Eu gosto de músicas bonitas, histórias bonitas e filosofias bonitas.
Eu me sinto tão feio... por fora e especialmente por dentro.
Eu me sinto mau e eu me sinto não merecedor do pouco que eu tenho ou do tanto que eu tenho.
Então eu tento ouvir músicas bonitas, criar histórias bonitas e ler filosofias bonitas... embora, de certa forma, toda boa filosofia seja bonita.
-
Eu gosto da beleza da filosofia kantiana por ela ser tão implacável, por ela abrir e fechar tantas portas, por ela mostrar a possibilidade desse mundo das coisas em si, o qual nossas regras humanas não se aplicam, mas que é o mundo onde, afinal, vivemos.
-
Eu gosto da beleza da filosofia de Schopenhauer por ser, de certa forma, tão desesperada.
Como é esse mundo que vivemos?
Ele é conflitante, ele é desejante, ele é violento e, mesmo assim, ao entrar em contato direto com ele, por meio da beleza, você consegue, naquele breve segundo, se livrar do sofrimento.
O sublime é a superação do sofrimento por meio de sua afirmação no grau mais alto.
-
Eu escrevo historias de amor porque elas são uma parte de mim que eu gosto.
Eu gosto de amar e eu não tenho (ou não quero ter) vergonha de amar várias pessoas.
Eu me apaixono pelas pessoas paradas no ponto de ônibus.
-
Eu sou uma vítima do grande cansaço.
Eu quero desligar minha cabeça.
Eu quero parar de pensar por um segundo.
Vocês sabem o que é a vida sem um único segundo de relaxamento?
Sem um único segundo sem que minha cabeça voe pra lá e pra cá?
Eu estou cansado e eu quero desligar tudo.
Eu faço tão pouco e eu já sinto o peso do universo. Da realidade.
Eu sou o fraco de Nietzsche.
Tão fraco.
Eu fracassei e eles estão rindo de mim.
Eu deveria ter feito direito, ter me dedicado a "pegar minas", escrito histórias de "cunho social", escolhido uma namorada, ter passado na USP.
Eu escolhi a filosofia, eu escolhi me apaixonar pelas pessoas na pista de dança, eu escolhi escrever historinhas de amor, eu escolhi o poliamor e eu não escolhi não ter passado na USP, mas eu nunca quis muito pra começo de conversa.
-
Eu me sinto mau e eu me sinto feio e eu gosto de coisas bonitas, mas às vezes elas estão tão distantes e às vezes elas estão tão perto e eu queria todas as coisas bonitas perto de mim.
Eu gosto da Helda.
Eu gosto da Carol.
Eu queria abraçar as duas ao mesmo tempo.
Eu não entrei nessa pelo sexo a três, eu entrei nessa porque eu me apaixono por muitas pessoas e eu acho crueldade ter que escolher entre elas e eu acho crueldade mentir por não conseguir escolher.
Eu nunca traí uma menina.
E eu sonho (literalmente e não) em estar de mão dada com as duas, andando pela paulista, com nós três rindo.
Porque é tão dificil simplesmente rir?
Porque essa paranóia de que eu não vou conseguir "dar conta"?
De que eu não vou dar atenção o suficiente?
Afinal, quem tem exclusividade?
Uma pessoa não vive pela outra, não pensa 100% do tempo na outra, ela pensa na outra, nos sonhos, no trabalho, nas coisas bestas.
Eu prometo estar lá por quem eu me apaixonei.
Eu prometo estar lá por quem eu disse coisas bonitas, porque eu não as digo de graça (mas talvez eu as diga só pelo fator dramático).
Mas esteja por mim também, faça uma forcinha por mim pra fechar os olhos pra essa feiura que a sociedade impõe e viver comigo esse momento bonito.
Arranjem outros namorados vocês também. Vamos sair todos juntos. Vamos ficar de mãos dadas e rir.
Porque meu sonho é seu pesadelo?
Isso me mata e eu não quero morrer assim.
-
Eu me sinto fraco e triste e eu não quero mais me sentir assim.
Eu sei que nunca vou ser bonito, mas eu espero um dia produzir coisas bonitas o bastante.
-
"coisas bonitas"
Que esse seja o objetivo dessa minha alma de hoje e que ela morra quando for seu tempo pra que outra nasça com outro objetivo.
E que esse outro objetivo seja também belo.
Que nossa vida seja bela.
Um daqueles paradoxos divertidos da era da internet, onde temos um lugar particular que desenvolvemos para ficar sozinhos enquanto nos expomos voluntariamente para todo tipo de gente estranha e má que queira ver.
sexta-feira, agosto 31, 2007
sábado, agosto 18, 2007
A menina dentro da história em quadrinhos
Eu escrevo histórias em quadrinhos.
E em muitas dessas histórias, eu fazia questão de colocar uma personagem.
Ela era, de certa forma, o pontinho de perfeição nesse mundo imperfeito que eu criara para que a história fosse interessante.
Ela não era perfeita em nenhum sentido que as outras pessoas entederiam, mas ela era ao mesmo tempo alguém que eu queria ser e alguém com quem eu gostaria de estar.
Ela tinha cabelo curto, era divertida, ela aguentava sem problemas a leveza do ser e essa talvez fosse a parte que eu gostava nela, que ela nunca fazia tão parte da história principal a ponto de ser absorvida pelos problemas, as poucas histórias que eu fiz com ela como personagem principal tinha problemas levíssimos, pois ela não deixaria que o peso de problemas sérios se tornassem pesados, ela apenas permitia que pequenas coisas tivesse algum peso e os carregava assim, só por diversão, enquanto tudo o que é grande e grotesco, ela carregava sem problemas.
Na verdade, talvez tivesse acontecido algo a ela que a deixou tão forte, mas eu não sabia, pois nunca tinha escrito sobre seu passado.
Eu queria conhecê-la e eu pensei que, se eu próprio fosse um personagem de uma história em quadrinhos, seria interessante que algo mágico ocorresse e eu entrasse dentro do meu próprio universo ficticio só para conhecê-la.
E então aconteceu.
Eu entrei dentro da minha história.
E lá estava ela.
Eu gostaria de dizer que foi tão difícil falar com ela quanto é com qualquer menina interessante que você encontra na balada (boa parte de minhas histórias acontecem em baladas, então foi em uma dessas que eu apareci), mas foi mais difícil ainda, logo veio o peso todo das expectativas e possibilidades e mesmo que eu gritasse para mim próprio que eu a havia criado, de certa forma, com o único intuito de ser uma pessoa perfeita que se apaixonasse por mim, eu ainda tinha medo, medo talvez de não ser eu mesmo o suficiente para que ela se apaixonasse por mim, pois eu tinha certeza que não conseguiria ser eu mesmo, estava tão nervoso que nem sabia exatamente quem era esse eu e com todas as mudanças de humor e personalidade, ela mudava muito também, como eu poderia saber qual "eu" ela queria?
O pensamento era demais.
Então ela veio e falou comigo.
Ela -- falou -- comigo.
Ela iniciou a conversa.
Quem quer que estava escrevendo minha história foi sábio o bastante para deixar nossa bebida preferida em cima do bar (gin tônica para quem se pergunta, porque é como um milhão de flores na sua boca tentando fazer você vomitar) e ela veio, perfeita, com os braços esticados e falando como um zumbi (ótimo! Só recentemente eu passei a gostar de filmes de zumbi, quer dizer que ela está atualizada em relação aos meus estados mentais) "giiiin toooonica" e essa foi a primeira vez que eu ouvi sua voz e eu lembro de ter esquecido que estava dentro da minha própria história, lembro de ter esquecido que estava no mundo, lembro de ter esquecido que era uma pessoa confusa e triste incapaz de viver no presente, eu estava lá, naquele momento, naquele lugar, ouvindo ela imitar um zumbi e pensando "eu quero ouvir essa voz para sempre".
- Você não vai oferecer bebida pra menina bonita, não?
- Eu... desculpa...
- Que fofinho, ele é timido, é homem, nem um pouco macho, mas... camiseta do blondie? Mas você precisa passar em inumeros testes de coragem e sabedoria para usar uma camiseta do blondie! Quantas pessoas você vê por aí com uma camiseta do blondie? Nenhuma! Por que elas não merecem! E aqui vem você todo bobão, gaguejando na frente de meninas bonitas que pedem bebida e usando uma camiseta do blondie! Isso é inaceitável! Completamente inaceitável!
(camiseta do blondie? Quem quer que estava escrevendo essa história é um gênio! Porque é claro que nós três [eu, ela e o escritor] sabíamos que frase deveria se seguir)
- É que o blondie é a única coisa boa que surgiu do movimento punk.
E o resto da conversa fluiu como um roteiro.
Cada frase se encaixava perfeitamente com a anterior.
E ela era feliz, mal educada, poderosa, deliciosamente tudo aquilo que eu precisava de antidepressivos para me lembrar que eu nunca poderia ser.
E ela, de forma linda e sutil, não se considerava esse monstro capaz de engolir todo meu mundo com uma só dentada, ela se dizia "uma menina bonita" e afinal, ela era, mas ao se definir como "uma menina bonita", ela dava a todas as meninas bonitas do mundo um poder que elas simplesmente não tinham e, de certa forma, ela sabia disso e, de certa forma, essa era sua pequena contribuição ao feminismo.
(mas havia o cuidado de ela não se dizer só "uma menina", pois isso seria uma contribuição grande demais para um movimento que não merece tanto assim seu respeito)
Nós combinamos de sair outro dia e eu voltei pra casa, minha casa ainda era no mesmo lugar, logo não havia uma diferença muito grande entre o universo dela e o meu, alguma geografia era diferente, mas nada drástico, as estações do metrô ainda eram as mesmas e portanto eu conseguia chegar em casa mesmo que o tal bar fosse inexistente na minha realidade.
Nós continuamos saindo durante algum tempo e nada acontecia, ela era forte demais para deixar esse sujeito besta que vos fala se aproximar dela e o sujeito besta era, bem, besta demais para ter alguma iniciativa, mas, de certa forma, tudo bem.
Eu tentei ficar com ela uma vez, só para tirar esse peso dos ombros, ela olhou pra mim e disse "você não vai conseguir" e sorrimos, pronto, eu não queria mesmo, eu não queria manchar a perfeição dela com eu mesmo.
Ela ficava com outras meninas bonitas e com caras interessantes, nunca com pessoas que não a mereciam, nunca com pessoas que haviam simplesmente a enganado, nunca com pessoas no seu próprio nível porque não havia ninguém no seu nível, todos eram indignos dela, mas ela ficava com eles mesmo assim, se eles provassem ter um coração bom (ou pelo menos tanto coração bom quanto é possível bêbado e ouvindo a mesma discotecagem de baladinhas indie pela enésima vez [quantas vezes é possível ouvir "love will tear us apart" sem se cansar? Esse parece ser o propósito cientifico dos DJs - a resposta ainda não foi encontrada] ).
Conversando com ela, eu pude conhecer seu passado e foi impressionante o quanto eu me impressionava, eu a havia criado e ela me dizia coisas que eu não sabia, eu não lembro delas agora, talvez seja algo além do meu alcance, talvez ela, como personagem, não possa ter um passado, pois parte da beleza dela era viver tão no presente e foi enquanto ela falava que eu me dei conta de algo.
Ela tinha esse imenso dominio sobre mim, perto dela eu desaparecia, eu era simplesmente "o amigo", o acompanhante e isso me deixava mais feliz que qualquer coisa, acho que era sobre isso que Schopenhauer falava quando dizia sobre o sublime que vinha da negação da vontade. Ela era uma obra de arte em forma de ser humano, não só sua forma, mas seu pensamento, oras, ela era parte de uma história, é lógico que ela era arte e, como tal, ela fazia eu esquecer de mim, ela fazia eu me perder em momentos de puro êxtase.
Mas enquanto ela me contava seu passado, que era algo mais maravilhoso do que eu poderia criar, eu me dei conta que eu sabia algo que ela não sabia.
Eu sabia que ambos eramos personagens de histórias de quadrinho, ela pensava que eu era esse menino bobinho e interessante que talvez pudesse se desenvolver em um grande amor (pois o que ela procurava era um grande amor) e eu sabia que ela era a menina dentro da história em quadrinhos. Eu tinha esse centimetro de poder sobre ela. Esse milésimo de conhecimento que ela não tinha.
Agora vocês podem pensar que eu sou arrogante, burro ou qualquer coisa, mas eu não queria perder isso.
Não, na verdade, era o seguinte, eu não queria perder a ficção, eu não queria que ela se tornasse real. Se eu esquecesse que ela era uma menina bonita dentro de uma história em quadrinhos e pensasse que ela era só uma menina bonita, então ela se tornaria um peso e eu sei que pessoas evoluídas e boas sabem ver essas coisas como uma falta de peso, mas eu ainda não cheguei lá, ela não seria um peso ruim, ela seria simplesmente mais uma parte dessa realidade e oras, eu a escrevi justamente para não morrer pela verdade, ela não poderia ser real.
É dificil explicar, ela não perderia sua força se fosse real, ela não seria menos bela ou menos "arte" se fosse real, mas ela seria real e essa qualidade, em si, é o suficiente. Eu ainda me apaixonaria por ela se ela fosse real, mas ela seria real e eu logo precisaria criar alguém melhor que ela e eu não sei se conseguiria isso, ela era o máximo da perfeição que minha mente atingia.
Então eu acordei de novo no meu quarto, na frente do meu computador e na tela piscava
MENINA BONITA olha ao redor confusa
Ainda hoje, às vezes, quando eu me sinto sozinho e o peso da realidade é grande demais, eu escrevo histórias dela, só pra mim, só pra saber que eu posso abrir um arquivo no computador e dentro de um roteiro de histórias em quadrinhos estará ela, ainda esperando eu voltar e me tornar esse seu grande amor, mas jamais deixando isso se tornar um peso, sempre sorridente e, sabendo, em algum lugar dentro dela, que eu era um menino fora da sua história, mas feliz que, por um momento, eu fiz parte.
E em muitas dessas histórias, eu fazia questão de colocar uma personagem.
Ela era, de certa forma, o pontinho de perfeição nesse mundo imperfeito que eu criara para que a história fosse interessante.
Ela não era perfeita em nenhum sentido que as outras pessoas entederiam, mas ela era ao mesmo tempo alguém que eu queria ser e alguém com quem eu gostaria de estar.
Ela tinha cabelo curto, era divertida, ela aguentava sem problemas a leveza do ser e essa talvez fosse a parte que eu gostava nela, que ela nunca fazia tão parte da história principal a ponto de ser absorvida pelos problemas, as poucas histórias que eu fiz com ela como personagem principal tinha problemas levíssimos, pois ela não deixaria que o peso de problemas sérios se tornassem pesados, ela apenas permitia que pequenas coisas tivesse algum peso e os carregava assim, só por diversão, enquanto tudo o que é grande e grotesco, ela carregava sem problemas.
Na verdade, talvez tivesse acontecido algo a ela que a deixou tão forte, mas eu não sabia, pois nunca tinha escrito sobre seu passado.
Eu queria conhecê-la e eu pensei que, se eu próprio fosse um personagem de uma história em quadrinhos, seria interessante que algo mágico ocorresse e eu entrasse dentro do meu próprio universo ficticio só para conhecê-la.
E então aconteceu.
Eu entrei dentro da minha história.
E lá estava ela.
Eu gostaria de dizer que foi tão difícil falar com ela quanto é com qualquer menina interessante que você encontra na balada (boa parte de minhas histórias acontecem em baladas, então foi em uma dessas que eu apareci), mas foi mais difícil ainda, logo veio o peso todo das expectativas e possibilidades e mesmo que eu gritasse para mim próprio que eu a havia criado, de certa forma, com o único intuito de ser uma pessoa perfeita que se apaixonasse por mim, eu ainda tinha medo, medo talvez de não ser eu mesmo o suficiente para que ela se apaixonasse por mim, pois eu tinha certeza que não conseguiria ser eu mesmo, estava tão nervoso que nem sabia exatamente quem era esse eu e com todas as mudanças de humor e personalidade, ela mudava muito também, como eu poderia saber qual "eu" ela queria?
O pensamento era demais.
Então ela veio e falou comigo.
