Um tempo atrás no blog eu escrevi como que religiosos e seculares começavam a parecer tribos distantes, com dificuldade de comunicação.
A hermenêutica de uma época com tal pluralidade de opinião como existe hoje é algo complicado. Não é só uma questão de entender o contexto político e social do texto, mas é preciso também, algo difícil para um contemporâneo, entender o outro.
Digo que é difícil para o contemporâneo porque, para quem está no futuro olhando o passado, todos os lados são "o outro", mas hoje não. Hoje somos alguém, temos uma opinião, tendo uma opinião, temos nosso vocabulário e nossos clichês, nossos axiomas e nossos argumentos irrefutáveis, nossas verdades eternas. Já o outro... O outro também tem essas coisas, mas é uma bagunça.
A pior coisa de ler um texto de nicho é o sentimento de "what the fuck?" que acontece. Sabemos que há um abismo na comunicação quando o que é senso comum para o outro é uma completa falta de lógica para nós. Não só é incomum, como não faz sentido. A relação não existe. O esforço para fazê-la é imensa. Ainda assim, eles o fazem com naturalidade.
Me refiro aqui a um texto que um amigo postou no blog dele.
O que me incomoda com o texto é que eu não discordo dele, mas ele não faz o menor sentido. Ele foi escrito para o outro.
Sobre aquecimento global, eu tomo a posição cética. Existem cientistas falando que há o aquecimento e cientistas falando que não há. Existem forças políticas interessadas na propaganda de que o aquecimento é real e existem forças políticas interessas na propagande de que não é.
É um debate com ruído demais, eu suspendo o juízo.
Suspendendo o juízo, eu adoto a posição segura, tipo Pascal.
Se poluição estiver destruindo o planeta e eu não fizer nada, toda a vida na terra será extinta.
Se poluição não estiver destruindo o planeta e eu não fizer nada, tudo continua igual.
Se poluição estiver destruindo o planeta e eu fizer algo, eu faço minha pequenina contribuição para impedir a extinção de toda vida do planeta.
Se poluição não esitver destruindo o planeta e eu fizer algo, no mínimo estou contribuindo pra qualidade do ar.
A noção de que eu prejudico o mercado de carne ou automóveis com minha vida levemente ambientalista não é uma crítica ao ambientalismo e sim ao capitalismo. Se eu estou tirando o emprego do seu João que mata vaquinhas, eu estou dando emprego ao seu Carlos que planta alface. Se eu estou tirando emprego da GM que vende carros poluidores, eu estou dando emprego à Sony com seus videogames aprovados pelo greenpeace. Por aí vai.
Voltando ao tema do post.
Eu concordo, por exemplo, que esse debate assume um tom assustadoramente apocaliptico e que isso pode bem ser mera "scare tatics" para que as pessoas votem em candidatos ambientalistas. Algo do tipo "vote em mim ou o planeta explode!"
Aqui a questão merece ser estudada com maior cuidado. Evitar usar o carro por ambientalismo é diferente do que votar em um candidato que pode colocar restrições em uma indústria gerando desemprego.
Então eu concordo com o texto que nós temos que ficar atentos sobre quem faz essas previsões apocalipticas, quais são seus interesses políticos, o que eles tem a ganhar com essa versão dos fatos, etc.
Se eu concordo com o texto, porque ele não faz nenhum sentido pra mim?
Porque ele não foi escrito pra mim.
Na verdade, é meio desonesto eu vir aqui e escrever um post a respeito ao invés de comentar no blog dele, mas enquanto eu escrevia o comentário lá, eu pensei que o que eu estava criticando era que o texto colocava religião em lugares que não fazia sentido, mas o blog dele *é* sobre religião. O errado por criticar um texto religioso naquele blog seria eu, mesmo que o texto não faça sentido.
Vamos ao texto.
Antes de começar, uma observação engraçado. O texto começa graciosamente falando de Aristóteles. Isso é uma piada de nicho. Do mesmo modo que a esquerda cita Foucault e Marx pra tudo, a direita iluminada cita filosofia grega e medieval pra tudo. Se esse texto fosse de esquerda, a piada seria algo do tipo 'qual a sua posição em relação ao planeta' e logo respondi 'engajado!'"
Passada a piadinha da introdução, o texto apresenta várias informações interessantes.
