segunda-feira, outubro 29, 2007

Fotologgers celebridades

Estava lendo o engraçadissimo blog "anti fotologger" e pensando em algo a dizer a respeito.
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Não queria entrar nessa coisa tosca de "sou contra" ou "sou a favor" ou "deixa eles fazerem o que quiserem" ou "essa gente é burra" que, afinal, tudo que acontece no mundo dos humanos gera esse tipo de postura.

Mas só pra dizer algo, acho que o acaba *machucando* nos blogueiros que esses fotologgers virem celebridades é porque a internet teve três fases que passaram muito rápido. (e isso eu pensei lendo o textinho da rebs no alcool com açucar impresso)
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Primeiro, só os nerds tinham internet e só falavam sobre videogame e RPG (eu até gostava dessa época), então pessoas com de fato algo a dizer tiveram acesso e criaram blogs e começaram a escrever coisas, eis que a internet estava *começando* a se tornar quase que um platônico mundo das idéias. Era um lugar sem aparência (pouquissimas fotos que tinham que ser *escaneadas* - vídeo então nem sonhando), onde as pessoas expunham suas idéias, não era o mundo das idéias essenciais e certas por definição, mas enfim, era um lugar formado pela linguagem.
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Antes que isso pudesse de fato se concretizar, em termos de pouquissimos anos, as maquinas fotográficas digitais se tornaram populares e então, bem... a internet ficou tão enfadonha quanto a vida real.
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Mas não foi só isso que aconteceu; teve alguma mudança de valores em relação a internet também.
O que aconteceu foi uma gradual ligação da internet com o mundo fora dela.
Fazer a analisezinha histórica tosca de novo.
Antes era uma coisa de nerds e seus mundos imaginários, então foi para o mundo das angústias internas, dos debates políticos, dos textos de opinião sobre assunto X e já não é o mundo imaginário, mas também não é o dia a dia, quando "se tornar popular na internet" se transformou em "se tornar popular na vida real", uma linha bem vital foi apagada. Quando "se tornar popular no colégio" se traduziu em "ter um fotolog que o pessoal do colégio gosta de ver", eis que a porta se abriu para que os *vícios* do mundo real contaminassem a internet.
O resto é detalhe.
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Que tipo de coisa é detalhe?
Bem, o fato das marimoons e suas cópias, das pessoas se dizerem bissexuais, tirarem fotos com vinte pessoas se beijando ao mesmo tempo, tudo isso é detalhe, vai por mim.
Poderiam ser pessoas lotando a internet com imagens de santo ou com fotos da igreja que frequenta. Poderiam ser hordas de adolescentes que ao invés de gritar "bissexualidade" grita, sei lá, "sorvete", isso tudo é detalhe.
Poderia até nem ser imagem. Essa gente poderia estar lotando a internet com poesias, com receitas de bolos, com manuais sobre "como ser hacker".
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Os valores exatamente que essas pessoas abraçam indiferem, nem elas sabem direito o que são.
O importante, na minha opinião, é a linha que se apagou entre a internet e o colégio e a consequência lógica disso; a internet se tornando uma imensa high school.
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O problema disso é que aconteceu dessa "entidade" chamada adolescente deixar de ser uma faixa etária e englobar tudo. Não há mais idade para ser um adolescente, é mais uma questão de atitude mesmo; se você age de maneira X você é um adolescente, quer tenha 12 ou 30 anos.
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E o que *dói* nas pessoas é essa inversão do platônismo.
Nesse caso, a Marimoon é MESMO marxista.
Porque de acordo com Platão, o mundo material era uma cópia tosca do mundo das idéias, já o marxismo diz o contrário, que são as idéias que copiam o mundo material.
Marimoon faz exatamente isso, ela pegou o apartamento dela, as roupas dela, a faculdade cara dela, tudo isso e transportou pro mundo das idéias e tendo ela dinheiro e sendo isso algo dependente de tecnologia, o que aconteceu foi ela ter comprado a primeira cadeirinha desse mundo que logo se tornaria barato e logo estaria populado por cada vez mais adolescentes.
Ou seja, é um mundo onde você pega suas coisas materiais (principalmente seu corpo porque é a coisa material que você tem acesso mais direto) e transforma em idéia.
