Oh, a distância entre nós e a realidade.
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Existe, entre nós e a realidade como ela realmente é, a intransponível barreira do sujeito que a observa. Desse ser por detrás dos nossos olhos que só capta uma informaçãozinha aqui e ali sobre essa realidade.
Toda a realidade acaba por se resumir a sinais elétricos no cérebro... não é possível que alguma informação não se perca nessa transformação. Não é possível que algo não seja transformado e, ao invés de ser belamente transformado em dados pelo nosso corpo, simplesmente nos atinja como um trem, direto no coração, nos deixando atordoado e confusos... ou ainda que não nos atinja e continua aí, a ajudar a mover o universo, livre do fardo de ser estudado por humanos.
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E quanto àquilo que conseguimos pegar da realidade? E quanto daquilo que entra em nossos olhos e nossa pele e se faz perceber? Ainda isso tem que se organizar de acordo com nossa mente. Tem que ocupar seu lugarzinho no espaço e no tempo, tem que ter uma substância, tem que ser nomeável, tem que ser formado por universais, tem que se distinguir do todo ainda fazendo parte dele, tem que ter uma unidade própria. Regrinhas e regrinhas de nossa mente para fazer uma realidade quadrada caber em um buraco redondo. É só aparar umas arestras.
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E depois que aquilo faz parte do nosso mundo percebido? Depois que ele se adequa a todas as regrinhas? Ainda resta a barreira da nossa razão e nossa razão precisa se adequar as regras dos nossos preconceitos.
É preciso que aquela coisa seja boa ou má ou gostosa ou ruim ou benéfica ou nociva ou vinda de Deus ou vinda da exploração ou vinda do mercado ou aqui pra isso ou praquilo.
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E se tirarmos os preconceitos da razão? Ah, ainda sobra a ciência... é preciso dissecar, cortar, olhar no microscópio, então em um microscópio mais potente, então em outro mais potente ainda, é preciso decidir se está olhando com olhos da física ou da química e é sempre preciso olhar mais perto, sempre mais perto e nunca chega ao fim, tem sempre uma pecinha menor, sempre um pedacinho após a divisão, sempre alguma quantidadezinha de energia errática que ainda está lá, é preciso olhar mais de perto e mais de perto.
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E depois que olhamos de perto o bastante? É preciso aprender a falar, para traduzir aquilo que vimos em conceitos para nós mesmos. E temos uma linguagem limitada, temos uma meia dúzia de palavras para descrever uma infinidade de coisas e modificamos essas palavras a nosso bel prazer, damos a elas significados novos, ressucitamos significados antigos, às vezes estamos por demais no senso comum, às vezes somos demasiados técnicos, estamos vendo, mas precisamos entender, então precisamos escrever em um caderninho, mais regrinhas da realidade, mais transformações, mais informação perdida, mais informação ignorada.
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E depois que escrevemos? Oras bolas, é preciso que os outros entendam! É preciso que dentro da cabeça deles, de alguma forma, a palavra que você usou para si próprio (e que já foi um bocado díficil definir para si próprio) tenha o mesmo sentido, é preciso que se comuniquem, é preciso que o que você tenha visto ele também veja, é preciso conciliar opiniões, pontos de vista, preconceitos, problemas de visão, mais informação perdida, mais um tanto da realidade que fica pra trás.
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Muito complicada essa história de realidade.
Prefiro minhas historinhas de amor.
3 comentários:
Oh, mas é uma história de amor à realidade. No entanto, mais comuns são as histórias de ódio à ilusão. Construtiva ou destrutiva, sempre A Paixão. Desde os gregos até o marginalizado Hoje, nós sabemos os efeitos e, em contra partida, duvidamos as causas. Ora, uma dose de whisky pra engolir toda essa loucura! Pois que seca, a ingestão pode então complicar... Beijão, Rodrigo! ;) Bom sábado.
a realidade ..eu tenho medo dela
Citei você hoje no meu post! ;)
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