segunda-feira, outubro 08, 2007

Estava fuçando o orkut de um amigo antigo meu (com quem eu não converso - de propósito - sem motivo senão falta de vontade - faz uns 5 anos).

Pra começar, sempre espanta como o tempo passa rápido, essa sensação de ter memórias vívidas de acontecimentos de uma década atrás... isso não é legal, é quando você percebe que há 10 anos atrás estava se apaixonando pela primeira (em uma sala de chat! Há! Por uma menina que tinha uma personagem que tinha 12 anos, mas que na real era bem mais velha) é quando você percebe como é que o tempo não volta.
Digo, nós sempre sabemos que o tempo não volta (porque tempo é só uma intuição pura do pensamento e sua regressão iria contra as leis do entendimento - haha - ).
Enfim, esse amigo em questão (que eu não vou dizer o nome pra ele não googlar e achar isso - porque uma coisa que é diferente do eu de hoje e do eu de antes é que o eu de hoje quer manter algumas coisas escondidas de algumas pessoas... mas o cunha vai sacar quem é... mas o cunha nunca lê essas porras de posts) tocava bateria, aliás, ele tocou na banda do cunha e ele abandonou essa banda e a gente nunca entendeu ele.
Nós sempre sabíamos que tocar bateria era a vida dele, mas ele nunca parecia estar se dedicando direito a isso. Ele ensaiava, mas parecia sempre ter medo de levar isso adiante. E eu julguei ele muito por isso.
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No orkut dele tem uma foto dele ganhando um prêmio de melhor bateirista sei lá da onde (mas tinha uma porrada de gente na audiência vendo ele ganhar o prêmio) e ele está tendo aula em conservatório e... enfim, ele sabia algo que nós não sabiamos, abandonar bandas que tinham tudo pra dar certo não era um jeito de desistir de projetos, mas sim de se focar direito no que ele queria fazer e não se distrair pelo que não queria, mesmo que isso fosse eventualmente dar certo.
O lado mais dificil de fazer escolhas é deixar coisas pra lá e somos tão bombardeados diariamente por frazezinhas de efeitos do tipo "é melhor tentar e se arrepender do que nunca tentar" e não necessariamente, o tempo rola, as coisas acontecem, é preciso coragem e visão pra saber que estradas você não vai nem tentar tomar.
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Eu já visualizei todo tipo de futuro pra mim; um dia eu seria um profissional de radio e tv, no outro eu seria algum tipo de escritor, então roteirista, aí roteirista de quadrinhos, então teria um site e falaria sobre música e agora filosofia.
Dessas coisas todas eu só espero continuar sendo roteirista, mas agora não tenho nenhuma pretensão em fazer carreira disso, só espero poder continuar escrevendo os melhores fanzines do mundo pra sempre, acho que eu vou ser publicado um dia, mas não está na minha lista de prioridades.
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Minha prioridade atual é a filosofia.
Eu estou decidindo agora abandonar a idéia de fazer um site. Não achei webmaster quando eu tinha saco de ter o site e agora não tenho saco mais, música pra mim não é mais o que era.
Na época em que eu trabalhei escrevendo sobre música (sem receber, pois a revista em questão foi a falência), eu achava que gostava de escrever sobre música, pensando hoje, eu não sou bom nisso.
Em termos de jornalismo, na minha curta carreira, teve UMA coisa boa que eu fiz, um único texto que eu senti orgulho imenso e esse texto foi uma biografia do Damien Rice (alguém que eu nem gosto muito) pra revista transamérica (por esse sim eu recebi - haha), mas a minha postura ao escrever essa biografia foi a de que eu estava relatando um épico e eu não mudei nenhum fato, mas eu dei a elas uma grandiosidade linda e tornei heróica a vida desse cara e, afinal, música pra mim não é o que costumava ser.
Não quero mais me importar com os lançamentos mais recentes, eu encontrei o tipo de música que eu gosto, que é twee pop ou indie pop ou simplesmente música alternativa que também é bonita e eu não quero mais falar a respeito, eu quero só ouvir e eu não me importo as bandas que vêm ou não pro Brasil, mesmo essas bandas que eu gosto, não quero ver seus shows, quero só ouvir suas músicas, aqui mesmo, em MP3 de qualidade duvidosa, com fone de ouvido, em madrugadas que eu deveria estar dormindo.
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Como carreira me resta a filosofia e mesmo isso eu me pergunto se quero seguir como carreira profissional... eu acho hoje que quero estudar filosofia pra sempre (como eu achei antes que iria querer fazer outras coisas pra sempre), mas essa área, assim como toda área, tem muita máfia, muita dor de cabeça.
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Se a carreira de filosofia for, de fato, dar aula - estudar - escrever, isso me parece perfeito. Até dar aula, que eu costumava ver como um peso, hoje é algo que eu quero fazer, que eu quero tentar ao menos, mas eu não quero... tsc... .... eu não quero ter que dar satisfações a ninguém, não no sentido "emprego" da questão, mas no sentido filosofia mesmo, eu não quero ter que explicar porque o que eu estudo é útil ou interessante, porque, no momento, eu tenho certeza que meus interesses na filosofia são tão inúteis quanto possível e quanto a interessantes... bom, digamos que eles não fazem parte do interesse de ninguém... você não pode usar o que eu estudo como base de nenhum projeto pedagógico, não pode usar como base de nenhuma plataforma política, não pode usar como auto-ajuda e enfim, ninguém que vive no mundo se interessaria por isso.
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Porque na verdade, é essa visão de filosofia que eu tenho tido ultimamente, que filosofia é justamente um estudo desinteressado da realidade... digo, não é possível ser completamente desinteressado, mas não é algo que eu possa justificar pra alguém porque eu estou estudando senão pelo fato que eu acordei afim.
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E claro, como pessoa eu dou minha opinião sobre assunto que eu quiser, mas e como profissional? Eu não posso ajudar ninguém a viver melhor, não posso dizer qual presidente é o mais indicado, qual plano econômica é o mais vantajoso, não posso te dizer como se livrar dos seus medos, como ser feliz, nem como comer melhor. Pelo menos não por enquanto, se um dia meus estudos me levarem pra esse lado tudo bem, mas por enquanto eu não consigo dizer muita coisa além do que explicar porque vemos 3 dimensões ao invés de 17 ou porque vemos as coisas como unidade enquanto por trás delas existe todo um caos metafísico.
E mesmo essas coisas não se pode provar.
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Esses dias um professor citou Quine quando ele disse que "na filosofia não estar certo, mas tem estar errado".
É um ramo legal esse, a sua única possibilidade de sucesso é que não descubram aonde você está errado, porque você também não tem como provar que está certo.
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Enfim, eu só quero uma vidinha tranquila.
Mas eu sempre escolho os caminhos mais bélicos.

Um comentário:

Unknown disse...

Acabei de conhecer o seu blogger por acaso e, adorei!!!
Li algumas passagens mais antigas:
"eu vivo me pegando com aquela sensação de que estou tentando abocanhar algo muito maior que minha boca... será que é por isso que eu tenho tantos sonhos em que eu estou com a boca aberta e minha mandibula trava e eu não consigo fechar?
Ou será simplesmente porque eu falo tanto o que não devia?"
- não resisti! Muito bom.
Só não tenho muita familiaridade com blogs então não sei se vc escreve em outros lugares.
Adoraria saber.