Ela -- falou -- comigo.
Ela iniciou a conversa.
Quem quer que estava escrevendo minha história foi sábio o bastante para deixar nossa bebida preferida em cima do bar (gin tônica para quem se pergunta, porque é como um milhão de flores na sua boca tentando fazer você vomitar) e ela veio, perfeita, com os braços esticados e falando como um zumbi (ótimo! Só recentemente eu passei a gostar de filmes de zumbi, quer dizer que ela está atualizada em relação aos meus estados mentais) "giiiin toooonica" e essa foi a primeira vez que eu ouvi sua voz e eu lembro de ter esquecido que estava dentro da minha própria história, lembro de ter esquecido que estava no mundo, lembro de ter esquecido que era uma pessoa confusa e triste incapaz de viver no presente, eu estava lá, naquele momento, naquele lugar, ouvindo ela imitar um zumbi e pensando "eu quero ouvir essa voz para sempre".
- Você não vai oferecer bebida pra menina bonita, não?
- Eu... desculpa...
- Que fofinho, ele é timido, é homem, nem um pouco macho, mas... camiseta do blondie? Mas você precisa passar em inumeros testes de coragem e sabedoria para usar uma camiseta do blondie! Quantas pessoas você vê por aí com uma camiseta do blondie? Nenhuma! Por que elas não merecem! E aqui vem você todo bobão, gaguejando na frente de meninas bonitas que pedem bebida e usando uma camiseta do blondie! Isso é inaceitável! Completamente inaceitável!
(camiseta do blondie? Quem quer que estava escrevendo essa história é um gênio! Porque é claro que nós três [eu, ela e o escritor] sabíamos que frase deveria se seguir)
- É que o blondie é a única coisa boa que surgiu do movimento punk.
E o resto da conversa fluiu como um roteiro.
Cada frase se encaixava perfeitamente com a anterior.
E ela era feliz, mal educada, poderosa, deliciosamente tudo aquilo que eu precisava de antidepressivos para me lembrar que eu nunca poderia ser.
E ela, de forma linda e sutil, não se considerava esse monstro capaz de engolir todo meu mundo com uma só dentada, ela se dizia "uma menina bonita" e afinal, ela era, mas ao se definir como "uma menina bonita", ela dava a todas as meninas bonitas do mundo um poder que elas simplesmente não tinham e, de certa forma, ela sabia disso e, de certa forma, essa era sua pequena contribuição ao feminismo.
(mas havia o cuidado de ela não se dizer só "uma menina", pois isso seria uma contribuição grande demais para um movimento que não merece tanto assim seu respeito)
Nós combinamos de sair outro dia e eu voltei pra casa, minha casa ainda era no mesmo lugar, logo não havia uma diferença muito grande entre o universo dela e o meu, alguma geografia era diferente, mas nada drástico, as estações do metrô ainda eram as mesmas e portanto eu conseguia chegar em casa mesmo que o tal bar fosse inexistente na minha realidade.
Nós continuamos saindo durante algum tempo e nada acontecia, ela era forte demais para deixar esse sujeito besta que vos fala se aproximar dela e o sujeito besta era, bem, besta demais para ter alguma iniciativa, mas, de certa forma, tudo bem.
Eu tentei ficar com ela uma vez, só para tirar esse peso dos ombros, ela olhou pra mim e disse "você não vai conseguir" e sorrimos, pronto, eu não queria mesmo, eu não queria manchar a perfeição dela com eu mesmo.
Ela ficava com outras meninas bonitas e com caras interessantes, nunca com pessoas que não a mereciam, nunca com pessoas que haviam simplesmente a enganado, nunca com pessoas no seu próprio nível porque não havia ninguém no seu nível, todos eram indignos dela, mas ela ficava com eles mesmo assim, se eles provassem ter um coração bom (ou pelo menos tanto coração bom quanto é possível bêbado e ouvindo a mesma discotecagem de baladinhas indie pela enésima vez [quantas vezes é possível ouvir "love will tear us apart" sem se cansar? Esse parece ser o propósito cientifico dos DJs - a resposta ainda não foi encontrada] ).
Conversando com ela, eu pude conhecer seu passado e foi impressionante o quanto eu me impressionava, eu a havia criado e ela me dizia coisas que eu não sabia, eu não lembro delas agora, talvez seja algo além do meu alcance, talvez ela, como personagem, não possa ter um passado, pois parte da beleza dela era viver tão no presente e foi enquanto ela falava que eu me dei conta de algo.
Ela tinha esse imenso dominio sobre mim, perto dela eu desaparecia, eu era simplesmente "o amigo", o acompanhante e isso me deixava mais feliz que qualquer coisa, acho que era sobre isso que Schopenhauer falava quando dizia sobre o sublime que vinha da negação da vontade. Ela era uma obra de arte em forma de ser humano, não só sua forma, mas seu pensamento, oras, ela era parte de uma história, é lógico que ela era arte e, como tal, ela fazia eu esquecer de mim, ela fazia eu me perder em momentos de puro êxtase.
Mas enquanto ela me contava seu passado, que era algo mais maravilhoso do que eu poderia criar, eu me dei conta que eu sabia algo que ela não sabia.
Eu sabia que ambos eramos personagens de histórias de quadrinho, ela pensava que eu era esse menino bobinho e interessante que talvez pudesse se desenvolver em um grande amor (pois o que ela procurava era um grande amor) e eu sabia que ela era a menina dentro da história em quadrinhos. Eu tinha esse centimetro de poder sobre ela. Esse milésimo de conhecimento que ela não tinha.
Agora vocês podem pensar que eu sou arrogante, burro ou qualquer coisa, mas eu não queria perder isso.
Não, na verdade, era o seguinte, eu não queria perder a ficção, eu não queria que ela se tornasse real. Se eu esquecesse que ela era uma menina bonita dentro de uma história em quadrinhos e pensasse que ela era só uma menina bonita, então ela se tornaria um peso e eu sei que pessoas evoluídas e boas sabem ver essas coisas como uma falta de peso, mas eu ainda não cheguei lá, ela não seria um peso ruim, ela seria simplesmente mais uma parte dessa realidade e oras, eu a escrevi justamente para não morrer pela verdade, ela não poderia ser real.
É dificil explicar, ela não perderia sua força se fosse real, ela não seria menos bela ou menos "arte" se fosse real, mas ela seria real e essa qualidade, em si, é o suficiente. Eu ainda me apaixonaria por ela se ela fosse real, mas ela seria real e eu logo precisaria criar alguém melhor que ela e eu não sei se conseguiria isso, ela era o máximo da perfeição que minha mente atingia.
Então eu acordei de novo no meu quarto, na frente do meu computador e na tela piscava
MENINA BONITA olha ao redor confusa
Ainda hoje, às vezes, quando eu me sinto sozinho e o peso da realidade é grande demais, eu escrevo histórias dela, só pra mim, só pra saber que eu posso abrir um arquivo no computador e dentro de um roteiro de histórias em quadrinhos estará ela, ainda esperando eu voltar e me tornar esse seu grande amor, mas jamais deixando isso se tornar um peso, sempre sorridente e, sabendo, em algum lugar dentro dela, que eu era um menino fora da sua história, mas feliz que, por um momento, eu fiz parte.
domingo, julho 29, 2007
MP3s
Eu as vezes me pergunto qual o ponto de baixar tanta música de banda que eu não conheço se muitas vezes eu não as ouço com a atenção devida.
Parte de mim se convence que eventualmente, por acidente, eu vou encontrar uma banda ótima e isso de fato acontece.
O que eu acho engraçado é como isso acontece, às vezes, meses e meses depois que eu baixei o album.
Esse álbum do The Blow por exemplo, acho que eu baixei ele em novembro (lembro que foi junto com outra banda - que definitivamente não gosto - chamada "The Blood Brothers") e eu devo ter ouvido do começo ao fim, mas não me chamou a atenção e, sempre que eu via esse nome, eu evitava ouvir porque me lembrava do Blood Brothers.
Agora, 3 da manhã, terminando um trabalho (mentira, falta muito ainda pra terminar, eu to é enrolando mesmo), eu comecei a ouvir uma música linda e quando fui ver de quem era, qual a surpresa, era "True Affection" do The Blow.
Comecei a ouvir então o album inteiro e estou adorando.
Algumas músicas funcionam e outras não, não é a banda perfeita, mas tem músicas excelentes e lindas e que estão me ajudando a fazer essa madrugada melhor e eu estou feliz que nunca deletei essas mp3s, mesmo que na minha cabeça fossem músicas horríveis a serem puladas quando percebidas.
quarta-feira, julho 25, 2007
Talulah Gosh
Talulah Gosh (é o nome da banda E da música)
É meu Starjets. ;)
-
segunda-feira, julho 23, 2007
terça-feira, julho 17, 2007
Tintin
O que eu acho tão perfeito nessa abertura é como os efeitos sonoros se misturam com a trilha.
A parte da cantora de Opera (que eu não lembro o nome) é minha favorita.
E o comecinho, quando ele pula do trem e tal.
Eu quase consigo lembrar de todos os episódios enquanto assisto, mas nenhum detalhe, só cenas aleatórias.
domingo, julho 08, 2007
Downloads a se fazer
Ou
Tentando desesperadamente sair da depressão.
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Frog Eyes - Tears For The Valedictorian
Eliott Smith - New Moon
Battles - Mirrored
The National - Boxer
Queens Of The Stone Age - Era Vulgaris
The White Stripes - Icky Thump
Art Brut - It´s A Bit Complicated
The Smashing Pumpkins - Zeitgeist
Interpol - Our Love To Admire
-
Eu comecei um roteiro novo também, é a segunda história de nem lembro quantas que eu ia fazer pra um projeto meu e do Cunha chamado "The Long Winter".
The Long Winter é uma coletânea de histórias que se passam em diferentes épocas em versões modernas de um mundo de magias, fadas e dragões.
A primeira história já está pronta, desenhada, linda, só faltava o imbecil aqui corrigir umas coisas, mas faz um mês que eu to desanimado com o mundo e ainda não consegui acordar um dia e fazer isso.
Mas eu consegui, de alguma forma, forças pra começar essa segunda parte, o roteiro ta em inglês porque a proposta é mandar pros gringos, aí pra não ficar confundindo minha cabeça trocando a lingua só pra fazer o dialogo, eu fiz ele inteiro em inglês.
Enfim, o começo.
-
THE LONGE WINTER
PART 2
IT´S COLD OUT THERE, WARM IN HERE AND SHE IS STANDING IN MY DOOR
Young guy waking in his room, it´s all a mess, with food everywhere, papers all over and porn on the computer. He is bed, under a big blanket, only his eyes can be seen, like some scared kid.
Recordatory
Fuck, it´s day again.
Guy entering the bathroom in his underwear and an old led zeppelin t-shirt.
Recordatory
I slept so much my eyes actually hurt.
Guy throwing water in his face.
Recordatory
I wish I could sleep more.
Guy looking to himself in the mirror, his hair is a mess, his beard is getting too big, he has a big sad expression, like a canil worthy dog (São Bernardo).
Recordatory
I wish I could actually sleep instead of being tormented by toughts hours and hours in the dark just to be tormented by nightmares then.
While pissing, the guy looks, through a small window in the bathroom, the gray city, with clouds covering the sun, he is in an apartment on the seventh floor of a building, so he can see some skyline.
Recordatory
It´s winter already. It was a bright, yellow, warm day when I lost my job. I gave up trying to remember how long it was just as I gave up trying to find another one just as I gave up pretty much everything.
He sits on the ground.
Recordatory
I keep thinking that things would be better if they would just let me learn how to do magic.
He lifts a finger and a little flame comes out of it
Recordatory
Not that they can keep me from doing it, but the government was quite specific that I was forbidden of learning it in college or anywhere for that matter, that I was forbidden of doing it in public.
He stares very sad at the flame
Recordatory
Oh, I would like so much to work with flames, to spend the day studying and teaching magic just for the sake of it.
Suddenly it’s his imagination and he is in a big room, crowded with people in tuxedos, only men, he is on the top of a stage in a tuxedo, receiving a golden plate from some old guy, behind him it’s a big flame dragon.
Old guy
And here we give you this award for all your work on the field of fire magic.
Everyone in the room starts laughing.
Old guy
And to think that you had to learn it by yourself because our retrograde psychological analysis considered you too unstable.
In the middle of all the men, there is a girl that stands out, she has a long dress and just smiles while everyone around her laughs.
Recordatory
Too unstable! What they know about psychological stability?
Close-up on her
Recordatory
Aren’t they the ones who make wars?
Back in the bathroom, the flame is larger and it started to touch a towel hanging above his head. He is lost in his toughts mumbling the words.
Guy
Aren’t they the ones who make wars?
The towel catches fire and the guy looks up scared
Guy
Oh shit! Not again!
He gets up quickly and directs both hands towards the towel.
Guy
Ice!
The flames go out and a dark cloud goes out the window while he coughs
He touches the towel and it breaks like it’s glass.
Recordatory
Great.
-
Enfim, eu pretendo investir nessa idéia de que ele sonha acordado e que ele tem algum dom natural pra magia, mas não sabe controlar e vou tentar tirar as fadas e dragões dessa história.
-
Eu ainda pretendo, em The Long Winter, fazer uma história toscamente baseada na autobiografia do Bob Dylan, sobre um cara que chega em NY em meados dos anos 50 com um violão e um sonho. Esse acho que eu vou colocar fadas e dragões por toda parte, porque uma intenção da série é ver como esses seres se encaixam no dia a dia, digo, a gente vê eles em RPGs atirando fogo, curando pessoas, sendo sábios, mas se você transporta pro dia de hoje, as fadinhas voando por aí seriam nerds e engenheiros porque não conseguiriam fazer um trabalho pesado e os dragões, tipicamente mais inteligentes e fortes que os humanos, seriam os governantes e empresários, por aí vai.
-
E já que eu estou publicando roteiro, quem quiser desenhar um curtinho aí, é de uma história que eu tive um certo orgulho em escrever, porque é bem meu tipo, ela é bonitinha, cheia de dialogos que só fazem sentido pra mim, usa bem a linguagem dos quadrinhos ou algo assim e, enfim, não tem espaço pra ela nos projetos todos meus e do Cunha, então se algum leitor por acaso desenhar, não precisa nem me avisar, pode pegar a história e fingir que é sua, se bem que eu não sei se alguém gostaria dessa história além de mim, que é o porque eu acho que é tão importante pra mim que alguém goste.
-
E é uma das raríssimas vezes que eu escrevo especificando os quadros.
E pra quem já viu esse roteiro, eu mudei o final. Eu acrescentei umas páginas.
Aliás, eu ainda quero tatuar esses personagens uma vez que alguém desenha-los (e eu achar que ficou legal).
-
Refletido nos seus olhos.
Ambos os personagens tem uns 20 anos.
Página 1
Quadro 1
Alto de um prédio, um garoto com um casaco de frio, calça e as mãos no bolso do casaco, observa o nascer do sol com as mãos no bolso.
O nascer do sol faz a "skyline" da cidade, com todos os prédios.
Garoto: Isso é lindo.
Quadro 2
Uma mão feminina tirando o cigarro da boca do garoto.
Quadro 3
A garota soltando o cigarro que cai do prédio
Garota: Um nascer de sol tão lindo e você estragando com essa poluição.
Página 2
Quadro 1
O garoto tirando outro cigarro do maço.
Garoto: Mas é lindo exatamente por causa da poluição.
Quadro 2
Palma da mão do garoto. Uma chama surge dele.
Garoto: O caos nos entregou um mundo feio e nós estamos concertando ele.
Quadro 3
Garoto com o cigarro na boca, acendendo usando a chama que sai da palma de sua mão.
Garoto: O dia que uma selva infestada de besouros e doenças ser mais bela que a chama azul de uma boca de fogão, eu considero acabar com a poluição.
Página 3
Quadro 1
A garota voando de braços abertos na frente do prédio com uma cachoeira caindo atrás dela.
Garota: Eu sou uma beleza da natureza!
Quadro 2
Ele se equilibra em uma pequena linha de fogo no ar
Garoto: Com a tatuagem e os piercings e a roupa e a tintura no cabelo?
