Um daqueles paradoxos divertidos da era da internet, onde temos um lugar particular que desenvolvemos para ficar sozinhos enquanto nos expomos voluntariamente para todo tipo de gente estranha e má que queira ver.
quinta-feira, abril 19, 2007
Crítica da crítica da crítica
Dar minha opinião sobre qualquer assunto em questão.
Então vamos lá a algumas coisas que me incomodaram no post do cunha sobre a resenha do garagem hermética.
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Primeiro, o Cunha fala da falta de reação dos envolvidos no projeto em relação a crítica, mas ora, crítica não é pra ter reação pública, ficar respondendo a críticas parece tentar concertar uma história depois que ela foi escrita, ou a história e o projeto passam o que deve ser passado ou não passam, a postura em si de querer responder ao crítico já parece, pra começo de conversa, que não existe nenhuma dessa boa vontade em aceitar crítica negativa.
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Sobre o prólogo do Eterno, eu acho que a crítica do Oliboni acertou em cheio, de fato, não dá pra saber do que se trata a história, ela termina de forma pouco clara de propósito, afinal, é só um prólogo, mas como nós não dissemos prólogo do que que era, ninguém é obrigado a saber e pra qualquer um fora do nosso mundinho deve ter ficado realmente confuso.
O problema da falta de informação não é que faltou, na história em si, informação; já que não era proposta da história em si dar essa informação, o que faltou foi uma introdução dizendo tipo "olha, isso vai continuar", senão fica que nem aquelas pessoas saindo do senhor dos anéis 2 sem saber que vai ter uma continuação, pensando que o filme termina na metade, claro que LotR teve toda um marketing deixando bem claro que é uma triologia, mas e a gente? A gente deixou isso claro pra qualquer um que pegue a revista? Se não, então a crítica dele é totalmente certeira.
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Depois vem a questão da proposta e mais do que no post do Cunha, isso me chateou nos comentários, primeiro do Cadu que disse " Mas que tipo de reação vc esperava? O Oliboni aponta como erro algo que é justamente a proposta da revista. (...) a crítica dele de nada vale pra gente." e desse Edu Mendes que eu nem sei quem é, mas que escreveu "A "resenha" do Oliboni desmonstra que ele nunca entendeu a proposta da revista.
Além do mais, eu nunca chamaria o texto dele de crítica, já que as opiniões que ele expressa raramente são fundamentadas ou amparadas em algo. Pra mim, no máximo, é uma opinião, não uma crítica."
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Primeiro, qual o problema em criticar a proposta? Isso parece de novo querer mascarar algo atrás de outro algo, é como aquela gente que faz quadrinhos de humor com o único propósito de, caso alguém criticar, poder dizer "ah, mas é de humor, é pra ser tosco mesmo".
A crítica do Oliboni, na minha opinião, é muitissimo bem vinda.
"Para explicar melhor isso, basta analisar a capa feita por Camila Torrano. A ilustração mistura diversas referências e estilos, mas eles harmonizam entre si, as linguagens visuais se complementam e formam um todo que funciona como algo novo. É isso que falta para a Garagem: encontrar um foco que dê uma liga entre as histórias.
A proposta de ter vários estilos é ótima, mas, apesar de estarem todos agrupados em uma mesma "casa", eles não "convivem". Qualquer leitor pode gostar de uma ou mais histórias, mas não conseguirá ver um conjunto. Assim, continuará curtindo o mesmo estilo de que sempre gostou e não aprenderá como outras idéias podem se conectar.
A Garagem Hermética segue por um perigoso caminho: o de agradar o leitor, mas não o cativar. Justamente por não prepará-lo para entender sua proposta, para gostar tanto de um traço mais torto, mais estilizado, quanto de um desenho "convencional". Isso dificulta a criação de um público para a revista."
Ignorar o que foi muito bem escrito acima numa acusação de que ele não entendeu a proposta da revista não tem base.
Ele entendeu a proposta da revista perfeitamente e criticou exatamente o fato de não soubermos ter utilizado a proposta direito.
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Afinal, vamos falar em frases mal pensadas.
"Além do mais, eu nunca chamaria o texto dele de crítica, já que as opiniões que ele expressa raramente são fundamentadas ou amparadas em algo. Pra mim, no máximo, é uma opinião, não uma crítica.""
Primeiro: TODA crítica é uma opinião, se você acha que exista e crítica "fundamentada" e "amparada" em algo além da experiência subjetiva do autor é entrar no reino mágico da crítica neutra e imparcial, para encontrar lá papai noel estuprando o coelhinho da páscoa por causa de uma aposta de jogo.
Segundo: A fundamentação da crítica é a experiência do Oliboni com fanzines cujas propostas são o de colocar diversos autores na mesma revista e ele certamente viu outros desses antes, então se ele diz algo que sequer passou pela minha cabeça (mas que agora concordo plenamente), ou seja, " A Garagem Hermética segue por um perigoso caminho: o de agradar o leitor, mas não o cativar." é porque ele já viu isso acontecer ou algo na experiência dele diz que isso vai acontecer; não é um juizo a priori, ele não sentou na cadeira dele e disse "ahn, acho que isso não vai criar público", ele entende do que resenha e se a proposta da revista é uma incapaz de cativar o público apesar de agrada-lo, então que tenhamos isso em mente, como algo próprio da proposta, ao invés de dizer que a resenha não nos serve ou que ela é mal fundamentada.
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Então, já que era pra se expressar sobre o assunto, aqui está a minha opinião, as críticas a crítica foram totalmente mal fundamentadas e dizer que elas não servem é ou abraçar as falhas da revista e seguir em frente com elas ou fingir que tais falhas não existem; o primeiro caminho é uma escolha, o segundo é simplesmente um erro.
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EDIT: (resposta ao comentário porque o grilo tem um milhão de blogs e eu não sei pra qual responder)
Ele não simplesmente disse que a proposta era falha, ele só disse que a revista está dispersa demais, das que você citou eu só conheço a heavy metal, mas há de se convir que quando você pega uma história da heavy metal, ela tem aquele feeling de heavy metal, ela é ou dark, ou noir, ou cyberpunk, sci-fi apocaliptico, enfim, é sempre algo "adulto" e "negativo" que é amplo o bastante pra permitir qualquer tipo de história estranha, mas ainda assim é uma característica.
Não to falando pra mudar a proposta da garagem, (o Oliboni talvez esteja, but oh well), como escritor da revista, eu adoro a liberdade de poder fazer a história que eu quiser e eu acredito que tem muita gente que gosta de pegar a revista sem saber o que vai esperar (sabendo apenas que vai esperar qualidade), eu só to dizendo que o Oliboni apontou umas coisas verdadeiras sobre ela e eu achei de extremo mal gosto simplesmente jogar a crítica dele fora só porque foi negativa.
De que serve uma crítica dessa? Pra mesma coisa que serve toda crítica, pra saber como que as pessoas de fora olham pra revista, não é um guia de como mudar a revista, ela pode ser totalmente ignorada no sentido de "o que vamos fazer na próxima revista?", mas ignora-la no sentido de "ela diz coisas que não concordamos", isso não existe.
quarta-feira, abril 18, 2007
Evolução
Eu não sei o quão certo eu estou sobre isso, mas eu sempre vi o resultado de evolução como aquilo que sobrevive, não necessariamente aquilo que é útil, simplesmente o que sobrevive, então a evolução é muito boa eliminando aquilo que atrapalha a sobrevivência, mas não necessariamente tão eficiente em criar o que é útil.
Digo isso porque às vezes vejo gente se perguntando qual seria a finalidade disso ou daquilo, no sentido de, "porque a evolução agiu dessa forma?" de uma forma muito parecida com que falam "como que isso se encaixa no plano divino?"
Acho que sempre que se perguntarem qualquer "porque" pra evolução, seria legal colocar na listinha de respostas um "pra nada, simplesmente sobreviveu".
quinta-feira, abril 12, 2007
Porque jamais fariam um seriado sobre filósofos (ou historiadores, sociologos e intelectuais do tipo)
Séries com advogados e médicos dão certo porque em ambos existe um juiz.
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No tribunal, um lado ou o outro vence e that´s that.
No hospital, o paciente vive ou morre, não há escolha.
Agora no trabalho intelectual, as conclusões se arrastam por anos, talvez séculos e nessa ou naquela questão pode durar até milênios.
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Uma série com intelectuais só teria alguma relevância em momentos historicos muito especificos, mas diferente das séries sobre médicos/advogados/policiais, nunca seria possível mostrar o processo de investigação.
O máximo que pode acontecer seria tipo, o historiador percebe a história se repetindo no que seu país comete erros do passado e busca chamar atenção das pessoas para isso ou o sociologo ou economista que vê o quão fodidas estão as coisas e precisa lutar para ter suas idéias divulgadas.
Isso poderia dar uma boa série contanto que siga as regras das demais, que o intelectual seja excêntrico de alguma forma.
De qualquer forma, filmes com esse tema foram feitos já e geralmente são filmes bons, o dificil é transformar em uma série, é mostrar como cotidiano e emocionante a vida de alguém que tenta provar suas teorias sobre os rumos da humanidade.
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Uma série sobre um filósofo poderia facilmente tomar o irritante ar de uma série bonitinha onde o sujeito que vê o mundo de forma diferente vai acabando com a nuvem de ignorância e obscurantismo das pessoas enquanto viaja por aí ou algo do tipo, isso pode dar levemente certo se for um personagem de uma série maior, mas ninguém aguentaria temporadas e temporadas desse tipo de sujeito.
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Mesmo porque, quanto as personalidades dos filosofos, elas se dividem em dois tipos:
O otimista e o pessimista.
Essas duas classificações não tem nada a ver com idéias, é algo puramente das personalidades. O otimista é geralmente alguém que acha que as gerações futuras vão saber algo que ele não sabe ou que as gerações futuras vão aprender algo que ele sabe, de qualquer forma, o otimista nunca está presente e ele tem aquela imagem de sujeito olhando sorridente para o céu, imaginando um mundo melhor para todos onde a razão dominará e destruirá as trevas do obscurantismo bla bla bla tédio.
O pessimista (que é um tipo de filósofo relativamente recente, que, por motivos óbvios, só poderia ter surgido depois de Kant) é aquele que acha que a humanidade está condenada a ignorância, sempre presa por suas limitações, que com muito esforço podem apenas ser parcialmente superadas; esse tipo de filósofo pode ser completamente pessimista a ponto de achar que todo o exercicio filosófico é um esforço inútil ou simplesmente de achar que A solução universal de todos os problemas é inalcançavel, mas que com esforço podemos eternamente ir caminhando em direção dela.
