sábado, agosto 27, 2005

Chovendo Contra.



Pois é, meses de trabalho, stress, festas, frustrações e felicidade. Nossa primeira história está perto de chegar ao fim. Claro, depois vem a história dos autores, em que eles lutam para serem publicados, reconhecidos, tudo pelo sonho de transformar sentimentos em imagens e palavras.
Bem, o que dizer sobre o último número? É sempre dificil falar do próprio trabalho, ainda mais quando o próprio trabalho te emociona tanto. Será que ele vai causar o mesmo impacto às outras pessoas que causou a mim?
Eu nunca gostei de viajar, de ir a praia ou coisa assim e o motivo é que SEMPRE tem trânsito na volta e trânsito é sempre estressante, então eu sempre achei que o fim de semana viajando não valia nada porque o final dele era uma droga, portanto, tudo que você relaxou e desestressou voltava, então o último número foi provavelmente o que eu mais me esforcei para fazer um bom trabalho, porque eu tive que ter certeza de que o fim não inutlizaria o resto do trabalho e claro, escrever um roteiro é sempre um trabalho de decisão. O que colocar e o que deixar de fora. O que explicar e o que deixar a cargo da imaginação do leitor. Ah, sim, o fim de uma história vale muito. Claro, a gente pode sempre entrar naquele papo de ocidente vs oriente, em que nós damos mais valor ao resultado enquanto eles dão mais valor ao processo, nós nos estressamos pra chegar na linha de chegada enquanto eles tranquilamente andam pela estrada, mas porque tudo ligado ao ocidente tem que ter uma conotação negativa? No que o fim dessa jornada vai se aproximando, eu vou ficando mais tranquilo, a sensação de ter um trabalho feito vai estar concretizada, aí resta esperar feedbacks, criticas, resenhas e comentários de todos os tipos para podermos saber se é um bom trabalho o que fizemos e eu não vou dar uma de "a opinião dos outros não importa" ou "brasileiro é idiota, eles não sabem apreciar nossa arte", não, eu quero saber a opinião dos outros, eu quero que os brasileiros (sendo idiotas ou não) apreciem nossa arte e que ela dure até o dia em que consiga andar com as próprias pernas, por mais que digam ser impossível, não é sobre isso que são as histórias que vemos e fazemos? Sobre feitos impossíveis? Ei, todos enfrentamos batalhas e eu escolho uma batalha que dizem ser impossível, mas ei, eu vou luta-la mesmo assim, não é isso que seres humanos fazem? Não são nossas lutas sobre as improbabildades da natureza que nos define como espécie? Será que o fato de rirmos, chorarmos, cairmos e nos levantarmos não diz algo sobre nós? Sobre quem somos? Sobre pra que viemos? Não, eu não sei quem somos, não sei pra que viemos, mas eu sei quem eu quero ser e eu sei o que eu quero fazer e por isso chegamos a última parte da primeira história, porque é a primeira história, quando fizemos a primeira parte, oficialmente colocamos um pé em um mundo mais complicado, mais estranho, com tristezas e felicidades além de nossa prévia compreensão e agora com a última parte colocamos um segundo pé e temos escolha agora a não ser andar pra frente? Pra um mundo ainda mais complicado, ainda mais estranho, com ainda mais tristezas e mais felicidades? E pra que tudo isso? Porque dois amigos, escolhem sair de um mundo tranquilo, com certeza de uma vida sem problemas para irem contra o mundo, contra o bom senso, e até um contra o outro, por vezes?No fim, é dificil dizer porque escolhemos ir contra a ordem natural do mundo, mas se você quer saber, aposto que é pelo mesmo motivo que a chuva escolhe ir contra o vento.

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