo trimestre de 2008!
Argh! Eu lembro de um trailer de 2005 ou 2006 do MGS4, que mostrava um "coming soon 2008" então riscava o 2008 e escrevia no lugar "2007"
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O que isso queria dizer? Bem, todos estavam criticando a Konami porque o jogo ia demorar pra ser lançado, então eles fizeram essa piadinha dizendo "mortais incrédulos, eis que nossa super-equipe lançará o jogo em 2007" e o que aconteceu? Bem, eles tiveram que adiar pra Março de 2008 e agora o que aconteceu? Eles adiaram pra *além* de Março de 2008, ninguém sabe exatamente quando.
Argh.
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Abaixo vai o mega trailer de 15 minutos de MGS4 pra mostrar pra todo mundo quão incrivel obra de arte pode um jogo de videogame ser.
E assistir esse trailer até perdoa o quanto ele vem sido adiado (mas argh... seria tão bom se ele saísse agora em 2007 pra poder começar o ano com Metal Gear)

A grande pena desse trailer é estar em japonês. Existem legendas em inglês, mas a voz do Snake em inglês (feita por David Hayter - que também foi (um) roteirista dos filmes dos X-Men entre outros) é insuperável. O cara deve ser um dos melhores dubladores do mundo.



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Mas apesar disso, nossa, tem tantos jogos legais surgindo nesses meses.
Acho que nesses últimos meses do ano estão surgindo muito mais jogos impressionantes do que em toda a vida do Playstation 3 (que foi lançado no começo do ano).
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Abaixo as resenhas de Clive Baker's Jericho, Folklore e Heavenly Sword.
Mais abaixo ainda o trailer do que parece que será incrível Uncharted: Drake's Fortune.
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Divirtam-se. =)
Eu sei que eu irei se chegar o dia mítico em que eu terei dinheiro pra um playstation 3...
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Ah, o Gametrailers.com costuma ser bem malvado e rígido nas resenhas deles, mas é engraçado que eles mostram uma coisa e dizem "isso é uma droga" e não muda o fato que eu ainda estou babando.
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Clive Baker's Jericho



Ok, sobre essa resenha.
Eles jogaram o jogo e eu não, mas eu desconfio que, embora a história não seja assustadora... sei lá, eu fico com medo só assistindo esses vídeos, imagino que jogar ele na sala com as luzes apagadas deve ser absurdo.
O que ele critica é que os personagens nunca parecem assustados, mas oras, eles são paranormais especializados nisso mesmo, a questão é que ele parece que deixa o jogador assustador e a resenha não menciona se o jogador fica com medo ou não.
(Nenhum personagem de Resident Evil nunca me pareceu com medo...)

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Heavenly Sword



Essa resenha tem algo de engraçado no fato que o sujeito fica o vídeo todo falando bem do jogo pra no final dar uma nota relativamente baixa...
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Folklore



De todos esses jogos Folklore é o que tem mais me atraído.
Dados os jogos que vão estar a venda em Janeiro e dado que eu provavelmente só vou poder comprar um jogo junto com o videogame, vai ser difícil escolher entre esse, Uncharted e Assassin's Creed (que eu não coloco vídeo aqui porque ainda não tem resenha e nem "trailer oficial")
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E enfim!
O trailer de Uncharted: Drake's Fortune.



Eu passei meses vendo imagens desse jogo sem me impressionar, então eu comecei a ver vídeos e - minha nossa - a atuação dos dubladores, o ambiente, a história, a ação rápida e constante; esse jogo vai ter de tudo.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Fotologgers celebridades

Estava lendo o engraçadissimo blog "anti fotologger" e pensando em algo a dizer a respeito.
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Não queria entrar nessa coisa tosca de "sou contra" ou "sou a favor" ou "deixa eles fazerem o que quiserem" ou "essa gente é burra" que, afinal, tudo que acontece no mundo dos humanos gera esse tipo de postura.

Mas só pra dizer algo, acho que o acaba *machucando* nos blogueiros que esses fotologgers virem celebridades é porque a internet teve três fases que passaram muito rápido. (e isso eu pensei lendo o textinho da rebs no alcool com açucar impresso)
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Primeiro, só os nerds tinham internet e só falavam sobre videogame e RPG (eu até gostava dessa época), então pessoas com de fato algo a dizer tiveram acesso e criaram blogs e começaram a escrever coisas, eis que a internet estava *começando* a se tornar quase que um platônico mundo das idéias. Era um lugar sem aparência (pouquissimas fotos que tinham que ser *escaneadas* - vídeo então nem sonhando), onde as pessoas expunham suas idéias, não era o mundo das idéias essenciais e certas por definição, mas enfim, era um lugar formado pela linguagem.
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Antes que isso pudesse de fato se concretizar, em termos de pouquissimos anos, as maquinas fotográficas digitais se tornaram populares e então, bem... a internet ficou tão enfadonha quanto a vida real.
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Mas não foi só isso que aconteceu; teve alguma mudança de valores em relação a internet também.
O que aconteceu foi uma gradual ligação da internet com o mundo fora dela.
Fazer a analisezinha histórica tosca de novo.
Antes era uma coisa de nerds e seus mundos imaginários, então foi para o mundo das angústias internas, dos debates políticos, dos textos de opinião sobre assunto X e já não é o mundo imaginário, mas também não é o dia a dia, quando "se tornar popular na internet" se transformou em "se tornar popular na vida real", uma linha bem vital foi apagada. Quando "se tornar popular no colégio" se traduziu em "ter um fotolog que o pessoal do colégio gosta de ver", eis que a porta se abriu para que os *vícios* do mundo real contaminassem a internet.
O resto é detalhe.
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Que tipo de coisa é detalhe?
Bem, o fato das marimoons e suas cópias, das pessoas se dizerem bissexuais, tirarem fotos com vinte pessoas se beijando ao mesmo tempo, tudo isso é detalhe, vai por mim.
Poderiam ser pessoas lotando a internet com imagens de santo ou com fotos da igreja que frequenta. Poderiam ser hordas de adolescentes que ao invés de gritar "bissexualidade" grita, sei lá, "sorvete", isso tudo é detalhe.
Poderia até nem ser imagem. Essa gente poderia estar lotando a internet com poesias, com receitas de bolos, com manuais sobre "como ser hacker".
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Os valores exatamente que essas pessoas abraçam indiferem, nem elas sabem direito o que são.
O importante, na minha opinião, é a linha que se apagou entre a internet e o colégio e a consequência lógica disso; a internet se tornando uma imensa high school.
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O problema disso é que aconteceu dessa "entidade" chamada adolescente deixar de ser uma faixa etária e englobar tudo. Não há mais idade para ser um adolescente, é mais uma questão de atitude mesmo; se você age de maneira X você é um adolescente, quer tenha 12 ou 30 anos.
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E o que *dói* nas pessoas é essa inversão do platônismo.
Nesse caso, a Marimoon é MESMO marxista.
Porque de acordo com Platão, o mundo material era uma cópia tosca do mundo das idéias, já o marxismo diz o contrário, que são as idéias que copiam o mundo material.
Marimoon faz exatamente isso, ela pegou o apartamento dela, as roupas dela, a faculdade cara dela, tudo isso e transportou pro mundo das idéias e tendo ela dinheiro e sendo isso algo dependente de tecnologia, o que aconteceu foi ela ter comprado a primeira cadeirinha desse mundo que logo se tornaria barato e logo estaria populado por cada vez mais adolescentes.
Ou seja, é um mundo onde você pega suas coisas materiais (principalmente seu corpo porque é a coisa material que você tem acesso mais direto) e transforma em idéia.
É por isso que fotologs tendem a ser iguais, ele é simplesmente *empírico* demais e o mundo empírico se esgota rápido demais.
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Então começa com "meu rosto", aí passa pra "meu corpo", então "minha roupa", aí "meu cabelo", então "minha pose" e logo vai se esgotando as possibilidades, afinal, é enfadonhamente parecido com o mundo real.
Então mais uma vez a marimoon se torna o marxismo personalizado.
Ela não consegue separar o material da idéia, mas quer que a idéia pareça algo maior que o material, então o mundo das idéias se torna uma cópia tosca e exagerada do mundo real.
Se fossem cristãos ao invés de "liberados sexuais", estariam então tirando fotos de ângulos inesperados de suas igrejas, estariam photoshopando imagens próprias para parecerem mais angelicais, mais puros, estariam logo apagando suas genitais com o photoshop para parecerem mais perfeitos do que realmente são.
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Mas sendo como são, fazem o que fazem; não gosto de materialismo exatamente porque o material se esgota rápido demais e como a Marimoon é marxista e materialista, o material dela se esgotou rápido demais, então ela precisa liberar de vez em quando um pouco de nudez, precisa de uma pose nova, precisa de uma foto diferente. Mas oras, quantas vezes uma pessoa pode ser fotografada de maneira diferente?
Os fotologgers tentaram, afinal, transformar a internet em um elogio a si próprios, elogios pomposos que, como os bons elogios, são maiores que a vida. É óbvio que o resultado ficaria ridiculo. Quem não dá risada do glutão que se gaba do seu auto-controle?
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Isso é ideologia, caros. É a idealização do material.
Marimoon como boa marxista e burguesa só faz o que marx diz que os burgueses fazem.
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Nada de novo. Só mais colorido.
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Quanto as pessoas que se incomodam com isso.
Bem, é triste que o nosso mundinho das idéias tenha sido invadido pela vulgaridade e mediocridade da realidade, mas isso era inevitável. Então que ajamos como fazemos na realidade.
Deixe os medíocres com seu gregarismo. Sou elitista lá, serei elitista aqui.
Existe um ressentimento por essa impressão que perdemos nosso espaço para algo mais tosco.
E de fato, isso aconteceu, mas não é a primeira vez e ressentimento é uma coisa ruim, tem algumas vezes naquele anti-fotologger que a pessoa que escreve sacrifica a inteligência em prol desse ressentimento.
É fácil nesse post apontar alguma ou outra frase que diz "você só está tristonho porque dão atenção pra essas pessoas e não pra você" e eu não vou fingir que isso não machuca. Internet costumava ser um espaço onde era fácil ser reconhecido pela sua inteligência, coisa que não acontecia no mundo real, agora se tornou difícil de novo. É uma repetição do colégio. Você faz textos lindos, mas a única pessoa que elogia é a professora, mas as 50 pessoas ao seu redor se dividem entre te ignorar e te achar um imbecil por ser diferente.
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Mas digo isso por mim. Doeu ser diferente no colégio, ainda dói; doeu ver pessoas estúpidas ganhando atenção sendo óbvias, ainda dói; mas passa. Daqui a pouquinho vou pra sala pegar meu Kant e estudar. Afinal, elitismo se torna sobrevivência, as pessoas vão sempre preferir os óbvios; a internet nos deu uma ilusão de mudança, mas a internet é tão mundo quanto o mundo encarado pela tela do computador, era inevítavel que a mediocridade se tornasse lei mais cedo ou mais tarde.
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Ainda dói.
Mas ainda existe aquela coisinha, de se olhar no espelho e dizer, *realmente dizer*, sem ser uma auto-afirmação vazia, que sua dignidade está mantida; que seu centímetro está preservado.
E dói. Mas faz um bem.

