Existem duas palavras que eu mais li na campanha de Obama em direção a presidência:
Change e Pragmatism.
Do ponto de vista do marketing, é genial.
De um ponto de vista filosófico, é interessante.
"Mudança" é dito para se dizer um radical, para conquistar todos à esquerda do centro. Uma vez que é só "mudança" e não "revolução", a centro-esquerda pode aprovar com prazer.
"Pragmatismo" foi dito para convencer todo o centro.
Antes de escrever nesse post, eu pensei na frase: "alguém disse a verdade pra alguém pensando que estava mentindo e agora vai se ferrar"
Pensei isso porque ou o Obama seria o ultra-esquerdista que vai revolucionar a América ou ele seria o sujeito calmo, que ouviria todos os lados e decidiria o que concluiria ser melhor, pouco importante se é uma política liberal ou conservadora.
Os esquerdistas, então, para convencer o centro, pensavam "Oh céus, esse sujeito é um revolucionário, mas a América nunca vai eleger um revolucionário, devemos convencê-los que ele é um pragmatista!" e durante as primárias democratas, o pensamento, claro, era outro; algum pragmatista pensava: "Esse sujeito vota exatamente igual a Hillary, vai fazer as mesmas concessões aos conservadores que ela, a esquerda nunca vai eleger um moderado inexperiente, devemos convencê-los que ele é um revolucionário!"
Bem, alguém convenceu o outro da verdade e, por isso, se ferrou.
Pensando melhor no post, entretanto, no que os assuntos se expandiam na minha mente, eu decidi que, embora o acima fosse verdade, a questão é que Obama é de fato uma vitória da mudança e uma vitória do pragmatismo, caso ele seja o que eu acho que ele será. Só que a mudança que Obama promove não é da direita pra esquerda, mas do ideal pro pragmático.
Um idealista político, da forma que eu entendo, é alguém que se baseia em conceitos ao invés de resultados.
Kant é o grande exemplo de idealista.
A Paz Eterna é possível? Não importa. Sendo ela desejável, então o conceito deve ser postulado para que ele transforme a realidade de modo que ela se torne possível.
A idéia é que a possibilidade da Paz Eterna não existe antes do conceito ser formulado. Não se lê os livros de história e analisam os fatos e se conclui "a Paz Eterna é possível".
O que fazemos é postular o conceito, "fingir" que ele é possível, com isso mobilizar a humanidade em direção a tal ideal, para que só então ele se torne possível.
A guerra do Iraque foi outro exemplo de idealismo, embora menos nobre que o Kantiano. Em prol de um conceito de América que envolvia um país com um exército de imortais que exportavam democracias para povos que os receberia de braços abertos, toda a realidade do conceito foi deixada de lado. A realidade não importava, ela aconteceria eventualmente. Primeiro o conceito, então a realidade.
Mas claro, ideais a longuíssimo (eterno?) prazo envolvendo conceitos abstratos podem ser objeto de postulados e idealismos. Já uma guerra que esperavam terminada em meses não funciona da mesma forma.
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Em uma recente troca de e-mails sobre Israel, eu dizia que deixei de ser pacifista assistindo Hotel Ruanda e meu interlocutor me respondeu que se tornou um pacifista lendo sobre Ghandi e Martin Luther King.
No post que fiz hoje mesmo, ridicularizo a postura de quem pede aos Palestinos resistência. Reitero algo que disse há um tempo atrás, que os Palestinos estariam em melhor condição de vida se aceitassem sua rendição.
Hotel Ruanda não me fez flertar com o bélico, o que Hotel Ruanda fez foi convencer de Ghandi não pode existir em todo lugar. Me fez ser um pragmatista de algum modo. Guerra ou paz não podem ser ideais eternos e universais, eles devem estar sempre analisados no seu contexto.
Em Ruanda, assim como em Darfur atualmente, não há resistência. Há cidadãos que pegam suas armas particulares pra defender suas cidades e até isso eu acho demais. Não deveria haver nenhuma resistência.
Se o personagem principal em Hotel Ruanda sobreviveu e pôde contar sua história e pode dizer pra mim "a África existe" e despertar em mim um sentimento de um dia ir pra lá ajudar como posso é porque ele se rendeu. É porque ele negociou com quem matou incontáveis amigos seus e arruinou sua vida. É porque ao invés de pegar uma arma, ele subornava as pessoas que queriam ver sua família morta.
Perante uma força que não pode ser vencida, "resistir" é um suicídio que não faz bem pra ninguém, que aumenta o número de mortos irracionalmente e não cumpre nenhum objetivo.
Uma guerra difícil de ser vencida, como foram as guerras mundiais, fazem sentido. Guerras impossíveis de ser vencidas devem ser admitidas como perdidas. A resistência não salva uma vida, não alimenta uma criança. Resistência no caso de Ruanda seria sinônimo de morte. A desistência garantiu a vida do personagem principal. Para um milhão de outros, entretanto, não havia alternativa.
Então parece que estou defendendo o pacifismo aqui, mas a verdade é que antes de assistir Hotel Ruanda, eu dispensava a legitimidade do envio de tropas à Darfur dizendo que era "uma guerra de esquerda", que não faria nenhum bem bombardear os inocentes do Sudão, etc e tal.
Hoje eu acho que não existe nenhum lugar que mereça mais tropas do que Sudão.
Para o cidadão Sudanês atual, a resistência é o suícidio sem propósito e sem resultado; a fuga e a rendição é uma fagulha de esperança de uma sobrevivência miserável e insustentável. Para haver qualquer coisa parecida com justiça lá, é preciso tanques de guerra e mísseis contra os Janjaweed. Mas sem uma força internacional capaz de seriamente deter a ameaça, não vejo que bem existira em qualquer resistência do povo de Darfur.
Se eles atirassem foguetes nos civis árabes sudaneses, eu não chamaria aquilo de resistência, chamaria do que tenho chamado: suicídio. Sem resultados. Sem propósito. Bom para ninguém. E aí repito a infantilidade que é usar as palavras "intifada" e "resistência" como algo além do seu sonho adolescente de estar lutando por algo.
Em um artigo do Haaretz que falava sobre a ausência de protestos pró-Palestina na própria Palestina (Cisjordânia), um dos motivos apontados era que após a segunda Intifada, não havia mais motivação para lutar. O que a Intifada trouxe de bom para a Palestina?
Checkpoints, bloqueio econômico, muro, mais apoio aos colonos israelenses, mais soldados israelenses dentro da Palestina, menos autoridade para a Autoridade Palestina, maior distância da paz. Quem argumenta aqui que idealmente Israel nem deveria estar lá em primeiro lugar não está sendo diferente do que o norte-americano que defendeu a invasão ao Iraque.
Primeiro se cria o conceito de justiça, mesmo que impossível, depois age em direção ao impossível, na esperança que o conceito vire realidade.
Não virou, nem vai virar e cada tentativa traz mais sofrimento, mais mortes, mais guerra, mais ódio, etc.
Falar de resistência é projetar seus próprios desejos de aventura em um povo que não precisa de aventura, mas de comida, emprego, escolas, futuro e, sim, que sua pátria deixe de ser ocupada por uma força estrangeira.
A violência da Palestina contra Israel cumpre quantos desses objetivos? Desde que o Hamas começou a atirar foguetes em Israel, houve menos comida, menos emprego, menos escola, menos futuro e a Gaza, antes sem colonos e sem exército Israelense, volta a ter o último, talvez volte a ter os primeiros.
E aí é uma tragédia para todos e mesmo caso a ausência de uma resistência Palestina fosse incapaz de melhorar a situação do povo Palestino perante à insensibilidade dos Israelenses, ao menos não poderíamos dizer que uma Gaza sem atiradores de foguete estaria tão triste quanto está hoje.
Não vou ser eu quem vai dar uma solução pro Oriente Médio, mas de tudo que eu li nessas semanas, o que me parece mais coerente é o que Jeffrey Goldberg argumenta: "A melhor esperança para uma solução bi-estatal é uma Cisjordânia vibrante", pois na Cisjordânia (e é um motivo pelo qual o Hamas venceu a eleição) o govero palestino se rendeu. Graças a isso, a economia tem melhorado e a Cisjordânia compartilha problemas de Gaza, não é em um nível sequer similar e no que a economia continua melhorando, eles morrem de medo de grupos extremistas botarem tudo a perder.
A rendição palestina não traz um fim da injustiça em um ano, ou em 10, mas mantém a estabilidade e, a passos de pomba, a mudança acontece.
É minha preocupação para quem esperança do Obama mudança e pragmatismo ao mesmo tempo. Existem raras vezes em que uma revolução é pragmática e se pragmatismo significa ouvir todos os lados e analisar todas as opções e decidir baseado no que é "mais daquilo que nós chamamos de 'bom'" ao invés de numa pré-determinada postura progressiva ou conservadora, então as mudanças do Obama vão demorar. Elas vão acontecer, mas uma mudança demorada é quando alguém que você vê todo dia deixa o cabelo crescer. Você só percebe que o cabelo dele cresceu quando olha uma foto de meses atrás.
Acredito que Obama vai trazer a mudança, mas duvida que qualquer uma vai gerar uma manchete de jornal, afinal, quem fala "puxa, seu cabelo cresceu 3 milímetros hoje"?
Esperançosamente, se as coisas estiverem bem melhores daqui há 4 anos, que ele consiga convencer o povo americano que ele parece molenga, mas "vocês se lembram como era antes?"
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Anyway
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O que isso diz sobre a África? E se eu penso em geopolítica, eu penso sempre sobre o prisma da África, sempre me fazendo essa pergunta.
O Sudanês não tem o privilégio de ser inimigo de Israel, Estados Unidos ou Inglaterra.
O Janjaweed não faz nenhuma distinção entre militar e civil, entre convenção de genebra e crime de guerra, entre prisioneiro e rendido, entre criança, adulto, mulher, idoso.
Países civilizados em guerra muito frequentemente colocam a vida dos próprios soldados em primeiro lugar e a humanidade dos civis inimigos em segundo, mas a humanidade dos civis inimigos é uma preocupação. Está lá.
Nesses casos, eu vou argumentar, o pacifismo funciona, logo, é um bem.
Ghandi lutava contra os britânicos e seu pacifismo funcionou. A Cisjordânia "se rendeu" e aos poucos tem funcionado.
Porque se a vida dos soldados não está em risco, a preocupação com o civil, mesmo que pequena, se torna única. E se há imprensa livre, intelectuais, necessidade de apoio político de outros países com imprensa livre, intelectuais, etc. então eventualmente os direitos ao povo oprimido serão garantido, não pela passividade, mas pela luta sem violência.
Onde a paz não funciona? Em países sem Gideon Levy denunciando o próprio país de genocidas sem alma, mas não deixando de tomar seu cafezinho pela manhã por causa disso.
A semelhança entre regimes que causam genocídios em qualquer parte do mundo, seja contra europeus, negros ou árabes, é a falta de liberdade de imprensa. Quantos artigos anti-Israel não saíram de fontes Israelenses? Quantos artigos contrários a guerra do Iraque não saem de dentro dos Estados Unidos? E pra tentar fazer disso algo que pode ser provado "a priori", eu decidi buscar agora no google british press ghandi ou coisas similares pra achar o que os jornais britânicos da época diziam sobre a Índia.
E certo:
Eu achei uma pequena tese defendendo exatamente isso que eu defendo.
A esquerda pode se vangloriar de salvar a vida de Palestinos quando denuncia Israel de crimes de guerra, de opressão, etc. Mesmo que estejam errados, os nossos pacifistas estão fazendo o que pacifistas da Palestina deveriam estar fazendo e se nossos Palestinos salvam vidas lá, imagine o que os próprios não fariam.
Quando a esquerda perde o respeito? Quando começa a menosprezar os foguetes palestinos.
É engraçado que dizem que a estratégia de Israel é auto-destrutiva porque cria mais terroristas e mais ódio, etc. É verdade, mas o mesmo vezes 1000 não pode ser dito dos ataques Palestinos que boa parte da esquerda, que nunca concordou consigo própria, tentou legitimar como um povo justamente se defendendo de um invasor estrangeiro? (existe qualquer debate polêmico nesse universo sobre qualquer assunto onde os dois lados não argumentam a mesma coisa, só que pela ótica oposta?)
Agora, olhando pelo prisma do pragmatismo (lembrando que esse post tem como plano de fundo que os que apóiam Obama estão apoiando o pragmatismo), quem tem mais a perder quebrando pacifismo?
Se Israel não é pacifista, tem que lidar com os foguetes e com o ocasional ato terrorista. Se a Palestina não é pacifista, tem que lidar com bombardeio que os leva de volta à idade das cavernas.
Nenhum dos países se beneficiam com a guerra, mas, pensando no bem próprio de ambos, Israel prejudica um pouco a si própria sendo bélico, já a Palestina perde tudo.
A resistência armada Palestina é irracional, diga-se de passagem, é bem mais irracional que qualquer ato de guerra Israelense. Israel pode perder sua humanidade fazendo guerras, mas não perde a vida de suas crianças. O mesmo, obviamente, não pode ser dito sobre os Palestinos, que quando atacam os civis israelenses perdem a humanidade E as próprias vidas.
Se suicidam para serem mais pobres, mais oprimido, mais ocupados.
A palavra "intifada" deveria ser considerada um palavrão pra qualquer um que se importe com as vidas Palestinas, ao invés disso, o site "eletronic intifada" é o centro de informações pró-Palestinas/Anti-Israelenses da internet.
Aí não conseguimos levar mais a sério quem nos diz estar preocupados com os Palestinos. Incentivar que os Palestinos sejam violentos e mesmo encarar a violência deles como algo compreensível é defender que eles morram ganhando em troca fome e opressão.
Quando a mídia foca no sofrimento Palestino, tenta incentivar Israel a acabar com a ocupação. Funcionou no caso de Ghandi. Mas claro, se Ghandi tivesse atacado, por pouco eficiente que fosse, causando poucas mortes que seja, não seria difícil de imaginar que hoje o reconheceríamos como terrorista.
Desprezar a eficiência dos foguetes do Hamas é um erro. A Palestina deve não atacar, atacar de modo incompetente não é ser pacifista, obviamente. E a imprensa impede guerras contra pacifistas, não contra quem ataca, por incompetentes que sejam os atacantes.
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Pra um Sudanês, por outro lado, não há distinção entre se render e lutar. Ele morre de qualquer jeito. Ainda, não há imprensa no Sudão e opinião pública de valor para ajudá-lo.
Esse é o estado mais triste possível de coisas. Mas ainda não vejo a violência como alternativa.
Quando a violência é uma alternativa nesse caso? Quando a ONU largar de ser covarde e mandar pessoas com armas pra lá parar a matança.
Se a alternativa do povo Sudanês é morrer ou morrer, então um elemento externo tem que ser adicionado à equação. O único elemento externo que nós temos são os nossos exércitos. Então ou enviamos nossos exércitos ou eles vão morrer.
O Brasil, por exemplo, notoriamente se recusa a impedir que Sudaneses morram.
O seu governo, brasileiro, é um dos governos que impediram que a ONU tomasse a ação quando o número de mortos era 100 a 200 mil. Hoje está entre 200 e 600 mil e o Brasil não discute qual sua posição porque está estudando. Quando estiver entre 600 mil e 1 milhão e 200, talvez o Brasil pense que há 10 anos atrás teria sido uma boa idéia ajudar os Sudaneses.
Enquanto isso, a pouca resistência que existe no Sudão atrapalha sua causa. Não conseguem vencer, não conseguem impedir que os civis morram, não conseguem nada, mas o mero fato de existirem faça com que o Sudão finja estar em guerra civil ao invés de simplesmente matando inocentes.
Além disso, o Sudão tem como aliado a China, graças a China, o Sudão ganha o Brasil como aliado e graças ao fato de quem mata ser árabe, o Sudão ganha todos os países árabes como aliados e, graças ao fato de quem mata ser árabe[2], o Sudão ganha parte dessa gente anti-Israel como aliada, pois há quem diga que após meio milhão de mortos, só desejamos uma "proxy war" contra a China e o Irã por causa de petróleo que talvez-mas-provavelmente-não existe em Darfur.
Os Estados Unidos foram o único país do mundo a declarar o que acontece em Darfur genocídio, Israel é o único país do mundo a receber refugiados sudaneses, recebe-os do Egito, onde são maltratados (assim como os refugiados Palestinos são maltratados no Brasil) e centenas deles ganharam cidadania israelense.
O Brasil sequer reconhece simbolicamente que há genocídio e se abstém de votações que pedem para o próprio governo que causa o genocídio investigar as mortes.
Então a situação de alguém no Sudão só se resolve admitindo suas mortes ou apoiando uma força internacional. Não há pacifismo capaz de pressionar o governo Sudanês a parar o massacre; pelo contrário, quanto mais extremista se torna, mais o Sudão ganha o apoio o Irã, assim como não há, na resistência, força capaz de deter os ataques.
A China permanece o meio pacifista mais próximo de parar os ataques à Darfur.
A China é um país pragmatista. Ela quer vender tranqueiras pra comprar tranqueiras e está pouco se lixando pra ideal de quem quer que seja.
Boicotar produtos Made In China, se feito em uma escala grande o bastante, poderia ajudar a situação. Mas a China produz tantas coisas que a mera noção de colocar de volta na prateleira tudo que tenha "Made In China" tatuado em algum lugar, nos fará deixar de comprar qualquer coisa que seja. Mas enfim, é um esforço que eu vou começar a fazer a partir de hoje.
Aí como eu fico nisso? Sei lá. Eu também sou vegetariano por conta dos direitos dos animais, mas não vejo menos animais morrendo por causa disso.
Mas a esfera internacional e particular são distantes.
Eu me mantenho um idealista em termos particulares, fazendo pequenos atos baseado em conceitos impossíveis na esperança de que a criação do conceito, hoje falso, traga um dia verdade a ele.
A esfera internacional é distante, de fato, não podemos falar em idealismo quando temos controle sobre tanto e precisamos de tanto. Se um exército não pode derrotar seu inimigo, ele deve largar as armas ou fugir. Se um exército pode derrotar seu inimigo, ele deve derrotá-lo. Para que nós não sejamos escravos de exércitos que podem derrotar inimigos, precisamos de uma imprensa livre e de um sistema legal que permita à opinião pública parar exércitos.
Um daqueles paradoxos divertidos da era da internet, onde temos um lugar particular que desenvolvemos para ficar sozinhos enquanto nos expomos voluntariamente para todo tipo de gente estranha e má que queira ver.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Paz Mundial Finalmente!
O único exército do mundo a matar cidadãos inocentes finalmente cedeu às pressões dos abaixo-assinados online e decidiu se render, declarando vitória clara ao oponente.
Espera-se que Israel deixe de existir até 2012, mas os líderes da Nova Palestina asseguram que os judeus terão o seu direito assegurado, inclusive que a parada gay de Tel Aviv terá continuidade. Aliás, afirmam até que uma filial da Lôca será instalada em Jerusalém porque a paz não seria possível sem a blogosfera paulistana.
A nova Autoridade Palestina agradece a todos que argumentaram que a Palestina tinha o direito de resistir e todos que incentivaram que continuassem resistindo. Graças a isso, a faixa de Gaza hoje apresenta o maior IDH do mundo. Caso eles tivessem cessado a violência, como pediam os bélicos, imperialistas e desumanos; certamente hoje Gaza estaria na plena miséria.
Graças a Deus por aqueles que são solidários ao povo Palestino e que pediram sua resistência ante a Israel, pois a resistência certamente aumentou em muito a qualidade de vida daquele povo, justificando completamente que os rojões que o Hamas atirava simbolicamente sobre Israel, mirando especificamente em ruas que sabiam que de antemão estavam vazias, nunca tiveram o intuito de machucar ninguém; pretendiam apenas chamar atenção do mundo para o quanto sofriam.
Não tivessem atirado os foguetes, não tivessem aniquilado a oposição política, não tivessem recrutado crianças para lutar na guerra, hoje com certeza não existiria mais Gaza, nem Cisjordânia, aliás, talvez nem Paquistão, Angola ou Austrália, sabe-se lá quando Israel ia parar na sua clara marcha de dominação. Fica claro para todos nós aqui, comemorando a paz mundial, já que o único conflito a aparecer no Jornal Nacional e merecer longa deliberação e debates online finalmente chega ao indubitável fim com a derrota de Israel, que não havia outro meio de chegar a paz senão por meio dos escudos humanos e dos ataques feitos de dentro das escolas, mesquitas, e prédios da ONU e que, afinal, todos os caminhões de ajuda humanitária roubados para que sua comida pudesse ser vendida a preços exorbitantes para um grupo de esfomeados mais do que se justifica, pois todo seu objetivo era financiar a resistência armada que, como dito e repetido, não fez nada senão trazer ótimos resultados para o povo Palestino.
Se ao menos tivesse sobrado um líder vivo do Hamas para que pudéssemos compará-lo a Ghandi.
Espera-se que Israel deixe de existir até 2012, mas os líderes da Nova Palestina asseguram que os judeus terão o seu direito assegurado, inclusive que a parada gay de Tel Aviv terá continuidade. Aliás, afirmam até que uma filial da Lôca será instalada em Jerusalém porque a paz não seria possível sem a blogosfera paulistana.
A nova Autoridade Palestina agradece a todos que argumentaram que a Palestina tinha o direito de resistir e todos que incentivaram que continuassem resistindo. Graças a isso, a faixa de Gaza hoje apresenta o maior IDH do mundo. Caso eles tivessem cessado a violência, como pediam os bélicos, imperialistas e desumanos; certamente hoje Gaza estaria na plena miséria.
Graças a Deus por aqueles que são solidários ao povo Palestino e que pediram sua resistência ante a Israel, pois a resistência certamente aumentou em muito a qualidade de vida daquele povo, justificando completamente que os rojões que o Hamas atirava simbolicamente sobre Israel, mirando especificamente em ruas que sabiam que de antemão estavam vazias, nunca tiveram o intuito de machucar ninguém; pretendiam apenas chamar atenção do mundo para o quanto sofriam.
Não tivessem atirado os foguetes, não tivessem aniquilado a oposição política, não tivessem recrutado crianças para lutar na guerra, hoje com certeza não existiria mais Gaza, nem Cisjordânia, aliás, talvez nem Paquistão, Angola ou Austrália, sabe-se lá quando Israel ia parar na sua clara marcha de dominação. Fica claro para todos nós aqui, comemorando a paz mundial, já que o único conflito a aparecer no Jornal Nacional e merecer longa deliberação e debates online finalmente chega ao indubitável fim com a derrota de Israel, que não havia outro meio de chegar a paz senão por meio dos escudos humanos e dos ataques feitos de dentro das escolas, mesquitas, e prédios da ONU e que, afinal, todos os caminhões de ajuda humanitária roubados para que sua comida pudesse ser vendida a preços exorbitantes para um grupo de esfomeados mais do que se justifica, pois todo seu objetivo era financiar a resistência armada que, como dito e repetido, não fez nada senão trazer ótimos resultados para o povo Palestino.