Por exemplo, você sabia que o que o ambientalismo, o comunismo e o nazismo tem em comum é o gnosticismo, que é uma recusa em aceitar a realidade, pois a descrença em uma ordem divina faz com que se almeje a criação de uma ordem superior mundana? Pois é amigo, pedir pra você ir na padaria a pé pra que eu respire um pouquinho melhor não é porque eu quero respirar um pouquinho melhor, é porque, assim como um geneticista nazista, eu quero criar o ser humano perfeito.
Você sabia que a origem do ambientalismo é o paganismo e o anti-cristianismo? Não é que pagãos e ouvidores de Enia num geral nutrem de uma natural afinidade intelectual com um movimento político que diz que é preciso proteger as árvores que eles gostam de abraçar, é que um está ligado ao outro e ambos odeiam o cristianismo!!!11!1shift+1
Nesse momento eu estou me perguntando se o autor do texto quer sinceramente que eu o leve a sério. Já é meio esquisito quando o papa se refere ao nazismo como neopaganismo, mas vá lá, um monte de nazistas faziam parte daquela religião de sangue, tinha um monte de gente lá envolvida com misticismo, mas tinha um monte de cristão também. Pessoal podia aproveitar pra irritar seu principal inimigo - o secularismo - e dizer simplesmente que o nazismo era secular, que ele admitia qualquer tipo de doido com qualquer religião, mas por algum motivo, eles decidiram pegar no pé de quem come tofu, então tá, o nazismo é neopagão, que seja.
Aqui o texto entra na sua versão de "scare tatics". Antes o negócio era "se você for ambientalista e estiver errado, não perde nada", agora o negócio é "se você for ambientalista - certo ou errado - você é um anticristão".
O texto vai fazer seus argumentos de porque estão errados, são argumentos que dizem respeito aos cientistas e eu não vou fingir que entendo do assunto só pra puxar sardinha pro estilo de vida que eu escolhi.
Mas *antes* de te dar os argumentos, o texto quer assustar.
Isso é anti-cristão!
É da mesma linha de pensamento do comunismo e do nazismo!
Daqui a pouco eu vou falar de ciência, modelos matemáticos e essa coisa chata, mas antes de fazer você pensar em números eu quero que você pense que se você reciclar essa latinha na sua mão, satanás virá e carregará sua alma imortal para o sofrimento eterno!
E o que me interessa aqui é. Como que um sujeito pretende ser levado a sério fazendo essas relações esquisitas sem nem tentar dar nenhuma prova e simplesmente espera que nós aceitemos assim de graça?
Porque o público alvo dele está acostumado. Esse é um texto de nicho, ele parte do pressuposto de que você lê que o Obama quer assassinar sua avó, que o casamento gay destruirá a família, que os judeus controlam hollywood, mas que temos que apoiar Israel assim mesmo porque é nossa única defesa contra os muçulmanos que são ainda mais cruéis.
Longe de mim dizer que só a direita produz coisas doidas. Passe 5 minutos no CMI (centro da mídia independente) e você vai descobrir que assassinos cruéis estão apenas realizando justiça social, que o plural das palavras ser no masculino é uma opressão misonigista que precisa ser corrigda (a partir de agora o plural de prédio é prédies) e que Cuba e os EUA têm semelhante falta de liberdade política porque a eleição de ambos é indireta.
Mas a questão é coisas doidas não são doidas pra quem está acostumado a ler elas o dia inteiro. Quando o artigo dá uma informação que houve um resfriamento global que cancelou o aquecimento dos últimos 30 anos e diz "alguém leu ou ouviu isso na grande mídia?", ele quer criar um clima de conspiração contra a causa dele. Você sabe, as forças do mal são um exército de Orcs e um olho flamejante no topo de uma torre próximo ao vulcão e as forças do bem é um anãozinho de pé peludo com meia dúzia de gente doida.
Em um contexto normal, é uma coisa ruim que algo não tenha sido dito na grande mídia. Em um contexto normal, significa que a pesquisa em questão não chamou atenção da comunidade científica o bastante pra chamar atenção da mídia, aqui é uma medalha de honra! Parabéns, meu caro, você é baixinho e tem o pé peludo, agora vai lá salvar o mundo, seu grandiosissimo filho da mãe!
Alguma matemática incompreensível para - mas escrita para ser lida por - leigos depois (ao menos pra mim é indiferente, se você diz que a atividade humana correponde a 0,001% da produção de CO2 e depois fala "isso não é nada"; é a mesma coisa que me dizer "isso é catastrófico!"; eu sou leigo, eu sei lá se 0,001% é pouco ou muito) e logo vem de novo a história estranha que ambientalismo é "a nova religião para as populações urbanas que perderam a sua fé no Cristianismo."
