domingo, julho 30, 2006

Eu não sei o que quero fazer, só quero colocar meus sentimentos em algum lugar, que é todo o propósito desse blog em primeiro lugar.
Eu tenho tido um monte de sentimentos ultimamente, eu não sei o que dizer, quer dizer, eu sei, mas assim que eu começo eu não sei mais.
Acho que um problema é esse blog, é essa mídia de blog, é a porra da era da informação, qualquer idiota pode ter um blog e qual a minha diferença da deles?
Existe muita gente no mundo, existe muita gente fazendo tudo, existe muito de tudo o tempo todo, existem 1 bilhão de mentes a mais do que tinha há 40 anos, quando é que essa gente vai começar a morrer? Morram logo, por favor.
Porque o Laerte e o Angeli não morreram ainda? Vocês são velhos, vão se foder, morram logo, porque a Patti Smith está viva? Porque o David Gilmour está vivo? Porque os Ramones estão vivos? Porque o David Bowie e o Lou Reed estão vivos? Calem a boca, já deu, vocês já viveram, morram, morram logo, morram vocês todos.
Será que alguém desconfiava que o mundo seria tão gasto?
1 bilhão de pessoas a mais.
Todas idiotas e irritantes.
E cada uma delas tem um maldito blog.
Como eu posso superar isso?
Como é possível ter 15 minutos de fama com sei la quantas bilhões de pessoas no mundo?
Todo mundo escreve.
Todo mundo cria.
Todo mundo é uma porra de um artista.
E toda arte é idiota.
Vocês são simplesmente estupidos. Vocês não existem. Vocês morreram. Vocês só nasceram pra morrer. O que vocês sabem que eu não sei mais e melhor?
Vamos dar as porras das mãozinhas e viver todos em harmonia como um bando de retardatários do caralho, vamos ser felizes seus escravos do caralho, batendo a porra de nossas cabeças em árvores, vocês são uns bostas, vocês são os que deveriam ter morrido a mais tempo.
Odeio pessoas que sentem orgulho em ser escravos.
Odeio pessoas que dizem que temos que ajudar nossos irmãos.
Que irmãos?
Esses idiotas?
Esses imbecis?
Eu quero que eles morram e eu vou dar risada quando acontecer, eu quero cagar na boca deles e então chutar a cara desses filhos da puta até gastar meu pé, não aguento mais essas pessoas, é meu dever moral como ser humano foder cada um de vocês e dar risada do seu sofrimento.
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Eu quero ser amado.
Eu quero ter uma mente que funciona.
Eu quero ter uma alma boa.
Eu quero me casar.
Eu quero ter um emprego rotineiro.
Eu quero acordar cedo no domingo e assistir televisão.
Eu quero ter responsabilidades de gente normal.
Minhas responsabilidades não são as de pessoas normais.
Eu quero ter que fazer o que meu chefe manda e simplesmente pagar as contas no fim do mês.
Mas eu sou muito burro pra isso.
Eu tive que ir e arrumar essas responsabilidades gigantes.
Eu tive que ir e ser o cara que vai fazer algo de grande.
Eu tive que sair do conforto da obviedade da classe média falida e eu tive que me olhar no espelho e dizer "eu vou ser muito de tudo ao mesmo tempo".
Aí assim, eu vou ser um puta dum artista, um puta dum filósofo, um puta dum cientista político, ao mesmo tempo.
Imbecil.
Imbecil.
Imbecil.
Você fez tudo errado.
Tudo errado.
PORQUE VELHO?
Porque você fez isso consigo mesmo?
Falta de amor danifica tanto assim a porra da mente a ponto de você se tornar o maior retardado que conhece?
Falta de psicologo na adolescência foi assim tão ruim a ponto de você se tornar isso?
Caralho, mano!
O que você ta fazendo?
Desencana.
Desiste agora.
Larga tudo.
Aproveita esse momento e tome uma única decisão de coragem e sabedoria na sua porra da sua vida inteira e se torne alguém normal!
O que você ta fazendo?
Você não ta na PUC, você não tem dinheiro, você não tem contatos, você não tem futuro falando simplesmente.
Você não vai sobreviver.
Agora estamos falando sério.
Não é uma questão tipo, "eu vou vagar com o dinheiro da minha familia/amigos em empreguinhos insignificantes até os 50 anos", é uma questão de que você não vai sobreviver, você vai perder tudo e vai ter que escolher entre arranjar um emprego comum ou virar um peso pras pessoas ao seu redor.
Então desencana.
Larga tudo agora.
O que você ta fazendo?
Você não é ninguém.
Você não é nada.
São 6 bilhões de pessoas no mundo.
6 bilhões de pessoas.
E nenhuma delas te ama.
E nenhuma delas te respeita.
E nenhuma delas sequer te conhece.
6 bilhões de pessoas no mundo.
O que você ta fazendo?
O que você ta fazendo, cara?
Porque isso?
Porque isso?
Porque?
Sai dessa.
Agora.
Você tem que sair dessa.
Mas o que eu posso fazer se eu não for eu?
Se eu não for essa pilha de pretensão infundada?
Se eu não for sem graça e pertubado?
Se eu não for irritante?
Se eu não for equivocado?
Se eu não for burro?
Se eu não for errado o tempo todo?
O que eu vou ser?
O que eu vou fazer?
Vai dar certo?
Eu vou ser feliz?
Eu vou ser amado?
Eu vou gostar de mim mesmo?
Vai num psicologo, é o primeiro passo acho... aí depois você se arruma, você não gasta muito dinheiro, você já tem uma casa que pode viver a vida toda, você é um nerd de qualquer forma, só gasta dinheiro com tranqueiras, sai dessa, deixa todo o "olha, eu sou o Rodrigo, sou megalomaniaco e desequiilibrado" pra trás, deixa as vinte mil personalidades pra trás, deixa a raiva pra trás, deixa os sonhos pra trás, seja homem, se torne um homem, não deve ser dificil ser um homem, tantas pessoas o são.
Eu não vou me tornar um fracassado?
Não sei cara, depende, acho que você nem vai perceber...
Eu vou pensar a respeito.
Tudo bem cara, um passo de cada vez..

sexta-feira, julho 28, 2006

Eu não faço quadrinhos brasileiros.