Se ao menos tivesse sobrado um líder vivo do Hamas para que pudéssemos compará-lo a Ghandi.
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Uma triste história de pragmatismo militar
Recebi um comentário e, neurótico como sou, não consegui parar de escrever.
Então vou reproduzir aqui o comentário e a resposta:
Sandra disse...
"Qualquer um que trate sobreviventes do holocausto, sem lugar para morar,chegando na terra em que sonhavam em levar democracia e prosperidade em uma catástrofe, é anti-semita." Só de ler este parágrafo tenho arrepios. Gostaria de esclarecer: ser anti - sionista não é o mesmo que ser anti-semita. Apenas nesta parte você já mostrou a sua parcialidade, que deturpa sua visão dos fatos. Imagino que seja muito difícil ter uma visão clara e crítica tendo escolhido previamente um dos lados. Pense só no absurdo que você está dizendo: ou apoiamos o estado de Israel e todos os crimes cometidos para a sua fundação (ou você acha que não houve crime algum, os sionistas são bonzinhos e mataram por uma boa causa?)ou você é anti-semita??? Conheço várias pessoas, incluindo a mim, que não são judias, mas que fazem questão de conhecer um pouco da história do povo judeu e se sentem absolutamente revoltados com o anti-semitismo e todas as barbaridades cometidas por causa do ódio aos judeus. Ficamos ainda mais tristes em pensar que mesmo após o holocausto, este sentimento ainda existe no mundo. Mas isso não significa apoiar Israel. Talvez por não estarmos diretamente envolvidos, fica claro para nós que a criação do Estado de Israel só faz sentido para quem é judeu e acredita que guerra,assassinato e a expulsão de milhares de pessoas de suas terras seja justificada pelo "direito" judeu a esta terra.
Sinceramente, é extremamente lamentável como ainda hoje existam pessoas com mente tão estreita, apesar de conhecimento da história.
=
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Sandra, depende de um monte de coisas.
Discordar das ações do Estado de Israel como se discorda das ações de qualquer Estado obviamente não pode ser acusação de antissemitismo.
Fosse assim nenhum cidadão Israelense poderia discordar do próprio governo e se 96% dos israelenses apóiam os ataques, não é porque o governo decide no lugar deles.
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Já ser contra a fundação do Estado de Israel é algo perigosamente perto de antissemitismo mesmo que não seja exatamente a mesma coisa.
É o único país Judeu do mundo, fica, como eles gostam de brincar, no único lugar do Oriente Médio sem petróleo, além disso, enfrentaram uma guerra na fundação, e praticamente uma grande guerra por década, sem contar esses ataques como os de agora onde têm a vantagem militar clara.
Não é preciso ser judeu para entender a necessidade de Israel. Sem Israel, nenhum Judeu pode se sentir seguro em parte alguma do mundo. É um exagero e uma inexatidão dizer que Israel existe por causa do holocausto, o holocausto foi a confirmação de um argumento que os sionistas do século XIX faziam: que se o bicho pega, os judeus não tem pra onde correr.
Ocorre de ficar na Terra Santa, mas até aí, Belém fica do lado de Jerusalém, o lugar onde a face humana de Deus nasceu da virgem está lá ao lado e você não vê católicos morrendo em guerra atrás de guerra para defender o lugar.
Em épocas que o Papa não podia ficar em Roma, davam um jeito (ou compravam um jeito) para ele ficar na França. Os católicos não defendiam Roma com unhas e dentes (não defenderam nem no império romano).
Porque se o bicho pega, nós temos toda a Europa e as Américas pra correr. Se o Judeu é expulso de sua terra e não tem Israel, quem o acolhe? NY?
Israel não foi uma escolha de um povo egoísta que queria roubar a terra de alguém. Foi uma necessidade. Foi o melhor lugar do mundo? Bem, onde mais os judeus poderiam declarar que iriam todos fundar seu Estado sem que alguém tentasse matá-los? No mais, não era uma terra árabe. Era terra britânica onde árabes por acaso moravam. Em pouca quantidade e na sua maioria rurais.
O sonho romântico sempre foi modernizar o país e aí, depois, quando os árabes locais estivessem felizes da vida que os judeus transformaram um monte de fazendas em prósperas metrópoles, iam de todo grado aceitar em um estado de maioria judia, mas democrático e com liberdade de religião. Não aconteceu assim. Mas que os árabes não os aceitassem era um triste obstáculo. A necessidade de não se exporem a mais uma perseguição (não a segunda depois de Hitler, mas a enésima depois de todo mundo nos últimos mil e tantos anos) ainda era imperativa. Eu acho que não precisa ser judeu pra entender isso, acho que só precisa ignorar o que eles vivem repetindo para nós.
Então eu vou defender que ser antissionista envolve uma boa dose de antissemitismo. É falar que o judeu perseguido - e nós sabemos o quanto o povo judeu ainda hoje não é exatamente amado pelo mundo - não merece um pedaço de deserto pra ser acolhido.
Entender a história do povo judeu é entender a história de um racismo. Você não entende a história do povo judeu sem entender, por exemplo, a expressão "Líbelo De Sangue"; era um mito espalhado pela Europa medieval de que os judeus fazem rituais com o sangue de crianças não-judias. Então quando exageram o número de crianças mortas no conflito, quando não explicam que o Hamas treina crianças para várias missões militares, quando não explicam que oficiais do Hamas *nunca* se movem pra lá e pra cá senão cercados de crianças, é porque existe em nós esse preconceito de que judeus matam crianças. Por mais de um milênio foi algo passado de pai pra filho católico. Um racismo milenar não morre fácil. Alguém comentou em algum lugar que na Espanha, ainda hoje, as crianças aprendem em brincadeirinhas de escola que judeu tem chifre e rabo. Isso não é antissemitismo nazista, isso é antissemitismo católico. Se o Brasil não tem uma população neonazista expressiva, bem, sabemos que tem católicos.
Esse é um exemplo. Dá pra ficar citando exemplos de estereótipos milenares judeus repetidos diariamente por aí. Que judeus são egoístas, gananciosos, insensíveis com qualquer não-judeu, etc. E o nosso antissemitismo católico é ainda mais complicado. Eu lembro que quando era criança, fazendo catecismo e indo à igreja, eu tinha a impressão que judeu e pagão eram a mesma coisa; eram as pessoas que por algum motivo discordavam do que Jesus dizia e que por isso elas eram pessoas ruins.
Então mesmo sem ouvir nenhum clichê antissemita, eu ainda tenho aquela coisa de ter ouvido quando criança que eles eram as pessoinhas da bíblia que não aceitavam Jesus. Agora, eu por algum motivo cresci e comecei a ler coisas. Quantos católicos brasileiros não buscam ser exatamente bem informados? Tendo toda informação sobre Israel limitada a quanto eles matam guerra após guerra? Que é uma informação unilateral.
Quando falamos em "povo judeu", não falamos só da "religião judaica", falamos, sim, em um povo. Assim como falamos em povo brasileiro. Hoje acontece de esse povo ter um país, então sei lá, dá pra falar que não temos nada contra os brasileiros, só não entendemos a relação entre o povo brasileiro e o Brasil? Afinal, dá pra eu ir morar em NY e continuar sendo brasileiro não dá?
Então eu vou argumentar aqui que ser contra a criação do Estado de Israel é ter um pé no Antissemitismo porque é não entender a história de um povo cuja toda história recente (por recente, eu digo pós-tempos bíblicos) tem por essência a perseguição que sofreram. De novo, são milênios de racismo, não precisa ter uma suástica tatuada para carregar isso com você.
É que nem jurar de pés juntos que não é racista, mas atravessar a rua quando vê dois negros andando na sua direção a noite.
Você não faz parte da Klux Klux Klan, mas o racismo está lá.
Aí entramos em outro estágio: ok, você entende a necessidade que o povo judeu tinha, não só por causa do holocausto, mas por causa de seu passado e futuro, de criar um Estado.
Mas eles não precisavam expulsar as pessoas de lá e não precisam bombardear as crianças Palestinas (freudian slip: revisando o texto, eu percebi que tinha escrito "bombardear as crianças Israelenses", fica para os psicólogos interpretar isso, eu vou chutar que pessoas pró-Israel vão ver algo de positivo e as pessoas anti-israel, algo de negativo.)
Aí nós vamos ficar argumentando que eu argumento nesse texto e nos comentários.
Os sionistas cometeram crimes no processo de fundação de Israel? Sim, claro, como eu digo no post e nos comentários, já existia um conflito entre árabes e judeus décadas antes da criação do Estado de Israel (que mostra que a necessidade de um Estado judeu já era urgente antes do holocausto) e existia grupos terroristas judeus, atacavam britânicos, atacavam árabes. E foram fundados porque os árabes atacaram eles. E os árabes atacaram porque disseram que foram atacados primeiro. E os judeus responderam que antes disso haviam sido atacados antes. A história vai até sabe-se lá quando. Então quando o Idelber diz que o conflito tem data pra começar e é 1948, quando os 600.000 (ou 700.000) Palestinos se refugiaram em Gaza, é ignorância proposital. É como eu dizer que a guerra contra o Hamas começou quando eles lançaram os foguetes, sem mencionar o bloqueio econômico e é como mencionar o bloqueio econômico sem dizer dos foguetes que vieram antes do bloqueio e é como mencionar esses sem falar do muro, por aí vai, em suma, é escolher um ponto aleatório de um conflito longo pra complementar sua narrativa. É o que o historiador que o Idelber gosta de citar faz, ele diz que não se importa com números ou fatos, o que importa pra ele é a narrativa. Oras, se ao invés de descobrir a história, eu só estou contando uma história, então eu posso começar de onde bem entendo mesmo.
Em 1947, como eu digo no comentário acima, havia eclodido entre árabes e judeus uma guerra civil. Quando os árabes perderam, muitos deles (eu li em algum lugar 68%, mas era um site tão sionista que eu não vou acreditar muito) fugiram antes mesmo de ver um soldado judeu. Eles sabiam que a guerra de 1948 ia acontecer e eles pensavam que, após o Estado de Israel ter sido exterminado, eles poderiam voltar. Quando a guerra estava na metade, começou a se formular o plano de voltar antes da guerra terminar para agir mais ou menos como os Iraquianos agem com os norte-americanos hoje. Israel fez o plano D (a expulsão propriamente dita) pra impedir isso.
E deu certo.
Israel faz coisas que dá certo, vamos culpar eles por isso? Assim como quando alguém menciona que os foguetes não matam ninguém (porque todo prédio Israelense tem um bunker e porque todo míssil que vem dispara uma sirene), é como culpando os Israelenses por não correr no meio da rua com suas familias para que a CNN possa tirar uma foto.
Os ataques tentam matar civis, mas Israel tem sistemas de defesa.
Que dão certo.
De novo, vamos culpar eles por isso?
Então é isso, eu assisto a CNN o dia todo quando não estou trabalhando no computador, eu vou daqui (lendo os comentaristas anti e pró-Israel) pra CNN e na CNN eu só vejo a cobertura Anti-Israel. Hoje ficou passando horas naquela barrinha inferior da CNN "UK Jewish Lawyer acuses Israel of Nazism"
Isso é necessário? Não dizia nem o nome do advogado (significa que ele não é ninguém famoso e nenhum estudioso no assunto), ele é só um judeu britânico aleatório fazendo a comparação que ele vê os outros fazendo o dia inteiro e, por algum motivo, a CNN julgou isso importante o suficiente para nos bombardear durante horas, junto com a notícia de Zimbabwe estava imprimindo uma nota de 100 trilhões ou algo assim (a aguda crise financeira de Zimbabwe, um país sofrendo uma ditadura horrenda e sofrendo com uma epidemia gravissima de cólera, é tão importante quanto um advogado judeu chamando Israel de nazista) e eu não vou nem dizer que clássico truque racista é esse.
"Eu conto piada racista pro meu amigo negão e ele dá risada, então não pega nada"
"Eu tenho um amigo bicha e ele diz que a parada gay é uma pouca-vergonha, então aqueles bichas são tudo uns safados".
Um judeu aleatório vivendo na Inglaterra chama Israel de nazista e a CNN julga isso o snipet mais importante da tarde. Mais importante que as negociações sobre o gás na Rússia, por exemplo.
Então não, eu não uso antissemitismo como uma carta para atacar qualquer crítico de Israel, eu uso para denunciar algo que de fato acontece, não em algum boteco perdido, mas em grandes blogs, grandes canais, grandes jornais e que se tornou tão senso comum, que é considerado uma ofensa questionar. É como o cara mencionado acima sendo acusado de racismo. Ele se acostumou tanto a pensar em si próprio como defensor dos negros porque o seu amigo negro finge achar graça das piadas dele que ele vai ser o primeiro a se ofender com a acusação de racismo.
Israel tem direito a terra? Bom, legalmente falando, toda ela era da Inglaterra e se ela decidiu dividir assim para os judeus e assado para os árabes, então é isso.
O que se segue é uma triste história de pragmatismo militar.
Agora, armada com todo o racismo inconsciente da imagem do judeu como o conspirador secreto, mais os ares de senso comum causado pelas repetições dos bordões (como eu também devo defender coisas que não percebo como injustiça, pois sou submetido aos bordões do meu lado também), você vai rejeitar que o que Israel faz é pragmatismo.
Você vai dizer que é ganância, que é egoísmo, que é falta de compaixão pelo não-judeu, que eles pretendiam isso desde o começo, que eles espalham o sangue das crianças não-judias com prazer e ainda vai pensar consigo própria, "como se fosse uma espécie de ritual macabro".
Não foi ingenuidade que Golda Meir, lá em 1969, disse que se um dia a paz existir, eles perdoarão os árabes por ter matado crianças judias (Hannah Arendt perdoou os nazistas, afinal de contas, e vamos convir, os judeus bem nos perdoam, a nós católicos, por todo o mal que os causamos; não é a toa que um judeu pedia a Deus "perdoai-vos"), mas ela disse que jamais poderia perdoar os árabes por forçá-los a matar as crianças deles.
Golda Meir sabia o que significava para o mundo que um judeu estivesse espalhando sangue de crianças. Sentia tanto ódio de se ver nessa situação quanto Tipzi Livni parece cansada e triste na conferência de imprensa em que tem que defender mais uma guerra em um inglês quebrado, falando para um mundo que sabe que não vai ouvir, que eles fazem de tudo para evitar inocentes, mas que o inimigo não quer que inocentes sejam evitados.
E você vai me dizer que é um absurdo que eu te chame de antissemita. Não quero dizer que você quer ser uma. Não quero te comparar com nazistas. Se algo, vou deduzir que você ia a igreja quando criança e ouvia como Jesus tinha ódio dos judeus que desgraçavam seus templos com comércio (é talvez o único episódio da Bíblia em que Jesus expressa raiva - e não é também um dos únicos episódios fora dos eventos da Paixão que Mel Gibson conta no seu filme?) e que desde que você se conhece por gente ouve que Israel mata crianças.
Eu vou dizer que você não quer ser antissemita, mas que depois de tanto que você ouve, você quase não tem escolha e que pra não se associar com nazistas, algo que você com justeza abomina, você se fecha para isso dizendo que seu ódio se restringe a Israel, terra que, para você, não tem nenhuma ligação com judaísmo, sendo apenas um nome impossível de se ouvir sem logo vir a mente o povo judeu.
Eu sei como é. Eu sinto também. Mas não finjamos não estar diretamente envolvidos. É nossa narrativa que será contada a nossos filhos. E se eu pareço ter a mente tão estreita, é talvez pela minha triste história de pragmatismo militar.
É porque esse campo de batalha que nos envolvemos quando, longe das bombas, dizemos as coisas em nossos blogs lidos por menos de 15 pessoas por mês, somos forçados a uma certa desumanidade com o outro lado.
Não, nós estamos diretamente envolvidos. Nos envolvemos quando nascemos católicos e negamos aos judeus qualquer canto pacífico do mundo, os levando a lutar um século por um pedaço de deserto que temos ainda a audácia de dizer que eles não têm direito.
Nos envolvemos também quando decidimos tomar a terra santa dos árabes e quando nossos filósofos anunciavam com todas as máscaras da racionalidade que o Alcorão é o livro mais terrível já escrito.
E nos envolvemos quando decidimos envolver a ambos na nossa secular guerra fria e nos envolvemos quando a nossa "esquerda" ainda faz questão de escolher automática e irrefletidamente um lado e a nossa "direita" faz questão de escolher automática e irrefletidamente o outro.
Você diz que "fica claro para nós que a criação do Estado de Israel só faz sentido para quem é judeu", mas são pessoas como nós. Nosso salvador era um deles aliás. Falta de sentido nunca fica clara, é a nossa iluminista definição de obscuridade.
Fica claro, portanto, que há obscuridade. Há, de fato, estreiteza.
A sua você confessou.
Você não é um deles, então eles são incompreensíveis para você.
A minha é que toda vez que vejo aquele filisteu na cruz, eu não consigo de deixar de lembrar que ele é um judeu e que nós devemos tanto a eles e, entretanto, os causamos tanto mal. Antes com tochas, hoje com palavras.
Desculpe se isso de algum modo interfere com minha responsabilidade como blogueiro lido por menos de 15 pessoas por mês.
Não posso evitar.
Tenho tanto a ver com a história que não me sinto com escolha senão pedir perdão.
Então já que o resto da blogosfera inteira está falando do bloqueio econômico, coisa que eu defendo que foi extrema, desnecessária e, em parte, motivada por racismo; eu escolho defender uma minoria brasileira de pessoas que discutem pontos positivos de uma organização que diz querer vê-los mortos.
Já que a CNN escolhe piscar na minha tela a tarde inteira que um advogado judeu diz que Israel é nazista enquanto o instituto humanitas escolhe me mandar pela newsletter um texto em que alguém acusa o povo judeu de egoísmo coletivo, eu vou dizer que eles não são nazistas e que eles não são egoístas. Acho que alguém tem que dizer que o Idelber põe links na página dele para websites que defendem que não há motivo para acreditar no holocausto mesmo porque os judeus declararam guerra à alemanha da década de 1930.
E já que ele diz "dois lados porra nenhuma", eu vou dizer "dois lados sim senhor". Ao menos dois. Eu particularmente não consigo parar de contá-los. O do povo israelense, o do povo palestino, o da direita israelense, o da esquerda israelense, o do Hamas, o do Fatah, o do Irã, o dos EUA e dá pra eu contar até citar cada partido político do mundo.
Todos presos em uma teia de racismos irracionais e realpolitks ultra-racionalistas em que alguém no Likud acha que um bombardeio aumenta suas chances de se reeleger enquanto os EUA precisam de um posto de comando cercado de seus inimigos enquanto um judeu pede a Deus para que as sirenes parem de tocar todo santo dia, para que ele tenha mais do 15 segundos para largar toda sua vida e correr para seu abrigo enquanto um Palestino reza para que hoje tenha comida, hoje tenha eletricidade e, por Deus, hoje não tenha bombardeio ao mesmo tempo em que uma criança numa escola do Hamas aprende que paz é desistência, paz é covardia, paz é pecado, que toda paz envolve um mundo sem judeus e que após a queda de Israel, é preciso matar os judeus do resto do mundo e essa criança vai com orgulho andar ao redor do general que é seu professor e quando uma bomba matar os dois, a CNN sabe que o que mantém a audiência não é o general, mas a criança.
E nós somos peças sei lá de quem. Hugo Chávez se prepara para trazer de volta a Venezuela companhias petrolíferas que ele havia expulsado anos antes declarando uma vitória da revolução, os tempos são difíceis, ele precisa mostrar que ainda é macho, então ele aproveita a última semana de ataques livres ao Bush e expulsa o embaixador israelense. Evo Morales também precisa mostrar que é macho. Faz o mesmo. Alguém aplaude. Alguém foi útil.
Já os EUA não podem lutar uma guerra agora, mas sabem que mais cedo ou mais tarde vão ter que lutá-la, se não pelas armas nucleares, então para manter os caças sendo fabricados em época de crise econômica. Eles começam a nos dizer o quanto os pecados do Hamas são o pecado do Irã. Alguém aplaude. Alguém foi útil.
E o PT quer petrodólares iranianos, tem vendido armas pra eles faz um tempo já, "escapa" alguém dizendo que Israel é nazista. Sem contar que nunca faz mal, no país mais católico do mundo, dizer que faz sua parte para fazer com que os judeus parem de espalhar sangue nazista. E não faz mal também, na sua versão paz e amor, dar um jeito de se mostrar macho atacando o primo pobre dos EUA, quem não tem mais coragem de atacar. Alguém aplaude. Alguém vota. Alguém foi mais do que útil.
Tem tantos lados que se beneficiam do sangue das crianças palestinas. É uma triste história de pragmatismo militar pra todo mundo. Uns fazendo o que devem para preservar seu país e outros fazendo o que devem para preservar seu poder.
Aí alguém diz "dois lados porra nenhuma", que escolha eu tenho senão apontar que existem infinitos lados?
E eu estou pedindo perdão. Quero que o judeu fugindo da sirene me perdoe por um monte de coisas. Então eu tendo ao lado dele.
E depois de assistir Hotel Ruanda, eu deixei de ser um pacifista. Aquele filme me fez ver que pessoas armadas fazendo a coisa certa no local certo pode salvar um monte de vidas. Não houve guerra em Ruanda, e o oposto da guerra não foi a paz, foi o massacre.
Na complexa teia de poderes que fazem os fatos, eu tenho lá minha cota de motivos cínicos e maquiavélicos para apoiar esses ataques.
Parar de "resistir", como a blogosfera insiste para que não façam, é o caminho mais curto para a paz, para o fim da violência, para o fim da morte de crianças. Sem terroristas e sem violência, Israel tem que lidar com seus humanistas. E aí as condições do povo Palestino vão melhorando.
Foi o plano oficial de Israel ao se retirar de Gaza em 2005, foi algo do tipo, "se vocês se comportarem, nós vamos nos comportando".
Não se comportaram, não se comportaram.
Quem está certo? Aí a gente começa a contar os fatos até a década de 1920 ou antes. Quem bateu primeiro? Que importa?
Toda manifestação pró-Israel pede paz e manifestações pró-palestinas são aquela muvuca de gente pedindo a morte de Israel, gente pedindo a morte dos Judeus, gente pedindo o cessar-fogo, gente pedindo uma nova Intifada e gente pedindo a "resistência".
Acho uma infantilidade sem tamanho. Acho que a esquerda deveria voltar a se concentrar em invadir prédios de reitoria e satisfazer seu desejo por resistência lá. Eu quero que as crianças parem de morrer.
O que exatamente vocês esperam que aconteça uma vez que os Palestinos se desarmarem? Que Israel invada territórios dos quais retirou seus colonos só pelo prazer de ser malvados? Que aumente o bloqueio econômico só pelo prazer de ver gente morrendo de fome? Que anexem um território que não querem anexar? Que ocupem um território que não querem ocupar? Que explorem um povo que não tem nada o que explorar?
