quarta-feira, março 23, 2005

O Surfista Prateado

Era 1966.
A califórnia era o centro do mundo e nela viviam... os surfistas.
Nesta mesma época, a revista que definiu o modo Marvel Comics de se criar super-heróis mais humanos e carismáticos chegava ao número 48. Era a "Fantastic Four" que se mantia no topo da lista de mais vendidos e no que a edição 50 se aproximava, era preciso um inimigo maior do que tudo que havia sido visto e uma história emocionante o bastante para tornar aquele arco de 3 edições especial o suficiente. Na época Jack Kirby escrevia e desenhava as histórias do quarteto, se baseiando nos personagens e argumentos de Stan Lee.
Reza a lenda que Kirby estava desesperado pois não conseguia pensar em algo grande o bastante, ele então ligou para Stan Lee que disse simplesmente "Que eles enfrentem Deus".
E eis que surge Galactus - O Devorador de Mundos
E este Deus tinha um mensageiro. Surfando as galaxias a procura de planetas para que seu mestre pudesse devorar, o Surfista Prateado chega a terra.
O arauto de Galactus avisa a seu mestre que um mundo fresquinho pode ser devorado sem problemas e este vem. O quarteto fantástico desafia o surfista e galactus pela primeira vez, mas falham. Quem salva o dia não são as chamas do Tocha Humana ou os punhos inquebraveís do Coisa, mas sim a mão carinhosa e a voz gentil de Alicia Masters.
Enfraquecido pelo Quarteto, o surfista prateado busca abrigo no apartamento da cega Alicia e graças a ela, descobre a bondade do coração humano e percebe que a terra não pode ser destruída.
O Surfista se revolta contra seu mestre e com a ajuda do quarteto expulsam Galactus da terra.
O ex-arauto do devorador de mundos agora é um herói.

Ok, bonito, mas o lance é que o surfista nunca conseguiu ser popular como astro das próprias histórias. Não em um base mensal e esse é o lance. Em seu gibi mensal, o passado do surfista é revelado. Norrin Radd era um jovem no planeta Zenn-La e apaixonado por Shalla-Bal quando o devorador de mundo decidiu... devorar seu mundo. Mas a coragem e a vontade de Norrin Radd fizeram com que o devorador pela primeira vez em sua existência, tão antiga quanto o universo, negociasse.
Ele deixaria Zenn-La em paz, mas em troca Norrin Radd se tornaria o surfista prateado e abandonaria sua prévia existência.
Sua série mensal criou uma bela origem para ele e o definiu como defensor dos cosmos (um alivio enorme uma vez que todo ser do universo marvel está misteriosamente em nova york) . Mas a característica mais marcante do surfista é sua existência solitária. Jamais existiu alma mais triste e mesmo que seu gibi mensal solo nunca tenha chegado a ser grande coisa, as Graphic Novels estralando o surfista prateado estão lá em cima entre os trabalhos mais belos já realizado pela Marvel Comics.
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Silver Surfer - The Ultimate Cosmic Experience
Não se assustem, essa é uma história do Stan Lee e ele gosta de titulos explosivos.
Esta história na verdade é um "Como seria se..." o surfista prateado tivesse chegado em um mundo sem o quarteto fantástico... ou não, muitas coisas mudam, tirando galactus e o próprio surfista, nada mais é pertencente ao universo marvel.
O surfista sente compaixão pelos humanos assim que os vêem e não precisa nem de Alicia Masters para se revoltar contra seu mestre. Galactus então manda uma representante convencer o surfista que a terra não é assim tão boa.
O maior problema de Stan Lee sempre foi subestimar a inteligencia dos seus leitores e aqui ele está ingênuo como nunca. Nas 120 páginas, essa Graphic Novel talvez valha apenas pelo brilhante dialogo que mostra o grande ser que galactus é:
- They wish the humble ant no harm, but care not if they live or die
- But it´s not ants we speak of -- are these beings not human?
- The question is misplaced! Ask instead -- Am I not Galactus?
É sempre um alivio ver um vilão que não é mal pelo prazer de fazer maldades e galactus é brilhante por sua amoralidade. Ele se alimenta, igual fazemos com gado. "Mas esses seres não são bovinos?" "A pergunta está fora de lugar! Pergunte -- Não sou eu humano?"

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Judgement Day
Depois que o Surfista se demitiu da posição de arauto de Galactus, outra pessoa se ofereceu em seu lugar.
Nova era uma namorada do Tocha Humana, com poderes semelhantes e tudo. Um dia, Galactus quebrou a promessa de deixar a terra em paz. Após a derrota, ele partiu novamente, enquanto ia embora, entretanto, um ser pediu para se juntar a ele. Diferente de Norrin Radd entretanto, Nova não tinha nenhum ideal nobre... ou maléfico... ela queria apenas viajar, abandonar a vida cotidiana e vagar pelo espaço. Como boa humana que é, nunca levava galactus para planetas habitados, mantendo o devorador vivo com pedaços de rocha sem vida, o que no final, era bom, pois assim ela acabava impedindo que galactus atacasse mundos como a terra.
Mas se lembre que eu falei do prazer de ver vilões que não são malvados por prazer? Pois bem o vilão dessa história é exatamente o cara mau que curte ser mau. Mefisto é, literalmente, o demônio, que cansado de se divertir com políticos e apresentadores de tv, decidiu buscar a alma do surfista prateado. é Nova entretanto quem cai na tentação e um feitiço de Mefisto a faz se apaixonar por Galactus. Ela então, começa a procurar para ele suculentos mundos cheio de seres vivos para devorar. Enquanto a história não mostra o bom surfista do modo lindo que veremos nas próximas duas Graphic Novels, a arte aqui é assustadoramente linda.
Sal Buscema é um daqueles caras que viveu na época em que um artista tinha que fazer 3 ou 4 gibis por mês, seus gibis mensais eram ótimos para o padrão da época, mas nenhum editor são os aprovaria hoje.
Entretanto com a Graphic Novel é diferente. Sem o terror dos prazos, Sal tem a oportunidade de desenhar com detalhe cada página. E nota que não há quadrinhos na história, cada páginas é um quadrinho. Então cada momento é ricamente detalhado.

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The Enslavers
Surpreendentemente bem escrita por Stan Lee e muito bem ilustrada por Keith Pollard, encontramos aqui o surfista prateado que conhecemos e amamos.
A história começa com Galactus encontrando um mundo destruído, sem vida e amaldiçoando as criaturas que secaram o mundo antes que ele, assim o forçando a procurar outro.
Do outro lado, encontramos um Surfista Prateado, perdido, desolado e abandonado, chegando inconsciente a casa de Reed Richards balbuciando apenas "Am I Mad?"
E em outro canto do universo, a Voyager 3 (lembra, aquele treco vagando no espaço detalhando a existencia humana para caso exista alguém inteligente lá fora) é pega e analisada por... alguém lá fora.
Enfim, amargurado, o Surfista Prateado revela que finalmente achou seu planeta natal. Zenn-La, mas que ele não passa de uma rocha vazia. Aconselhado por Reed Richards entretanto, ele volta para a tal rocha vazia a fim de procurar mais pistas.
No que abandona o planeta terra, visitantes se aproximam e liderados por um ser talvez mais poderoso que Galactus, Mrrungo-Mu que além de ser o conquistador mais bem sucedido do universo, ter derrotado todos os heróis com um tapa, ter "one billion billion slaves", também tem problemas matrimoniais gravissimos. E enquanto o surfista procura traços de seu povo desaparecido, encontra uma jovem fugindo de seu enlouquecido e megalomaníaco marido que busca conforto nos braços de uma recém-adquirida escrava... Shalla-Bal (aquela do começo, lembra? O amor da vida de Norrin Radd).
O que se segue é a típica história de super-herói, mas a parte surpreende é Stan Lee que nos prova que a típica história de super-herói pode ser muitissimo bem escrita, sendo não apenas divertida, mas bem emocionante.

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Homecoming
E aqui chegamos a ultima resenha do dia. Deixada por ultimo de propósito, por essa história realmente pegou meu coração e é a melhor retratação do surfista que eu vi até hoje. Escrita pelo pai das "ohmyfuckingod super mega sagas estrelares", o que já foi muito bom, Jim Starlin e desenhada por Bill Reinhold.
Para garantir a neutralidade de Zenn-La no conflito Kree/Skrull, o surfista mais uma vez é condenado a vagar fora de seu planeta. Entretanto ele recebe um pedido de socorro de sua amada Shalla-Bal e volta correndo pra casa só para descobrir que... a casa sumiu.
Os monitores de um satélite próximo não enganam. Um segundo o planeta está lá e no outro não.
Com a ajuda da Serpente da Lua, então guardiã da jóia da mente (antes do Starlin foder com a própria saga do infinito), o surfista descobre que o planeta foi absorvido por uma criatura mais mental que fisica e que Zenn-La agora não passa de um onda mental do ser.
O surfista então abandona o corpo e sua mente viaja até Zenn-La para descobrir seu mundo em... perfeito estado... literalmente.
O ser na verdade, não é nenhum ser maligno, ao contrário, ao absorver Zenn-La ele o livrou do conflito Kree/Skrull e até fez uma votação entre os habitantes perguntando se eles queriam permanecer lá ou não. Tudo feliz e saudavel, o surfista é abordado por algo que nunca teve antes. Paz. E pela primeira vez em sua história, ele pode viver com Shalla-Bal.
A história é um belo conto sobre dois seres muito parecidos procurando tão desesperadamente a paz e se deixando levar tão facilmente pelas emoções.
"so much power, possessed by such frightened soul" lamenta o surfista.
É uma história tão poderosa por ser tão trágica.
Felicidade utópica que acaba por se tornar a maior das tristezas.
"Moondragon of the infinity guard has seen many wondrous things in her travels, so believe in me when I say, that in all the universe... there is no sadder or more noble being then the silver surfer"

terça-feira, março 22, 2005

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Se meus posts tivessem título, hoje com certeza se chamaria:
Céus, o Grant Morrisson é foda.