Eu trabalho em dupla e não posso dizer isso em nome da outra metade do time, mas eu não faço quadrinhos brasileiros.
Se passar essa lei dos 20%, não me incluam nessa, eu mando minhas histórias pra alguém na Argentina e a pessoa manda pra editora, não quero fazer parte disso.
Esse post não é o tipo de coisa que se diz no Brasil, no Brasil se faz tudo, menos falar mal dos coleguinhas de profissão que conspiram com homens engravatadosp do governo, pior, falar mal dos coleguinhas que são "de esquerda" e querem fazer algo pelo "produto nacional".
Bom, façam o que quiserem pelo produto nacional, eu não faço parte, eu faço quadrinhos, é uma obra de arte, é algo lindo, é algo que supera as patéticas linhas imaginarias entre países.
Burocratas se preocupam com nacionalidade, com porcentagem, se o quadrinho "reflete a cultura ou não", que se foda a cultura, eu não faço cultura, eu faço arte, eu faço quadrinhos, eu coloco meus sentimentos e minha visão de mundo no papel, é isso que todos nós fazemos, isso é cultura sim, mas é cultura humana, é cultura do Homem, não tem nada a ver com país, com nacionalidade, não me coloquem nesse meio, não me ofendam a não me prendam a algo tão baixo e ridículo como uma nacionalidade, qualquer que ela seja.
E quem são vocês aliás que estão propondo esse projeto de lei?
Podemos falar de economia e legislação o quanto quisermos aqui, acho anti-produtivo e uma ofensa a democracia forçar uma editora a publicar o que ela não quer, mas eu sou um liberal e um anarquista, então o que importa minha opinião nesses assuntos? Sou um fanático por política que odeia a esquerda, quem sou eu pra falar nesses assuntos, não é?
Podemos começar pelo HQ Mix.
Quem são vocês ganhando esses prêmios? Pessoas tão importantes que eu nunca ouvi falar? Artistas tão consagrados que conseguem arrancar de mim apenas bocejos quando tenho o azar de tocar suas obras? São vocês que querem uma lei que obrigue as editoras a publicar seus materiais? Pois eu sonho em ser puiblicado por editoras.
Meus próximos projetos pretendo nem lançar em formato "fanzine", quero procurar alguma editora que se interesse.
Isso hoje.
Se essa lei passar, não sei, talvez eu tenha que sacrificar meu sonho de poder me dizer um quadrinhista profissional e ser pra sempre um "fanzineiro".
Não que haja vergonha em ser fanzineiros, são nos fanzines que eu leio quadrinhos nacionais atualmente, são nos fanzines que eu reconheço artistas, é nos fanzines que estão os meus amigos e o meu sonho é que essa galera toda que hoje faz fanzine e que fica andando pelo HQ Mix os vendendo, que nós todos fossemos publicados por editoras.
Agora, eu não sei mais, se essa lei passar, aquele que for publicado não será mais um amigo que teve uma vitória, será meu inimigo, que usou do Estado para publicar algo que não o faria de outra forma, uma pessoa suja que precisou de uma lei.
E daí que a Panini só publica quadrinhos estrangeiros? Não foi por esse motivo especifico que ela veio para cá?
E daí que a Conrad só publica quadrinhos estrangeiros? É através da Conrad que eu tenho acesso a obras de qualidade, se por algum motivo ela publicasse 20% de obras de qualidade pra colocar no seu lugar algo sofrivel de algum gênio artistico com uma história chata sobre a cruel realidade brasileira, eu vou dizer que os Quadrinhos (com "Q" maiusculo, representando a arte, e não essa porcaria associada a patéticas linhas imaginarias) perderam e muito com isso.
No fim, quem sou eu pra criticar? Eu escrevo um fanzine, tenho 20 anos, não estou na área, não sou editor de nada, não tenho contatos, não faço parte de panelas, não sei quem é quem; agora, esse é exatamente o problema. Se eu não conheço metade dos vencedores do HQ Mix e eu estou na premiação, vendendo e comprando quadrinhos, o que dirá o público?
Não sei porque isso acontece, o que eu pergunto é porque existe essa impressão de que é preciso uma lei para se publicar aqui? As editoras são retardadas? Elas não colocariam material de qualidade na banca? Elas sentem mais prazer em importar do que no lucro que vem com a venda de material de qualidade?
O que eu vejo são meia duzia de palhaços achando que são oh muito transgressores por estarem fazendo um gibi que mostra jesus dando a bunda, outra meia duzia que acha, tipo assim, a coisa mais legal do mundo fazer um super-herói brasileiro (sério, o overman já fez todas as piadas possíveis com isso, desistam porra), mais um grupinho de pretensiosos artistas que fazem coisas com grandes sacadas filosóficas de forma complexa e chata e quem está se preocupando com o público? Quem está escrevendo algo que a editora olha e fala "porra, isso é muito bom, da até pra colocar na banca"? Quem está sendo sincero, acessível e bom ao mesmo tempo? Até onde eu sei os fanzineiros e só alguns deles, porque até onde eu lembro de "quadrinhos nacionais", entra na categoria de pretensioso, ininteligivel e simplesmente ruim.
Com isso, logicamente estão todos apelando para uma legislação, para um homem engravato em uma mesa, para esse nível baixo e sujo de precisarmos de uma porra de burocrata para forçar pessoas a dar dinheiro pra nós.
É isso que é o quadrinhista brasileiro?
Se divirtam com sua lei, eu me recuso a ser brasileiro.

Rodrigo, roteirista de Chuva Contra o Vento, sacrificando toda e qualquer chance de fazer parte do mercado editorial no futuro e dizendo um grande "foda-se" a isso.

quarta-feira, julho 26, 2006

Falando mal de comunista (fazia tempo que eu não dava dessas)

Sobre "A União Soviética não foi comunista verdadeira de verdadezona! Euzão aqui que sou! Dêem o poder pra mim... ehrm... nós... e eu vou fazer tudo diferente!!"

Acho que o primeiro erro em criticar qualquer ideologia que você é contra é achar que as pessoas que defendem tais ideologias tem um coração perverso e gostam de maldade.
Vou tomar como base um artigo do revolutas.org que diz porque esse negócio de socialismo como ditadura é um "mito".
A questão é que os socialistas num geral (pelo menos hoje), não aprovam (pelo menos abertamente) transformar o Brasil numa União Soviética, eles são simplesmente ingênuos.
Aí você vê o sujeito tentando justificar e ele diz "a União Soviética não foi socialista, porque o socialismo é X, Y e W", o que eles não entendem é que nós (pessoas sãs, esqueca o mídia sem mascara) não dizemos que socialistas são pessoas malvadas que gostam de expurgos, nós dizemos que acabar com o mercado, que é uma parte indispensavel da democracia, joga o país em uma ditadura, quer seja uma ditadura de Ghandi ou Mao.
O que eles dizem é que o problema da União Soviética foi que os trabalhadores nunca estiveram de fato no poder, nunca de fato controlaram os meios de produção, foi sim o Estado que fez isso e Estado esse, quando comandado pelo Stálin, desrespeitou as "regras sagradas do socialismo".
Vamos a primeira coisa.
Parte da teoria liberal diz exatamente que se os meios de produção não forem privados, é aí que eles não estarão no controle dos trabalhadores, os meios de produção socializados estão, na melhor das hipóteses, sob o controle de uma urna de votação, mas temos que lembrar que urnas de votação não se controlam sozinhas, são pessoas, individuos, com pensamentos e desejos próprios, que no final vão dizer quanto do que produzir e, numa sociedade complexa como a industrial, não dá pra realizar uma votação pra cada cervejada que se toma, é necessário criar uma hierarquia para controlar os meios de produção e essa hierarquia estará ligada a um poder central, quer esse poder seja um conselho de trabalhadores ou um ditador maléfico, não importa. O que importa é que sem um sistema de preços que envia informações para as fábricas, alguém terá que tomar essa decisão, algum individuo, que, por mais consciência de classe que tenha, ainda é um individuo.
A segunda coisa.
Que porra de sistema é esse que a diferença entre governante A e B é a diferença entre "utopia" e "mais aterrorizador regime que o planeta já testemunhou", isso não soa um poquim instável?
Eu sou um anarquista, eu nem acredito que deva existir um poder centralizado em primeiro lugar; o sistema deve funcionar não importa se ande por aí Hitler ou Jesus, é o poder do povo e não o poder de quem quer o melhor pro povo.
Poder do povo significa participação direta, significa que as pessoas tem o controle sobre suas vidas, significa meios de produção privados, significa que você fará o que quiser com seu dinheiro.
O socialismo é, intencionalmente ou não, um sistema centralizador por natureza. Não existe descentralização em ações de caráter coletivo.
Fabrica A e fabrica B querem recursos naturais X, para quem vai os recursos?
Em um sistema de mercado, vai para quem tiver mais dinheiro, ou seja, quem estiver lucrando mais, ou seja, quem estiver tendo o serviço mais requisitado pela população.
Em um sistema socialista, vai para quem o burocrata que cuida dos recursos naturais decidir e como pra ele tanto faz (já que não há lucro maior em nenhuma das duas opções), ele usará de seu bom senso, na melhor das hipóteses, e de seu poder de extorsão na pior.
O sistema socialista é um sistema de classes onde existem os trabalhadores e os burocratas, não é possível não existir burocratas no socialismo, porque alguém terá que decidir pra onde vão os recursos e, de novo, estamos lidando com uma sociedade complexa, onde a mesma mina de ferro sustena dezenas de industrias variadas ao redor do globo, é preciso muita e muita burocracia para controlar isso tudo e sem um sistema de preços, resta apenas o bom senso de burocrata por burocrata.
O texto do revolutas passa o tempo todo dizendo em como a revolução russa foi mal feita ou como as pessoas foram corrompidas ou como não existiu o amor socialista do bom senhor Marx iluminando o coração das pessoas.
E sim, algumas atitudes teria feito a União Soviéitica mais democrática, mas essas atitudes surgiram, elas simplesmente duraram pouco tempo, assim que Lênin decidiu industrializar Moscou, a autonomia das comunas simplesmente sumiu, de repente foi preciso que todos os recursos se centralizassem em certos lugares e todos os lugares fora dessas regiões eram simplesmente privadas de tudo.
Tirando a instabilidade do sistema (ele permitiu que isso tivesse ocorrido), não fosse essa industrialização forçada, a União Soviética poderia ter tido resultados melhores (em termos de liberdade e autonomia, eu particularmente dúvido que a União Soviética tivesse se tornado uma potência se não tivesse usada tamanha mão de obra escrava), mas ainda assim é questionavel até quando, você trabalhando numa fazenda, ainda teria que trabalhar de acordo com o que manda um burocrata, porque você produziria mais do que consome, pra quem fica esse superfulo? Se fosse você quem decidisse, baseado em seus desejos egoístas, então você estaria em uma economia de mercado, mas você não decide pra quem vai o superfulo da sua produção, ele tem que ir para o mais necessitado e no máximo a sua opinião vale pra alguma coisa, mas no final, são outras pessoas quem decidem o que fazer com seu trabalho.
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Por mais que algum liberais insistam em defender o status quo, é bem conhecido nesse meio que um lugar como o Brasil representa uma traição ao sistema de mercado talvez tão grave quanto a União Soviética representa ao sistema socialista.
A última coisa que um liberal desejaria é que multinacionais recebessem dinheiro público, que leis protegessem latifundiarios, que ricos tivessem poder de mudar leis, que pobres fossem forçados a trabalhar em empregos que odeiam.
É até engraçado, porque a visão liberal de um mundo capitalista consiste em infinitas empresas de classe média competindo entre si enquanto a visão socialista de um mundo capitalista é a de 1 mega-corporação vendendo todos os produtos.
Então se torna uma coisa engraçada, pois o mundo atual é algo cada vez mais próximo do que os socialistas sempre disseram que seria, concentração de recursos, corporações, bla bla bla; enquanto a União Soviética foi tudo que os liberais sempre disseram que seria, concentração de recursos, burocracia, escravidão, bla bla bla.
Dito isso, eu escolho o liberalismo porque ao menos sei onde estamos falhando, não estamos em uma falha moral, não estamos confiando nas pessoas erradas, estamos simplesmente dando poder demais a pessoas e ponto. Não existem pessoas certas ou erradas a quem dar poder. Não existe uma forma certa de fazer capitalismo. O que existe é propriedade privada e mercado e no momento, a propriedade privada é um privilégio dos ricos (já que o resto de nós estamos todo dia reféns de regras e tributações) e a lógica do mercado é algo que só existe da classe média pra baixo, já que as corporações estão carinhosamente protegidas pelos governos.
Já o socialismo, bom, eu não acho que ele seria desejável mesmo que desse certo, mas como fazer ele dar?
Isso é algo que os socialistas ainda "debatem" e enquanto estão debatendo, Hugo Chavez está espancando manifestantes e negando passaportes a seus oponentes.
Pode pesquisar na internet, eu faria uma dedução educada que cerca de 80% de todo material socialista não é bem socialista, mas simplesmente anti-capitalista.
É só ver os documentários e a mídia de esquerda, todas elas estão aí pra "denunciar" a merda que é o capitalismo, mas qual foi a última vez que você leu "nós temos a solução?"
Oras, ser anti-capitalista eu também consigo, mesmo defendendo o mercado e a propriedade privada, dizer que existem pobres e existem ricos que manipulam o governo para ficar mais ricos eu também consigo, eu genuinamente gostei daquele documentario "The Corporations", porque aquilo mostra o quanto o lobby é muito mais importante pra uma corporação que o mercado e sempre foi, governo nunca defendeu os pobres, isso é besteira, o governo sempre foi a ferramenta que os ricos usam para se proteger do mercado.
Agora, eu acho muito mais seguro e eficiente tirar o governo da economia do que ficar chupando o pau de alguém no P-SOL rezando para que o dia que ele for eleito, que ele seja bonzinho.
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E pra completar.
O ótimo texto que o Andre Kenji me passou.
Educação - Não Há Lanche De Graça sobre esse mito ridiculo, absurda e completamente fora da realidade que "universidade tem que ser púiblica, gratuita e de qualidade"