De tudo anti-Israel que tenho lido nesses dias, ninguém me deu uma boa explicação de porque Israel é tão determinada na sua limpeza étnica senão o fato de que sionistas (não judeus, vamos fingir que os dois não se relacionam) são coletivamente egoístas. E se não houvesse o Hamas seria outro! Ok, mas porque? Porque sim, oras bolas! São judeus! Deus sabe que plano perverso essa gente faz em segredo! É quase como se sentissem prazer em derramar o sangue de crianças.
Mas não podemos acusar de antissemitas quem diz tais coisas. Não, é querer fugir do debate, sabe? É fazer um argumento Ad Hominem. Você ouviu falar daquele advogado judeu na Inglaterra que disse que Israel é nazista? Então, não tem nada de antissemitismo!
E assim vai, eles só querem que o povo palestino resista! E eu achando que o povo palestino queria parar de morrer. Que pragmatismo militar se torne mostrar que a paz vale a pena ao invés de ter que acabar com vidas inocentes em uma macabra reencenação de uma guerra que foi perdida há décadas.
Mas Israel não aceitaria recompensar a paz. Quer tudo! Eu não sou antissemita, você sabe, só acho que esses judeus desumano que sentem prazer em derramar gratuitamente o sangue de crianças querem tudo pra eles por nenhum outro motivo que sendo judeus desumanos que sentem prazer em derramar gratuitamente o sangue de crianças querem tudo pra eles. Não podemos confundir isso com antissemitismo, podemos?
Então vou reproduzir aqui o comentário e a resposta:
Sandra disse...
"Qualquer um que trate sobreviventes do holocausto, sem lugar para morar,chegando na terra em que sonhavam em levar democracia e prosperidade em uma catástrofe, é anti-semita." Só de ler este parágrafo tenho arrepios. Gostaria de esclarecer: ser anti - sionista não é o mesmo que ser anti-semita. Apenas nesta parte você já mostrou a sua parcialidade, que deturpa sua visão dos fatos. Imagino que seja muito difícil ter uma visão clara e crítica tendo escolhido previamente um dos lados. Pense só no absurdo que você está dizendo: ou apoiamos o estado de Israel e todos os crimes cometidos para a sua fundação (ou você acha que não houve crime algum, os sionistas são bonzinhos e mataram por uma boa causa?)ou você é anti-semita??? Conheço várias pessoas, incluindo a mim, que não são judias, mas que fazem questão de conhecer um pouco da história do povo judeu e se sentem absolutamente revoltados com o anti-semitismo e todas as barbaridades cometidas por causa do ódio aos judeus. Ficamos ainda mais tristes em pensar que mesmo após o holocausto, este sentimento ainda existe no mundo. Mas isso não significa apoiar Israel. Talvez por não estarmos diretamente envolvidos, fica claro para nós que a criação do Estado de Israel só faz sentido para quem é judeu e acredita que guerra,assassinato e a expulsão de milhares de pessoas de suas terras seja justificada pelo "direito" judeu a esta terra.
Sinceramente, é extremamente lamentável como ainda hoje existam pessoas com mente tão estreita, apesar de conhecimento da história.
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Sandra, depende de um monte de coisas.
Discordar das ações do Estado de Israel como se discorda das ações de qualquer Estado obviamente não pode ser acusação de antissemitismo.
Fosse assim nenhum cidadão Israelense poderia discordar do próprio governo e se 96% dos israelenses apóiam os ataques, não é porque o governo decide no lugar deles.
-
Já ser contra a fundação do Estado de Israel é algo perigosamente perto de antissemitismo mesmo que não seja exatamente a mesma coisa.
É o único país Judeu do mundo, fica, como eles gostam de brincar, no único lugar do Oriente Médio sem petróleo, além disso, enfrentaram uma guerra na fundação, e praticamente uma grande guerra por década, sem contar esses ataques como os de agora onde têm a vantagem militar clara.
Não é preciso ser judeu para entender a necessidade de Israel. Sem Israel, nenhum Judeu pode se sentir seguro em parte alguma do mundo. É um exagero e uma inexatidão dizer que Israel existe por causa do holocausto, o holocausto foi a confirmação de um argumento que os sionistas do século XIX faziam: que se o bicho pega, os judeus não tem pra onde correr.
Ocorre de ficar na Terra Santa, mas até aí, Belém fica do lado de Jerusalém, o lugar onde a face humana de Deus nasceu da virgem está lá ao lado e você não vê católicos morrendo em guerra atrás de guerra para defender o lugar.
Em épocas que o Papa não podia ficar em Roma, davam um jeito (ou compravam um jeito) para ele ficar na França. Os católicos não defendiam Roma com unhas e dentes (não defenderam nem no império romano).
Porque se o bicho pega, nós temos toda a Europa e as Américas pra correr. Se o Judeu é expulso de sua terra e não tem Israel, quem o acolhe? NY?
Israel não foi uma escolha de um povo egoísta que queria roubar a terra de alguém. Foi uma necessidade. Foi o melhor lugar do mundo? Bem, onde mais os judeus poderiam declarar que iriam todos fundar seu Estado sem que alguém tentasse matá-los? No mais, não era uma terra árabe. Era terra britânica onde árabes por acaso moravam. Em pouca quantidade e na sua maioria rurais.
O sonho romântico sempre foi modernizar o país e aí, depois, quando os árabes locais estivessem felizes da vida que os judeus transformaram um monte de fazendas em prósperas metrópoles, iam de todo grado aceitar em um estado de maioria judia, mas democrático e com liberdade de religião. Não aconteceu assim. Mas que os árabes não os aceitassem era um triste obstáculo. A necessidade de não se exporem a mais uma perseguição (não a segunda depois de Hitler, mas a enésima depois de todo mundo nos últimos mil e tantos anos) ainda era imperativa. Eu acho que não precisa ser judeu pra entender isso, acho que só precisa ignorar o que eles vivem repetindo para nós.
Então eu vou defender que ser antissionista envolve uma boa dose de antissemitismo. É falar que o judeu perseguido - e nós sabemos o quanto o povo judeu ainda hoje não é exatamente amado pelo mundo - não merece um pedaço de deserto pra ser acolhido.
Entender a história do povo judeu é entender a história de um racismo. Você não entende a história do povo judeu sem entender, por exemplo, a expressão "Líbelo De Sangue"; era um mito espalhado pela Europa medieval de que os judeus fazem rituais com o sangue de crianças não-judias. Então quando exageram o número de crianças mortas no conflito, quando não explicam que o Hamas treina crianças para várias missões militares, quando não explicam que oficiais do Hamas *nunca* se movem pra lá e pra cá senão cercados de crianças, é porque existe em nós esse preconceito de que judeus matam crianças. Por mais de um milênio foi algo passado de pai pra filho católico. Um racismo milenar não morre fácil. Alguém comentou em algum lugar que na Espanha, ainda hoje, as crianças aprendem em brincadeirinhas de escola que judeu tem chifre e rabo. Isso não é antissemitismo nazista, isso é antissemitismo católico. Se o Brasil não tem uma população neonazista expressiva, bem, sabemos que tem católicos.
Esse é um exemplo. Dá pra ficar citando exemplos de estereótipos milenares judeus repetidos diariamente por aí. Que judeus são egoístas, gananciosos, insensíveis com qualquer não-judeu, etc. E o nosso antissemitismo católico é ainda mais complicado. Eu lembro que quando era criança, fazendo catecismo e indo à igreja, eu tinha a impressão que judeu e pagão eram a mesma coisa; eram as pessoas que por algum motivo discordavam do que Jesus dizia e que por isso elas eram pessoas ruins.
Então mesmo sem ouvir nenhum clichê antissemita, eu ainda tenho aquela coisa de ter ouvido quando criança que eles eram as pessoinhas da bíblia que não aceitavam Jesus. Agora, eu por algum motivo cresci e comecei a ler coisas. Quantos católicos brasileiros não buscam ser exatamente bem informados? Tendo toda informação sobre Israel limitada a quanto eles matam guerra após guerra? Que é uma informação unilateral.
Quando falamos em "povo judeu", não falamos só da "religião judaica", falamos, sim, em um povo. Assim como falamos em povo brasileiro. Hoje acontece de esse povo ter um país, então sei lá, dá pra falar que não temos nada contra os brasileiros, só não entendemos a relação entre o povo brasileiro e o Brasil? Afinal, dá pra eu ir morar em NY e continuar sendo brasileiro não dá?
Então eu vou argumentar aqui que ser contra a criação do Estado de Israel é ter um pé no Antissemitismo porque é não entender a história de um povo cuja toda história recente (por recente, eu digo pós-tempos bíblicos) tem por essência a perseguição que sofreram. De novo, são milênios de racismo, não precisa ter uma suástica tatuada para carregar isso com você.
É que nem jurar de pés juntos que não é racista, mas atravessar a rua quando vê dois negros andando na sua direção a noite.
Você não faz parte da Klux Klux Klan, mas o racismo está lá.
Aí entramos em outro estágio: ok, você entende a necessidade que o povo judeu tinha, não só por causa do holocausto, mas por causa de seu passado e futuro, de criar um Estado.
Mas eles não precisavam expulsar as pessoas de lá e não precisam bombardear as crianças Palestinas (freudian slip: revisando o texto, eu percebi que tinha escrito "bombardear as crianças Israelenses", fica para os psicólogos interpretar isso, eu vou chutar que pessoas pró-Israel vão ver algo de positivo e as pessoas anti-israel, algo de negativo.)
Aí nós vamos ficar argumentando que eu argumento nesse texto e nos comentários.
Os sionistas cometeram crimes no processo de fundação de Israel? Sim, claro, como eu digo no post e nos comentários, já existia um conflito entre árabes e judeus décadas antes da criação do Estado de Israel (que mostra que a necessidade de um Estado judeu já era urgente antes do holocausto) e existia grupos terroristas judeus, atacavam britânicos, atacavam árabes. E foram fundados porque os árabes atacaram eles. E os árabes atacaram porque disseram que foram atacados primeiro. E os judeus responderam que antes disso haviam sido atacados antes. A história vai até sabe-se lá quando. Então quando o Idelber diz que o conflito tem data pra começar e é 1948, quando os 600.000 (ou 700.000) Palestinos se refugiaram em Gaza, é ignorância proposital. É como eu dizer que a guerra contra o Hamas começou quando eles lançaram os foguetes, sem mencionar o bloqueio econômico e é como mencionar o bloqueio econômico sem dizer dos foguetes que vieram antes do bloqueio e é como mencionar esses sem falar do muro, por aí vai, em suma, é escolher um ponto aleatório de um conflito longo pra complementar sua narrativa. É o que o historiador que o Idelber gosta de citar faz, ele diz que não se importa com números ou fatos, o que importa pra ele é a narrativa. Oras, se ao invés de descobrir a história, eu só estou contando uma história, então eu posso começar de onde bem entendo mesmo.
Em 1947, como eu digo no comentário acima, havia eclodido entre árabes e judeus uma guerra civil. Quando os árabes perderam, muitos deles (eu li em algum lugar 68%, mas era um site tão sionista que eu não vou acreditar muito) fugiram antes mesmo de ver um soldado judeu. Eles sabiam que a guerra de 1948 ia acontecer e eles pensavam que, após o Estado de Israel ter sido exterminado, eles poderiam voltar. Quando a guerra estava na metade, começou a se formular o plano de voltar antes da guerra terminar para agir mais ou menos como os Iraquianos agem com os norte-americanos hoje. Israel fez o plano D (a expulsão propriamente dita) pra impedir isso.
E deu certo.
Israel faz coisas que dá certo, vamos culpar eles por isso? Assim como quando alguém menciona que os foguetes não matam ninguém (porque todo prédio Israelense tem um bunker e porque todo míssil que vem dispara uma sirene), é como culpando os Israelenses por não correr no meio da rua com suas familias para que a CNN possa tirar uma foto.
Os ataques tentam matar civis, mas Israel tem sistemas de defesa.
Que dão certo.
De novo, vamos culpar eles por isso?
Então é isso, eu assisto a CNN o dia todo quando não estou trabalhando no computador, eu vou daqui (lendo os comentaristas anti e pró-Israel) pra CNN e na CNN eu só vejo a cobertura Anti-Israel. Hoje ficou passando horas naquela barrinha inferior da CNN "UK Jewish Lawyer acuses Israel of Nazism"
Isso é necessário? Não dizia nem o nome do advogado (significa que ele não é ninguém famoso e nenhum estudioso no assunto), ele é só um judeu britânico aleatório fazendo a comparação que ele vê os outros fazendo o dia inteiro e, por algum motivo, a CNN julgou isso importante o suficiente para nos bombardear durante horas, junto com a notícia de Zimbabwe estava imprimindo uma nota de 100 trilhões ou algo assim (a aguda crise financeira de Zimbabwe, um país sofrendo uma ditadura horrenda e sofrendo com uma epidemia gravissima de cólera, é tão importante quanto um advogado judeu chamando Israel de nazista) e eu não vou nem dizer que clássico truque racista é esse.
"Eu conto piada racista pro meu amigo negão e ele dá risada, então não pega nada"
"Eu tenho um amigo bicha e ele diz que a parada gay é uma pouca-vergonha, então aqueles bichas são tudo uns safados".
Um judeu aleatório vivendo na Inglaterra chama Israel de nazista e a CNN julga isso o snipet mais importante da tarde. Mais importante que as negociações sobre o gás na Rússia, por exemplo.
Então não, eu não uso antissemitismo como uma carta para atacar qualquer crítico de Israel, eu uso para denunciar algo que de fato acontece, não em algum boteco perdido, mas em grandes blogs, grandes canais, grandes jornais e que se tornou tão senso comum, que é considerado uma ofensa questionar. É como o cara mencionado acima sendo acusado de racismo. Ele se acostumou tanto a pensar em si próprio como defensor dos negros porque o seu amigo negro finge achar graça das piadas dele que ele vai ser o primeiro a se ofender com a acusação de racismo.
Israel tem direito a terra? Bom, legalmente falando, toda ela era da Inglaterra e se ela decidiu dividir assim para os judeus e assado para os árabes, então é isso.
O que se segue é uma triste história de pragmatismo militar.
Agora, armada com todo o racismo inconsciente da imagem do judeu como o conspirador secreto, mais os ares de senso comum causado pelas repetições dos bordões (como eu também devo defender coisas que não percebo como injustiça, pois sou submetido aos bordões do meu lado também), você vai rejeitar que o que Israel faz é pragmatismo.
Você vai dizer que é ganância, que é egoísmo, que é falta de compaixão pelo não-judeu, que eles pretendiam isso desde o começo, que eles espalham o sangue das crianças não-judias com prazer e ainda vai pensar consigo própria, "como se fosse uma espécie de ritual macabro".
Não foi ingenuidade que Golda Meir, lá em 1969, disse que se um dia a paz existir, eles perdoarão os árabes por ter matado crianças judias (Hannah Arendt perdoou os nazistas, afinal de contas, e vamos convir, os judeus bem nos perdoam, a nós católicos, por todo o mal que os causamos; não é a toa que um judeu pedia a Deus "perdoai-vos"), mas ela disse que jamais poderia perdoar os árabes por forçá-los a matar as crianças deles.
Golda Meir sabia o que significava para o mundo que um judeu estivesse espalhando sangue de crianças. Sentia tanto ódio de se ver nessa situação quanto Tipzi Livni parece cansada e triste na conferência de imprensa em que tem que defender mais uma guerra em um inglês quebrado, falando para um mundo que sabe que não vai ouvir, que eles fazem de tudo para evitar inocentes, mas que o inimigo não quer que inocentes sejam evitados.
E você vai me dizer que é um absurdo que eu te chame de antissemita. Não quero dizer que você quer ser uma. Não quero te comparar com nazistas. Se algo, vou deduzir que você ia a igreja quando criança e ouvia como Jesus tinha ódio dos judeus que desgraçavam seus templos com comércio (é talvez o único episódio da Bíblia em que Jesus expressa raiva - e não é também um dos únicos episódios fora dos eventos da Paixão que Mel Gibson conta no seu filme?) e que desde que você se conhece por gente ouve que Israel mata crianças.
Eu vou dizer que você não quer ser antissemita, mas que depois de tanto que você ouve, você quase não tem escolha e que pra não se associar com nazistas, algo que você com justeza abomina, você se fecha para isso dizendo que seu ódio se restringe a Israel, terra que, para você, não tem nenhuma ligação com judaísmo, sendo apenas um nome impossível de se ouvir sem logo vir a mente o povo judeu.
Eu sei como é. Eu sinto também. Mas não finjamos não estar diretamente envolvidos. É nossa narrativa que será contada a nossos filhos. E se eu pareço ter a mente tão estreita, é talvez pela minha triste história de pragmatismo militar.
É porque esse campo de batalha que nos envolvemos quando, longe das bombas, dizemos as coisas em nossos blogs lidos por menos de 15 pessoas por mês, somos forçados a uma certa desumanidade com o outro lado.
Não, nós estamos diretamente envolvidos. Nos envolvemos quando nascemos católicos e negamos aos judeus qualquer canto pacífico do mundo, os levando a lutar um século por um pedaço de deserto que temos ainda a audácia de dizer que eles não têm direito.
Nos envolvemos também quando decidimos tomar a terra santa dos árabes e quando nossos filósofos anunciavam com todas as máscaras da racionalidade que o Alcorão é o livro mais terrível já escrito.
E nos envolvemos quando decidimos envolver a ambos na nossa secular guerra fria e nos envolvemos quando a nossa "esquerda" ainda faz questão de escolher automática e irrefletidamente um lado e a nossa "direita" faz questão de escolher automática e irrefletidamente o outro.
Você diz que "fica claro para nós que a criação do Estado de Israel só faz sentido para quem é judeu", mas são pessoas como nós. Nosso salvador era um deles aliás. Falta de sentido nunca fica clara, é a nossa iluminista definição de obscuridade.
Fica claro, portanto, que há obscuridade. Há, de fato, estreiteza.
A sua você confessou.
Você não é um deles, então eles são incompreensíveis para você.
A minha é que toda vez que vejo aquele filisteu na cruz, eu não consigo de deixar de lembrar que ele é um judeu e que nós devemos tanto a eles e, entretanto, os causamos tanto mal. Antes com tochas, hoje com palavras.
Desculpe se isso de algum modo interfere com minha responsabilidade como blogueiro lido por menos de 15 pessoas por mês.
Não posso evitar.
Tenho tanto a ver com a história que não me sinto com escolha senão pedir perdão.
Então já que o resto da blogosfera inteira está falando do bloqueio econômico, coisa que eu defendo que foi extrema, desnecessária e, em parte, motivada por racismo; eu escolho defender uma minoria brasileira de pessoas que discutem pontos positivos de uma organização que diz querer vê-los mortos.
Já que a CNN escolhe piscar na minha tela a tarde inteira que um advogado judeu diz que Israel é nazista enquanto o instituto humanitas escolhe me mandar pela newsletter um texto em que alguém acusa o povo judeu de egoísmo coletivo, eu vou dizer que eles não são nazistas e que eles não são egoístas. Acho que alguém tem que dizer que o Idelber põe links na página dele para websites que defendem que não há motivo para acreditar no holocausto mesmo porque os judeus declararam guerra à alemanha da década de 1930.
E já que ele diz "dois lados porra nenhuma", eu vou dizer "dois lados sim senhor". Ao menos dois. Eu particularmente não consigo parar de contá-los. O do povo israelense, o do povo palestino, o da direita israelense, o da esquerda israelense, o do Hamas, o do Fatah, o do Irã, o dos EUA e dá pra eu contar até citar cada partido político do mundo.
Todos presos em uma teia de racismos irracionais e realpolitks ultra-racionalistas em que alguém no Likud acha que um bombardeio aumenta suas chances de se reeleger enquanto os EUA precisam de um posto de comando cercado de seus inimigos enquanto um judeu pede a Deus para que as sirenes parem de tocar todo santo dia, para que ele tenha mais do 15 segundos para largar toda sua vida e correr para seu abrigo enquanto um Palestino reza para que hoje tenha comida, hoje tenha eletricidade e, por Deus, hoje não tenha bombardeio ao mesmo tempo em que uma criança numa escola do Hamas aprende que paz é desistência, paz é covardia, paz é pecado, que toda paz envolve um mundo sem judeus e que após a queda de Israel, é preciso matar os judeus do resto do mundo e essa criança vai com orgulho andar ao redor do general que é seu professor e quando uma bomba matar os dois, a CNN sabe que o que mantém a audiência não é o general, mas a criança.
E nós somos peças sei lá de quem. Hugo Chávez se prepara para trazer de volta a Venezuela companhias petrolíferas que ele havia expulsado anos antes declarando uma vitória da revolução, os tempos são difíceis, ele precisa mostrar que ainda é macho, então ele aproveita a última semana de ataques livres ao Bush e expulsa o embaixador israelense. Evo Morales também precisa mostrar que é macho. Faz o mesmo. Alguém aplaude. Alguém foi útil.
Já os EUA não podem lutar uma guerra agora, mas sabem que mais cedo ou mais tarde vão ter que lutá-la, se não pelas armas nucleares, então para manter os caças sendo fabricados em época de crise econômica. Eles começam a nos dizer o quanto os pecados do Hamas são o pecado do Irã. Alguém aplaude. Alguém foi útil.
E o PT quer petrodólares iranianos, tem vendido armas pra eles faz um tempo já, "escapa" alguém dizendo que Israel é nazista. Sem contar que nunca faz mal, no país mais católico do mundo, dizer que faz sua parte para fazer com que os judeus parem de espalhar sangue nazista. E não faz mal também, na sua versão paz e amor, dar um jeito de se mostrar macho atacando o primo pobre dos EUA, quem não tem mais coragem de atacar. Alguém aplaude. Alguém vota. Alguém foi mais do que útil.
Tem tantos lados que se beneficiam do sangue das crianças palestinas. É uma triste história de pragmatismo militar pra todo mundo. Uns fazendo o que devem para preservar seu país e outros fazendo o que devem para preservar seu poder.
Aí alguém diz "dois lados porra nenhuma", que escolha eu tenho senão apontar que existem infinitos lados?
E eu estou pedindo perdão. Quero que o judeu fugindo da sirene me perdoe por um monte de coisas. Então eu tendo ao lado dele.
E depois de assistir Hotel Ruanda, eu deixei de ser um pacifista. Aquele filme me fez ver que pessoas armadas fazendo a coisa certa no local certo pode salvar um monte de vidas. Não houve guerra em Ruanda, e o oposto da guerra não foi a paz, foi o massacre.
Na complexa teia de poderes que fazem os fatos, eu tenho lá minha cota de motivos cínicos e maquiavélicos para apoiar esses ataques.
Parar de "resistir", como a blogosfera insiste para que não façam, é o caminho mais curto para a paz, para o fim da violência, para o fim da morte de crianças. Sem terroristas e sem violência, Israel tem que lidar com seus humanistas. E aí as condições do povo Palestino vão melhorando.
Foi o plano oficial de Israel ao se retirar de Gaza em 2005, foi algo do tipo, "se vocês se comportarem, nós vamos nos comportando".
Não se comportaram, não se comportaram.
Quem está certo? Aí a gente começa a contar os fatos até a década de 1920 ou antes. Quem bateu primeiro? Que importa?