Brilhantemente escrita e lindamente ilustrada, WE3 é uma daquelas obras completas. Só de olhar para a capa (e para o selo vertigo) você já sente aquele gostinho de "underground" na boca. E o gosto continua excelente a cada edição. Para uma mini-série em 3 edições, WE3 vai ter que passar por uma bela tentação para não ganhar continuações ou até mesmo uma série regular. Sinceramente, deixa assim. São 3 edições... começa e acaba... é perfeita como é...
Primeiro chamando a atenção para os dois gênios responsáveis.
Grant Morrisson é um nome que vim conhecer através da atual fase de X-Men sendo publicada hoje pela Panini aqui no Brasil. O homem cometeu loucuras incríveis com X-Men e deu um folêgo novo e gigante a velha equipe. Mas entendam, ainda é X-Men, é brilhante em seu propósito e também limitado por ele. (diz o cara que compra até X-Men Extra).
WE3 é uma mini-série. É da Vertigo. Os personagens são completamente novos e tem uma expectativa de vida de 3 edições. Ou seja. Grant Morrisson pode enlouquecer a vontade.
Frank Quietly é também conhecido das mesmas páginas de X-Men de Morrisson. Ei, eles se entendem, vai fazer o que? Mas também como desenhista, limitado por X-Men, cuja censura não é nem 12 anos. Ou seja... todo mundo se espanca, mas não espere ver muito sangue... e também não espere ver uma narrativa ousada, o homem é um profissional, ele conta a história de forma brilhante, mas em termos de design, ele tem que ser claro e objetivo. As pessoas tem que saber qual quadrinho ler em seguida. Mas de novo. Mini-série. Vertigo. Deu certo deu, não deu, beleza. Mas dá. Céus, como dá. Frank Quietly é o rei do design, dos ângulos inusitados e dos primeiros, segundos, terceiros, quartos planos... passa-se horas analisando a batalha contra os ratos na ponte (segunda edição, se não me engano). Tantos detalhes. Digo, TANTOS. Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. O desenho é vivo e pulsante. Não te deixa respirar. E no que nossos protagonistas agem por instinto e mal conseguem falar mais do que "we3", então é Quietly que conta a história arquitetada por Grant Morrisson. E ele nos força a ver a mesma página de novo e de novo, mas céus, ainda bem, pois a cada vez, descobrimos uma genialidade nova.
OFMGWTF? "batalha contra ratos"? "protagonistas agem por instinto e mal conseguem falar"? Mas que porra?
Exato. Os protagonistas são um gato, um cachorro e um coelho. Ciborgues modificados para matar. É puro, doce, doente e brilhante. A cientista que modificou os animais se apegou aos bichos o bastante para lhes dar o dom da voz... mas claro, ainda são um gato, um cachorro e um coelho. O gato mal fala mais do que "ST!NKKK BOSS" e assim por diante.
Pois bem, o exército adora a idéia dos animais virarem robôs e genialmente matarem todo mundo em operações complicadas para humanos, mas o senador se assusta ao ver que as aberrações falam. Então é simples, "mate esses 3 e continue o projeto". Aí que a doutora liberta os animais e a caçada começa.
Não vou entregar mais, façam como eu e tenham a decência de abaixar o gibi do ZCultFM já que é o tipo de coisa que jamais será publicada no Brasil, faça sem culpa. Só tenho a dizer que é lindo ver esses animais lutando para sobreviver. Sim, eles são ciborgues assassinos equipados com armaduras e misseis terra-ar, mas putz... ainda são animais... e assassinos que sejam, sua pureza ainda faz com que nos sintamos sujos.

sábado, março 19, 2005

Para acessar o Neorama diariamente, é só se registrar em http://www.neorama.com.br , recomendadíssimo, eu vivo conhecendo gente do ramo graças a essa newsletter. Isso que eu to publicando aqui é um resumo da semana e pretendo fazê-lo sempre que receber.
PS: (Nota que meu nome e o do Felipe estão por aí em algum lugar, bwahaha)

Argentinos lançam movimento de difusão dos quadrinhos infantis

Um movimento cultural para apoiar a criação, edição e difusão de histórias em quadrinhos para crianças foi lançado esta semana, na Argentina. Trata-se de Banda Dibujada, que pretende atingir toda a América Latina. O manifesto do movimento, já subscrito por 3 brasileiros, pode ser lido e assinado aqui: http://www.bandadibujada.8k.com/

Patoruzito promove o 2º Encontro de Povos Aborígenes da América
O Segundo Encuentro de Pueblos Originarios de América, que acontece em abril, na cidade argentina de Formosa, recebeu a autorização da família de Dante Quinterno para que o imortal indiozinho seja o personagem símbolo do encontro, ajudando na sua divulgação.

Art Spiegelman para as massas
Budapest encontrou uma forma inteligente de alertar para os perigos do ressurgimento do nazismo na Europa, montando uma exposição de 'Maus', de Art Spiegelman, em estações do metrô, fato que teve grande repercussão da imprensa internacional.

Mortadelo e Salaminho homenageiam 400 anos de Dom Quixote
Francisco Ibañez encontrou uma forma muito peculiar de saudar os 400 anos da maior obra literária do idioma espanhol. Na próxima aventura de Mortadelo e Salaminho, 'Mortadelo de la Mancha', a dupla vai encarnar duas novas personalidades: Maese Mortadelo e seu escudeiro Filemoncho. Os demais personagens também comparecem, especialmente, o Profesor Bacterio...

Invasão de mangás na Egmont
Nada menos que 4 revistas de mangás estão saindo com o número 1, este mês, pela Egmont da Alemanha: 'Kare First Love', 'Go! Virginal', 'Mouse' e 'Yakitate'.

Ralf Köning na Itália e na Alemanha
Roy & Al, os dois mascotes de um casal gay criados por Ralf Köning, ganharam um álbum espanhol, publicado pela Editorial La Cúpula. Já na Itália, o alemão teve publicado Super Paradise, que trata da problemática da AIDS, pela Kappa Edizioni.

O Ceará não pára
A Oficina de Quadrinhos da UFC, um dos principais esteios da produção da Nona Arte no Ceará, foi reativada este mês, sob a coordenação de Ricardo Jorge, professor de comunicação social, com a colaboração de Daniel Brandão, Weaver Lima, JJ Marreiro e Fernando Lima. Já o Panorama Nona Arte não ficou só no belo encontro do início do mês. Nestes dias 19 e 26 está exibindo documentários sobre Will Eisner, Stan Lee e Charles Schultz, no Centro Dragão do Mar, em Fortaleza.

Brasileiros no mundo dos comics
Samurai: Heaven and Earth #3, desenhado por Luke Ross e publicado pela Dark Horse, ganhou nota máxima em resenha de Michael Deeley publicada no Silver Bullet Comics. A Glass House Graphics também informa que aumentou o número de trabalhos de Luke em exposição no seu site.

Sergio Cariello na Comiclopedia
12 novas biografias foram incluídas na Comiclopedia, no dia 14. Entre elas, a do brasileiro Sergio Cariello. Os pesquisadores da Comiclopedia destacam seu detetive 'Frederico', criado quando ele tinha 11 anos e - entre sua produção para o mercado americano - os vários trabalhos para a DC Comics.

Bédé de opinião
O coletivo editor de quadrinhos L'Association lançou uma nova coleção, chamada 'Eprouvette'. Os 2 primeiros números são o álbum 'Désœuvré', de Lewis Trondheim, e 'Plates-Bandes', de Menu, que na verdade, não é um álbum, e sim, uma obra-manifesto que expõe boa parte do que L'Association entende como criação de quadrinhos de arte.

14 graphic novels de Will Eisner serão republicadas
14 obras de Will Eisner ganharão uma coleção especial da WW Norton, em 3 volumes de capa dura, a partir de novembro de 2005. em inglês.

Lagarto Negro divulga 13 fanzines brasileiros
O site do super-herói brasileiro Lagarto Negro publicou novas fichas de fanzines do Brasil. Agora, já são 13, incluindo, alguns bastante recentes. http://www.lagartonegro.com.br

The Comic Book Bin arrasa em análise de action figures
A Comic Book Bin publicou, esta semana, 4 resenhas de 'toys', cada uma com 7 parágrafos, sobre 4 novos lançamentos nos EUA. Zatanna, Kid Flash, Black Canary e Darkseid e seu filho Orion (criações de Jack Kirby). Uma bela aula de como abordar o assunto, com certeza. www.comicbookbin.com

Biografias de pintores em quadrinhos
A Willi Blöß Verlag, sediada em Aachen (Alemenha), lançou uma série de biografias de pintores, ao preço de 3 euros, cada, com muito boa qualidade. A série traz biografias de Van Gogh, Joseph Beuys, Picasso, Frida Kahlo, Andy Warhol, Keith Haring e - claro - Hieronymus Bosch. Todas com texto do próprio Willi Blöß.

2 novas tiras do Cedraz
Antonio Cedraz lançou mais 2 séries de tiras, este mês: Mega-Z, o herói dos fracos e deprimidos, baseado no Zé Pequeno, da turma do Xaxado, e Vida de Aposentado, uma visão bem-humorada da Terceira Idade. Os dois novos personagens já foram saudados pelo Portal Comic, da Argentina e podem ser vistos no site UCM Comics. http://www.ucmcomics.com.br .