Coração

Coração... porque parece tão cansado de bater?
Tão desesperado, parece que está nas últimas.
Bate bate sem parar coração, eu me pergunto
Como poderia não estar cansado?
Bate sem propósito
Bate sem pensar
Bate sem objetivo
Coração
Essa vida que você mantém
Ela vale a pena?
Descanse um pouco, coração.
Pode parar.
Pode se deitar e ficar em paz.
Essa vida que você garante, coração...
Ela não sente assim tanto prazer em ser vivida.
Essa existência que você perpétua, coração...
Ela não vê sentido em si própria.
Pode parar, doce coração.
Tão fiel, tão leal.
Tanto trabalho.
Não queria desmerecê-lo, mas é inevitável.
Pode parar.
Admiro seu esforço.
Sempre batendo.
Toda hora.
Todo dia.
Pobre coração.
Doce coração.
Amado coração.
Eu sei que você se esforça.
Eu sei que você quer.
Afirmar a vida não é fácil.
E você o faz tão orgulhosamente.
Tão sem razões.
E ainda por cima, nem é a própria vida que você sustenta.
É uma vida que não faz tanta questão assim.
É uma vida que se sente indigna do seu esforço.
Pode parar, coração.
Você fez sua parte, eu que não fiz a minha.
Obrigado.
Pode parar.

sábado, outubro 20, 2007

Algo sobre a realidade

Oh, a distância entre nós e a realidade.
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Existe, entre nós e a realidade como ela realmente é, a intransponível barreira do sujeito que a observa. Desse ser por detrás dos nossos olhos que só capta uma informaçãozinha aqui e ali sobre essa realidade.
Toda a realidade acaba por se resumir a sinais elétricos no cérebro... não é possível que alguma informação não se perca nessa transformação. Não é possível que algo não seja transformado e, ao invés de ser belamente transformado em dados pelo nosso corpo, simplesmente nos atinja como um trem, direto no coração, nos deixando atordoado e confusos... ou ainda que não nos atinja e continua aí, a ajudar a mover o universo, livre do fardo de ser estudado por humanos.
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E quanto àquilo que conseguimos pegar da realidade? E quanto daquilo que entra em nossos olhos e nossa pele e se faz perceber? Ainda isso tem que se organizar de acordo com nossa mente. Tem que ocupar seu lugarzinho no espaço e no tempo, tem que ter uma substância, tem que ser nomeável, tem que ser formado por universais, tem que se distinguir do todo ainda fazendo parte dele, tem que ter uma unidade própria. Regrinhas e regrinhas de nossa mente para fazer uma realidade quadrada caber em um buraco redondo. É só aparar umas arestras.
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E depois que aquilo faz parte do nosso mundo percebido? Depois que ele se adequa a todas as regrinhas? Ainda resta a barreira da nossa razão e nossa razão precisa se adequar as regras dos nossos preconceitos.
É preciso que aquela coisa seja boa ou má ou gostosa ou ruim ou benéfica ou nociva ou vinda de Deus ou vinda da exploração ou vinda do mercado ou aqui pra isso ou praquilo.
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E se tirarmos os preconceitos da razão? Ah, ainda sobra a ciência... é preciso dissecar, cortar, olhar no microscópio, então em um microscópio mais potente, então em outro mais potente ainda, é preciso decidir se está olhando com olhos da física ou da química e é sempre preciso olhar mais perto, sempre mais perto e nunca chega ao fim, tem sempre uma pecinha menor, sempre um pedacinho após a divisão, sempre alguma quantidadezinha de energia errática que ainda está lá, é preciso olhar mais de perto e mais de perto.
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E depois que olhamos de perto o bastante? É preciso aprender a falar, para traduzir aquilo que vimos em conceitos para nós mesmos. E temos uma linguagem limitada, temos uma meia dúzia de palavras para descrever uma infinidade de coisas e modificamos essas palavras a nosso bel prazer, damos a elas significados novos, ressucitamos significados antigos, às vezes estamos por demais no senso comum, às vezes somos demasiados técnicos, estamos vendo, mas precisamos entender, então precisamos escrever em um caderninho, mais regrinhas da realidade, mais transformações, mais informação perdida, mais informação ignorada.
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E depois que escrevemos? Oras bolas, é preciso que os outros entendam! É preciso que dentro da cabeça deles, de alguma forma, a palavra que você usou para si próprio (e que já foi um bocado díficil definir para si próprio) tenha o mesmo sentido, é preciso que se comuniquem, é preciso que o que você tenha visto ele também veja, é preciso conciliar opiniões, pontos de vista, preconceitos, problemas de visão, mais informação perdida, mais um tanto da realidade que fica pra trás.
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Muito complicada essa história de realidade.
Prefiro minhas historinhas de amor.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Meh

Só estou com vontade de escrever e não consigo pensar em nada específico.
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O Universo HQ publicou uma resenha da segunda edição do Eterno sem que eu tenha sequer visto o gibizinho em mãos! =D
Pra quem não sabe (e quem não sabe provavelmente é só umas duas leitoras novas que eu tenho porque esse blog é tão imensamente popular que eu consigo de fato acompanhar quem está ou não atualizado sobre minha vida), Eterno é um história que eu escrevi e que está sendo desenhada por Felipe Cunha.
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Enfim, eu acho que é a melhor história que já vi em fanzines na minha vida assim como eu acho que sou um dos grandes escritores de nossa geração, mas também acredito que irei morrer pobre e falido e que alguma pessoa bem menos talentosa que eu, mas mais "humilde" e com mais amigos vai garfar todos os HQ Mixs de 2008 que eu deveria receber.
MAS EU LIGO?
Claro que não.
Faz bem pro caráter.
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Mas falando sério, eu acho que a história está boa mesmo e se as pessoas estão gostando dela agora - na segunda edição - eu nem consigo prever a reação delas nas próximas edições, porque coisas incrivelmente fodidas acontecem.
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Eu queria colocar no gibi algum textinho filosófico que explicaria um pouco do pano de fundo das coisas que acontecem na história, mas a rebs não gostou da idéia, então eu deixei pra lá.
Dito isso, acho que farei isso nesse blog.
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Então la la la, deixa eu pegar o Eterno #1, ver do que se trata e fazer um texto a respeito. (que só vai fazer algum sentido pra quem leu o treco)
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Bom, eu não to achando nenhuam cópia aqui, então eu vou pegar pelo roteiro, que talvez esteja um pouco diferente do gibi.
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Sobre a parte 1 - Vida Pequena

Por mais que pensemos que vivemos em uma época sem valores, a verdade é que sempre no fundo de tudo que é dito publicamente ou considerado "bom", está o ideal da democracia, a saber, igualdade, liberdade e fraternidade.
É claro, que essas palavras tem significados dos mais variados dependendo da sua filiação política, mas é sempre igualdade, liberdade e fraternidade e quem quer ser uma pessoa "boa" é preciso utilizar essas três coisas, estuprando o significado das palavras o quanto quiser, mas utilizando as três palavras.
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O que isso tem a ver com nosso herói?
Bem, nosso herói logo de cara propõe algo que é muito comum de ser visto em conversas de boteco, mas que nunca chega a ser falado em debates.
É um tema muito antigo, que acabou sendo considerado incoerente com os ideais democráticos, ou seja, que algumas pessoas aproveitam melhor a vida e que outras a desperdiçam.
Como nada que é sólido se desmancha completamente, esse não é um tema assim tão polêmico, mas ainda assim, alguém declarar que a vida dos outros é estúpida ou um desperdício é algo simplesmente elitista demais para ser considerado pra valer.
Nossa sociedade, que ainda bem abraça a liberdade de expressão, aceita que expressemos nosso elitismo, mas não há nada direcionado a uma "melhoria do homem".
Fato, o propósito da vida não é ser um "homem bom" ou um "homem sábio", é só que embora essas coisas não sejam pressupostos da existência, não seria mau que elas aparecessem como valor; os valores, por sua vez, são algo do tipo "deixe eu pensar o que quiser, nenhum pensamento é errado; mas pague seus impostos, pois é sua função manter os outros vivos", eu prefereria que fosse o contrário, que tivessemos uma sociedade aberta ao debate (liberdade de expressão não é sinônimo de debate - obviamente, não existe debate sem liberdade de expressão, mas o contrário é o que eu vejo hoje), ou seja, uma sociedade aberta ao "apontar o dedo e chamar de burro" e que em relação as coisas materiais imperasse o "cada um cada um", mas né...
Enfim, nosso herói reconhece a pequenez dos outros e quer evitar isso, ao mesmo tempo, o que ele percebe de errado nos outros, não percebe em si próprio, se os outros desperdiçam a vida, ele sequer gosta da própria, acho que é uma maneira minha de dizer que embora, de fato, a vida cotidiana é imbecil e sem sentido, só perceber isso não faz a sua vida melhor, o passo seguinte ao "perceber que a vida é sem sentido" é de fato construir um sentido pra sua vida, se você não dá esse passo, só está desperdiçando a existência maneira mais consciente.
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Um dia talvez eu escreva sobre a Parte 2 (que na verdade é a primeira edição porque a parte 1 é a introdução e tal)