Toda manifestação pró-Israel pede paz e manifestações pró-palestinas são aquela muvuca de gente pedindo a morte de Israel, gente pedindo a morte dos Judeus, gente pedindo o cessar-fogo, gente pedindo uma nova Intifada e gente pedindo a "resistência".
Acho uma infantilidade sem tamanho. Acho que a esquerda deveria voltar a se concentrar em invadir prédios de reitoria e satisfazer seu desejo por resistência lá. Eu quero que as crianças parem de morrer.
O que exatamente vocês esperam que aconteça uma vez que os Palestinos se desarmarem? Que Israel invada territórios dos quais retirou seus colonos só pelo prazer de ser malvados? Que aumente o bloqueio econômico só pelo prazer de ver gente morrendo de fome? Que anexem um território que não querem anexar? Que ocupem um território que não querem ocupar? Que explorem um povo que não tem nada o que explorar?
De tudo anti-Israel que tenho lido nesses dias, ninguém me deu uma boa explicação de porque Israel é tão determinada na sua limpeza étnica senão o fato de que sionistas (não judeus, vamos fingir que os dois não se relacionam) são coletivamente egoístas. E se não houvesse o Hamas seria outro! Ok, mas porque? Porque sim, oras bolas! São judeus! Deus sabe que plano perverso essa gente faz em segredo! É quase como se sentissem prazer em derramar o sangue de crianças.
Mas não podemos acusar de antissemitas quem diz tais coisas. Não, é querer fugir do debate, sabe? É fazer um argumento Ad Hominem. Você ouviu falar daquele advogado judeu na Inglaterra que disse que Israel é nazista? Então, não tem nada de antissemitismo!
E assim vai, eles só querem que o povo palestino resista! E eu achando que o povo palestino queria parar de morrer. Que pragmatismo militar se torne mostrar que a paz vale a pena ao invés de ter que acabar com vidas inocentes em uma macabra reencenação de uma guerra que foi perdida há décadas.
Mas Israel não aceitaria recompensar a paz. Quer tudo! Eu não sou antissemita, você sabe, só acho que esses judeus desumano que sentem prazer em derramar gratuitamente o sangue de crianças querem tudo pra eles por nenhum outro motivo que sendo judeus desumanos que sentem prazer em derramar gratuitamente o sangue de crianças querem tudo pra eles. Não podemos confundir isso com antissemitismo, podemos?
Oh, meu papa pós-moderno, nom nom
Prazer em ler Ratzinger.
Puro e doce prazer.
Acho que é até um tanto anti-católico esse sentimento orgástico em ler o papa.
Traduzido daqui desse livro
"Ninguém pode colocar Deus e o Reino na mesa perante outro homem; mesmo o crente não pode fazê-lo. Mas não importa quão forte a descrença possa se fazer sentir justificada, ela não pode esquecer o estranho sentimento induzido pelas palavras "E ainda talvez seja verdade." Aquilo talvez seja a inescapável tentação pela qual ela não pode se eludir, a tentação pela qual ela, também, no ato de rejeição, tem que experimentar a irrejeição da crença. Em outras palavras, tanto o crente quanto o descrente compartilham, cada um da sua maneira, dúvida e crença, se eles não esconderem de si próprios a verdade de seu ser. Nenhum pode exatamente escapar da dúvida e da crença; pois para um, fé é presente contra dúvida; para o outro por meio da dúvida e na forma de dúvida. É o padrão básico do destino do homem ser apenas permitido apenas descobrir a finalidade de sua existência nessa incessante rivalidade entre dúvida e crença, tentação e incerteza. Talvez seja precisamente dessa maneira que a dúvida, que impede que ambos os lados se fechem dentro de seus próprios mundos, possa se tornar a via de comunicação. Ela previne ambos de terem completa auto-satisfação; ela abre o crente para o que duvida e o duvida para o crente; pois para um ela é sua parcela no destino do descrente, enquanto para o outro é o modo pelo qual a crença permanece ainda um desafio para ele."
-
Sim, eu sei, qualquer ateu de internet pode vir aqui e fazer algum argumento contra isso.
O que eu consigo pensar agora de cabeça é alguém perdendo completamente o ponto do texto e "argumentando" que não é possível provar que duendes não existem.
Ratzinger abre o texto dizendo que o crente não pode provar, nem pra si próprio, que Deus e o Reino existem.
Essa é sua premissa, se os ateus a aceitam, na minha opinião, eles devem aceitar o resto.
Outro argumento que eu consigo pensar (mas esse é mais fraco, mas é tão medieval que eu vejo perfeitamente um ateu dawkiniano o formulando) é que a dúvida só faz parte do nosso "ser" de modo muito histórico e específico, pois fomos criados numa cultura cristã. Mas de novo, é um argumento fraco, há muito deixamos de entender o Ser como equivalente a um tipo de substância que permanece imutável perante os acidentes.
Temos dúvida apenas porque crescemos numa cultura cristã? Creio que sim, mas até aí, "crescer em uma cultura cristã" é parte de nosso ser.
-
Deixando isso pra trás e comentando o texto um pouco, o que eu achei sensacional nele é como em um parágrafo ele responde não só para os ateus, como para os mais fundamentalistas. O Papa Bento XVI é um mestre nisso e apesar de toda conversa de que ele é conservador demais, teologicamente, acho que ele vai ficar na história como um símbolo de luz e ciência numa área que tantas vezes se orgulha do obscurantismo e superstição.
A preocupação de Bento XVI sempre me pareceu uma que ele expressa mais explicitamente nesse texto: como conciliar contradições que o mundo secularizado põe a religião.
E ao invés de promover uma síntese ou a vitória de um argumento, o Papa rejeita tanto o caminho hegeliano e o caminho análito pelo caminho, oh dare I say, nietzscheano.
Não é Dúvida OU Crença que faz o cristão, sequer é a superação de ambos por um terceiro X; é a união dos dois ENQUANTO se contradizem POR CAUSA da contradição.
E, Ratzinger prossegue, não é só assim na vida do crente, como também o na vida do que não crê.
Enquanto todo cristão, por auto-confiante que pareça, tem que lutar constantemente com a dúvida, o ateu também tem. Ainda assim, a dúvida não faz o crente deixar de crer e nem o descrente passar a crer. Um crê em oposição a dúvida (que está incessantemente lá) e o outro não-crê na forma de dúvida.
Ele geralmente adota uma postura similar em relação ao laicismo do Estado, mas está calor demais pra começar a pesquisar exatamente qual a posição dele no assunto.
Puro e doce prazer.
Acho que é até um tanto anti-católico esse sentimento orgástico em ler o papa.
Traduzido daqui desse livro
"Ninguém pode colocar Deus e o Reino na mesa perante outro homem; mesmo o crente não pode fazê-lo. Mas não importa quão forte a descrença possa se fazer sentir justificada, ela não pode esquecer o estranho sentimento induzido pelas palavras "E ainda talvez seja verdade." Aquilo talvez seja a inescapável tentação pela qual ela não pode se eludir, a tentação pela qual ela, também, no ato de rejeição, tem que experimentar a irrejeição da crença. Em outras palavras, tanto o crente quanto o descrente compartilham, cada um da sua maneira, dúvida e crença, se eles não esconderem de si próprios a verdade de seu ser. Nenhum pode exatamente escapar da dúvida e da crença; pois para um, fé é presente contra dúvida; para o outro por meio da dúvida e na forma de dúvida. É o padrão básico do destino do homem ser apenas permitido apenas descobrir a finalidade de sua existência nessa incessante rivalidade entre dúvida e crença, tentação e incerteza. Talvez seja precisamente dessa maneira que a dúvida, que impede que ambos os lados se fechem dentro de seus próprios mundos, possa se tornar a via de comunicação. Ela previne ambos de terem completa auto-satisfação; ela abre o crente para o que duvida e o duvida para o crente; pois para um ela é sua parcela no destino do descrente, enquanto para o outro é o modo pelo qual a crença permanece ainda um desafio para ele."
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Sim, eu sei, qualquer ateu de internet pode vir aqui e fazer algum argumento contra isso.
O que eu consigo pensar agora de cabeça é alguém perdendo completamente o ponto do texto e "argumentando" que não é possível provar que duendes não existem.
Ratzinger abre o texto dizendo que o crente não pode provar, nem pra si próprio, que Deus e o Reino existem.
Essa é sua premissa, se os ateus a aceitam, na minha opinião, eles devem aceitar o resto.
Outro argumento que eu consigo pensar (mas esse é mais fraco, mas é tão medieval que eu vejo perfeitamente um ateu dawkiniano o formulando) é que a dúvida só faz parte do nosso "ser" de modo muito histórico e específico, pois fomos criados numa cultura cristã. Mas de novo, é um argumento fraco, há muito deixamos de entender o Ser como equivalente a um tipo de substância que permanece imutável perante os acidentes.
Temos dúvida apenas porque crescemos numa cultura cristã? Creio que sim, mas até aí, "crescer em uma cultura cristã" é parte de nosso ser.
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Deixando isso pra trás e comentando o texto um pouco, o que eu achei sensacional nele é como em um parágrafo ele responde não só para os ateus, como para os mais fundamentalistas. O Papa Bento XVI é um mestre nisso e apesar de toda conversa de que ele é conservador demais, teologicamente, acho que ele vai ficar na história como um símbolo de luz e ciência numa área que tantas vezes se orgulha do obscurantismo e superstição.
A preocupação de Bento XVI sempre me pareceu uma que ele expressa mais explicitamente nesse texto: como conciliar contradições que o mundo secularizado põe a religião.
E ao invés de promover uma síntese ou a vitória de um argumento, o Papa rejeita tanto o caminho hegeliano e o caminho análito pelo caminho, oh dare I say, nietzscheano.
Não é Dúvida OU Crença que faz o cristão, sequer é a superação de ambos por um terceiro X; é a união dos dois ENQUANTO se contradizem POR CAUSA da contradição.
E, Ratzinger prossegue, não é só assim na vida do crente, como também o na vida do que não crê.
Enquanto todo cristão, por auto-confiante que pareça, tem que lutar constantemente com a dúvida, o ateu também tem. Ainda assim, a dúvida não faz o crente deixar de crer e nem o descrente passar a crer. Um crê em oposição a dúvida (que está incessantemente lá) e o outro não-crê na forma de dúvida.
Ele geralmente adota uma postura similar em relação ao laicismo do Estado, mas está calor demais pra começar a pesquisar exatamente qual a posição dele no assunto.
Erros e erros
É horrível ler qualquer texto meu desse blog e ver a imensidão de erros de português, concordância e omissão de palavras.
Então eis aqui que faço uma promessa.
Eu começo a arrumar os erros quando os líderes mundiais começarem a arrumar o deles.
Então eis aqui que faço uma promessa.
Eu começo a arrumar os erros quando os líderes mundiais começarem a arrumar o deles.
Religiões como movimentos inerentemente políticos
A coisa mais engraçada dessa guerra que Israel luta contra o Hamas (e sim, é uma guerra contra um grupo armado que treina crianças de 10 anos para coletar armas no campo de batalha; não está perto de ser a unilateralidade que a mídia deixa a entender que é) é que de repente, todo mundo deixa de ser moderado.
E quem é moderado, é acusado, ao mesmo tempo, de antissemitismo e sionismo.
Leva as pessoas a dizerem que é "a questão humanitária de nossa era" (os 500.000 no Sudão e o milhão de mortos em Ruanda não contam porque são só uns negrinhos lá naquele continente sem esperança), que um genocídio está sendo cometido (guilty), e, o tema desse post, que "Politicamente, o sionismo pertence à família dos totalitarismos ultranacionalistas, em sua modalidade "judaica'".
esse texto, por exemplo, escrito por um mestre em história da religião pela USP, contém uma incontável coleção de histeria, clichês, exagerações e, como geralmente acontecem nesses textos mal pensados, teorias que, caso apliquemos a qualquer instituição fora do contexto dessa guerra, perde o sentido que o sensacionalismo quer dar.
Não vou nem entrar na questão de um país com imprensa livre, parada gay, eleições (de verdade) e todos os dispositivos legais em ordem funcionando direitinho, ser um totalitarismo ou na questão de 1948, que, como eu li em um blog esses dias, é como as crianças brigando e um deles disse "tudo começou quando ele revidou".
A história da violência entre judeus e árabes na área remonta, pelo menos, ao século XIX, sem contar a história mais ampla de violência entre o mundo inteiro e os judeus que pode ser traçada por séculos.
O que me chamou atenção no texto foi essa frase:
"Religiosamente, o sionismo representa um rompimento revolucionário com a tradição judaica. É a síntese acabada do processo de secularização do ideal messiânico e uma apostasia do judaísmo. É um desvio profano do messianismo. Politicamente, pertence à família dos totalitarismos ultranacionalistas, em sua modalidade "judaica". Coloco os parênteses porque se trata de uma ruptura com a tradição judaica, sendo uma perversão nacionalista e xenófoba dela. De fato, judeus tradicionais são antissionistas e o consideram uma dessacralização da religião.
O sionismo é um tipo de "egoísmo coletivo". Para nós, tudo; para os outros, nada. Se o egoísmo individual já não é bonito, imagine o coletivo... Ele tira prazer vulgar do narcisismo e do preconceito contra o estrangeiro. Caracteriza-se pela estupidez, pela superficialidade e por um máximo de brutalidade -como se pode constatar sem dificuldade hoje."
A primeira coisa que eu pensei quando li esse texto foi: "e o Vaticano?"
Será que o sionismo é realmente "mais político" e, arrisco dizer, mais secular que o Vaticano?
O que eu acho interessante é que eu recebi esse texto há alguns dias atrás numa newsletter do instituto humanitas da Unisinos, eu comentei lá minha tristeza em receber esse tipo de texto raso, superficial, cheio de clichês antissemitas (já explico) e, bem, o comentário foi apagado.
E até agora não foi publicado nenhuma resposta de nenhum rabino perguntando quem exatamente são esses judeus tradicionais e religiosos que são antissionistas?
Eu não vou dizer que não existem, não vou cometer a básica indignidade de falar pelos outros que o texto comete, mas ainda estou para ver algum judeu argumentar que o sionismo é tão radicalmente oposto ao judaísmo quanto o texto diz que é. Ao invés disso, sem citar nenhuma fonte, nenhum amigo judeu com quem ele divide um cafezinho perto da sinagoga, ele só diz muito de longe, "de fato, judeus tradicionais são antissionistas e o consideram uma dessacralização da religião". De fato? Acho difícil, já vi judeus mais ou menos empolgados com o sionismo, mas nunca vi um judeu antissionista.
Voltando a questão do Vaticano, que já fez sua cota de guerras e, inclusive, já matou sua cota de judeus, será que alguém a institucionalização da Igreja por Constantino uma revolucionária e dessacrilizada ruptura com o verdadeiro cristianismo primitivo dos dois primeiros séculos após cristo? Aliás, antentem, é a Igreja Católica Apostólica *Romana*, ela não só faz referência a um estado específico, ao império da época que foi fundada, como sempre foi politicamente ativo.
Recentemente o nosso presidente foi pra lá e assinou alguns acordos, desses que assinam entre países, com a Igreja. Roberto Romano acusou a coisa toda de uma traição ao laicismo do Estado, mas afinal, por mais que tentemos separar a política da religião, será possível religião sem política?
E o Anglicanismo que foi fundado por um rei? É uma revolucionária e dessacrilizada ruptura com o verdadeiro cristianismo da Igreja Católica?
Dizer que os judeus são "coletivamente egoístas" não é novo - esse é o principal antissemitismo do texto - pior ainda é, para fugir dessa acusação que eu faço, criar uma linha que distingue enormemente ser judeu e ser sionista e, embora há diferença, ela é difícil de analisar. Existem os ultrassionistas que dizem que "judeu" é um nome moderno para o que na antiguidade se chamava "Israelense" de modo que são termos intercambiáveis e existem os judeus que entendem a necessidade de um estado judeu, mas nem por isso aprovam qualquer coisa que Israel faça. Se existe um número expressivo de "judeus tradicionais" radicalmente contra a idéia de um Estado Judeu por ser uma dessacrilização? Sei lá. Eu nunca vi. O autor não cita nenhum. Ele só diz que "de fato" eles existem, então, quem sou eu, né?
Judeus, por toda a história, foram acusados de egoísmo coletivo. Do momento em que enviaram Jesus à cruz por gostarem demais de fazer comércio em seus templos, passando por quando eles transmitiam a peste negra pela Europa sem avisar seus consumidores quando eles andavam pra lá e pra cá fazendo comércio, até quando eles concentravam todo o capital Alemão deixando o bom povo trabalhador morrendo de fome e, agora, chegando ao sionismo, onde um complexo processo histórico, com culpa a se apontar por todos os lados, lidando com um grupo que diz que todos os judeus do mundo (inclusive esses tradicionais antissionistas) devem ser exterminados, de algum modo bizarro e misterioso se transformou em "para nós tudo, para eles nada".
O judeu que enriquece à custa do sofrimento dos outros é o antissemitismo mais básico do mundo, é o clichê desse racismo específico, se eu escrever um texto, sério, dizendo que a África não tem jeito porque os africanos (e ainda, pra escapar da acusação, digo "não os negros, mas os africanos") são um povo tribal e bárbaro acostumado a escravizar uns aos outros, ninguém teria dificuldade em apontar o racismo. Ainda assim, é de algum modo reprovável apontar o antissemitismo de um texto que usa a expressão "egoísmo coletivo" que descreve, repetindo, o clichê desse racismo específico.
Ser judeu não é só acreditar no Torá. Assim como, estritamente falando, ser católico não é só acreditar no papa. Nós criados em famílias católicas bem sabemos: somos batizados, fazemos o catecismo, crisma, primeira comunhão e aí, na primeira comunhão, podemos finalmente selar o pacto com Cristo.
Claro, eu, sem ter feito a primeira comunhão, posso ir lá no domingo e comer a hóstia, mas eu vou chutar que isso é pela impossibilidade técnica de pedir um crachá de católico para todo mundo antes da hóstia.
Há racismo e ultra-nacionalismo em Israel? Com certeza. Que povo em guerra não desenvolve racismo e ultra-nacionalismo? É só ver como os japoneses eram tratados antes, durante e depois da segunda guerra mundial pelos norte-americanos.
Antes eles não existiam, durante eles eram um povo bárbaro, militar e expansionista e hoje é um povo esquisito, bonzinho e respeitado.
Imagina mais de um século (porque, de novo, essa coisa não começou em 1948) de conflito, entre guerras atrás de guerras, com todas as nuances tribais que temas religiosos trazem a qualquer questão e se não existe racismo em Israel, então poderíamos cancelar todas as religiões porque de fato seria o povo mais santo do mundo.
Assim como há amplo motivo para os Palestinos serem antissemitas.
Motivo, não razões.
Agora, sionismo é um movimento inerentemente racista e é, de algum modo, anti-judaíco por dessacrilizá-lo?
Definitivamente que não. Para um mestre em história da religião é um erro imperdoável simplificar as coisas desse modo. Pior é utilizar de sua autoridade como mestre para fazê-lo.
A história do povo judeu não é só a história de uma teologia, mas, como dito, é a história de um povo. Assim como a história do cristianismo é a história do povo europeu.
É a história de um povo, que por ser uma comunidade sem nacionalidade, foi odiado e tachado como egoístas coletivos (opostos a, veja bem, os altruístas coletivos que formam os nacionalismos), agora, por terem uma nacionalidade, são, olhem só, tachados de egoístas coletivos de novo.
Mas religiões sempre foram movimentos políticos. É notório que Aristóteles, quando escreve sobre política, tenta unificar os clãs. As pessoas não se consideravam o mesmo povo por falar a mesma língua ou morar na mesma cidade, elas se consideravam o mesmo povo por obedecer as mesmas leis e as leis, que variavam de clãs pra clãs, daí a necessidade de uma pólis, eram leis divinas, no mínimo com traços divinos.
Identidades nacionais sempre se confundiram com identidades religiosas. Não é a toa que os romanos "adaptavam" deuses dos povos conquistados. Era o meio mais fácil de integrá-los ao império.
Ter o mesmo deus é meio caminho andado para pertencer a mesma pátria.
A ainda hoje, nos livros de geografia, vemos listados as "religiões oficiais" dos países. Mesmo naqueles com liberdade de religião.
Se o Brasil tem o privilégio de ser um país católico sem ter que dar cidadania para todos os católicos do mundo, é porque temos o privilégio de fazer parte de uma religião que não é uma minoria.
Se foi preciso criar Israel - e defendo que foi preciso criar Israel - é porque o povo Judeu não é tão privilegiado quanto nós a ponto de ter países garantidos por eventos da era medieval.
A complexidade da criação de um estado judaico, complexidade essa que é toda a história da europa no caso cristão, acontece de modo único hoje em dia, com bombardeios, CNN, guerra fria, homens-bomba, peculariedades que nós cristãos não tivemos no decorrer de nossa história.
E além de não termos homens-bombas, não tivemos que lidar com alguém nos chamando de egoístas coletivos a cada 20 anos, nos massacrando, e pedindo desculpas nos 20 anos seguintes para, depois, nos chamar de egoístas coletivos de novo.
E para quem faz parte de uma religião que efetivamente domina 3 continentes, chamar de egoísta quem clama pelo seu pedaço de deserto é pelo menos irônico, eu diria crueldade.
E quem é moderado, é acusado, ao mesmo tempo, de antissemitismo e sionismo.
Leva as pessoas a dizerem que é "a questão humanitária de nossa era" (os 500.000 no Sudão e o milhão de mortos em Ruanda não contam porque são só uns negrinhos lá naquele continente sem esperança), que um genocídio está sendo cometido (guilty), e, o tema desse post, que "Politicamente, o sionismo pertence à família dos totalitarismos ultranacionalistas, em sua modalidade "judaica'".
esse texto, por exemplo, escrito por um mestre em história da religião pela USP, contém uma incontável coleção de histeria, clichês, exagerações e, como geralmente acontecem nesses textos mal pensados, teorias que, caso apliquemos a qualquer instituição fora do contexto dessa guerra, perde o sentido que o sensacionalismo quer dar.
Não vou nem entrar na questão de um país com imprensa livre, parada gay, eleições (de verdade) e todos os dispositivos legais em ordem funcionando direitinho, ser um totalitarismo ou na questão de 1948, que, como eu li em um blog esses dias, é como as crianças brigando e um deles disse "tudo começou quando ele revidou".
A história da violência entre judeus e árabes na área remonta, pelo menos, ao século XIX, sem contar a história mais ampla de violência entre o mundo inteiro e os judeus que pode ser traçada por séculos.
O que me chamou atenção no texto foi essa frase:
"Religiosamente, o sionismo representa um rompimento revolucionário com a tradição judaica. É a síntese acabada do processo de secularização do ideal messiânico e uma apostasia do judaísmo. É um desvio profano do messianismo. Politicamente, pertence à família dos totalitarismos ultranacionalistas, em sua modalidade "judaica". Coloco os parênteses porque se trata de uma ruptura com a tradição judaica, sendo uma perversão nacionalista e xenófoba dela. De fato, judeus tradicionais são antissionistas e o consideram uma dessacralização da religião.