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Na verdade, isso tudo tem o propósito oculto mais imbecil de todos:
Eu acho que eu me pareço muito com o House e eu adoraria de ver uma série sobre minha vida, ou pelo menos sobre a vida de alguém que escolheu um rumo parecido com o meu.
House é provavelmente o melhor personagem que existe e a questão toda é uma que, as primeiras vezes que você assiste a série, parece que você saca o personagem inteiro - ele é mal-humorado - depois com o tempo, uma coisa muito interessante vai aparecendo.
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O ponto neutro do House é que ele é triste, só que ele não é de todo mal-humorado, digo, ele está sempre fazendo piadas, ele é constantemente sarcástico, a tristeza dele vira algo comum e todo o humor da série está justamente nessa tristeza (a não ser aquelas raras vezes em que ele cruza a linha e de mal-humorado se torna simplesmente cruel).
A melancolia está sempre nos pontos em que ele busca a felicidade; primeiro porque significa que ele está abandonando um lado importante de si próprio e depois por causa simplesmente da dinâmica incrível do roteiro e da direção, quando ele está completamente insensivel em relação a seus pacientes em condições graves, então ele está sendo engraçado, quando ele se torna uma pessoa comum e de fato se sensibiliza com aqueles pacientes, a coisa se torna meio agridoce, no sentido em que por um lado é bonito, mas por outro é triste porque sai da dinâmica da série, a doença deixa de ser uma curiosidade e, mesmo que solucionada, se torna uma doença.
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Agora, a impressão que eu tenho do House é que seria muito interessante colocar esse personagem na função de um filósofo, sempre mal humorado e grunhindo, só que aí que está, ele é o único personagem do mundo que funcionaria como um filósofo e eu não sei se daria uma série legal.
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A questão é que esse ponto é inegável.
Seu normal (e feliz) deveria ser o pessimista que ri da tola humanidade que acha que tem respostas e o deprimente da série deveria ser encontrar alguém que de fato tem alguma resposta.
O antagonista típico do filósofo, por exemplo, é o crente.
O crente é antagonista até do filósofo cristão, porque o crente ENCONTROU a verdade e daí que ele está errado? Subjetivamente, o verdadeiro crente, não tem nenhuma das dúvidas que o filósofo tem; o pobre imbecil não está em contato com nada senão seu delirio inutil, mas eis que ele anda feliz pela rua enquanto o filosofo está deprimido por estar cercado por esse mundo que não compreende.
O filósofo cristão entende a importância da fé, mas isso não muda que ele procura algum respaldo na realidade, que por mais fé que ele tenha, nunca vai ser tanta fé quanto a do simplesmente crente, porque o sujeito verdadeiramente crente acredita em Deus por mais que a realidade berre o completo oposto, já o filósofo cristão precisa encontrar algum eco dessa causa primeira na realidade, ou isso ou ele separa sua filosofia da sua fé.
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Ou seja, uma série sobre um filósofo teria que mostrar alguém com uma visão radicalmente diferente da vida num meio completamente adverso.
Ainda nos exemplos óbvios, o do ateu em uma comunidade religiosa (mas também pode ser do religioso no meio de ateus); de qualquer forma, ele tem que ser constantemente desafiado pelo meio em que vive, mas ele tem que dar alguma forma de mostrar que a filosofia vale a pena ser estudada, o que é muito dificil, eu consigo imaginar rarissimas situações em que alguma coisa acontece e alguém diz "eu só sai bem dessa graças a filosofia" (mas talvez eu não esteja pensando direito), sem contar que ele precisa arranjar um motivo para a sociedade acreditar que ele é útil mesmo a desafiando; ou seja; temos que dar uma função utilitaria para o filósofo e todos sabemos o quão furado é isso.
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Nota que eu estou dispensando "trapaças", ou seja, tanto o House, como o Grissom do CSI poderia ser "filósofos"; bastaria que eles jogassem uma citação ou outra fora de contexto ou fizessem alguma obsefvação metafísica qualquer, o que de certa forma já ocorre.
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O que eu quero aqui é saber se uma série sobre um filósofo daria certo.
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Uma coisa poderia fazer a série ficar mais interessante (mas isso tem pouco a ver com filosofia): o próprio filósofo ser misterioso de alguma forma.
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Ele poderia chegar em uma cidade estranha com sua forma estranha de ver a vida e aos poucos dissipando a obscuridade E falso otimismo daquele povo (lembre-se, ele tem que pessimista e otimista AO MESMO TEMPO).
A questão é que eu tenho alguns "momentos House" que eu gostaria de preservar numa série; ou seja; aquele momento de todo episódio em que ele está parado sem resposta, então alguém diz algo que não tem absolutamente nada a ver com o contexto que o faz ver a coisa de uma forma completamente diferente e solucionar o mistério por olhar aonde ninguém estava olhando.
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Então ele não poderia ter respostas, todas elas; a sociedade não poderia desafia-lo simplesmente no sentido tosco, ou seja, perseguindo com tochas aquele demônio que quer destruir sua tradição circulas e inculta; ela teria que por ele a prova intelectualmente, suas convicções, seu estilo de vida.
E no último momento, quando nosso herói estivesse perto de sucumbir a tentação de abandonar a filosofia em prol de algo mais "útil", ele veria algo que ninguém vê e manteria orgulhoso seu estilo de vida.
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Esse último paragrafo funciona em todas as histórias do universo (substitua "a filosofia" por qualquer coisa importante para o herói), a idéia seria pensar que tipo de situação que poderia criar algo assim em termos de filosofia, se é que existe tal coisa.
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Tentando dar uma importância maior pra essa coisa que realmente tem, mas acho que se alguém (aham) conseguisse escrever uma série onde esse impulso do filosofar é posto a prova, então acho que conseguiriamos entender exatamente porque a filosofia é tão importante para a humanidade.
Ela certamente não o é em um sentido cotidiano e instrumental da coisa, a filosofia não é uma ferramente que você usa pra isso ou praquilo; mas se não existisse esse impulso, a humanidade jamais avançaria, porque a única coisa que permitiu, não só a ciência, mas também a moral e a legislação a chegar no ponto que chegou hoje é o ato de pensar além dos limites considerados razoáveis.
A questão é; esse impulso persiste em um ambiente completamente hostil a ele?
E muito mais importante; quantas temporadas de uma série semanal com episódios de uma hora duraria o impulso filosófico?
quarta-feira, abril 11, 2007
segunda-feira, abril 09, 2007
Um post bom.
Eu estava escrevendo outro, mas ele estava arrogante demais e eu não sinto vontade de fazer isso, por um lado eu não me sinto tão merecedor de tanta arrogância, por outro eu quero me convencer que eu sou uma pessoa boa e todo o lance do post arrogante era esse, mas eu não quero me convencer que eu sou bom no estilo malandricus da coisa (ou seja, "eu sou um escravinho ridiculo que queria ter testiculos de verdade, mas não deu certo, então eu jogo rugby e finjo que isso significa qualquer coisa"), mas eu quero ser bom no sentido de ser alguém que eu tenha orgulho.
É dificil isso, colocar em si mesmo a expectativa de ser alguém que você admira, porque afinal, você não vê os podres dos seus heróis ou suas memórias ruins e mesmo que veja, a gente perdoa muito mais fácil o erro das pessoas que já admiramos, agora criar uma admiração por si próprio é dificil porque você tem erros empilhados em erros e um minimo de coisas boas no que se espelhar.
Sem contar isso, o quão ridiculo é tentar se espelhar em si próprio, mas é o ideal acho... sei lá, realizar alguns atos bons e então se espelhar no sentimento bom que eles criam (afinal, um ato nobre que seja que não gera um bom sentimento não pode ser chamado de um "ato bom") e usar isso como impulso para continuar.
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Ou como Goethe diz (vi hoje na versão extendida do Quase Famosos) "Seja corajoso e forças poderosas te ajudarão".
Recentemente eu tenho me tornado mais aberto a esse tipo de mística porque eu estou desligando esse lado mais espiritual do universo de qualquer moralidade cristã que exista. Então existem essa série de valores, sei lá, "pagãos" (é que TANTA coisa é dita pagã, mas afinal, no que eu elaborar vai ficar mais claro que não tem nada a ver com esse povo wicca que são simples cristãos remanejados) e chega a fazer mais sentido que o universo esteja alinhado com eles.
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Então enquanto a ousadia, a ferocidade e a honra são dispensados no plano cristão, eles são admirados nesse outro universo, que é um universo que favorece força e ousadia.
A questão toda é estranha, na verdade, porque eu também to pegando muito da "mística" do Schopenhauer, e é interessante porque Nietzsche diz que Schopenahauer meio que ressucita ("alça ao trono") uma maneira antiga de pensar que dizia que todas as coisas faziam parte da vontade desse ou daquele ser, mas o que Nietzsche, pelo menos nesse aforismo, despreza é que diferente dessas religiões, a Vontade schopenhauriana está em conflito com a vontade individual.
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Então eu acho legal essa maneira de pensar (resta saber se é certa, mas ah, deixa eu só achar legal hoje) de que existe uma vontade do universo, existe um fluxo, mas que essa vontade ela quer sua morte, ela quer te absorver em si própria, então ela luta contra você e o pensamento religioso geralmente diz pra você deixar ela te abater, pra você "ir com o fluxo" e eu ainda não cheguei na parte em que Schopenhauer recomenda o que fazer, mas o que eu posso dizer é que manter o conflito é uma coisa boa, porque o livre-arbitrio, afinal de contas, existe, mas ele é algo que pode ser muito facilmente ignorado, basta você seguir o fluxo.
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Não é uma questão de entrar em conflito direto com o universo só pelo prazer da batalha, (sentir prazer na batalha é uma noção ridicula, criada por gente que quer convencer os outros a lutar suas lutas particulares, algumas pessoas são viciadas em vitória e por essa possibilidade elas se entregam a batalha por qualquer motivo besta que seja, mas eu quero ver o prazer que elas sentem na batalha enquanto são abatidas.), mas é uma questão de que a sua vontade não é simplesmente um teco da vontade universal agindo em você, ela é uma parte diferente (se não fosse, saberiamos sem nenhum problema a teleologia toda), de qualquer forma, existe, nas suas mãos, a chance de fazer seu próprio destino, independente da Vontade universal, às vezes você pode dar sorte e ir pro mesmo lado, mas é provável que vez ou outra você tenha que entrar de cabeça contra o fluxo, faz parte do jogo.
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Falando em jogo, aliás, eu diria que achar seu caminho na correnteza é a única esperança que temos de sair desse jogo.