terça-feira, outubro 16, 2007

Argh
Terceiro texto gigante que eu apago hoje por estar escrevendo mal.
Minha mente hoje não está colaborando em nada.
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Ah vai, já que não consigo escrever.
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Angélica, bem se vê que você não manja de blogs, querida, porque sem e-mail eu não tenho como te responder, ou seja, tenho que falar com você via posts, o que acredito que seja uma ofensa as minhas preciosas concubinas, porque eu não faço posts dedicados a elas, mas eis que tenho que fazer um dedicado a você.
Mas respondendo a pergunta, não, eu não escrevo em nenhum lugar mais, o Rodrigo é um infeliz e um miserável, ninguém contrataria o Rodrigo pra escrever nem em papel higiênico.
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Se eu tivesse feito algum curso de jornalismo, hoje eu estaria ganhando 470 milhões de reais a hora porque eu sou um gênio e tal, mas acho que existe algo de muito errado em considerar jornalismo uma "profissão".
Afinal, que porra que é um jornalista? É um cara que se especializa em não saber nada que é pra poder, da forma mais cega e imbecil possível, escrever o que os outros ordenam que ele escreva sem questionar.
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Neutralidade meu ânus. Eu chamo é de covardia mesmo.
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Se alguma coisa, jornalista deveria dar notícia e só. Ainda assim, não vejo porque uma faculdade disso já que qualquer asno alfabetizado sabe pagar o reuters pra dar ctrl+c ctrl+v nas matérias.
De resto, a Super Interessante deveria ser feita por físicos e biólogos e químicos e etc.
Revista de história deveria ser escrita por historiadores, de filosofia por filósofos, de economia por economistas e assim vai.
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Fato, esse povo não escreve de forma tão agradável, então acho que a empresa deveria pagar algum cursinho de estética linguistica e that's that. Pronto. Sem mais esses asnos superestimados escrevendo sobre física quântica.
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Pessoal que sai na rua conseguir notícia deveria ser próprio pessoal que sai na rua. A polícia deveria ter um "jornalista" deles, associações diversas de moradores deveriam ter um jornalista deles (pra denunciar a polícia).

No fim das contas, acho que ao invés desses macacos inúteis, um jornal deveria apenas ter editores de cartas abertas e todo mundo que abrisse um jornal, ao invés de imaginar que lá está "a voz da verdade" saberia que teria apenas relatos de gente comum.
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A questão é que "mídia" é uma coisa ligada demais a democracia pra deixar nas mãos de um grupo de pessoas diplomadas; democracia pra mim funciona por checks and balances, ou seja, ao invés de você ter um juiz procurando ser oh tão melhor que todo mundo (porque é isso que um jornalista é; ou seja; alguém que não tem nenhum conhecimento, mas ainda assim acha que sabe mais o que os outros a ponto de decidir o que é justo de ser relatado), você teria relatos de gente que você sabe "de que lado está" e você teria esses relatos lado a lado para serem facilmente comparados.
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Então ao invés de uma "noticia", você teria uma carta dizendo "ontem, na rua tal, tal hora, eu vi policiais atirando em adolescentes" e do lado "os policiais estavam se defendendo" e logo abaixo "os policiais atiraram sem terem sido provocados" e assim ia, antes de ser um leitor passivo, o sujeito estaria no meio de um debate com as várias opiniões apresentadas pra ele. Mais ou menos como funciona em fóruns de internet mesmo. A diferença é que não seria uma discussão em tempo real, ou seja, não seria bem um debate, seria sim coletâneas de relatos simultâneos.
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O mundo seria tão bom se as pessoas ouvissem o Rodrigo.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Estava fuçando o orkut de um amigo antigo meu (com quem eu não converso - de propósito - sem motivo senão falta de vontade - faz uns 5 anos).

Pra começar, sempre espanta como o tempo passa rápido, essa sensação de ter memórias vívidas de acontecimentos de uma década atrás... isso não é legal, é quando você percebe que há 10 anos atrás estava se apaixonando pela primeira (em uma sala de chat! Há! Por uma menina que tinha uma personagem que tinha 12 anos, mas que na real era bem mais velha) é quando você percebe como é que o tempo não volta.
Digo, nós sempre sabemos que o tempo não volta (porque tempo é só uma intuição pura do pensamento e sua regressão iria contra as leis do entendimento - haha - ).
Enfim, esse amigo em questão (que eu não vou dizer o nome pra ele não googlar e achar isso - porque uma coisa que é diferente do eu de hoje e do eu de antes é que o eu de hoje quer manter algumas coisas escondidas de algumas pessoas... mas o cunha vai sacar quem é... mas o cunha nunca lê essas porras de posts) tocava bateria, aliás, ele tocou na banda do cunha e ele abandonou essa banda e a gente nunca entendeu ele.
Nós sempre sabíamos que tocar bateria era a vida dele, mas ele nunca parecia estar se dedicando direito a isso. Ele ensaiava, mas parecia sempre ter medo de levar isso adiante. E eu julguei ele muito por isso.
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No orkut dele tem uma foto dele ganhando um prêmio de melhor bateirista sei lá da onde (mas tinha uma porrada de gente na audiência vendo ele ganhar o prêmio) e ele está tendo aula em conservatório e... enfim, ele sabia algo que nós não sabiamos, abandonar bandas que tinham tudo pra dar certo não era um jeito de desistir de projetos, mas sim de se focar direito no que ele queria fazer e não se distrair pelo que não queria, mesmo que isso fosse eventualmente dar certo.
O lado mais dificil de fazer escolhas é deixar coisas pra lá e somos tão bombardeados diariamente por frazezinhas de efeitos do tipo "é melhor tentar e se arrepender do que nunca tentar" e não necessariamente, o tempo rola, as coisas acontecem, é preciso coragem e visão pra saber que estradas você não vai nem tentar tomar.
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Eu já visualizei todo tipo de futuro pra mim; um dia eu seria um profissional de radio e tv, no outro eu seria algum tipo de escritor, então roteirista, aí roteirista de quadrinhos, então teria um site e falaria sobre música e agora filosofia.
Dessas coisas todas eu só espero continuar sendo roteirista, mas agora não tenho nenhuma pretensão em fazer carreira disso, só espero poder continuar escrevendo os melhores fanzines do mundo pra sempre, acho que eu vou ser publicado um dia, mas não está na minha lista de prioridades.
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Minha prioridade atual é a filosofia.
Eu estou decidindo agora abandonar a idéia de fazer um site. Não achei webmaster quando eu tinha saco de ter o site e agora não tenho saco mais, música pra mim não é mais o que era.
Na época em que eu trabalhei escrevendo sobre música (sem receber, pois a revista em questão foi a falência), eu achava que gostava de escrever sobre música, pensando hoje, eu não sou bom nisso.
Em termos de jornalismo, na minha curta carreira, teve UMA coisa boa que eu fiz, um único texto que eu senti orgulho imenso e esse texto foi uma biografia do Damien Rice (alguém que eu nem gosto muito) pra revista transamérica (por esse sim eu recebi - haha), mas a minha postura ao escrever essa biografia foi a de que eu estava relatando um épico e eu não mudei nenhum fato, mas eu dei a elas uma grandiosidade linda e tornei heróica a vida desse cara e, afinal, música pra mim não é o que costumava ser.
Não quero mais me importar com os lançamentos mais recentes, eu encontrei o tipo de música que eu gosto, que é twee pop ou indie pop ou simplesmente música alternativa que também é bonita e eu não quero mais falar a respeito, eu quero só ouvir e eu não me importo as bandas que vêm ou não pro Brasil, mesmo essas bandas que eu gosto, não quero ver seus shows, quero só ouvir suas músicas, aqui mesmo, em MP3 de qualidade duvidosa, com fone de ouvido, em madrugadas que eu deveria estar dormindo.
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Como carreira me resta a filosofia e mesmo isso eu me pergunto se quero seguir como carreira profissional... eu acho hoje que quero estudar filosofia pra sempre (como eu achei antes que iria querer fazer outras coisas pra sempre), mas essa área, assim como toda área, tem muita máfia, muita dor de cabeça.
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Se a carreira de filosofia for, de fato, dar aula - estudar - escrever, isso me parece perfeito. Até dar aula, que eu costumava ver como um peso, hoje é algo que eu quero fazer, que eu quero tentar ao menos, mas eu não quero... tsc... .... eu não quero ter que dar satisfações a ninguém, não no sentido "emprego" da questão, mas no sentido filosofia mesmo, eu não quero ter que explicar porque o que eu estudo é útil ou interessante, porque, no momento, eu tenho certeza que meus interesses na filosofia são tão inúteis quanto possível e quanto a interessantes... bom, digamos que eles não fazem parte do interesse de ninguém... você não pode usar o que eu estudo como base de nenhum projeto pedagógico, não pode usar como base de nenhuma plataforma política, não pode usar como auto-ajuda e enfim, ninguém que vive no mundo se interessaria por isso.
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Porque na verdade, é essa visão de filosofia que eu tenho tido ultimamente, que filosofia é justamente um estudo desinteressado da realidade... digo, não é possível ser completamente desinteressado, mas não é algo que eu possa justificar pra alguém porque eu estou estudando senão pelo fato que eu acordei afim.
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E claro, como pessoa eu dou minha opinião sobre assunto que eu quiser, mas e como profissional? Eu não posso ajudar ninguém a viver melhor, não posso dizer qual presidente é o mais indicado, qual plano econômica é o mais vantajoso, não posso te dizer como se livrar dos seus medos, como ser feliz, nem como comer melhor. Pelo menos não por enquanto, se um dia meus estudos me levarem pra esse lado tudo bem, mas por enquanto eu não consigo dizer muita coisa além do que explicar porque vemos 3 dimensões ao invés de 17 ou porque vemos as coisas como unidade enquanto por trás delas existe todo um caos metafísico.
E mesmo essas coisas não se pode provar.
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Esses dias um professor citou Quine quando ele disse que "na filosofia não estar certo, mas tem estar errado".
É um ramo legal esse, a sua única possibilidade de sucesso é que não descubram aonde você está errado, porque você também não tem como provar que está certo.
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Enfim, eu só quero uma vidinha tranquila.
Mas eu sempre escolho os caminhos mais bélicos.