É por isso que fotologs tendem a ser iguais, ele é simplesmente *empírico* demais e o mundo empírico se esgota rápido demais.
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Então começa com "meu rosto", aí passa pra "meu corpo", então "minha roupa", aí "meu cabelo", então "minha pose" e logo vai se esgotando as possibilidades, afinal, é enfadonhamente parecido com o mundo real.
Então mais uma vez a marimoon se torna o marxismo personalizado.
Ela não consegue separar o material da idéia, mas quer que a idéia pareça algo maior que o material, então o mundo das idéias se torna uma cópia tosca e exagerada do mundo real.
Se fossem cristãos ao invés de "liberados sexuais", estariam então tirando fotos de ângulos inesperados de suas igrejas, estariam photoshopando imagens próprias para parecerem mais angelicais, mais puros, estariam logo apagando suas genitais com o photoshop para parecerem mais perfeitos do que realmente são.
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Mas sendo como são, fazem o que fazem; não gosto de materialismo exatamente porque o material se esgota rápido demais e como a Marimoon é marxista e materialista, o material dela se esgotou rápido demais, então ela precisa liberar de vez em quando um pouco de nudez, precisa de uma pose nova, precisa de uma foto diferente. Mas oras, quantas vezes uma pessoa pode ser fotografada de maneira diferente?
Os fotologgers tentaram, afinal, transformar a internet em um elogio a si próprios, elogios pomposos que, como os bons elogios, são maiores que a vida. É óbvio que o resultado ficaria ridiculo. Quem não dá risada do glutão que se gaba do seu auto-controle?
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Isso é ideologia, caros. É a idealização do material.
Marimoon como boa marxista e burguesa só faz o que marx diz que os burgueses fazem.
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Nada de novo. Só mais colorido.
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Quanto as pessoas que se incomodam com isso.
Bem, é triste que o nosso mundinho das idéias tenha sido invadido pela vulgaridade e mediocridade da realidade, mas isso era inevitável. Então que ajamos como fazemos na realidade.
Deixe os medíocres com seu gregarismo. Sou elitista lá, serei elitista aqui.
Existe um ressentimento por essa impressão que perdemos nosso espaço para algo mais tosco.
E de fato, isso aconteceu, mas não é a primeira vez e ressentimento é uma coisa ruim, tem algumas vezes naquele anti-fotologger que a pessoa que escreve sacrifica a inteligência em prol desse ressentimento.
É fácil nesse post apontar alguma ou outra frase que diz "você só está tristonho porque dão atenção pra essas pessoas e não pra você" e eu não vou fingir que isso não machuca. Internet costumava ser um espaço onde era fácil ser reconhecido pela sua inteligência, coisa que não acontecia no mundo real, agora se tornou difícil de novo. É uma repetição do colégio. Você faz textos lindos, mas a única pessoa que elogia é a professora, mas as 50 pessoas ao seu redor se dividem entre te ignorar e te achar um imbecil por ser diferente.
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Mas digo isso por mim. Doeu ser diferente no colégio, ainda dói; doeu ver pessoas estúpidas ganhando atenção sendo óbvias, ainda dói; mas passa. Daqui a pouquinho vou pra sala pegar meu Kant e estudar. Afinal, elitismo se torna sobrevivência, as pessoas vão sempre preferir os óbvios; a internet nos deu uma ilusão de mudança, mas a internet é tão mundo quanto o mundo encarado pela tela do computador, era inevítavel que a mediocridade se tornasse lei mais cedo ou mais tarde.
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Ainda dói.
Mas ainda existe aquela coisinha, de se olhar no espelho e dizer, *realmente dizer*, sem ser uma auto-afirmação vazia, que sua dignidade está mantida; que seu centímetro está preservado.
E dói. Mas faz um bem.

2 comentários:

Anônimo disse...

Sou da massa gregária. Acho isso porque as idéias que eu passo geralmente têm um quê de frustração démodé. Ahm, o Wagner simplesmente me diria "Achismo? Você e suas falácias" - Haha, bem nessa.

Anônimo disse...

Hey, falando em fotologs, depois vide o meu, postei a Romina - Ela não gosta muito de Kant, haha, mas é compreensível (Pqp, Ascurra dá três Mezzanos!), :P x***