Ganhei hoje (ou ontem, sei lá, perdi noção de tempo) Little Big Planet!
Little Big Planet é 1/3 jogo. A equação inteira é
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Little Big Planet é um jogo de plataforma em 2D com os melhores gráficos que qualquer jogo de plataforma em 2D já teve.
Ele se baseia em conceitos bem simples, elegante, minimalista, ilimitado como um smiley que com seus dois pontos e um risco curvado representam o sorriso de todas as pessoas do mundo.
A primeira vez que Little Big Planet inicia, o que nos recepciona é um filme! Um sujeito dorme em cima de sua mesa e enquanto imagens de várias pessoas dormindo com figuras coloridas saindo de seus pensamentos passam pela tela, o narrador nos conta sobre como os sonhos da pessoa eventualmente se concentram em um lugar e formam um pequeno grande planeta.
Isso pode parecer bobo ou piegas, mas todo o conceito gira em torno disso. Da direção de arte ao modo como se joga, se cria, se compartilha. Little Big Planet é o lugar mais puro da existência. É um universo infinito feito de sonhos.
Logo após a abertura, o narrador nos apresenta ao Sackboy.
Sackboy representa tudo que eu disse acima. Na sua simplicidade, ele é infinito.
Embora você primeiro seja apresentado a criaturinha marrom vestida apenas de seu zíper, logo encontramos roupas, óculos, chapéus, calças, sapatos, etc.
Apesar do número ilimitado de Sackboys que você encontrará em sua jornada online, dificilmente haverão dois iguais.
No começo eu achei difícil me despedir do visual clássico em prol desse ou daquele acessório, mas foi ver o quão adorável sackboy ficava de sombreiro e bigode e mudei de idéia.
Agora toda vez que entro em meu pod (chego lá) a primeira coisa que faço é apertar o "random" e ver que tipo de combinação bizarra vai me surgir.
Um favorito particular foi um sackboy(girl?) com vestido de noiva, cara de palhaço, bigode e bandana ninja.
Assim que você tem controle de seu sackboy, o narrador te explica os movimentos básicos. Assim como a aparência de Sackboy, aqui mais uma vez a simplicidade é utilizada para abrir as possibilidades ao máximo.
Tudo que você precisa para completar todos os níveis do jogo é correr do ponto A ao ponto B no ambiente 2D e pular.
Escrevo isso após 6 horas seguidas jogando (porque começou a chover, mas antes da chuva tinham sido outras boas 4 a 5 horas seguidas de jogo). É assustadora a quantidade imensa de desafios que podem ser enfrentados com um parzinho de pernas de veludo.
Os estágios que vêm no disco do jogo (o story mode, ou "just the beggining" como lembra o troféu) dão uma amostra excelente da quantidade de desafios. As fases são gigantes, horizontal e verticalmente, de Savanas, passando por metrôs, templos e bunkers, o genial de Little Big Planet é que a única coisa que parece ser de verdade é essa criaturinha de pano que você controla.
As pessoas com quem você fala, os inimigos que enfrenta, os veículos, as alavancas, o cenário, são todas coisas feitas de papelão e cordas.
Se um inimigo se move, é porque ele tem um motorzinho, se fantasmas descem do teto e sobem novamente, é porque estão presos em elásticos, se um personagem tem de fato um corpo com uma cabeça e braço, é porque são pedaços de papelão amarrados em cordas.
O ambiente todo seguem as leis da física particulares desse mundo.
Em nenhum momento do story mode, das fases que vem com o disco, há a impressão de que as pessoas que desenvolveram o jogo estão te trapaceando usando seus poderes de programadores para fazer com que algum inimigo obedeça uma física diferente da sua, ao mesmo tempo, essa sólida (e floaty) fundação é o que garante a coesão da multiplicidade ilimitada de Little Big Planet. Tal como o Deus de Leibniz que é perfeito por criar o infinito a partir de poucas regras simples, em Little Big Planet há uma regra simples:
A única coisa que se move por conta própria é Sackboy e todo Sackboy encontrado no jogo é outro humano conectado em alguma parte do mundo.
Tudo que não for Sackboy se move por cordas, elásticos, motores, propulsores, alavancas, etc. Mas tudo tem uma explicação, todo ser obedece as regras do jogo (isso é importante para a seção seguinte).
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A seção "Play" oferece como recompensa para desafios adesivos.
Adesivos com rostos, animais, cores, etc. Além de objetos como bolas, flores, cubos, carros, formas de papelão, etc.
O desafio grande de Play é conseguir 100% desses itens (ainda estou longe disso). Mas para que essas coisas todas?
Como dito, Little Big Planet é 1/3 jogo.
O segundo terço é que todo a seção jogo, bem consolidada nessas regras que o pequeno grande plaenta cria pra si próprio, foi feita utilizando ferramentas que o jogador também tem acesso.
Por isso é importante que todo inimigo ou personagem se mova por corda ou motor, porque tudo que existe no jogo, você é capaz de criar e a solução de Little Big Planet para evitar que criar seus próprios estágios fosse apenas uma interface de programação (como os RPG makers, digamos), o que a direção de arte e a programação andam genialmente de mãos dadas é que você constrói um estágio de Little Big Planet como se construísse um trabalho escolar do jardim de infância.