Se você simplesmente segue o fluxo, então, bem, você segue o fluxo e não tem como saber pra onde isso vai, vai saber se o fluxo não acordou de mau humor e decidiu que todos devem pegar em facas e matar os outros ao seu redor, não vejo nenhum lugar dizendo que o fluxo vai pra um lugar pacifico e bom senão religiões mesmo que se especializam em wishful thinking.
Se você vai contra o fluxo, você está sempre na batalha, sempre se quebrando, sempre ficando cansado e, claro, você evita cair de cima das cachoeiras de cabeça nas pedras, mas por quanto tempo?
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Se metáfora vale de alguma coisa (e raramente vale), então a coisa da vontade universal ser um rio, a solução parece se segurar numa margem. Ficar paradinho e não ir nem contra e nem a favor, mas isso derruba todo o ponto, se é pra eu deixar o rio decidir o meu curso, eu pego o caminho mais tranquilo e caio da cachoeira.
A questão é que a sua vontade ela não é o seu impulso primeiro... não sei... pode até ser, mas ela é toda misturada, eu não caio nessa de que seu corpo age primeiro e só depois sua cabeça vai racionalizar a ação, isso acontece, mas certamente não é a regra, a gente não escolhe, por exemplo, com quem vai se casar (blergh) por algum instinto (já viu aquela gente dizendo que escolhemos parceiras pensando na reprodução, engraçadissimo né? É engraçado porque não tem nada a ver), a gente pensa no assunto e a vontade ela é parte dessa equação (e sempre vamos dar uns pontos automaticos para o que a vontade diz, mas de nenhuma forma significa que nós a obedecemos, a não ser que estejamos falando de multiplas vontades dentro de si mesmo, mas aí fica tenso demais pra mim, um passo por vez), mas de nenhuma forma você segue apenas sua vontade ou apenas sua razão ou apenas qualquer coisa que seja.
As coisas são relativas, não relativas ao nada como os imbecis dizem (tudo é relativo, diz um imbecil [que não é o Einstein, mas as pessoas que usam a frase fora de contexto] e aí você pergunta "relativo a que?" e o imbecil não sabe a resposta), qualquer coisa depende de muitas outras coisas pra acontecer e com nossas decisões é o mesmo, dizer que é instinto, livre-arbitrio ou vontade é sempre limitante, você sempre acha contra-exemplo, de forma que a única solução mesmo é misturar isso tudo, até conflitar essas coisas, de nenhuma forma o que eu faço é uma soma do meu instinto com o meu livre-arbitrio com a minha vontade (senão seria tudo uma coisa só), então eu tenho o instinto* de sobrevivência e também a vontade de sobrevivência e racionalmente, sobreviver faz sentido, então suicidio é uma possibilidade remota; já eu tenho o instinto de preservação da espécie, alguma vontade de preservação da espécie e racionalmente ela não faz nenhum nexo; assim nós vamos conflitando ou cooperando essas coisas no que elas importam; sua vontade ou seu instinto não importam nem um pouco na hora de fazer uma conta matemática, então é algo puramente racional; quando lidamos com teorias (mesmo matemáticas e cientificas) que você não tem 100% de certeza e que sua racionalidade, no momento pelo menos, não alcança; então o mais provável é que sua vontade que é quem vai decidir a parada; já o instinto não faz parte da razão, embora ele a pegue emprestada de vez em quando pra te convencer a fazer coisas, assim como a vontade; então o instinto quer se alimentar, mas você não está nem perto de morrer de fome, então ele usa a razão pra criar um silogismozinho do tipo "se eu não comer, então eu morro" ou "então eu vou ficar com mais fome" ou "tal comida é bem gostosa", enfim, a vontade faz isso mais claramente, então você quer ficar em casa, aí você fica pensando "ok, se eu faltar não tem problema porque não tem lista de chamada", isso é a vontade pegando sua razão emprestada, porque puramente racional você faria todas suas obrigações e tudo que é bom pra sua sobrevivência, mas o lance é que a razão não quer nada senão fazer sentido, então a razão ela fica se degladiando entre ser ferramente pro instinto, pra vontade e pra fazer sentido; então a razão te impede de se demitir pra comer um cachorro quente meia hora mais cedo porque isso não faz nexo e a razão te impede de gastar todo seu dinheiro em entretenimento porque isso não faz nexo também, afinal, as duas coisas arriscam sua sobrevivência desnecessariamente ou por motivos banais e, afinal, razão = egoísmo, porque auto-preservação é a coisa que mais faz sentido no mundo, pelo menos pra razão, porque se você não vive, então você não pensa, racionalmente o suicidio só faz nexo se você conseguir provar que não tem mais nada no que pensar, porque mesmo que viver seja fútil, você tem que viver, nem se for pra pensar que viver é fútil; já vontade de se matar tem dia que não falta, mas é da natureza da vontade se livrar do sofrimento (que graça, eu to ligando as teoriazinhas todas, sempre soube que tinha talento pra isso, tipo, misturar um milhão de coisas diversas e fingir que é um pensamento original, tipo a história que eu escrevi, que eu misturei band of brothers com dungeons and dragons e eu vou misturar isso com bob dylan e com chuva contra o vento, que já deve ser uma mistura de outras coisas, talvez de mim mesmo com 10 pãezinhos, vai saber, afam, voltando), então é por isso que é tão fácil perder a razão, porque afinal, ela é um instrumento pra sua vontade e pro seu instinto (que, vale lembrar, podem muito bem fazer você fazer coisas sem ela) e a única coisa que ela quer é se auto-preservar (e ela faz isso sendo lógica), talvez seja pela natureza da razão querer se auto-preservar que é justamente ela que cuida da nossa auto-preservação; afinal, ela se preserva sendo lógica e nos mantendo vivos; já a vontade não precisa de nós, ela é parte de algo maior, da Vontade universal do começo do post, a vontade da vontade individual, no caso, é o de manter sua unidade e pra fazer isso ela precisa que você fique vivo; voltando a analogia do rio, a vontade no seu corpo é como água dentro de um copo e você pode colocar uma etiqueta escrito "Rodrigo" nesse copo e fica tudo de boa, não é só mais água, é a água do Rodrigo, é uma água particular, individual; mas aí se o copo quebra e a água cai no esgoto e volta pro rio, ela fica sem importância de novo; só que no caso, esse é um rio-monstro que fica tentando quebrar o copo pra ter sua água de volta, mas enfim, a gente ta explodindo minha pobre metáfora (tadinha dela), mas por vontade que a vontade particular tenha de manter sua unidade, ela não depende disso pra viver (diferente da razão, lembrando) e existe o quanto ela aguenta lutar contra o rio-monstro, até que ela de fato desencana e a vontade de viver (e, por consequência, de todo o resto) some; no que diz respeito ao instinto, você é útil enquanto tem um papel pra desempenhar na conservação da espécie, então ele te usa enquanto você não procria, claro que o instinto sendo algo tão intimo do corpo (talvez não haja nada de instinto no espirito, mas vai saber), ele não tem *para* de funcionar depois que a gente tem o terceiro filho, ele vai indo, se alguma coisa ele fica menos determinado e com o corpo envelhecido, ele fica menos ativo também, mas de qualquer forma, ele existe enquanto existe corpo.
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Então aqui a gente indentificou três coisas: Instinto, vontade e razão.
Instinto é como a biologia mantém a espécie
Vontade é nosso pedacinho particular da alma do universo (que frase besta)
Razão é uma ferramente lógica (mesmo que ineficiente)
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Desses, o instinto tem plenamente a ver com o corpo, talvez o instinto seja o corpo de certa forma.
A vontade é algo que tem a ver com o espirito, acho que Schopenhauer "pretty much nailed" o que tem a dizer sobre ela e eu nem vou fingir que consigo resumir aqui.
A razão é algo que tem a ver com a mente.
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A questão é as três coisas ficam brincando entre si, então a mente está no corpo de certa forma (cerebro gentem, dãr, né?) e é inseparável desse, que é o motivo pelo qual somos egoístas, o instinto é algo que está mais no DNA, então como DNA é um lance que tem em todas as células, faz sentido ainda dizer que corpo e instinto são meio que a mesma coisa, mas da mesma forma que seu DNA fica com seus pimpolhos, o mesmo ocorre com o instinto, já a vontade tem suas próprias maquinações e quem sabe qual é, de qualquer forma, em nós, ela é individual e com uma dose muito grande de meditação e auto-conhecimento, nós talvez tenhamos alguma chance de descobrir qualé a dela, mas de qualquer forma ela tem seus próprios planos e ela te usa pra eles; visto o tipo de coisa que temos vontade de fazer, eu diria que ela quer simplesmente se divertir, talvez o fluxo do universo seja algo entediante e uma vez que a vontade é vontade, não seria dificil de acreditar que ela aproveitaria os seres vivos para tirar umas férias, engraçado que sempre pensam que somos instrumentos pra uma vontade universal, mas quem sabe, talvez sejamos instrumentos justamente para fugirmos dessa vontade e dançarmos a vontade, but well, who knows, eu não conheço nem minha vontade (no momento ela só quer fazer um post bom), quem dirá a vontade universal.
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Agora eu percebo que eu entrei num problema cristão básico, porque enquanto tudo era Vontade, era fácil, tudo partiu da vontade, quer voltar pra ela, estamos de boa, agora nós temos três coisas, que conflitam e cooperam, é dificil achar um inicio; a vontade ainda parece uma boa aposta, mas aí teriamos que dizer que ela criou seres vivos como colônia de férias, mas que algo deu errado e a gente desenvolveu instinto e razão (e livre-arbitrio, que talvez não faça parte nem de um e nem de outro, que é outra coisa completamente diferente; outra ferramenta; ou é um sub-produto das outras três), porque veja bem, se algo não tivesse dado errado, nós seríamos seres de pura vontade e, como vimos nesse post que revoluciona a filosofia, isso não rola, eu até aceito a idéia de que a vontade crie instinto pra que seu parque de diversões se reproduza, mas a razão fica de fora, talvez a razão seja uma ferramenta pra que nem um, nem outro tome controle; ou seja, para que o instinto não se torne outro tédio de fluxo e o parque de diversões perca seu sentido e para que a vontade não cause a extinção da espécie; isso faz sentido se você for ver que a razão é de fato uma mera ferramente enquanto as outras duas coisas tem suas maquinações próprias e, afinal, egoísmo é um bom meio-termo entre diversão e preservação da espécie.