Quadro 3
O garoto apontando um dedo para a cachoeira.
Na cachoeira está desenhada uma logomarca. (como se fosse em um parede de água)
Garoto: Você é linda, fato. Mas você não é natureza. Você derrotou a feiúra natural que a natureza te impõe e se tornou algo--
Página 4
Quadro 1
Garota saindo molhada da cachoeira que flutua no ar, destruindo o simbolo.
Garota: Algo refletido nos seus olhos.
Quadro 2
Ela com a mão encostada no rosto dele. Fumaça de vapor saindo de onde ela encosta.
Garota: Algo sentido pela sua pele.
Quadro 3
Os lábios se aproximam
Garota: Algo que invade sua preciosa mente.
Quadro 4
Os pés flutuando no ar, do dele sai chamas dos tênis, o dela, descalço, com uma tatuagem no fim da perna, está bem molhado.
Os dois estão bem juntos.
Página 5
Os dois sentados no parapeito do prédio, ele abraça ela por trás.
Ele olha para o horizonte e ela sorri com os olhos fechados com a cabeça encostada no peito dele.
Ele com o cigarro na boca, um pouco sério (não bravo ou mal humorado, só contemplativo)
Garoto: Minha mente não é mais preciosa. A beleza a contaminou. Quando você entrou em mim por meio dos meus olhos você matou tudo de belo que existia dentro de mim e substituiu pelo seu sorriso tão irresistível.
Garota: E que tipo de beleza seria tão importante se não te matasse aos poucos?
Fim.
Tentando desesperadamente sair da depressão.
-
Frog Eyes - Tears For The Valedictorian
Eliott Smith - New Moon
Battles - Mirrored
The National - Boxer
Queens Of The Stone Age - Era Vulgaris
The White Stripes - Icky Thump
Art Brut - It´s A Bit Complicated
The Smashing Pumpkins - Zeitgeist
Interpol - Our Love To Admire
-
Eu comecei um roteiro novo também, é a segunda história de nem lembro quantas que eu ia fazer pra um projeto meu e do Cunha chamado "The Long Winter".
The Long Winter é uma coletânea de histórias que se passam em diferentes épocas em versões modernas de um mundo de magias, fadas e dragões.
A primeira história já está pronta, desenhada, linda, só faltava o imbecil aqui corrigir umas coisas, mas faz um mês que eu to desanimado com o mundo e ainda não consegui acordar um dia e fazer isso.
Mas eu consegui, de alguma forma, forças pra começar essa segunda parte, o roteiro ta em inglês porque a proposta é mandar pros gringos, aí pra não ficar confundindo minha cabeça trocando a lingua só pra fazer o dialogo, eu fiz ele inteiro em inglês.
Enfim, o começo.
-
THE LONGE WINTER
PART 2
IT´S COLD OUT THERE, WARM IN HERE AND SHE IS STANDING IN MY DOOR
Young guy waking in his room, it´s all a mess, with food everywhere, papers all over and porn on the computer. He is bed, under a big blanket, only his eyes can be seen, like some scared kid.
Recordatory
Fuck, it´s day again.
Guy entering the bathroom in his underwear and an old led zeppelin t-shirt.
Recordatory
I slept so much my eyes actually hurt.
Guy throwing water in his face.
Recordatory
I wish I could sleep more.
Guy looking to himself in the mirror, his hair is a mess, his beard is getting too big, he has a big sad expression, like a canil worthy dog (São Bernardo).
Recordatory
I wish I could actually sleep instead of being tormented by toughts hours and hours in the dark just to be tormented by nightmares then.
While pissing, the guy looks, through a small window in the bathroom, the gray city, with clouds covering the sun, he is in an apartment on the seventh floor of a building, so he can see some skyline.
Recordatory
It´s winter already. It was a bright, yellow, warm day when I lost my job. I gave up trying to remember how long it was just as I gave up trying to find another one just as I gave up pretty much everything.
He sits on the ground.
Recordatory
I keep thinking that things would be better if they would just let me learn how to do magic.
He lifts a finger and a little flame comes out of it
Recordatory
Not that they can keep me from doing it, but the government was quite specific that I was forbidden of learning it in college or anywhere for that matter, that I was forbidden of doing it in public.
He stares very sad at the flame
Recordatory
Oh, I would like so much to work with flames, to spend the day studying and teaching magic just for the sake of it.
Suddenly it’s his imagination and he is in a big room, crowded with people in tuxedos, only men, he is on the top of a stage in a tuxedo, receiving a golden plate from some old guy, behind him it’s a big flame dragon.
Old guy
And here we give you this award for all your work on the field of fire magic.
Everyone in the room starts laughing.
Old guy
And to think that you had to learn it by yourself because our retrograde psychological analysis considered you too unstable.
In the middle of all the men, there is a girl that stands out, she has a long dress and just smiles while everyone around her laughs.
Recordatory
Too unstable! What they know about psychological stability?
Close-up on her
Recordatory
Aren’t they the ones who make wars?
Back in the bathroom, the flame is larger and it started to touch a towel hanging above his head. He is lost in his toughts mumbling the words.
Guy
Aren’t they the ones who make wars?
The towel catches fire and the guy looks up scared
Guy
Oh shit! Not again!
He gets up quickly and directs both hands towards the towel.
Guy
Ice!
The flames go out and a dark cloud goes out the window while he coughs
He touches the towel and it breaks like it’s glass.
Recordatory
Great.
-
Enfim, eu pretendo investir nessa idéia de que ele sonha acordado e que ele tem algum dom natural pra magia, mas não sabe controlar e vou tentar tirar as fadas e dragões dessa história.
-
Eu ainda pretendo, em The Long Winter, fazer uma história toscamente baseada na autobiografia do Bob Dylan, sobre um cara que chega em NY em meados dos anos 50 com um violão e um sonho. Esse acho que eu vou colocar fadas e dragões por toda parte, porque uma intenção da série é ver como esses seres se encaixam no dia a dia, digo, a gente vê eles em RPGs atirando fogo, curando pessoas, sendo sábios, mas se você transporta pro dia de hoje, as fadinhas voando por aí seriam nerds e engenheiros porque não conseguiriam fazer um trabalho pesado e os dragões, tipicamente mais inteligentes e fortes que os humanos, seriam os governantes e empresários, por aí vai.
-
E já que eu estou publicando roteiro, quem quiser desenhar um curtinho aí, é de uma história que eu tive um certo orgulho em escrever, porque é bem meu tipo, ela é bonitinha, cheia de dialogos que só fazem sentido pra mim, usa bem a linguagem dos quadrinhos ou algo assim e, enfim, não tem espaço pra ela nos projetos todos meus e do Cunha, então se algum leitor por acaso desenhar, não precisa nem me avisar, pode pegar a história e fingir que é sua, se bem que eu não sei se alguém gostaria dessa história além de mim, que é o porque eu acho que é tão importante pra mim que alguém goste.
-
E é uma das raríssimas vezes que eu escrevo especificando os quadros.
E pra quem já viu esse roteiro, eu mudei o final. Eu acrescentei umas páginas.
Aliás, eu ainda quero tatuar esses personagens uma vez que alguém desenha-los (e eu achar que ficou legal).
-
Refletido nos seus olhos.
Ambos os personagens tem uns 20 anos.
Página 1
Quadro 1
Alto de um prédio, um garoto com um casaco de frio, calça e as mãos no bolso do casaco, observa o nascer do sol com as mãos no bolso.
O nascer do sol faz a "skyline" da cidade, com todos os prédios.
Garoto: Isso é lindo.
Quadro 2
Uma mão feminina tirando o cigarro da boca do garoto.
Quadro 3
A garota soltando o cigarro que cai do prédio
Garota: Um nascer de sol tão lindo e você estragando com essa poluição.
Página 2
Quadro 1
O garoto tirando outro cigarro do maço.
Garoto: Mas é lindo exatamente por causa da poluição.
Quadro 2
Palma da mão do garoto. Uma chama surge dele.
Garoto: O caos nos entregou um mundo feio e nós estamos concertando ele.
Quadro 3
Garoto com o cigarro na boca, acendendo usando a chama que sai da palma de sua mão.
Garoto: O dia que uma selva infestada de besouros e doenças ser mais bela que a chama azul de uma boca de fogão, eu considero acabar com a poluição.
Página 3
Quadro 1
A garota voando de braços abertos na frente do prédio com uma cachoeira caindo atrás dela.
Garota: Eu sou uma beleza da natureza!
Quadro 2
Ele se equilibra em uma pequena linha de fogo no ar
Garoto: Com a tatuagem e os piercings e a roupa e a tintura no cabelo?
Quadro 3
O garoto apontando um dedo para a cachoeira.
Na cachoeira está desenhada uma logomarca. (como se fosse em um parede de água)
Garoto: Você é linda, fato. Mas você não é natureza. Você derrotou a feiúra natural que a natureza te impõe e se tornou algo--
Página 4
Quadro 1
Garota saindo molhada da cachoeira que flutua no ar, destruindo o simbolo.
Garota: Algo refletido nos seus olhos.
Quadro 2
Ela com a mão encostada no rosto dele. Fumaça de vapor saindo de onde ela encosta.
Garota: Algo sentido pela sua pele.
Quadro 3
Os lábios se aproximam
Garota: Algo que invade sua preciosa mente.
Quadro 4
Os pés flutuando no ar, do dele sai chamas dos tênis, o dela, descalço, com uma tatuagem no fim da perna, está bem molhado.
Os dois estão bem juntos.
Página 5
Os dois sentados no parapeito do prédio, ele abraça ela por trás.
Ele olha para o horizonte e ela sorri com os olhos fechados com a cabeça encostada no peito dele.
Ele com o cigarro na boca, um pouco sério (não bravo ou mal humorado, só contemplativo)
Garoto: Minha mente não é mais preciosa. A beleza a contaminou. Quando você entrou em mim por meio dos meus olhos você matou tudo de belo que existia dentro de mim e substituiu pelo seu sorriso tão irresistível.
Garota: E que tipo de beleza seria tão importante se não te matasse aos poucos?
Fim.
quinta-feira, julho 05, 2007
A alma humana
Entre os meios acadêmicos, é consenso de que não existe uma alma humana, simplesmente funções biológicas que ainda não conhecemos.
Particularmente, eu acho excelente que a ciência trabalhe com esse pressuposto sem se preocupar com sua validade, pois a última coisa que a humanidade precisa é pesquisadores parando de pesquisar por isso ou aquilo pertencer ao "transcedental".
-
Mesmo assim, há um problema lógico imenso em afirmar qualquer dos determinismos opostos em relação a mente.
Se a mente é puramente trasncedental, ou seja, se as idéias e pensamentos surgem de algo além das leis de causa e efeito, então de nenhuma forma esse pensamento se traduziria em ações e de nenhuma forma as informações do mundo causariam qualquer coisa nesse pensamento; se a mente é puramente biológica, então nós não faríamos nada além de responder a estimulos, não existiria individualismo ou subjetividade alguma e todos reagiriam igualmente aos mesmos estimulos; também não existiria nenhum tipo de negação dos instintos, sem contar uma série de operações da mente; não haveria visualização de futuro distante, mesmo que fosse possível desenvolver tecnologia, ela não iria além de simples tentativas e erros.
-
Eu não vejo motivo para não encaixar a alma humana em algum tipo de modelo biológico, desde que fique claro que exista algo que pensa, que recebe informações exteriores, mas que não é determinado por essas.
Eu não vejo motivo também para que tal alma seja algo grandioso, puro ou independente do corpo.
Eu penso na alma humana como algum tipo de combustivel; a mesma gasolina que entra em um fusca funciona em uma ferrari, mas um tem bem mais potência que o outro.
Animais tem uma série de limitações em seus cerebros. Andar em 4 pernas exige que um cerebro menor que o humano coordene quatro membros ao invés de dois, a ausência de glândulas sudoríparas força o animal a arfar para eliminar calor, o que impede o desenvolvimento de linguagem, e assim vai.
Todas essas coisas não significam que a alma não exista, é a mesma alma no gato e no homem, só que o homem pode fazer um uso melhor disso porque tem um corpo mais desenvolvido.
Até animais tomam decisões e as decisões dos animais não é tão diferente das dos homens, só são mais simples, a questão é que tudo o que impede o homem de ser puramente determinado pela física, também impede o animal e embora o animal não seja capaz de ativamente negar os instintos, ao menos ele pode ser treinado.
Um cachorro bem treinado com fome vai resistir a fome, certo que ele acredita que vai ser alimentado no futuro, mas essa é a questão, ele não é simplesmente um ser que reage a impulsos, ele pensa sobre o futuro, ele faz planos, ele espera e lida com prós, contras; poderia-se até dizer que ele faz um calculo econômico. Tudo em níveis muito primários, mas ainda, é inegável que há uma negação do presente em prol do futuro, que é algo que um impulso biológico não pode causar, porque tudo que o corpo faz é demandar que carências sejam satisfeitas, a fome não passa porque eu sei que vou comer daqui a pouco, a dor não para porque eu sei que já tomei um remédio que vai demorar pra fazer efeito, então o corpo ainda grita pela saciação da necessidade, mas alguma coisa nega o instinto, em suma, o corpo existe no tempo, no espaço e é afetado pelas coisas, a alma também, mas em "menor escala".
-
Embora seja fato que o pensamento pode ir para o futuro, então para o passado e relacionar as coisas e etc etc etc, meu pensamento não pode sequer revisitar todo o meu passado e o máximo de futuro que eu posso ir é a ficção cientifica, de qualquer forma, tudo que existe no pensamento está condicionado a experiência, exceto a capacidade em si de trabalhar esses conceitos e de agir baseado no conhecimento.
-
Então se for fazer aquela velha comparação da mente com um computador, o cerebro armazena os dados, de forma bem tosca e a alma é o processador de dados, o que, definitivamente, não é a mesma coisa que o cerebro, que as informações recebidas pelos orgãos sejam transformados em energia que é trabalhada pelo cerebro ainda exige algo além do cerebro, porque se eu quero acessar informação sobre meu gato, eu posso, isso faz com que meu cerebro se comporte de tal maneira e se eu quero então pensar sobre televisão, eu posso, ou seja, existe algo que envia comandos a esse musculo e não que reage a eles. Na verdade, seria absurdo pra todo animal que não exista um "eu" que comande o cerebro, senão essa energia seria simplesmente um emanharado aleatório de imagens e informações inúteis.
Imagine que tudo que eu tenho é um cerebro que armazena informações e que o ser humano é um ser que simplesmente reaja a tais informações, qual a diferença entre ver um pedaço de carne e um míssel nuclear? Ambas são coisas, ambas são energia, biologicamente, é a mesma coisa ambas as informações, se não existe subjetividade para trabalhar essas informações, seja no homem ou no animal, o cerebro é inútil.
-
Não quer dizer que o corpo humano é o melhor possível ou o mais apto a ter essa alma ou que essa alma seja algo grandioso.
Não podemos conhecer essa alma, mas que informações temos dela?
Ela não é o cerebro, mas é afetado pelas informações que passam por esse, profundamente afetada.
Pra mim, a humanidade está se degladiando entre dois erros.
Primeiro a alma humana era essa coisa que fazia parte do universo ou que era imortal ou que era separada do corpo ou que funcionava plenamente e hoje simplesmente se considera que ela não existe.
O problema é que se descobriu que a razão não é desconexa das informações.
Mesmo no empirismo inglês do século XVIII, era algo do tipo "não há nada inato na mente, mas uma vez que as informações chegam, nós a trabalhamos de forma racional" e só com Schopenhauer e Nietzsche que surgiu a possibilidade da razão agir por motivos ocultos ao homem e de haver algo que "corrompe" essa racionalidade pura que presumivelmente existia; a delibitação do corpo não faz só as pernas falharem, mas a mente também pensa coisas diferentes do que a mente de um corpo saudável pensaria, a lógica, as crenças, os valores, tudo que existe na alma é afetado pelo que acontece no corpo, mas isso não significa que essas coisas não existem ou que essas coisas são puramente biológicas.
-
Como dito no começo do post, eu prefiro mesmo que cientistas trabalhem com a possibilidade da alma não existir, mas mesmo que seja algo tão dependente e conectado ao corpo, eu ainda não encontro motivos que me façam acreditar que esse "eu" que existe anteriormente ao cerebro e que o comanda é o próprio cerebro.