Quer dizer que é a nova coisa que praticamos apenas por duas horas durante os domigos e que no resto da semana fingimos dar a mínima pra agradar os idosos da família?
Vale lembrar um detalhe. O blog do meu amigo é sobre religião. A fonte do texto é de um site que não é. É de um site de noticias principalmente políticas.
O problema do texto de nicho é tentar saber qual o propósito da existência dele. Eu acho que é só manter a manutenção de um clima qualquer de senso comum de uma determinada cultura.
Os argumentos que o texto traz é contra o ambientalismo, mas ele é tão de nicho com todas suas referências aleatórias a comunismo, gnosticismo e anti-cristianismo que quem não faz parte dessa cultura que já concorda com o autor antes dele escrever o texto só vai se afastar ainda mais da posição dele. Talvez o cientista que o cara cita é sério, mas como que eu vou levar ele acha que o ambientalismo surge por uma falta de fé no cristianismo? Pra quem é do nicho essa relação faz total sentido, pra eu que não sou, é só conversa de gente doida.
Se o cientista é um cara sério, que bem o texto fez para a causa que ele advoga me convencer que esse cientista sério é uma pessoa doida?
O Einstein era doido de forma bonitinha, ele mostrava a língua e tal. Ser doido dizendo que eu uso uma sacola ao invés de sacos plásticos porque não tenho fé não é bonitinho. Até onde eu sei é que nem dizer que você escuta música alta porque sua parede não é roxa. Veja bem, minha parede é roxa e eu sequer estou ouvindo música agora.
O vitimismo do texto também trai um propósito. Para os outros você não se faz de vítima, para os outros você está certo, seus argumentos são fortes e convincentes. Textos desse tipo servem como um coletivo tapinha nas costas dos participantes da cultura.
Não é como se fossem 3 pobres cientistas desconhecidos contra Barack Obama e Al Gore, como o texto dá a entender, os conservadores norte-americanos detém os programas de rádio de maior audiência e a rede de notícias de tv a cabo de maior audiência do país também. O partido político que passou os últimos 8 anos no poder é, ao menos em teoria, contra o ambientalismo. O partido Republicano tem mais poder nos EUA que o DEM e o PSDB juntos no Brasil. Ser oposição não faz de você um coitadinho desconhecido. Porque o texto compara 3 cientistas com Gore e Obama? Porque não compara esses 3 cientistas contra outros 3 cientistas? Porque não compara Obama com seu concorrente, John McCain, que não ficou tão longe assim da presidência e era fervorosamente a favor de coisas como perfurar petróleo no Alasca e que apoiava a indústria do carvão? Porque não comparar Gore com Bush, um candidato derrotado à presidência contra o concorrente que governou o país por 8 anos, e que passou boa parte de seu mandato enfurecendo ambientalistas?
Faz que sentido comparar a força de cientistas com a força de um presidente e um candidato derrotado à presidência que ganhou quase metade dos votos?
Porque faz parte da narrativa do nicho.
A narrativa clássica conservadora é que há uma batalha entre o leviatã (Estado) e o Livre Mercado.
Por via de regra, o primeiro sempre erra e o segundo sempre acerta.
Então o primeiro tem motivos obscuros e malvados e manipula a mídia e a opinião pública para gerar uma indústria desonesta, bla bla bla; o segundo está intimamente ligado à sobrevivência humana.
De novo, não é o tipo de coisa que eu necessariamente discordo, mas o modo como a narrativa é contada para converter os já convertidos me intriga.
Então, quando a China e a Índia "dizem não" à pactos de emissão de redução de gases, não há interesse político, gente pouco se lixando pra ciência, não há motivos eleitorais, não existem pactos com indústrias e corporações.
É a "realidade econômica", que, de acordo com o texto, é "sem partido".
De um lado nós temos Obama, Gore, Lord Stern, paganismo, anticristianismo, comunismo, nazismo, a falta de fé, o Greenpeace, o comércio do caborno.
Do outro nós temos a ciência, o bom senso e a realidade econômica.