Mas ainda tem um elemento humano aí que não pode ser explicado puramente por forças universais, o qual eu esqueci, mas juro que tava na ponta da língua, (céus, aflição, eu não lembro), ah sim, lembrei, é a questão da individualidade; nossa idéia de busca pela felicidade é diferente e é um conceito bem complexo, se a gente for cair no misticismo de boteco do Rodrigo de acreditar que somos transatlanticos da vontade em férias, então teriamos que acreditar que assim que um teco da vontade vê a oportunidade de se desprender do todo e se tornar algo, ele também passa a ter propósitos diferentes do todo; o que afinal, é o começo desse post, a vontade individual ela briga contra a vontade universal, elas não são diretamente opostas, mas são certamente diferentes.
E sem contar que, de fato, existe o livre-arbitrio, que é também daonde surgiu essa conversa dessa trinidade, que, de fato, o sub-produto dela parece dar ao livre-arbitrio sua direção, mas não sei se é só isso.
É possível ir contra a razão, o instinto e a vontade ao mesmo tempo? O suicidio parece levar a crer que sim, mas acho que eu já expliquei o suicidio aqui, é simplesmente a razão não vendo mais propósito para si própria, o instinto perdendo a esperança de passar para a prole e a vontade achando que a viagem ficou tão desagradavel que vale a pena voltar ao uno, mas e a questão do aprendizado? Eu só tenho vontade de Playstation 3 porque eu sei que ele existe, será simplesmente a abstrata vontade por "diversão" escolhendo o Playstation 3? Mas ela faz isso baseada, também, no meu hábito, porque eu jogo videogame desde pequeno e eu comecei a jogar videogame por uma questão social, então será que a vontade meramente dá o abstrato impulso da busca pela felicidade e permite que nós escolhamos o motivo? Eu sei que a vontade é algo dentro de mim nesse momento, atrás da minha cabeça, me olhando, mas eu por algum motivo imaginei ela mais malvada que isso, talvez seja coisa de desenho animado demais, mas é estranho pensar numa vontade boazinha que diz "fiote, quero ser feliz, você decide como", embora faça certo sentido, separada do uno, talvez a vontade se sinta meio perdida e não saiba mesmo o que fazer, apenas supervisionando nosso trabalho e nos deprimindo quando fazemos ele errado.
Será que eu estou dando uma forma humana demais pra vontade? Se ela é como Schopenhauer diz, então ela tem pensamentos, eu disse algumas vezes nesse post "a vontade da vontade", mas isso foi um erro, porque isso dá um carater mais racional a ela do que deveria ter, a vontade ela simplesmente age, a não ser que estejamos falando da vontade de outra coisa que se sente entediada no fluxo universal e quer umas férias, aí a gente volta a colocar a Vontade como primeiro movimento, porque essa coisa sente vontade, ou as mônadas dessa coisa de qualquer forma, porque afinal, são elas que se separam e vem pra cá tirar férias, mas aí não tem diferença entre dizer que isso é coisa do ser primeiro ou da vontade primeira, nossa, peraí, eu to ficando confuso.
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Eu to perdendo a concentração aqui, calma um pouco, então a vontade ela simplesmente explodiu, porque é isso que a vontade faz, ela age e ela agiu em direção a algo, a questão é que a vontade, entre outras coisas, fica entediada, ela é vontade, ela precisa ser feliz, mas ela não pode perder sua unidade, então ela conflita consigo própria, se separa, cria seres vivos, ou seja, seres fora da ordem do universo, isso tudo sem pensar, simplesmente agindo por impulso, porque a vontade é uma força violenta, ela cria um ser vivo e esse ser vivo primeiro não diferencia vontade e instinto, os seres unicelulares são o exemplo perfeito disso, eles lutam pela sobrevivência, eles querem sobreviver, mas produto do querer e do instinto é a mesma coisa, então eles vão indo, vão evoluindo para se tornar seres mais divertidos, mais complexos, mais afastados da ordem natural das coisas até chegar no homem que é esse ponto da evolução justamente por ter razão, porque através da razão ele consegue tomar decisões por conta própria e só assim, decidindo por conta própria, que ele consegue sair do jogo, sair da ordem universal, sendo assim a montanha-russa perfeita pra vontade universal, mas isso tudo por impulso e sempre com a Vontadezona tentando pegar seus filhotinhos de volta pra que eles voltem ao trabalho.
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Ah, fez sentido, né?
Bem mais que aquela baboseira de ser bonzinho fazendo tudo por amor.
E ficou redondinho cara, eu explico várias coisas numa tacada só.
Isso que é teleologia de qualidade.
Me sinto tão bem.
Aliás...
http://www.filosofiailustrada.blogspot.com/
Tem aí uma boa prévia sobre nossos projetos futuros.
Assustador, Kevin Smith...
"Aquele cara sempre me fascinou. O filme trata desse assunto e desse ponto de vista levado ao extremo. Pra mim há toda uma variedade de horror, e matar uma pessoa não é a pior coisa que você pode fazer a outro ser humano", explicou, indicando que o seu filme não se encaixará na linha de terror homicida. "Pra mim, usar um personagem similar a Phelps como vilão, ameaçador como só ele pode ser, não é tão tenebroso quanto saber que há um governo por trás que permite que ele faça essas coisas - isso é outro ponto que eu quero examinar de maneira geral."
Já eu acho assustador um governo que não permita essas coisas, mas cada um cada um, né?
Phelps é um pastor norte-americano que fica fazendo passeatas com placas do tipo "Deus odeias as bichas" e "agradeça a Deus pelo World Trade Center" e por dizer que os soldados merecem morrer pois são pecadores, a questão é que por mais imbecis que eles sejam, eu acredito sim que liberdade de expressão deva ser mantida até nesses níveis mais amedrontadores, porque se a gente (que não tem nada contra homossexualidade) proibir esse cara por dizer algo que nos ofende, ele pode muito bem usar a exata mesma justificativa pra dizer que ateu não pode falar mal de religião e eu acho muito assustador um governo que tenha poder pra decidir esse tipo de coisa.
Então eu acho que o Kevin Smith pisou profunda e fodidamente na bola nessa quote. Ele poderia perfeitamente dizer que é assustador que exista gente que pense assim, mas achar assustador um governo que permita liberdade de expressão é um absurdo.
sexta-feira, abril 06, 2007
Síndrome de Aesperger
A síndrome ou o transtorno de Asperger (doença rara; também chamada "Desordem de Asperger" código CIE-9-MC: 299.8) está relacionada com o autismo, diferenciando-se deste por não comportar nenhum "atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou de linguagem". O termo "síndrome de Asperger" foi utilizado pela primeira vez por Lorna Wing em 1981 num jornal médico, que pretendia desta forma honrar Hans Asperger, um psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido internacionalmente até à década de 1990. A síndrome foi reconhecida pela primeira vez no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, na sua quarta edição, em 1994 (DSM-IV).
Alguns sintomas de Asperger são: dificuldade de interação social e empatia; interpretação muito literal da linguagem; dificuldade com mudanças, perseveração em comportamentos estereotipados. No entanto, pode isso ser conciliado com desenvolvimento cognitivo normal ou alto. É mais comum no sexo masculino. Quando adultos, podem seguir uma profissão, casar-se, e até mesmo, há indivíduos com Asperger que se tornam professores universitários. Uma Asperger de sucesso chama-se Temple Grandin, nos Estados Unidos, uma engenheira e zoóloga, professora universitária.
Outro Asperger de sucesso é Syd Barret, vocalista, guitarrista e compositor dos Pink Floyd, que devido ao Síndrome de Asperger, possível consequência do excessivo consumo de drogas psicotrópicas, viria a só participar no primeiro álbum (maioritariamente) e, minoritariamente, no segundo álbum dos Pink Floyd.
Também o vocalista da banda australiana The Vines, Craig Nicholls, foi diagnosticado com a sídrome. Nicholls cataliza toda a sua inteligência na música, criando climas energéticos e totalmente psicodélicos, estando, no entanto, afastado de quase todo o relacionamento social.
Suspeita-se que Albert Einstein, o físico Isaac Newton, o compositor Mozart e o pintor renascentista Michelângelo também fossem portadores da síndrome, além do cineasta Stanley Kubrick e do filósofo Wittgenstein, bem como Andy Warholl e até mesmo Bill Gates.
-(quem assistiu House ontem sabe onde isso vai)
Esse sempre foi um pensamento podre meu e acho que eu já falei disso com a Rebs algumas vezes, mas eu realmente queria ser diagnosticado com uma doença dessas.
Problemas com interação social, obsessão por certos temas e "perseveração em comportamentos estereotipados" eu já tenho, então não sei que diferença faria ser diagnosticado com essa versão mais light do autismo (que é a síndrome de Aesperger).
Se alguma coisa, ela ajudaria a me concentrar, porque não se pode negar que pessoas obsessivas são dedicadas em seus trabalhos, a única coisa que parece me diferenciar de alguém com isso é que eu sou anti-social por maldade mesmo e minha obsessão não faz eu me dedicar o suficiente a um tema qualquer.
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Sem contar que ser diagnosticado com qualquer tipo de trauma de infância, disturbio psicologico ou doença neurológica me livraria do peso de ter um espirito ruim.
terça-feira, abril 03, 2007
Yes! Sblargh prevê o futuro com sucesso mais uma vez!
Do sblargh: (um texto sobre Web 2.0 que eu escrevi pra revista Pronto e que foi brutalmente ignorado)
"E se isso se espalhar em todos os produtos? E se um dia a tecnologia tornar a construção de um carro algo tão simples e automatizado quanto a confecção de uma camiseta? Existiria um CafePress para carros?"
Do Techguru:
"Um projeto desenvolvido pela Sociedade para a Natureza e Meio Ambiente da Holanda em parceria com mais três universidades daquele país (Eindhoven, Twente e Delft), resultou em um carro baseado na filosofia dos softwares de código aberto. Ou seja, o usuário pode modificá-lo conforme bem entender."
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Ok, não é bem um CafePress para carros, mas quem duvida que essa moda pegue daqui há alguns anos?
quinta-feira, março 29, 2007
quarta-feira, março 28, 2007
segunda-feira, março 26, 2007
E ela tava indo tão bem...
Pra falar a verdade, eu to achando ele até bem bacana, no sentido de que ele jamais vai ser importante na minha vida, mas que se eu visse na rua não faria um comentário mal humorado (o que é bastante partindo de mim).
Anyway, ainda resta a esperança que ela vai atacar ele durante as gravações.
Se der sorte, ela ainda crava um punhal no peito dele e escreve "666" com seu sangue numa parede.
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Em outras noticias...
Se isso acontecer de verdade, a Sony oficialmente me perde como "fanboy" e eu vou oficialmente parar de desejar um Playstation 3 e me dedicar a conseguir um XboX 360.
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Aliás, a mídia brasileira resolveu falar bastante do Second Life, eu to pensando em eu mesmo escrever um post grande a respeito.