O sionismo é um tipo de "egoísmo coletivo". Para nós, tudo; para os outros, nada. Se o egoísmo individual já não é bonito, imagine o coletivo... Ele tira prazer vulgar do narcisismo e do preconceito contra o estrangeiro. Caracteriza-se pela estupidez, pela superficialidade e por um máximo de brutalidade -como se pode constatar sem dificuldade hoje."
A primeira coisa que eu pensei quando li esse texto foi: "e o Vaticano?"
Será que o sionismo é realmente "mais político" e, arrisco dizer, mais secular que o Vaticano?
O que eu acho interessante é que eu recebi esse texto há alguns dias atrás numa newsletter do instituto humanitas da Unisinos, eu comentei lá minha tristeza em receber esse tipo de texto raso, superficial, cheio de clichês antissemitas (já explico) e, bem, o comentário foi apagado.
E até agora não foi publicado nenhuma resposta de nenhum rabino perguntando quem exatamente são esses judeus tradicionais e religiosos que são antissionistas?
Eu não vou dizer que não existem, não vou cometer a básica indignidade de falar pelos outros que o texto comete, mas ainda estou para ver algum judeu argumentar que o sionismo é tão radicalmente oposto ao judaísmo quanto o texto diz que é. Ao invés disso, sem citar nenhuma fonte, nenhum amigo judeu com quem ele divide um cafezinho perto da sinagoga, ele só diz muito de longe, "de fato, judeus tradicionais são antissionistas e o consideram uma dessacralização da religião". De fato? Acho difícil, já vi judeus mais ou menos empolgados com o sionismo, mas nunca vi um judeu antissionista.
Voltando a questão do Vaticano, que já fez sua cota de guerras e, inclusive, já matou sua cota de judeus, será que alguém a institucionalização da Igreja por Constantino uma revolucionária e dessacrilizada ruptura com o verdadeiro cristianismo primitivo dos dois primeiros séculos após cristo? Aliás, antentem, é a Igreja Católica Apostólica *Romana*, ela não só faz referência a um estado específico, ao império da época que foi fundada, como sempre foi politicamente ativo.
Recentemente o nosso presidente foi pra lá e assinou alguns acordos, desses que assinam entre países, com a Igreja. Roberto Romano acusou a coisa toda de uma traição ao laicismo do Estado, mas afinal, por mais que tentemos separar a política da religião, será possível religião sem política?
E o Anglicanismo que foi fundado por um rei? É uma revolucionária e dessacrilizada ruptura com o verdadeiro cristianismo da Igreja Católica?
Dizer que os judeus são "coletivamente egoístas" não é novo - esse é o principal antissemitismo do texto - pior ainda é, para fugir dessa acusação que eu faço, criar uma linha que distingue enormemente ser judeu e ser sionista e, embora há diferença, ela é difícil de analisar. Existem os ultrassionistas que dizem que "judeu" é um nome moderno para o que na antiguidade se chamava "Israelense" de modo que são termos intercambiáveis e existem os judeus que entendem a necessidade de um estado judeu, mas nem por isso aprovam qualquer coisa que Israel faça. Se existe um número expressivo de "judeus tradicionais" radicalmente contra a idéia de um Estado Judeu por ser uma dessacrilização? Sei lá. Eu nunca vi. O autor não cita nenhum. Ele só diz que "de fato" eles existem, então, quem sou eu, né?
Judeus, por toda a história, foram acusados de egoísmo coletivo. Do momento em que enviaram Jesus à cruz por gostarem demais de fazer comércio em seus templos, passando por quando eles transmitiam a peste negra pela Europa sem avisar seus consumidores quando eles andavam pra lá e pra cá fazendo comércio, até quando eles concentravam todo o capital Alemão deixando o bom povo trabalhador morrendo de fome e, agora, chegando ao sionismo, onde um complexo processo histórico, com culpa a se apontar por todos os lados, lidando com um grupo que diz que todos os judeus do mundo (inclusive esses tradicionais antissionistas) devem ser exterminados, de algum modo bizarro e misterioso se transformou em "para nós tudo, para eles nada".
O judeu que enriquece à custa do sofrimento dos outros é o antissemitismo mais básico do mundo, é o clichê desse racismo específico, se eu escrever um texto, sério, dizendo que a África não tem jeito porque os africanos (e ainda, pra escapar da acusação, digo "não os negros, mas os africanos") são um povo tribal e bárbaro acostumado a escravizar uns aos outros, ninguém teria dificuldade em apontar o racismo. Ainda assim, é de algum modo reprovável apontar o antissemitismo de um texto que usa a expressão "egoísmo coletivo" que descreve, repetindo, o clichê desse racismo específico.
Ser judeu não é só acreditar no Torá. Assim como, estritamente falando, ser católico não é só acreditar no papa. Nós criados em famílias católicas bem sabemos: somos batizados, fazemos o catecismo, crisma, primeira comunhão e aí, na primeira comunhão, podemos finalmente selar o pacto com Cristo.
Claro, eu, sem ter feito a primeira comunhão, posso ir lá no domingo e comer a hóstia, mas eu vou chutar que isso é pela impossibilidade técnica de pedir um crachá de católico para todo mundo antes da hóstia.
Há racismo e ultra-nacionalismo em Israel? Com certeza. Que povo em guerra não desenvolve racismo e ultra-nacionalismo? É só ver como os japoneses eram tratados antes, durante e depois da segunda guerra mundial pelos norte-americanos.
Antes eles não existiam, durante eles eram um povo bárbaro, militar e expansionista e hoje é um povo esquisito, bonzinho e respeitado.
Imagina mais de um século (porque, de novo, essa coisa não começou em 1948) de conflito, entre guerras atrás de guerras, com todas as nuances tribais que temas religiosos trazem a qualquer questão e se não existe racismo em Israel, então poderíamos cancelar todas as religiões porque de fato seria o povo mais santo do mundo.
Assim como há amplo motivo para os Palestinos serem antissemitas.
Motivo, não razões.
Agora, sionismo é um movimento inerentemente racista e é, de algum modo, anti-judaíco por dessacrilizá-lo?
Definitivamente que não. Para um mestre em história da religião é um erro imperdoável simplificar as coisas desse modo. Pior é utilizar de sua autoridade como mestre para fazê-lo.
A história do povo judeu não é só a história de uma teologia, mas, como dito, é a história de um povo. Assim como a história do cristianismo é a história do povo europeu.
É a história de um povo, que por ser uma comunidade sem nacionalidade, foi odiado e tachado como egoístas coletivos (opostos a, veja bem, os altruístas coletivos que formam os nacionalismos), agora, por terem uma nacionalidade, são, olhem só, tachados de egoístas coletivos de novo.
Mas religiões sempre foram movimentos políticos. É notório que Aristóteles, quando escreve sobre política, tenta unificar os clãs. As pessoas não se consideravam o mesmo povo por falar a mesma língua ou morar na mesma cidade, elas se consideravam o mesmo povo por obedecer as mesmas leis e as leis, que variavam de clãs pra clãs, daí a necessidade de uma pólis, eram leis divinas, no mínimo com traços divinos.
Identidades nacionais sempre se confundiram com identidades religiosas. Não é a toa que os romanos "adaptavam" deuses dos povos conquistados. Era o meio mais fácil de integrá-los ao império.
Ter o mesmo deus é meio caminho andado para pertencer a mesma pátria.
A ainda hoje, nos livros de geografia, vemos listados as "religiões oficiais" dos países. Mesmo naqueles com liberdade de religião.
Se o Brasil tem o privilégio de ser um país católico sem ter que dar cidadania para todos os católicos do mundo, é porque temos o privilégio de fazer parte de uma religião que não é uma minoria.
Se foi preciso criar Israel - e defendo que foi preciso criar Israel - é porque o povo Judeu não é tão privilegiado quanto nós a ponto de ter países garantidos por eventos da era medieval.
A complexidade da criação de um estado judaico, complexidade essa que é toda a história da europa no caso cristão, acontece de modo único hoje em dia, com bombardeios, CNN, guerra fria, homens-bomba, peculariedades que nós cristãos não tivemos no decorrer de nossa história.
E além de não termos homens-bombas, não tivemos que lidar com alguém nos chamando de egoístas coletivos a cada 20 anos, nos massacrando, e pedindo desculpas nos 20 anos seguintes para, depois, nos chamar de egoístas coletivos de novo.
E para quem faz parte de uma religião que efetivamente domina 3 continentes, chamar de egoísta quem clama pelo seu pedaço de deserto é pelo menos irônico, eu diria crueldade.
quinta-feira, janeiro 15, 2009
segunda-feira, janeiro 12, 2009
O extremo anti-sionismo de idelber chega a um novo ridículo
Enquanto o mundo chora o genocídio causado pelos Israelenses, esse erro histórico que os assombrará para sempre, uma das maiores catástrofes desse nosso início de milênio, tem gente que comemora.
São os anti-semitas do nosso tempo, disfarçados de amigos dos Palestinos, fingindo que estão preocupados com qualquer povo enquanto sua paixão pelo assunto mostra apenas preocupação em difamar e acender ódio contra todo um povo, essa gente não é melhor que o Hamas que usa as crianças Palestinas como escudo humano.
A desumanidade de alguém que acabou de perder todo meu respeito e legitimidade se traduziu em um imperdoável compêndio de anti-intelectualismo e desinformação a serviço do ódio.
Que ninguém veja isso como apoio a monstruosidade que são as bombas israelenses ou o bloqueio econômico que humilha e esfomeia os Palestinos. Mas ao tempo em que sinto nojo do imenso e crescente racismo anti-árabe que existe em Israel, não posso tolerar que um dito intelectual inverta toda a história em prol do seu ódio mesquinho.
E que fique claro. Não é porque você gosta de citar "bravos judeus" com motivos legítimos para estarem frustrados com Israel que isso faz de você menos anti-semita. Eu nunca vi um homofóbico sem um "amigo gay", por exemplo.
=
Mas vamos responder o festival de idiotices:
"1. A palavra “terror” entra na língua como designação de um ato político justo ali no momento de fundação da democracia moderna. Houaiss, “terror”, acepção 6: nome por que se designa o período da Revolução Francesa compreendido entre 31 de maio de 1793 (queda dos girondinos) e 27 de julho de 1794 (queda de Robespierre). Este é o primeiro tapa que os fatos dão na cara do argumento que implícita ou explicitamente associa o “terrorismo” aos árabes: o “terror” não é o oposto da democracia, não é antônimo de “liberalismo”, não é o contrário nem o antagonista do Ocidente. O terror nasce ali, juntinho com a democracia. É seu irmão ou primo – ou “brimo”, como diria alguma jornalista."
É assustador que o primeiro ato na hora de redescrever uma palavra seja ignorar um momento importante da nossa história.
Strictu sensu, terror É antônimo à democracia JUSTAMENTE porque a era chamada "Terror" é reconhecida como um momento onde a primeira revolução pró-democrática se tornou anti-democrática ou tirânica.
Terror não é "irmão" da democracia, nem hoje e nem no período; é exatamente quando a democracia falha - mesmo que em nome da democracia - mesmo concordando que o que Israel hoje pratica é terrorismo, o argumento poderia ser o mesmo, é quando um movimento pró-democracia, como é o sionismo, de algum modo perverte a si mesmo.
O assustador dessa tese de Idelber é que de repente terrorismo é um primo da democracia, logo, os terroristas podem legitimamente ser tratados como meio-democratas ou algo do tipo e, logo, o homem-bomba se torna um defensor da liberdade.
Veremos no decorrer do post como que terrorismo é sistematicamente defendido desde que a vítima seja judia.
"3. Até a primeira metade do século XX, o terrorismo entendido como atentado em massa a vidas de civis inocentes não era parte do jogo político na Palestina histórica. Ele chega ali com Haganah, Irgún e o grupo Stern, todas elas organizações sionistas cuja atividade principal eram atos de terrorismo no sentido estrito definido acima. No entanto, na Wikipédia você encontrará os Narodnaya russos definidos como “terroristas”, enquanto as organizações sionistas terroristas que cumpriram papel central na fundação de Israel são listadas com os eufemismos "grupo militante" ou, no "melhor" dos casos, “grupo paramilitar”. Experimente questionar essa distinção por lá e você terá uma aula sobre como funciona a Wikipédia -- e também sobre como funciona o lobby pró-Israel na internet."
Aqui o anti-semitismo chega a extemos.
O Irgún foi sim um grupo terrorista anti-árabe judeu da Palestina pré-Israel; foi tratado como um grupo terrorista por todos os intelectuais judeus sionistas importantes da época (entre eles Hannah Arendt e Albert Einstein), pelos governos da época e - vejam só - pela legítima Haganah, um grupo criado depois que os judeus Palestinos perceberam que a Inglaterra não os defenderia dos inúmeros ataques árabes que sofriam os judeus na Palestina boas décadas antes da existência de qualquer um desses grupos.
O que Idebevelar faz é listar todo e qualquer grupo sionista como terrorista, não é surpresa pra quem hoje colocou uma foto de Judeus chegando em Israel em 1948 como sendo um imagem de "catástrofe imposta" ao povo Palestino, como se o mero ato dos Judeus que acabavam de sobreviver perseguições não só na Europa fascista, já fosse uma catástrofe.
Ideblevar não se contenta com o maior crime judeu: ter sobrevivido.
Lógico, ele é um bom moço, um acadêmico respeitado, figura pública, é cordial, etc. nunca vai dizer as piadas anti-semitas que ele com certeza troca no bar ou que nos seus pensamentos particulares, ele amaldiçoa Hitler por ter falhado. Finge que seu anti-semitismo é só uma revolta contra as bárbaries cometidas pelo exército Israelense.
Não é.
Qualquer um que trate sobreviventes do holocausto, sem lugar para morar, chegando na terra em que sonhavam em levar democracia e prosperidade, como uma catástrofe, é anti-semita.
É uma pena a história ter sido cruel com o ideal do sionismo como foi, com Israel muitas vezes auto-sabotando seu propósito, mas que ninguém se engane o anti-semitismo impicito desse estimado intelectual.
Ok, passado meu momento de nojo contra esse homem doente, eis mais informações sobre o Haganah, organização que ele considera terrorista, foi fundada após árabes anti-semitas (que não eram todos os árabes da Palestina da época, deixa-se claro) cometeram vários atos de vandalismo e ataques a civis, "terrorismo" como define Idelber (quando ele não está dizendo que terrorismo e democracia são quase a mesma coisa), foram feitos entre durante toda a década de 20 e 30.
ERA sim uma organização paramilitar e não uma organização terrorista, que tinha o propósito de defender judeus de ataques que a autoridade britânica não conseguia/não tinha interesse em defender.
E defenderam, mesmo defendendo, milhares de judeus morreram na Palestina *antes* de 1948, especialmente em 1947
Mas aqui vem a doente piada que esse nosso anti-semita nos conta.
A Wikipedia não trata esse grupo como terrorista porque existe um lobby pró-Israel que comanda a Wikipedia.
Imagino que entre explodir as torres gêmeas, controlar 95% dos políticos norte-americanos (que são pró-Israel só porque esses judeus que controlam toda a fortuna mundial os pagam), causar a crise financeira atual e se unir aos maçons pra controlar o planeta, os judeus acharam um meio de controlar a Wikipedia também.
A mera noção de que existe um lobby pró-Israel poderoso o suficiente capaz de controlar a política norte-americana do jeito que Idelber diz que controla já é anti-semita em natureza, (é um lobby mais poderoso que da indústria do tabaco, das armas, do completo militar-indutrial, enfim, é basicamente dizer que Israel é dona dos Estados Unidos) expandir isso para a Wikipedia é insanidade.
"4. Haganah comete os primeiros atentados terroristas contra árabes na Palestina já nos anos 20, quando ainda não havia nascido o pai do primeiro homem-bomba palestino. As organizações sionistas cometem amplos crimes definíveis como terroristas ao longo dos anos 40, caminho histórico pelo qual se fundou o estado de Israel – muito, muito antes de que nascesse o primeiro homem-bomba palestino."
Dado que o Haganah foi um grupo criado APÓS e POR CAUSA DE ataques terroristas árabes contra Judeus, esse parágrafo inteiro se torna ridículo, "já nos anos 20", aliás, literalmente em 1920; árabes mataram 4 judeus e feriram mais de 300 enquanto o exército britânico, para conter o tumulto, matou 5 árabes e feriu menos de 30, no mais, expulsaram mais de 300 Judeus da cidade. (isso em 1920, quando nem existia Haganah).
Coisas do tipo aconteceram mais vezes e levaram a criação do Haganah, que durante os anos 20 e 30 foram bem sucedidos em defender judeus, ajudar na evacuação de suas casas quando necessário e ajudar imigrantes quando eram recebidos com violência. O erro dos judeus, como sempre para os anti-semitas, é serem bons em sobreviver e se defender apesar de tudo que é jogado contra eles. Graças a eficiência do Haganah em não permitir a morte de Judeus é que Idelber os considera terroristas. A vida de um judeu é o terror para Idelber.
Dito isso, Idelber coloca um link para uma "linha do tempo" de terrorismo judeu, em uma página que também hospeda textos interessantissimos sobre como o 11 de Setembro foi uma conspiração do exército norte-americano, sobre como os judeus declaram guerra a Alemanha em 1933 e sobre como o holocausto não existiu. É uma página que não cita fonte nenhuma, mas ei, fala mal dos judeus, logo deve estar certa, amirite?
"5. No entanto, o estado de Israel – que ao longo de sua existência e, especialmente, desde 1967, comete crimes definíveis como terrorismo de estado contra os palestinos – usa e abusa do termo “terrorista” para caracterizar quaisquer interlocutores que construa a nação palestina como seus representantes. Tudo isso ao mesmo tempo em que, oficialmente, se recusa a reconhecer o papel do terrorismo em sua fundação, já demonstrado amplamente pela historiografia."
Só quero dizer que Idelber, quando quer falar de limpeza étnica cometida por Israel, usa sempre o exato mesmo livro.
Isso é sinal de quem não tem material. Mesmo após algumas das fontes dessa autora terem dito como ela usa mal o material deles.
Entretanto, o anti-semitismo dele expande um único livro controverso como se fosse "ampla historiografia".
Daria pra eu começar a citar livro atrás de livro também que diz que os sionistas eram santos que jamais fizeram nada de errado, mas não vamos aplaudir quando propaganda e história se cruzam.
Uma historiadora que tem tanto prazer em misturar fato e ficção que chega a dizer:
"[V]ery pedantic and empiricist historians like to argue and to waste a lot of ink so to speak on figures, on numbers, as if the numbers are really important for the construction of myth, or if you have the accurate number you can destroy a myth or debunk it and I don't think it's very true."
No mais, ela (ou ele, agora estou em dúvida, mas importa pouco) é alguém que diz que todo historiador é ideólogo e não um "truth-seeker".
Isso é simplesmente má-interpretação do relativismo, no mais, é carta-branca para contar mentiras.
Já falei sobre esse assunto aqui em outras épocas.
"6. O Hamas, organização militante, assistencialista, militar, que combina islamismo com nacionalismo palestino, destina boa parte de seu orçamento à assistência social e à educação – e também é responsável, desde os anos 90, por atentados contra civis israelenses definíveis como atos de terrorismo no sentido estrito. O Hamas somente passou a ser organização majoritária em Gaza depois de décadas e décadas de ocupação militar estrangeira em territórios palestinos, incluindo-se aí uma história curiosa que inclui a sistemática destruição, sabotagem e cooptação da secular Organização para Libertação da Palestina por parte de Israel. Essa atividade incluiu, diga-se, apoio ao próprio Hamas, por parte de Israel, nos albores do grupo islamista."
Agora, Idelber faz a mesma coisa que acusa os outros: se recusar a chamar uma organização terrorista pelo nome.
O Hamas de repente é "militante, assistencialista" e que, ó, por acaso, é também "militar" e assim, muito de leve, também é "responsável por atentados contra civis israelenses definíveis como atos de terrorismo", veja o tamanho da frase utilizada para evitar dizer: "o Hamas é um grupo terrorista".
De resto, sim, o Hamas foi apoiado por Israel na época em que a OLP, assim como o Hamas atualmente, dizia que Israel deveria ser dizimada.
Assim que a OLP reconheceu o direito a existência de Israel, os processos de paz progrediram e ela passou a ser uma organização covarde nos olhos dos terroristas e do Idelber.
Para saber como um intelectual terrorista pensa, é preciso apenas olhar os posts do Idelber, todos que pregam a paz com Israel são covardes que aceitam ser escravos e todos que atacam civis diariamente são militantes que realizam um bem para a população.
O "Plano D", que a historiadora usa como base de seu livro, foi, nas palavras de uma de suas fontes:
"There was no Zionist "plan" or blanket policy of evicting the Arab population, or of "ethnic cleansing". Plan Dalet (Plan D), of March 10th, 1948 (it is open and available for all to read in the IDF Archive and in various publications), was the master plan of the Haganah - the Jewish military force that became the Israel Defence Forces (IDF) - to counter the expected pan-Arab assault on the emergent Jewish state. That's what it explicitly states and that's what it was. And the invasion of the armies of Egypt, Jordan, Syria and Iraq duly occurred, on May 15th.
It is true that Plan D gave the regional commanders carte blanche to occupy and garrison or expel and destroy the Arab villages along and behind the front lines and the anticipated Arab armies' invasion routes. And it is also true that mid-way in the 1948 war the Israeli leaders decided to bar the return of the "refugees" (those "refugees" who had just assaulted the Jewish community), viewing them as a potential fifth column and threat to the Jewish state's existence. I for one cannot fault their fears or logic.
The demonisation of Israel is largely based on lies - much as the demonisation of the Jews during the past 2,000 years has been based on lies. And there is a connection between the two.
I would recommend that the likes of Norris and Landy read some history books and become acquainted with the facts, not recycle shopworn Arab propaganda. They might then learn, for example, that the "Palestine War" of 1948 (the "War of Independence," as Israelis call it) began in November 1947, not in May 1948. By May 14th close to 2,000 Israelis had died - of the 5,800 dead suffered by Israel in the whole war (ie almost 1 per cent of the Jewish population of Palestine/Israel, which was about 650,000)."
O que acontece, sobre Hamas, é que após o desumano bloqueio econômico realizado pelo governo Israelense, o Hamas, nos túneis usados para tráficar armas, também passaram a traficar alimentos e coisas do tipo, já que na irracionalidade suprema, Israel estava matando os palestinos de fome. Além do tipo, como são traficantes de coisas, eles enriqueceram e passaram a investir em assistencialismo, tal como vários grupos terroristas da américa latina investem em assistencialismo usando dinheiro do tráfico de drogas.
Isso não perdoa, de modo algum, Israel pela sua burrice e desumanidade na hora de adotar essas políticas, ainda acho que o Ocidente deveria estar mais do que preocupado em meios de punir Israel e eu estou seriamente considerando o boicote a produtos israelenses que o próprio Idelber recomanda, MAS tratar o Hamas como uma nobre organização é coisa de gente que ignora que o grupo quer explicitamente matar todos os judeus do mundo, note bem, eles não querem "só" a extinção de Israel, eles querem a extinção dos judeus do *mundo inteiro*.