Areia Hostil entrevista Júlio Shimamoto
O Areia Hostil publicou uma entrevista feita por Vagner Francisco com o grande quadrinhista nacional Júlio Shimamoto, que do alto de sua experiência de mais de 45 anos no setor, disparou: 'O mercado tupiniquim vai ser sempre do mesmo tamanho de sempre, se não decrescer, é claro' http://www.areiahostil.com.br/

O site do Fadão já está disponível
O cartunista e chargista Fadão agora tem um mostruário próprio, além do que vem publicando no Humoralia (tiras do Celestinho e Pestinha). O site ainda não está prontp, mas já dá para encontrar o essencial: o traço bastante pessoal do Fadão, em cartuns, charges e tiras. http://www.fgstudio.org

O novo álbum em português do Mordillo
Os colegas do Central Comics nos deram, esta semana, a alegria de saber que a editora Booktree lançou, no final de 2004, 'História de um Amor', com 112 páginas, ao preço de 13,80 euros, contendo cartuns do grande mestre argentino.

Chuva contra o Vento vai sair no La Bouche du Monde
Chuva contra o Vento, o fanzine realizado no Grande ABC (SP) por Felipe Cunha (ilustr). e Rodrigo Alonso (roteiros), terá uma história publicada no fanzine 'La Bouche du Monde', publicado em Narbonne, na França, por Eduardo Pinto Barbier, e que reúne trabalhos de quadrinhistas independentes da França, Portugal, Brasil e Canadá. A nossa alegria é maior pois fomos nós quem fizemos a ponte entre a dupla do ABC e o 'La Bouche'

Mostra de Corto Maltese na Toscana
A Adnkronos nos informou que Siena está sediando a primeira mostra antológica das obras de Hugo Pratt, o genial criador de Corto Maltese, de 24 de março a 28 de agosto, com um total de 163 pranchas em exposição e mais 350 outras peças.

Solidaribulles em prol das vítimas do tsunami
O Secours Populaire Français encontrou uma forma original de levantar fundos para apoiar as vítimas do tsunami: um leilão online de desenhos de autores de quadrinhos. Entre os autores que disseram sim ao Solidaribulles, temos realizadores consagrados como Bara, Weinberg, Caza, Tarek e Houot. O menor lance é 20 euros. http://www.opalebd.com/solidaribulles/

O cinema de animação brasileiro invade o Festival de Toulouse
Mais de 30 filmes de animação brasileiros foram exibidos no Festival de Cinema de Toulouse, esta semana, a partir de uma iniciativa de Aida Queiroz, uma das diretoras do festival Anima Mundi.

O ET de Varginha, em gibi nacional
O cartunista Paulo Antônio de Carvalho, criador do ET de Varginha, vai publicar uma revista piloto com o personagem, de 5.000 exemplares. Caso haja boa receptividade, a Três Editorial deve passar a distribuir a revista para todo o Brasil.

Lan, homenageado no Rio
O cartunista Lan foi homenageado por seus 80 anos, em ato especial na sede da ABI (Associação Brasilera de Imprensa), no Rio de Janeiro, no dia 16, quando foi saudado por inúmeros colegas. A ABI também montou uma exposição com trabalhos de 19 cartunistas, criados especialmente para a ocasião. Na Argentina, Lan teve direito a uma entrevista no jornal portenho Clarin, por conta de sua exposição em Buenos Aires.

El Salvador: Toño Salazar em mostra
Toño Salazar, o maior nome da história do traço de humor de El Salvador (falecido em 1996), ganhou uma grande exposição no Museo de Arte de El Salvador, aberta nesta quinta-feira. Em duas salas, está exposto o melhor do que Toño Salazar produziu ao longo de 60 anos de carreira.
Problemas Brasileiros publica especial pelos 60 anos da EBAL
A revista mensal Problemas Brasileiros, publicada pelo SESC São Paulo, traz, este mês, um artigo de fundo assinado por Rodrigo Arco e Flexa que saúda os 60 anos da EBAL (Editora Brasil-América), a casa editora que mais contribuiu para a difusão dos quadrinhos, no Brasil.

Gogue em Sevilha
Em sua 1ª exposição na Andaluzia, Gogue, o mais reconhecido dos 5 (cinco) ilustradores que o Faro de Vigo publica, e um dos mais aplaudidos autores do traço de humor de toda a Espanha, está expondo 39 caricaturas na sede da RTVA, em Sevilha.
Exposição sobre as HQs na luta pelos direitos humanos reúne 40 autores de todo o mundo
País Vasco: a mostra Cómic y Derechos Humanos, que está aberta até o dia 30, em Donostia, expõe obras de 40 autores de todo o mundo, entre os quais se destacam Carlos Giménez, Quino e Art Spielgelman. A mostra acontece no âmbito dos 'Encuentros de Cine y Derechos Humanos'

Número 44 da Rhinoceros traz 25 cartunistas
O coletivo Nosorog, de cartunistas de Banja Luka, (República Sérbia da Bósnia e Herzegovina) além de estar divulgando por meio de e-mail cada novo concurso que publica em seu site, colocou no ar, esta semana, o número 44 da revista Rhinoceros, com 25 cartunistas internacionais. O tratamento especial das imagens, já costumeiro do Nosorog, sofreu uma mudança. Ao invés de usar o recurso de gifs animados, as séries de cartuns que compõem a nova Rhinoceros são mostradas em fade-off. Imperdível: http://www.nosorog.rs.sr/44ns1.html

18º Festival de la Bande Dessinée de Québec
Québec, a mais importante cidade do Canadá de predominância cutural de origem francesa, realiza seu 18º festival de quadrinhos entre 6 e 10 de abril. Além da grande novidade do ano, que é a junção do evento com o Salão do Livro de Québec, o festival deve ajudar a confirmar a ótima fase do canadense Michel Rabagliati, que vêm ganhando edições de seus trabalhos por importantes selos da Europa.

Bienal em Cuba
San Antonio de los Baños, capital do humor cubano, está sediando, de 15 a 19 deste mês, sua XIV Bienal Internacional del Humorismo Gráfico, certame importante do qual já participaram vários brasileiros.

O novo livro de Sonia Bibe Luyten
Esta, em primeira mão; não foi publicada nem no Neorama dos Quadrinhos. 'Cultura Pop Japonesa', livro organizado por Sonia M. Bibe Luyten saiu esta semana, pela Hedra. A obra aborda o impacto dos mangás em vários aspectos da atividade humana. O livro traz textos de Waldomiro Vergueiro, José Marques de Melo, Alfons Moliné, Gazy Andraus, Sidney Gusman, Arnaldo Oka, Fabio Tatsubô, Erika Awano, Daniel HDR, Bar (Alexandre Barbosa), Diego Assis e Alexandre Nagado. O livro terá lançamento também na Catalunha, a cargo de Alfons Moliné.

Turco premiado em salão brasileiro
Recebemos, da organização, os nomes dos 5 vencedores do 13º Salão Internacional de Desenho para Imprensa de Porto Alegre:
Enver Malkoc (Turquia)
Gustavo Fonseca Duarte (São Paulo SP)
Marcelo Eduardo Lelis de Oliveira (Belo Horizonte MG)
Renato Moriconi (São Paulo SP)
Rodrigo Octavio Accioly Leite (Rio de Janeiro, RJ)

Novos espaços para o Neorama dos Quadrinhos
O UBC Fumetti, um dos mais importants portais italianos sobre quadrinhos, aceitou publicar em seu weblog uma nota de Marko Ajdaric, esta semana. Intitulada 'BoDoï: l'Invasione dei Fummettisti Italiani in Francia'. A nota fala do artigo de fundo da revista francesa BoDoï sobre a crescente participação dos italianos no mercado francês.
Já a Galeria dos Brinquedos nos brindou com a possibilidade de termos publicado um artigo chamado 'Brinquedos Comemoram o Centenário da 1ª Personagem Feminina dos Quadrinhos', em que falamos da série criada pela artesanal casa francesa Leblon-Delienne para assinalar os 100 anos de Bécassine. http://www.galeriadosbrinquedos.com.br/

**Nota: Neorama dos Quadrinhos: o resumo da semana, não traz notas sobre notícias já desenvolvidas por outros colegas no Brasil.

sexta-feira, março 18, 2005

Hoje eu sonhei que o Mel Gibson estava dando uma palestra sobre como ter uma vida feliz... estava bem interessante, até que ele começou a cantar Every You, Every Me do Placebo...