De qualquer forma, aham, quem me conhece sabe que eu tenho uma conta no Second Life há muito mais tempo do que "hype" e, pra falar a verdade, eu até conheci gente interessante lá (no Club Velvet, único lugar que toca música boa); só que por algum motivo, eu não volto lá faz meses e o medo de virar uma espécie de orkut virtual me impedem de voltar, de qualquer forma, acho que o lance é que falta vontade mesmo, eu sempre acho alguma coisa melhor pra fazer.
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Aliás, eu não diria que estão começando a surgir estudos interessantes sobre a internet, mas eu tenho visto, ao menos, um bom e real interesse na chamada "Web 2.0*", o que é bom, porque é provavelmente o que vai definir nossa era e isso não é pouca coisa.
Nossa geração tem a mania de ver os anos 60 de forma absurdamente grandiosa, com mudanças gigantes e etc e tal e é óbvio que isso é verdade, mas essa "revolução não-anunciada" que está sendo a internet, acredito, vai causar mudanças incrivelmente drásticas também.
Seria exagero dizer que estamos presenciando algo similar ao nascimento da escrita?
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De qualquer forma, uma coisa óbvia que eu consigo pensar agora é o modo como pensamos liberdade de expressão.
O nível de descentralização que a informação chegou é algo nunca pensado antes na história da humanidade. Estamos vendo concretizados perante nossos olhos uma série de ideais iluministas.
Resta saber se a humanidade vai, de fato, crescer com isso ou não, embora eu, particularmente, seja enorme entusiasta da tecnologia.
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De qualquer forma, aquele conceito marxista de que a informação está nas mãos dos produtores de "meios de comunicação" oficialmente caiu por terra. (algum conceito marxista ainda existe? A internet está destruindo até a alienação do modo de produção**)
Por outro lado, as idéias ruins se disseminam com tanta facilidade quanto as boas e uma vez que sempre existirão mais idéias ruins do que boas, enfim.
A forma como idéias se disseminam na sociedade mudam cada vez mais drasticamente também.
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Sobre arte, de fato, a linha entre produtor e consumidor praticamente desaparece.
Cada vez mais raro será o artista bilhonário e cada vez mais fácil é com que sua arte esteja acessível a milhões de pessoas.
Enfim, dá pra escrever um livro sobre o assunto e ainda teria muito o que falar, mesmo porque, estamos no meio de tal revolução, os adolescentes afetados ainda não viraram adultos para sabermos a reação disso no longo prazo.
É simplesmente um universo novo demais.
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Conceito de propriedade da infomação caiu completamente, conceito de privacidade cada vez mais cai e, diferente do que achavam os Orwelianos, as pessoas não estão sendo expionadas, elas estão voluntariamente se expondo.
Cada vez mais temos que aprender a lidar com o fato de que ao conhecermos alguém, a pessoa pode facilmente achar nosso blog/fotolog/orkut e descobrir tudo que ela quiser sobre nós e que nós nem podemos reclamar porque colocamos essa informação toda voluntariamente.
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Enfim, tudo relacionado a "informação" mudou completamente e em um mundo com cada vez menos linhas de montagem, cada vez mais informação é o que determina tudo, criando aquela coisa interessante de que, cada vez mais, o mundo é definido pelas idéias, com a descentralização extrema da informação, cada vez menos é a idéia de alguém que muda as coisas, mas sim o debate, que não é lido no livro de ninguém, mas absorvido diariamente através de feeds de RSS.
É um novo mundo agora.
Mas muita coisa permanece igual, especialmente no terceiro mundo, onde os impostos sobre tecnologia fazem com que o IPod no Brasil esteja entre os mais caros do mundo.
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Os impostos sobre tecnologia e importação no Brasil fazem com que vivamos a experiência toda na ilegalidade.
Ao invés de termos uma avalanche de IPods, temos uma avalanche de MP3 Players made in China; não temos nenhum costume de comprar música pela internet, apenas fazemos downloads.
Isso tem seu lado bom, mas por outro lado, estamos sempre de fora, sempre na ilegalidade e culpa da economia não é, porque teríamos dinheiro pra essas coisas se não fosse a guerra do governo contra a tecnologia, sempre sob o falso pretexto de querer defender uma não-existente produção de tecnologia nacional, os nossos governantes nos condenam a não fazer parte do planeta.
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A verdade é que o governo brasileiro cobra impostos pelo puro prazer da coisa.
Não há nenhuma diferença entre o governo brasileiro e um grupo de mafiosos que cobram por "proteção".
O problema do Brasil não é que os planos economicos ou a forma de gastar o dinheiro é ruim.
O problema é que não há interesse. O imposto é cobrado com o intuito de ser desviado.
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Na verdade, desvio de dinheiro é quando este chega a saúde, educação ou segurança pública.
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*Web 2.0 é esse tipo de internet feita completamente por usuários, como blog, fotolog, orkut, wikipedia, etc etc...
São ambientes onde os desenvolvedores fazem apenas o "layout" do site e deixam o conteudo inteiramente nas mãos do usuário.
**Linha de montagem representa automaticamente uma alienação do modo de produção, mesmo porque o trabalhador não tem interesse em saber mais do que sua função.
A questão da internet é que os produtos são cada vez mais personalizados, a linha de montagem existe cada vez menos, o consumidor está cada vez mais inteirados nas etapas de produção e o processo de produção está cada vez "menor", não só mais terceirizado, mas menor mesmo, empresas-de-um-homem-só são cada vez mais comum.
Acho que no futuro todo mundo vai fazer freelancer e/ou vai ter a própria empresa.
Todo mundo vai ser a própria empresa.
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Acho que muitos problemas relacionados ao "primeiro emprego" acontecem por causa dessa mudança.
Acho que temos cada vez mais que nos acostumar com a idéia de não ter um emprego fixo.
domingo, março 25, 2007
É, afinal de contas, eu vou ter que mexer em HTML pra que o blog não fique tão sem graça.
=/
Reformulando o blog
Mesmo porque, eu não acredito mais que "it´s up to me to turn on the bright lights" e eu nem bebo mais gin tônica tão entusiasticamente...
Sacanagem
A coruja de Minerva abrindo suas asas tarde demais
sexta-feira, março 23, 2007
Sobre super-heróis e suas vidas eternas
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Eu acho muito importante que um herói dure para sempre e sim, eu acho até legal que eles ressucitem e morram e ressucitem de novo.
Pra começar. Isso cria uma espécie de ligação com o herói a vida toda da pessoa, vale lembrar que eu tenho toda essa teoria de que cultura pop substituiu religião na vida das pessoas, no sentido que é a forma particular do homem pós-moderno de fazer mitologia, então o que eu acho excelente nos heróis durarem pra sempre é:
1 - As histórias não caem na furada que foi a bíblia, ou seja, um documento inalterado e eterno, as origens são refeitas o tempo todo, os posicionamentos dos heróis em relação a questões morais também, ou seja, é meio que a forma ideal de passar ensinamentos morais pras pessoas.
1.1 - Não é levado a sério, então você nunca vai ter gente fundamentalista dizendo que vai matar os outros porque de repente alguém escreveu um batman mais violento, adquire assim o caráter de conselhos morais e não mandamentos, conselho que muita gente escolhe ignorar quando envelhece e isso é uma coisa boa.
1.2 - É orgânico, se há 50 anos atrás era impensável o capitão américa odiar o governo norte-americano, hoje é comum ele se opôr a legislação por considera-la errada. Então é o tipo de moral que muda de acordo com a exigência dos tempos.
2 - Cria-se uma identidade com o leitor. Apesar das mudanças todas, o mesmo Peter Parker que eu lia com 12 anos é o que eu leio hoje, quase 10 anos mais tarde e é provavelmente o mesmo que eu vou ler daqui há 10 anos.
Isso é bom pelo motivo oposto que o anterior.
Aconteça o que acontecer, eu sei que é o Peter Parker lá. (que é porque coisas como a saga do clone, que visaram substituir o homem por trás da máscara, quase levaram a Marvel a falência)
3 - Vencer a morte é a coisa mais básica que um herói pode fazer. Até Jesus, que não foi lá aquelas coisas, ressucitou.
Se Jesus ressucita, porque o Superman não pode?
Jesus é mais rápido que uma bala? Fooi o que eu pensei.
Heróis da mitologia grega viviam descendo ao Hades e voltando de alguma forma.
Até Platão, no último livro da República, conta o mito de alguém que visitou o mundo dos mortos e voltou.
Morrer e voltar não só é comum para um herói, como é praticamente uma necessidade.
Existe a expressão que os gringos usam bastante que é "larger then life", como que um herói vai ser "larger then life" se ele não quebra essa barreira básica que é o seu fim.
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Mudando de assunto.
Luisa Mandou Um Beijo é a melhor banda nacional que existe.
quinta-feira, março 22, 2007
Hype do momento (em termos de PS3)
O que eu acho legal é que esse trailer acabou ficando tão incrivelmente bom nem porque mostra a interatividade bem divertida que quatro jogadores online podem ter ao mesmo tempo, mas por causa da música do "The Go! Team"
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Não acho que é esse o caso, mas se o jogo tiver toda a trilha sonora pelo Go! Team, então ele pode ser considerado um clássico.
Notem como todas as músicas da banda tem esse ar de "amizade" e "carinho", é com certeza uma das coisas mais lindas que existem hoje em dia.
terça-feira, março 20, 2007
Da série "se eu for apontar as besteiras de todos os colunistas da folha, não farei mais nada o dia inteiro"
Vem cá, eu sei que pega mal defender petista, mas eu prefiro um ministro da defesa que defenda liberdades democráticas do país (porque afinal, garantir a liberdade da população por meio da população é A função do exército) do que um que manje de "tráfego aéreo".
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Eu sei que existe um motivo bem irracional e divertido, recheado de senso-comum besta por trás dessa neurose que existe em deixar o exército, ao invés dos aeroportos e das empresas aéreas, cuidarem desse problema, mas sinceramente, eu não quero nem saber.
O ministro da defesa tem que estar preocupado com gente estrangeira armada entrando nas nossas fronteiras, coisa que acontece vezes demais. Por mais a favor de legalização de armas e drogas que eu seja, vá lá, é dever do ministro da defesa impedir que armas e drogas entrem no país, pelo menos enquanto houver essa ilegalidade estupida.
Já tráfego aereo!
Enquanto isso não for uma questão de segurança nacional (mas mera questão de segurança das pessoas que voam em aviões), não vejo porque tirar o sono (ou emprego) de um ministro da defesa!
Onde estão as companhias privadas citadas na coluna tentando resolver esse problema?