O meu dia estava bom.

As pequenas vitórias em nada se comparam às pequenas derrotas.
Em termos gerais, uma vitória só é um pequeno passo necessário em direção a algum objetivo maior.
Uma pequena derrota é a completa aniquilação desse objetivo.
Não há comparação.

Giant Drag

Giant Drag - Hearts and Unicorns

Engraçado, eu tentei resenhar esse album do Giant Drag, música por música que nem fiz com os outros, mas não consegui porque as descrições das músicas estavam incrivelmente parecidas umas com as outras, ainda assim é um álbum que eu sempre fico com saudades de ouvir cujas músicas eu estou sempre cantarolando por aí.
Giant Drag é composto de Annie Hardy que canta e toca guitarra e Micah Calabrese que toca bateria e brinca com o sintetizador ao mesmo tempo, sintetizador este que talvez seja o terceiro membro da banda e eu acho que eles deveriam dar um nome pro coitadinho.
O álbum inteiro tem uma atmosfera que oscila entre humor negro e simples tristeza, mas sempre de uma forma meio adulta, sem se tornar piegas, talvez seja pela escolha da banda de tornar todas as músicas meio "sujas", mas não ao nível do ridiculo como "My Bloody Valentine", algo mais sensato como "SonicYouth", mas com músicas na sua maioria lentas.
Começa com "Kevin Is Gay" que já é uma espécie de clássico cult por ser tão estranha e divertida ao mesmo tempo com Annie repetindo "three sixty five seven fifty, you´re all I need, you´re all in me" e então distorcendo essa frase um pouco cada vez até no final ficar simplesmente um monte de miados e, como acontece com algumas outras músicas, o final é simplesmente ela falando algumas merdas aleatórias.
Passa então para "Cordial Invitation" que é tem uma aura bem down enquanto é dito "Your dream is my nightmare" para passar para a música que mais gruda na cabeça desde a música do danoninho que é "This isn´t it" (clipe embaixo).
"This isn´t it" mostra como que um sintetizador bem trabalhado pode fazer diferença, sem contar que a música, num geral, é sobre um sentimento que conhecemos bem, mas demoramos pra admitir às vezes e é dificil explicar se tal sentimento é simplesmente tesão ou algum tipo de sentimento de amizade com um toque sexual, mas enfim "love love love,/this isn’t it/ove love love/you wouldn’t/know it/if it hit you".
O album então volta ao clima um tanto mais sério com YFLMD (You Fuck Like My Dad) que mostra o quão baixo (ou alto) pode chegar o Giant Drag, porque eu quero dizer, não é qualquer mina que cantaria uma música com esse titulo enquanto diz "Father, you´re just like my father" e logo depois disso passa-se para a incrivelmente bonitinha (e grudante) "Pretty Little Neighbour" e talvez um leve momento de tédio depois, começa a balada "Blunt picket fence" que é um exemplo do humor negro estranho da dupla enquanto ela diz "Its hard to miss/I’ll kiss your fist for now"
Enfim, cansou escrever isso porque eu me repetiria demais, Gianrt Drag é uma daquelas bandas que tem uma espécie de formula ou estilo de tocar, mas que funciona, então eles conseguem repetir isso pra sempre sem ficar cansativo (bom, tomara que não pra seempre sempre).
Enfim, abaixo está o clipe de "This isn´t it" e acima o download.



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Aliás, AHAM, não é só de música que vive a tal "cena indie" (se é que isso existe).
Vá a sua Comic Shop mais próxima (ou algumas livrarias) e procure alguns quadrinhos.
Os tais "indie comics" (dependendo da sua definição do termo) são bem raros de aparecer aqui, mas pra quem odeia super-heróis e acha que quadrinhos pode ser usado para contar histórias sobre eu e você, não é nada raro encontrar o sempre maravilhoso Estranhos No Paraíso, assim como é possível encontrar também 100% de Paul Pope assim como Y - O Último Homem, estas duas últimas sendo algo que o Cunha chama de "Fantasia com o pé no chão".
Mesmo no ramo de super-heróis é possível encontrar coisas alternativas de qualidade como Madman, The Authorithy e Powers, sem contar os clássicos absoluto que são Watchmen, V de Vingança e O Cavaleiro Das Trevas, olha, pra alguém que geralmente não se liga em super-heróis, eu até mesmo recomendaria A Última Caçada de Kraven do Homem-Aranha dizendo "olha, é uma chance de 50/50 que você vai gostar, mas se você gostar, você vai se apaixonar."