Sim, eu sei, é um texto defendendo um lado. Mas não é preciso ser caricato para defender uma tese. O texto poderia usar os mesmos argumentos e ser levado a sério. Ele poderia falar sobre todos os interesses financeiros e políticos, poderia falar sobre a falta de consenso dos cientistas, poderia dar os dados matemáticos, poderia até esboçar uma sociologia sobre como a falta de religião faz com que as pessoas aderem mais facilmente a tais causas, mas é a narrativa que interessa:
O pensador está vendo televisão, o objeto da grande mídia, que quer lhe convencer a ser ambientalista. Logo ele usa do seu bom humor e Aristóteles para afastar de si essa ameaça.
Logo ele reflete sobre as origens nefastas do movimento. Como ele é o mau, como ele é uma perversão e uma afronta à nossos valores. Como ele é aliado daqueles que foram nossos inimigos em guerras sangrentas.
O movimento também é um inimigo espiritual. Por trás dele há o lucro de pessoas malvadas que censuram e silenciam os bons desbravadores da verdade e da ciência, uns pobres coitados que ousam falar verdade ao poder, mesmo sendo uma luta tristemente desigual.
As provas, demosntradas matematicamente, são irrefutáveis, mas os nosso heróis, pobres heróis, lutam contra monstros. Mas há a esperança, pois se as forças do mau usam da mentira, elas serão sobrepujadas pela realidade e pelo caminho natural das coisas.
Ler um texto de nicho é ler um relato mítico nesse sentido.
Os símbolos fazem sentido apenas se você já é familiar a eles e ser familiar a tais simbolos não é uma questão de conhecimento teórico, mas de convivência em tal meio social.
O objetivo do texto não é apresentar uma nova verdade, mas reencenar um antigo ritual. Todo domingo o católico vai reviver a última ceia e toda coluna de tal autor vai revivar a jornada daquele que fala a verdade ao poder e sofre por isso.
Se eu fosse um deles, eu poderia até dizer que essa é uma consequência de fé no cristianismo, que na falta de crença em santos mártires, essas pessoas precisam reencenar seu próprio pequeno conto de martirismo cada vez que um de seus cientistas tem o relatório ignorado por uma agência governamental, mas eu não vou fazer esse tipo de relação.
Só quero apontar o fato que esse é um tipo de texto que causa mais ruído que esclarecimento. Há um debate aqui e ele deve ocorrer. Muitos dos argumentos do texto são bons e devem ser levados a sério, mas o objetivo do texto não é apresentar bons argumentos, mas sim dar um tapinha nas costas do seu público e dizer "não se preocupe com o que os outros falam, você está certo, leia o meu texto e confirme aquilo que você já sabe".
O problema é que isso causa um isolamento de tal comunidade, no fim, é uma fuga que não faz bem a ninguém.
Você pode até não gostar da minha opinião, mas não é uma boa idéia desaprender a falar minha língua.
42 comentários:
Caro Rodrigo.
Só um detalhe, meu site não é sobre religião, mas sobre Fé e Razão. Não preciso desenhar, né?
Agora sobre seu texto: sinceramente, não sei nem por onde começar, mas vamos lá: Como as coisas pra você se resumem apenas em jogo de forças políticas e comer alface, fica difícil explorar o conceito de religião polícia e gnosticismo, que é a espinha do artigo publicado no site.
Assim, vou fazer o seguinte, vou respirar fundo, reler seu texto e fazer dois convites: Comente isso lá no meu site. Nada demais, apenas pra esquentar a discussão por lá. Comente isso no próprio site do autor do texto.
http://www.midiaamais.com.br/cultura/768-ambientalismo-a-religiao-politica-e-a-politizacao-da-ciencia
Abraços
Obs. Estou relendo seu texto, paciência, faço as coisas em um ritmo quase parando.
É, Francisco, eu estou super afim de entrar em briguinha de internet com gente histérica e doida.
Pô Rodrigo:
Gente histérica e doida só porque apresenta uma concepção de mundo contrária a sua? Haha Pra um pluralista defensor das minorias até que você se sai bem. Nós que não defendemos o pluralismo e as focas nos limitamos apenas em apontar - na medida do possível - o fato de alguma idéia estar certa ou errada, mas doida não, isso já é um salto que nossa lógica não permite nos dar.
Podemos ter a concepção de mundo que for, desde que ela não seja contrária nossa, caso for, eles é que são malucos por defender idéias malucas.
Enfim, entre nós, caro Rodrigo, não há acordo prévio, já que minha histeria e insanidade não me capacita a te compreender.
Que nossas diferenças sejam bem marcadas.