Onde estão os responsáveis pelos aeroportos tentando resolver esse problema?
Caso a resposta seja "eles não podem fazer nada, pois é o exército que cuida dessas coisas", então está aí o problema, não um mau ministro da defesa, mas uma péssima função que deram pra ele.
Revolucionando a educação pela quadragésima nona vez essa semana
Eu me perguto como que a gente se virou esse tempo todo sem as brilhantes idéias do Dimenstein.
Eu me pergunto que tipo de mundo horrivel é esse onde crianças aprendem matemática de fato fazendo contas ao invés de brincando com universitários em "espaços comunitários".
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(aposto vintão que não dá um mês até esse brilhante e respeitado colunista revolucionar a educação ainda mais uma vez)
sexta-feira, março 16, 2007
Sobre sonhos e subjetividade.
Ou seja.
Como você sabe que, nesse momento, você não está sonhando, pois, quando você está, de fato sonhando, é normal ter certeza absoluta de que se está acordado.
É uma daquelas questões sem uma reposta lá exata.
A única resposta mais ou menos boa é a aquela que diz "bom, quando você acordar, você vai saber. Se você não acordar, é porque não está sonhando", que não é lá uma resposta tão boa.
(como eu soube que eu realmente acordei? Simples, ao acordar, você volta a fazer parte de um cotidiano, mas pense em todos os seus sonhos que ocorreram em uma sala de aula ou local de trabalho, não parecia também, nesses sonhos, que tudo aquilo era cotidiano e quando, por exemplo, algum primo seu estivesse nesse local, não parecia fazer sentido?)
A minha pergunta entretanto é a seguinte:
Que diferença faz?
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Essa pergunta tem dois níveis.
O primeiro é o seguinte: Você tem planos, desejos ou vontades. Tanto acordado quanto sonhando.
E tanto acordado ou sonhando, você está perdido em um mundo que não entende muito bem tentando realizar essas coisas.
Ou seja, qual a diferença? Não saber se está acordado ou sonhando vai fazer você trancar matricula na faculdade?
Não. Então que se dane.
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O segundo nível é o seguinte: Qual a diferença entre dormir e acordar?
Todo o ato de ver, sentir, ouvir, etc etc etc é subjetivo, ou seja, são coisas que ocorrem dentro da sua mente.
É óbvio que existe um mundo lá fora e que esse mundo faz coisas à você, mas essas "coisas" (prazer, dor ou simples sensações) ocorrem dentro da sua cabeça. E afinal, existe também um impulso (involuntário) de dentro pra fora.
Você, em algum nível inconsciente, quer ver, ouvir, sentir dor, prazer, etc e tal.
A prova disso são aquelas imagens duplas (do tipo, "isso é uma caveira ou três mulheres?") ou aqueles livrinhos de "onde está o wally?"
Se o ato de ver fosse mera consequência da luz refletida nessas coisas, então você jamais teria dúvida sobre onde está o wally, afinal, a luz refletiria sobre o wally, voltaria ao seu cerebro e você o acharia.
De qualquer forma, é comum o seus olhos "passarem por cima" do Wally e não o notarem, isso acontece porque, por algum motivo, sua mente não estava o intencionando.
A luz refletiu, o wallyzinho de ponta-cabeça entrou nos céus olhos, foi pro seu cérebro que por sua vez fez ignorou o pobre bichinho prendendo você na página por mais algum tempo.
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Então qualquer que seja sua relação com o mundo, ela é, no final das contas, uma relação sua com você mesmo.
O sonho é exatamente a mesma coisa, mas sem o tal mundo exterior.
Então, afinal, em certo nível, nada muda entre estar acordado e estar sonhando, pois em ambos os casos o mundo não passa de uma brincadeira entre você e sua mente.
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Tal diferença existe para os outros. Alguém que queira conversar com você precisa que você esteja acordado, pois, do ponto de vista dela, você é um objeto que causa reação (esta que vai ser, eventualmente, subjetiva), mas até onde o seu ponto de vista é o que importa, e em relação a esse momento último do entendimento onde a sua mente brinca consigo própria, então não há absoluta nenhuma diferença entre estar dormindo ou acordado.
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O grande projeto da psicologia é destruir a subjetividade.
A psicologia admite que somos diferentes, mas diz que existem "causas" pra isso; seja genética, seja bioquimica, seja do "ambiente".
O experimento mais importante para a psicologia provavelmente seria o de criar dois clones de uma pessoa (genética indêntica) e cria-los em um ambiente fechado e controlado ao mesmo tempo da exata mesma forma (mas separados um do outro) e então ver se eles acabariam sendo iguais ou diferentes.
Se eles forem iguais, então a psicologia vence, tudo é uma questão de genética vs ambiente, basta descobrir a % de cada um.
Se eles forem diferentes, então a psicologia chega em um beco sem saída, pois isso significaria que há algo que podemos chamar de verdadeiramente "subjetivo" e contra espiritos ruins não há terapia que resolva.
quarta-feira, março 14, 2007
Deêm uma olhada no texto do dia 21 de Maio de 2006 com o titulo "Arte, seus putos!"
http://strangersthanparadise.blogspot.com/2007_02_01_archive.html
Agora vejam o texto do dia 24 de Fevereiro de 2007 com o titulo (shanan) "Arte, seus putos!"
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Legal que ela foi inteligente a ponto de atualizar o texto pra cidade dela, então o Espaço Cultural Itaú virou Santander e o MASP virou MARGS.
Eu sou completamente contra leis de propriedade intelectual, nada contra publicarem meu texto em qualquer lugar, só que um pouco de ética não machuca ninguém.
Não precisariamos dessas estupidas leis, em primeiro lugar, se não fosse esse tipo de coisa.
Eu não estou bravo, nem nada do tipo, a garota me contatou por e-mail e inclusive disse que achou meu blog por meio desse texto (o que acho que ela não esperava é que eu fosse googlar o titulo [para eu mesmo achar, porque eu raramente lembro de qualquer post mais velho que um mês] e que acabaria achando um blog dela que não é o blog que ela me passou via e-mail)
Enfim, ela parece legal e tudo mais.
Mas enfim.
Um tiquinho de ética não machuca ninguém.
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O que me entristece nessa história, é que no blog dela que tem as fotografias dela, ela escreve " Todas as fotografias exibidas neste sítio são da minha autoria e estão registradas com direitos autorais."
Entristece, mas não surpreende, porque o tipo de gente que é mais ativa em odiar o ser humano e, no lugar da boa vizinhança, colocar leis, policiais, exércitos, assassinos, etc etc e tal; são as menos dispostas a obedecer tais leis, pois a desconfiança, em primeiro lugar, parte do pressuposto "eu ferraria aquele imbecil se tivesse a oportunidade, então usarei o Estado, a autoridade e todo tipo de violência possível para que a pessoa não aja da mesma forma que eu"
EDIT: Se for pra registrar alguma coisa, o que é totalmente válido, ao menos tenha a boa decência de registrar numa licensa do tipo creative commons.
sábado, março 10, 2007
*aiai*
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Legal que quando os EUA sequer cogitam a possibilidade de abrir um debate sobre esse assunto, todo moleque de 15 anos do país ta colocando bigodinho de nazista em foto do Bush, mas o Brasil, ah, o Brasil é país de terceiro mundo, a gente pode fazer esses atos estúpidos sem problema.
sexta-feira, março 09, 2007
Klaxons - Myths Of The Near Future
Você está sentado na sua casa, tranquilo, achando que está por dentro da cena, seja ela qual for, seja lá o que for, afinal, uma “cena”.
Então você lê uma vez a expressão “new rave” e acha que ok, é coisa do Lucio Ribeiro, ele deve ter pego da NME e, de fato, você vai lá na NME e descobre coisas como “New Rave”, “Nu Rave”, “Indie Rave”; afinal, até ano passado, Arctic Monkeys tinha salvo o rock n roll, Indie Rock estava aqui pra ficar. Os moleques falavam sobre nosso dia a dia e faziam arte no meio.
De repente, tudo mudou, estamos dançando loucos, ainda metidos a intelectuais, mas sem a poesia do cotidiano, estamos fazendo a poesia do Klaxons.
O Álbum abre com bem, muito bem, Two Receivers tem clima, tem paixão, tem aquela bateria techno com aquele clima dark, eles podem nos fazer dançar, eles podem nos fazer viajar em casa, parece tudo bem, o álbum é ótimo, Two Receivers é muito boa, ela é do tipo traiçoeira mesmo, que nos fisga no começo e nos leva pela sua melodia e nos conforta quando o ritmo volta após qualquer mudança. E essa é a primeira música.
Então Atlantis to Interzone começa e tudo já mudou, a coisa está simplesmente mais violenta de certa forma, mais urbana, é sujo e estreito com páginas de jornais voando por aí em meio a prédios uniformes, é meio Beastie Boys até e onde você estava sendo levado, agora você está sendo arremessado e caindo vertiginosamente, até que você fica simplesmente flutuando em um limbo.
O limbo se torna aconchegante quando chegamos
You can forget our future plans.”
E é impressionante que nessas duas bruscas mudanças, o álbum se mantém consistente, claro, todas as músicas tem coisas em comum, em especial o backin vocal, mas ainda assim, é impressionante a forma como o álbum te mantém exatamente aonde ele deseja te manter, especialmente porque ele faz você querer acompanhá-lo.
Totem On The Timeline já traz aquilo que dá pra entender o que faz da banda “new rave”, mas de certa tudo que o disco maravilhosamente construiu até a terceira música cai. É estranho, mas na primeira vez que ouvi essa música, pensei que escrevendo a resenha a colocaria em um lugar especial, o que de fato aconteceu, mas de uma forma negativa, acho que tem a ver com aquela coisa de que, ao ouvirmos mais de uma vez o mesmo álbum, temos a tendência de descobrir os pormenores das músicas e descobrindo os pormenores do começo do álbum, Totem On The Timeline.
Seguindo a tendência do disco de se contradizer a cada música, a bruta e brusca Totem On The Timeline acaba seca e dura e mais uma vez o Klaxons te pega pelo braço com As Above So Below e te coloca em algum lugar especial e iluminado e te mantém viajando, dessa vez dependendo mais ainda dos vocais, o que quer que seja “New Rave”, As Above So Below é tão rave quanto funk carioca é funk, ela é gentil e elétrica e rave pode ser tudo, menos gentil, e rave pode ter qualquer efeito, menos o de fazer você querer se deitar e simplesmente deixar a música te levar para qualquer lugar que ela deseje.
