segunda-feira, janeiro 09, 2006

Jorge Bornhausen é um cuzão.

Porque liberalismo não "pega" no Brasil?
Bem, pergunte para o presidente do Partido da Frente Liberal.

Veja O PFL é um partido de direita?
Bornhausen O PFL é um partido de centro. Por opção, pertencemos à Internacional Democrata de Centro, que defende um liberalismo social. Não pertencemos à Internacional Liberal, que é puramente liberal. Somos de centro porque, de um lado, estamos distantes do imobilismo conservador. E, do outro, longe do populismo demagógico.
Rodrigo O Partido da Frente Liberal não apóia o liberalismo. Interessantissimo isso. Só que o Brasil JÁ É um país de centro, "imobilismo conservador" é ficar com medo de declarar em público que o Brasil precisa descentralizar, reduzir burocracia, reduzir impostos, reduzir gastos inuteis, reduzir subsidios (o dia que o PFL for a favor de reduzir subsidios agricolas e acabar com protecionismo, eu acho que o universo entrará em paradoxo e a realidade será destruida), enfim, liberalismo só é imóvel em anarquia, porque é o único estágio que não dá pra ficar mais liberal, o centro por outro lado é imóvel com um governo altamente burocrático, regulamentador, protecionista e moralista. E o Brasil é -ahá- altamente burocrático, regulamentador, protecionista e moralista.

Veja Porque ninguém assume ser de direita no Brasil?
Bornhausen A direita não cabe dentro do figurino brasileiro. Temos de considerar nossas condições sociais. Não podemos querer uma economia de mercado pura, sem um Estado regulamentador.Temos de fazer com que o Estado seja um instrumento de serviço do cidadão, especialmente o menos favorecio.Sem isso, os pobres não terão oportunidades justas nem seus direitos básicos preservados. Não é questão de Estado máximo ou Estado mínimo, mas do Estado necessário.
Rodrigo Para o qual eu pergunto: Quanto Estado é necessário? Bem, um forte governo federal coordenando desde extração de petróleo até plaquinhas de aviso em porta de elevador é necessário? Como é fácil fazer um politico experiente ficar em cima do muro, basta pedir que ele tome um posicionamento corajoso, basta encurralar ele e perguntar "porque você não admite ser algo que você é?" e não foi ele que falou em demagogia populista? O que é "Temos de fazer com que o Estado seja um instrumento de serviço do cidadão, especialmente o menos favorecio.Sem isso, os pobres não terão oportunidades justas nem seus direitos básicos preservados" senão demagogia populista? O Estado brasileiro já tenta ser um instrumento de serviço do cidadão, o Estado brasileiro já se esforça muito para garantir segurança, saúde e educação, mas não consegue e nem vai conseguir a não ser que o governo pare de gastar em "cultura", subsidios, regulamentação, o desemprego e a miséria vão continuar enquanto o governo não deixar as pessoas construirem o mercado. O mercado é um instrumento de serviço do cidadão, pelo cidadão, é uma ferramenta, não é uma mão invisivel, é o instrumento que usamos para conseguir e fornecer serviços; o governo é a mesma coisa, mas o primeiro se baseia em trocas voluntarias e o segundo se baseia em roubo e violência. Bornhausen conseguiu em uma pergunta ser, ao mesmo, um imóvel conservador populista demagógico.
Afinal, o que quis dizer essa resposta de Bornhausen? Ela quis dizer "O Estado deveria continuar fazendo o que sempre fez e nunca deu certo, porque por algum motivo mágico e inexplicavel, vai funcionar."
Digo mais, nós temos que querer uma economia de mercado pura, sem um Estado regulamentador por causa das nossas condições sociais, quantas outras administrações de "centro" são necessárias pra provar que é o imobilismo populista moralista e socialista que têm nos levado pra baixo?

Veja O senhor tem medo de ser classificado como de direita?
Bornhausen Não se trata de medo, é que não há como existir direita em um país que não é desenvolvido.
Rodrigo Claro que há, basta não ter medo de desagradar os recebedores de impostos, agora, vamos analisar o que ele disse: "não há como existir direita em um país que não é desenvolvido", quer dizer que se existe a direita, é porque o país é desenvolvido, qual a solução proposta? Continuar de "centro" para nunca sair do lugar, para ser sempre dependente do liberalismo dos outros ao invés de construir o nosso.

Veja Reformulando: o PFL é o partido mais à direita no espectro político brasileiro
Bornhausen Não. Há partidos que se colocam muito mais à direita, como o PP e o PTB. Ambos com intensa convivência com Lula e seu governo. Não somos de direita, mas direitos.
Rodrigo Algumas deduções: A Veja é liberal, (tipo, óbvio), ela é um tanto moralista também, mas não muito (mais de uma vez li a Veja protegendo aborto, clonagem e pesquisa com células-tronco), ela percebeu a possibilidade do PFL lançar um candidato sem se coligar com o PSDB (César Maia) e essa entrevista pôde ter sido feita com esse intuito, de levar Bornhausen a dizer "somos de direita, com orgulho, trabalhamos para um Brasil mais liberal", a Veja tem opinião própria e vai apoiar sua opinião sem fingir neutralidade, uma resposta que agradasse a Veja, aos leitores da Veja e que se posicionasse como um partido que, na prática, seria totalmente contrário ao PT, poderia ter ganho ao Bornhausen um apoio importantissimo e muitos eleitores.
Afinal, só vota no PFL quem é de direita e quem se diz de direita, perda de tempo dele tentar se mostrar como "centro" sendo que PSDB e PT, que são bem mais fortes que PFL, já fazem isso.
E o que Bornhausen fez com a oportunidade? Jogou fora de propósito, porque ele é um burocrata e ele sabe que liberalismo diminuiria seu poder. A elite politica brasileira funciona assim.
Eles até perdem a eleição, mas perder o controle sobre o mercado? Jamais.

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