sábado, setembro 29, 2007

Me sentindo velho

Arctic Monkeys tem um segundo álbum.
Resident Evil 5.
Final Fantasy 13.
Estou velho o bastante pra sentir nostalgia.
Estou velho o bastante pra lutar contra nostalgia.
Estou velho o bastante pra me preocupar com minha própria.
Estou velho o bastante pra me sentir impotente.
Interpol tem um terceiro álbum.
Kurt Cobain morreu há mais de 10 anos.
Se foi a triologia Matrix.
Se foi a triologia Sr. dos Anéis.
Se foi a nova triologia Star Wars.
Estou velho o bastante pra me sentir cansado.
Estou velho o bastante pra não querer ser tão velho.
Estou velho o bastante pra sentir que meu tempo já foi.
Estou velho o bastante pra não querer ficar mais velho.
Estou velho o bastante pra sorrir pra pessoas que não gosto.
Estou velho o bastante pra querer mediocridade.
Estou velho o bastante pra ver valor na adolescência.
Estou velho o bastante pra sentir que desperdicei a minha ou que desperdiçaram por mim.
Estou velho o bastante pra me lembrar que ano passado eu já me sentia velho, mas que ano retrasado não.
Se foi a triologia Piratas do Caribe.
Se foram os anos 90.
Estão indo os anos 00.
Estou indo os anos 10.
Os anos 20.
Os anos 30.
E eu vou ser velho pra sempre.
Eu sou tão velho quanto o universo e vou ser sempre tão velho quanto o universo e me assusta que talvez eu me torne mais velho que o universo.
Se foi o Grande Platão.
Se foi o Grande Aristoteles.
Se foi Alexandre, o Grande.
Se foi Cleopatra.
Se foi Locke.
Se foi Hume.
Se foi Kant.
Se foi Schopenhauer.
Se foi Nietzsche
Se foi Foucault.
Se foi um cachorro.
Se foi um gato.
Se foram alguns parentes.
E tudo isso vive em mim.
E eu vou viver sabe-se lá no que.
Quantos ditadores.
Quantos genocidas.
Quanto guerreiros.
Quantos covardes.
Quantos belos.
Quantos feios.
Quantas bandas boas.
Quantas bandas ruins.
Em quantas bandas de rock eu vou viver?
Quantas vivem em mim?
Se foi 1774.
Se foi 1992.
Se foi o ano 0.
Se foi o ano 2.
Se foi o ano 7.
Se foi o ano 1000.
Se foi o ano 2006.
Se foi o ano 9.
Se foi o ano 87.
Se foi Cristo.
Se foi Buda.
Se foi Brahma.
Se foi Odin.
Se foi o Uno.
Se foi a unidade.
Se foi o conceito.
Se foi a essência.
Se foi a idéia.
Se foi a razão.
Se foi a ciência.
Se foi a moral.
Se foi a ética.
Se foi a beleza.
Quanta beleza vive em mim?
Em quanta beleza eu ainda vou viver?
Tão velho quanto o universo.
Tão velho quanto.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Dialogos Resbianos.

Re - says:
o cara fala q a escola tem q dar oculos pras criancas
Re - says:
q a escola tem q ver se as criancas nao estao aprendendo pq nao estao enxergando
Re - says:
tipo, isso eh coisa de pai fazer caralho
TweeT says:
E esse é o lance, sabe?
Você quer ensinar a criança como uma mitocondria se reproduz ou como ser legal com o amiguinho?
Porque os dois ao mesmo tempo não rola.
TweeT says:
(eu nem sei o que é um mitocondria ou se elas se reproduzem)
Re - says:
epa nao poe as mitocondrias nessa discussao
Re - says:
elas nao tem culpa do gilberto dimenstein ser cabeçudo

domingo, setembro 23, 2007

Stupid People

Eu tava lendo um textinho interessante sobre física http://www.gluon.com.br/blog/2006/03/30/supercordas-nathan/ que não me ensinou quase nada, mas uma vez que eu não sei nem física clássica, muito menos mecânica quântica, quanto mais teorias gravitacionais de Einstein, então seria realmente estúpido de minha parte tentar entender física quântica avançada como esse lance das supercordas.
-
O pouquinho que eu entendi, entretanto, é algo assim.
Existe uma inconsistência entre um "modelo" de física e outro "modelo", o que geralmente não causa problemas porque um dos modelos é usado pra uma coisa e outro pra outra, mas teoricamente isso é um problemão porque se você tenta aplicar os dois ao mesmo tempo, existe uma inconsistência.
Então durante algum tempo se criaram algumas teorias pra explicar tudo e a que mais fez sucesso foi essa da supercordas, que todo pai-de-santo tem usado pra provar que sua auto-ajuda-em-dvd é verdade.
E a explicação teórica da entrevista eu não entendi nada, o que eu entendi é que a teoria é boa porque é consistente, mas que ainda não há comprovação nenhuma dela e que tal comprovação depende da existência de aceleradores de particulas mais potentes do que os atuais, que estão sendo construidos, mas ainda não estão prontos (então é só uma questão de pouco tempo até a teoria ser provada).
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Ok, agora porque o titulo do texto "stupid people"
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Bom, ele poderia se referir a muitas coisas, eu fui fazer pesquisinha-de-5-minutos no google porque a teoria das supercordas é uma que tem sido utilizada por todo grupelho new-age viuva do cristianismo ultimamente; na real, toda teoria cientifica que propõe "explicar o universo" dá origem a um ou dois grupos religiosos formados por um ou outro "mal aluno de universidade importante" e 2 trilhões de pessoas que leram "physics for dummies".

Até onde se sabe, essa teoria das supercordas pode ser simplesmente má ciência, mas enquanto ela não é desprovada, parece ser uma teoria ótima e merece que pessoas a estudem a fundo.

O que é bem diferente de falar que o mesmo crédito que se dá a ela deve se dado a quem faz dvd de auto-ajuda dizendo "o universo é formado por cordas que vibram de maneira diferente, então voê deve sorrir pra vibrar suas cordas de maneira divertida". Disfarçar misticismo de ciência usando como dogma pesquisas que os próprios pesquisadores sérios admitem não ser comprovada é estupidez a um nível tão absurdo que nem mereceria um post.
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Ok, então o que merece esse post.
Bom, ESSE comentário feito no final da entrevista por visitante-anônimo-da-internet.
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"maginem esta teoria sendo explicada para os alunos de escola publica de periferia das capitais ? é mais facil acreditar em DEUS ."

EXATO ESTÚPIDO!
É exatamente por isso que o ensino disso não é sequer proposto!
E não tem nada a ver com "escola publica de periferia das capitais?" tem a ver que pessoas de 16 anos já tem dificuldade o suficiente em aprender mecânica newtoniana sem aparecer alguém dizendo que o universo tem 12 dimensões.
Esse É um assunto avançado e complexo! Ele não foi feito nem pra mim, nem pra você, muito menos pra qualquer estudante que seja, de "periferia" ou de cursinho preparatório pra Harvard, ter um conhecimento muito grande.
Ele é um conhecimento especializado por excelência e essa mania de achar que todo conhecimento deva ser universal o suficiente para que "alunos de escola publica de periferia das capitais" tenham acesso só prejudica o estudo.
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O pesquisador não pode perder tempo pensando se uma teoria vai ser acessível pra adolescentes, ele tem que perder tempo pensando se a teoria é certa ou errada, mesmo que ela seja complexa a ponto de ser entendida apenas por ele próprio.

O universo é estranho, o universo é complexo e isso não pode ser escondido dos alunos, é importante que o professor diga "essa teoria explica X, Y e Z; mas ela não pode ser usada em X', Y' e Z'" e logo depois ele deve adicionar "mas esse é um assunto muito complexo e pra entender vocês precisam, primeiro, entender ISSO e caso vocês estejam interessados, conversem comigo depois da aula que eu indico algum meio de estudar essas coisas", de qualquer forma, é preciso fazer uma distinção do que é FUNDAMENTAL pra formação de todo ser humano na sociedade atual (hence "ensino fundamental") e o que é assunto pra especialista mesmo.

E pelo menos por enquanto, ainda mais se tratando de uma teoria que aparentemente está longe de ser comprovada, isso não é assunto nem pros melhores alunos dos melhores colégios das melhores cidades do mundo; assunto pra esses alunos são as formas mais aprofundadas das teorias mais fundamentais.

O pior é que ninguém pensa nos efeitos que esse desejo de "democratização de conhecimento" tem nos alunos.

Eu acho que o que um adolescente tem que aprender HOJE já é um conhecimento brutal! Exigimos de um aluno (E NOS SUPREENDEMOS QUANDO ELE NÃO SE DISPÕE A APRENDER!!!) conhecimento em física, química, biologia, matemática, gramática, literatura, história e, dependendo do lugar, filosofia, psicologia e sociologia.

De qualquer forma, nos habituamos às escolas terem esse monte de matéria, mas como um não-pedagogo, traumatizado pelo colégio, eu acredito que o que se exige de um aluno é brutal ao ponto de ser improdutivo.

Não, eu não sei uma alternativa, o que eu sei é que mesmo quem passa em um vestibular da USP não absorveu isso tudo de conhecimento, no muito ele memorizou muito bem essas coisas durante o ano de cursinho e daqui há 5 anos ele terá esquecido completamente metade dessas coisas.
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Isso acontece exatamente por causa desse desejo de universalização, é algo do tipo, "um adolescente não tem como decidir o que irá querer estudar, então vamos brutalmente bombardea-lo com TODAS essas coisas e rezar pra que no meio do violento e doente furacão de conhecimentos aparentemente aleatórios ele consiga visualizar algo que o interesse" (e aí as pessoas não sabem porque os outros escolhem faculdade baseado em "salário futuro" ao invés de "área de interesse", quando um "aluno de perfieria de capital" tem que absorver um conhecimento que faria inveja a um aristocrata alemão do século XVIII, não é surpreendente que o sujeito acabe por não se interessar em nenhuma área) misturado a algo do tipo "temos que ensinar todo mundo ao mesmo tempo, então vamos passar tudo a todos"

É uma educação baseada em objetivos completamente errados, pra começar, é uma educação voltada pra um mercado que deseja profissionais especializados (e, de novo, sem saber qual a "área de interesse" do aluno, eles tentam especializar todo mundo em tudo); em segundo lugar é uma educação voltada para um governo que quer mostrar gráficos e indicadores.

Me incomoda pensar que qualquer etapa da minha vida foi uma perda de tempo, mas me incomoda ainda mais quando não foi culpa minha e eu não consigo pensar em época mais improdutiva e deprimente da minha vida do que o colégio, acho que o problema está em exigir que alguém de 17 anos escolha uma faculdade, esperar graduados com 21 anos fazia sentido no século XIX onde a vida era bem mais linear do que a nossa hoje, mas com a vida de hoje...