E a música te leva a Isle Of Her, e o clima definitivamente mais hostil, não se parece em nada com a violência de Atlantis to Interzone, é uma coisa mais tribal, ao invés de ruas, estamos em rios estreitos, remando, ainda há
E definitivamente se parecendo com Arctic Monkeys, começa Gravity´s Rainbow e começa cansada, mas é impressionante como ela se revitaliza rápido e quando você menos espera está de novo na trilha certa sendo levado por aí ainda mais uma vez, é claro que as informações começam a parecer repetitivas, mas tenho que dizer, se há uma qualidade a se reconhecer no Klaxons, é a habilidade com que as músicas te conduzem pelos seus caminhos inesperados e dessa vez ele te leva enquanto você dança, você não cai, nem é arrastado por ruas ou rios, nem flutua, o álbum se reinventa mais uma vez e ainda permanece consistente, suas pernas te levam aonde você tem que ir dessa vez.
E mais uma vez em caminhos tribais, você chega
Magick te hipnotiza no começo, ela faz sua mente se acostumar com o ritmo e quando você está condicionado, ela te quebra e vai te quebrando aos poucos até você perder força nas pernas, então ela te segura no colo, gentilmente, mas não deixa você se levantar, ela apenas te carrega tranquilamente ao abismo de onde te arremessa e faz com que aos poucos você perceba o desespero. E o desespero cresce quando você percebe que inutilmente atinge o fundo, até que flutua mais uma vez. Não há mais o que esperar, não há respostas certas ou eternas, não há nenhum ponto fixo, você está caindo, então flutuando e agora está levitando e subindo e está voando a alta velocidade e o sol queima seus olhos e a mágica destrói sua mente e você só sabe que está subindo.
Acima das nuvens é onde It´s Not Over Yet te mantém e você fica sempre olhando para baixo, na expectativa de cair, mas não cai, como a música diz “Don't let me down Don't make a sound Don't throw it all away Remember me So tenderly
Don't let it slip away”, lembrando que essa música é um cover do trio londrino “Grace”.
Fora da graça dos céus, 4 Horsemen Of 2012 parece vir para rivalizar com o Knights of Cyclonia do Muse e depois de toda a alegria e gentileza que o album te submete, por fim, ele te destrói, é o fim do mundo, não há mais o que dizer.
Myths Of The Near Future ainda me confunde no que dizem ser “New Rave”, mas não muda o fato de que é um álbum excelente e clássico até. Minha recomendação, esqueça tudo que essas pessoas falam sobre ele, sobre o Klaxons e simplesmente ouça o álbum, ele não é sobre nossa geração, não é sobre mitos do nosso futuro, ele é maior que isso e ficar dando atenção pros rótulos que o Lucio Ribeiro rouba da NME só estraga a experiência
Gravity´s RainbowMagick
Golden Skans (melhor clipe)
terça-feira, março 06, 2007
Uma boa idéia
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Ah de se convir que Michael Jackson demorou pra ir para o Japão, é dificil pensar lugar no mundo que compreenda melhor o fetiche dele.
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Algo sobre a maçã.
Eu acredito que a maçã tenha muito mais a ver com conhecimento e livre-arbitrio e "podemos descobrir o que é o mundo sem nos sujeitarmos ao tirando maligno" do que com sexo.
Mas mesmo que tenha a ver com sexo, acho natural que a Eva tenha ido atrás, afinal, ela estava obedecendo a algo ainda maior que Deus, que era a vontade de ser mãe.
O homem, desesperado por sexo que seja, deixaria de fazer se o superior na hierarquia militar divina o desse ordens para ficar sossegado, já a mulher (lembrando que Eva não era uma mulher, mas A mulher) é mais ousada e corajosa que o obediente e patético homem e tem maior contato com suas vontades e portanto.
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Quer seja o fruto sexo ou conhecimento, a verdade, afinal, é que foi a mulher que teve a ousadia de ouvir a serpente (enquanto o homem apenas obedeceu a mulher, pois, retirada a força bruta, o homem é um ser ridiculo perto da mulher e não é como se Adão fosse o homem mais viril possível).
E afinal, Deus não puniu o homem por ter feito algo errado, mas por ter desobedecido uma ordem.
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É um fato óbvio e claro o Deus cristão nutre profundo ódio da humanidade e deseja ver o sofrimento do homem acima de todas as coisas.
Quando nos recusamos a ficar naquele Eden fedorento, cheio de mosquitos nos picando e sem nenhuma possibilidade de fazermos uso da razão (que é aquilo que nos define), este ser que tanto odeia a humanidade criou a fome e a morte.
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Pois o nojento que fique com sua estúpida imortalidade, somos imortais a nossos próprios olhos, estamos derrotando o sujo a cada prédio que erguemos, a cada fome que saciamos, a cada fábrica que aumenta sua produção.
Estamos trilhando nosso caminho na direção, não do desprezivel paraíso, mas de algo que será nosso e que deus terá vergonha de entrar sem pedir licença.
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Estamos construindo nosso salão de plástico.
terça-feira, fevereiro 20, 2007
Algo sobre o artista
É a figura do artista que é desprendido dos valores materialistas (e até espirituais) da sociedade e é tão apaixonado pela arte que se torna um misantropo.
Sendo um misantropo, suas obras só podem ser apreciadas depois que alguém as encontra com seu cadáver.
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Quando Andy Warhol começou a investir em "superstars" talvez a proposta dele fosse fazer algo completamente inverso a isso.
Ou seja, uma pessoa tão pública e conhecida que ninguém precisaria conhecer sequer uma de suas obras.
E quando tal pessoa morresse, ela seria velada em um grande funeral com seus inumeros amigos e nenhuma de suas obras estariam perto dela.
Ela seria esquecida minutos após o funeral.
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Embora esse tipo de coisa que eu disse acima tenha sido algo bastante associado aos "big brothers" (celebridades inuteis que são celebridades pelo simples fato de o serem), podemos considerar esses como uma o lado brega e estúpido desse processo.
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A coisa de toda de ser um artista célebre sem obras de arte é que sua vida seja uma obra de arte e da mesma forma que àquelas iluminadas "pessoas sensíveis" percebam a beleza de uma obra, talvez fosse de esperar que as mesmas pessoas soubessem apreciar a beleza de uma vida de glamour.
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Obviamente, quadros baseados em idéias boas do passado podem ser vulgares e ridiculos.
Obras baseadas em Jackson Pollock costumam ser simplesmente estúpidas.
Assim, as pessoas (mesmo as que já são famosas e ricas) tentam copiar as pessoas famosas e ricas do passado.
Então vemos pessoas tentando ser glamourosas como Marilyn Monroe, junkies como Keith Richards, intelectuais como John Lennon, etc etc e tal.
Mas geralmente é fácil de perceber quando a pessoa se torna uma mera cópia.
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O conceito todo eu acho interessantissimo.
As obras de arte contemporâneas tem a forte proposta de não serem algo que fica pendurado na parede da sua sala esperando você ir até elas para aprecia-las, mas sim serem coisas grandes demais para não serem apreciadas (ou repudiadas).
A vida como uma obra de arte é algo parecido e até mais eficiente, quando de vez em quando surge alguma celebridade legitima, parece impossível não ficar sabendo de sua vida.
A pessoa simplesmente se torna grande demais. Ela não está lá esperando você entrar na galeria, ela está em toda parte.
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E aí, obviamente, a pessoa pode ser interessante e cativar, enfurecer e inspirar o público ou ela pode ser simplesmente uma curiosidadezinha interessante.
De qualquer forma, é sempre bom notar quando alguma pessoa tem uma biografia ainda mais penetrante do que sua obra.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Acheeeeei
By Wayne Thiebaud
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Entre as críticas que a cultura pop recebe está a de que seus temas são superficiais e dispensáveis.
E é dessas coisas superficiais e tolas que a Pop Art é gerada.
Acredito que tem muito a ver com uma questão que o Cunha estava me dizendo, que é sobre tirar as coisas de contexto.
Ver uma garota tomando sorvete em uma sorveteria não parece grande coisa, mas vamos isolar a cena, vamos ver a expressão, quem é essa garota?
Quando você isola a obra do resto do universo e age como se ela não existisse, como se fosse uma mera construção mental, então você permite que você veja coisas que de outra forma não veria.
Então quando retiramos nossa própria vida do esquema, nós temos apenas a linda experiência que tira seu folêgo e permite que a imagem mostre toda seu desespero.
Não sei porque eu vejo tanto desespero nisso, não sei se é a expressão dela, mas parece que ela é velha demais para estar sentada no chão tomando sorvete e a cena toda fica desesperadora, porque é um prazer comum que se torna um prazer raro.
E sendo um prazer raro, é tudo menos superficial.
Acho que a qualidade do quadro é, de alguma forma, ser tão simples quanto a vida simples, que é algo bem complexo.
E na verdade, a vida comum é tão complexa, que preferimos as simples histórias de complexos momentos heróicos e emocionante ou a bizarrice daquele ou desse personagem.
E ela ainda parece velha demais pra estar tomando sorvete no chão e é como se esse fosse o exato segundo em que ela percebe isso.
Continuo achando que é desesperador.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Bob Dylan
Ou seja, se ele não tivesse surgido nos anos 60, mas hoje, ninguém teria prestado atenção (e mesmo se alguém tivesse, definitivamente ele não teria a importância que teve naquela época, ninguém hoje tem esse tipo de importância).
Mas a questão é que mesmo tocando esse estilo de música folk velho (que consiste em basicamente no violão e sua voz), as músicas ainda assim são lindas além da imaginação.
A voz de Bob Dylan é algo tão místico que é assustador.
Percy´s Song por exemplo é com certeza uma das coisas mais lindas que existem e sempre me pega de jeito.
E ela é extremamente simples, é um relojinho, com um ritmo único e a voz de Bob Dylan repetindo no fim de cada estrofe "turn turn, turn again" "turn turn, to the rain and the wind".
E nesse ritmozinho extremamente simples ele vai contando a história de um sujeito condenado a 99 anos de prisão.
E o tal "Eu-lirico" no caso é um grande amigo desse sujeito que não acredita que ele possa ter feito aquilo e tenta salva-lo do sistema penal.
A frase que começa o post passado aliás, eu tirei dessa música.
"But I knew him as good
As I'm knowin' myself,
Turn, turn, turn again.
And he wouldn't harm a life
That belonged to someone else,
Turn, turn to the rain
And the wind."
E a grande qualidade de Bob Dylan não era só fazer grande poesia e transforma-la em grande música, mas em contar grandes histórias e inspirar grandes causas no processo.
Depois de uma certa época, "canções de protesto" e "canções de fúria" passaram a ser mais ou menos a mesma coisa. Era todo mundo bravo com algo querendo gritar sua fúria e o lance do Bob Dylan é exatamente ele conseguir passar toda revolta e raiva de uma forma extremamente calma e ponderada.
