Eu tinha parado com as resenhas de gibi aqui, porque tipo, eu parei com o esquema de comprar os gibis todos de uma vez, agora eu compro eles quando saem na banca e tal e resenhar um gibi por semana é bobo pra mim, mãs, esse merece, é uma das melhores edições do Homem-Aranha que eu já vi e isso é dizer muito, porque todas tem sido ótimas.
A começar pela capa (vou colocar as capas todas no final do post), o homem aranha no poste lendo uma edição de Clarim. Um clássico.
Bem.
Marvel Knights: Spider-Man #7
Nas 4 primeiras páginas já temos uma sessão nostalgia da boa, com flashes do cabeça de teia lutando com o Lagarto, Homem-Areia, Homem-Hidrico, Rino, Executores e ainda perseguindo o jipe-aranha (aham, construido pelo tocha humana, eu lembro de ter lido a edição em que tal jipe afunda no rio Hudson).
O homem-aranha aqui está de saco cheio, cansado emocionalmente, encontrando forças nos pequenos gestos dos habitantes que ele protege e, num geral, a história toda se baseia em Peter Parker conversando com pessoas, nada incrivelmente profundo, apenas fazendo como nós fazemos e realizando pequenos gestos felizes para nos dar forças para as tarefas maiores. Mas claro, pequenos atos felizes não duram, especialmente quando somos introduzidos ao novo Venom, que dessa vez não tem o peso da personalidade idiota de Eddie Brock (e nem da personalidade psicopata de Kletus Casady), o Venom agora é um moleque com baixa auto-estima que não está nem aí pra vida pessoal de Peter Parker, não tem mais joguinhos psicologicos onde Eddie Brock sabia da indentidade do homem-aranha, mas não revelava por conta de seu sadismo, o Venom agora é violento e direto ao ponto. Como vilão, ele não evoluiu muito e aposto que outros escritores vão fazer dele um idiota, mas, nessa história, ele caiu como uma luva, ainda mais com Eddie Brock sendo o maior suspeito do aranha (lembrando que a tia May ainda está desaparecida), o ataque do novo Venom elimina não só a segurança de que a personalidade idiota do Eddie manteria a indentidade do aranha segura, mas também elimina seu principal suspeito. A próxima edição promete.
The Pulse #3 e #4
Eu ainda odeio os desenhos do Bagley, mas ele ta sensivelmente melhor nessa história e o roteiro do Bendis é tão incrivelmente bom que até a pior versão do Luke Cage que eu já vi é compensada pelo peso da história.
Então temos o seguinte. Uma reporter do Clarim morreu e os maiores reporteres investigativos da cidade de Nova York querem descobrir o culpado.
Essa história não é sobre o Homem-Aranha. É sobre Ben Urich e Jessica Jones com o Duende Verde e o Aranha como coadjuvantes. Claro que há uma revelação importantissima na vida do herói com mais um na lista dos que sabem sua indentidade secreta.
Mas não só isso como, mesmo como coadjuvante, Bendis consegue aproximar o aranha da nossa realidade de forma incrivel.
Saquem esse dialogo.
- Ele é um assassino.
- Não--
- Você o deixa livre...
- E o que eu devia fazer, Ben? O único jeito de provar que Norman é o duende... provar de verdade... seria admitir pro mundo quem EU sou. E muita gente acha que EU sou tão assassino quanto ELE! Noman é PODRE de rico. Gente podre de rica NÃO VAI pra cadeia. Ele NÃO VAI pra cadeia. EU vou.
E aqui temos uma verdade universal sobre o homem-aranha. Ele é o herói da classe trabalhadora.
Não não, ele não quer salvar a classe trabalhadora, ele vem da classe trabalhadora, ele é um super-herói, consegue até trocar soco com o Duende Verde, mas ele é importante perante o sistema, o maior inimigo do homem-araha é protegido pelo sistema. Industriais não são presos, professores de colégio sim, e um lado interessante do PULSE é que ele é a visão do Clarim Diário sobre os heróis e enquanto Jessica Jones é uma ex-heroína super-poderosa e Ben Urich é amigo pessoal tanto do Demolidor quanto do Aranha, Jameson credita qualquer mascarado como assassino e, são essas três visões somadas que nos dão a visão de PULSE sobre os heróis. Mas enfim, o Homem-Aranha é um herói e como ele sai de cena? Mesmo sabendo que toda sua vida está nas mãos de Norman e que ele só é um pobretão numa fantasia contra um bilhonário numa fantasia? Ele diz "Se ele começou a matar pessoas, não podemos deixar ele continuar". Esse é o herói, com a autoridade do herói e a força do herói que vai além de qualquer super-poder e outro brilhantismo de PULSE é que os jornalistas são tão heróis quanto os que tem poderes, é o Clarim Diario e sem ajuda do Homem-Aranha que encurrala Osborn na parede. Pela primeira vez, Osborn é vencido em uma batalha puramente psicologicamente e pela primeira vez é ele quem tem que apelar pra violência por ter sido derrotado na batalha mental. Definitivamente, o herói da edição é Ben Urich. Isso mesmo, a última vez que isso aconteceu foi com Reborn (A Queda de Murdock) de Frank Miller e é aqui que eu declaro que, eu não sei como Bendis se sairia escrevendo uma história noir, mas em relação ao mundo da Marvel, ele é tão bom quanto o mestre.
Amazing Spider-Man #513
E aqui temos mais Duende-Verde, fazendo seu melhor, que é ferrar a vida das pessoas através de longa e calculada manipulação. O Duende consegue ser o vilão da história sem nem aparecer nela, apnas com Flashbacks, ele cria uma ameaça tanto fisica, quanto psicologica ao Homem-Aranha, afetando ao mesmo tempo a fantasia e o homem debaixo dela. Sem dúvida, a Mary Jane do Straczynski é a melhor e o traço do Dedodato é o que a deixa mais linda, porque eu não sei analizar o quão perfeita é a anatomia do Deodato, mas os rostos que ele desenha são os que parecem os mais realistas pra mim e a Mary Jane dele é linda, a Sarah/Gwen dele é linda também e afinal, eles são fruto de um pecado pretérito realmente pecaminoso, mas o Aranha tenta salva-los, de novo aqui está autoridade do herói, quantos de vocês ajudariam o filho de uma traição? Sinceramente, vocês teriam forças para isso? Seriam nobres o bastante? Peter Parker é. E a luta entre ele e Gabriel é dramática o suficiente e com consequencias fortes o bastante para carregar a próxima edição. E no final, é a batalha da mente contra o coração, são as manipulações de Osborn que foram arquitetadas durante muito tempo contra o simples coração puro de Peter e claro, o lado feminino da questão escolhe a emoção enquanto o masculino tem dificuldades para se livrar da razão. A última reclamação é que não vejo ponte para a próxima edição, pra mim a história acabou aqui e a edição seguinte tem material apenas para um prólogo (a não ser que algo grande aconteça), porque, definitivamente as pontas tem que ser amarradas, mas é isso, não sobre nada além de amarrar pontas. De qualquer forma, valeu por essa edição. É a parte 5 e cada uma foi melhor que a outra. Por motivos variados é uma para entrar no rol de "Maiores Classicos Do Homem-Aranha" e, embora o Deodato talvez nem lembra como se fala português, é uma honra a mais ter um brasileiro no front.
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