Assim que o Hamas parar de pregar a extinção do povo judeu, tenho certeza que seu relacionamento com Israel muda da água pro vinho, mas aí gente como Idelber vai começar a dizer que eles são escravos e covardes. E claro, se um intelectual do calibre do Idelber acha covardia e submissão querer a paz, imagina os Palestinos que tem amplo motivo para estarem putos com Israel.
Entrando no tom particular que esse blog sempre entra porque, bem, eu sou desequilibrado, então eu tenho que dizer que o que me entristece é que enquanto esse assunto tem me deprimido a ponto de atrapalhar várias atividades diárias minhas, Idelber e os generais israelenses, que sorriem cada vez que uma criança morre porque para eles toda paz é covardia, estão provavelmente dormindo tranqüilos que a sagrada guerra que eles incentivam é justa e humanitária.
Claro que Idelber não vê nenhuma humanidade na guerra, mas ah, como ele via ampla humanidade nos foguetes de Sderot, afinal, anti-semitas podem realizar atos terroristas motivados por medo e preconceito que eles estão certos, afinal, seus alvos são judeus; agora que o povo Israelense viva com medo e isso dê origem a preconceito, medo e ódio? Imperdoável, afinal, todos sabemos que Judeus são frios, calculistas e agem sempre sob planos bem definidos de dominação mundial.
São os anti-semitas do nosso tempo, disfarçados de amigos dos Palestinos, fingindo que estão preocupados com qualquer povo enquanto sua paixão pelo assunto mostra apenas preocupação em difamar e acender ódio contra todo um povo, essa gente não é melhor que o Hamas que usa as crianças Palestinas como escudo humano.
A desumanidade de alguém que acabou de perder todo meu respeito e legitimidade se traduziu em um imperdoável compêndio de anti-intelectualismo e desinformação a serviço do ódio.
Que ninguém veja isso como apoio a monstruosidade que são as bombas israelenses ou o bloqueio econômico que humilha e esfomeia os Palestinos. Mas ao tempo em que sinto nojo do imenso e crescente racismo anti-árabe que existe em Israel, não posso tolerar que um dito intelectual inverta toda a história em prol do seu ódio mesquinho.
E que fique claro. Não é porque você gosta de citar "bravos judeus" com motivos legítimos para estarem frustrados com Israel que isso faz de você menos anti-semita. Eu nunca vi um homofóbico sem um "amigo gay", por exemplo.
=
Mas vamos responder o festival de idiotices:
"1. A palavra “terror” entra na língua como designação de um ato político justo ali no momento de fundação da democracia moderna. Houaiss, “terror”, acepção 6: nome por que se designa o período da Revolução Francesa compreendido entre 31 de maio de 1793 (queda dos girondinos) e 27 de julho de 1794 (queda de Robespierre). Este é o primeiro tapa que os fatos dão na cara do argumento que implícita ou explicitamente associa o “terrorismo” aos árabes: o “terror” não é o oposto da democracia, não é antônimo de “liberalismo”, não é o contrário nem o antagonista do Ocidente. O terror nasce ali, juntinho com a democracia. É seu irmão ou primo – ou “brimo”, como diria alguma jornalista."
É assustador que o primeiro ato na hora de redescrever uma palavra seja ignorar um momento importante da nossa história.
Strictu sensu, terror É antônimo à democracia JUSTAMENTE porque a era chamada "Terror" é reconhecida como um momento onde a primeira revolução pró-democrática se tornou anti-democrática ou tirânica.
Terror não é "irmão" da democracia, nem hoje e nem no período; é exatamente quando a democracia falha - mesmo que em nome da democracia - mesmo concordando que o que Israel hoje pratica é terrorismo, o argumento poderia ser o mesmo, é quando um movimento pró-democracia, como é o sionismo, de algum modo perverte a si mesmo.
O assustador dessa tese de Idelber é que de repente terrorismo é um primo da democracia, logo, os terroristas podem legitimamente ser tratados como meio-democratas ou algo do tipo e, logo, o homem-bomba se torna um defensor da liberdade.
Veremos no decorrer do post como que terrorismo é sistematicamente defendido desde que a vítima seja judia.
"3. Até a primeira metade do século XX, o terrorismo entendido como atentado em massa a vidas de civis inocentes não era parte do jogo político na Palestina histórica. Ele chega ali com Haganah, Irgún e o grupo Stern, todas elas organizações sionistas cuja atividade principal eram atos de terrorismo no sentido estrito definido acima. No entanto, na Wikipédia você encontrará os Narodnaya russos definidos como “terroristas”, enquanto as organizações sionistas terroristas que cumpriram papel central na fundação de Israel são listadas com os eufemismos "grupo militante" ou, no "melhor" dos casos, “grupo paramilitar”. Experimente questionar essa distinção por lá e você terá uma aula sobre como funciona a Wikipédia -- e também sobre como funciona o lobby pró-Israel na internet."
Aqui o anti-semitismo chega a extemos.
O Irgún foi sim um grupo terrorista anti-árabe judeu da Palestina pré-Israel; foi tratado como um grupo terrorista por todos os intelectuais judeus sionistas importantes da época (entre eles Hannah Arendt e Albert Einstein), pelos governos da época e - vejam só - pela legítima Haganah, um grupo criado depois que os judeus Palestinos perceberam que a Inglaterra não os defenderia dos inúmeros ataques árabes que sofriam os judeus na Palestina boas décadas antes da existência de qualquer um desses grupos.
O que Idebevelar faz é listar todo e qualquer grupo sionista como terrorista, não é surpresa pra quem hoje colocou uma foto de Judeus chegando em Israel em 1948 como sendo um imagem de "catástrofe imposta" ao povo Palestino, como se o mero ato dos Judeus que acabavam de sobreviver perseguições não só na Europa fascista, já fosse uma catástrofe.
Ideblevar não se contenta com o maior crime judeu: ter sobrevivido.
Lógico, ele é um bom moço, um acadêmico respeitado, figura pública, é cordial, etc. nunca vai dizer as piadas anti-semitas que ele com certeza troca no bar ou que nos seus pensamentos particulares, ele amaldiçoa Hitler por ter falhado. Finge que seu anti-semitismo é só uma revolta contra as bárbaries cometidas pelo exército Israelense.
Não é.
Qualquer um que trate sobreviventes do holocausto, sem lugar para morar, chegando na terra em que sonhavam em levar democracia e prosperidade, como uma catástrofe, é anti-semita.
É uma pena a história ter sido cruel com o ideal do sionismo como foi, com Israel muitas vezes auto-sabotando seu propósito, mas que ninguém se engane o anti-semitismo impicito desse estimado intelectual.
Ok, passado meu momento de nojo contra esse homem doente, eis mais informações sobre o Haganah, organização que ele considera terrorista, foi fundada após árabes anti-semitas (que não eram todos os árabes da Palestina da época, deixa-se claro) cometeram vários atos de vandalismo e ataques a civis, "terrorismo" como define Idelber (quando ele não está dizendo que terrorismo e democracia são quase a mesma coisa), foram feitos entre durante toda a década de 20 e 30.
ERA sim uma organização paramilitar e não uma organização terrorista, que tinha o propósito de defender judeus de ataques que a autoridade britânica não conseguia/não tinha interesse em defender.
E defenderam, mesmo defendendo, milhares de judeus morreram na Palestina *antes* de 1948, especialmente em 1947
Mas aqui vem a doente piada que esse nosso anti-semita nos conta.
A Wikipedia não trata esse grupo como terrorista porque existe um lobby pró-Israel que comanda a Wikipedia.
Imagino que entre explodir as torres gêmeas, controlar 95% dos políticos norte-americanos (que são pró-Israel só porque esses judeus que controlam toda a fortuna mundial os pagam), causar a crise financeira atual e se unir aos maçons pra controlar o planeta, os judeus acharam um meio de controlar a Wikipedia também.
A mera noção de que existe um lobby pró-Israel poderoso o suficiente capaz de controlar a política norte-americana do jeito que Idelber diz que controla já é anti-semita em natureza, (é um lobby mais poderoso que da indústria do tabaco, das armas, do completo militar-indutrial, enfim, é basicamente dizer que Israel é dona dos Estados Unidos) expandir isso para a Wikipedia é insanidade.
"4. Haganah comete os primeiros atentados terroristas contra árabes na Palestina já nos anos 20, quando ainda não havia nascido o pai do primeiro homem-bomba palestino. As organizações sionistas cometem amplos crimes definíveis como terroristas ao longo dos anos 40, caminho histórico pelo qual se fundou o estado de Israel – muito, muito antes de que nascesse o primeiro homem-bomba palestino."
Dado que o Haganah foi um grupo criado APÓS e POR CAUSA DE ataques terroristas árabes contra Judeus, esse parágrafo inteiro se torna ridículo, "já nos anos 20", aliás, literalmente em 1920; árabes mataram 4 judeus e feriram mais de 300 enquanto o exército britânico, para conter o tumulto, matou 5 árabes e feriu menos de 30, no mais, expulsaram mais de 300 Judeus da cidade. (isso em 1920, quando nem existia Haganah).
Coisas do tipo aconteceram mais vezes e levaram a criação do Haganah, que durante os anos 20 e 30 foram bem sucedidos em defender judeus, ajudar na evacuação de suas casas quando necessário e ajudar imigrantes quando eram recebidos com violência. O erro dos judeus, como sempre para os anti-semitas, é serem bons em sobreviver e se defender apesar de tudo que é jogado contra eles. Graças a eficiência do Haganah em não permitir a morte de Judeus é que Idelber os considera terroristas. A vida de um judeu é o terror para Idelber.
Dito isso, Idelber coloca um link para uma "linha do tempo" de terrorismo judeu, em uma página que também hospeda textos interessantissimos sobre como o 11 de Setembro foi uma conspiração do exército norte-americano, sobre como os judeus declaram guerra a Alemanha em 1933 e sobre como o holocausto não existiu. É uma página que não cita fonte nenhuma, mas ei, fala mal dos judeus, logo deve estar certa, amirite?
"5. No entanto, o estado de Israel – que ao longo de sua existência e, especialmente, desde 1967, comete crimes definíveis como terrorismo de estado contra os palestinos – usa e abusa do termo “terrorista” para caracterizar quaisquer interlocutores que construa a nação palestina como seus representantes. Tudo isso ao mesmo tempo em que, oficialmente, se recusa a reconhecer o papel do terrorismo em sua fundação, já demonstrado amplamente pela historiografia."
Só quero dizer que Idelber, quando quer falar de limpeza étnica cometida por Israel, usa sempre o exato mesmo livro.
Isso é sinal de quem não tem material. Mesmo após algumas das fontes dessa autora terem dito como ela usa mal o material deles.
Entretanto, o anti-semitismo dele expande um único livro controverso como se fosse "ampla historiografia".
Daria pra eu começar a citar livro atrás de livro também que diz que os sionistas eram santos que jamais fizeram nada de errado, mas não vamos aplaudir quando propaganda e história se cruzam.
Uma historiadora que tem tanto prazer em misturar fato e ficção que chega a dizer:
"[V]ery pedantic and empiricist historians like to argue and to waste a lot of ink so to speak on figures, on numbers, as if the numbers are really important for the construction of myth, or if you have the accurate number you can destroy a myth or debunk it and I don't think it's very true."
No mais, ela (ou ele, agora estou em dúvida, mas importa pouco) é alguém que diz que todo historiador é ideólogo e não um "truth-seeker".
Isso é simplesmente má-interpretação do relativismo, no mais, é carta-branca para contar mentiras.
Já falei sobre esse assunto aqui em outras épocas.
"6. O Hamas, organização militante, assistencialista, militar, que combina islamismo com nacionalismo palestino, destina boa parte de seu orçamento à assistência social e à educação – e também é responsável, desde os anos 90, por atentados contra civis israelenses definíveis como atos de terrorismo no sentido estrito. O Hamas somente passou a ser organização majoritária em Gaza depois de décadas e décadas de ocupação militar estrangeira em territórios palestinos, incluindo-se aí uma história curiosa que inclui a sistemática destruição, sabotagem e cooptação da secular Organização para Libertação da Palestina por parte de Israel. Essa atividade incluiu, diga-se, apoio ao próprio Hamas, por parte de Israel, nos albores do grupo islamista."
Agora, Idelber faz a mesma coisa que acusa os outros: se recusar a chamar uma organização terrorista pelo nome.
O Hamas de repente é "militante, assistencialista" e que, ó, por acaso, é também "militar" e assim, muito de leve, também é "responsável por atentados contra civis israelenses definíveis como atos de terrorismo", veja o tamanho da frase utilizada para evitar dizer: "o Hamas é um grupo terrorista".
De resto, sim, o Hamas foi apoiado por Israel na época em que a OLP, assim como o Hamas atualmente, dizia que Israel deveria ser dizimada.
Assim que a OLP reconheceu o direito a existência de Israel, os processos de paz progrediram e ela passou a ser uma organização covarde nos olhos dos terroristas e do Idelber.
Para saber como um intelectual terrorista pensa, é preciso apenas olhar os posts do Idelber, todos que pregam a paz com Israel são covardes que aceitam ser escravos e todos que atacam civis diariamente são militantes que realizam um bem para a população.
O "Plano D", que a historiadora usa como base de seu livro, foi, nas palavras de uma de suas fontes:
"There was no Zionist "plan" or blanket policy of evicting the Arab population, or of "ethnic cleansing". Plan Dalet (Plan D), of March 10th, 1948 (it is open and available for all to read in the IDF Archive and in various publications), was the master plan of the Haganah - the Jewish military force that became the Israel Defence Forces (IDF) - to counter the expected pan-Arab assault on the emergent Jewish state. That's what it explicitly states and that's what it was. And the invasion of the armies of Egypt, Jordan, Syria and Iraq duly occurred, on May 15th.
It is true that Plan D gave the regional commanders carte blanche to occupy and garrison or expel and destroy the Arab villages along and behind the front lines and the anticipated Arab armies' invasion routes. And it is also true that mid-way in the 1948 war the Israeli leaders decided to bar the return of the "refugees" (those "refugees" who had just assaulted the Jewish community), viewing them as a potential fifth column and threat to the Jewish state's existence. I for one cannot fault their fears or logic.
The demonisation of Israel is largely based on lies - much as the demonisation of the Jews during the past 2,000 years has been based on lies. And there is a connection between the two.
I would recommend that the likes of Norris and Landy read some history books and become acquainted with the facts, not recycle shopworn Arab propaganda. They might then learn, for example, that the "Palestine War" of 1948 (the "War of Independence," as Israelis call it) began in November 1947, not in May 1948. By May 14th close to 2,000 Israelis had died - of the 5,800 dead suffered by Israel in the whole war (ie almost 1 per cent of the Jewish population of Palestine/Israel, which was about 650,000)."
O que acontece, sobre Hamas, é que após o desumano bloqueio econômico realizado pelo governo Israelense, o Hamas, nos túneis usados para tráficar armas, também passaram a traficar alimentos e coisas do tipo, já que na irracionalidade suprema, Israel estava matando os palestinos de fome. Além do tipo, como são traficantes de coisas, eles enriqueceram e passaram a investir em assistencialismo, tal como vários grupos terroristas da américa latina investem em assistencialismo usando dinheiro do tráfico de drogas.
Isso não perdoa, de modo algum, Israel pela sua burrice e desumanidade na hora de adotar essas políticas, ainda acho que o Ocidente deveria estar mais do que preocupado em meios de punir Israel e eu estou seriamente considerando o boicote a produtos israelenses que o próprio Idelber recomanda, MAS tratar o Hamas como uma nobre organização é coisa de gente que ignora que o grupo quer explicitamente matar todos os judeus do mundo, note bem, eles não querem "só" a extinção de Israel, eles querem a extinção dos judeus do *mundo inteiro*.
Assim que o Hamas parar de pregar a extinção do povo judeu, tenho certeza que seu relacionamento com Israel muda da água pro vinho, mas aí gente como Idelber vai começar a dizer que eles são escravos e covardes. E claro, se um intelectual do calibre do Idelber acha covardia e submissão querer a paz, imagina os Palestinos que tem amplo motivo para estarem putos com Israel.
Entrando no tom particular que esse blog sempre entra porque, bem, eu sou desequilibrado, então eu tenho que dizer que o que me entristece é que enquanto esse assunto tem me deprimido a ponto de atrapalhar várias atividades diárias minhas, Idelber e os generais israelenses, que sorriem cada vez que uma criança morre porque para eles toda paz é covardia, estão provavelmente dormindo tranqüilos que a sagrada guerra que eles incentivam é justa e humanitária.
Claro que Idelber não vê nenhuma humanidade na guerra, mas ah, como ele via ampla humanidade nos foguetes de Sderot, afinal, anti-semitas podem realizar atos terroristas motivados por medo e preconceito que eles estão certos, afinal, seus alvos são judeus; agora que o povo Israelense viva com medo e isso dê origem a preconceito, medo e ódio? Imperdoável, afinal, todos sabemos que Judeus são frios, calculistas e agem sempre sob planos bem definidos de dominação mundial.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
Cães da guerra
Cães da guerra são cães da guerra em qualquer lugar. A atrocidade e o massacre cometido por Israel é o que acontece quando seu exército começa a tomar decisões no lugar do seu presidente.
Um homem militar vê apenas alvos. Ele não vê crianças ou civis. Ele vê alvos.
O Hamas, uma organização terrorista que já causou mais de 500 mortes ao redor do mundo, tem o histórico de utilizar civis como escudo humano e de fazer gracinhas como desenterrar crianças, tirar fotos e mandar pra grande mídia como sendo um pobre pai que perdeu o filho nos ataques de quem quer que sejam seus inimigos (e os inimigos do Hamas foi a Índia por muito tempo, numa época em que eram aliados de Israel - um dos numerosos e frequentes erros de Israel - mas naquela época ninguém discutia a legitimidade do Hamas, até então, seu inimigo não era judeu).
Se você ouve relatos de escolas e casas de família sendo atingidas, não se surpreenda, pois são entre crianças e mulheres que os guerrilheiros do Hamas se escondem.
Junte isso a um Estado historicamente paranóico, atacado diariamente, sem liderança clara, às vésperas de eleição, com um partido que ganha popularidade se alimentando do ódio e um poder militar altamente influente e você tem um massacre imperdoável nas mãos.
Assim que isso acabar, assim que o cessar-fogo for estabelecido (a ONU passou uma resolução pedindo um cessar fogo, o Hamas foi mais que rápido em discordar e Israel também ignorou), o que o ocidente vai ter que pensar é como punir Israel por ter deixado seus cães da guerra cometerem tais atrocidades.
O que acontece é que um homem militar sem um contra-peso político e que pouco se importa com a opinião pública não se importa se o inimigo se esconde em meio a mulheres e crianças. Ele só vê o alvo.
Se há poucas mortes do exército israelense, é porque eles são assim tão eficientes e porque estavam assim tão prontos para essa tática. A questão é que é imperdoável que um exército esteja pronto para atirar em civis.
-
Atacados como sempre foram, criticados pela histeria anti-sionista que sistematicamente ignora seus motivos, além de outros tantos fatores históricos, é particularmente fácil para o exército israelense fazer o que fez.
Eles só vão parar com uma força política sensata que coloque o exército na coleira que todo exército deve estar. Essa força política está com medo demais das eleições. Essa guerra vai continuar por algum tempo -- especialmente porque um número de países do Oriente Médio (incluindo o governo oficial da Palestina) apóia, mesmo que nas entrevistas diga que quer o cessar-fogo.
Os EUA, por exemplo, justificaram a abstenção na recente votação pelo cessar-fogo dizendo que quer esperar pra ver o que acontece na mediação do Egito.
O Egito é um país que também tem um muro que a separa de Gaza, é ainda mais violento em sua fronteira que qualquer checkpoint israelense, bloqueia a passagem de mantimentos e ajuda humanitária da mesma forma que Israel faz.
O Egito tem tanto medo do Hamas quanto Israel. Mas o Egito não é um Estado judeu, então não é dito que ele realiza uma limpeza étnica ou que mantém um milhão de pessoas numa prisão a céu aberto. Só dizem o que é verdade também pra Israel. Que construíram um muro mantendo terroristas fora e que, vejam só, deu certo.
Quem vai culpar um país por reforçar uma medida que fez com que atentados terroristas antes frequentes passem a se tornar quase nulos após tal medida? Ninguém, claro, a não ser que esse país seja Israel, aí aparentemente surge uma obrigação moral de comparar uma efetiva defesa anti-terrorismo com Auschwitz.
Enfim, é difícil pra mim escrever esses posts. Assim como todo o resto do mundo, eu só quero que o massacre acabe. Que Israel perceba que está sendo injusto. Mas já que o resto do mundo está pedindo isso, eu acabo ficando com essa coisa na garganta que é mais valioso dizer o que está sendo menos dito - que não se deve usar isso que acontece hoje para de algum modo bizarro justificar a demonização excessiva de Israel ao ponto de - como dito em algum post passado - afirmar que foi algum tipo de crime que o recém-formado Estado de Israel tenha se defendido em 1948... ou em qualquer outra guerra.
Aliás, essa guerra está sendo conduzida de todo modo errado possível, mas o mero ato de botar sua existência em jogo é um tanto absurdo. Como você não ataca um país que atira foguetes diariamente em você?
Vamos fazer um exercício de discernimento básico:
Matar crianças = errado
Matar quem atira foguetes diariamente em casas em um país enquanto clama que seu objetivo expresso é a destruição daquele país = certo
Misturar as coisas só facilita que a opinião pública israelense se sinta não compreendida, frustrada e menos disposta a controlar seu exército, que, tal como pensa boa parte dos palestinos em relação ao Hamas, não age correto, mas é o que os mantém vivos.
Um homem militar vê apenas alvos. Ele não vê crianças ou civis. Ele vê alvos.
O Hamas, uma organização terrorista que já causou mais de 500 mortes ao redor do mundo, tem o histórico de utilizar civis como escudo humano e de fazer gracinhas como desenterrar crianças, tirar fotos e mandar pra grande mídia como sendo um pobre pai que perdeu o filho nos ataques de quem quer que sejam seus inimigos (e os inimigos do Hamas foi a Índia por muito tempo, numa época em que eram aliados de Israel - um dos numerosos e frequentes erros de Israel - mas naquela época ninguém discutia a legitimidade do Hamas, até então, seu inimigo não era judeu).
Se você ouve relatos de escolas e casas de família sendo atingidas, não se surpreenda, pois são entre crianças e mulheres que os guerrilheiros do Hamas se escondem.
Junte isso a um Estado historicamente paranóico, atacado diariamente, sem liderança clara, às vésperas de eleição, com um partido que ganha popularidade se alimentando do ódio e um poder militar altamente influente e você tem um massacre imperdoável nas mãos.