Bob Dylan não é como um adolescente quebrando tudo pelo quarto. Ele se parece mais um velho sábio (mesmo quando jovem) contando suas experiências de vida de forma que você não pode nega-lo.
Ele é tão calmo e certo de si em suas melodias que são tão lindas que sempre ficamos com a impressão de que não importa o que Bob Dylan diga, será certo e devemos prestar atenção.
Pelo que se lê do turbilhão que Bob Dylan criou nos anos 60, eu cheguei a conclusão que é impossível de fato saber a mudança que ele causou sem estar lá.
Parece que ele virou o mundo de cabeça pra baixo sem querer e parece que o mundo não voltou ao normal desde então, então até que o mundo volte ao normal, não temos exatamente como saber a mudança que ele causou.
E embora seja incompreendido como exatamente ele causou o que causou, é impossível negar que há verdadeira e legitima sabedoria em suas músicas.
O tipo de sabedoria que não se adquire somente abrindo bem os olhos, andando por estradas misteriosas na vida ou passando bem e de forma bela uma mensagem, mas que precisa de tudo isso e algo mais que é precisamento Bob Dylan.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Eu o conhecia tão bem quanto conhecia a mim próprio
Eu sei que não tenho sido bom com você e que tenho te menosprezado mais ou menos minha vida toda.
A questão é que você sempre me revoltou de certa forma, sempre me limitando e sempre me deu a impressão de estar me punindo.
No fim, te acho realmente exigente demais para o que você realmente dá em troca.
Claro que você me permite dançar, mas você me impede de voar.
E mesmo quando eu danço, eu sinto que você não gosta, você reclama e você quer me impedir.
Acho que você também não gosta de mim. Sempre sinto que você quer me sabotar.
Não sei se dá pra te culpar, é simplesmente assim que você foi feito e foi simplesmente por falta de atenção que você se tornou tão dificil de lidar, mas aqui vamos entrar em um circulo vicioso porque sempre considerei de extrema injustiça que eu tenha que te dar atenção em primeiro lugar.
E o pior, primeiro eu tinha que te dar atenção para simplesmente não ser punido, depois eu passei a ter que dar atenção para agradar os outros? Qualé, isso é ridiculo.
Eu não dei atenção pelo primeiro motivo, muito menos pelo segundo.
E afinal, tudo que eu consegui, acho que nada foi por sua causa.
O que eu tenho graças a você além de dor? (literalmente)
Eu danço, você reclama.
Eu como, você reclama.
Eu trepo, você reclama.
Admito que é graças a você em primeiro lugar que eu posso fazer essas coisas, mas parece que elas são simples bônus não-intencionados e que se dependesse de você, eu não estaria fazendo nenhuma delas.
E afinal, eu nunca te maltratei também, nunca fiz essas besteiras de te puxar até o limite.
Já te usei mais do que você aguentava vez ou outra, mas diferente de muita gente por aí, eu nunca tornei isso um hábito ou esporte.
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Afinal, seria bom se conseguissemos entrar em um acordo, mas vejo que será dificil, eu não estou disposto a te fazer melhor e você não parece disposto também a colaborar comigo.
Eu só espero continuar por aqui depois que você se for.
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Achando seu espaço.
Ainda mais em um mundo que é relativamente livre.
Ainda mais em um mundo que te diz para buscar o seu sonho.
Mas afinal, as pessoas raramente pensam em qual é o sonho delas, elas simplesmente pegam o sonho de outras pessoas e transportam para si próprias.
Elas arrancam da página de algum lugar qualquer uma visão de "vida feliz" e sem se perguntarem se é isso que querem, partem em direção a esse sonho.
Acho que por isso, por uma própria questão de auto-conhecimento, é importante sempre fazer um certo esforço para sair da cultura que se está inserido e pensar as coisas de maneira mais universal.
Completamente diferente, claro, de procurar alguma contra-cultura ou tribo urbana, porque tribos urbanas costumam ser reflexos involuntários da cultura dominante e até mesmo parte delas, então quando uma pessoa se torna "gótica" e pensa que está em algo que é uma oposição a cultura cristã, ela está em um complemento dessa.
Primeiro porque a cultura gótica é uma que só existe e faz sentido aonde há cristianismo. (o mesmo vale para o satanismo)
Segundo porque é o tipo de cultura que aparece para preencher lacunas e contradições do cristianismo e nesse sentido toda contra-cultura deixa de ser contra o que se propõe a combater e vira um remendo.
Satanistas não rejeitam a base moral do cristianismo, eles apenas a concertam de forma que seja possível pensa-la de forma atéia e egoísta.
Os punks não rejeitam a cultura de apatia, conformismo e consumismo, eles apenas adicionam diversão e revolta o bastante para que a pessoa possa dizer a si própria que não é apática e conformista, se tornando assim uma pessoa que não faz nada e não muda sua situação.
Assim como socialistas que não mais falam em destruir o capitalismo, mas em usar o Estado para resolver suas injustiças acabam por "salvar o capitalismo de si próprio" e certos liberais que não falam mais em se opôr a opressão do Estado, mas em torna-lo "minimo" e "justo" estão apenas ajudando o Estado a oprimir cada vez mais, tudo que propõe ser contrário a algo depende tanto desse "algo" que acaba preservando-o até pela própria sobrevivência; eles fazem isso por uma crença (mesmo não declarada) de que não existe socialismo sem uma moral burguesa (sem a noção liberal de justiça, não há justificativa para um burocrata trabalhar em prol da sociedade ao invés de simples explora-la) e de que a pessoas não saberiam andar com as próprias pernas se fossem assim tão livres.
Uma cultura punk não faz sentido sem uma cultura yuppie. Sem os meninos bonzinhos, cristãos e trabalhadores para se apontar e dar risada o movimento punk se torna tão vazio quanto de fato se tornou, afinal, não existem mais yuppies declarados, as pessoas boazinhas e cristãs tem o cabelo colorido e tatuagem nas costas, sem a apatia e o conformismo absoluto de uma vazia cultura de consumo sem personalidade, o punk se torna também sem personalidade e vira o que é hoje, essa coisa enlatada com patéticas e fúteis tentativas de revolta.
Se qualquer moleque rico vai a Agusuta e vê travestis andando na rua, não faz mais sentido o Lou Reed cantar sobre uma caminha no lado selvagem, porque os domesticados já estão vendo o lado selvagem e isso sacia sua pequena fome por selvageria, de forma que eles podem ser contra-cultura até quando os interessa ou até ao mesmo tempo em que são "mainstream".
Então se a intenção é buscar rejeitar uma cultura, a melhor opção, ao invés de procurar o remendo de tal cultura (a sua "contra"-cultura) e ao invés mesmo de ficar na futilidade de procurar "algo novo" é simplesmente olhar para sua própria visão, porque ela está acima do mundo, vendo tudo e decidindo o que fazer e é descobrindo o que há por trás desse "Eu" que vê as coisas que é possível efetivamente se retirar de uma determinada cultura.
Se estamos falando em reformular o mundo, bem, boa sorte, eu não sei como, não sei se quero falar disso.
Mas se estamos falando em reformular a si próprio para procurar melhor como se comportar no mundo, não olhe para o mundo e não tente ser contra ou a favor dele, porque de uma forma ou de outra você está apenas reencenando um joguinho infeliz.
Olhe para si próprio e perceba que tipo de pessoa você é.
Talvez esse seja o primeiro passo para mudar o mundo.
Perceber que tipo de pessoa você é, se perguntar que tipo de mundo te aceitaria e então passar a viver nesse mundo.
sábado, fevereiro 03, 2007
Last night
Inlcusive as coisas cotidianas e inclusive as coisas bizarras e inclusive as sutilezas.
Não dá pra saber ao exato o quanto sua vida é diferente porque você ficou preso 15 minutos a mais no trânsito do que pensava.
A questão é que essa ordem só é possível estabelecer após os fatos terem ocorrido.
É absolutamente impossível prever todas as consequências de qualquer determinado ato, consequências dos atos são coisas que jamais param, nunca há um fim.
A bola de neve gira e se acrescenta com outras bolas de neve e com as bolas de neve de outras pessoas. Oras, é claro que as pessoas se sentem confusas no mundo, elas tem um controle minimo sobre as consequências de seus atos.
(embora seja esse minimo de controle que tenha permitido a humanidade se desenvolver)
Após um ato ocorrer se percebe que é impossível, dadas as escolhas dos participantes dos atos, que eles não tivessem escolhidos.
Afinal, todo ato que ocorre apenas deixaria de ocorrer se houvesse um evento que não houve e como é impossível haver eventos que não houveram, é impossível que as coisas ocorram de maneira diferente do que elas ocorrem.
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Não existem eventos improváveis, toda vez que você toma uma decisão, você gera um futuro único e certo, é apenas impossível saber qual será ele e por bizarro que seja esse futuro, ele não é simplesmente o mais provável como também o único possível.
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Ao jogar um dado para cima, quando o dado sai de sua mão, o destino dele já está traçado, ele vai cair em um número específico e não há essa história de probabilidade, pois, dadas as circunstânceas físicas todas (força com que se joga o dado, resistência do ar, bla bla bla etc e tal) é impossível que o dado caia outro número senão aquele que, afinal, vai cair.
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A probablidade existe antes das decisões.
Antes dos dados serem rolados.
Antes de dar um passo é possível pensar em multiplos futuros.
Após o passo ter sido dado, o futuro está decidido e selado, apenas esperando sua vez.
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Obviamente não é apenas as suas decisões que contam.
É uma conta grande e complexa, envolvendo atos de praticamente todos ao seu redor e, quem sabe, em escala grande o bastante, todos no mundo.
A questão é que mesmo omissão é uma decisão (consciente ou não).
O universo tem um destino traçado pelas leis da física.
O mundo dos homens tem o destino traçado pelas mesmas leis, mas acrescenta-se a vontade e o uso da razão.
E por complexo que seja calcular o segundo seguinte (que é consequência não só do segundo passado, mas do inicio dos tempos e de tudo que ocorreu após), nada muda o fato de que ele chega e, ao chegar, seu destino não pode ser outro senão o único possível.
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Probabilidades, caos, sorte, são todas palavras que usamos para descrever falta de informação.
Falta de informação que se torna relevante uma vez que as coisas de fato acontecem.
Mas a sorte ou o azar não existem de fato, apenas as leis que regem o funcionamento do universo, as leis que regem a vontade dos homens e as limitações destes mesmo homens, que são incapazes de dar um passo para frente sem criar amor e morte.