Assim que eu começar a investir nesses quadrinhos (porque por enquanto minha preocupação é completar a coleção do Sandman), faço umas resenhas deles aqui também, mas um lance que eu queria dizer é que já que indie é uma coisa que ta na moda, então vamos aproveitar isso pra divulgar não só as músicas, mas também toda obra de arte não-pretensiosa que sempre esteve por fora do mainstream (porque minha definição de "indie" é algo como "coisa pop fora do mainstream"), porque assim como o Giant Drag é tão genial em passar sentimentos em músicas simples, 100% é também uma das melhores coisas que eu já li que assustam por serem incrivelmente simples e pesadas ao mesmo tempo porque acho que a grande sacada de qualquer cena alternativa é quando ela consegue se manter ao mesmo tempo acessível (no sentido pop da coisa) e honesta.
Você não precisa espantar público para ser honesto, não precisa ser pednate para ser profundo, isso é simples elitismo.

PS: Alguém sabe se Liberty Meadows do Frank Cho tem no Brasil?

Estranhos No Paraíso


100%


Liberty Meadows


10 Pãezinhos


Front

terça-feira, julho 25, 2006

"Varig cancela voôs: e o consumidor?"

O consumidor merece um tapa na testa por ser imbecil de comprar passagem da Varig.

segunda-feira, julho 24, 2006

Gays

Eu tenho lido bastante ultimamente sobre como os hippies eram machistas e homofobicos e sempre fica aquela coisa de tipo "como assim, esses não eram os caras que surgiram especificamente pra acabar com machismo e homofobia?"
Eu começo a entender como funciona isso quando vejo os punks paulistanos.
O João Gordo por exemplo é um cara que, mais de uma vez, já vi se orgulhando de ter espancado o Cazuza "porque aquela bicha vinha correndo gritando pra cima de mim".
E eu já expliquei aqui vez ou outra meus problemas com emos, mas não é nada raro ver punks criticando os emos por serem "umas bichas".
Não que as pessoas desse meio sejam oficialmente homofóbicos ou que façam músicas contra e coisas do tipo, o lance é muito mais aquele machismo meio enrustido, aquele lance de ver dois caras se beijando e olhar de forma estranha e desconfortavel tentando disfarçar que aquilo incomoda e que, ao surgir o incentivo, não sentem mais vergonha de falar abertamente.
É claro, que se surgir a oportunidade de se mostrarem rebeldes, eles falarão em direitos dos homossexuais (da mesma forma que falam em direitos dos animais, como que passando a mãozinha na cabeça dizendo "apesar de não serem humanos, eles merecem ser respeitados como tal"), mas nada disso muda o fato de que há sempre aquele sentimento de estranheza e desconforto e até ódio em relação "àquelas bichas".
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Eu lembro até de estar assistindo aquele programa do canal 21 com o Marcelo Taz e o Lobão (e eu sei que nenhum é punk, mas enfim, são ambos caras "modernos" e "intelectuais") na época do BrokeBack Mountain e foi impressionante como eles não conseguiam falar sério sobre o filme, eles começavam e então logo alguém fazia alguma piada sobre "dar a bunda" e, quero dizer, que porra, dá uma raiva quando os caras que deviam ser a voz da sanidade no meio do conservadorismo da televisão brasileira ficam fazendo umas merdas dessas.
E claro, quando vêm a parada gay, todo mundo se junta porque a visão que tem é a de uma imensa putaria e muitos caras vão por não entender o conceito de homossexualismo feminimo, por achar que lésbicas são meros objetos sexuais ou mero fetiche.
E no final, tem sempre aquela, todo mundo que o sujeito para ser gay não precisa andar rebolando, nem falar diferente, nem fazer nada diferente, mas e se o sujeito quiser fazer isso, qual o problema?
Pra não tornar esse post muito meloso, eu digo que eu acho bem irritante esses caras que se comportam como meninas de 15 anos, mas até aí, eu acho meninas de 15 anos irritantes e eu definitivamente acho um otaku muitissimo mais irritante do que qualquer um dos dois; eu já conversei com gays que também acham esse comportamento irritante, só que muita gente usa isso como desculpa para odiar essas "bichas" e, voltando ao assunto, eu já vi punks (ou ao menos pessoas de moicano que gostam de bandas punks caso você queira dizer que "eles não são punks de verdadezona verdadeirona que nem euzão aqui") virem com essa "nada contra gays, mas se uma dessas bichas afetadas vierem pra cima de mim eu dou um soco na cara" e tipo, porque cara? Claro que se alguém, homem ou mulher, tentar me beijar contra minha vontade, dar um soco na cara é um algo até bem natural, mas os caras ficam com aquelas caras de mau, olhando feio e dizendo "se essa bicha chegar perto, eu dou um soco" pra depois dizer "nada contra gays, mas odeio bichas", isso é bullshit.
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Enfim, homofobia está voltando a moda e assim como aquela banda que vai ser famosa daqui há 6 meses, a cena alternativa ouve "odeio bichas" antes de todo mundo.

domingo, julho 23, 2006

Acho que uma coisa triste de se aprender é que inôcencia, uma vez perdida, não pode ser recuperada.

sexta-feira, julho 21, 2006

As bonecas de Nova York

The New York Dolls [1973]



