Se existe uma jogada certa de ganhar público - e como estudante de Schopenhauer eu bem sei disso - é dizer que há poucos sábios e muitos burros, porque 99% das pessoas que lêem aquilo que vão achar que fazem parte dos poucos sábios; ninguém lê Schopenhauer dizendo que ou se nasce gênio ou já era e pensa "ah, que droga, eu não nasci nada genial, serei bem medíocre nessa vida". A pessoa sempre se sente feliz achando que Schopenhauer está comprovando a genialidade dela quando, na verdade, ele está dizendo que, estatisticamente falando, as chances de você ser um gênio são baixas.
Não estou defendendo que ninguém se odeie, nem nada do tipo, é só que, se eu puder dar um conselho (e se filósofo não fica ensinando os outros a viver, como é que ele ganha seu pão/status/ego?), ache-se um imbecil e parta daí.
Ache-se um completo idiota e aí tente, bem aos poucos, provar-se do contrário. E se você não conseguir, tudo bem, ao menos agora você sabe que é um idiota, o que é mais sabedoria do que possui a grande massa de idiotas.
Meu estado neutro é me achar uma pessoa bem imbecil, frustrando-me o tempo todo com minha falta de capacidade e intelecto, aí às vezes eu faço uma coisa legal ou eu penso alguma coisa interessante e fico bem por um tempo, até voltar ao neutro. Esse blog tem toda uma coleção de idiotices.
Sei lá quantas vezes eu ofendi as pessoas, um dos meus posts mais visitados é um que falo em "extremo anti-sionismo do idelber", o que é uma babaquice que foi escrita num momento tenso sobre um assunto naturalmente frustrante (não por acidente, esse texto foi linkado uma ou duas vezes como se eu fosse uma autoridade no assunto. Protip: não sou).
Mas outros dos meus posts bem visitados são os resuminhos sobre pré-socráticos que eu fiz uma época em que os estava estudando e esses ficaram bem bacanas; são sussas, introdutórios, enfim. Sentir-se bem consigo próprio deve ser, eu acho, uma recompensa por fazer coisas bacanas. Há um problema quando não conseguimos sentir orgulho dos nossos acertos; mas o contrário - sentir orgulho de si próprio fazendo nada de interessante - é pior, na minha opinião.
O primeiro caso é um problema particular, uma neurosa, depressão, whatever. O segundo caso é um problema social, pois gente que é arrogante sem motivo é um problema para os outros: elas erram mais e seus erros devem ser arrumados por terceiros; elas entram em conflitos, pois acreditam-se sempre com a tocha da moral nas mãos; elas sentem que tem direitos e mais direitos por serem o floquinho de neve especial que são. Não que essas coisas não sejam universais, não que não sejamos essa pessoa irritante de tempos em tempos, é só que o estado neutro da pessoa com auto-estima é o de ser escrota.
2 comentários:
Eu me achei um floquinho de neve especial até ano passado, agora não me acho nada.
Não sei se ser neutra é isso, mas a decepção comigo mesma foi tão grande que agora não espero mais nada. Talvez esse seja o grande começo então.
Agora me senti bem, pensando assim.
Cara,"floquinho de neve especial"...é muito foda.Só isso que eu queria dizer.
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