quinta-feira, março 17, 2005

Aneurisma

Para os que gentilmente me desejam um câncer, saibam que eu estou com um problema não tão grave, mas tão divertido quanto.
Meu próprio corpo me atacou anteontem. Eu não sei o que foi, mas ta se repetindo neste exato momento me levando a crer que, de fato, foi uma espécie de ataque de nervos ou algo assim.
Funciona assim.
Este é o Rodrigo.
A vida dele é patética. Mas geralmente ele não liga, ele tem amigos ou namorada ou dinheiro ou estuda ou qualquer coisa que faz a vida dele valer a pena.
Aí acontece o seguinte com o Rodrigo.
Quando a familia do Rodrigo deixa de existir, ele perde todo o dinheiro, consequentemente para de estudar, então ele perde a namorada, que se casa um mês depois, aí o seu amigo começa a surtar, primeiro por causa de comidas de microondas e depois porque Rodrigo odeia publicitarios e acha que alguém que vive as custas de vender papel higiênico não merece ser chamado de "pessoa criativa" e muito menos ter mais dinheiro que 97% da população... então, depois de 3 ou 4 meses sem trabalho, aparecem 2. Patéticos e que pagam super mal. Mas Rodrigo não pode recusar. Ah, ambos é para a mesma semana, um para a segunda e outro para a quarta. Tudo bem, Rodrigo é um idiota, ele aceita.
Ele acaba o trabalho para segunda, mas ah, ele não tem cnpj ou qualquer coisa dessas de adulto, então ele não receberá em menos de um mês enquanto eles resolvem o problema Rodrigo que ficou algumas noites acordados para fazer o tal trabalho. Ok, é segunda feira de manhã, trabalho 1 está entregue. Mas eles não gostam, Rodrigo refaz na segunda mesmo.
Terça feira de manhã o telefone toca. O que acontece? Rodrigo tem que concertar mais algumas coisinhas. Ele o faz de manhã... ok, tarde livre para entregar trabalho 2 na manhã seguinte. Mas algo ocorre com Rodrigo. Ele até agora não sabe o que é, mas desconfia que seja o tal colapso nervoso de que tanto falam. Primeiro o bom moço da eletropaulo vem aqui e diz que vai cortar a energia elétrica. Depois a boa moça do banco liga e diz que um cheque voltará se 70 e poucos reais não forem depositados até 11 da manhã... isso... lá prumas 10 e meia. Então, o peito de Rodrigo começa a coçar um pouco (ele até comenta isso com Rebs), ok, normal, Rodrigo não está estressado... ou ele acha que não... ele é um bosta, ele não se entende, então foda-se. Mas aí os braços de Rodrigo começam a coçar e coçar bastante e coçar MUITO, começa a doer um pouco de tanto que os braços coçam, então Rodrigo entra no banho gelado para ver se resolve a situação. Os braços de Rodrigo não param de doer, eles começam a doer horrivelmente e ele começam a ter espasmos ou algo do tipo... Rodrigo em pura adrenalina (woohoo) sai correndo do banho pelo meio da casa, ele não consegue andar, ele corre, porque se ele anda, os braços dele dóem insuportavelmente, então ele corre pela casa. Chegando no quarto da mãe, onde as roupas ficam todas (pois ela trabalha das 6 da manhã até as 8 da noite e não tem tempo de passar as roupas), ele tenta se vestir, não consegue, pois seus braços não respondem muito bem, ele não tem forças para segurar a cueca no caso, ok, rodrigo tem um pau descomunal, mas sua cueca é comum, ele se desespera por não conseguir levanta-la. Desaba na cama, se debate um tempo, chora alto, grita bastante, então consegue se tranquilizar por um momento e chorando liga para a mãe dizendo que não sabe o que ta rolando. Ela liga para a irmã de rodrigo e para o pai de rodrigo. O pai demora, mas a irmã chega rapidinho e encontra rodrigo tremendo, desesperado e confuso. Um copo d´agua depois e rodrigo ainda está meio nervoso, mas está melhor. Eles conversam um pouco, o pai chega, eles conversam mais um pouco. Vão ao hospital, no caminho param no banco para pagar as contas de luz (o cheque, well, voltou), no bom hospital público municipal da maravilhosa são bernardo, a fila de espera é de no minimo 3 horas. Rodrigo está um pouco desconcertado, mas não doente o bastante para ficar 3 horas na fila. Ele volta para a casa, está bem cansado, ele não consegue fazer o trabalho direito, o faz todo errado e de noite vai dormir.
Acorda o dia seguinte e percebe que está tudo errado, não dá tempo para concertar, o prazo é perdido, seu telefone toca muitas e muitas e muitas e muitas vezes. O sr. quer ver o vídeo da filha pronto e rodrigo é um monstro mau e incompetente que, caso atrase mais, fará do aniversário dela uma ocasião mais triste. Ok, ele é o cliente, não tem nada a ver com meus problemas, Rodrigo começa a quarta feira começando seu trabalho do começo.
Agora são 6:40 da quinta-feira. O trabalho está quase pronto, exceto por algum problema na hora de gravar a fita. Ele não sabe qual é, mas enfim, o video-cassete 1 está quebrado e o video-cassete 2 só grava em preto e branco. O prazo (atrasado em 24 horas) é pra daqui...... hum... uns 20 minutos... e Rodrigo o perderá de novo... talvez assim perdendo o pouco dinheir0 que ganharia com esse trabalho humilhante. Porque ele está no blog então? Bem, o peito de Rodrigo voltou a coçar, ele gritou com a mãe, está tremendo pra burro e os braços estão coçando um pouquinho. Então ele está desesperadamente procurando um jeito de aliviar o stress, porque tudo que tem mais medo no momento é voltar a passar o inferno que passou ontem.
Ah, sim, lembrando, ele poderia estar um pouco menos estressado, mas o tal do chad bugaloo roubou a tirinha do Nicolas (algumacoisa) e quando eu disse para ele ter a minima educação para dizer que não fez a maldita tirinha, ele me acusou de não entender suas piadas. Olhe só, plágio agora é piada! Dá pra eu voltar a rir com o kibeloco de novo! Porque internet é assim, não tem importancia mesmo. É a democracia, gente. Não só as pessoas ganham uma voz, como as pseudo-punkzinhos burrinhos cujo pior problema é escolher um carrinho junto com o paizinho na lojinha também ganham voz. E eu também ganho voz. Para que? Bem pra mostrar ao mundo que eu sou uma daqueles losers natos. Aquele tipo de perdedor que é tão deprimente que nem no seinfield aparece.
Sabe, tem uma coisa muito foda na vida. Eles passam sua vida inteira dizendo que você escreve bem, que você tem textos bons, que é pra continuar, que as pessoas te zoam porque são fúteis, que você que é o legal, que você que é o cara, que você não é só mais um clichê. Aí você acorda um dia, se vê fazendo um trabalho do qual tem nojo e está desesperadamente procurando um psiquiatra porquen não aguenta mais sua vida e vem um martelo na sua cabeça e diz "ei, aquelas pessoas estavam erradas amigão, você É SIM um clichê, você é um sub-produto patético da classe média e não consegue nem concertar um vídeo cassete. Porque na minha época, as pessoas viviam pelo ferro e fogo, enquanto você fica tendo ataques epiléticos por qualquer bobagenzinha, seu fresco." e isso não é só diogo mainardi ou olavo de carvalho falando. É a sua consciência.
Então é assim, eu passei 20 anos sendo enganado por professores que diziam que eu era um jovem legal que escrevia bons textos e que vivia sozinho e deprimido no colégio, não porque era estranho ou anti-social, mas porque não era compreendido.
Aí você passa os 20 anos seguintes pagando um psicólogo para esquecer de quem foi nos primeiros 20 anos e esperançosamente ser chad bugaloo, pra quem, ser diferente, é plagiar quem não é conhecido.
Ok, estamos com 40. Quais são os próximos? Ah, beleza, você está casado a um tempo, conheceu a outra neurótica na sala de espera do psiquiatra, então você passa esses outros 20 anos tentando fazer o casamento infeliz dar certo, não conseguindo, criando filhos de quem não gosta e fazendo um trabalho mais patético que nunca com uma naturalidade assustadora.
Os próximos 20 você se esforça pra morrer.
Essa não é a sua vida, é a minha. Você é um jovem adorável, vai completar a faculdade e mudar o mundo.
Ahá. 6h54 o telefone toca, o moço está vindo de moto buscar a fita que não existe.
Bem, meu corpo parou de coçar, acho que o evento de ontem não vai se repetir, escrever no blog É uma boa terapia. Criar histórias é melhor ainda. Cara, eu adoro criar histórias, contar coisas novas e diferentes... ou velhas e diferentes... ou mesmo contar um bom clichê de uma forma divertida. Eu curto essas coisas, eu me sinto bem quando faço os outros se sentirem bem com uma história minha. Quando as pessoas gostam ou citam alguma frase que eu criei. Me faz orgulhoso, de verdade, é praticamente a única coisa que dá sentido a minha vida. O que fode é eu ficar com medo de escrever, não porque alguém vai criticar o que foi escrito ou porque alguém vai dizer que é mal escrito, mas porque sei lá, se eu fizer uma história sobre um encanador, eu posso estar ofendendo o pai de alguém e perder mais um amigo no processo. E olhem a ironia, encanador foi um ótimo exemplo, é mais uma profissão que se trabalha com bosta, a diferença é que a bosta que o encanador cria não faz um menininho sem dinheiro para comprar o chinelo do senninha triste no natal.
6h59 ele liga mais uma vez, só para confirmar pra mim que está vindo.
Mas olha, é ótimo que uma coisa dessas acontece. Dá pra finalmente dizer que tenho um problema clínico, quem sabe se eu me esforçar mais um pouco, eu consigo cair no chão e ficar babando e ser internado. Assim, talvez, as pessoas não falem que eu só faço drama. Quem sabe eu me apaixone por uma enfermeira gostosa e ela me dê bola. Quem sabe ela se apaixone por mim, tanto que entenda que o melhor pra minha saúde mental agora é que alguém venha e meta uma bala na minha nuca. Merecer morrer eu mereço, querer morrer eu quero. Ah, mas se suicidar, pra que ser tão clichê? Pra alguém olhar e falar "acho que foi só drama... ".
Eu não sou o unico com problemas e nem de longe eu acho que meus problemas são mais importantes que o dos outros, só que, nesse momento, eu to com medo demais de um monte de coisas pra ser menos egoísta. Amanhã talvez eu seja menos egoísta e peça desculpas por um monte de coisa escrita aqui. Hoje não, hoje eu não tenho amigo, mãe, pai nada. Ta vai, hoje é tempo demais, agora. Nesse momento. 7h10 da manhã. Eu sou só um loser de 19 anos escrevendo um monte de coisa que alguém vai ler e vai ficar puto, enquanto outra pessoa vai ler e vai dar risada, comentários do tipo "eu te disse que você não sabia lidar com a vida" e "ah, ta explicado agora o stress todo por causa de uma tirinha, seu maluco", porque bem, esse é o tipo de "maluco" que eu encontrei minha vida inteira. Gente que cuidadosamente mistura as palavras e que calculadamente é nonsense. Confesso que o que eu to passando nesse momento não rolava desde o colégio. Aquela sensação que minha cabeça ta quebrando, aquela... sei lá... aquele lance que fica tipo um quebra-cabeça se desprendendo de mim. Aquela sensação que, pro bem ou pro mal, eu sou a única pessoa do mundo. Céus, isso é tipico, isso é engraçado. Ver esses caras "diferentes", que fazem piadas que eu não entendo, que escrevem coisas "inusitadas". Sabe o que acontece com esses caras, quando você começa a chorar em público e bater a cabeça na parede? Sabe o qua acontece com esses caras, quando você começa a gritar com as pessoas sem nem saber porque? Esses caras olham para os lados, se aproximam daqueles "normais" (pessoas que ouvem axé e funk) e uma cena linda acontece. Punks, funkeiros e punheteiros, todos deixam suas diferenças de lado para ver o freakshow. É, eu tenho um orgulho enorme dessa parte. Quando eu chego no ponto em que não preciso mais me distanciar das pessoas, elas fogem de mim. É quando algo em mim brilha e diz "isso não é frescura cara, você tem um problema sério, você não é fraco, você é doente, e doença é um acidente genético da natureza, não é fraqueza." É nessas horas que eu to completamente sozinho que um pouco de conforto vem a mim, que é quando um lado bom meu, geralmente esmagado pela peso da minha consciência, afastado pela culpa por eu ser tão arrogante e egoísta o tempo todo... nessas horas esse cara faz uma trégua comigo. Ele me abraça. Ele diz "não se preocupa cara, eu sei que é verdade. Eu sei que não é só drama. Eu to aqui" e eu me encontro, me torno uno... o ciclo se fecha.