Roubando um exemplo do Schopenhauer, é como o sujeito que está afundando na areia movediça e que puxa o próprio cabelo para sair de lá.
Se não existisse nada além do cerebro que dá ordens a esse, essa coisa gosmenta simplesmente não funcionaria.
Particularmente, eu acho excelente que a ciência trabalhe com esse pressuposto sem se preocupar com sua validade, pois a última coisa que a humanidade precisa é pesquisadores parando de pesquisar por isso ou aquilo pertencer ao "transcedental".
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Mesmo assim, há um problema lógico imenso em afirmar qualquer dos determinismos opostos em relação a mente.
Se a mente é puramente trasncedental, ou seja, se as idéias e pensamentos surgem de algo além das leis de causa e efeito, então de nenhuma forma esse pensamento se traduziria em ações e de nenhuma forma as informações do mundo causariam qualquer coisa nesse pensamento; se a mente é puramente biológica, então nós não faríamos nada além de responder a estimulos, não existiria individualismo ou subjetividade alguma e todos reagiriam igualmente aos mesmos estimulos; também não existiria nenhum tipo de negação dos instintos, sem contar uma série de operações da mente; não haveria visualização de futuro distante, mesmo que fosse possível desenvolver tecnologia, ela não iria além de simples tentativas e erros.
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Eu não vejo motivo para não encaixar a alma humana em algum tipo de modelo biológico, desde que fique claro que exista algo que pensa, que recebe informações exteriores, mas que não é determinado por essas.
Eu não vejo motivo também para que tal alma seja algo grandioso, puro ou independente do corpo.
Eu penso na alma humana como algum tipo de combustivel; a mesma gasolina que entra em um fusca funciona em uma ferrari, mas um tem bem mais potência que o outro.
Animais tem uma série de limitações em seus cerebros. Andar em 4 pernas exige que um cerebro menor que o humano coordene quatro membros ao invés de dois, a ausência de glândulas sudoríparas força o animal a arfar para eliminar calor, o que impede o desenvolvimento de linguagem, e assim vai.
Todas essas coisas não significam que a alma não exista, é a mesma alma no gato e no homem, só que o homem pode fazer um uso melhor disso porque tem um corpo mais desenvolvido.
Até animais tomam decisões e as decisões dos animais não é tão diferente das dos homens, só são mais simples, a questão é que tudo o que impede o homem de ser puramente determinado pela física, também impede o animal e embora o animal não seja capaz de ativamente negar os instintos, ao menos ele pode ser treinado.
Um cachorro bem treinado com fome vai resistir a fome, certo que ele acredita que vai ser alimentado no futuro, mas essa é a questão, ele não é simplesmente um ser que reage a impulsos, ele pensa sobre o futuro, ele faz planos, ele espera e lida com prós, contras; poderia-se até dizer que ele faz um calculo econômico. Tudo em níveis muito primários, mas ainda, é inegável que há uma negação do presente em prol do futuro, que é algo que um impulso biológico não pode causar, porque tudo que o corpo faz é demandar que carências sejam satisfeitas, a fome não passa porque eu sei que vou comer daqui a pouco, a dor não para porque eu sei que já tomei um remédio que vai demorar pra fazer efeito, então o corpo ainda grita pela saciação da necessidade, mas alguma coisa nega o instinto, em suma, o corpo existe no tempo, no espaço e é afetado pelas coisas, a alma também, mas em "menor escala".
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Embora seja fato que o pensamento pode ir para o futuro, então para o passado e relacionar as coisas e etc etc etc, meu pensamento não pode sequer revisitar todo o meu passado e o máximo de futuro que eu posso ir é a ficção cientifica, de qualquer forma, tudo que existe no pensamento está condicionado a experiência, exceto a capacidade em si de trabalhar esses conceitos e de agir baseado no conhecimento.
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Então se for fazer aquela velha comparação da mente com um computador, o cerebro armazena os dados, de forma bem tosca e a alma é o processador de dados, o que, definitivamente, não é a mesma coisa que o cerebro, que as informações recebidas pelos orgãos sejam transformados em energia que é trabalhada pelo cerebro ainda exige algo além do cerebro, porque se eu quero acessar informação sobre meu gato, eu posso, isso faz com que meu cerebro se comporte de tal maneira e se eu quero então pensar sobre televisão, eu posso, ou seja, existe algo que envia comandos a esse musculo e não que reage a eles. Na verdade, seria absurdo pra todo animal que não exista um "eu" que comande o cerebro, senão essa energia seria simplesmente um emanharado aleatório de imagens e informações inúteis.
Imagine que tudo que eu tenho é um cerebro que armazena informações e que o ser humano é um ser que simplesmente reaja a tais informações, qual a diferença entre ver um pedaço de carne e um míssel nuclear? Ambas são coisas, ambas são energia, biologicamente, é a mesma coisa ambas as informações, se não existe subjetividade para trabalhar essas informações, seja no homem ou no animal, o cerebro é inútil.
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Não quer dizer que o corpo humano é o melhor possível ou o mais apto a ter essa alma ou que essa alma seja algo grandioso.
Não podemos conhecer essa alma, mas que informações temos dela?
Ela não é o cerebro, mas é afetado pelas informações que passam por esse, profundamente afetada.
Pra mim, a humanidade está se degladiando entre dois erros.
Primeiro a alma humana era essa coisa que fazia parte do universo ou que era imortal ou que era separada do corpo ou que funcionava plenamente e hoje simplesmente se considera que ela não existe.
O problema é que se descobriu que a razão não é desconexa das informações.
Mesmo no empirismo inglês do século XVIII, era algo do tipo "não há nada inato na mente, mas uma vez que as informações chegam, nós a trabalhamos de forma racional" e só com Schopenhauer e Nietzsche que surgiu a possibilidade da razão agir por motivos ocultos ao homem e de haver algo que "corrompe" essa racionalidade pura que presumivelmente existia; a delibitação do corpo não faz só as pernas falharem, mas a mente também pensa coisas diferentes do que a mente de um corpo saudável pensaria, a lógica, as crenças, os valores, tudo que existe na alma é afetado pelo que acontece no corpo, mas isso não significa que essas coisas não existem ou que essas coisas são puramente biológicas.
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Como dito no começo do post, eu prefiro mesmo que cientistas trabalhem com a possibilidade da alma não existir, mas mesmo que seja algo tão dependente e conectado ao corpo, eu ainda não encontro motivos que me façam acreditar que esse "eu" que existe anteriormente ao cerebro e que o comanda é o próprio cerebro.
Roubando um exemplo do Schopenhauer, é como o sujeito que está afundando na areia movediça e que puxa o próprio cabelo para sair de lá.
Se não existisse nada além do cerebro que dá ordens a esse, essa coisa gosmenta simplesmente não funcionaria.
quinta-feira, junho 14, 2007
Tem me incomodado ultimamente como que as pessoas sabem tantas coisas simples que eu não sei.
Eu não sei como as pessoas vivem. Não sei como elas toleram a si próprias. Eu preciso de umas férias de mim mesmo. Eu preciso viver na mente de outra pessoa. Viver comigo mesmo tem exigido manutenção demais. Tempo demais. Tempo que eu não tenho. Tempo que seria melhor aproveitado fazendo outra coisa senão tentando me defender contra não sei o que.
Eu não sei como as pessoas fazem pra sobreviver a arte. Mas esse foi sempre um problema pra mim. Eu não sei lidar com a minha mente da mesma forma que eu não sei lidar com a mente dos artistas cuja obra eu tenho contato e agora entra na equação a mente dos filósofos também.
É muita cabeça estranha junta. Eu não aguento. É demais. Essa vida é demais pra mim. Eu não estou pronto pra vida. Eu não sei viver. E não é como se eu tivesse lá uma vontade tão grande de viver de qualquer forma. É muita manutenção. É muito tempo perdido tentando me controlar. E é literalmente perdido porque eu não consigo de qualquer forma.
Eu queria dizer que eu quero desistir, mas a questão é que eu já desisti faz algum tempo.
Eu já fracassei e já fui derrotado em todas as coisas que podia.
Agora já deu.
Agora eu só quero descansar pra sempre.
As coisas em que eu já fracassei, pessoas de 40 anos ainda não fracassaram.
Eu tentei demais e não deu certo.
Às vezes é assim. Às vezes não dá certo. Às vezes não dá certo o tempo todo. E o tempo todo não deu certo.
Agora eu só quero descansar.
Eu não sei como as pessoas vivem. Não sei como elas toleram a si próprias. Eu preciso de umas férias de mim mesmo. Eu preciso viver na mente de outra pessoa. Viver comigo mesmo tem exigido manutenção demais. Tempo demais. Tempo que eu não tenho. Tempo que seria melhor aproveitado fazendo outra coisa senão tentando me defender contra não sei o que.
Eu não sei como as pessoas fazem pra sobreviver a arte. Mas esse foi sempre um problema pra mim. Eu não sei lidar com a minha mente da mesma forma que eu não sei lidar com a mente dos artistas cuja obra eu tenho contato e agora entra na equação a mente dos filósofos também.
É muita cabeça estranha junta. Eu não aguento. É demais. Essa vida é demais pra mim. Eu não estou pronto pra vida. Eu não sei viver. E não é como se eu tivesse lá uma vontade tão grande de viver de qualquer forma. É muita manutenção. É muito tempo perdido tentando me controlar. E é literalmente perdido porque eu não consigo de qualquer forma.
Eu queria dizer que eu quero desistir, mas a questão é que eu já desisti faz algum tempo.
Eu já fracassei e já fui derrotado em todas as coisas que podia.
Agora já deu.
Agora eu só quero descansar pra sempre.
As coisas em que eu já fracassei, pessoas de 40 anos ainda não fracassaram.
Eu tentei demais e não deu certo.
Às vezes é assim. Às vezes não dá certo. Às vezes não dá certo o tempo todo. E o tempo todo não deu certo.
Agora eu só quero descansar.
segunda-feira, maio 21, 2007
Vida extra-terrestre.
Pessoal que estuda isso deve ser mais bem informado, mas eu fiz uma pesquisa rápida numa dúvida que eu tive.
-
O programa SETI está a décadas procurando sinais de rádio que provém de civilizações alienigenas.
Mas e se aliens não usam sinais de rádio?
Digo, mesmo na terra, poderia simplesmente acontecer da civilização não ter acontecido da forma que aconteceu, de a gente ter ido atrás de ciência, tecnologia, etc; mas de nunca ter pesquisado formas de transmitir ondas de rádio.
Digo, a gente passou os primeiros 4000 e poucos anos de civilização sem nada de rádio.
-
E pelo jeito essa é uma pergunta legitima.
Digo, nesse momento estamos nos comunicando por cabos, se a transmissão de imagem e som via cabo tivesse se desenvolvido antes da comunicação via rádio, talvez simplesmente não houvesse interesse nessa tecnologia e nós nunca a desenvolveriamos, os cientistas talvez até soubessem como isso funciona, teriam feito alguns testes, mas afinal "o planeta inteiro já está coberto por esses cabos que são confiáveis e transmitem ótimas imagens, pra que vamos perder tempo enviando transmissões pelo ar?"
-
No mais, umas curiosidades que eu tenho é se nesses planetas existem elementos quimicos que não existem no nosso. Se acharem um único elemento quimico em algum outro planeta que simplesmente não existe no nosso, então não há mais limites, qualquer tipo de vida pode existir.
-
No mais, não é como se pudessemos ter certeza absoluta de que, no nosso próprio planeta, existem somente esses elementos químicos, pode existir um sem numero de coisas que nosso corpo simplesmente não é apto a captar (e que talvez não nos afete em absolutamente nada).
-
Enfim, a busca por extra-terrestres está totalmente contaminada pelo habitual egocentrismo humano, de achar que, qualquer coisa que exista, é parecida o suficiente conosco que possa ser detectada... mas enfim, é um método, melhor que nada.
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O programa SETI está a décadas procurando sinais de rádio que provém de civilizações alienigenas.
Mas e se aliens não usam sinais de rádio?
Digo, mesmo na terra, poderia simplesmente acontecer da civilização não ter acontecido da forma que aconteceu, de a gente ter ido atrás de ciência, tecnologia, etc; mas de nunca ter pesquisado formas de transmitir ondas de rádio.
Digo, a gente passou os primeiros 4000 e poucos anos de civilização sem nada de rádio.
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E pelo jeito essa é uma pergunta legitima.
Digo, nesse momento estamos nos comunicando por cabos, se a transmissão de imagem e som via cabo tivesse se desenvolvido antes da comunicação via rádio, talvez simplesmente não houvesse interesse nessa tecnologia e nós nunca a desenvolveriamos, os cientistas talvez até soubessem como isso funciona, teriam feito alguns testes, mas afinal "o planeta inteiro já está coberto por esses cabos que são confiáveis e transmitem ótimas imagens, pra que vamos perder tempo enviando transmissões pelo ar?"
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No mais, umas curiosidades que eu tenho é se nesses planetas existem elementos quimicos que não existem no nosso. Se acharem um único elemento quimico em algum outro planeta que simplesmente não existe no nosso, então não há mais limites, qualquer tipo de vida pode existir.
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No mais, não é como se pudessemos ter certeza absoluta de que, no nosso próprio planeta, existem somente esses elementos químicos, pode existir um sem numero de coisas que nosso corpo simplesmente não é apto a captar (e que talvez não nos afete em absolutamente nada).
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Enfim, a busca por extra-terrestres está totalmente contaminada pelo habitual egocentrismo humano, de achar que, qualquer coisa que exista, é parecida o suficiente conosco que possa ser detectada... mas enfim, é um método, melhor que nada.
sexta-feira, maio 18, 2007
Os dias que a solidão mais apertam é quando você percebe que não tem ninguém pra te proteger.
Eu queria me livrar dessa sensação de que estou sendo atacado o tempo todo, de que sempre tem alguém dedicado a me "ensinar uma lição", no pior sentido da expressão, porque eu não faço do circulo de amizades dessas pessoas e tive a chance de fazer.
-
Eu já rejeitei tantos circulos de amizades que é desonesto reclamar da solidão e da paranóia, da impressão que estão todos aí, escondidos, esperando pra se vingar.
Eu queria me livrar dessa sensação de que estou sendo atacado o tempo todo, de que sempre tem alguém dedicado a me "ensinar uma lição", no pior sentido da expressão, porque eu não faço do circulo de amizades dessas pessoas e tive a chance de fazer.
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Eu já rejeitei tantos circulos de amizades que é desonesto reclamar da solidão e da paranóia, da impressão que estão todos aí, escondidos, esperando pra se vingar.
Ok, tem comentários que precisam de respostas.
"Só sobre filosofia, que é o que me interessa, não sei por que se comparar com Nietzsche, ou com qualquer outro filósofo(...)e a devoção a qualquer filósofo ou a seu pensamento é alienação da liberdade."
A primeira frase do post é "Eu sei que é besteira querer se comparar com Nietzsche", então vamos lá, se EU SEI que é BESTEIRA querer se comparar com Nietzsche e se eu ABRI o post dessa maneira, na minha ingenuidade, foi pra se proteger contra esse comentário, ou seja, estamos no reino dos sentimentos ilógicos, que sabemos que são errados, mas que fazemos questão de examinar mesmo assim.
Então, se "Eu sei que é besteira querer se comparar com Nietzsche", aonde, oh céus, aonde está devoção e alienação da liberdade?
"Fácil, difícil, a filosofia não se presta a esses rótulos",
E porque não? Ou será que isso é uma mera frazezinha de efeito com aquele tom de superioridade que desesperamente reza para que nossos impulsos irracionais de obediência simplesmente a aceitem só porque ela é arrogante?
"'Amor a sabedoria': ou você tem ou não tem"
E amor nunca pode ser dificil?
Amor não pode parecer overwhelming as vezes?
O ser amado não pode algumas vezes parecer bom demais pra você? Grande demais pra você? Não é esse sentimento que movem os grandes atos passionais de sacrificio?
Eu poderia dizer um monte sobre amor a qualquer coisa, especialmente sobre amor a sabedoria, mas eu jamais diria que ele é simples a ponto de você simplesmente "ter" ou "não ter".