1. Eu sou cristão - cristo verdadeiramente ressuscitou!
2. Defendo a existência dos universais.
3. Adoro uma picanha mal passada e não abraço árvore.
4. Considero o discurso ambientalista mais uma farsa moderna.
5. Defendo a idéia de que sem a Culpa não há moralidade.
6. De que os bichinhos não são agentes morais.
7. Considero a modernidade fascista (i.e. optou pela barbárie, já que optou pelo mito da auto-realização do homem e por negar a idéia de culpa)
etc
---- conclusão:
sou doido e histérico.
Não são suas conclusões, é a mania de achar que quem discorda delas é um infanticida/nazista/comunista/pagão/anticristo, etc etc etc.
1. Parabéns, eu não sou.
2. Parabéns, eu não defendo.
3. Parabéns, eu não adoro.
4. Parabéns, eu não considero.
5. Eu concordo.
6. Eu concordo.
-
7. Isso faz de você uma pessoa histérica e doida. Doida não em um sentido absoluto, mas relativo à mim, que não faço parte do seu grupinho, com os conceitos e a lógica que se aplica somente ao seu grupinho.
Primeiro, eu não sei aonde nossa sociedade nega a idéia de culpa. Todo mundo usa culpa para tudo. Culpa por comer animais, culpa por fumar em lugares públicos, culpa por ser rígido com seus filhos, culpa por não doar para os pobres, culpa por não votar nos políticos que vão fazer os outros doar para os pobres. Isso, claro, são os exemplos dessa esquerda supostamente sem culpa a que você se refere.
Quanto a "optar..."; eu não sei do que você está falando, está falando de uma auto-realização individual a la self made man liberal ou da auto-realização em um sentido mais marxista, no sentido de uma classe trazer à tona um tipo de paraíso na terra, etc?
E sendo o caso de qualquer uma, onde que isso é optar pela barbárie? Sabe, seria muito bom que vocês conservadores tivessem essas idéias em 1940. Vocês poderiam denunciar isso em Hitler, em Mussolini, em Getúlio... ao invés disso vocês esperaram até 2009 pra começar a desenvolver uma teoria sobre o fascismo e agora que desenvolveram, rapaz, como vocês gostaram dela. Gostaram tanto que passaram a ver esse fascismo no Obama, no Lula, na lei antifumo, no ambientalismo.
Fica aqui minha esperança que em 2050 vocês estejam falando sobre o que acontece hoje.
Ah bom, se é doida em relação a você então tudo bem, fico mais tranqüilo. O problema se fosse em relação ao meu grupinho, bom um grupinho de aproximadamente dois mil anos, que inventou nada mais nada menos – olha só – a civilização! Claro, a Ocidental, com todos seus fundamentos, filosóficos, jurídicos, científicos, econômicos, artísticos etc! Bom, deve mesmo ser um grupinho de gente doída, histérica, tapada!
Sobre o optar, também acho difícil a metáfora. Dê uma lida no Doktor Fausto do Thomas Mann, talves esclarece alguma coisa; se não ajudar, recomendo Os Demônios do Dostoiévski, agora se prefere coisas mais abstratas o J-F. Mattéi em Barbárie Interior deve explicar bem melhor do que eu. Os conservadores não tiveram essas idéias em 1940, mas algumas centenas de anos antes disso, na raiz daquilo que se chama de “tradição”.
Você sabe que eu me refiro a algo como "uma subdivisão do neoconservadorismo" ao invés de "cristãos", né?
Don't flatter yourself achando que representa qualquer tradição que não tenha se iniciado com Nixon.
Ah, rodrigo.
Sinceramente, não estava localizando dessa forma seu argumento. Nesse sentido, realmente, fico muitíssimo mais tranquilo e me desculpo.
Claro que subdivisões, pra quem honestamente busca a verdade causa estranheza, aliás, sobretudo para aquele que estabelece a "catolicidade" como pressuposto e horizonte dessa verdade.
Um abraço
Francisco
Francisco, eu nunca disse que era contra o cristianismo, o meu problema é com a tchurminha da hipérbole.
Casamento gay? Fim da civilização e aniquilamento da insituição familiar.
Lei antifumo? Fascismo e nazismo! A busca utópica pelo ser humano perfeito sacrificando os poucos produtivos!
Saúde pública do Obama? Painéis de morte e o assassinato dos idosos!
Enfim, a lista continua.
Isso é o que eu considero histeria.
O problema não é você concordar ou não comigo, o problema é quando você está em um contexto social onde afirmar esse tipo de coisa é senso comum. Aí eu digo que é algo doido, que vocês falam em uma linguagem que eu não compreendo, apesar de conhecer a gramática.