quarta-feira, março 16, 2005

Ainda na minha eterna busca por foder o template do Bernardo, eu enchi de link aí do lado, lembrando que no bom espirito Karinassa, eu não linko alguém por retribuição ou algo assim, mesmo porque eu pouco me importo com o que vocês lêem, então eu deixo os links aí do lado que é pra quando eu fazer minha navegada diária, eu possa simplesmente entrar no meu próprio blog e ir vendo um por um. Dito isto, eu sei que vocês pouco se importam com o que eu escrevo, então porque estão lendo? Bem, digamos apenas que vocês não são muito espertos...

domingo, março 13, 2005

Céus, como eu sou gostoso...

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Aprendi duas coisas na praia hoje:

1 - Gosto bastante de boiar perto dos surfistas, onde as ondas grandes estão se formando
2 - Os surfistas não gostam que eu bóie perto deles

sexta-feira, março 11, 2005

Dois homens conversam em um restaurante.

- Que dia é hoje?
- Terça
- Não, tipo, de número!
- 4
- Ah... porra! 4?
- É
- De boa?
- Não, eu to mentindo.
- Cuzão... então ah, porra...
- Esse bife tá meio crú...
- Eu tenho um monte de conta pra pagar amanhã!
- Tudo no dia 5?
- Esse bife ta crú mesmo... será que sal ajuda? Dá o sal ae!
- Acho que sal não ajuda...
- Tá. Foda-se. Dá o sal!
- Não tem.
- Não tem sal na mesa? Affe!
- Pede pro garçom...
- Garçom! Então, tudo pro dia 5!
- Que saco, hein?
- Garçooom! Só! Olha aquilo!
- É...
- Não pô! Pra lá!
- Ah, pensei que você tava falando do garçom.
- Não, pô. O cara de terno.
- Que que tem?
- Ele ta cheio da grana!
- Vai lá roubar ele...
- Garçooooom pô!
- O cara ta indo embora...
- Beleza, foda-se ele. To dizendo. Você viu onde ele trabalha?
- Eu quase nem vi ele direito...
- Trabalha ali na frente, ó. Sabe o que é aquilo?
- Um prédio?
- Uma agencia de publicidade! Sabe o que tem lá?
- Gente idiota?
- Isso! E além disso tem uns computadorzões que eles usam pra fazer aqueles baratos 3D e tal. Sabe quanto custa um daqueles? Uns 15 mil! Tô te dizendo! Um barato daquele resolvia meus problemas!
- 15 mil um computador? Não é meio caro?
- É? Sei lá... mas acho que ta mais ou menos nessa faixa... ô, garçom. Traz o sal pra mim!
- Mas e aí? Você vai roubar um computador agora?
- Isso!
- Como?
- Saca só, a gente acha uns caras e manda eles invadi o lugar.
- Por causa de um computador?
- Isso! Isso! Mas saca só! A gente fala que trabalha lá! Aí diz que a segurança ta desativada e essa coisa toda!
- Aí a gente é preso...
- Não porra! A gente não vai ta junto?
- Aí os caras são presos, fogem e matam a gente?
- Não porra! A gente não diz quem a gente é!
- Você vai contratar um grupo de bandido e eles não vão ver você?
- Não, a gente faz tipo... pela internet.
- Aham... céus... ok... continua...
- Então, aí tipo, os caras vão lá e-- porra, acho que o garçom esqueceu de mim...
- Acho que esqueceu mesmo...
- Ô garçoooooom! Ah lá! Ô! Valeu!
- Acho que a carne ta fria agora.
- Affe, bom, beleza, eu vou dar cheque sem fundo mesmo.
- Então, o computador...
- Ah, só! Aí os caras vão lá e invadem a parada e o alarme soa, a policia vem, eles troca tiro, essa coisa toda.
- E o computador...?
- Ta lá! Entende? O lugar vai tá todo fodido! A gente espera todo mundo morrê, sê preso, sei lá, então entra lá e cata um computador ou dois.
- Hum.
- E aí? Ta afim?
- Ta. Peraí.
- Ô! Onde você ta indo?
- Já volto...
- Ô peraí! Não deixa eu aqui pra paga a conta sozinho! Peraí!
-...
- Onde você foi? O que é isso?
- Um computador do tipo que você falou, que faz 3D e tal...
- Como você conseguiu isso?
- Falei que era da manutenção...
- Ah... só... pô, cara 15 mil, parabéns...
- Ah, eu racho com você...
- Sério? Porra! Valeu cara! Vai me ajudar pra caralho! Pô, mó amigão você é!
- Mas você paga meu almoço.
- Que? Nem fodendo! Ganancioso filho da puta!
- ...

quarta-feira, março 09, 2005

Algumas frases de videogame que fizeram minha vida mais feliz

[narrating] Whenever I smell asphalt, I think of Maureen. That's the last sensation I had before I blacked out; that thick smell of asphalt. She said she'd fix my bike. Free. No strings attached. I shoulda've known then that things were never that simple. Yeah, when I think of Maureen, I think of two things: Asphalt, and trouble.

("Sempre que sinto cheiro do asfalto, eu penso em Maureen. Essa foi a última sensação que tive antes de apagar; aquele cheiro grosso do asfalto. Ela disse que concertaria minha moto. De graça. Sem compromisso. Eu deveria saber que as coisas nunca são tão simples. É, quando eu penso em Maureen, eu penso em suas coisas: Asfalto, e problema.")

E depois disso o punk rock foda de Gone Jackals começa enquanto motoqueiros depredam uma limosine em plena auto-estrada. Um clássico. Full Throttle nunca vai sair de moda.
Isso me lembra na verdade de outro jogo mais recente que começa numa tela preta e narração, Metal Gear Solid 3: Snake Eater (verdadeira obra de arte) que começa

"In the end of World War II, the world was split into two; East and West; This marked the begining of the era called 'The Cold War'"

("No final da segunda guerra mundial, o mundo se dividiu em dois. Leste e Oeste; Isto marcou o começo da era chamada "A Guerra Fria")

Ok, o primeiro citado é muitissimo mais poético do que uma simples informação que situa o jogador no clima político que se passa o jogo, mas ainda assim, quem jogou ambos os jogos, tem que concordar que as dublagens são belíssimas. A voz de Ben (Em Full Throttle) e Snake (Em Metal Gear) estão tatuadas na minha mente (e olha que não jogo Full Throttle faz uns 5 ou 6 anos, mas ainda consigo me lembrar direitinho da voz do sujeito)