Não existem dúvidas no amor?
Não existe aquele sentimento de falta de esperança em que você acha que jamais conquistará o objeto?
Não existe aqueles momentos em que você se pergunta se vale a pena tanta dedicação? Ainda mais quando o amor é uma causa em si?
Será que se a sentença de Sócrates tivesse sido "não irá mais filosofar", ele teria cometido o suicidio de um Romeu?
Porque se você nunca se perguntou se é bom o suficiente pro ser amado, então eu que pergunto, será que você tem realmente esse amor? Se esse amor nunca te pareceu mais do que você pode lidar, será que você tem realmente esse amor?
Pode ser lógico, mas será que é amor?
"Nietzsche está morto e eu estou vivo. Cá entre nós, os vivos, eu tenho mais medo dos vivos do que dos mortos, mesmo se tratando de filósofos."
Já o meu medo está relacionado a pensadores grandes ou pequenos demais. Àquelas pessoas que simplesmente viram algo que você não viu e que dão a impressão que, mesmo mortos, ainda sabem muito mais do que você e que, se você espera entrar pra valer nessa de amar a sabedoria, precisa, no minimo, saber o que eles sabem mais alguma coisa e também aqueles não-pensadores que com sua não-sabedoria, enxergam o mundo de maneira tão diferente que também vê um milhão de coisas que não conseguiriamos por mais que tentassemos.
-
As coisas tem aquele hábito irritante de ressucitar vez ou outra.
A primeira frase do post é "Eu sei que é besteira querer se comparar com Nietzsche", então vamos lá, se EU SEI que é BESTEIRA querer se comparar com Nietzsche e se eu ABRI o post dessa maneira, na minha ingenuidade, foi pra se proteger contra esse comentário, ou seja, estamos no reino dos sentimentos ilógicos, que sabemos que são errados, mas que fazemos questão de examinar mesmo assim.
Então, se "Eu sei que é besteira querer se comparar com Nietzsche", aonde, oh céus, aonde está devoção e alienação da liberdade?
"Fácil, difícil, a filosofia não se presta a esses rótulos",
E porque não? Ou será que isso é uma mera frazezinha de efeito com aquele tom de superioridade que desesperamente reza para que nossos impulsos irracionais de obediência simplesmente a aceitem só porque ela é arrogante?
"'Amor a sabedoria': ou você tem ou não tem"
E amor nunca pode ser dificil?
Amor não pode parecer overwhelming as vezes?
O ser amado não pode algumas vezes parecer bom demais pra você? Grande demais pra você? Não é esse sentimento que movem os grandes atos passionais de sacrificio?
Eu poderia dizer um monte sobre amor a qualquer coisa, especialmente sobre amor a sabedoria, mas eu jamais diria que ele é simples a ponto de você simplesmente "ter" ou "não ter".
Não existem dúvidas no amor?
Não existe aquele sentimento de falta de esperança em que você acha que jamais conquistará o objeto?
Não existe aqueles momentos em que você se pergunta se vale a pena tanta dedicação? Ainda mais quando o amor é uma causa em si?
Será que se a sentença de Sócrates tivesse sido "não irá mais filosofar", ele teria cometido o suicidio de um Romeu?
Porque se você nunca se perguntou se é bom o suficiente pro ser amado, então eu que pergunto, será que você tem realmente esse amor? Se esse amor nunca te pareceu mais do que você pode lidar, será que você tem realmente esse amor?
Pode ser lógico, mas será que é amor?
"Nietzsche está morto e eu estou vivo. Cá entre nós, os vivos, eu tenho mais medo dos vivos do que dos mortos, mesmo se tratando de filósofos."
Já o meu medo está relacionado a pensadores grandes ou pequenos demais. Àquelas pessoas que simplesmente viram algo que você não viu e que dão a impressão que, mesmo mortos, ainda sabem muito mais do que você e que, se você espera entrar pra valer nessa de amar a sabedoria, precisa, no minimo, saber o que eles sabem mais alguma coisa e também aqueles não-pensadores que com sua não-sabedoria, enxergam o mundo de maneira tão diferente que também vê um milhão de coisas que não conseguiriamos por mais que tentassemos.
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As coisas tem aquele hábito irritante de ressucitar vez ou outra.
domingo, maio 13, 2007
Eu sei que é besteira querer se comparar com Nietzsche (e é besteira quer você goste dele ou não), mas é impressionante como eu tantas vezes acabo me saindo o completo oposto de tudo que ele diz que é alguém forte ou alguém que é um bom filósofo.
Algumas vezes dá certo e outras não.
Filosofia é difícil.
É difícil... de lidar...
Não é difícil entender o que os filósofos querem dizer ou saber qual é a teoria de cada um, nem nada do tipo... é só... díficil...
É tão grande... eu vivo me pegando com aquela sensação de que estou tentando abocanhar algo muito maior que minha boca... será que é por isso que eu tenho tantos sonhos em que eu estou com a boca aberta e minha mandibula trava e eu não consigo fechar?
Ou será simplesmente porque eu falo tanto o que não devia?
-
Tantas músicas e é incrível como sempre tem uma do Blondie pra cada humor.
Agora eu estou ouvindo Fade Away And Radiate.
É, esse random do winamp não ta dando certo, eu tenho que fazer uma playlist de músicas pra sleeples saturday morning blues.
-
1. Blondie - Fade Away And Radiate (4:02)
2. Bob Dylan - Mr. Tambourine Man (5:29)
3. Architecture In Helsinki - Maybe You Can Owe Me (4:05)
4. Camera Obscura - Country Mile (3:59)
5. Foo Fighters - February Stars (4:49)
6. Franz Ferdinand - 10 - Come On Home (3:46)
7. Interpol - Leif Erikson (4:00)
8. Klaxons - Atlantis To Interzone (3:18)
9. Lou Reed - Satellite Of Love (3:44)
10. Hole - Northern Star (4:58)
11. Nirvana - Dumb (2:34)
12. The Rolling Stones - Street Fighting Man (3:16)
-
Ta meio em ordem alfabética porque eu fui pegando as MP3s meio na pressa mesmo.
Só uma listinha até terminar o post.
-
Eu devia pegar esse monte de MP3 minha e separar em humores.
Em fazer uma listinha pra quando estou feliz, pra quando estou triste, pra sabados insones, pra domingos tediosos, etc.
O problema é que aí eu não seria surpreendido mais e o que eu gosto - geralmente - é de ser surpreendido pelo winamp.
Hoje não. Hoje eu quero me manter em um humor definido.
-
Quando isso acontece -- isso de eu querer me manter em um humor especifico -- é geralmente porque eu quero me torturar porque eu me sinto culpado por causa de algo e eu meio que sei o que é, mas não exatamente.
É engraçado como esse pensamento funciona, essa prática que temos de fazer alguém sofrer porque este fez outro sofrer, é tão imbecil e fica claramento imbecil quando aplicado nessa forma de tortura emocional.
É como se sofrer mudasse o fato que você faz outras pessoas sofrerem, o que é simplesmente estúpido.
-
Then take me disappearin' through the smoke rings of my mind,
Down the foggy ruins of time, far past the frozen leaves,
The haunted, frightened trees, out to the windy beach,
Far from the twisted reach of crazy sorrow.
Yes, to dance beneath the diamond sky with one hand waving free,
Silhouetted by the sea, circled by the circus sands,
With all memory and fate driven deep beneath the waves,
Let me forget about today until tomorrow.
Hey Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jungle morning I'll come followin' you.
-
Talvez a vida tenha simplesmente provado pra mim tantas vezes que eu sou fraco e pequeno que tudo isso seja só birra contra os fatos.
E nesse mundo doente não existe nada que prove pra você se você está certo ou errado. Dinheiro, fama, reconhecimento, respeito, adoração; isso serve pra nos manter vivos e alegres, mas não diz nada a respeito da verdade ou falsidade do que nós dizemos.
Resta você se agarrar - ou não - em qualquer brilho fugaz que por acaso voe diante dos seus olhos.
-
Ultimamente, por exemplo, eu estou convencido que dentro de cada um de nós está a resposta... pra alguma coisa...
Mas quem sabe... pode ser uma paranóia minha que eu estou querendo imprimir no universo... que parte daqueles pressupostos que só existem por pura fé... de que vivemos todos na mesma realidade... *vibramos* na mesma frequência... funcionamos da mesma forma...
-
Sofrimento por exemplo.
Todo mundo sofre e não são tantos assim os motivos para se sofrer... todo mundo sofre e mais ou menos pelas mesmas coisas...
Ainda assim, sofrimento desperta um sentimento de individualidade tão grande... é como se o seu coração tenha sido mais quebrado, como se você fosse o único que sofresse por causa dessas coisas, "porque ninguém entende meu sofrimento" e sei lá, talvez não entenda, talvez exista aí... em algum lugar... alguma coisa que nos diferencie tanto... que não sejamos sequer feitos do mesmo material...
Ou talvez não.
-
But how i needed you, when i needed you
Let's not forget we are so strong, so bloody strong
Come on home
So come on home
So come home...
Eu não sei se estou perto de fazer um grande salto ou de cair... ou talvez seja a mesma coisa... talvez o pior mesmo seja estar perto de fazer um grande salto e simplesmente ficar parado, olhando pra baixo e pensando o quanto é alto...
-
É fácil pegar as nossas fraquezas e exibir como se fossem medalhas... como se fosse de propósito... é talvez esse o esporte favorito do brasileiro... e agora está vindo um sentimento semelhante de fora... eu acho que tenho que passar um tempo maior na Rua Augusta... ou no Orkut... pra ver os efeitos disso...
-
Ou talvez eu esteja errado, talvez esse sentimento vindo de fora não tenha nada de exibir fraquezas como se fossem medalhas, acho que isso já passou... se é que existiu... agora é uma coisa mais... como redenção... é inocência travestida de corrupção... é bem romântico vendo assim... tomara que dê certo na prática.
-
Eu preciso de mais pepsi.
-
E já ta décima música
-
-
Acho que a Courtney Love percebeu isso antes de todo mundo... talvez por ter vivido tão perto do espirito dos anos 90, quando ele explodiu arremessou ela direto pro futuro -- por um segundo... e ela viu alguma coisa... de qualquer forma, ela sabia antes de todos nós... e ela esqueceu antes também...
-
Viver no presente e ser eterno...
Não faz sentido querer ser eterno, não sei se tenho algum desejo disso, não é como se mesmo o tempo fosse teste pra algum tipo qualquer de validade.
-
Acabaram as músicas.
-
Vou ouvir Goo do Sonic Youth.
-
Não, não vou, acabou o sentimento.
Algumas vezes dá certo e outras não.
Filosofia é difícil.
É difícil... de lidar...
Não é difícil entender o que os filósofos querem dizer ou saber qual é a teoria de cada um, nem nada do tipo... é só... díficil...
É tão grande... eu vivo me pegando com aquela sensação de que estou tentando abocanhar algo muito maior que minha boca... será que é por isso que eu tenho tantos sonhos em que eu estou com a boca aberta e minha mandibula trava e eu não consigo fechar?
Ou será simplesmente porque eu falo tanto o que não devia?
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Tantas músicas e é incrível como sempre tem uma do Blondie pra cada humor.
Agora eu estou ouvindo Fade Away And Radiate.
É, esse random do winamp não ta dando certo, eu tenho que fazer uma playlist de músicas pra sleeples saturday morning blues.
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1. Blondie - Fade Away And Radiate (4:02)
2. Bob Dylan - Mr. Tambourine Man (5:29)
3. Architecture In Helsinki - Maybe You Can Owe Me (4:05)
4. Camera Obscura - Country Mile (3:59)
5. Foo Fighters - February Stars (4:49)
6. Franz Ferdinand - 10 - Come On Home (3:46)
7. Interpol - Leif Erikson (4:00)
8. Klaxons - Atlantis To Interzone (3:18)
9. Lou Reed - Satellite Of Love (3:44)
10. Hole - Northern Star (4:58)
11. Nirvana - Dumb (2:34)
12. The Rolling Stones - Street Fighting Man (3:16)
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Ta meio em ordem alfabética porque eu fui pegando as MP3s meio na pressa mesmo.
Só uma listinha até terminar o post.
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Eu devia pegar esse monte de MP3 minha e separar em humores.
Em fazer uma listinha pra quando estou feliz, pra quando estou triste, pra sabados insones, pra domingos tediosos, etc.
O problema é que aí eu não seria surpreendido mais e o que eu gosto - geralmente - é de ser surpreendido pelo winamp.
Hoje não. Hoje eu quero me manter em um humor definido.
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Quando isso acontece -- isso de eu querer me manter em um humor especifico -- é geralmente porque eu quero me torturar porque eu me sinto culpado por causa de algo e eu meio que sei o que é, mas não exatamente.
É engraçado como esse pensamento funciona, essa prática que temos de fazer alguém sofrer porque este fez outro sofrer, é tão imbecil e fica claramento imbecil quando aplicado nessa forma de tortura emocional.
É como se sofrer mudasse o fato que você faz outras pessoas sofrerem, o que é simplesmente estúpido.
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Then take me disappearin' through the smoke rings of my mind,
Down the foggy ruins of time, far past the frozen leaves,
The haunted, frightened trees, out to the windy beach,
Far from the twisted reach of crazy sorrow.
Yes, to dance beneath the diamond sky with one hand waving free,
Silhouetted by the sea, circled by the circus sands,
With all memory and fate driven deep beneath the waves,
Let me forget about today until tomorrow.
Hey Mr. Tambourine Man, play a song for me,
I'm not sleepy and there is no place I'm going to.
Hey Mr. Tambourine Man, play a song for me,
In the jingle jungle morning I'll come followin' you.
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Talvez a vida tenha simplesmente provado pra mim tantas vezes que eu sou fraco e pequeno que tudo isso seja só birra contra os fatos.
E nesse mundo doente não existe nada que prove pra você se você está certo ou errado. Dinheiro, fama, reconhecimento, respeito, adoração; isso serve pra nos manter vivos e alegres, mas não diz nada a respeito da verdade ou falsidade do que nós dizemos.
Resta você se agarrar - ou não - em qualquer brilho fugaz que por acaso voe diante dos seus olhos.
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Ultimamente, por exemplo, eu estou convencido que dentro de cada um de nós está a resposta... pra alguma coisa...
Mas quem sabe... pode ser uma paranóia minha que eu estou querendo imprimir no universo... que parte daqueles pressupostos que só existem por pura fé... de que vivemos todos na mesma realidade... *vibramos* na mesma frequência... funcionamos da mesma forma...
-
Sofrimento por exemplo.
Todo mundo sofre e não são tantos assim os motivos para se sofrer... todo mundo sofre e mais ou menos pelas mesmas coisas...
Ainda assim, sofrimento desperta um sentimento de individualidade tão grande... é como se o seu coração tenha sido mais quebrado, como se você fosse o único que sofresse por causa dessas coisas, "porque ninguém entende meu sofrimento" e sei lá, talvez não entenda, talvez exista aí... em algum lugar... alguma coisa que nos diferencie tanto... que não sejamos sequer feitos do mesmo material...
Ou talvez não.
-
But how i needed you, when i needed you
Let's not forget we are so strong, so bloody strong
Come on home
So come on home
So come home...
Eu não sei se estou perto de fazer um grande salto ou de cair... ou talvez seja a mesma coisa... talvez o pior mesmo seja estar perto de fazer um grande salto e simplesmente ficar parado, olhando pra baixo e pensando o quanto é alto...
-
É fácil pegar as nossas fraquezas e exibir como se fossem medalhas... como se fosse de propósito... é talvez esse o esporte favorito do brasileiro... e agora está vindo um sentimento semelhante de fora... eu acho que tenho que passar um tempo maior na Rua Augusta... ou no Orkut... pra ver os efeitos disso...
-
Ou talvez eu esteja errado, talvez esse sentimento vindo de fora não tenha nada de exibir fraquezas como se fossem medalhas, acho que isso já passou... se é que existiu... agora é uma coisa mais... como redenção... é inocência travestida de corrupção... é bem romântico vendo assim... tomara que dê certo na prática.
-
Eu preciso de mais pepsi.