O meu problema é que acho que vocês são o menino gritando "fogo!" cada vez que alguém acende um fósforo. Aí um dia tem um incêndio e ninguém acredita. Vocês reagem de forma tão catastrófica a cada coisa que acontece que o dia que acontecer algo de sério, quem vai prestar atenção? Pior, e se esse dia já chegou e gente que nem eu *já está* anestesiada?
Caro Rodrigo.
Na verdade algo de sério já está acontecendo. Se você não compreende isso, o que eu vou fazer. Não é uma questão de turminha. Há boas razões para eu pensar que hj em dia a civilização ocidental e seus princípios fundamentais estão se deteriorando justamente pq há uma ideologia q compõe o requiem da sua decadência, no entanto isso realmente não significa que ela esteja verdadeiramente em decadência.
Vou te dar um exemplo bem idiota. Ontem assistindo jornal hj, ao lado de minha esposa, vimos uma reportagem - bastante aleatória - dizendo que o berço da civilização foi a africa. Isso tem se tornado senso comum, no entanto é uma mentira descabida pra quem compreende bem o significado real de Civilização.
Enfim
Voltamos a nos falar
Preciso ir.
Um abraço
Voltei.
Por que esse exemplo aparentemente idiota? Na verdade, ele esconde uma ideologia penetrada no senso comum e sem nenhum critério de relação com a realidade vai construindo uma imagem sobre o universo da cultura. Você deve ter estudado um pouco de Gramsci, e percebeu como funciona o programa de revolução cultural.
Você pode até dizer que isso é o fogo de um palito de fósforo, mas é com a difusão dessas pequenas ideologias que se criou, por ex., o absurdo das cotas, parte da liberação do aborto, a PL 122 e tantos outros absurdos jurídicos. É justamente com esse tipo de farsa que a cultural ocidental vem sendo minada.
O problema é o seguinte, e já comentei isso antes, não há acordo prévio entre nossas idéias, presumimos aspectos extremamente contrários a respeito do que é ou não cultura.
Ex1. Eu não acho que vivemos o fim da civilização ocidental, mas tenho certeza q há uma ideologia que sustenta essa idéia e vem minando - fantasiosamente - o fim da civilização. (dei um curso justamente sobre isso esse ano, te envio a bibliografia, e garanto, não há nenhum - como vc diz - hipérbole entre os autores)
Ex2. Eu não acho que a família é uma instituição aniquilada, pelo contrário, mas tenho certeza que há uma ideologia que vem sustentando a idéia de que ela é.
Rodrigo, cara, é sério, vou tem mandar, se quiser, o material de Filosofia que a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo preparou para todos os professores da rede. Se você der boas razões e me convencer de que aquilo não é manifestação pura de uma ideologia, eu paro de dar aulas de filosofia.
Abraços
Francisco
Mas cara, a cultura está sempre em mudança. É a minha treta particular com os marxistas e agora eu vou adaptar à você.
A própria idéia de uma revolução é estranha porque as coisas nunca estão estáveis em primeiro lugar.
Você tem períodos de mudanças mais rápidas e mais violentas, mas o único período pós-Tales de Mileto que eu consigo pensar que a nossa civilização (que você considera como nascendo com Cristo, alguém da tv considera como nascendo na África, eu considero como nascendo na Grécia) não esteve em conflito consigo própria foi durante a época medieval e eu vou chutar que eu só penso isso por ignorância em relação ao período.
Aí sim, nossas concepções diferente de cultura vão atrapalhar a comunicação e tal, mas eu não consigo pensar um conceito de cultura ocidental senão uma cultura que se autocritica. Pra contrapôr, eu penso na cultura árabe, que pra mim é uma cultura com dificuldade de autocritica, que se muda, muda porque nós influenciamos (pra usar um verbo bonzinho, alguém diria "porque nós enfiamos a mudança goela abaixo").
Eu vejo como o início da civilização ocidental (e aqui eu copio/colo a idéia do Husserl) quando a filosofia quebra com a idéia de repetir o passado e se abre para o futuro.
O meu problema - e aqui eu vou citar um cara que eu acho um idiota, que é o ghiraldelli, mas que nisso eu concordo - é que estudante de filosofia vem em duas categorias: marxistas e teólogos. Se você me entrega esse material de filosofia da secretaria de educação, eu tenho certeza que vou concordar com você que há uma ideologia horrível aí por trás. Fuck, esses dias eu prestei um concurso público e fiquei rindo sozinho das perguntas porque era tipo
"Como a história ocorre?"