Assim que isso acabar, assim que o cessar-fogo for estabelecido (a ONU passou uma resolução pedindo um cessar fogo, o Hamas foi mais que rápido em discordar e Israel também ignorou), o que o ocidente vai ter que pensar é como punir Israel por ter deixado seus cães da guerra cometerem tais atrocidades.
O que acontece é que um homem militar sem um contra-peso político e que pouco se importa com a opinião pública não se importa se o inimigo se esconde em meio a mulheres e crianças. Ele só vê o alvo.
Se há poucas mortes do exército israelense, é porque eles são assim tão eficientes e porque estavam assim tão prontos para essa tática. A questão é que é imperdoável que um exército esteja pronto para atirar em civis.
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Atacados como sempre foram, criticados pela histeria anti-sionista que sistematicamente ignora seus motivos, além de outros tantos fatores históricos, é particularmente fácil para o exército israelense fazer o que fez.
Eles só vão parar com uma força política sensata que coloque o exército na coleira que todo exército deve estar. Essa força política está com medo demais das eleições. Essa guerra vai continuar por algum tempo -- especialmente porque um número de países do Oriente Médio (incluindo o governo oficial da Palestina) apóia, mesmo que nas entrevistas diga que quer o cessar-fogo.
Os EUA, por exemplo, justificaram a abstenção na recente votação pelo cessar-fogo dizendo que quer esperar pra ver o que acontece na mediação do Egito.
O Egito é um país que também tem um muro que a separa de Gaza, é ainda mais violento em sua fronteira que qualquer checkpoint israelense, bloqueia a passagem de mantimentos e ajuda humanitária da mesma forma que Israel faz.
O Egito tem tanto medo do Hamas quanto Israel. Mas o Egito não é um Estado judeu, então não é dito que ele realiza uma limpeza étnica ou que mantém um milhão de pessoas numa prisão a céu aberto. Só dizem o que é verdade também pra Israel. Que construíram um muro mantendo terroristas fora e que, vejam só, deu certo.
Quem vai culpar um país por reforçar uma medida que fez com que atentados terroristas antes frequentes passem a se tornar quase nulos após tal medida? Ninguém, claro, a não ser que esse país seja Israel, aí aparentemente surge uma obrigação moral de comparar uma efetiva defesa anti-terrorismo com Auschwitz.
Enfim, é difícil pra mim escrever esses posts. Assim como todo o resto do mundo, eu só quero que o massacre acabe. Que Israel perceba que está sendo injusto. Mas já que o resto do mundo está pedindo isso, eu acabo ficando com essa coisa na garganta que é mais valioso dizer o que está sendo menos dito - que não se deve usar isso que acontece hoje para de algum modo bizarro justificar a demonização excessiva de Israel ao ponto de - como dito em algum post passado - afirmar que foi algum tipo de crime que o recém-formado Estado de Israel tenha se defendido em 1948... ou em qualquer outra guerra.
Aliás, essa guerra está sendo conduzida de todo modo errado possível, mas o mero ato de botar sua existência em jogo é um tanto absurdo. Como você não ataca um país que atira foguetes diariamente em você?
Vamos fazer um exercício de discernimento básico:
Matar crianças = errado
Matar quem atira foguetes diariamente em casas em um país enquanto clama que seu objetivo expresso é a destruição daquele país = certo
Misturar as coisas só facilita que a opinião pública israelense se sinta não compreendida, frustrada e menos disposta a controlar seu exército, que, tal como pensa boa parte dos palestinos em relação ao Hamas, não age correto, mas é o que os mantém vivos.
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Recebidos por e-mail
Eu assino duas newsletters.
A do instituto humanitas e do gameindustry.biz
As duas trouxeram coisas boas hoje.
O instituto humanitas trouxe hoje Os 10 principais fatos católicos negligenciados em 2008, que inclui a recente violência na Índia por hindus extremistas contra católicos (história é uma coisa engraçada, hein?), a defesa dos bispos norte-americanos à imigração que quase os levou a perder cacife político em meio aos conservadores (embora os católicos sempre estiveram mais ao lado da esquerda moderada de lá, com pinceladas conservadoras como no caso do aborto) e as complexas posições do papa na questão do ambientalismo, do díalogo inter-religioso e do laicismo do Estado.
Já o gameindustry.biz traz um balanço da indústria dos games em época de crise. Passa rápido pelo mercado de games em si, já que defende que ele é razoavelmente "recession-proof" (sofrendo apenas uma pequena queda, diferente do resto do mundo que vai tombar), mas se foca de forma excelente no mercado de publicações.
Aqui vai o sempre divertido balanço de "quem é dono de quem".
"Few online game media brands are independent firms. IGN and GameSpy belong to the vast News Corporation, whose other assets include Sky television, the FOX networks (and movie studios), The Sun, The Times, MySpace, and so on. GameSpot and GameFAQs belong, ultimately, to CBS - or, by extension, to CBS' majority shareholder, National Amusements, which owns the likes of MTV, Paramount Pictures and Dreamworks. Only this week, another major site, 1up, was acquired by Hearst Corporation - a media conglomerate which owns dozens of newspapers in America, along with magazines like Marie Claire and Esquire, and the ESPN sports TV network.
Even some of the new kids on the block are owned, ultimately, by men in very, very expensive suits. Joystiq belongs to Time Warner, the world's biggest media conglomerate, whose stable includes New Line Cinema, Warner Bros, HBO, CNN and DC Comics. Video site GameTrailers belongs to MTV - and thus, ultimately, to parent company Viacom's majority shareholder National Amusements, mentioned above as the ultimate owner of GameSpot and GameFAQs.
So who's actually independent? A handful of major media outlets remain outside these corporate networks. Kotaku, the largest blog competitor to Joystiq, is owned by Gawker Media, a small private company. In Britain, Future Publishing is stock market listed and has no parent company, but despite recent solid growth, its online properties lag behind the competition and it remains heavily invested in its print portfolio. British firm Eurogamer Network, too, is privately owned. (Here's as good a point as any for the required full disclosure - GamesIndustry.biz is a publication of Eurogamer Network, and I personally am employed by both Eurogamer Network and News Corporation.)"
É engraçado porque eu leio boa parte dessas coisas diariamente e a impressão de que são caras em seus quartos imundos que nem o meu falando de videogame que nem eu faço nesse blog de tempos em tempos é impressionante.
Mas não, é gente contratada, em última instância, pelo mesmo dinheiro do Times, Warner Brothers, DC comics, etc.
Em dois ou três grandes nomes, você consegue englobar praticamente todo um mercado. Kinda creepy.
Anyway, é uma pena não ter um link já que esse editorial veio excepcionalmente no e-mail direto, mas a tese é que revistas de videogame vão sumir das bancas nos EUA, vão diminuir na Inglaterra onde esse mercado específico é bm mais forte e, enfim, que não vai sobrar nenhum site independente debaixo do sol, com os poucos independentes que sobram sendo comprados pelos gigantes.
Já a noção que os jogos não vão sofrer grandes perdas me parece equivocada. Todo dia vem notícia de alguma produtora nova com problemas. O que acontece é que a crise aconteceu em meio a um boom; então o que temos é uma bolha meio que estourando, com várias produtoras que estavam no meio do caminho para se tornar negócios sólidos.
Ao mesmo tempo em que várias vão a falência, algumas outras mostram lucros estáveis. Nenhum grande jogo vai deixar de ser feito ao visto, já que há grande mercado para eles, mas que nos bastidores está rolando um compra-compra ferrado que vai tornar o mercado bem mais centralizado, isso me parece indiscutível.
A do instituto humanitas e do gameindustry.biz
As duas trouxeram coisas boas hoje.
O instituto humanitas trouxe hoje Os 10 principais fatos católicos negligenciados em 2008, que inclui a recente violência na Índia por hindus extremistas contra católicos (história é uma coisa engraçada, hein?), a defesa dos bispos norte-americanos à imigração que quase os levou a perder cacife político em meio aos conservadores (embora os católicos sempre estiveram mais ao lado da esquerda moderada de lá, com pinceladas conservadoras como no caso do aborto) e as complexas posições do papa na questão do ambientalismo, do díalogo inter-religioso e do laicismo do Estado.
Já o gameindustry.biz traz um balanço da indústria dos games em época de crise. Passa rápido pelo mercado de games em si, já que defende que ele é razoavelmente "recession-proof" (sofrendo apenas uma pequena queda, diferente do resto do mundo que vai tombar), mas se foca de forma excelente no mercado de publicações.
Aqui vai o sempre divertido balanço de "quem é dono de quem".
"Few online game media brands are independent firms. IGN and GameSpy belong to the vast News Corporation, whose other assets include Sky television, the FOX networks (and movie studios), The Sun, The Times, MySpace, and so on. GameSpot and GameFAQs belong, ultimately, to CBS - or, by extension, to CBS' majority shareholder, National Amusements, which owns the likes of MTV, Paramount Pictures and Dreamworks. Only this week, another major site, 1up, was acquired by Hearst Corporation - a media conglomerate which owns dozens of newspapers in America, along with magazines like Marie Claire and Esquire, and the ESPN sports TV network.
Even some of the new kids on the block are owned, ultimately, by men in very, very expensive suits. Joystiq belongs to Time Warner, the world's biggest media conglomerate, whose stable includes New Line Cinema, Warner Bros, HBO, CNN and DC Comics. Video site GameTrailers belongs to MTV - and thus, ultimately, to parent company Viacom's majority shareholder National Amusements, mentioned above as the ultimate owner of GameSpot and GameFAQs.
So who's actually independent? A handful of major media outlets remain outside these corporate networks. Kotaku, the largest blog competitor to Joystiq, is owned by Gawker Media, a small private company. In Britain, Future Publishing is stock market listed and has no parent company, but despite recent solid growth, its online properties lag behind the competition and it remains heavily invested in its print portfolio. British firm Eurogamer Network, too, is privately owned. (Here's as good a point as any for the required full disclosure - GamesIndustry.biz is a publication of Eurogamer Network, and I personally am employed by both Eurogamer Network and News Corporation.)"
É engraçado porque eu leio boa parte dessas coisas diariamente e a impressão de que são caras em seus quartos imundos que nem o meu falando de videogame que nem eu faço nesse blog de tempos em tempos é impressionante.
Mas não, é gente contratada, em última instância, pelo mesmo dinheiro do Times, Warner Brothers, DC comics, etc.
Em dois ou três grandes nomes, você consegue englobar praticamente todo um mercado. Kinda creepy.
Anyway, é uma pena não ter um link já que esse editorial veio excepcionalmente no e-mail direto, mas a tese é que revistas de videogame vão sumir das bancas nos EUA, vão diminuir na Inglaterra onde esse mercado específico é bm mais forte e, enfim, que não vai sobrar nenhum site independente debaixo do sol, com os poucos independentes que sobram sendo comprados pelos gigantes.
Já a noção que os jogos não vão sofrer grandes perdas me parece equivocada. Todo dia vem notícia de alguma produtora nova com problemas. O que acontece é que a crise aconteceu em meio a um boom; então o que temos é uma bolha meio que estourando, com várias produtoras que estavam no meio do caminho para se tornar negócios sólidos.
Ao mesmo tempo em que várias vão a falência, algumas outras mostram lucros estáveis. Nenhum grande jogo vai deixar de ser feito ao visto, já que há grande mercado para eles, mas que nos bastidores está rolando um compra-compra ferrado que vai tornar o mercado bem mais centralizado, isso me parece indiscutível.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
1948
É assustador o número de pessoas invocando que todo o mal começou em 1948, quando o pacífico povo palestino foi brutalmente expulso por esses judeus malvados de suas terras.
E essa gente não tem nem coragem de dizer que é a favor do mesmo objetivo do Hamas e do Irã que é o extermínio do Estado de Israel.
Não, eles não são a favor de exterminar o país inteiro, só acham que ele nunca deveria ter existido e que os judeus do mundo, perseguidos há milhares de anos, deveriam continuar sendo perseguidos e marginalizados como sempre foram.
O que exatamente aconteceu em 1948 ainda é algo debatido pelos historiadores, mas está muitíssimo bem documentado o quanto os primeiros israelenses tiveram que enfrentar de terrorismo doméstico e guerras vindas de países vizinhos. Sobreviveram a tudo. Tinham acabado de perder milhões de sua população nos campos de concentração e se viram presos em uma guerra em praticamente todas suas fronteiras enquanto aguentavam pesado terrorismo doméstico. Aí tem gente doida que acha que no meio disso, eles arrumaram tempo pra roubar gananciosamente terra árabe porque, você sabe, judeu é um bicho ganancioso mesmo.
Então é engraçado que cada uma das pessoas que eu vejo acusando Israel e de ser contra um solução biestatal são as mesmas pessoas que falam que 1948 não deveria ter acontecido. Que ou os judeus deveriam continuar sem uma pátria, expostos a perseguição aleatória que sofreram durante toda sua história ou que deveriam ter aceitado os homens-bomba e os exércitos invasores. E chamam o mais básico impulso de autodefesa de "blá blá blá" e "clichê" e oras, fazer o que? É claro que se você acha que o lugar não deveria existir, então pra você vai ser um "blá blá blá" falar em autodefesa.
A tese de que haveria guerra caso não houvesse quem atirasse atacasse Israel é absurda. Que época da história de Israel ela não foi atacada? Porque Israel sacrificaria seus filhos em guerras por terra que não precisam? Ah, porque judeu é um bicho ganancioso, você já viu os carrões que eles andam por aqui? Você sabia que toda a mídia norte-americana é controlada pelos judeus? Você sabia que eles controlam a maior parte da riqueza mundial? And so on...
Agora está se criando um meme de que a ONU pedir cessar-fogo é pouco demais. Nunca dizem a alternativa, nunca diz o que a ONU deveria fazer, então, já que pedir Cessar fogo não é o bastante. Quanto tempo vai demorar até a máscara politicamente correta cair e alguém dizer que a França deveria parar de perder tempo e formar logo uma coalição para invadir Israel e terminar o que a Alemanha começou a décadas atrás e corrigir o erro que foi dar aos judeus do mundo uma chance de viver em paz?
Não, não dá pra defender o que Israel está fazendo lá agora, da forma que está fazendo, com a quantidade de inocentes pegos de propósito com o objetivo de criar terror. Mas isso deve ser argumentado com quem acredita sinceramente que Israel deve existir e deve se proteger. Se for ouvir essa gente que acha que 1948 foi um erro, então Israel está fazendo bem em ignorar mesmo.
O meu medo, como dito no post passado, é que, em parte por causa dessa gente que não aceita que Israel faça nada senão se ajoelhar e morrer de uma vez, Israel esteja perdendo a habilidade de ouvir seus sinceros alidados, que estão pedindo um cessar-fogo porque o massacre foi longe demais, porque Israel está fácil se tornando os terroristas que combateu em toda sua história.
Se Israel perder completamente a capacidade de ouvir seus aliados, como é o que parece que está acontecendo, isso coloca todo um novo cenário em jogo, mas essa gente insana quer nos convencer que desde 1948 há um plano desses judeus gananciosos para aterrorizar os pacíficos árabes que estavam lá vivendo em paz e sem problemas. Essa gente pode fazer os abaixo-assinados que quiseram, não vi um até agora que pedia o cessar-fogo. Pediam o fim de todas as medidas de segurança que Israel tem feito nas suas décadas de existência de modo que sua única vulnerabilidade são foguetes caseiros. Essa gente não dá pra levar a sério.
O estado de Israel foi fundado numa guerra com quatro países e inúmeros terroristas domésticos compostos por uma população de refugiados de uma das maiores tragédias da história. Hoje seu inimigo são foguetes caseiros. Eu chamo isso de progresso.
E essa gente não tem nem coragem de dizer que é a favor do mesmo objetivo do Hamas e do Irã que é o extermínio do Estado de Israel.
Não, eles não são a favor de exterminar o país inteiro, só acham que ele nunca deveria ter existido e que os judeus do mundo, perseguidos há milhares de anos, deveriam continuar sendo perseguidos e marginalizados como sempre foram.
O que exatamente aconteceu em 1948 ainda é algo debatido pelos historiadores, mas está muitíssimo bem documentado o quanto os primeiros israelenses tiveram que enfrentar de terrorismo doméstico e guerras vindas de países vizinhos. Sobreviveram a tudo. Tinham acabado de perder milhões de sua população nos campos de concentração e se viram presos em uma guerra em praticamente todas suas fronteiras enquanto aguentavam pesado terrorismo doméstico. Aí tem gente doida que acha que no meio disso, eles arrumaram tempo pra roubar gananciosamente terra árabe porque, você sabe, judeu é um bicho ganancioso mesmo.
Então é engraçado que cada uma das pessoas que eu vejo acusando Israel e de ser contra um solução biestatal são as mesmas pessoas que falam que 1948 não deveria ter acontecido. Que ou os judeus deveriam continuar sem uma pátria, expostos a perseguição aleatória que sofreram durante toda sua história ou que deveriam ter aceitado os homens-bomba e os exércitos invasores. E chamam o mais básico impulso de autodefesa de "blá blá blá" e "clichê" e oras, fazer o que? É claro que se você acha que o lugar não deveria existir, então pra você vai ser um "blá blá blá" falar em autodefesa.
A tese de que haveria guerra caso não houvesse quem atirasse atacasse Israel é absurda. Que época da história de Israel ela não foi atacada? Porque Israel sacrificaria seus filhos em guerras por terra que não precisam? Ah, porque judeu é um bicho ganancioso, você já viu os carrões que eles andam por aqui? Você sabia que toda a mídia norte-americana é controlada pelos judeus? Você sabia que eles controlam a maior parte da riqueza mundial? And so on...
Agora está se criando um meme de que a ONU pedir cessar-fogo é pouco demais. Nunca dizem a alternativa, nunca diz o que a ONU deveria fazer, então, já que pedir Cessar fogo não é o bastante. Quanto tempo vai demorar até a máscara politicamente correta cair e alguém dizer que a França deveria parar de perder tempo e formar logo uma coalição para invadir Israel e terminar o que a Alemanha começou a décadas atrás e corrigir o erro que foi dar aos judeus do mundo uma chance de viver em paz?
Não, não dá pra defender o que Israel está fazendo lá agora, da forma que está fazendo, com a quantidade de inocentes pegos de propósito com o objetivo de criar terror. Mas isso deve ser argumentado com quem acredita sinceramente que Israel deve existir e deve se proteger. Se for ouvir essa gente que acha que 1948 foi um erro, então Israel está fazendo bem em ignorar mesmo.
O meu medo, como dito no post passado, é que, em parte por causa dessa gente que não aceita que Israel faça nada senão se ajoelhar e morrer de uma vez, Israel esteja perdendo a habilidade de ouvir seus sinceros alidados, que estão pedindo um cessar-fogo porque o massacre foi longe demais, porque Israel está fácil se tornando os terroristas que combateu em toda sua história.
Se Israel perder completamente a capacidade de ouvir seus aliados, como é o que parece que está acontecendo, isso coloca todo um novo cenário em jogo, mas essa gente insana quer nos convencer que desde 1948 há um plano desses judeus gananciosos para aterrorizar os pacíficos árabes que estavam lá vivendo em paz e sem problemas. Essa gente pode fazer os abaixo-assinados que quiseram, não vi um até agora que pedia o cessar-fogo. Pediam o fim de todas as medidas de segurança que Israel tem feito nas suas décadas de existência de modo que sua única vulnerabilidade são foguetes caseiros. Essa gente não dá pra levar a sério.
O estado de Israel foi fundado numa guerra com quatro países e inúmeros terroristas domésticos compostos por uma população de refugiados de uma das maiores tragédias da história. Hoje seu inimigo são foguetes caseiros. Eu chamo isso de progresso.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Stuff do dia.
Vou tentar fazer do blog uma diário mais completo das coisas que vejo por aí, então vou começar com os links interessantes que vi no dia.
Pelo twitter do Cunha: Kill the Monthly - um bom artigo sobre porque publicações mensais de quadrinho são uma boa pra Marvel e pra DC, mas um mau negócio pra todo o resto.
Só tenho a concordar com o artigo, mesmo do ponto de vista mais do consumidor/criador do que de editora; é um exercício mental ridículo acompanhar 30 histórias de 20 páginas por mês, tendo que lembrar toda vez o que aconteceu, dependendo do tamanho da história, até a 6 meses atrás (mesmo que a primeira página resuma, a possibilidade de você ter perdido qualquer tipo de ligação emocional com os personagens é enorme).
De resto, se você tem uma história de 100 páginas, pra que quebrar ela em 5 meses? Lance as 100 páginas oras bolas.
Noticias da crise.
Sony planeja fechar fábricas
Sony negando a notícia acima
Microsoft planeja demissões
Por mim a Microsoft poderia falir que o mundo só teria a ganhar, mas o que eu vejo ocorrendo na Sony é o exemplo típico de corporação se tornando uma espécie de governo. Ela é tão grande e tenta fazer tanto que acaba esmagada sob o peso da própria burocracia. Sendo um consumidor da Sony e sempre atento à toda noticia relacionada ao Playstation 3, às vezes é absurdo o quanto uma divisão faz algo que ativamente prejudica outra divisão. É como se não duas divisões da Sony fossem duas empresas diferentes.
Com certeza alguém lá sabe disso e reestruturar essas coisas não devem ser fácil, mas a Sony precisa urgentemente unificar as divisões. Como, oh como, ainda não vi nenhuma promoção oferecendo desconto para quem compra um PS3 e uma Bravia juntos?
Uma surpreendente boa entrevista a respeito de educação e videogame
Q: Microsoft's Neil Thompson recently stated that it was impossible to make money from educational games - I guess you'd disagree?
Marco Minoli: I think there are two different points here. Firstly we're trying to replicate something that other media already do - The History Channel does entertainment and culture together, and it's profitable. And at Scholastic, that's what they do, they put together entertainment and culture, publish it and make a whole lot of money.
It's the same with TV - look at The Tudors, or Band of Brothers, it's entertainment and it's culture.
PS3 games to look for in 2009
Bom post do Alex Castro sobre revolução Haitiana
Eu nem me atrevo a comentar os posts do Alex Castro. É o meu modelo atual de acadêmico na internet.
Aidan fará auditoria nos contratos do PT
"FUNCIONALISMO
Outra ação determinada por Aidan é o corte de quase metade dos cargos comissionados. A ideia é garantir economia nos gastos e valorizar os servidores públicos - os quais serão qualificados e analisados para assumir tais postos, que inicialmente ficarão congelados."
Já estou gostando desse prefeito.
Oposição prepara palanques para 2010
PPS é oficialmente oposição ao PT agora junto com DEM e PSDB? Ô loco.
Noticias de Gaza
70 mil iranianos se oferecem a ato suicida contra Israel
Jornalista palestino relata morte do pai durante ataque aéreo israelense
Hamas acusa Sarkozy de "total parcialidade" em favor de Israel
Toda notícia que vejo sobre o Sarkozy mostra ele condenando Israel e exigindo o fim do ataque. É o que o mundo inteiro quer, mas até aí, só o Hamas e meia dúzia de anti-semitas da esquerda acham que eles são inocentes. A mera noção de que eles não podem ser condenados moralmente por atacar Israel é das mais absurdas. É que nem falar que tal menina estava pedindo pra ser estuprada.