Formados em 1972, o New York Dolls era uma banda que parecia glam e soava punk.
O seu modo de se vestir levou para Nova York o glam de Londres e seu modo de tocar serviu de grande base para a cena punk.
Esse primeiro album deles é simplesmente ótimo, ao ouvi-lo você nem lembra de toda a maquiagem e a roupa.
Visto que o Sex Pistols foram influenciados pelo New York Dolls, fica gritante o retrocesso que o punk 77 causou na música, New York Dolls tem toda a crueza e diversão do Punk sem serem drones retardados de três acordes.
New York Dolls é algo como um Kiss mais honesto, um Stooges mais moderno ou afinal, pra que compra-los com qualquer pessoa?
O album abre com Personality Crisis que tem mostra logo o poder do vocal de Johansen e a poderosa guitarra de Johnny Thunders e o maravilhoso piano de não-faço-idéia e que brinca com toda a idéia do sujeito que cria uma personalidade para ser cool, mas que acaba se ferrando e, convenhamos, esses eram provavelmente os caras mais heterossexuais da cena noturna de Nova York se vestindo de mulher cantando "Personality Crisis you got it while it was hot/frustration and heartache is all you got don't you worry"
O album então passa para "Looking For a Kiss" que começa com o engraçadissimo "when I say I am in love, you better believe I´m in love, L.U.V" que é basicamente uma música de amor com uma pegada de Hard Rock, com um ótimo riff.
O album prossegue com Viatnamese Baby que é provavelmente uma das mais fracas, mantendo um Hard Rock bem básico, mas aí ela passa para "Lonely Planet Boy" que me lembra muito Libertines pra falar a verdade, é uma ótima balada com uma letra linda que é cantada da forma meio irônica da forma que muitas bandas indies fazem hoje.
É meio engraçado e emocionante ao mesmo tempo ouvir "Oh it's a lonely planet joy/When the song from your other boys/That's when I'm a lonely planet boy/And I'm tryin, I'm cryin, Baby for your love" e a qualidade continua em cima com a bem trabalhada e divetida "Frankstein" que é claramente sobre a reação das pessoas em relação aos travestis e tem uma letra até que bem inteligente, como quando diz "You're trying not to dirty your hands/When asking you as a person/Is it a crime, is it a crime/For you to fall in love with Frankenstein" e o fim da música é simplesmente maravilhoso e emocionante.
O album prossegue para "Trash" que é um ótimo exemplo de música Punk antes dos punks surgirem oficialmente, muito divertida e esse mesmo tipo de música divertida e simples prossegue com "Bad Girl" e "Subway Train", sendo que "Subway Train" é mais lenta, porém a voz do Johansen está diferente, parecida mesmo com um Sex Pistols ou Ramones.
O album prossegue para Pills que tem uma levanda bem R&B e uma letra bem engraçada que diz "A little pill for my legs, but that didn't ache/I tried some pills for my heart, but a little to late/Gots some pills for my love, to put me at ease/Ats when a rock n roll nurse shook me down to my knees" e "She went into my head, shoved into my head/A rock n roll nurse went into my head"
"Private World", a penúltima música do album tem uma batida extremamente pop e eu não vou tentar explicar ela aqui, é simplesmente divertidissima.
E esse ótimo album termina com "Jet Boy" que é mais uma grande pérola proto-punk/hard rock/glam/whatever.
Com uma ótima batida e a ótima e pesada e bem rock n roll guitarra de Johnny Thunders, o album termina sem parecer que terminou, ele termina bem no auge, com aquela impressão que foi curto demais.
O album é ótimo; ele é inteligente, sarcástico, em termos de hard rock, as letras que falam de coisas tão comuns ao mesmo tempo que tão "alternativas" como drags e prostitutas é uma espécie de quebra com outras bandas de hard rock que estavam ainda naquele lance meio místico/espacial dos hippies e da psicodelia, enfim, foi um bom album de rock n roll puro e simples, mas muito bem feito.
(texto chato abaixo, pare de ler)
Sabe, é comum falar sobre essas bandas punk/proto-punk (na verdade eu li isso de alguém bem especifico, mas esqueci o nome) que o prog tinha levado o rock a ser coisa de "burguês" e o punk o trouxe de volta a "classe trabalhadora", isso é um monte de besteira, Led Zeppelin e Pink Floyd certamente tinham vendas bem maiores que os Stooges ou o New York Dolls, a classe média estava toda concentrada em prog naquela época, mas o punk nunca foi nada de "classe trabalhadora", esse é um pensamento patético e simplista de quem vê o mundo apenas nesses dois tons (burguês vs trabalhadores), o que bandas como New York Dolls fizeram foi levar a irreverência de volta pro rock, foi fazer um som que se preocupava em ser divertido sem se levar tão a sério e que contava coisas do dia a dia, que estava longe de ser um dia a dia nas fábricas ou nos sindicatos (como eram os temas dos músicos folk), eram temas tirados da cena rock n roll de Nova York, feito por pessoas que viviam como traficantes de drogas ou prostituição ou mesmo sustentados pelos pais, eles eram de certa forma a escória da sociedade, mas isso não faz deles "classe trabalhadora", existe uma diferença gigante entre o desempregado ou o pobre com emprego de merda e o sujeito que faz boquete por 20 dólares porque isso é tudo que ele precisa pra comprar um pouco de heroína, comparar um junkie com um trabalhador seria absurdamente ofensivo para a maioria dos trabalhadores que eu conheço, assim como comparar um trabalhador a um junkie faria o junkie te dar um tapa na testa e um atestado de "bom, você não me entende MESMO".
E um dos grandes lances dessas bandas era se manter o mais afastado de política o possível, para eles política era coisa de hippies e hippies eram ecochatos que comiam comida ruim e faziam música entediante, ninguém queria ser como John Lennon, sem contar que boa parte desse pessoal era o pessoal da Factory do Andy Warhol que dizia que ganhar dinheiro era arte e que tem frases ótimas como "alguém me disse pra pintar algo que eu amava, então eu comecei a desenhar dinheiro" e vivia elogiando o capitalismo e coisa e tal.
Enfim, a questão é, os New York Dolls, foi isso que eles fizeram, na época dos solos de 20 minutos e músicas sobre montanhas encantadas e indianos, o New York Dolls apareceu cantando sobre drags e drogas e não se levavam muito a sério, se eles estavam mais próximos da realidade e menos alienados não é porque tinham lido o livro vermelho do Mao, mas porque eles falavam sobre coisas do seu cotidiano e como alguém disse certa vez, "o rock é provavelmente o lugar onde mais se equivale qualidade com integridade" e se os New York Dolls soam "transgressores", é simplesmente porque eram íntegros o bastante pra falar abertamente sobre um modo de vida condenado pela sociedade.
E eles falavam isso porque queriam uma revolução?
Claro que não, eles não precisavam de uma revolução, eles já estavam vivendo essa vida, eles falavam a respeito porque é divertido contar histórias sobre a própria vida.
Porque revolução é isso, é viver como você quer, é ignorar leis que você não gosta, não é entrar em política, não é procurar um bom candidato pra votar, entrar em um partido político é a maior demonstração de conformismo e reacionarismo que uma pessoa pode tomar, não importa se é o PCO ou PSDB, só os idiotas tentam mudar as leis, os espertos as ignoram.
Enfim, acho que é isso que eu queria dizer.

terça-feira, julho 18, 2006

The Pipettes - We Are The Pipettes

The Pipettes - We Are The Pipettes



Toda moda que já surgiu vai voltar mais cedo ou mais tarde, toda moda aparentemente nova estará se baseando em algo que já acontecia há muito tempo, tudo que éunderground vai virar mainstream e quando sua prima de 15 anos faz download de música no mesmo lugar que você, os termos underground, indie, mainstream e popse tornam um tanto obsoletos porque qualquer um pode entrar na home-page da NME e saber o que está acontecendo.
Então se é para as barreiras caírem, porque não derrubá-las com estilo?
The Pipettes tem de tudo para virar um novo hype das já não tão mais alternativas baladas alternativas.
São 3 garotas cantando enquanto usam vestidos de bolinha num visual anos 50, suas músicas representam o que há de melhor no mundo pop; é um som dançante o bastante para que sua prima de 15 anos goste e vá dançar na matinêao mesmo tempo que é genial o bastante para você ouvir sem vergonha enquanto diz com pose blasé que os idiotas não entendem de verdade tudo que The Pipettes representa.
O album abre com We Are The Pipettes, com uma batida que lembra algo de anos 80 enquanto elas dizem orgulhosamente We are the Pipettes/And we've got no regrets /If you haven't noticed yet /We're the prettiest girls you've ever met o que mistura glamour com atitude de forma que todas as garotas do mundo pop desde as Spice Girls sempre tentaram, mas sem tanto sucesso.
Logo após, elas mostram suas influências dos anos 50 em Pull Shapes que é uma música ao mesmo tempo linda quando diz dance with me and we´ll be allright e genial quando diz I just want to move/I don´t care what this music is about.
Quando o album passa para Dirty Mind você percebe que, criativamente, elas são definitivamente melhores que o tipo de Spice Girls ou Destiny´s Child, aliás, não tem comparação, é algo totalmente outro, é outro público, é outro tema, é outra mentalidade e, no fim, é esse o engraçado, porque musicalmente elas teriam que ser comparadas com lixo pop, mas as músicas são genuinamente bonitas, o uso do backing vocal é genuinamente criativo e as músicas dançantes são também inteligentes.
Quando o álbum após um série de músicas mais lentas, o álbum chega em Your Kisses Are Wasted On Me, eu vejo e isso é bem particular, mas eu vejo talvez o mais genial debate sobre a alma feminina já feito na música desde... não sei, talvez desde sempre.
Reza a lenda que algumas pessoas confundem emos com indies, mas essas pessoas nunca conversaram com os públicos femininos de nenhuma das duas tribos, a questão toda do emo é que não importa com quantas pessoas você faça sexo, o ato ainda deve ser de certa forma inocente; já na cena indie, inocência é um crime grave que deve ser punido.
Em Your Kisses Are Wasted On Me nós temos uma garota fazendo a voz da inocência e a outra do cinismo.
Enquanto temos uma bela voz que nos brinda com And you might cry for some time/And you might try to hold my hand againenquanto a outra diz com um jeito de Riot Grrl you don´t know it além de coisas como I don't love you don't make me smile/For a while/Get out of my face/I'm gonna catch a chase some other guy/Who I might like e I want you out of here/Don't send me wild/You're just a child e ao mesmo tempo é música é dançante o bastante para tocar em qualquer noite.
Então o album chega em outra música linda com It´s not love (but it´s still a feeling) dizendo Because it's not love/But it's still a feeling/No it's not love/But my body's reeling/To move closer next to you e, sinceramente, quando foi a última vez que você viu uma banda falando sobre liberdade sexual de forma tão linda? O album então prossegue para músicas como Sex e One night stand que diz Leave me alone/You´re just a one night stand to me e o album vai para o seu fim com as bonitinhas ABC (que é ainda um pouco safada) e I Love You que seria seria linda se não fosse tão irônica a tornando um ótimo fim para um dos melhores álbuns de 2006 que eu ouvi.
Esse é um álbum excelente, não se apaixonar por ele significa causar reações como você é um chato maldito ao mesmo tempo de você é um imbecil que não entende a contemporaneidade e as sutilezas dessa obrae provavelmente ambas ofensas estarão corretas.

quinta-feira, julho 13, 2006

Eu deixo o Velvet Underground explicar.