A) homem de palha obviamente errado
B) homem de palha obviamente errado
C) homem de palha obviamente errado
D) Marxismo
E aí a "certa" era obviamente a opção marxista.
Agora, se alguém te pedir para escrever esse material, eu tenho medo de ver coisas igualmente toscas.
Imagina um material de filosofia pra colégio dizendo que lei anti-homofobia é uma farsa minando a cultura ocidental? Ou que aborto é um atentado contra a santidade da vida, dos direitos humanos e que é eugenia comparável ao nazismo? Ou ainda que ambientalismo vem de um culto à Gaia?
Pior, imagina um material dizendo essas coisas de maneira mais sutil com um ar de senso comum?
Eu acredito que é inevitável que tenhamos alguma ideologia e é inevitável acreditar em coisas doidas achando que é racional. Você pode ver minhas idéias doidas e ideológicas e que só fazem sentido pra quem tem alguma coisa a ver com meu modo de pensar nesses posts que eu começo com alguma fotinho, que você nem comenta porque eu imagino que, sei lá, você olha e põe a mão na cara e diz "meu deus, quanta besteira".
Mas esse tipo de texto eu não espero que muita gente leve a sério mesmo, é uma forma de me comunicar com quem já tem os mesmos referenciais que eu e eu definitivamente não tentaria ensinar nada do tipo pra uma turma de colégio; minha preocupação é não poder dizer o mesmo dos textos de teólogos e marxistas.
Rodrigo.
Nós então concordamos mais do que imaginava.
1. Eu tenho também certeza q nossa civilização nasceu na grécia e é exatamente por isso uma civilização que se auto-critica, porque lá foi formulado (descoberto) os princípios fundamentais do pensamento.
2. Também concordo que a história sofra mudanças, não nego isso, seria um retardado se negasse isso. No entanto, há alguns princípios fundamentais que evidentemente não mudam.
3. Não tenho uma concepção teológica da história e da vida e bem marxista, logo o Ghiraldelli continua falando besteira. Tenho uma concepção - veja só - autocrítica.
4. Eu jamais escreveria um material desse tipo. Jamais mesmo. Você pode, aliás, conversar com meus alunos, nunca defendi uma posição dentro da sala de aula senão o exame constante de todas as questões possíveis. Aliás, parto e devendo a idéia radical de "ceticismo" metodológico, no sentido mesmo de investigação e exame.
5. Não acredito em coisas doidas achando q são racionais. A razão é apenas o que constantemente examina as coisas que eu acredito, sejam elas doidas ou razoáveis. E estou absolutamente pronto a mudar de idéia sempre q for demonstrado que não faz o menor sentido acreditar no que estou acreditando. Pex. do ponto de vista cristão, não nasci cristão, não me formei em catequese aos 13 aninhos e sai defendendo o cristo, pelo contrário, fui ateu até os 25 anos e, sinceramente, defendo o ateísmo como ponto de partida metodológico. Aliás, sempre começo qualquer discussão - com alunos mais entusiasmados com esses debates - sobre Deus, colocando as clássicas refutação sobre o existência de Deus.
6. Enfim, na minha pequena e humilde opinião, a única base comum onde podemos dialogar - cristãos, não-cristãos, ateístas, incrédulos, seja lá o que for - é, justamente, as leis da lógica e os fatos da experiência. Fora isso, sem esse acordo prévio - como dizem os tratados de retórica - não há diálogo e a vida humana vai se tornando insuportável.
Um abraço
Francisco
errata:
3. Não tenho uma concepção teológica da história e da vida e bem marxista, logo o Ghiraldelli continua falando besteira. Tenho uma concepção - veja só - autocrítica.
Ler: Não tenho uma concepção teológica da história e da vida e muito menos marxista, logo o Ghiraldelli continua falando besteira. Tenho uma concepção - veja só - autocrítica, de raízes platônica-aritotélica.
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Splendidly done is sick than extravagantly said.
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A the huan race who dares to atrophy one hour of age has not discovered the value of life.
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Gilda
A human beings begins cutting his insight teeth the initially chance he bites out more than he can chew.