Quer um inimigo? Pegue uma das formas pré-feitas ou crie a sua própria usando as ferramentas geométricas, pinte da cor que quiser ou coloque os adesivos conseguidos no "Story Mode", coloque um olho (para sinalizar que é um ser vivo), duas rodinhas e um "cérebro" com uma dada função (seguir, evitar ou ignorar - aqui o cérebro serve de motor também) e pronto, você tem um inimigo que pode ser derrotado caso o jogador consiga alcançar o cérebro.
Quer fazê-lo mais ameaçador? Coloque um motor giratório com uma cone armado de espinhos ou eletrizado ou em chamas e você tem um inimigo bem ameaçador! Quer mais? Depende da sua imaginação apenas.
Agora a pouco, jogando uma fase criada por outro jogador baseada no guerra das estrelas, eu tinha que, em determinado momento, desviar das pernas gigantes de um robô do império (aquele do começo do Império Contra-Ataca, que parece uma tartaruga).
O mágico de Little Big Planet é que ele faz sua versão de tudo. Você vê os fantasmas com as cordas amarradas, vê que os búfalos são pedaços de papelão pintado mal escondendo suas rodinhas, vê que o macaco é uma coleção de juntas, não importa. O desafio de Create é apenas decidir quantas cordinhas, elásticos, motores e propulsores você precisa para criar sua própria versão de papelão de um inimigo ameaçador.
É uma brincadeira de criança. A criança sabe que a espada dela é de plástico e desde quando isso estraga a diversão? Ser de plástico permite que a espada seja ao mesmo tempo uma arma mortal e inofensiva. Little Big Planet é pra onde vão nossos sonhos. As ameaças que vemos nos sonhos são isso. Ao mesmo tempo que são ameaçadoras, elas são de mentirinha e ver algo impressionante dentro de Little Big Planet satisfaz em todos os níveis.
Em primeiro lugar há o senso de admiração em ver o que alguém pode fazer com essas ferramentas e em segundo lugar há o senso de entusiasmo em pensar que apenas sua imaginação o limita de fazer algo tão impressionante!
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E imaginação é o tema.
Há uma quantidade impressionante de estágios feitos por jogadores, todos publicados para qualquer um jogar sozinho ou com até 3 sackboys(girls?) o acompanhando, que se baseiam em algo que parece um veículo em que uma alavanca aciona uma propulsão na potência máxima.
Parece que essa é a primeira coisa que passa na cabeça de todo mundo. Eu mesmo não criei meu level, estou ainda um pouco intimidado pela quantidade de coisas que eu posso fazer (embora já começo a pensar no esquema de um estágio chamado "Nihilistic Plataformer"), mas dado uma quantidade IMENSA de espaço e as ferramentas para fazer, de mentirinha, com papelão e cordinhas, o que você quiser. O que você faz?
Os jogadores não desapontam! Você faz algo rápido que explode quando bate numa parede!
Passados os clichês, as homenagens a filmes e os remakes de outros jogos, quando as portas da imaginação se abrem. Vemos que esse é um jogo que vai durar pra sempre.
Níveis complexos, com direções de arte bizarras, surpresas, armadilhas, puzzles; o próprio "guerra das estrelas" que alguém fez que eu mencionei antes. Você desvia das pernas robóticas, aciona foguetes, muda de localização, tem que desviar de explosivos, acionar botões atrás de armadilhas, lutar contra o gelo (ok, o material na verdade é "vidro", mas a gente finge que é gelo por causa do cenário) escorregadio e isso tudo em uma fase que é mais uma homenagem ao Star Wars do que um estágio propriamente dito.
Os infinitos níveis ficam distribuídos em algo claramente inspirado pelos Youtube da vida.
Você seleciona "community" de um menu e logo te aparecem umas dezenas de opções de "cool levels"; apertando a função "search" você pode pesquisar pelo "highest rated" (tem o rating de 1 a 5 estrlas), pelos mais "hearted" (você pode colocar um coraçãozinho nos estágios que gosta), pelos mais jogados, pelos que estão sendo mais jogados agora, por tags (pré-definidas, mas imensas, como "ugly", "artistic", "hard", "cute", "boring", "braaains..." e tudo mais que puder pensar), por descrição, pelos níveis dos seus amigos da Playstation Network, pelos níveis que eles jogam, pelos níveis do amigos deles, pelos níveis que os amigos deles jogam, enfim, achar o que jogar não é problema e o único problema é o eventual estágio mal feito, que assim como os vídeos mal feitos do Youtube deveriam ser a norma, mas as ferramentas de criação garantem que mesmo uma fase mal feita tenha a sua diversão, afinal, tudo se baseia no princípio de correr e pular. Não dá pra errar demais com isso.
Enquanto escrevo esse post vou tendo idéias para o meu "Nihilistic Plataformer", penso em como trabalhar certos dialogos enquanto o jogador pula de plataforma em plataforma, como colocar um twist no final, tanto em termos de direção de arte como em termos de jogabilidade, como fazer para ser difícil sem ser frustrante e acessível sem ser fácil.
No fim, eu vou ter que dizer que a maior realização de LittleBigPlanet é algo maior que videogames, é algo maior que qualquer mídia com que tive contato nos últimos anos. Para todos os indies lendo isso, é algo que acho que apenas Amelie Poulain, Twee Pop ou "Meu Coração Não Sei Porquê" dos gêmeos Bá e Moon conseguem.
Little Big Planet nos oferece uma habilidade que nos é absolutamente difícil nos dia de hoje:
É a habilidade de sonhar sem nos sentirmos constrangidos pelos cínicos.
Um comentário:
joguei bem pouco..mas foi realmente impressionante =) adoro esses "bonequinhos"
cintia
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