-
E já ta décima música
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-
Acho que a Courtney Love percebeu isso antes de todo mundo... talvez por ter vivido tão perto do espirito dos anos 90, quando ele explodiu arremessou ela direto pro futuro -- por um segundo... e ela viu alguma coisa... de qualquer forma, ela sabia antes de todos nós... e ela esqueceu antes também...
-
Viver no presente e ser eterno...
Não faz sentido querer ser eterno, não sei se tenho algum desejo disso, não é como se mesmo o tempo fosse teste pra algum tipo qualquer de validade.
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Acabaram as músicas.
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Vou ouvir Goo do Sonic Youth.
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Não, não vou, acabou o sentimento.
sábado, maio 05, 2007
Skol Beats (sabado madrugada)
22:00 e pouco e estou começando a formar uma teoria sobre o Skol Beats.
Eu não consigo afastar a sensação de que as pessoas estão vindo aqui mais pelo tradicionalismo da festa do que pelo som.
O pessoal do Cuban Brothers está tocando ao vivo para pouca gente e pouco animada. Eles se esforçam ao máximo para animar as pessoas, mas não dá certo.
-
Diferente de ontem, as duas tendas estão estupidamente cheias, mas ninguém parece estar pulando demais ou se empolgando ou coisa do tipo.
Talvez eu que não esteja acostumado com rave, talvez seja assim que essas pessoas dançam.
But anyway.
That´s it for now.
Eu não consigo afastar a sensação de que as pessoas estão vindo aqui mais pelo tradicionalismo da festa do que pelo som.
O pessoal do Cuban Brothers está tocando ao vivo para pouca gente e pouco animada. Eles se esforçam ao máximo para animar as pessoas, mas não dá certo.
-
Diferente de ontem, as duas tendas estão estupidamente cheias, mas ninguém parece estar pulando demais ou se empolgando ou coisa do tipo.
Talvez eu que não esteja acostumado com rave, talvez seja assim que essas pessoas dançam.
But anyway.
That´s it for now.
Skol Beats (continuação)
Obviamente tem bem mais gente.
Rolou um número aqui de 11,5 mil pessoas.
Com mais gente, é possível observar mais sobre o público também. Se eu for ter que chutar, eu diria que a média de idade é entre 25 e 30 anos, talvez até um pouco mais; é um público definitivamente bonito, mas de nenhuma forma o mais jovem.
Pouquissimos cabelos coloridos e pouquissimas pessoas com malabares, luzinhas e coisas que se espera encontrar em raves.
Muita gente parece veterana de Skol Beats e as áreas fora das tendas parece ter o mesmo número de pessoas que as áreas com DJs.
-
Ok, isso foi um exagero, é lógico que tem bem mais gente com os DJs, mas o meu ponto é que muita gente vem parece que pra encontrar amigos e coisa do tipo.
-
Pessoal na área de imprensa está aproveitando bem as Skols de graça.
-
Um "furo" (que pra mim significa pouco porque eu não conheço nenhuma dessas pessoas):
Renato Ratier (dono do D.Edge) vai discotecar porque uma dona aí ficou doente e um sujeito que só tem consoante no nome não conseguiu desembarcar porque o clima da Argentina resolveu ficar de mau humor.
-
Aumenta também o número de pessoas nas tendinhas de pronto-socorro. Uma menina falava no telefone algo do tipo "ela nem bebeu, nem nada e passou mal", acredito, tanta gente, alguém teria que passar mal por algum motivo inocente, má sorte que foi a amiga dela.
Quando qualquer pessoa passa mal em balada é sempre os amigos que sofre. Passar mal em si é até bem relaxante.
-
Falando em passar mal, a Ambev preparou todo um lance "se beber, não dirija"; ônibus pro metrô é de graça e tem sempre taxi no estacionamento, que funciona até 10 horas depois do evento terminar, a intenção é que o sujeito bêbado volte pra casa de ônibus ou taxi e uma vez sóbrio volte para o Anhembi coletar o carro.
-
Eu vi uma garota que se não estiver drogada, parece ser muito divertida; ela andava toda retinha, parecia aqueles ursinhos que batem pratos. So lovely.
-
Comentário do Cadu:
"Pô, Rodrigo, você tá traindo o movimento debandando deste jeito pro lado dos jornalistas. Cadê a visão filosófica da coisa? Pelo jeito tá faltando um historiador aí do teu lado pra te colocar de volta no caminho da verdade. =) "
Mas pô! Eles me dão bebida de verdade!
-
Mas vai, eu vou dar uma de underground ofendendo os principais patrocinadores.
-
Eu pegaria cerveja de graça se não fosse Skol.
E eu aproveitei pra experimentar uma Pepsi Max e achei o pior refrigerante que já bebi na minha vida.
-
O crepe é ótimo.
-
Quanto a filosofia da coisa, tem sim algo que eu tinha esquecido.
-
Eu não sou o maior fã de música eletrônica do mundo, mas vá lá, eu acho que tem algo de incrivelmente belo na música eletrônica que é como a música nem tenta ter uma mensagem. Sem tentar ter mensagem, ela se torna música em si, feita pro corpo inteiro e não só pro ouvido. É bem o tipo de coisa que te eleva.
Os DJs do Live são muito bons nisso, tem horas que parece um lance de rock progressivo, não é batida pro pessoal pular, é mais pro pessoal sentir e ficar se mexendo de um lado pro outro. É muito mais pro lado do psicodelico do que do eletrônico, quem manja deve ter um nome especifico pra isso; eu não tenho, então comparo com rock, mas de qualquer forma é isso.
-
É muito bom ver tanta gente dançando, simplesmente aproveitando, na tenda do Terra que rola black, o lance parece muito mais artificial, as pessoas tentam simular alguma dança especifica, sei lá, onde é música eletrônica meeesmo mesmo, é uma coisa bem mais natural, bem mais de sentimento, não sei se não rola, pelo menos com algumas coisas, aquela situação que o Schopenhauer descreveu de se tornar sujeito puro de conhecimento, livre da vontade... talvez a natureza da música eletrônica, basicamente oposta da música clássica que influenciou tanto Schopenhauer cause também o efeito contrário e as pessoas se tornam sujeitos puros de vontade, mas sem sofrimento.
Vai saber.
Rolou um número aqui de 11,5 mil pessoas.
Com mais gente, é possível observar mais sobre o público também. Se eu for ter que chutar, eu diria que a média de idade é entre 25 e 30 anos, talvez até um pouco mais; é um público definitivamente bonito, mas de nenhuma forma o mais jovem.
Pouquissimos cabelos coloridos e pouquissimas pessoas com malabares, luzinhas e coisas que se espera encontrar em raves.
Muita gente parece veterana de Skol Beats e as áreas fora das tendas parece ter o mesmo número de pessoas que as áreas com DJs.
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Ok, isso foi um exagero, é lógico que tem bem mais gente com os DJs, mas o meu ponto é que muita gente vem parece que pra encontrar amigos e coisa do tipo.
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Pessoal na área de imprensa está aproveitando bem as Skols de graça.
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Um "furo" (que pra mim significa pouco porque eu não conheço nenhuma dessas pessoas):
Renato Ratier (dono do D.Edge) vai discotecar porque uma dona aí ficou doente e um sujeito que só tem consoante no nome não conseguiu desembarcar porque o clima da Argentina resolveu ficar de mau humor.
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Aumenta também o número de pessoas nas tendinhas de pronto-socorro. Uma menina falava no telefone algo do tipo "ela nem bebeu, nem nada e passou mal", acredito, tanta gente, alguém teria que passar mal por algum motivo inocente, má sorte que foi a amiga dela.
Quando qualquer pessoa passa mal em balada é sempre os amigos que sofre. Passar mal em si é até bem relaxante.
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Falando em passar mal, a Ambev preparou todo um lance "se beber, não dirija"; ônibus pro metrô é de graça e tem sempre taxi no estacionamento, que funciona até 10 horas depois do evento terminar, a intenção é que o sujeito bêbado volte pra casa de ônibus ou taxi e uma vez sóbrio volte para o Anhembi coletar o carro.
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Eu vi uma garota que se não estiver drogada, parece ser muito divertida; ela andava toda retinha, parecia aqueles ursinhos que batem pratos. So lovely.
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Comentário do Cadu:
"Pô, Rodrigo, você tá traindo o movimento debandando deste jeito pro lado dos jornalistas. Cadê a visão filosófica da coisa? Pelo jeito tá faltando um historiador aí do teu lado pra te colocar de volta no caminho da verdade. =) "
Mas pô! Eles me dão bebida de verdade!
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Mas vai, eu vou dar uma de underground ofendendo os principais patrocinadores.
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Eu pegaria cerveja de graça se não fosse Skol.
E eu aproveitei pra experimentar uma Pepsi Max e achei o pior refrigerante que já bebi na minha vida.
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O crepe é ótimo.
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Quanto a filosofia da coisa, tem sim algo que eu tinha esquecido.
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Eu não sou o maior fã de música eletrônica do mundo, mas vá lá, eu acho que tem algo de incrivelmente belo na música eletrônica que é como a música nem tenta ter uma mensagem. Sem tentar ter mensagem, ela se torna música em si, feita pro corpo inteiro e não só pro ouvido. É bem o tipo de coisa que te eleva.
Os DJs do Live são muito bons nisso, tem horas que parece um lance de rock progressivo, não é batida pro pessoal pular, é mais pro pessoal sentir e ficar se mexendo de um lado pro outro. É muito mais pro lado do psicodelico do que do eletrônico, quem manja deve ter um nome especifico pra isso; eu não tenho, então comparo com rock, mas de qualquer forma é isso.
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É muito bom ver tanta gente dançando, simplesmente aproveitando, na tenda do Terra que rola black, o lance parece muito mais artificial, as pessoas tentam simular alguma dança especifica, sei lá, onde é música eletrônica meeesmo mesmo, é uma coisa bem mais natural, bem mais de sentimento, não sei se não rola, pelo menos com algumas coisas, aquela situação que o Schopenhauer descreveu de se tornar sujeito puro de conhecimento, livre da vontade... talvez a natureza da música eletrônica, basicamente oposta da música clássica que influenciou tanto Schopenhauer cause também o efeito contrário e as pessoas se tornam sujeitos puros de vontade, mas sem sofrimento.
Vai saber.
Backstage (titulo besta e elitista)
Eu estou na sala de imprensa do Skol Beats.
Como tem muita coisa rolando que acho que não fica bem na matéria que eu eventualmente vou escrever, então eu decidi, de tempinho em tempinho, dar uma atualizada no blog.
-
Ok.
Primeiro a aventura para conseguir o credenciamento.
-
Eu cheguei na revista umas 15 e pouco, esperando já sair de lá e descobrir como chegar na Juscelino Kubistcheck, me disseram que rolaria carona, então eu esperei.
O credenciamento rolava até as 18h, deu umas 17h me avisaram que não ia ter carona e que eu teria que ir de ônibus.
O ônibus mais rápido parava no começo da avenida, há uns 2 kilometros do prédio da InPress, eu cheguei lá umas 17h30m, então lá vai Rodrigo fazer sua preparação, coloca dinheiro e documento no bolso da calça para não cair e começa a correr.
Ele corre um tempo e então para, sem fôlego.
De qualquer forma, eu cheguei lá, literalmente, menos de 5 minutos do prazo e enquanto tirava a credencial, ouvi a menina comentando que a última credencial estava sendo retirada, o que faz de mim, oficialmente, a pessoa mais irresponsável da mídia brasileira.
-
Voltei pra paulista, comi um yakisoba e vim pra cá.
Cheguei umas 20h30m, os portões abririam as 22h; no caminho conheci dois reporters de um portal de internet de americana (que acredito que seja uma cidade do interior de SP), pessoal muito gente boa.
Eu fiquei parasitando eles um tempo e marquei para nós uma entrevista, se rolar de fato, eu falo mais a respeito. Não sei se vai ter espaço pra muita entrevista na matéria, então talvez eu venda pra outro lugar, ou entregue pros caras na boa.
-
Assim que chegamos demos uma olhada no lugar.
Ok, aqui eu começo a falar, de fato, sobre o Skol Beats.
-
Tudo aqui é grande. Tudo é gigante. Pra ir da entrada pras tendas é uma boa caminhada, pra ir da tenda live pras tendas do terra e da dj mag também tem que andar um tanto.
Tem muita gente, muito segurança (muito muito) e agora de madrugada chegaram muitos policiais. Antes dos portões abrirem, ou seja, quando só tinha gente de alguma forma credenciada, já tinha muita gente aqui dentro. Só no palco Live, eu contei uns 40 seguranças, é muito absurdo.
-
A tenda da Dj Mag é linda.
A tenda do Terra é boa também, é gigante, com ótimos telões.
O palco Live também tem uns lances muito grandes e tal.
Mas a tenda do Dj Mag ficou superlativa de todas as formas. Ela é linda, ela é gigante, quando entramos lá pela primeira vez, quando estava vazia, era como se fosse todo um universo a parte.
-
Outro universo a parte é essa salinhas que eu estou usando para propósitos maléficos (se bem que vá lá, blog é imprensa).
Tem geladeira com Pepsi, Skol e água de graça.
Tem pessoal fazendo crepe suiço de graça também.
Sei lá se imprensa é bem tratada assim em todo lugar, conversando com outros reporteres (conheci uma mina que não consigo lembrar daonde que é, mas é de um lugar que eu vivo lendo; um gringo da Dj Mag, não sei se é americano ou alemão, um sujeito do Terra e outro sujeito da Gazeta [eu acho, aquela impressão que ele não foi com a minha cara]) eu acho que não é tão impressionante a imprensa ter cerveja de graça e internet e tudo mais; mas é o meu primeiro grande festival, é impressionante, até a sala de imprensa é cheia, embora tenha um clima muito agradável de Chill Out.
O cara do meu lado ta no MSN, não parece ter muita gente de fato trabalhando, acho que muito rápido se percebe que não faz sentido ficar o tempo todo no festival e se tem uma salinha com internet e comida de graça, hey, what the hell, certo? (ele acabou de olhar pra cá e provavelmente percebeu que eu to falando dele, tudo bem, eu também to espionando várias coisas que ele ta escrevendo).
-
O público ta chegando agora, meia-noite e vinte, assim que o portão abriu o lugar tava meio vazio.
A tenda do Terra e o palco não empolgaram tanto o pessoal, a da Dj Mag ta explodindo de gente já.
De qualquer forma, as pessoas parecem estar chegando agora.
-
Pra finalizar, eu vi um cachorro vira-lata e manco andando pelo evento, eu não o encontrei de novo, mas de qualquer forma, é interessante que ele tenha conseguido entrar, imagino se alguém da produção colocou ele aqui de propósito pra sei lá.
-
O chill out tem redes.
-
E por enquanto é só, eu ainda to um pouco paranóico que alguém da assessoria vai descobrir que eu to usando computador para atualizar blog e me expulsar daqui, mas não acho que isso vai acontecer.
-
De qualquer forma.
Se acontecer mais coisa de interessante, eu falo mais tarde.
-
PS: Eu to me comportando de propósito como se eu fosse novo nesse ramo, o que eu de fato sou, mas eu to fazendo muitas perguntas pros outros jornalistas e tal.
É bom ver que o pessoal da imprensa ta todo desencanado e aproveitando.
Vou lá ver se aproveito também, se danço um pouco ou algo assim.
-
Over and out.
Como tem muita coisa rolando que acho que não fica bem na matéria que eu eventualmente vou escrever, então eu decidi, de tempinho em tempinho, dar uma atualizada no blog.
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Ok.
Primeiro a aventura para conseguir o credenciamento.
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Eu cheguei na revista umas 15 e pouco, esperando já sair de lá e descobrir como chegar na Juscelino Kubistcheck, me disseram que rolaria carona, então eu esperei.
O credenciamento rolava até as 18h, deu umas 17h me avisaram que não ia ter carona e que eu teria que ir de ônibus.
O ônibus mais rápido parava no começo da avenida, há uns 2 kilometros do prédio da InPress, eu cheguei lá umas 17h30m, então lá vai Rodrigo fazer sua preparação, coloca dinheiro e documento no bolso da calça para não cair e começa a correr.