O problema é o seguinte, se eu falo que o sujeito não tem tempo de estudar química e filosofia porque ele tem que ir no shopping, ele tem que ouvir música, ele tem que se divertir, vão dizer que eu estou propondo que adolescentes sejam burros enquanto que pessoas da mesma idade em tempos passados estudavam e se davam bem, mas isso é um mero reflexo de idosos nostálgicos por uma época com valores mais cientificos do que o nosso.

A época atual é uma época, em muitos sentidos, muito mais voltada a ética do que a ciência, mas isso tudo acontece por debaixo dos radares dos ministérios de educação e dos pedagogos; nós temos escolas cientificistas que ensinam essa dúzia de ciência e sempre se sente mal quando alguém é muito bom em física newtoniana, mas muito ruim em literatura portuguesa do século XV; mas os jovens não são cientificistas como eram os jovens das épocas em que essas pedagogias começaram a surgir, parece que ignoram que em algum lugar dos anos 60 o conceito de "teenager" ganhou força e o "teenager" é uma entidade a parte, ele não é uma ponte entre a criança e o adulto, essa ponte nunca existiu, é só ver o Bar Mitzvah dos judeus, baile de debutante para meninas e milhões de outros rituais por aí afora, com 15 anos - 1 dia você é criança, o relógio deu meia-noite você é adulto. Não tem ponte.

Ver o período da adolescência como um período preparatório pra vida adulta não é tornar o adolescente um adulto melhor, é simplesmente estragar a adolescência e a prova da força de uma etapa da vida é que entre educação e uma vida besta fumando maconha e fazendo sexo sem camisinha, o adolescente escolhe a vida besta; é lógico que ele escolhe, é a vida besta que define sua etapa de vida, a educação é só um anexo fora de lugar, a escola é TÃO fora desse momento da vida que quando uma série de TV ou filme retrata a vida de um adolescente, o foco do história sempre são os 15 minutos de intervalo entre uma aula e outra. O que acontece dentro da aula só é mostrado quando é algo sem relação a matéria; histórias sobre universidade frequentemente mostram cenas de coisas ditas na sala de aula, os professores geralmente tem importância como personagens, não-raro é o tema de uma aula que se torna a base para a história; já em história sobre o colegial, o professor é só a figura que diz "não conversem na aula!"

Então se eu for propôr uma solução rápida, pouco estudada e tão ridícula quanto os pais-de-santo-em-dvd falando de física quântica, eu diria para, após o aluno aprender a somar, subtrair, multiplicar, dividir e escrever no ginásio, que o deixem uns 3 ou 5 anos fazendo absolutamente nada, simplesmente sendo um "teenager", aceitando empreguinhos bestas para pagar baladas e descobrindo, por conta própria, o que o interessa, para então, com 18 ou 21 anos iniciar um ensino fundamental em que os primeiros anos fossem dedicados a esse conhecimento básico sobre todas as ciências e o último ano se dedicaria a ser uma ponte para o conhecimento especializado que, espera-se, ele tenha experiência de vida o suficiente para decidir, pelo menos por cima, o que deseja estudar.

Só que pra isso ganhar algum sentido, tem que acabar, em primeiro lugar, com essa cultura de que o único propósito da educação é a preparação para um emprego futuro (ao invés de preparação para aquisição de um conhecimento superior), pois é a pressa por ter um salário alto aos 21 anos que fazem pessoas pular de cabeça em qualquer faculdade de engenharia ou admnistração de boteco que apareça pela frente e; em segundo lugar, aceitar que o iluminismo está tão apagado quanto o velho Deus e que essa noção estúpida de que todos terão um conhecimento universal é só um método de tortura moderna.

Esses meus pontos não se baseiam em algo do tipo "química é inutil porque faço filosofia", pelo contrário, eu gostaria de ter um conhecimento muito maior de física do que tenho hoje e não tenho esse conhecimento porque, obviamente, na época do colégio era muito mais importante pra mim lidar com minha depressão e solidão do que prestar atenção nas aleatoriedades confusas que aqueles velhos vomitavam na minha cabeça.

Se eu tivesse tido alguns anos fazendo nada senão lidando com minhas crises, "aproveitando a vida" ou "aprendendo a viver" e SÓ ENTÃO tivesse ido para a escola, acredito que eu teria dado mais atenção a esse conhecimento, porque eu não estaria disputando ele com outras coisas. Gostaria mesmo de ter aproveitado mais o colegial, ao mesmo tempo, acho insano e risível que qualquer um peça a um adolescente aproveitar mais o colegial, como eu já disse, escola é só um anexo gordo e fora de lugar. Não tem nada a ver com conhecimento, não tem nada a ver com educação, não tem nada a ver com preparação para o futuro, é só uma coisa aleatória posta na vida de alguém que não tem escolha senão acordar cedo todo dia e encarar aquelas coisas absurdas que aquelas pessoas que ele não conhece, não gosta e nem respeita insiste em vomitar na lousa.

E veja bem, no começo do ano eu vou lá todo feliz na secretária de ensino tentar me tornar um nobre professor público e não sei como eu vou lidar com isso, só quero dizer que o fato de que eu farei esse trabalho não muda o fato de que eu acho que não serei bem recebido pelos alunos como alguém relevante para suas vidas.

Normalmente é dito "mas sempre tem um ou dois que prestam atenção" e esse é o meu ponto, se de uma sala de 50 alunos tudo que conseguimos são "um ou dois" a culpa não é da imaturidade de 48 alunos, e esses dois restantes são com certeza "melhores" de certa maneira, mas mesmo eles não tem obrigação de prestar atenção em mim, se alguma coisa, eles são um golpe de sorte.

Entre culpar 99% dos alunos que estão seguindo o rumo natural (muito cuidado com essa palavra) de suas vidas e dando atenção ao que os valores atuais os inclinam a dar atenção e culpar um professor que não tem culpa de estar lidando com gente não quer dar atenção a ele (algo como culpar um jesuita pelos indigenas não-catequisados), eu vou culpar toda uma cultura que se baseia na contradição entre o tipo de "proposta de vida" que naturalmente se criou para as pessoas e a "proposta de vida" que orgãos do governo, formadores de opinião e intelectuais em um geral querem impôr.

A última coisa que resta é "como apresentar possibilidades de vida para uma pessoa?", longe de fazer isso, a escola insiste constantemente a reduzir todas as possibilidades de vida a "alguma faculdade" ou ainda a "conseguir esse diploma, sair daqui e se virar", como apresentar a um adolescente a possibilidade de estudar biologia? Eu talvez tenha uma fé grande demais de que nesses 5 anos "vivendo a vida", a pessoa, *de alguma forma* tenha contato com várias possibilidades e que após essa etapa, ela esteja bem informada o suficiente, mas isso não é nenhuma garantia e eu não sei se alguém estaria disposto a arriscar que seu filho passe 5 anos assistindo TV.

E também tem a questão de que as pessoas quererem LOGO um diploma, mas isso são questões de estilo de vida.
É um problema mais profundo do que um pedagogo pode abordar, atualmente tudo que eles fazem é pegar a cultura atual e martela-la até conseguir resultados que apareçam mais satisfatórios nos gráficos da ONU.
-
Enfim.

terça-feira, setembro 11, 2007

11 de Setembro

Legal como o pessoal fica macho fazendo piadinha com os Estados Unidos hoje.
Bom ver quando crisezinha de falta de auto-estima de um povo doente e derrotado como o brasileiro apaga completamente qualquer senso de compaixão que exista pelas vítimas de um ataque covarde.
-
Então fica hoje meu brinde sincero pelas vítimas do 11 de Setembro e do terrorismo na Espanha e em Israel.
Um brinde também pelas vítimas do terrorismo norte-americano no Iraque e no Afeganistão.
Um brinde às vitimas do terrorismo dos narcotraficantes e um brinde aos narcotraficantes, vítimas do terrorismo do Estado.
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Enfim, um brinde a todas as vítimas de pessoas estúpidas e fanáticas que precisam chegar ao ponto de assassinato covarde (ou ao ponto de apoiar assassinato covarde só porque as vítimas são pessoas que você nunca viu na sua vida, mas que fazem parte de um país que você nunca visitou, mas que odeia só para não ter que lidar com a própria inferioridade) para impôr suas idéias pequenas e seus estilos de vida incoerentes com a felicidade.
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Que no futuro, demos risada apenas das coisas boas, choremos apenas por causa das pessoas ruins e tenhamos desejo de vingança apenas contra quem temos certeza que merece.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Coisas belas por demasiado belas.