Outra narração clássica é a de Final Fantasy 10. Não é no mesmo clima de "tela preta", mas ainda é fantástico. Pense assim.
Você acabou de comprar o jogo, não conhece nenhum personagem, não sabe de nada. Começa.
Vários objetos (espada, bola, bastão, enfim...), uma fogueira e ao redor dela vários seres estranhos. Vê-se muito pouco deles, o que mais se nota é um monstro azul e peludo e o garoto que se levanta. Ele encosta a mão no ombro de uma garota sentada, eles trocam olhares.
Ele sobe ao alto de uma montanha e olha para as ruínas de uma cidade:
"Listen to our story. This may be our last chance" ("Ouça a nossa história. Essa pode ser nossa última chance")
E começa o jogo. Muito tempo antes. Luto com minha tentação de não reproduzir os roteiros completos destes jogos. Eles costumam ter algumas centenas de páginas, vou me manter nas aberturas. Mas essas aberturas de fato só são tão especiais por contarem histórias tão maravilhosas.
Na verdade, uma boa história faz dialogos tão banais se tornarem imensamente memoráveis.
Céus, quem não se emociona ao ler na tela "Crono... Wake Up..." isso é tão emocionante porque faz você se lembrar aos poucos da história inteira. De como uma visita a uma feira se torna um épico temporal de questões e profundidade tão enorme que seus criadores só perceberam graças ao feedback dos fãs. (tanto que a continuação do jogo em questão é bem mais pesada em termos de filosofia e etc.)
Claro, falando em textos de abertura de videogame, impossível deixar passar também Final Fantasy 8 ou Final Fantasy 6. Bem, a série Final Fantasy é até uma coisa injusta de se mencionar em um tópico sobre "videogame-arte", foi ela que mostrou ao mundo o potencial artistico do video-game.
Contar uma história involve demais saber como apresentar seus personagens, mas a coisa toda se complica mais ainda quando está lidando com uma mídia interativa. Por via de regras (regra essa que é quebrada sempre e sempre) o público se desinteressa pelo seu filme se ele não for convencido nos primeiros 10 minutos que ele vale a pena. No videogame, a questão não é tanto tempo, mas sim o esforço mental utilizado para se avançar para a próxima etapa, em jogos de ação ou tiro, a questão é mais olho e reflexo do que raciocinio, então a história desses costuma ser mais fraca.
Agora em um RPG ou Adventure, onde há um esforço mental (por vezes bem cansativo), o que impulsiona o jogador é a história; se ele não é convencido nas primeiras etapas que aquela história vai ser boa, ele não vai continuar até o fim. Final Fantasy dá umas aulas boas disso, no que ele geralmente tem estágios.
Um jogo de Final Fantasy geralmente começa com uma ação básica local (pegar o 6 como referencia) onde o jogador é introduzido ao personagem durante a ação. Ou seja. O jogo começa com três soldados indo atrás de algo chamado "Esper", dois soldados genéricos e uma garota.
Aí está, você nem começou a controlar os personagens e já tem duas questões. O que é um Esper e qualé dessa garota, que supostamente é uma máquina de matar.
O segundo estágio a trama toma uma forma simples de "salvar o mundo". Após um tempo, a garota (Terra) decide se juntar aos Returners para derrubar o império malvado, esse geralmente é o estágio mais parado e banal da série, mas é necessário para os próximos e em praticamente todo FF isso ocorre. Você se encontra em uma busca simples para salvar o mundo.
No terceiro estágio, a coisa se torna emocional. O vilão mata entes queridos e personagens carismáticos são perdidos. Salvar o mundo é impessoal, vingança não é. Você finalmente está odiando o vilão e tem um bom motivo para continuar o esforço mental, muito bom, porque aqui o jogo começa a ficar dificil. No caso de FF6, o mundo inteiro é atacado e deixado a beira da destruição, já no FF7 ocorre a clássica morte da Aeris e no FF8, a feiticeira Edea derrota os heróis e ainda faz Seifer virar a casaca.. Basicamente, você falha naquela missão banal do estágio anterior. De novo, isso costuma se repetir nos FFs.
No quarto estágio, a trama se torna épica. Aqui nós caminhamos para o final, você está bem familiarizado com o mundo e com os personagens, já fez uma série de coisas boas, já passou por uma série de desafios. Você está na trama, você quer sinceramente salvar esse mundo. Você quer sinceramente se vingar.Em FF6, após o cataclisma mágico que destrói o mundo ocorre, a personagem Celes se encontra sozinha. Na busca pelos companheiros perdidos, você viaja o mundo inteiro vendo como tudo está triste e destruído graças ao vilão. De novo, mais combustivel pro final. A diferença é que primeiro, a nostalgia bate. Aquele lugar legal que você visitou no começo agora é uma vila destruída onde todos os adultos foram mortos para salvar seus filhos, isso se repete em outras cidades. Segundo, você se liga a esses lugares, não é a primeira vez que você os visita (isso é feito na segunda ou terceira etapa) e apesar das promessas feitas, você falhou em salva-los. Agora tem que passar por eles de novo e ver as consequencias disso. Em FF7 a merda atinge o ventilador de forma mais aleatória que a destruição em massa do 6. Algumas cidades são atacadas por Weapons, outras atacadas pela Shin-Ra e, mesmo que nada disso aconteça, no céu, o meteoro se aproxima para devastar o mundo. Sinal claro da sua derrota.
O quinto estágio é o fim. Nada mais a ser feito, agora você caminha ao final, nessa hora a história já está praticamente resolvida. Os problemas todos solucionados. A única peça no quebra-cabeça que falta é o vilão e ele já te derrotou antes. Kefka destrói o mundo. Sephiroth te manipula como quiser durante o jogo e atinge todos os objetivos graças aos seus esforços (mesmo após ter matado o par romântico do personagem principal, ele ainda o manipula com sucesso). Então, no final, com tudo feito, resta a batalha mais dificil de suas vidas.

Bem, esse é, ao meu ver, o arquétipo de um roteiro de Final Fantasy. Todos que eu joguei até hoje se baseiam nisso. Não que seja ruim, todos os heróis de todas as histórias são baseados em 8 arquétipos identificados por aristóteles, um arquétipo de forma alguma limita uma história. E, repetindo, essa é minha análise do arquétipo de um roteiro de Final Fantasy. Sintam-se livres para utiliza-lo nas suas próprias histórias. Ele funciona. ;)

segunda-feira, março 07, 2005

Eu vou começar, sem muitas palavras...
Fiquei tão chapado que me cocei até sangrar!
Me amo mais do que amo você.
Eu sei que é errado... mas o que eu vou fazer?

Enfim, versões nacionais de clássicos do rock a parte... decidi fazer um top 100 coisas que eu odeio.
Porque? Bem, primeiro porque eu tenho um montão de tempo livre e depois porque eu odeio um bocado de coisas. Teenage Angst nunca ta fora de moda.

(aham, ordem de lembrança e não de prioridade)

100 - Charlie Brown Jr.
99 - Os preços do McDonald´s
98 - Os preços do Bob´s
97 - Preços de lanche num geral, digo, 4 mangos um x-bacon na padaria! Que merda é essa?
96 - Universitarios
95 - Universitarios que usam camiseta do Che Guevara
94 - Universitarios que usam a boina do Che Guevara (com estrela e tudo)
93 - Universitarios que sinceramente acham que são a reencarnação do Che Guevara
92 - Diogo Mainardi
91 - Universitarios que acham que são moderninhos só porque citam Diogo Mainardi
90 - Olavo De Carvalho
89 - Direitistas que acham que nós moramos nos EUA
88 - Músicos da década de 60 e 70 que acharam que influenciaram o cenário político
87 - Pessoas que acham que o Lula é de esquerda
86 - Pessoas que acham que o Lula é de direita
85 - Lula
84 - Petistas em um geral
83 - PSDBistas num geral também
82 - PSDB (por se dizer Social Democracia)
81 - Comunistas
80 - Capitalistas
79 - Anarco-punks
78 - Políticos
77 - Blink 182 e bandas semelhantes (Box Car Racer é uma banda? Sempre pensei que fosse uma música de um blink 182 cover)
76 - Emos de São Bernardo
75 - Metaleiros de Santo André
74 - Gostosas de São Caetano
73 - Pessoas que me tratam como vendedor de canivete quando ofereço um fanzine
72 - Pessoas que acham que eu vendo fanzine para sobreviver
71 - Pessoas que acham que eu sou malandro porque quero ganhar dinheiro fácil vendendo fanzines para sobreviver
70 - Pessoas que acham que eu sou maconheiro
69 - Policiais que me olham feio porque acham que eu sou maconheiro
68 - Pessoas que não entendem que o debate de gerações é tão velho quanto a humanidade em si e que é nisso que se baseia a evolução moral dos seres humanos
67 - Pessoas que vêem um adolescente revoltado numa novela e logo deduzem que aquilo é um adolescente revoltado, por aqueles motivos.
66 - Jornalistas
65 - Apresentadores de TV
64 - Díalogos toscos de novela do tipo "Meu filho, você acha que eu te ensinei, mas não sabe o quanto aprendi com você"
63 - Atores péssimos de novela
62 - Antônio Fagundes em Deus é Brasileiro
61 - O motivo misterioso pela qual as pessoas gostam dessa atuação patética e sofrível
60 - O roteiro patético desse filme também. Digo... porra... eu sou ateu, mas se um velho barbudo fizer o tempo parar e então acelerar, eu vou passar a acreditar... digo... porra, pra todo ceticismo tem limite.
59 - Ateus que deixam de ser ateus
58 - Crentes
57 - Religiosos em um geral
56 - O fato que existem religiões o suficiente no mundo para que a Super Interessante faça uma revista mensal a respeito do assunto.
55 - Fé
54 - Marketing
53 - Publicidade
52 - Publicitarios
51 - Especialmente aquele que faz os comerciais da Colgate "aquele é André, ele está apaixonado" e pans, graças a esse cara, eu passo um tempo no supermercado escondendo as caixas de Colgate atrás das outras para que ninguém compre e esperançosamente esse filho da puta seja demitido e se mate.
50 - Artistas brasileiros que se acham deus porque ninguém gosta deles
49 - Artistas incopetentes que culpam a falta de sucesso na burrice do povo (mas peraí, eu já escrevi Diogo Mainardi aqui...)
48 - O fato de eu ainda estar no número 48.
47 - Pessoas que usam camiseta do Iron Maiden
46 - Pessoas que usam camiseta do Evanescence
45 - Avril Lavigne
44 - Punks
43 - Nazistas
42 - Racistas
41 - Brasileiros que acham que é moderninho odiar o Brasil
40 - Brasileiros que vão na comunidade "Brasil" do orkut fazer um post do tipo "eu odeio o Brasil" e acha que é original, polêmico e que ta abafando com essa idéia revolucionária
39 - Pessoas que acham que tem idéias novas. Não existem idéias novas, nunca existiram, existem meios originais de passar idéias velhas.
38 - Roteiristas que acham que dão mais atenção pro fato que a história se passa no Brasil do que na história em si.
37 - Pessoas que acham que pobreza é cult
36 - Pessoas que acham que roteirista de quadrinhos é "só o cara que escreve"
35 - Pessoas que acham que ser roteirista é escrever dialogos
34 - Roteiristas que acham que ser roteirista é escrever dialogos
33 - Porra, eu to no 33 ainda
32 - Chuck Austen
31 - Pessoas que lêem histórias do homem-aranha e não gostam de desenhos "cartunescos"
30 - Coisas óbvias em listas de "dislikes" do tipo "hipocrisia" ou "estupidez", tipo... dã.
29 - Tudo que gera uma resposta "tipo... dã."
28 - O fato que eu dificilmente consigo achar uma calça que sirva em mim (tipo, na cintura... ah... ter cintura de moça é uma merda)
27 - O fato que eu dificilmente consigo achar uma camisinha que sirva em mim (pensando bem, eu tenho orgulho desse, mas na hora H dá raiva)
26 - Ver gostosas a distancia... longe de mim...
25 - Quando eu acordo com crise de garotinhos emo.
24 - Velhos nostálgicos que jogaram um mundo até que bom no lixo.
23 - Velhos nostálgicos que jogaram um mundo até que bom no lixo e que ainda tem a pachorra de reclamar que os jovens que não fazem nada.
22 - Pessoas que sobem no alto dos prédios, ficam chorando, mas não se matam.
21 - Católicas (até as gostosas)
20 - O fato de que você não leu os 79 itens acima
19 - O fato que você vai dificilmente vai ler os 18 abaixo
18 - Barata
17 - Pernilongo
16 - Gente que acha que o mundo na época da ditadura era bom porque os militares tinham controle das coisas
15 - As histórias do Venom
14 - X-Treme X-Men
13 - Pessoas que não gostam do X-Táticos
12 - Cosplayers bitolados (adoro cosplayers... até certo ponto...)
11 - Otakus
10 - Pessoas que lêem gibis desde a época da Ebal e nunca viram nada do Terry Moore
9 - Um personagem bacana que nem o Justiceiro do Garth Ennis ter virado um clone do Chuck Norris em filme do tipo "Tempo de Matar"
8 - A certeza que eu vou morrer velho, triste e sozinho
7 - Saber que sou uma pessoa ruim e não ter saco pra mudar
6 - Minha persona do tarado psicótico tem irritado, mas eu não consigo me livrar dela
5 - Nunca ter me sentido tão fútil na minha vida
4 - Não achar uma personalidade interessante e divertida o bastante para substituir a do tarado psicótico
3 - Gostosas que nunca me darão atenção
2 - Eu
1 - Você