Jenny said when she was just five years old
There was nothin' happenin' at all
Every time she puts on a radio
There was nothin' goin' down at all,
Not at all
Then one fine mornin' she puts on a New York station
You know, she don't believe what she heard at all
She started shakin' to that fine fine music
You know her life was saved by rock 'n' roll
Despite all the amputations you know you could just go out
And dance to the rock 'n' roll station

It was alright
It was allright
Hey baby
You know it was allright
It was allright

Jenny said when she was just bout five years old
You know my parents are gonna be the death of us all
Two TV sets and two Cadillac cars -
Well you know it ain't gonna help me at all
Not just a little tiny bit
Then one fine mornin' she turns on a New York station
She doesn't believe what she hears at all
Ooh, She started dancin' to that fine fine music
You know her life is saved by rock 'n' roll,
Yeah, rock n' roll
Despite all the computations
You could just dance to that rock 'n' roll station

And baby it was allright
And it was alright
Hey it was allright
It was allright
Hey here she comes now!
Jump! Jump!

Like Jenny said when she was just bout' five years old
Hey you know there's nothin' happenin' at all
Not at all
Every time I put on the radio,
You know there's nothin' goin' down at all,
Not at all
But one fine mornin' she hears a New York station
She doesn't believe what she heard at all
Hey, not at all
She started dancin' to that fine fine music
You know her life was saved by rock 'n' roll
Yeah rock 'n' roll
Ooh, Despite all the computations
You know you could just dance to the rock 'n' roll station

Allright, allright
And it was allright
Oh, you listen to me now
And it was allright
C'mon now
Little better
Little bit
It was allright
It was allright
And it was allright, allright
It's allright, allright
Baby it's allright, now
Allright, baby it's allright, now
Baby it's allright, allright now
Baby it's allright
Baby it's allright now
Oh baby,oh baby
Oh baby, Yeah yeah yeah yeah yeah
It's allright, now
Ooh, it's allright now
All, allright.

quarta-feira, julho 12, 2006

The Madcap

Lime and limpid green, a second scene
A fight between the blue you once knew.
Floating down, the sound resounds
Around the icy waters underground.



Eu fiquei sabendo hoje que, na sexta-feira dia 7, o fundador do Pink Floyd Syd Barrett morreu.
Durante muito tempo na minha vida eu quis ser ele.
Acho que durante minha adolescência, ele foi meu maior guia, a figura do herói trágico que eu queria ser, o patrono da minha loucura, o que quer que seja.
.
Sid Barrett não foi só o fundador do Pink Floyd, ele foi talvez o nome mais importante em termos de psicodelia e cultura de LSD e space rock ou qualquer coisa que seja, mas nada disso importa, o que importa é que ele criou essa banda gigante e não fez parte disso. É uma história genial.
Eu nasci em 1985, comecei a me interessar por música em meados de 98 ou 99, meu primeiro contato sério com a música foi através do Pink Floyd, nessa época não eram raras as histórias de astros do rock que cresceram e morreram, mas o Syd Barrett teve uma diferença essencial que foi que ele não morreu, ele não alcançou o estrelato, ele simplesmente enlouqueceu e sumiu, mas, em outra coisa diferente de tantos outros que enlouqueceram e sumiram, a banda que ele criou prosseguiu, carregando em sua discografia a música dele.
Já há anos, ele não podia falar sobre Pink Floyd, ele não podia ver nenhum dos membros do grupo, ele não podia ouvir nenhuma das músicas, nem as próprias músicas, porque isso causava nele crises horriveis de depressão.
Ele foi o sujeito que criou toda uma nova maneira de se pensar música e então explodiu dentro de sua própria mente não podendo jamais ter contato com sua arte para não danificar o pouco que restava de seu decadente estado mental.
.
A história de Syd é bem conhecida, ele fundou o Pink Floyd, ficou poucos anos na banda, mas o excesso de LSD eventualmente levou a total destruição de sua sanidade, ao ponto de ele não conseguir tocar, de subir em palcos e ficar apenas horas e horas olhando para algum ponto fixo sem se mover.
Eu queria ser ele.
Eu queria ser o cara que conseguia se esconder tão bem dentro da própria mente, apagar o mundo externo de forma tão eficiente a ponto de conseguir me desligar.
.
É uma tentação dizer que o Madcap Laughs, seu principal album solo, é uma das melhores coisas que já ouvi, se fosse ele não teria sua beleza; esse album é na verdade uma das mais autênticas formas de expressão que um louco poderia fazer, mas não um louco no sentido que estamos acostumados, do sujeito totalmente aleatório.
Era um louco consciente até, um louco consciente o suficiente para fazer músicas ao menos.
.
É dificil encontrar passagens tão sinceras quanto "It's no good trying to place your hand where I can't see because I understand that you're different from me" e poucas coisas fazem tanto sentido pra mim quanto "I'm only a person with Eskimo chain I tattooed my brain all the way..." e depois perguntava já prevendo que não conseguiria se manter nesse mundo por muito tempo "Won't you miss me? Wouldn't you miss me at all?"
Porque é esse o cara que eu queria ser, talvez esse seja o cara que eu ainda quero ser e é isso que eu quero dizer, é isso que eu sempre quis dizer minha vida toda, que eu só sou um cara acorrentado com o cerebro inteiro tatuado.
Vocês sentiriam minha falta?
Vocês sentiriam alguma saudade?
.
Eu não sinto saudades dele, é como eu disse, de muitas e muitas formas ele morreu faz tempo, mas mesmo assim é dificil encarar um fim assim tão definitivo, nós sempre sonhamos que um dia ele iria acordar e em um surto de sanidade nos brindaria um pouco mais com sua doce insanidade, que ele nos fizesse viajar de novo por cavernas azuis e cristalinas gélidas, por entre os planetas, por dentro de sua mente deteriorada e sua alma destruida, dizendo que tipo de pessoa você é, que tipo de pessoa eu quero ser, essa figura que pouquissimos conheciam, mesmo de nome e que foi o meu herói trágico que ousou se aventurar não apenas por algo tosco e insignificante como os preconceitos da sociedade londrina, mas por algo muito mais grandioso e muito mais periogo que era sua mente.
Mas agora nós temos a confirmação de algo que já tinhamos certeza.
Que isso não vai acontecer.
Ele não vai se levantar, não vai nos brindar com nada de novo.
Tudo que jamais saberemos de Syd Barrett é o que ele já nos deu... e por mais que seja, parece pouco, por mais que ainda tenha material que eu ainda não ouvi, parece pouco... nunca seria o suficiente... talvez a morte dele venha pra ensinar isso também... que nada vai mudar, porque como ele mesmo disse em Jugband Blues "It's awfully considerate of you to think of me here and I'm much obliged to you for making it clear that I'm not here."
.
Eu não acredito em céu...
Mas eis que está tocando agora a música Flaming do The Piper At The Gates Of Dawn e eu não consigo pensar em nada mais apropriado para terminar esse post... que não é uma homenagem a altura dele... mas de novo... nenhum numero de palavras jamais será homenagem a altura dele.
No fim, se eu quero realmente homenagear esse meu herói, eu terei que fazer que nem ele fez e expôr ao mundo a minha loucura e rir.

Flaming

Alone in the clouds all blue
Lying on an eiderdown.
Yippee! You can't see me
But I can you.

Lazing in the foggy dew
Sitting on a unicorn.
No fair, you can't hear me
But I can you.

Watching buttercups cup the light
Sleeping on a dandelion.
Too much, I won't touch you
But then I might.

Screaming through the starlit sky
Traveling by telephone.
Hey ho, here we go
Ever so high.

Alone in the clouds all blue
Lying on an eiderdown.
Yippee! You can't see me
But I can you.

quinta-feira, julho 06, 2006

We set out to change the world, but in the end we only changed ourselves
And what is wrong with that?
Nothing... if you don´t look at the world.

quarta-feira, julho 05, 2006

O que acontece por aqui?