Eu gosto de músicas bonitas, histórias bonitas e filosofias bonitas.
Eu me sinto tão feio... por fora e especialmente por dentro.
Eu me sinto mau e eu me sinto não merecedor do pouco que eu tenho ou do tanto que eu tenho.
Então eu tento ouvir músicas bonitas, criar histórias bonitas e ler filosofias bonitas... embora, de certa forma, toda boa filosofia seja bonita.
-
Eu gosto da beleza da filosofia kantiana por ela ser tão implacável, por ela abrir e fechar tantas portas, por ela mostrar a possibilidade desse mundo das coisas em si, o qual nossas regras humanas não se aplicam, mas que é o mundo onde, afinal, vivemos.
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Eu gosto da beleza da filosofia de Schopenhauer por ser, de certa forma, tão desesperada.
Como é esse mundo que vivemos?
Ele é conflitante, ele é desejante, ele é violento e, mesmo assim, ao entrar em contato direto com ele, por meio da beleza, você consegue, naquele breve segundo, se livrar do sofrimento.
O sublime é a superação do sofrimento por meio de sua afirmação no grau mais alto.
-
Eu escrevo historias de amor porque elas são uma parte de mim que eu gosto.
Eu gosto de amar e eu não tenho (ou não quero ter) vergonha de amar várias pessoas.
Eu me apaixono pelas pessoas paradas no ponto de ônibus.
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Eu sou uma vítima do grande cansaço.
Eu quero desligar minha cabeça.
Eu quero parar de pensar por um segundo.
Vocês sabem o que é a vida sem um único segundo de relaxamento?
Sem um único segundo sem que minha cabeça voe pra lá e pra cá?
Eu estou cansado e eu quero desligar tudo.
Eu faço tão pouco e eu já sinto o peso do universo. Da realidade.
Eu sou o fraco de Nietzsche.
Tão fraco.
Eu fracassei e eles estão rindo de mim.
Eu deveria ter feito direito, ter me dedicado a "pegar minas", escrito histórias de "cunho social", escolhido uma namorada, ter passado na USP.
Eu escolhi a filosofia, eu escolhi me apaixonar pelas pessoas na pista de dança, eu escolhi escrever historinhas de amor, eu escolhi o poliamor e eu não escolhi não ter passado na USP, mas eu nunca quis muito pra começo de conversa.
-
Eu me sinto mau e eu me sinto feio e eu gosto de coisas bonitas, mas às vezes elas estão tão distantes e às vezes elas estão tão perto e eu queria todas as coisas bonitas perto de mim.
Eu gosto da Helda.
Eu gosto da Carol.
Eu queria abraçar as duas ao mesmo tempo.
Eu não entrei nessa pelo sexo a três, eu entrei nessa porque eu me apaixono por muitas pessoas e eu acho crueldade ter que escolher entre elas e eu acho crueldade mentir por não conseguir escolher.
Eu nunca traí uma menina.
E eu sonho (literalmente e não) em estar de mão dada com as duas, andando pela paulista, com nós três rindo.
Porque é tão dificil simplesmente rir?
Porque essa paranóia de que eu não vou conseguir "dar conta"?
De que eu não vou dar atenção o suficiente?
Afinal, quem tem exclusividade?
Uma pessoa não vive pela outra, não pensa 100% do tempo na outra, ela pensa na outra, nos sonhos, no trabalho, nas coisas bestas.
Eu prometo estar lá por quem eu me apaixonei.
Eu prometo estar lá por quem eu disse coisas bonitas, porque eu não as digo de graça (mas talvez eu as diga só pelo fator dramático).
Mas esteja por mim também, faça uma forcinha por mim pra fechar os olhos pra essa feiura que a sociedade impõe e viver comigo esse momento bonito.
Arranjem outros namorados vocês também. Vamos sair todos juntos. Vamos ficar de mãos dadas e rir.
Porque meu sonho é seu pesadelo?
Isso me mata e eu não quero morrer assim.
-
Eu me sinto fraco e triste e eu não quero mais me sentir assim.
Eu sei que nunca vou ser bonito, mas eu espero um dia produzir coisas bonitas o bastante.
-
"coisas bonitas"
Que esse seja o objetivo dessa minha alma de hoje e que ela morra quando for seu tempo pra que outra nasça com outro objetivo.
E que esse outro objetivo seja também belo.
Que nossa vida seja bela.

sábado, agosto 18, 2007

A menina dentro da história em quadrinhos

Eu escrevo histórias em quadrinhos.
E em muitas dessas histórias, eu fazia questão de colocar uma personagem.
Ela era, de certa forma, o pontinho de perfeição nesse mundo imperfeito que eu criara para que a história fosse interessante.
Ela não era perfeita em nenhum sentido que as outras pessoas entederiam, mas ela era ao mesmo tempo alguém que eu queria ser e alguém com quem eu gostaria de estar.
Ela tinha cabelo curto, era divertida, ela aguentava sem problemas a leveza do ser e essa talvez fosse a parte que eu gostava nela, que ela nunca fazia tão parte da história principal a ponto de ser absorvida pelos problemas, as poucas histórias que eu fiz com ela como personagem principal tinha problemas levíssimos, pois ela não deixaria que o peso de problemas sérios se tornassem pesados, ela apenas permitia que pequenas coisas tivesse algum peso e os carregava assim, só por diversão, enquanto tudo o que é grande e grotesco, ela carregava sem problemas.
Na verdade, talvez tivesse acontecido algo a ela que a deixou tão forte, mas eu não sabia, pois nunca tinha escrito sobre seu passado.
Eu queria conhecê-la e eu pensei que, se eu próprio fosse um personagem de uma história em quadrinhos, seria interessante que algo mágico ocorresse e eu entrasse dentro do meu próprio universo ficticio só para conhecê-la.
E então aconteceu.
Eu entrei dentro da minha história.
E lá estava ela.
Eu gostaria de dizer que foi tão difícil falar com ela quanto é com qualquer menina interessante que você encontra na balada (boa parte de minhas histórias acontecem em baladas, então foi em uma dessas que eu apareci), mas foi mais difícil ainda, logo veio o peso todo das expectativas e possibilidades e mesmo que eu gritasse para mim próprio que eu a havia criado, de certa forma, com o único intuito de ser uma pessoa perfeita que se apaixonasse por mim, eu ainda tinha medo, medo talvez de não ser eu mesmo o suficiente para que ela se apaixonasse por mim, pois eu tinha certeza que não conseguiria ser eu mesmo, estava tão nervoso que nem sabia exatamente quem era esse eu e com todas as mudanças de humor e personalidade, ela mudava muito também, como eu poderia saber qual "eu" ela queria?
O pensamento era demais.
Então ela veio e falou comigo.
Ela -- falou -- comigo.
Ela iniciou a conversa.
Quem quer que estava escrevendo minha história foi sábio o bastante para deixar nossa bebida preferida em cima do bar (gin tônica para quem se pergunta, porque é como um milhão de flores na sua boca tentando fazer você vomitar) e ela veio, perfeita, com os braços esticados e falando como um zumbi (ótimo! Só recentemente eu passei a gostar de filmes de zumbi, quer dizer que ela está atualizada em relação aos meus estados mentais) "giiiin toooonica" e essa foi a primeira vez que eu ouvi sua voz e eu lembro de ter esquecido que estava dentro da minha própria história, lembro de ter esquecido que estava no mundo, lembro de ter esquecido que era uma pessoa confusa e triste incapaz de viver no presente, eu estava lá, naquele momento, naquele lugar, ouvindo ela imitar um zumbi e pensando "eu quero ouvir essa voz para sempre".

- Você não vai oferecer bebida pra menina bonita, não?
- Eu... desculpa...
- Que fofinho, ele é timido, é homem, nem um pouco macho, mas... camiseta do blondie? Mas você precisa passar em inumeros testes de coragem e sabedoria para usar uma camiseta do blondie! Quantas pessoas você vê por aí com uma camiseta do blondie? Nenhuma! Por que elas não merecem! E aqui vem você todo bobão, gaguejando na frente de meninas bonitas que pedem bebida e usando uma camiseta do blondie! Isso é inaceitável! Completamente inaceitável!

(camiseta do blondie? Quem quer que estava escrevendo essa história é um gênio! Porque é claro que nós três [eu, ela e o escritor] sabíamos que frase deveria se seguir)

- É que o blondie é a única coisa boa que surgiu do movimento punk.

E o resto da conversa fluiu como um roteiro.
Cada frase se encaixava perfeitamente com a anterior.
E ela era feliz, mal educada, poderosa, deliciosamente tudo aquilo que eu precisava de antidepressivos para me lembrar que eu nunca poderia ser.
E ela, de forma linda e sutil, não se considerava esse monstro capaz de engolir todo meu mundo com uma só dentada, ela se dizia "uma menina bonita" e afinal, ela era, mas ao se definir como "uma menina bonita", ela dava a todas as meninas bonitas do mundo um poder que elas simplesmente não tinham e, de certa forma, ela sabia disso e, de certa forma, essa era sua pequena contribuição ao feminismo.
(mas havia o cuidado de ela não se dizer só "uma menina", pois isso seria uma contribuição grande demais para um movimento que não merece tanto assim seu respeito)

Nós combinamos de sair outro dia e eu voltei pra casa, minha casa ainda era no mesmo lugar, logo não havia uma diferença muito grande entre o universo dela e o meu, alguma geografia era diferente, mas nada drástico, as estações do metrô ainda eram as mesmas e portanto eu conseguia chegar em casa mesmo que o tal bar fosse inexistente na minha realidade.

Nós continuamos saindo durante algum tempo e nada acontecia, ela era forte demais para deixar esse sujeito besta que vos fala se aproximar dela e o sujeito besta era, bem, besta demais para ter alguma iniciativa, mas, de certa forma, tudo bem.

Eu tentei ficar com ela uma vez, só para tirar esse peso dos ombros, ela olhou pra mim e disse "você não vai conseguir" e sorrimos, pronto, eu não queria mesmo, eu não queria manchar a perfeição dela com eu mesmo.

Ela ficava com outras meninas bonitas e com caras interessantes, nunca com pessoas que não a mereciam, nunca com pessoas que haviam simplesmente a enganado, nunca com pessoas no seu próprio nível porque não havia ninguém no seu nível, todos eram indignos dela, mas ela ficava com eles mesmo assim, se eles provassem ter um coração bom (ou pelo menos tanto coração bom quanto é possível bêbado e ouvindo a mesma discotecagem de baladinhas indie pela enésima vez [quantas vezes é possível ouvir "love will tear us apart" sem se cansar? Esse parece ser o propósito cientifico dos DJs - a resposta ainda não foi encontrada] ).

Conversando com ela, eu pude conhecer seu passado e foi impressionante o quanto eu me impressionava, eu a havia criado e ela me dizia coisas que eu não sabia, eu não lembro delas agora, talvez seja algo além do meu alcance, talvez ela, como personagem, não possa ter um passado, pois parte da beleza dela era viver tão no presente e foi enquanto ela falava que eu me dei conta de algo.

Ela tinha esse imenso dominio sobre mim, perto dela eu desaparecia, eu era simplesmente "o amigo", o acompanhante e isso me deixava mais feliz que qualquer coisa, acho que era sobre isso que Schopenhauer falava quando dizia sobre o sublime que vinha da negação da vontade. Ela era uma obra de arte em forma de ser humano, não só sua forma, mas seu pensamento, oras, ela era parte de uma história, é lógico que ela era arte e, como tal, ela fazia eu esquecer de mim, ela fazia eu me perder em momentos de puro êxtase.

Mas enquanto ela me contava seu passado, que era algo mais maravilhoso do que eu poderia criar, eu me dei conta que eu sabia algo que ela não sabia.
Eu sabia que ambos eramos personagens de histórias de quadrinho, ela pensava que eu era esse menino bobinho e interessante que talvez pudesse se desenvolver em um grande amor (pois o que ela procurava era um grande amor) e eu sabia que ela era a menina dentro da história em quadrinhos. Eu tinha esse centimetro de poder sobre ela. Esse milésimo de conhecimento que ela não tinha.