sexta-feira, março 04, 2005

PS: (aham, inaugurando um conceito novo aqui onde eu respondo os comentários, porque geralmente eu dou uma de mídia de massa e ignoro os feedbacks e eu só faço isso porque o cara levou a sério meu post abaixo, então saibam que eu não alimento trolls.)
Claro que o que eu escrevo nesse blog, eu faço sem base cientifica ou sem pesquisa prévia. É um blog, porra, não o jornal nacional. É onde eu exponho minhas filosofias de boteco e não onde eu tento mudar o mundo, muito menos onde eu falo sério. Digo, porra, foi um post sobre gostosas de balada, não foi uma dissertação sociológica sobre os efeitos da superpopulação sobre a mente da juventude paulistana do século XXI, eu escrevi um zilhão de dados errados, escrevi mesmo porra, eu posso. Me diz onde mais eu posso errar com tanta liberdade e tranquilidade quanto no meu blog? Deixa eu falar merda, me corrija, acontece direto aqui de eu falar merda e alguém vir falar "mas cara, nada a ver isso porque dados x e y estão incorretos". Eu aceito, algumas vezes raras até reedito o post. Olha a Karinassa, eu falei merda, ela me corrijiu e ainda conseguiu me ofender um pouquinho processo, é assim que se faz um comentário construtivo. Você lança uma informação e ofende o dono do blog. Isso que é comentário de verdade.
Agora olha o outro que cujo nome tem um z e um y no meio que minha geração de classe média mimada por psicólogos não consegue pronunciar. O cara me ofende, imita o Jabor e me ofende de novo. Sem informações, apenas ofensas. E não são sacadinhas espertas e inteligentes e engraçadas que nós nos olhamos e falamos "ahh, que merda você escreveu no meu comentário, hein, sacaninha?", não. É xingo bruto e crú. Isso não se faz. Não te deram educação naquela vila Amish onde você viveu os primeiros 37 anos da tua vida?
Tsc, velhos neuróticos deveriam se limitar a ficar acariciando seus gatos reclamando para a parede que na época deles é que se fazia música de verdade. Morte aos netinhos que ensinam seus avôs a mexerem na internet! Tudo que vocês tinham que fazer é desligar o monitor e dizer 'xii, acho que alguma coisa quebrou" e esperar até o velho ir embora, mas nããããão, deixaram a selinidade chegar ao meu blog. Saco.
Eu exponho meus pensamentos e sentimentos publicamente (insira crítica sociólgica nº 774 sobre a falta de senso de privacidade no mundo moderno), estou ciente dos riscos, das criticas e perversões num geral. Eu aceito o que o Bernardo (não o Amorin, o outro) fala, mesmo que me deprima uma semana, sempre aceito qualquer um que me corrija, quero deixar isso um tanto claro que não é do tipo "ihh, ele ficou ofendido só porque alguém respondeu" ou qualquer coisa óbvia dessa. Vivem respondendo porra e isso nunca me impediu (ou impeliu) a escrever antes. O que me deixou puto é o cara pegar uma zueira que eu escrevi e usar isso como discurso sociológico contra a geração perdida. Terceira geração perdida deixe-me lembrar, o que significa que a sua foi a primeira a não fazer merda nenhuma, nós só estamos seguindo o exemplo, vovô. Isso que me deixa puto, esses velhos com mania de grandeza só porque deram sorte de nascer numa época melhor? Vocês acham mesmo que Caetano Veloso fez alguma diferença no mundo? Pensam sinceramente que alguma música fez a ditadura acabar um dia mais cedo do que acabaria se esses "artistas" ficassem bebendo gin tônica e não aporrinhassem ninguém? Bullshit velho, os bons anos 60 e 70 não passaram de uma consequencia feliz da guerra fria e os anos que vivemos agora não passam de uma consequencia infeliz. Essa é a diferença da minha geração pra sua. Vocês foram vagabundas burras manipuladas de todos os cantos achando que suas canções bregas mudavam o mundo, nós sabemos que não tem jeito, nós sabemos que o mundo ta fodido e que vai ficar assim enquanto eles quiserem. Nós sabemos que a esperança resta no esforço da consciencia individual. Por isso que formamos bandas, fazemos fanzines e esse papo todo. Para tentar passar uma mensagem para aqueles próximos de nós, porque não somos burros que nem esses velhos manipulados que acharam que mudaram alguma coisa pintando a cara com tinta tóxica e saindo pra se exibir na frente das câmeras da globo. Nós sabemos mandar a globo se foder e construímos nosso mundo nas profundezas.
Orgulho underground tragicômico? Com certeza. Como alguém disse recentemente, "a vida é engraçada, apesar de triste". Não somos idiotas, desiludidos sim, idiotas e conformistas não. Sabemos exatamente até onde podemos e não podemos mudar o mundo e fazemos nossa parte, embaixo.
Não vou levantar bandeira de movimento underground específico aqui, vou sim levantar bandeira em prol daqueles que tentam da melhor forma possível iniciar uma consciência longe dos olhos vigilantes dos Jabores e Mainardis que embora ideológicamente opostos, ambos parecem ter a intenção de jogar a auto-estima da juventude no lixo.
A juventude não é só malhação e muito baladinhas e gostosas tatuadas. Isso é o que você, aí de cima, covarde em seu emprego mal remunerado e churrascaria barata consegue ver. Aqui embaixo o mundo é outro. Aqui embaixo há tristeza e desespero, mas também há esperança e amizade.
Longe de mim deixar o romântismo tomar conta da razão e, pra ser sincero, é capaz que você tenha 19 anos reclamando dos seus amiguinhos da mesma idade, como eu muito faço. Vai saber. Talvez você tenha uma banda punk ou escreva um fanzine. Talvez eu esteja certo sobe você e não passe de um velho frustrado, que não soube envelhecer e culpa a neurose no mundo. (olha a Rebs, isso é que é ter 28 anos de verdade. Aprendam com ela).
Desperdice sua vida velho. Assista o jornal nacional. Saiba os dados da demografia com 3 casas decimais de exatidão. Foda-se, enquanto você está aí em cima, pensando porque nenhum desses jovens imprestáveis mudam o mundo, eu estou aqui em baixo, mudando.
(e acaba aqui um post sério e furioso feito em meses. Me deixa puto essas pessoas que julgam sua vida pela forma que você escreve no seu blog)