O que eu posso dizer?
É quase como uma imensa massa branca me cercando, entrando pelos meus olhos, não sei.
É como se algo queimasse.
É quase como se algo morresse.
É.
É qusase como uma troca de olhares.
Não, não é isso.
Isso é o que não é.
É o que deixa de ser.
É a ausência da troca de olhares, sabe?
Qual foi a última vez que isso aconteceu?
Que você olhou pra alguém e a pessoa te olhou de volta?
Sabe, quando você ta num canto e a pessoa no outro e vocês se olham, vocês sorriem, mas continuam nos seus cantos, pelo menos por enquanto de qualquer forma.
Eu não lembro qual a ultima vez que isso aconteceu.
Ou talvez eu lembre.
Porque no fim, todos os meus problemas começam aí pensando bem.
Não é quando a pessoa é particularmente bonita ou inteligente.
Não, não.
Não.
É quando ela me olha nos olhos.
É aí que eu fico meio obcecado, meio louco.
Quando eu olho nos olhos de alguém e tais olhos estão olhando nos meus.
É uma cena simplesmente tão linda.
Tão certa.
Tão perfeita.
É quase como um propósito.
Como pode não ser certo?
Como pode não ser especial?
São os olhos.
...
É.

domingo, julho 02, 2006

Sleeping is giving in,
no matter what the time is.
Sleeping is giving in,
so lift those heavy eyelids.

People say that you’ll die
faster than without water.
But we know it’s just a lie,
scare your son, scare your daughter.

People say that your dreams
are the only things that save ya.
Come on baby in our dreams,
we can live our misbehavior.

Every time you close your eyes
Lies, Lies!

People try and hide the night
underneath the covers.
People try and hide the light
underneath the covers.

Come on hide your lovers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.

Hidin’ from your brothers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.

People say that you’ll die
faster than without water,
but we know it’s just a lie,
scare your son, scare your daughter.

Scare your son, scare your daughter.

Now here’s the sun, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the moon, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the sun, it’s alright! (Lies!)
Now here’s the moon it’s alright (Lies!)

But every time you close your eyes. (Lies!)

Sobre a importância do sexo.

Claro, vamos esquecer as óbvias referências a reprodução da espécie.
Sexo é importante para ter uma prole, ok, whatever.
Deixando isso de lado porque quando se compra uma playboy ninguém pensa "queria ter essa boa moça como minha esposa para cuidar de seus filhos", vamos prosseguir.
-
A importância do sexo é uma jogada de marketing para os trouxas.
É inegável que sexo seja bom, mas até aí jogar videogame é bom.
Tão bom quanto sexo?
Depende muito.
Sexo nunca me emocionou como fez o fim de algum Final Fantasy.
Sexo nunca me fez bem quanto certos beijos ou momentos memoraveis com alguém.
Sexo nunca me fez bem quanto uma boa conversa com um amigo.
Sexo nunca me fez bem que nem o final de Sandman
Sexo nunca me fez bem que nem "Dangerous Habits" do Hellblazer
Enfim.
Eu posso continuar praticamente eternamente sobre coisas que são melhores que sexo.
Então psicologicamente falando, se sexo te faz bem, é porque você é um imbecil cuja vida não passa de um reflexo das expectativas dos outros imbecis.
Se sexo te deixa mais calmo, é porque em primeiro lugar você se estressou com isso.
E porque você se estressou com sexo?
Porque se você não pega aquela mina, então você é um perdedor, você não é um predador eficiente, você não é bom perante seus pares, o que se traduz logicamente, que você não é um escravo bom o suficiente.
É claro, que no fim das contas, que porra de diferença faz você pegar alguém que você nem acha tão atraente e/ou inteligente e/ou divertida em primeiro lugar?
Diferença nenhuma. Você poderia viver sem isso numa boa.
Mas ah não, você é um menino grande, tão macho com sua pistolinha, tão bonitinho, do jeito que a mamãe criou, do jeito que as mamães dos seus amiguinhos criou eles, do jeito que o papai quis, tão glugluzinho nosso amiguinho, ele consegue fazer sexo com uma garota imbecil a ponto de ser tratada como alvo e nem se importar, vamos todos aplaudir nosso meninão, tão grande, tão valioso, o que ele fez?
Nada de especial, ele foi lá e transou com uma garota, ele demonstrou ter habilidades que garantem alguns minutinhos de prazer e só garantem algum beneficio emocional porque ele é idiota demais pra viver sem ser escravo da rodinha de predadores imbecis em primeiro lugar.
Que sequer amigos são, porque um amigo não perderia o respeito de outro por uma simples falta de habilidade em localizar e enganar burrinhas.
Então no fim, você escolhe voluntariamente se tornar um escravo de pessoas que só querem te manter por perto porque elas também precisam da sua aprovação e uma vez que você só é idiota a ponto de conseguir aprovação contando histórias de trepadas, também é idiota a ponto de só dar aprovação ouvindo histórias de trepadas.
E você é idiota a ponto de dizer que essa é uma produtiva interação social.
Claro, é uma produtiva interação social, que nem um culto cristão, um acampamento da Al Qaeda ou uma escola do MST.
É uma interação onde você não consegue nada senão uma aprovação que você não necessitaria em primeiro lugar não fosse essa própria interação.
Logo é inutil.
Claro, longe de mim condenar que as pessoas façam coisas inuteis, estão no seu direito de individuos livres, assim como estão no seu direito de furar o próprio olho com um prego enferrujado, quem sou eu para pregar a proibição de qualquer ato estupido?
Então novamente.
Sexo é bom, mas não é importante.
Se é um momento especial entre duas pessoas, mas aí é entre duas pessoas que se gostam e não entre você que está pensando no seu orgulho machista que só existe por você er abdicado sua humanidade em prol de ser uma estupida colcha de retalho das expectativas alheias e entre uma garota tão imbecil quanto você.
Se estamos falando de sexo como simplesmente entretenimento (que é uma idéia que eu apóio bastante, que sexo seja tratado como diversão), então não faz sentido que sexo tenha mais importância do que dançar ou beber.
Se sexo é diversão, ele funciona mais ou menos assim.
Eu estou perto de alguém, eu digo "vamos transar?" e a pessoa fala "iupi, vamos!", nós transamos e vamos cada um para um lado.
NO BIG DEAL.
Nós nos divertimos juntos.
Tão profundo, especial, mágico, importante pra raça humana e pro meu orgulho próprio quanto eu contar a piada do passarinho que não tinha cu, foi peidar e explodiu.
Faz bem pro meu orgulho próprio eu conseguir fazer alguém que gosto e admiro ter prazer.
É quase como o orgulho que se sente em ter feito uma boa ação para um amigo e o fato de ter recebido prazer lógico que torna o lance todo melhor.
Fazer "mulher aleatória nº 5733" ter prazer é legal também, mas se toda a importância do sexo se baseia em homens querendo ver mulheres felizes, seria mais fácil e melhor que não as tratassemos como alvos/vítimas/presas e começassemos a entender suas vontades, seus desejo, parar de pressiona-las para que sejam AS musas belas mais lindas e anoréxicas do planeta, entender que sexo é apenas diversão e não uma forma de dominação ou de marcar território.
Então dar prazer a uma mulher durante sexo recreativo é mais uma questão ética do que o objetivo todo do lance, nós damos prazer para que a pessoa tenha um momento agradavel na montanha russa com a gente, mas não finjam que sexo é importante por causa da necessidade masculina de dar prazer pra mulher porque não é isso; fruto dessa necessidade são as comédias românticas no cinema, as músicas bonitinhas nas radios e, de novo, que não se trate mulher como se fosse simplesmente esposinha ou putinha.
A imensa importância do sexo então não passa de uma construção social.
Uma forma que as pessoas encontraram de se sentirem importantes mesmo não fazendo nada de demais ou projetarem em si próprias a imagem do vencedor que conseguiu dominar alguém, mesmo que essa necessidade seja fruto, em primeiro lugar, do fato que você é um mero escravo de um circulo vicioso de escravos ou de uma necessidade de vencer uma competição consigo mesmo que você só criou por ser imbecil demais pra simplesmente viver me paz ou homem de menos pra encarar alguma competição decente como criar algo de valor.
Sexo como um momento de carinho entre duas pessoas certamente existe, mas o dia-dia do casal, a compreensão de um pelo outro, vale muito mais que o sexo em si.
Sexo como puro entretenimento certamente existe e, na maioria das vezes, é tudo que é, não é nada mais especial do que jogar videogame, se alguma coisa, é simplesmente mais divertido.
Então agora eu vou dormir, mas antes vou ver pornografia, de graça lógico, porque pagar por sexo faz tanto sentido quanto pagar pra ir num parque de diversão, você até paga, bem raramente e apenas caso não tenha nada melhor pra fazer com o dinheiro no momento, e também porque a industria da pornografia da ao sexo sua devida importância - "é algo legal".
Só.
Mais nada.
Ponto.

