Meus temores se realizarão de forma previsivel demais.
Eu sou absolutamente péssimo em física, tendo dificuldades enormes em fazer os primeiros exercicios, provavelmente o mesmo se repetirá com matemática e química.
O professor de história é um idiota com conceitos ultrapassados e patéticos, infelizmente estive lendo umas redações da fuvest e, aparentemente, o que interessa em eles é a habilidade em fazer discursos óbvios, ridiculos e fúteis, desde que se concorde que a culpa é da sociedade capitalista. Acredito que não terei tantos problemas com professores comunistas na faculdade, mas ter que me fingir um pra passar no vestibular vai ser dificil, mais de uma vez a questão de propriedade e classe sociais foram associadas, não levando em conta que hierarquia existia antes da propriedade e, portanto, classes sociais. Dúvido que o líder das Genos gregas não comessem uma maçãzinha a mais que seus primos. Sim, eu sou anti-comunista, aliás, o link do anarquismo no canto da página voltou a funcionar!! Então, eu sou anti-comunista, eu anarco-capitalista, acho que já disse isso aqui algumas vezes e se anarco-comunistas se irritam com seus primos totalitarios, imagina eu. Irritação dupla. Mas diferente dos rednecks paranóicos, eu não acho que comunistas comam criancinhas, que sejam automaticamente maus e corruptos ou que se juntam a bandeira socialista por fome de poder. Simplesmente discordo da ideologia, ideologia essa que considero morta e os professores da USP que corrigem as redações não passam de fantasmas velhos e irritantes, sombras vazias de uma revolução morta.
Mau olhei para a cara dos meus colegas, ou como eles chamam lá, concorrentes... alguns poucos chamaram a atenção, mas não quero fazer amigos lá, a primeira aula de matemática foi desperdiçada com uma apresentação do tipo "nós queremos que vocês se sintam bem aqui, cursinho não é para ser massacrante, nós queremos que vocês gostem da aula" e eu fiquei indignado, eu não quero me sentir bem, eu não quero gostar da aula, se eu quisesse gostar da aula, eu discutiria com o idiota do professor de história sobre as besteiras que ele vomitava ao invés de assistir, com raiva, porém passivo, a um idiota dando risadinha no que o professor declarava "a mulher só é explorada quando há noção de propriedade em uma sociedade".
Mas nem sei quem é o sujeito da risadinha, olhava fixamente para o professor, para a lousa e, nos intervalos, abria o livro que a Rebs carinhosamente me emprestou (Memórias, Sonhos e Reflexões, uma autobiografia de C.J. Jung) e fiquei muitissimo mais maravilhado com a análise que Jung faz de Freud e da forma estranha que ele vai percebendo a existência de um consciente coletivo,mas na verdade eu fiz isso antes da aula começar e entre as aulas de matemática e de física, não consegui ler entre as aulas de história, estava nervoso demais para dar a Jung a atenção que ele merece. Entretanto, no que eu abri o livro, li duas linhas e logo fechei percebendo que não rolaria, então me deparei com a contra-capa, a qual vou reproduzir aqui, porque afinal, esse blog É minha auto-biografia e pode ter certeza que aproveitarei quaisquers 3 segundinhos de fama pra juntar os posts todos num engradado e mandar pruma livraria.
"Escrever um livro é sempre, para mim, um confronto com o destino.
Há sempre, no ato da criação, alguma coisa de imprevisível e eu não posso consertar nem prever nada por antecipação. Assim, a autobiografia toma presentemente e desde já uma direção diferente na sua formulação. É por necessidade que escrevo minhas primeiras lembranças. Se eu me abstenho um só dia, tenho indisposições físicas. No momento em que trabalho minhas memórias as indisposições desaparecem e meu espírito se torna lúcido."
Tenho a sensação lá que algumas pessoas não gostam de mim, eu não disse nada e nem olhei pra ninguém, mas sempre tive a impressão que minha mera presença desperta ódio em algumas pessoas, talvez seja reflexo do que a mera presença delas desperta em mim, não consigo desprezar a raça humana, ela me irrita demais, minha dificuldade com física hoje me desanimou muito, não estou nada seguro de que vou conseguir passar no vestibular, eu sou simplesmente MUITO ruim com números e fórmulas, dependendo de como for a semana, eu vou começar a passar os domingos nos plantões de dúvidas.
Eu me sinto muito inferior naquele lugar, me sinto muito sujo, muito pequeno, muito doente, não sei se vou aguentar continuar lá, durante o colégio eu pensava que o ambiente clautrofóbico se devia aos horários, datas e restrições do tipo "não usar walkman", mas a faculdade nunca me deu problema com essas restrições, eu comecei a me sentir claustrofóbico na faculdade quando comecei a perceber que aqueles meus amigos, que a principio pareciam tão profundos, na verdade não evoluíam e passados dois anos eram os exatos mesmos, primeiro dia de cursinho e eu já me sinto assim... então eu percebi que o que me faz sentir o cheiro da prisão é estar tão perto de condenados. Pessoas com sorrisos cuidadosamente bem esculpidos, olhos vibrantes, todos felizes e saltitantes dentro de suas celas, me sinto tragado pelo vazio de suas almas, pela escuridão que emana de seus rostos vazios, escravos que amam a escravidão, apaixonados pela serventia, querendo não fazer nada no mundo além de obedecer, lutando e morrendo pela oportunidade de nunca pensar. Eu deveria despreza-los, ignora-los, mas eles me irritam demais. Esse é o tipo de situação em que eu vejo o quanto é fútil minha tentativa de viver entre outros humanos... ainda mais perseguir uma carreira como professor... tomara que eu passe no vestibular e que os 4 anos de curso me ensinem o bastante... pelo menos o suficiente para quebrar grilhões resistindo a tentação de vestir um.
Um comentário:
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