Eles atacaram e sabiam que ia ter resposta. Se Israel estava planejando a invasão há mais tempo, é porque qualquer país com inimigos próximos tem planejamentos assim. Alguém em algum lugar dentro do Pentagono agora deve estar planejando a invasão a Russia, não significa que vai acontecer.
Dito isso, o que horroriza o mundo são os inocentes que Israel está matando. E são um monte de inocentes e isso é imperdoável.
Agora atacar o Hamas? Eu acho que a pior consequência desses ataques de Israel a opinião pública é que alguém em algum lugar vai confundir esses terroristas com vítimas. O povo palestino é uma vítima de Israel e é por eles que pedimos a paz. Já o Hamas seria melhor se desaparecesse do mundo.
Os erros de Israel nessas semanas são incontáveis. Atacar o Hamas não é um deles.
Israel está sendo muito mais violento que o razoável e de alguma forma eles devem ser punidos por isso, mas a maior das piadas é quem acha que por algum motivo, uma organização que atira foguetes praticamente diariamente na outra não mereça ser alvo de ação militar.
Agora, o Sarkozy é a maior chance de um cessar fogo na região. Essa atitude do Hamas só prova que eles tem tão pouca consideração pela vida dos Palestinos quanto os Israelenses.
A paz não passa pelo massacre
Bom artigo, relatando muito de cruel que Israel tem feitos nos últimos tempos. E é muita coisa. Israel está completamente no caminho errado. Alguém disse em algum blog que esse lado "os dois estão certos", eu vou dizer que "os dois estão errados".
Israel não podia tratar a Palestina assim e o Hamas não podia responder com foguetes. Existe alguém no universo que achava que jogar foguetes em Israel acabaria com os bloqueios?
É ridículo dizer que a comunidade internacional estava calada. Israel estava sendo criticada há tempos. Mas dito isso, infelizmente essas coisas são complicadas. No mais, há algo que me pertuba.
Dizem que o mundo fica ao lado de Israel por ele ser algo de ocidente no Oriente Médio. Mas isso é errado? Seria muito mais fácil defender os países árabes contra as barbáries de Israel se eles não apedrejassem seus homossexuais, se eles não comemorassem nas ruas atos terroristas, se eles não fizessem protestos dizendo para cortar nossas cabeças.
Dito isso, sim, é errado o mundo ser mais rápido ao condenar os árabes do que Israel, mas há uma série de elementos irracionais aí. Os árabes vivem repetindo que não querem fazer parte do mundo ocidental, que não querem nossas leis, que não querem parar de apedrejar pessoas que nós consideramos dignas, que não querem nossas igrejas em suas terras, que não querem tratar suas mulheres de modo que nós consideramos digno. Então porque querem nossa proteção?
Relativismo não pode ser pela metade. Eles querem apelar ao relativismo na hora de aceitar direitos humanos, então tem que aceitar relativismo na hora que algum país relativo a nós faz alguma monstruosidade, como Israel tem feito.
O Estado de Israel a cada dia se torna uma vergonha maior para o povo Judeu e para o Ocidente, mas não dá pra estender humanidade a um povo que grita que não está interessado nos direitos humanos.
É um problema intelectual de muitas maneiras. Israel precisa começar a ouvir seus humanistas e os árabes precisam criar os próprios.
A guerra de civilizações é um choque de irracionalismos. É algo que só terá fim com a adoção universal das cartas de direitos humanos. Do jeito que é, é fácil ser desumano com os desumanos.
Acredito sim, que de algum modo, a forma como a Palestina trata suas próprias minorias é uma justificativa moral dos ataques Israelenses. Não quero forçar muito nessa linha de pensamento, pois ela quebra fácil, mas eis algo:
Porque nos preocupamos com as armas nucleares Israelenses e não com as Iranianas? Eu diria que é porque Tel Aviv realiza uma ótima parada Gay enquanto a legislação Palestina descreve 5 penas de morte diferentes para o homossexualismo.
Aceitar o homossexualismo, entre outras coisas, é sinônimo de civilização e respeito.
Israel aceita e, portanto, nós ouvimos seu lado com maior respeito.
Isso é altamente irracional de muitos pontos, mas nossa única arma contra a irracionalidade bairrista são nossos contratos, como as constituições e a carta de direitos humanos.
Rejeitar esses nossos contratos é uma ótima maneira de se tornar desumano a nossos olhos e, portanto, não merecer um tratamento humano.
Então mesmo condenando Israel, eu não consigo apagar o sentimento de que os apóio mais do que apóio os árabes.
Israel, Palestine and Gays
O problema é que a gente entra num briga de galo em que ninguém pode criticar ninguém.
Não pode dizer que o que Israel faz é um genocídio porque eles são vítimas de um, mas afinal, é. Existe em Israel limpeza étnica e não deveria ter sido ignorada o tempo que foi e depois que essa horrível poeira baixar, o mundo tem que aprender a ser bem mais duro com Israel e forçá-los mais a manter os seus acordos.
O que está acontecendo com a opinião pública e Israel é o que eu acabei de relatar que acontece com os árabes. Quem é desumano, logo deixa de ser tratado como humano. Mais um pouco e ninguém mais vai se importar com israelenses morrendo, aí Israel vai ter dado o tiro supremo no pé de seu maior projeto que é o de proteger os judeus do mundo.
Já o Hamas, aparentemente não podemos apontar que são os homofóbicos terroristas que são porque seria legitimar o ataque de Israel. Tem quem diz que não dá pra aceitar o argumento dos foguetes porque eram foguetes feitos a mão que só destruíam casas sem matar ninguém.
É, muito melhor, puxa vida. Já que seu foguete só vai explodir minha casa, então pode atirar. Explode, mas não mata, né?
Mas a verdade maior é que essa masturbação intelectual é assunto para os tempos.
Agora os ataques têm que parar. Como sempre, eu sou da tendência que a paz se alcança conciliando os lados.
Mas é só ver a blogosfera mundial para saber que não há conciliação, é um nós vs eles inescapável.
E quem tem orgulho de dizer que é anti-Israel há 25 anos parece assustadoramente orgulhoso em exibir as fotos de crianças mortas, como se sorrindo o apocalipse profetizado.
Há cada momento em que Israel se torna mais desumano, os intelectuais anti-Israel se desumanizam junto.
É preciso um antagonista para ver quando estamos felizes em relatar tragédias. Tenho certeza que os meus percebem os meus surtos de desumanidade aqui, mas eu sou alguém que tenta reprimir pouco a irracionalidade. Quero estudá-la.
Vejo vocês irracionais e a sua alegria em ver as chamas. E, diferente de mim, vocês se esforçam em esconder.
Amorim reitera pedido de cessar-fogo a Israel
Engraçado, há um tempo atrás, o Brasil fez uns acordos comerciais com o Irã e foi criticado por Israel. Algumas pessoas, geralmente muito profissionais, educadamente pediram para Israel calar a boca porque nenhum país, supostamente, pode opinar no assunto dos outros.
Quem chamou o Brasil mesmo pra dar opinião sobre Israel?
(PS: Eu acho que o Brasil está mais que certo em pedir o cessar-fogo e tem todo o direito de fazê-lo, mas também tinha Israel em nos condenar pelos nossos acordos com o Irã)
Blog do Pedro Dória
A voz mais sensata da blogosfera brasileira nesse conflito.
Chamado de "jornalistazinho" por não ser tomado por fúria cega.
Muito mais sensato que eu, que também tenho minhas fúrias com a situação.
Especialmente porque ainda considero os conflitos na África a situação mais importante que deveríamos estar prestando atenção, deveríamos estar condenando a China muito mais duramente que estamos (não fomos capazes de boicotar uma mera Olimpíada para impedir massacres diários), por fim, acredito fielmente que Israel é a esperança de democracia no Oriente Médio, então eu tendo a olhar mais ternamente pra Israel do que Israel merece.
Dois bons artigos de 30 de Dezembro repetem a mesma frase.
Israel deve saber quando parar
War Without End?
Is Israel too imprisoned in the familiar ceremony of war?
Aparentemente não sabe.
A estratégia agora parece ser a de efetivamente ocupar Gaza e aguentar a insurreição que os americanos mal aguentam no Iraque.
Ninguém acha que a estratégia vai funcionar e ninguém quer que funcione. Território palestino é território palestino. O enorme erro do Ocidente vai ser sempre o de não deixar isso claro para Israel e o erro histórico de Israel que vai persegui-los como o holocausto persegue os alemães é o de não perceber isso.
Cada criança morta e Israel se torna menos ocidental, mais alien, mais inalcançável, difícil de compreender e de se comunicar. Cada vez menos parece um dos nossos que fez algo de muito errado (como os Americanos e Ingleses na guerra do Iraque) e cada vez mais parece um povo estranho, um "deles" lutando contra outro "eles" e que é incapaz de raciocinar como nós raciocinamos.
Se Israel se tornar, de fato, um "eles" com armas nucleares e nós começarmos a vê-los como uma ameaça.
Será que daqui 20 anos, como consequência do que ocorre hoje, uma mãe brasileira pedirá ao filho que tome cuidado ao andar perto da Sinagoga porque eles fazem parte daquela gente com armas nucleares que causou tanto sofrimento injustificado no Oriente Médio?
Se nossa esperança no potencial de Israel para trazer a democracia cair, basta mais do que uma eleição norte-americana para que eles se vejam sozinhos entre milhões de vizinhos furiosos?
A minha pergunta para Israel não é nem porque eles atacam.
É simplesmente porque eles não nos ouvem quando pedimos o cessar-fogo?
Não confio na razão humana, é uma tola brincadeira genética, mas será que perdemos a habilidade de nos comunicar dentro de nossa própria tribo?
Meu medo, meu grande medo, é Israel estar incomunicada.
De incompreensível para perigosa é uma passo que eu tenho o maior medo que o Ocidente dê.
Israel deve sobreviver. Deve não se suicidar.
Pelo twitter do Cunha: Kill the Monthly - um bom artigo sobre porque publicações mensais de quadrinho são uma boa pra Marvel e pra DC, mas um mau negócio pra todo o resto.
Só tenho a concordar com o artigo, mesmo do ponto de vista mais do consumidor/criador do que de editora; é um exercício mental ridículo acompanhar 30 histórias de 20 páginas por mês, tendo que lembrar toda vez o que aconteceu, dependendo do tamanho da história, até a 6 meses atrás (mesmo que a primeira página resuma, a possibilidade de você ter perdido qualquer tipo de ligação emocional com os personagens é enorme).
De resto, se você tem uma história de 100 páginas, pra que quebrar ela em 5 meses? Lance as 100 páginas oras bolas.
Noticias da crise.
Sony planeja fechar fábricas
Sony negando a notícia acima
Microsoft planeja demissões
Por mim a Microsoft poderia falir que o mundo só teria a ganhar, mas o que eu vejo ocorrendo na Sony é o exemplo típico de corporação se tornando uma espécie de governo. Ela é tão grande e tenta fazer tanto que acaba esmagada sob o peso da própria burocracia. Sendo um consumidor da Sony e sempre atento à toda noticia relacionada ao Playstation 3, às vezes é absurdo o quanto uma divisão faz algo que ativamente prejudica outra divisão. É como se não duas divisões da Sony fossem duas empresas diferentes.
Com certeza alguém lá sabe disso e reestruturar essas coisas não devem ser fácil, mas a Sony precisa urgentemente unificar as divisões. Como, oh como, ainda não vi nenhuma promoção oferecendo desconto para quem compra um PS3 e uma Bravia juntos?
Uma surpreendente boa entrevista a respeito de educação e videogame
Q: Microsoft's Neil Thompson recently stated that it was impossible to make money from educational games - I guess you'd disagree?
Marco Minoli: I think there are two different points here. Firstly we're trying to replicate something that other media already do - The History Channel does entertainment and culture together, and it's profitable. And at Scholastic, that's what they do, they put together entertainment and culture, publish it and make a whole lot of money.
It's the same with TV - look at The Tudors, or Band of Brothers, it's entertainment and it's culture.
PS3 games to look for in 2009
Bom post do Alex Castro sobre revolução Haitiana
Eu nem me atrevo a comentar os posts do Alex Castro. É o meu modelo atual de acadêmico na internet.
Aidan fará auditoria nos contratos do PT
"FUNCIONALISMO
Outra ação determinada por Aidan é o corte de quase metade dos cargos comissionados. A ideia é garantir economia nos gastos e valorizar os servidores públicos - os quais serão qualificados e analisados para assumir tais postos, que inicialmente ficarão congelados."
Já estou gostando desse prefeito.
Oposição prepara palanques para 2010
PPS é oficialmente oposição ao PT agora junto com DEM e PSDB? Ô loco.
Noticias de Gaza
70 mil iranianos se oferecem a ato suicida contra Israel
Jornalista palestino relata morte do pai durante ataque aéreo israelense
Hamas acusa Sarkozy de "total parcialidade" em favor de Israel
Toda notícia que vejo sobre o Sarkozy mostra ele condenando Israel e exigindo o fim do ataque. É o que o mundo inteiro quer, mas até aí, só o Hamas e meia dúzia de anti-semitas da esquerda acham que eles são inocentes. A mera noção de que eles não podem ser condenados moralmente por atacar Israel é das mais absurdas. É que nem falar que tal menina estava pedindo pra ser estuprada.
Eles atacaram e sabiam que ia ter resposta. Se Israel estava planejando a invasão há mais tempo, é porque qualquer país com inimigos próximos tem planejamentos assim. Alguém em algum lugar dentro do Pentagono agora deve estar planejando a invasão a Russia, não significa que vai acontecer.
Dito isso, o que horroriza o mundo são os inocentes que Israel está matando. E são um monte de inocentes e isso é imperdoável.
Agora atacar o Hamas? Eu acho que a pior consequência desses ataques de Israel a opinião pública é que alguém em algum lugar vai confundir esses terroristas com vítimas. O povo palestino é uma vítima de Israel e é por eles que pedimos a paz. Já o Hamas seria melhor se desaparecesse do mundo.
Os erros de Israel nessas semanas são incontáveis. Atacar o Hamas não é um deles.
Israel está sendo muito mais violento que o razoável e de alguma forma eles devem ser punidos por isso, mas a maior das piadas é quem acha que por algum motivo, uma organização que atira foguetes praticamente diariamente na outra não mereça ser alvo de ação militar.
Agora, o Sarkozy é a maior chance de um cessar fogo na região. Essa atitude do Hamas só prova que eles tem tão pouca consideração pela vida dos Palestinos quanto os Israelenses.
A paz não passa pelo massacre
Bom artigo, relatando muito de cruel que Israel tem feitos nos últimos tempos. E é muita coisa. Israel está completamente no caminho errado. Alguém disse em algum blog que esse lado "os dois estão certos", eu vou dizer que "os dois estão errados".
Israel não podia tratar a Palestina assim e o Hamas não podia responder com foguetes. Existe alguém no universo que achava que jogar foguetes em Israel acabaria com os bloqueios?
É ridículo dizer que a comunidade internacional estava calada. Israel estava sendo criticada há tempos. Mas dito isso, infelizmente essas coisas são complicadas. No mais, há algo que me pertuba.
Dizem que o mundo fica ao lado de Israel por ele ser algo de ocidente no Oriente Médio. Mas isso é errado? Seria muito mais fácil defender os países árabes contra as barbáries de Israel se eles não apedrejassem seus homossexuais, se eles não comemorassem nas ruas atos terroristas, se eles não fizessem protestos dizendo para cortar nossas cabeças.
Dito isso, sim, é errado o mundo ser mais rápido ao condenar os árabes do que Israel, mas há uma série de elementos irracionais aí. Os árabes vivem repetindo que não querem fazer parte do mundo ocidental, que não querem nossas leis, que não querem parar de apedrejar pessoas que nós consideramos dignas, que não querem nossas igrejas em suas terras, que não querem tratar suas mulheres de modo que nós consideramos digno. Então porque querem nossa proteção?
Relativismo não pode ser pela metade. Eles querem apelar ao relativismo na hora de aceitar direitos humanos, então tem que aceitar relativismo na hora que algum país relativo a nós faz alguma monstruosidade, como Israel tem feito.
O Estado de Israel a cada dia se torna uma vergonha maior para o povo Judeu e para o Ocidente, mas não dá pra estender humanidade a um povo que grita que não está interessado nos direitos humanos.
É um problema intelectual de muitas maneiras. Israel precisa começar a ouvir seus humanistas e os árabes precisam criar os próprios.
A guerra de civilizações é um choque de irracionalismos. É algo que só terá fim com a adoção universal das cartas de direitos humanos. Do jeito que é, é fácil ser desumano com os desumanos.
Acredito sim, que de algum modo, a forma como a Palestina trata suas próprias minorias é uma justificativa moral dos ataques Israelenses. Não quero forçar muito nessa linha de pensamento, pois ela quebra fácil, mas eis algo:
Porque nos preocupamos com as armas nucleares Israelenses e não com as Iranianas? Eu diria que é porque Tel Aviv realiza uma ótima parada Gay enquanto a legislação Palestina descreve 5 penas de morte diferentes para o homossexualismo.
Aceitar o homossexualismo, entre outras coisas, é sinônimo de civilização e respeito.
Israel aceita e, portanto, nós ouvimos seu lado com maior respeito.
Isso é altamente irracional de muitos pontos, mas nossa única arma contra a irracionalidade bairrista são nossos contratos, como as constituições e a carta de direitos humanos.
Rejeitar esses nossos contratos é uma ótima maneira de se tornar desumano a nossos olhos e, portanto, não merecer um tratamento humano.
Então mesmo condenando Israel, eu não consigo apagar o sentimento de que os apóio mais do que apóio os árabes.
Israel, Palestine and Gays
O problema é que a gente entra num briga de galo em que ninguém pode criticar ninguém.
Não pode dizer que o que Israel faz é um genocídio porque eles são vítimas de um, mas afinal, é. Existe em Israel limpeza étnica e não deveria ter sido ignorada o tempo que foi e depois que essa horrível poeira baixar, o mundo tem que aprender a ser bem mais duro com Israel e forçá-los mais a manter os seus acordos.
O que está acontecendo com a opinião pública e Israel é o que eu acabei de relatar que acontece com os árabes. Quem é desumano, logo deixa de ser tratado como humano. Mais um pouco e ninguém mais vai se importar com israelenses morrendo, aí Israel vai ter dado o tiro supremo no pé de seu maior projeto que é o de proteger os judeus do mundo.
Já o Hamas, aparentemente não podemos apontar que são os homofóbicos terroristas que são porque seria legitimar o ataque de Israel. Tem quem diz que não dá pra aceitar o argumento dos foguetes porque eram foguetes feitos a mão que só destruíam casas sem matar ninguém.
É, muito melhor, puxa vida. Já que seu foguete só vai explodir minha casa, então pode atirar. Explode, mas não mata, né?
Mas a verdade maior é que essa masturbação intelectual é assunto para os tempos.
Agora os ataques têm que parar. Como sempre, eu sou da tendência que a paz se alcança conciliando os lados.
Mas é só ver a blogosfera mundial para saber que não há conciliação, é um nós vs eles inescapável.
E quem tem orgulho de dizer que é anti-Israel há 25 anos parece assustadoramente orgulhoso em exibir as fotos de crianças mortas, como se sorrindo o apocalipse profetizado.
Há cada momento em que Israel se torna mais desumano, os intelectuais anti-Israel se desumanizam junto.
É preciso um antagonista para ver quando estamos felizes em relatar tragédias. Tenho certeza que os meus percebem os meus surtos de desumanidade aqui, mas eu sou alguém que tenta reprimir pouco a irracionalidade. Quero estudá-la.
Vejo vocês irracionais e a sua alegria em ver as chamas. E, diferente de mim, vocês se esforçam em esconder.
Amorim reitera pedido de cessar-fogo a Israel
Engraçado, há um tempo atrás, o Brasil fez uns acordos comerciais com o Irã e foi criticado por Israel. Algumas pessoas, geralmente muito profissionais, educadamente pediram para Israel calar a boca porque nenhum país, supostamente, pode opinar no assunto dos outros.
Quem chamou o Brasil mesmo pra dar opinião sobre Israel?
(PS: Eu acho que o Brasil está mais que certo em pedir o cessar-fogo e tem todo o direito de fazê-lo, mas também tinha Israel em nos condenar pelos nossos acordos com o Irã)
Blog do Pedro Dória
A voz mais sensata da blogosfera brasileira nesse conflito.
Chamado de "jornalistazinho" por não ser tomado por fúria cega.
Muito mais sensato que eu, que também tenho minhas fúrias com a situação.
Especialmente porque ainda considero os conflitos na África a situação mais importante que deveríamos estar prestando atenção, deveríamos estar condenando a China muito mais duramente que estamos (não fomos capazes de boicotar uma mera Olimpíada para impedir massacres diários), por fim, acredito fielmente que Israel é a esperança de democracia no Oriente Médio, então eu tendo a olhar mais ternamente pra Israel do que Israel merece.
Dois bons artigos de 30 de Dezembro repetem a mesma frase.
Israel deve saber quando parar
War Without End?
Is Israel too imprisoned in the familiar ceremony of war?
Aparentemente não sabe.
A estratégia agora parece ser a de efetivamente ocupar Gaza e aguentar a insurreição que os americanos mal aguentam no Iraque.
Ninguém acha que a estratégia vai funcionar e ninguém quer que funcione. Território palestino é território palestino. O enorme erro do Ocidente vai ser sempre o de não deixar isso claro para Israel e o erro histórico de Israel que vai persegui-los como o holocausto persegue os alemães é o de não perceber isso.
Cada criança morta e Israel se torna menos ocidental, mais alien, mais inalcançável, difícil de compreender e de se comunicar. Cada vez menos parece um dos nossos que fez algo de muito errado (como os Americanos e Ingleses na guerra do Iraque) e cada vez mais parece um povo estranho, um "deles" lutando contra outro "eles" e que é incapaz de raciocinar como nós raciocinamos.
Se Israel se tornar, de fato, um "eles" com armas nucleares e nós começarmos a vê-los como uma ameaça.
Será que daqui 20 anos, como consequência do que ocorre hoje, uma mãe brasileira pedirá ao filho que tome cuidado ao andar perto da Sinagoga porque eles fazem parte daquela gente com armas nucleares que causou tanto sofrimento injustificado no Oriente Médio?
Se nossa esperança no potencial de Israel para trazer a democracia cair, basta mais do que uma eleição norte-americana para que eles se vejam sozinhos entre milhões de vizinhos furiosos?
A minha pergunta para Israel não é nem porque eles atacam.
É simplesmente porque eles não nos ouvem quando pedimos o cessar-fogo?
Não confio na razão humana, é uma tola brincadeira genética, mas será que perdemos a habilidade de nos comunicar dentro de nossa própria tribo?
Meu medo, meu grande medo, é Israel estar incomunicada.
De incompreensível para perigosa é uma passo que eu tenho o maior medo que o Ocidente dê.
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