sábado, julho 01, 2006

Eu estava conversando com a Trinity e ela disse que lia meu blog e se interessava, há muito tempo atrás, deu vontade de dizer pra ela "olha, eu ainda sou o mesmo cara", mas eu não disse, eu não sou o mesmo cara, eu duvido que seja o mesmo que era semana passada ou há duas semanas atrás, eu sinto medo disso, dessas mudanças, eu nunca sei quando a próxima vai ocorrer e sempre há um periodo obscuro de tristeza e completa falta de esperança enquanto a próxima personalidade não se estabiliza e não assume de vez o controle, nesse periodo de transição, que é quando eu acostumei a dizer "eu me perdi", eu sou consumido por todo tipo de culpa de todas as falhas passadas e as falhas atuais demoram mais para cicatrizar e eu consigo cada vez menos lidar com as coisas e é como se um turbilhão de coisas simplesmente girassem e girassem cada vez mais rápido na minha cabeça enquanto eu não me decido se sou mais inteligente ou mais burro que a média, se eu sou mediocre ou não, se eu sou feio, ridiculo ou tenho um estilo legal, se eu me respeito, se eu gosto do que me tornei, se eu tomei alguma decisão certa na minha vida, se eu tenho futuro, se eu desperdicei meus melhores anos, se eu estou nos meus melhores anos, se essa dor de cabeça vai passar, sobre o alivio da dor de cabeça ter passado, sobre a dor de cabeça ter voltado e no final, é como se personalidade passada fosse melhor, mais compreensivel, mais sensivel, mais inteligente, chorasse mais nas horas que lagrimas são necessárias, chorasse menos nas horas em que eu precisasse ser forte, se eu vou conseguir fazer música tão boa que nem o velvet underground, o nirvana ou o yeah yeah yeahs, se eu vou voltar a escrever um dia.
Eu queria dizer que ainda sou aquele cara.
Mas eu não conheço ele mais.
E vai chegar o momento em que isso vai passar e eu não vou conhecer mais também quem escreve isso hoje.
.
Eu só espero que a próxima personalidade seja boa.

sexta-feira, junho 30, 2006

Até o Pitchfork Media manda bem as vezes

Nirvana - Nevermind

"Por um tempo, parecia que não havia nada senão bandas grunge: Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden, Mudhoney, Green River, Screaming Trees-- e virtualmente todas elas vinham de Seattle. Na superficie, faz sentido que o Nirvana, com suas camisas de flanela e jeans rasgados e cabelos ensebados, possa fazer parte desse movimento. Entretanto eu não consigo pensar de nenhuma banda influenciada pelo Nirvana que sequer chegou as radios nos anos 90, ou alguma musica do Nirvana que carregou todos os atributos do verdadeiro grunge. Grunge, como viemos a conhecer através da MTV ou radio comercial alternativa, consistia em pesadamente rerverberada suja guitarra, vocais balbuciantes e enormes baterias não tão longe daquelas do hair-rock cuja relevância cultura o gênero suplantou. Grunge é mais do que Soul, Creed, e Nickelback. Onde o Nirvana se encaixa nesse legado?

Bem, talvez eles não se encaixem. Com todos os fatos, Nirvana começa a parecer muito mais uma velha e simples banda punk que por acaso estava no coração de um movimento cultural que eles não queriam fazer parte. Suas influências-- não o rock classico de seus companheiros de Seattle, mas o post-punk setentista e college rock ointentista-- se aproxima mais dessa categorização. Aproximando o som do Nirvana com a clássica [banda] + [banda] = [banda] nos leva a algumas estranhas conclusões como Buzzcock + Sonic Youth, Vaseline + Melvins, ou Pixies + Raincoats. Claro, sempre haverão aqueles que insistem que Nervermin teve mais valor cultural que musical, mas eles também não sabem de nada. Nirvana é, uma decada mais tarde, ainda considerada como a maior e mais lendária banda dos anos 90. Essa banda provou a toda uma nova geração que proeza tecnica não tem nada a ver com qualidade, inspirou seus fãs a procurarem músicas que passaram por baixo do radar comercial, e então tiveram a ousadia de serem ridiculamente, insanamente brilhantes pra caralho. Qualquer um que odeie esse album hoje está apenas tentando ser legal, e precisa tentar melhor. --Ryan Schereibe"

Whatsername

Acho que poucas pessoas perceberam a maravilhosa história de amor que existe em American Idiot do Green Day.

She's a rebel
She's a saint
She's salt of the earth
And she's dangerous

She's a rebel
Vigilante
Missing link on the brink
Of destruction

From Chicago to Toronto
She's the one that they
Call old whatsername

She's the symbol
of resistance
and she's holding on my
heart like a hand grenade

Is she dreaming
what I'm thinking
Is she the mother of all bombs
gonna detonate

Is she trouble
like I'm trouble
make it a double
twist of fate
or a melody that

She sings the revolution
the dawning of our lives
she brings this liberation
that I just can't define
nothing comes to mind
[x2]

She's a rebel
She's a saint
She's salt of the earth
And she's dangerous

She's a rebel
Vigilante
Missing link on the brink
Of destruction

She's a rebel
She's a saint
She's salt of the earth
And she's dangerous

She's a rebel
Vigilante
Missing link on the brink
Of destruction

She's a rebel, She's a rebel, She's a rebel, And she's dangerous
[x2]

She's an Extraordinary girl
In an ordinary world
And she cant seem to get away

He lacks the courage in his mind
Like a child left behind
Like a pet left in the rain

She's all alone again
Wiping the tears from her eyes
Some days he feels like dying
She gets so sick of crying

She sees the mirror of herself
An image she wants to sell
To anyone willing to buy

He steals the image in her kiss
From her hearts apocalypse
From the one called whatsername

She's all alone again
Wiping the tears from her eyes
Some days he feels like dying
She gets so sick of crying

She's all alone again
Wiping the tears from her eyes
Some days he feels like dying
Some days it's not worth trying
Now that they both are finding
She gets so sick of crying

She's an Extraordinary girl
an Extraordinary girl
an Extraordinary girl
an Extraordinary girl

Nobody likes you...
Everyone left you...
They're all out without you...
Having fun...

Where have all the bastards gone?
The underbelly stacks up ten high
The dummy failed the crash test
Collecting unemployment checks
Like a flunkie along for the ride

Where have all the riots gone
As the city's motto gets pulverized?
What's in love is now in debt
On your birth certificate
So strike the fucking match to light this fuse!

The town bishop is an extortionist
And he don't even know that you exist
Standing still when it's do or die
You better run for your fucking life

It's not over 'till you're underground
It's not over before it's too late
This city's burnin'
It's not my burden
It's not over before it's too late

There's nothing left to analyze

Where will all the martyrs go when the virus cures itself?
And where will we all go when it's too late?

And don't look back

You're not the Jesus of Suburbia
The St. Jimmy is a figment of
Your father's rage and your mother's love
Made me the idiot America

It's not over 'till you're underground
It's not over before it's too late
This city's burnin'
It's not my burden
It's not over before it's too late

She said I can't take this place
I'm leaving it behind

Well she said I can't take this town
I'm leaving you tonight

Thought I ran into you down on the street
Then it turned out to only be a dream
I made a point to burn all of the photographs
She went away and then I took a different path
I remember the face but I can't recall the name
Now I wonder how whatsername has been

Seems that she disappeared without a trace
Did she ever marry old what's his face?
I made a point to burn all of the photographs
She went away and then I took a different path
I remember the face but I can't recall the name
Now I wonder how whatsername has been

Remember, whatever
It seems like forever ago
Remember, whatever
It seems like forever ago
The regrets are useless
In my mind
She's in my head
I must confess
The regrets are useless
In my mind
She's in my head
From so long ago

(Go, Go, Go, Go..)

And in the darkest night
If my memory serves me right
I'll never turn back time
Forgetting you, but not the time.