To be a good benign being is to from a philanthropic of openness to the in the seventh heaven, an ability to guardianship unsure things beyond your own restrain, that can lead you to be shattered in unequivocally exceptional circumstances on which you were not to blame. That says something very weighty about the get of the principled compulsion: that it is based on a trustworthiness in the up in the air and on a willingness to be exposed; it's based on being more like a spy than like a prize, something somewhat tenuous, but whose acutely special handsomeness is inseparable from that fragility.
To be a noble lenient being is to from a amiable of openness to the far-out, an ability to guardianship unsure things beyond your own manage, that can front you to be shattered in very outermost circumstances on which you were not to blame. That says something exceedingly impressive about the fettle of the principled life: that it is based on a corporation in the up in the air and on a willingness to be exposed; it's based on being more like a shop than like a prize, something kind of tenuous, but whose very precise attractiveness is inseparable from that fragility.
Distress ferments the humors, casts them into their meet channels, throws eccentric redundancies, and helps nature in those confidential distributions, without which the association cannot subsist in its vigor, nor the man dissimulate with cheerfulness.
To be a upright lenient being is to be enduring a make of openness to the world, an cleverness to guardianship uncertain things beyond your own pilot, that can front you to be shattered in hugely extreme circumstances on which you were not to blame. That says something very weighty with the prerequisite of the honest autobiography: that it is based on a trustworthiness in the up in the air and on a willingness to be exposed; it's based on being more like a weed than like a treasure, something kind of fragile, but whose very precise attractiveness is inseparable from that fragility.
In everyone's existence, at some dated, our inner pep goes out. It is then bust into enthusiasm by an encounter with another magnanimous being. We should all be under obligation quest of those people who rekindle the inner spirit
I don't like the earshot of all those lists he's making - it's like taking too many notes at high school; you sense you've achieved something when you haven't.
In everyone's time, at some dated, our inner fire goes out. It is then burst into flame beside an be faced with with another benign being. We should all be indebted for those people who rekindle the inner transport
In harry's time, at some dated, our inner pep goes out. It is then bust into flame at hand an be faced with with another human being. We should all be glad for those people who rekindle the inner transport
In harry's life, at some dated, our inner pep goes out. It is then break asunder into passion by an encounter with another magnanimous being. We should all be indebted for those people who rekindle the inner inclination
In the whole world's life, at some occasion, our inner fire goes out. It is then break asunder into enthusiasm beside an be faced with with another hominoid being. We should all be glad quest of those people who rekindle the inner inspiration
In harry's life, at some dated, our inner pep goes out. It is then blow up into zeal beside an encounter with another human being. We should all be under obligation for the duration of those people who rekindle the inner inspiration
In the whole world's life, at some pass‚, our inner foment goes out. It is then blow up into passion by an contend with with another human being. We should all be thankful quest of those people who rekindle the inner transport
In every tom's sustenance, at some dated, our inner pep goes out. It is then break asunder into flame at hand an be faced with with another benign being. We should all be thankful for the duration of those people who rekindle the inner inspiration
In every tom's time, at some time, our inner fire goes out. It is then break asunder into flame at hand an face with another human being. We should all be glad for the duration of those people who rekindle the inner inclination
In the whole world's life, at some time, our inner foment goes out. It is then bust into flame at near an encounter with another benign being. We should all be under obligation quest of those people who rekindle the inner inclination
In the whole world's life, at some pass‚, our inner pep goes out. It is then bust into zeal by an face with another human being. We should all be under obligation recompense those people who rekindle the inner inclination
Sildenafil citrate, sold as Viagra, Revatio and beneath different other trade names, is a antidepressant utilized to scrutinize erectile dysfunction and pulmonary arterial hypertension (PAH). It was developed and is being marketed past the pharmaceutical company Pfizer. It acts next to inhibiting cGMP individual phosphodiesterase type 5, an enzyme that regulates blood go in the penis. Since enhancing convenient in 1998, sildenafil has been the prime treatment an eye to erectile dysfunction; its primary competitors on the bazaar are tadalafil (Cialis) and vardenafil (Levitra).
Sildenafil citrate, sold as Viagra, Revatio and under a variety of other patrons names, is a medicament familiar to scrutinize erectile dysfunction and pulmonary arterial hypertension (PAH). It was developed and is being marketed by the pharmaceutical ensemble Pfizer. It acts nigh inhibiting cGMP individual phosphodiesterase classification 5, an enzyme that regulates blood go in the penis. Since seemly readily obtainable in 1998, sildenafil has been the prime treatment recompense erectile dysfunction; its outstanding competitors on the bazaar are tadalafil (Cialis) and vardenafil (Levitra).
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