Agora vocês podem pensar que eu sou arrogante, burro ou qualquer coisa, mas eu não queria perder isso.

Não, na verdade, era o seguinte, eu não queria perder a ficção, eu não queria que ela se tornasse real. Se eu esquecesse que ela era uma menina bonita dentro de uma história em quadrinhos e pensasse que ela era só uma menina bonita, então ela se tornaria um peso e eu sei que pessoas evoluídas e boas sabem ver essas coisas como uma falta de peso, mas eu ainda não cheguei lá, ela não seria um peso ruim, ela seria simplesmente mais uma parte dessa realidade e oras, eu a escrevi justamente para não morrer pela verdade, ela não poderia ser real.

É dificil explicar, ela não perderia sua força se fosse real, ela não seria menos bela ou menos "arte" se fosse real, mas ela seria real e essa qualidade, em si, é o suficiente. Eu ainda me apaixonaria por ela se ela fosse real, mas ela seria real e eu logo precisaria criar alguém melhor que ela e eu não sei se conseguiria isso, ela era o máximo da perfeição que minha mente atingia.

Então eu acordei de novo no meu quarto, na frente do meu computador e na tela piscava

MENINA BONITA olha ao redor confusa

Ainda hoje, às vezes, quando eu me sinto sozinho e o peso da realidade é grande demais, eu escrevo histórias dela, só pra mim, só pra saber que eu posso abrir um arquivo no computador e dentro de um roteiro de histórias em quadrinhos estará ela, ainda esperando eu voltar e me tornar esse seu grande amor, mas jamais deixando isso se tornar um peso, sempre sorridente e, sabendo, em algum lugar dentro dela, que eu era um menino fora da sua história, mas feliz que, por um momento, eu fiz parte.

domingo, julho 29, 2007

MP3s



Eu as vezes me pergunto qual o ponto de baixar tanta música de banda que eu não conheço se muitas vezes eu não as ouço com a atenção devida.
Parte de mim se convence que eventualmente, por acidente, eu vou encontrar uma banda ótima e isso de fato acontece.
O que eu acho engraçado é como isso acontece, às vezes, meses e meses depois que eu baixei o album.
Esse álbum do The Blow por exemplo, acho que eu baixei ele em novembro (lembro que foi junto com outra banda - que definitivamente não gosto - chamada "The Blood Brothers") e eu devo ter ouvido do começo ao fim, mas não me chamou a atenção e, sempre que eu via esse nome, eu evitava ouvir porque me lembrava do Blood Brothers.
Agora, 3 da manhã, terminando um trabalho (mentira, falta muito ainda pra terminar, eu to é enrolando mesmo), eu comecei a ouvir uma música linda e quando fui ver de quem era, qual a surpresa, era "True Affection" do The Blow.
Comecei a ouvir então o album inteiro e estou adorando.
Algumas músicas funcionam e outras não, não é a banda perfeita, mas tem músicas excelentes e lindas e que estão me ajudando a fazer essa madrugada melhor e eu estou feliz que nunca deletei essas mp3s, mesmo que na minha cabeça fossem músicas horríveis a serem puladas quando percebidas.

quarta-feira, julho 25, 2007

Talulah Gosh



Talulah Gosh (é o nome da banda E da música)
É meu Starjets. ;)
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segunda-feira, julho 23, 2007

terça-feira, julho 17, 2007

Tintin



O que eu acho tão perfeito nessa abertura é como os efeitos sonoros se misturam com a trilha.
A parte da cantora de Opera (que eu não lembro o nome) é minha favorita.
E o comecinho, quando ele pula do trem e tal.
Eu quase consigo lembrar de todos os episódios enquanto assisto, mas nenhum detalhe, só cenas aleatórias.

domingo, julho 08, 2007

Downloads a se fazer

Ou
Tentando desesperadamente sair da depressão.
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Frog Eyes - Tears For The Valedictorian
Eliott Smith - New Moon
Battles - Mirrored
The National - Boxer
Queens Of The Stone Age - Era Vulgaris
The White Stripes - Icky Thump
Art Brut - It´s A Bit Complicated
The Smashing Pumpkins - Zeitgeist
Interpol - Our Love To Admire

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Eu comecei um roteiro novo também, é a segunda história de nem lembro quantas que eu ia fazer pra um projeto meu e do Cunha chamado "The Long Winter".
The Long Winter é uma coletânea de histórias que se passam em diferentes épocas em versões modernas de um mundo de magias, fadas e dragões.
A primeira história já está pronta, desenhada, linda, só faltava o imbecil aqui corrigir umas coisas, mas faz um mês que eu to desanimado com o mundo e ainda não consegui acordar um dia e fazer isso.
Mas eu consegui, de alguma forma, forças pra começar essa segunda parte, o roteiro ta em inglês porque a proposta é mandar pros gringos, aí pra não ficar confundindo minha cabeça trocando a lingua só pra fazer o dialogo, eu fiz ele inteiro em inglês.
Enfim, o começo.
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THE LONGE WINTER
PART 2
IT´S COLD OUT THERE, WARM IN HERE AND SHE IS STANDING IN MY DOOR


Young guy waking in his room, it´s all a mess, with food everywhere, papers all over and porn on the computer. He is bed, under a big blanket, only his eyes can be seen, like some scared kid.

Recordatory
Fuck, it´s day again.

Guy entering the bathroom in his underwear and an old led zeppelin t-shirt.

Recordatory
I slept so much my eyes actually hurt.

Guy throwing water in his face.

Recordatory
I wish I could sleep more.

Guy looking to himself in the mirror, his hair is a mess, his beard is getting too big, he has a big sad expression, like a canil worthy dog (São Bernardo).

Recordatory
I wish I could actually sleep instead of being tormented by toughts hours and hours in the dark just to be tormented by nightmares then.

While pissing, the guy looks, through a small window in the bathroom, the gray city, with clouds covering the sun, he is in an apartment on the seventh floor of a building, so he can see some skyline.

Recordatory
It´s winter already. It was a bright, yellow, warm day when I lost my job. I gave up trying to remember how long it was just as I gave up trying to find another one just as I gave up pretty much everything.

He sits on the ground.

Recordatory
I keep thinking that things would be better if they would just let me learn how to do magic.

He lifts a finger and a little flame comes out of it

Recordatory
Not that they can keep me from doing it, but the government was quite specific that I was forbidden of learning it in college or anywhere for that matter, that I was forbidden of doing it in public.

He stares very sad at the flame

Recordatory
Oh, I would like so much to work with flames, to spend the day studying and teaching magic just for the sake of it.

Suddenly it’s his imagination and he is in a big room, crowded with people in tuxedos, only men, he is on the top of a stage in a tuxedo, receiving a golden plate from some old guy, behind him it’s a big flame dragon.

Old guy
And here we give you this award for all your work on the field of fire magic.

Everyone in the room starts laughing.

Old guy
And to think that you had to learn it by yourself because our retrograde psychological analysis considered you too unstable.

In the middle of all the men, there is a girl that stands out, she has a long dress and just smiles while everyone around her laughs.

Recordatory
Too unstable! What they know about psychological stability?

Close-up on her

Recordatory
Aren’t they the ones who make wars?

Back in the bathroom, the flame is larger and it started to touch a towel hanging above his head. He is lost in his toughts mumbling the words.

Guy
Aren’t they the ones who make wars?

The towel catches fire and the guy looks up scared

Guy
Oh shit! Not again!

He gets up quickly and directs both hands towards the towel.

Guy
Ice!

The flames go out and a dark cloud goes out the window while he coughs

He touches the towel and it breaks like it’s glass.

Recordatory
Great.

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Enfim, eu pretendo investir nessa idéia de que ele sonha acordado e que ele tem algum dom natural pra magia, mas não sabe controlar e vou tentar tirar as fadas e dragões dessa história.
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Eu ainda pretendo, em The Long Winter, fazer uma história toscamente baseada na autobiografia do Bob Dylan, sobre um cara que chega em NY em meados dos anos 50 com um violão e um sonho. Esse acho que eu vou colocar fadas e dragões por toda parte, porque uma intenção da série é ver como esses seres se encaixam no dia a dia, digo, a gente vê eles em RPGs atirando fogo, curando pessoas, sendo sábios, mas se você transporta pro dia de hoje, as fadinhas voando por aí seriam nerds e engenheiros porque não conseguiriam fazer um trabalho pesado e os dragões, tipicamente mais inteligentes e fortes que os humanos, seriam os governantes e empresários, por aí vai.
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E já que eu estou publicando roteiro, quem quiser desenhar um curtinho aí, é de uma história que eu tive um certo orgulho em escrever, porque é bem meu tipo, ela é bonitinha, cheia de dialogos que só fazem sentido pra mim, usa bem a linguagem dos quadrinhos ou algo assim e, enfim, não tem espaço pra ela nos projetos todos meus e do Cunha, então se algum leitor por acaso desenhar, não precisa nem me avisar, pode pegar a história e fingir que é sua, se bem que eu não sei se alguém gostaria dessa história além de mim, que é o porque eu acho que é tão importante pra mim que alguém goste.
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E é uma das raríssimas vezes que eu escrevo especificando os quadros.
E pra quem já viu esse roteiro, eu mudei o final. Eu acrescentei umas páginas.
Aliás, eu ainda quero tatuar esses personagens uma vez que alguém desenha-los (e eu achar que ficou legal).
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Refletido nos seus olhos.


Ambos os personagens tem uns 20 anos.

Página 1

Quadro 1
Alto de um prédio, um garoto com um casaco de frio, calça e as mãos no bolso do casaco, observa o nascer do sol com as mãos no bolso.
O nascer do sol faz a "skyline" da cidade, com todos os prédios.

Garoto: Isso é lindo.

Quadro 2
Uma mão feminina tirando o cigarro da boca do garoto.

Quadro 3
A garota soltando o cigarro que cai do prédio

Garota: Um nascer de sol tão lindo e você estragando com essa poluição.


Página 2

Quadro 1
O garoto tirando outro cigarro do maço.

Garoto: Mas é lindo exatamente por causa da poluição.

Quadro 2
Palma da mão do garoto. Uma chama surge dele.

Garoto: O caos nos entregou um mundo feio e nós estamos concertando ele.