Ele corre um tempo e então para, sem fôlego.
De qualquer forma, eu cheguei lá, literalmente, menos de 5 minutos do prazo e enquanto tirava a credencial, ouvi a menina comentando que a última credencial estava sendo retirada, o que faz de mim, oficialmente, a pessoa mais irresponsável da mídia brasileira.
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Voltei pra paulista, comi um yakisoba e vim pra cá.
Cheguei umas 20h30m, os portões abririam as 22h; no caminho conheci dois reporters de um portal de internet de americana (que acredito que seja uma cidade do interior de SP), pessoal muito gente boa.
Eu fiquei parasitando eles um tempo e marquei para nós uma entrevista, se rolar de fato, eu falo mais a respeito. Não sei se vai ter espaço pra muita entrevista na matéria, então talvez eu venda pra outro lugar, ou entregue pros caras na boa.
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Assim que chegamos demos uma olhada no lugar.
Ok, aqui eu começo a falar, de fato, sobre o Skol Beats.
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Tudo aqui é grande. Tudo é gigante. Pra ir da entrada pras tendas é uma boa caminhada, pra ir da tenda live pras tendas do terra e da dj mag também tem que andar um tanto.
Tem muita gente, muito segurança (muito muito) e agora de madrugada chegaram muitos policiais. Antes dos portões abrirem, ou seja, quando só tinha gente de alguma forma credenciada, já tinha muita gente aqui dentro. Só no palco Live, eu contei uns 40 seguranças, é muito absurdo.
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A tenda da Dj Mag é linda.
A tenda do Terra é boa também, é gigante, com ótimos telões.
O palco Live também tem uns lances muito grandes e tal.
Mas a tenda do Dj Mag ficou superlativa de todas as formas. Ela é linda, ela é gigante, quando entramos lá pela primeira vez, quando estava vazia, era como se fosse todo um universo a parte.
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Outro universo a parte é essa salinhas que eu estou usando para propósitos maléficos (se bem que vá lá, blog é imprensa).
Tem geladeira com Pepsi, Skol e água de graça.
Tem pessoal fazendo crepe suiço de graça também.
Sei lá se imprensa é bem tratada assim em todo lugar, conversando com outros reporteres (conheci uma mina que não consigo lembrar daonde que é, mas é de um lugar que eu vivo lendo; um gringo da Dj Mag, não sei se é americano ou alemão, um sujeito do Terra e outro sujeito da Gazeta [eu acho, aquela impressão que ele não foi com a minha cara]) eu acho que não é tão impressionante a imprensa ter cerveja de graça e internet e tudo mais; mas é o meu primeiro grande festival, é impressionante, até a sala de imprensa é cheia, embora tenha um clima muito agradável de Chill Out.
O cara do meu lado ta no MSN, não parece ter muita gente de fato trabalhando, acho que muito rápido se percebe que não faz sentido ficar o tempo todo no festival e se tem uma salinha com internet e comida de graça, hey, what the hell, certo? (ele acabou de olhar pra cá e provavelmente percebeu que eu to falando dele, tudo bem, eu também to espionando várias coisas que ele ta escrevendo).
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O público ta chegando agora, meia-noite e vinte, assim que o portão abriu o lugar tava meio vazio.
A tenda do Terra e o palco não empolgaram tanto o pessoal, a da Dj Mag ta explodindo de gente já.
De qualquer forma, as pessoas parecem estar chegando agora.
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Pra finalizar, eu vi um cachorro vira-lata e manco andando pelo evento, eu não o encontrei de novo, mas de qualquer forma, é interessante que ele tenha conseguido entrar, imagino se alguém da produção colocou ele aqui de propósito pra sei lá.
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O chill out tem redes.
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E por enquanto é só, eu ainda to um pouco paranóico que alguém da assessoria vai descobrir que eu to usando computador para atualizar blog e me expulsar daqui, mas não acho que isso vai acontecer.
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De qualquer forma.
Se acontecer mais coisa de interessante, eu falo mais tarde.
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PS: Eu to me comportando de propósito como se eu fosse novo nesse ramo, o que eu de fato sou, mas eu to fazendo muitas perguntas pros outros jornalistas e tal.
É bom ver que o pessoal da imprensa ta todo desencanado e aproveitando.
Vou lá ver se aproveito também, se danço um pouco ou algo assim.
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Over and out.
sexta-feira, abril 27, 2007
Brekathrough
Ouvindo Modest Mouse eu acho que descobri alguma coisa sobre mim mesmo, ok, não foi agora, eu pensei no conceito antes, mas Modest Mouse me deu o ânimo de vir e escrever a respeito e eu entendo, antes de começar a escrever, que esse post vai ficar estúpido no fim das contas, mas enfim.
-
Acho que um problema que eu sofri a vida toda foi uma abundância de confiança na minha inteligência, acho que a grande culpa disso tudo é minha por ter sempre interpretado alguém que é inteligente e ter feito isso bem, mas a questão é que raramente alguém duvida que eu possa fazer algo ou conseguir algo e ao mesmo tempo eu raramente consigo fazer algo ou conseguir algo.
-
Eu sinceramente não consigo pensar em algo que está mais errado o tempo todo do que eu, é impressionante minha habilidade de simplesmente errar, ainda assim, não importa o quanto eu fracasse, essa aura de que "ele é inteligente" me segue, então como agora eu to numa de Schopenhauer-Nietzsche-Freud, eu comecei a pensar no inconsciente toda dessas coisas e eu sempre soube que eu me auto-saboto sempre; não é como se eu fosse tão preguiçoso sem motivo, não é como se eu deixasse de estudar ou de levar a sério meu trabalho pelo prazer da coisa, mas acho que é por causa de uma mania que eu tenho de provar que os outros estão errados e, oras, se está todo mundo dizendo que eu vou me dar bem na vida, nada mais natural do que eu fracassar pra poder apontar da cara de todo mundo e dizer que todo mundo está errado menos eu, que tinha certeza que ia fracassar.
É até uma aposta segura já que eu que controlo muitas coisas relacionadas a meu próprio sucesso e fracasso.
-
A questão é que eu me esqueço o quanto eu fico feliz fazendo as coisas que eu gosto; o quanto eu incrivelmente gosto de escrever, de estudar, de adquirir conhecimento, de estar bem informado, de ser inteligente num geral e eu acho que minha genuina misantropia e minha preguiça me transformou numa pessoa inteligente até que lega, não legal no sentido de conviver com os outros, isso eu nunca vou ser, mas legal no sentido de que eu provavelmente nunca vou estar no circulo dos "intelectuais" do país por mais que eu saiba mais que eles; talvez eu tenha algum problema mental aí também, minha memória é horrível e por mais que eu tenha uma habilidade extremamente grande trabalhando com conceitos, eu sou muito (muito muito) ruim trabalhando com informações.
Então seria impossível, por mais cursinho que eu fizesse, que eu passasse na USP, porque eu jamais guardaria tudo aquilo de informação e não passar na USP foi provavelmente a melhor coisa que já aconteceu na minha vida; tudo de bom e de feliz que me acontece na São Judas (e eu me sinto honestamente realizado fazendo filosofia na São Judas) provavelmente teria o efeito oposto na USP.
Das poucas certezas que eu tenho na vida, uma que eu tenho é que a USP me quebraria em dois, não pela dificuldade, já que lá a carga horária é menor, pessoal é mais preguiçoso, menos exigente, etc etc e tal; mas eu me veria miserável e deprimido em uma segunda faculdade e talvez já teria até largado. Seria péssimo.
-
A questão é que eu me esqueço às vezes como eu gosto do rumo que minha vida toma.
Eu estou aqui, escrevendo para uma revista, ouvindo música e posso largar tudo a hora que quiser para ler um pouco de Schopenhauer e depois escrever alguma história em quadrinho, mas por algum motivo, na maioria dos dias, eu simplesmente escolho não fazer nada dessas coisas e ficar triste e arrependido.
Se eu tenho um acesso tão livre e tão fácil a um estilo de vida que eu gosto, eu me pergunto porque eu simplesmente não o faço.
-
Então acho que tem a ver com isso, é irritante admitir que toda essa confiança que depositaram em mim é justificada ou talvez eu tenha medo de fracassar; ter sido demitido da revista da primeira vez me deu um soco gigante no estômago, eu tinha um milhão de planos e expectativas e de repente já não tinha mais nada e como eu ainda estou com a impressão que cedo ou tarde eles vão me demitir de novo, então eu estou evitando ficar feliz demais em relação a isso.
-
Eu acho que estou bem perto de achar algum ponto de equilibrio na minha vida; o problema é que como eu de fato ainda não achei, fica dificil criar uma rotina que eu me sinta confortável, porque eu tenho que deixar alguns espaços abertos na minha agenda e isso me irrita.
-
Por fim trecho de uma música do Decemberists que está tocando agora.
"And if you don't love me let me go
And if you don't love me let me go
And I am a writer, writer of fictions
I am the heart that you call home
And I've written pages upon pages
Trying to rid you from my bones "
-
Eu quero me apaixonar de novo.
Não que eu já não esteja apaixonado, eu estou, eu não sei o que eu faria sem a Helda, acho que se um dia ela perceber o quão desesperadamente dependente eu sou dela, sei lá, acho que ela vai simplesmente fugir e correr tão longe e nossa, eu nem quero pensar nisso, é o pior cenário possível.
Mas eu não quero parar de me apaixonar, nunca quero.
Eu não quero parar de me apaixonar, não quero ter um emprego fixo, não quero chegar ao fim dos meus estudos, não quero nada que signifique conclusão, mas sempre com um progresso, sempre rolando em direção a algo, mas nunca chegando lá e é estranho porque eu sinto que eu só vou ser feliz quando eu chegar lá, mas aí eu simplesmente decido que esse tipo de felicidade plena é inalcançável e parar em qualquer lugar que seja significa simplesmente parar na metade ou sequer na metade; se o percurso é infinito, é impossível percorrer qualquer porcentagem dele que seja.
0.07% de infinito ainda é infinito.
-
De qualquer forma, me irrita um pouco que eu tenha que simplesmente continuar a fazer o que estou fazendo ao invés de começar algo completamente diferente, eu sou um fã muito maior de começos do que meios e não sei se vou conseguir lidar com a vida ser um interminável meio para um fim inatingível, mas quem sabe, talvez um dia eu encontre essa resposta...
Agora eu tenho que voltar a fazer aquilo que eu gosto de fazer.
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Acho que um problema que eu sofri a vida toda foi uma abundância de confiança na minha inteligência, acho que a grande culpa disso tudo é minha por ter sempre interpretado alguém que é inteligente e ter feito isso bem, mas a questão é que raramente alguém duvida que eu possa fazer algo ou conseguir algo e ao mesmo tempo eu raramente consigo fazer algo ou conseguir algo.
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Eu sinceramente não consigo pensar em algo que está mais errado o tempo todo do que eu, é impressionante minha habilidade de simplesmente errar, ainda assim, não importa o quanto eu fracasse, essa aura de que "ele é inteligente" me segue, então como agora eu to numa de Schopenhauer-Nietzsche-Freud, eu comecei a pensar no inconsciente toda dessas coisas e eu sempre soube que eu me auto-saboto sempre; não é como se eu fosse tão preguiçoso sem motivo, não é como se eu deixasse de estudar ou de levar a sério meu trabalho pelo prazer da coisa, mas acho que é por causa de uma mania que eu tenho de provar que os outros estão errados e, oras, se está todo mundo dizendo que eu vou me dar bem na vida, nada mais natural do que eu fracassar pra poder apontar da cara de todo mundo e dizer que todo mundo está errado menos eu, que tinha certeza que ia fracassar.
É até uma aposta segura já que eu que controlo muitas coisas relacionadas a meu próprio sucesso e fracasso.
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A questão é que eu me esqueço o quanto eu fico feliz fazendo as coisas que eu gosto; o quanto eu incrivelmente gosto de escrever, de estudar, de adquirir conhecimento, de estar bem informado, de ser inteligente num geral e eu acho que minha genuina misantropia e minha preguiça me transformou numa pessoa inteligente até que lega, não legal no sentido de conviver com os outros, isso eu nunca vou ser, mas legal no sentido de que eu provavelmente nunca vou estar no circulo dos "intelectuais" do país por mais que eu saiba mais que eles; talvez eu tenha algum problema mental aí também, minha memória é horrível e por mais que eu tenha uma habilidade extremamente grande trabalhando com conceitos, eu sou muito (muito muito) ruim trabalhando com informações.
Então seria impossível, por mais cursinho que eu fizesse, que eu passasse na USP, porque eu jamais guardaria tudo aquilo de informação e não passar na USP foi provavelmente a melhor coisa que já aconteceu na minha vida; tudo de bom e de feliz que me acontece na São Judas (e eu me sinto honestamente realizado fazendo filosofia na São Judas) provavelmente teria o efeito oposto na USP.
Das poucas certezas que eu tenho na vida, uma que eu tenho é que a USP me quebraria em dois, não pela dificuldade, já que lá a carga horária é menor, pessoal é mais preguiçoso, menos exigente, etc etc e tal; mas eu me veria miserável e deprimido em uma segunda faculdade e talvez já teria até largado. Seria péssimo.
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A questão é que eu me esqueço às vezes como eu gosto do rumo que minha vida toma.
Eu estou aqui, escrevendo para uma revista, ouvindo música e posso largar tudo a hora que quiser para ler um pouco de Schopenhauer e depois escrever alguma história em quadrinho, mas por algum motivo, na maioria dos dias, eu simplesmente escolho não fazer nada dessas coisas e ficar triste e arrependido.
Se eu tenho um acesso tão livre e tão fácil a um estilo de vida que eu gosto, eu me pergunto porque eu simplesmente não o faço.
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Então acho que tem a ver com isso, é irritante admitir que toda essa confiança que depositaram em mim é justificada ou talvez eu tenha medo de fracassar; ter sido demitido da revista da primeira vez me deu um soco gigante no estômago, eu tinha um milhão de planos e expectativas e de repente já não tinha mais nada e como eu ainda estou com a impressão que cedo ou tarde eles vão me demitir de novo, então eu estou evitando ficar feliz demais em relação a isso.
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Eu acho que estou bem perto de achar algum ponto de equilibrio na minha vida; o problema é que como eu de fato ainda não achei, fica dificil criar uma rotina que eu me sinta confortável, porque eu tenho que deixar alguns espaços abertos na minha agenda e isso me irrita.
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Por fim trecho de uma música do Decemberists que está tocando agora.
"And if you don't love me let me go
And if you don't love me let me go
And I am a writer, writer of fictions
I am the heart that you call home
And I've written pages upon pages
Trying to rid you from my bones "
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Eu quero me apaixonar de novo.
Não que eu já não esteja apaixonado, eu estou, eu não sei o que eu faria sem a Helda, acho que se um dia ela perceber o quão desesperadamente dependente eu sou dela, sei lá, acho que ela vai simplesmente fugir e correr tão longe e nossa, eu nem quero pensar nisso, é o pior cenário possível.
Mas eu não quero parar de me apaixonar, nunca quero.
Eu não quero parar de me apaixonar, não quero ter um emprego fixo, não quero chegar ao fim dos meus estudos, não quero nada que signifique conclusão, mas sempre com um progresso, sempre rolando em direção a algo, mas nunca chegando lá e é estranho porque eu sinto que eu só vou ser feliz quando eu chegar lá, mas aí eu simplesmente decido que esse tipo de felicidade plena é inalcançável e parar em qualquer lugar que seja significa simplesmente parar na metade ou sequer na metade; se o percurso é infinito, é impossível percorrer qualquer porcentagem dele que seja.
0.07% de infinito ainda é infinito.
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De qualquer forma, me irrita um pouco que eu tenha que simplesmente continuar a fazer o que estou fazendo ao invés de começar algo completamente diferente, eu sou um fã muito maior de começos do que meios e não sei se vou conseguir lidar com a vida ser um interminável meio para um fim inatingível, mas quem sabe, talvez um dia eu encontre essa resposta...
Agora eu tenho que voltar a fazer aquilo que eu gosto de fazer.
sexta-feira, abril 20, 2007
Lori Earley
Acho que é impossível dizer o quanto estou apaixonado por isso, talvez seja pelo fato de estar doente e frágil, mas eu estou genuinamente apaixonado.
O nome dessa pintura é "Audrey" e eu acho simplesmente absurdo o quão ela parece poderosa nesse pequeno corpo e eu acho que é daí que conseguimos entender exatamente da onde vem toda a força da mulher.
A forma como ela olha para você... é masoquismo até, porque a forma como ela te despreza é tão incrivelmente atraente que é irracional em todos os sentidos possíveis, pode até ser notada uma certa raiva no olhar dela e talvez o que ela odeie é de fato ser tão desejada, afinal, ela claramente não é do tipo que se esforça para isso.
E a forma como ela está deitada bem na beirada da cama, quase caindo, deixando o cabelo desse jeito, é do propósito, ela quer que você saiba que você a tem, mas que ela não gosta e que você pode fazer o que quiser com corpo dela, mas que ela jamais vai ser, de fato, sua, que não importa o que ela entregue, ela nunca vai entregar seu amor.
É clássico e onírico e tão no futuro que que teremos sorte se nossos tataranetos a verão andando na rua...
quinta-feira, abril 19, 2007
Crítica da crítica da crítica
O propósito desse post é o de qualquer outro post desse blog.
Dar minha opinião sobre qualquer assunto em questão.
Então vamos lá a algumas coisas que me incomodaram no post do cunha sobre a resenha do garagem hermética.
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Primeiro, o Cunha fala da falta de reação dos envolvidos no projeto em relação a crítica, mas ora, crítica não é pra ter reação pública, ficar respondendo a críticas parece tentar concertar uma história depois que ela foi escrita, ou a história e o projeto passam o que deve ser passado ou não passam, a postura em si de querer responder ao crítico já parece, pra começo de conversa, que não existe nenhuma dessa boa vontade em aceitar crítica negativa.
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Sobre o prólogo do Eterno, eu acho que a crítica do Oliboni acertou em cheio, de fato, não dá pra saber do que se trata a história, ela termina de forma pouco clara de propósito, afinal, é só um prólogo, mas como nós não dissemos prólogo do que que era, ninguém é obrigado a saber e pra qualquer um fora do nosso mundinho deve ter ficado realmente confuso.
O problema da falta de informação não é que faltou, na história em si, informação; já que não era proposta da história em si dar essa informação, o que faltou foi uma introdução dizendo tipo "olha, isso vai continuar", senão fica que nem aquelas pessoas saindo do senhor dos anéis 2 sem saber que vai ter uma continuação, pensando que o filme termina na metade, claro que LotR teve toda um marketing deixando bem claro que é uma triologia, mas e a gente? A gente deixou isso claro pra qualquer um que pegue a revista? Se não, então a crítica dele é totalmente certeira.
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Depois vem a questão da proposta e mais do que no post do Cunha, isso me chateou nos comentários, primeiro do Cadu que disse " Mas que tipo de reação vc esperava? O Oliboni aponta como erro algo que é justamente a proposta da revista. (...) a crítica dele de nada vale pra gente." e desse Edu Mendes que eu nem sei quem é, mas que escreveu "A "resenha" do Oliboni desmonstra que ele nunca entendeu a proposta da revista.
Além do mais, eu nunca chamaria o texto dele de crítica, já que as opiniões que ele expressa raramente são fundamentadas ou amparadas em algo. Pra mim, no máximo, é uma opinião, não uma crítica."
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Primeiro, qual o problema em criticar a proposta? Isso parece de novo querer mascarar algo atrás de outro algo, é como aquela gente que faz quadrinhos de humor com o único propósito de, caso alguém criticar, poder dizer "ah, mas é de humor, é pra ser tosco mesmo".
A crítica do Oliboni, na minha opinião, é muitissimo bem vinda.
"Para explicar melhor isso, basta analisar a capa feita por Camila Torrano. A ilustração mistura diversas referências e estilos, mas eles harmonizam entre si, as linguagens visuais se complementam e formam um todo que funciona como algo novo. É isso que falta para a Garagem: encontrar um foco que dê uma liga entre as histórias.
A proposta de ter vários estilos é ótima, mas, apesar de estarem todos agrupados em uma mesma "casa", eles não "convivem". Qualquer leitor pode gostar de uma ou mais histórias, mas não conseguirá ver um conjunto. Assim, continuará curtindo o mesmo estilo de que sempre gostou e não aprenderá como outras idéias podem se conectar.
A Garagem Hermética segue por um perigoso caminho: o de agradar o leitor, mas não o cativar. Justamente por não prepará-lo para entender sua proposta, para gostar tanto de um traço mais torto, mais estilizado, quanto de um desenho "convencional". Isso dificulta a criação de um público para a revista."
Ignorar o que foi muito bem escrito acima numa acusação de que ele não entendeu a proposta da revista não tem base.
Ele entendeu a proposta da revista perfeitamente e criticou exatamente o fato de não soubermos ter utilizado a proposta direito.
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Afinal, vamos falar em frases mal pensadas.
"Além do mais, eu nunca chamaria o texto dele de crítica, já que as opiniões que ele expressa raramente são fundamentadas ou amparadas em algo. Pra mim, no máximo, é uma opinião, não uma crítica.""
Primeiro: TODA crítica é uma opinião, se você acha que exista e crítica "fundamentada" e "amparada" em algo além da experiência subjetiva do autor é entrar no reino mágico da crítica neutra e imparcial, para encontrar lá papai noel estuprando o coelhinho da páscoa por causa de uma aposta de jogo.
Segundo: A fundamentação da crítica é a experiência do Oliboni com fanzines cujas propostas são o de colocar diversos autores na mesma revista e ele certamente viu outros desses antes, então se ele diz algo que sequer passou pela minha cabeça (mas que agora concordo plenamente), ou seja, " A Garagem Hermética segue por um perigoso caminho: o de agradar o leitor, mas não o cativar." é porque ele já viu isso acontecer ou algo na experiência dele diz que isso vai acontecer; não é um juizo a priori, ele não sentou na cadeira dele e disse "ahn, acho que isso não vai criar público", ele entende do que resenha e se a proposta da revista é uma incapaz de cativar o público apesar de agrada-lo, então que tenhamos isso em mente, como algo próprio da proposta, ao invés de dizer que a resenha não nos serve ou que ela é mal fundamentada.
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Então, já que era pra se expressar sobre o assunto, aqui está a minha opinião, as críticas a crítica foram totalmente mal fundamentadas e dizer que elas não servem é ou abraçar as falhas da revista e seguir em frente com elas ou fingir que tais falhas não existem; o primeiro caminho é uma escolha, o segundo é simplesmente um erro.
-
EDIT: (resposta ao comentário porque o grilo tem um milhão de blogs e eu não sei pra qual responder)
Ele não simplesmente disse que a proposta era falha, ele só disse que a revista está dispersa demais, das que você citou eu só conheço a heavy metal, mas há de se convir que quando você pega uma história da heavy metal, ela tem aquele feeling de heavy metal, ela é ou dark, ou noir, ou cyberpunk, sci-fi apocaliptico, enfim, é sempre algo "adulto" e "negativo" que é amplo o bastante pra permitir qualquer tipo de história estranha, mas ainda assim é uma característica.
Não to falando pra mudar a proposta da garagem, (o Oliboni talvez esteja, but oh well), como escritor da revista, eu adoro a liberdade de poder fazer a história que eu quiser e eu acredito que tem muita gente que gosta de pegar a revista sem saber o que vai esperar (sabendo apenas que vai esperar qualidade), eu só to dizendo que o Oliboni apontou umas coisas verdadeiras sobre ela e eu achei de extremo mal gosto simplesmente jogar a crítica dele fora só porque foi negativa.
De que serve uma crítica dessa? Pra mesma coisa que serve toda crítica, pra saber como que as pessoas de fora olham pra revista, não é um guia de como mudar a revista, ela pode ser totalmente ignorada no sentido de "o que vamos fazer na próxima revista?", mas ignora-la no sentido de "ela diz coisas que não concordamos", isso não existe.
Dar minha opinião sobre qualquer assunto em questão.
Então vamos lá a algumas coisas que me incomodaram no post do cunha sobre a resenha do garagem hermética.
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Primeiro, o Cunha fala da falta de reação dos envolvidos no projeto em relação a crítica, mas ora, crítica não é pra ter reação pública, ficar respondendo a críticas parece tentar concertar uma história depois que ela foi escrita, ou a história e o projeto passam o que deve ser passado ou não passam, a postura em si de querer responder ao crítico já parece, pra começo de conversa, que não existe nenhuma dessa boa vontade em aceitar crítica negativa.
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Sobre o prólogo do Eterno, eu acho que a crítica do Oliboni acertou em cheio, de fato, não dá pra saber do que se trata a história, ela termina de forma pouco clara de propósito, afinal, é só um prólogo, mas como nós não dissemos prólogo do que que era, ninguém é obrigado a saber e pra qualquer um fora do nosso mundinho deve ter ficado realmente confuso.
O problema da falta de informação não é que faltou, na história em si, informação; já que não era proposta da história em si dar essa informação, o que faltou foi uma introdução dizendo tipo "olha, isso vai continuar", senão fica que nem aquelas pessoas saindo do senhor dos anéis 2 sem saber que vai ter uma continuação, pensando que o filme termina na metade, claro que LotR teve toda um marketing deixando bem claro que é uma triologia, mas e a gente? A gente deixou isso claro pra qualquer um que pegue a revista? Se não, então a crítica dele é totalmente certeira.
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Depois vem a questão da proposta e mais do que no post do Cunha, isso me chateou nos comentários, primeiro do Cadu que disse " Mas que tipo de reação vc esperava? O Oliboni aponta como erro algo que é justamente a proposta da revista. (...) a crítica dele de nada vale pra gente." e desse Edu Mendes que eu nem sei quem é, mas que escreveu "A "resenha" do Oliboni desmonstra que ele nunca entendeu a proposta da revista.
Além do mais, eu nunca chamaria o texto dele de crítica, já que as opiniões que ele expressa raramente são fundamentadas ou amparadas em algo. Pra mim, no máximo, é uma opinião, não uma crítica."
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Primeiro, qual o problema em criticar a proposta? Isso parece de novo querer mascarar algo atrás de outro algo, é como aquela gente que faz quadrinhos de humor com o único propósito de, caso alguém criticar, poder dizer "ah, mas é de humor, é pra ser tosco mesmo".
A crítica do Oliboni, na minha opinião, é muitissimo bem vinda.
"Para explicar melhor isso, basta analisar a capa feita por Camila Torrano. A ilustração mistura diversas referências e estilos, mas eles harmonizam entre si, as linguagens visuais se complementam e formam um todo que funciona como algo novo. É isso que falta para a Garagem: encontrar um foco que dê uma liga entre as histórias.
A proposta de ter vários estilos é ótima, mas, apesar de estarem todos agrupados em uma mesma "casa", eles não "convivem". Qualquer leitor pode gostar de uma ou mais histórias, mas não conseguirá ver um conjunto. Assim, continuará curtindo o mesmo estilo de que sempre gostou e não aprenderá como outras idéias podem se conectar.
A Garagem Hermética segue por um perigoso caminho: o de agradar o leitor, mas não o cativar. Justamente por não prepará-lo para entender sua proposta, para gostar tanto de um traço mais torto, mais estilizado, quanto de um desenho "convencional". Isso dificulta a criação de um público para a revista."
Ignorar o que foi muito bem escrito acima numa acusação de que ele não entendeu a proposta da revista não tem base.
Ele entendeu a proposta da revista perfeitamente e criticou exatamente o fato de não soubermos ter utilizado a proposta direito.
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Afinal, vamos falar em frases mal pensadas.
"Além do mais, eu nunca chamaria o texto dele de crítica, já que as opiniões que ele expressa raramente são fundamentadas ou amparadas em algo. Pra mim, no máximo, é uma opinião, não uma crítica.""
Primeiro: TODA crítica é uma opinião, se você acha que exista e crítica "fundamentada" e "amparada" em algo além da experiência subjetiva do autor é entrar no reino mágico da crítica neutra e imparcial, para encontrar lá papai noel estuprando o coelhinho da páscoa por causa de uma aposta de jogo.
Segundo: A fundamentação da crítica é a experiência do Oliboni com fanzines cujas propostas são o de colocar diversos autores na mesma revista e ele certamente viu outros desses antes, então se ele diz algo que sequer passou pela minha cabeça (mas que agora concordo plenamente), ou seja, " A Garagem Hermética segue por um perigoso caminho: o de agradar o leitor, mas não o cativar." é porque ele já viu isso acontecer ou algo na experiência dele diz que isso vai acontecer; não é um juizo a priori, ele não sentou na cadeira dele e disse "ahn, acho que isso não vai criar público", ele entende do que resenha e se a proposta da revista é uma incapaz de cativar o público apesar de agrada-lo, então que tenhamos isso em mente, como algo próprio da proposta, ao invés de dizer que a resenha não nos serve ou que ela é mal fundamentada.
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Então, já que era pra se expressar sobre o assunto, aqui está a minha opinião, as críticas a crítica foram totalmente mal fundamentadas e dizer que elas não servem é ou abraçar as falhas da revista e seguir em frente com elas ou fingir que tais falhas não existem; o primeiro caminho é uma escolha, o segundo é simplesmente um erro.
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EDIT: (resposta ao comentário porque o grilo tem um milhão de blogs e eu não sei pra qual responder)
Ele não simplesmente disse que a proposta era falha, ele só disse que a revista está dispersa demais, das que você citou eu só conheço a heavy metal, mas há de se convir que quando você pega uma história da heavy metal, ela tem aquele feeling de heavy metal, ela é ou dark, ou noir, ou cyberpunk, sci-fi apocaliptico, enfim, é sempre algo "adulto" e "negativo" que é amplo o bastante pra permitir qualquer tipo de história estranha, mas ainda assim é uma característica.
Não to falando pra mudar a proposta da garagem, (o Oliboni talvez esteja, but oh well), como escritor da revista, eu adoro a liberdade de poder fazer a história que eu quiser e eu acredito que tem muita gente que gosta de pegar a revista sem saber o que vai esperar (sabendo apenas que vai esperar qualidade), eu só to dizendo que o Oliboni apontou umas coisas verdadeiras sobre ela e eu achei de extremo mal gosto simplesmente jogar a crítica dele fora só porque foi negativa.
De que serve uma crítica dessa? Pra mesma coisa que serve toda crítica, pra saber como que as pessoas de fora olham pra revista, não é um guia de como mudar a revista, ela pode ser totalmente ignorada no sentido de "o que vamos fazer na próxima revista?", mas ignora-la no sentido de "ela diz coisas que não concordamos", isso não existe.
quarta-feira, abril 18, 2007
Evolução
Acho engraçado como algumas pessoas tentam dar uma finalidade a evolução.
Eu não sei o quão certo eu estou sobre isso, mas eu sempre vi o resultado de evolução como aquilo que sobrevive, não necessariamente aquilo que é útil, simplesmente o que sobrevive, então a evolução é muito boa eliminando aquilo que atrapalha a sobrevivência, mas não necessariamente tão eficiente em criar o que é útil.
Digo isso porque às vezes vejo gente se perguntando qual seria a finalidade disso ou daquilo, no sentido de, "porque a evolução agiu dessa forma?" de uma forma muito parecida com que falam "como que isso se encaixa no plano divino?"
Acho que sempre que se perguntarem qualquer "porque" pra evolução, seria legal colocar na listinha de respostas um "pra nada, simplesmente sobreviveu".
Eu não sei o quão certo eu estou sobre isso, mas eu sempre vi o resultado de evolução como aquilo que sobrevive, não necessariamente aquilo que é útil, simplesmente o que sobrevive, então a evolução é muito boa eliminando aquilo que atrapalha a sobrevivência, mas não necessariamente tão eficiente em criar o que é útil.
Digo isso porque às vezes vejo gente se perguntando qual seria a finalidade disso ou daquilo, no sentido de, "porque a evolução agiu dessa forma?" de uma forma muito parecida com que falam "como que isso se encaixa no plano divino?"
Acho que sempre que se perguntarem qualquer "porque" pra evolução, seria legal colocar na listinha de respostas um "pra nada, simplesmente sobreviveu".
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