Quadro 3
Garoto com o cigarro na boca, acendendo usando a chama que sai da palma de sua mão.

Garoto: O dia que uma selva infestada de besouros e doenças ser mais bela que a chama azul de uma boca de fogão, eu considero acabar com a poluição.

Página 3
Quadro 1

A garota voando de braços abertos na frente do prédio com uma cachoeira caindo atrás dela.

Garota: Eu sou uma beleza da natureza!

Quadro 2

Ele se equilibra em uma pequena linha de fogo no ar

Garoto: Com a tatuagem e os piercings e a roupa e a tintura no cabelo?

Quadro 3

O garoto apontando um dedo para a cachoeira.
Na cachoeira está desenhada uma logomarca. (como se fosse em um parede de água)

Garoto: Você é linda, fato. Mas você não é natureza. Você derrotou a feiúra natural que a natureza te impõe e se tornou algo--

Página 4

Quadro 1

Garota saindo molhada da cachoeira que flutua no ar, destruindo o simbolo.

Garota: Algo refletido nos seus olhos.

Quadro 2

Ela com a mão encostada no rosto dele. Fumaça de vapor saindo de onde ela encosta.

Garota: Algo sentido pela sua pele.

Quadro 3

Os lábios se aproximam

Garota: Algo que invade sua preciosa mente.

Quadro 4

Os pés flutuando no ar, do dele sai chamas dos tênis, o dela, descalço, com uma tatuagem no fim da perna, está bem molhado.
Os dois estão bem juntos.

Página 5


Os dois sentados no parapeito do prédio, ele abraça ela por trás.
Ele olha para o horizonte e ela sorri com os olhos fechados com a cabeça encostada no peito dele.
Ele com o cigarro na boca, um pouco sério (não bravo ou mal humorado, só contemplativo)

Garoto: Minha mente não é mais preciosa. A beleza a contaminou. Quando você entrou em mim por meio dos meus olhos você matou tudo de belo que existia dentro de mim e substituiu pelo seu sorriso tão irresistível.

Garota: E que tipo de beleza seria tão importante se não te matasse aos poucos?

Fim.

quinta-feira, julho 05, 2007

A alma humana

Entre os meios acadêmicos, é consenso de que não existe uma alma humana, simplesmente funções biológicas que ainda não conhecemos.
Particularmente, eu acho excelente que a ciência trabalhe com esse pressuposto sem se preocupar com sua validade, pois a última coisa que a humanidade precisa é pesquisadores parando de pesquisar por isso ou aquilo pertencer ao "transcedental".
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Mesmo assim, há um problema lógico imenso em afirmar qualquer dos determinismos opostos em relação a mente.
Se a mente é puramente trasncedental, ou seja, se as idéias e pensamentos surgem de algo além das leis de causa e efeito, então de nenhuma forma esse pensamento se traduziria em ações e de nenhuma forma as informações do mundo causariam qualquer coisa nesse pensamento; se a mente é puramente biológica, então nós não faríamos nada além de responder a estimulos, não existiria individualismo ou subjetividade alguma e todos reagiriam igualmente aos mesmos estimulos; também não existiria nenhum tipo de negação dos instintos, sem contar uma série de operações da mente; não haveria visualização de futuro distante, mesmo que fosse possível desenvolver tecnologia, ela não iria além de simples tentativas e erros.
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Eu não vejo motivo para não encaixar a alma humana em algum tipo de modelo biológico, desde que fique claro que exista algo que pensa, que recebe informações exteriores, mas que não é determinado por essas.
Eu não vejo motivo também para que tal alma seja algo grandioso, puro ou independente do corpo.
Eu penso na alma humana como algum tipo de combustivel; a mesma gasolina que entra em um fusca funciona em uma ferrari, mas um tem bem mais potência que o outro.
Animais tem uma série de limitações em seus cerebros. Andar em 4 pernas exige que um cerebro menor que o humano coordene quatro membros ao invés de dois, a ausência de glândulas sudoríparas força o animal a arfar para eliminar calor, o que impede o desenvolvimento de linguagem, e assim vai.
Todas essas coisas não significam que a alma não exista, é a mesma alma no gato e no homem, só que o homem pode fazer um uso melhor disso porque tem um corpo mais desenvolvido.
Até animais tomam decisões e as decisões dos animais não é tão diferente das dos homens, só são mais simples, a questão é que tudo o que impede o homem de ser puramente determinado pela física, também impede o animal e embora o animal não seja capaz de ativamente negar os instintos, ao menos ele pode ser treinado.
Um cachorro bem treinado com fome vai resistir a fome, certo que ele acredita que vai ser alimentado no futuro, mas essa é a questão, ele não é simplesmente um ser que reage a impulsos, ele pensa sobre o futuro, ele faz planos, ele espera e lida com prós, contras; poderia-se até dizer que ele faz um calculo econômico. Tudo em níveis muito primários, mas ainda, é inegável que há uma negação do presente em prol do futuro, que é algo que um impulso biológico não pode causar, porque tudo que o corpo faz é demandar que carências sejam satisfeitas, a fome não passa porque eu sei que vou comer daqui a pouco, a dor não para porque eu sei que já tomei um remédio que vai demorar pra fazer efeito, então o corpo ainda grita pela saciação da necessidade, mas alguma coisa nega o instinto, em suma, o corpo existe no tempo, no espaço e é afetado pelas coisas, a alma também, mas em "menor escala".
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Embora seja fato que o pensamento pode ir para o futuro, então para o passado e relacionar as coisas e etc etc etc, meu pensamento não pode sequer revisitar todo o meu passado e o máximo de futuro que eu posso ir é a ficção cientifica, de qualquer forma, tudo que existe no pensamento está condicionado a experiência, exceto a capacidade em si de trabalhar esses conceitos e de agir baseado no conhecimento.
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Então se for fazer aquela velha comparação da mente com um computador, o cerebro armazena os dados, de forma bem tosca e a alma é o processador de dados, o que, definitivamente, não é a mesma coisa que o cerebro, que as informações recebidas pelos orgãos sejam transformados em energia que é trabalhada pelo cerebro ainda exige algo além do cerebro, porque se eu quero acessar informação sobre meu gato, eu posso, isso faz com que meu cerebro se comporte de tal maneira e se eu quero então pensar sobre televisão, eu posso, ou seja, existe algo que envia comandos a esse musculo e não que reage a eles. Na verdade, seria absurdo pra todo animal que não exista um "eu" que comande o cerebro, senão essa energia seria simplesmente um emanharado aleatório de imagens e informações inúteis.
Imagine que tudo que eu tenho é um cerebro que armazena informações e que o ser humano é um ser que simplesmente reaja a tais informações, qual a diferença entre ver um pedaço de carne e um míssel nuclear? Ambas são coisas, ambas são energia, biologicamente, é a mesma coisa ambas as informações, se não existe subjetividade para trabalhar essas informações, seja no homem ou no animal, o cerebro é inútil.
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Não quer dizer que o corpo humano é o melhor possível ou o mais apto a ter essa alma ou que essa alma seja algo grandioso.
Não podemos conhecer essa alma, mas que informações temos dela?
Ela não é o cerebro, mas é afetado pelas informações que passam por esse, profundamente afetada.
Pra mim, a humanidade está se degladiando entre dois erros.
Primeiro a alma humana era essa coisa que fazia parte do universo ou que era imortal ou que era separada do corpo ou que funcionava plenamente e hoje simplesmente se considera que ela não existe.
O problema é que se descobriu que a razão não é desconexa das informações.
Mesmo no empirismo inglês do século XVIII, era algo do tipo "não há nada inato na mente, mas uma vez que as informações chegam, nós a trabalhamos de forma racional" e só com Schopenhauer e Nietzsche que surgiu a possibilidade da razão agir por motivos ocultos ao homem e de haver algo que "corrompe" essa racionalidade pura que presumivelmente existia; a delibitação do corpo não faz só as pernas falharem, mas a mente também pensa coisas diferentes do que a mente de um corpo saudável pensaria, a lógica, as crenças, os valores, tudo que existe na alma é afetado pelo que acontece no corpo, mas isso não significa que essas coisas não existem ou que essas coisas são puramente biológicas.
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Como dito no começo do post, eu prefiro mesmo que cientistas trabalhem com a possibilidade da alma não existir, mas mesmo que seja algo tão dependente e conectado ao corpo, eu ainda não encontro motivos que me façam acreditar que esse "eu" que existe anteriormente ao cerebro e que o comanda é o próprio cerebro.
Roubando um exemplo do Schopenhauer, é como o sujeito que está afundando na areia movediça e que puxa o próprio cabelo para sair de lá.
Se não existisse nada além do cerebro que dá ordens a esse, essa coisa gosmenta simplesmente não funcionaria.

quinta-feira, junho 14, 2007

Tem me incomodado ultimamente como que as pessoas sabem tantas coisas simples que eu não sei.
Eu não sei como as pessoas vivem. Não sei como elas toleram a si próprias. Eu preciso de umas férias de mim mesmo. Eu preciso viver na mente de outra pessoa. Viver comigo mesmo tem exigido manutenção demais. Tempo demais. Tempo que eu não tenho. Tempo que seria melhor aproveitado fazendo outra coisa senão tentando me defender contra não sei o que.
Eu não sei como as pessoas fazem pra sobreviver a arte. Mas esse foi sempre um problema pra mim. Eu não sei lidar com a minha mente da mesma forma que eu não sei lidar com a mente dos artistas cuja obra eu tenho contato e agora entra na equação a mente dos filósofos também.
É muita cabeça estranha junta. Eu não aguento. É demais. Essa vida é demais pra mim. Eu não estou pronto pra vida. Eu não sei viver. E não é como se eu tivesse lá uma vontade tão grande de viver de qualquer forma. É muita manutenção. É muito tempo perdido tentando me controlar. E é literalmente perdido porque eu não consigo de qualquer forma.
Eu queria dizer que eu quero desistir, mas a questão é que eu já desisti faz algum tempo.
Eu já fracassei e já fui derrotado em todas as coisas que podia.
Agora já deu.
Agora eu só quero descansar pra sempre.
As coisas em que eu já fracassei, pessoas de 40 anos ainda não fracassaram.
Eu tentei demais e não deu certo.
Às vezes é assim. Às vezes não dá certo. Às vezes não dá certo o tempo todo. E o tempo todo não deu certo.
Agora eu só quero descansar.