quinta-feira, março 03, 2005

Tem gente demais nessa porra de mundo.
Será que não perceberam ainda que o mundo ta lotado? Que a gente está umas 2 chinas além da capacidade permitida?
Você vai em uma balada, vê lá aquela pessoa especial, sabe cumé? Toda tatuada com cabelo rosa/azul/amarelo/vermelho ao mesmo tempo, um tantinho acima do peso (suficiente para os peitões pularem para fora do decote branco e para as coxas se destacarem na saia preta). Nenhum piercing na frente da cara, mas quantos forem possíveis na orelha (e em lugares não visíveis por enquanto).
Ok, você vai numa balada e vê essa pessoa. Lá. Parada. E a primeira coisa que passa pela cabeça é.
"Porque eu vou perder meu tempo chegando perto de uma pessoa dessa, sendo que, não importa o que eu fale, 30 pessoas já falaram antes"
Existe 7 mulheres para cada homem em São Paulo (eu li em algum lugar), mas tenho certeza que existe 7 homens para cada mulher que não seja uma vagabunda idiota. (não me levem a mal, eu adoro as vagabundas, mas mulher idiota é o fim.)
Sabe? Não vale a pena. É um mundo concorrido. As mulheres bonitas e inteligentes, embora razoavelmente comuns (afinal, de novo, superpopulação), ainda não são o suficiente para sustentar o mercado de mulheres inteligentes e bonita.
Simplesmente não há mulheres inteligentes e bonitas para todos. Não há nem vagabundas inteligentes e levemente feias para todos, imagine as bonitas, imagine ainda as tatuadas, imagine ainda as que tem cabelos multi-coloridos e some isso as peitudas com decotes brancos e coxas majestosas em saias pretas.
É impossível, as chances são de no mínimo, uma dessa para cada 170 homens. Mesmo considerando que nem todos os homens gostam desse tipo de garota, ainda deve ser 1 pra 82 ou algo assim.
Afe, vai se foder essa geração que nasceu nos anos 60, vai ter filho assim na puta que o pariu.
Falando completamente sério agora, as pessoas deveriam ser proibidas por lei de terem mais que 1 filho. Pelo menos até o nível da população mundial se estabilizar de novo. Gente, existe 6 bilhões de pessoas no planeta. É no minimo o dobro que nos anos 50... pense assim, a taxa de desemprego está em seus 5% (eu acho, beeeeem acho, chutado esse valor, eu ouvi ele faz algum tempo atrás).
Imagina que se tivesse 50% a menos de gente no mundo, não só teria-se emprego pleno, como as pessoas teriam salários umas 5 vezes maior. Sem contar que existiria uma gostosa tatuada de decote branco e saia preta para cada homem. O mundo seria perfeito.
Claro, eu, sendo filho mais novo, não teria nascido para aproveitar. Mas heh. É um sacrificio que eu faria com gentileza para uma melhoria tão grande da raça humana.
(nota: Eu não sou nazista a favor de esterilizar ou matar pessoas para combater os males da superpopulação, mas, em minha humilde opinião, tem que ser idiota para não ver que somos pessoas de mais no mundo. Meus planos para o futuro é adotar uma criança, na verdade, acho um ato de egoísmo e crueldade quem tem filho.
1 - só o trará problemas num mundo superpopulado e dominado por corporações multinacionais que, cada vez mais, dominam os países, tanto de primeiro quanto de terceiro mundo, mais que os governantes.
2 - uma criança que, graças a você teria um lar, amor e educação, agora morrerá de fome no orfanato x, que aliás, será demolido por que uma das corporações citadas acima quer montar um novo laboratório de cosméticos onde torturará coelhos inocentes para que sejam fabricadas tintas para que as gostosas possam se tatuar.
Para finalizar. Se você for uma gostosa tatuada etc etc etc, por favor, me dê um plano simples de como um garoto magrelo, cabeludo, um tanto feio e sem tatuagens ou piercings pode fazer para, pelo menos, iniciar uma conversa. Se depois de uma agradável conversa sobre como o mundo é uma bosta, você ainda quiser me dar um fora, tudo bem, está no seu direito. Tudo que eu peço é uma chance!
Odeio ser óbvio.
Odeio elogiar quem todo mundo elogia.
Odeio gostar da banda da moda.
Passei muito tempo sem ouvir Nirvana (mesmo adorando) porque os garotinhos mais teens e cools do pedaço gostam.
Mas eu pego um gibi na banca tipo "Marvel MAX" e não tem jeito...
Eu sou forçado a ser óbvio.
Eu sou forçado a elogiar quem todo mundo elogia.
Eu sou forçado a gostar do escritor da moda.
Queria evitar isso.
Eu leio e releio procurando defeitos e motivos para odiar o cara.
Mas eu não consigo... eu não consigo...
Brian Michael Bendis é o cara.
O cara.
Disseram que o que ele ta escrevendo agora no Vingadores ta uma bosta.
Tomara. Eu preciso urgentemente de motivos pra odiar esse cara. Não faz bem ser tão fã de alguém assim.

terça-feira, março 01, 2005

And Yet Again...
Rodrigo Talks To Himself Show

Então, o que o faz plagiar o Allan mais uma vez?
Triste...

Ah, que lindo, porque?
Porque eu to...

Vamos vamos queridão. A chave toda é auto-conhecimento. Sabe o que acontece com pessoas que não se auto-analizam? Acabam virando crentes!
Deus...

Ah lá. Já começou
Ok ok! Eu falo... me sinto sozinho

*colocando gin num copo* e a novidade aqui é?
Que eu ando realmente mal esses dias!

Não deve ser assim tão mal, digo, você ainda está falando dos seus mais honestos e profundos problemas emocionais em uma entrevista de caráter cômico consigo mesmo.
Cada um tem a terapia que merece...

Mas então. Fale mais.
Aí, eu conheci essa mina, certo? Chama-se Barbara.

Ah, sim, conheço.
Dã... então... aí eu fiquei com medo de espantar ela com essa minha persona atual de tarado psicótico. Então eu regredi a ser o adolescente sensivel de uns anos atrás.

Ihhh, emo... porque não se matou?
Sei lá. Enfim. Não deu muito certo. Mas agora não tenho vontade de voltar a ser tarado e psicótico. Tenho feito muito esse personagem ultimamente, hora de mudar.

Alguma idéia?
Não sei, o papo todo do artista underground gera algum resultado, mas para isso eu precisaria ser um bom artista.

E você nem artista é. Abra um gibi garoto. Ta lá bem claro, leia só "David Michelline - Argumentos" "Todd McFarlene - Artista" entendeu a mensagem? A indireta que a Marvel vem te dando esse tempo todo? Você não é um artista e nem é underground (cite 10 bandas indies, seu bosta). Então volte para sua cama e durma!
É...

Te fiz chorar?
Fez...

Estranho, porque eu sou você...
O que nos mostra o quão fodido psicológicamente eu sou.

Já pensou em ir num psicólogo?
Já. Sem dinheiro pra isso.

Sabe o que acontece com psicóticos que não vão no psicólogo, né?
Viram crentes...

Não tem nenhum gibi bom para você ler e esquecer isso tudo?
Depois de MiracleMan? Díficil... de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde eu vou ter que enfrentar a realidade.

Porque?
Missão mitológica como homem... eu simplesmente tenho que fazer, eu escolhi algo para minha vida: Ser roteirista. Seja qual for a mídia, quadrinhos é a preferencia, mas enfim, eu escolhi ser um roteirista, contar histórias. Isso que eu quero fazer. Uma vez que eu decidi isso, isso se tornou minha missão. Entende onde quero chegar?

Sim, mas seus leitores não.
Ok, vocês dois, vou explicar. Quando você decide que tem uma missão na sua vida. Ou seja, quando você decide que x lugar é o seu lugar na sociedade, então as coisas tomam um âmbito maior que você. Eu não sou mais Rodrigo, o garoto que quer ser roteirista de quadrinhos. Eu sou responsável por contar histórias as pessoas. É uma função na sociedade. Se eu fracassar nisso, eu não terei falhado apenas comigo, mas com todo mundo. E digo no sentido literal. Todo mundo no mundo inteiro. Começa-se aí um efeito dominó. Um garoto leria uma história minha e decidira assumir uma missão importante na vida. Isso não acontece porque eu fracassei. Ele se torna uma ovelha da sociedade e seus filhos também e em poucas gerações, na minha consciência, respousam a morte intelectual e ideológica de algumas dezenas de pessoas.

Então a solução é...
Não falhar. Mas voltamos pro primeiro ponto.

Que é...
Eu me sinto tão sozinho... e é tão dificil passar por isso tudo sem ninguém... céus, tão dificil... eu não posso... não posso...

É amigo... eu te entendo...
Tão dificil....
A porta de casa se abriu.
O homem saiu na rua e olhou para o céu.
Se viu pequeno.
A lua se tornara uma tela de cinema.
Episódios da antiga série de tv "O Guarda Rodoviário" passava na lua.
Rintintin brilhava novamente.
Mas quase ninguém viu, só o homem.
E se sentiu pequeno.
Um herói vivia suas aventuras na lua.
E o homem se sentiu pequeno.
Acima de todos o cão se tornou herói.
O homem se tornou cão.
Na lua.

domingo, fevereiro 27, 2005

Is There Life On Mars?

Então. Foi o Agostini ontem.
Cara, eu nem sei o que falar aqui. Foi um dos melhores dias da minha vida... digo... putz, eu não lembro a última vez que eu me senti tão bem em um ambiente... digo... sei lá, geralmente, mesmo em lugares que eu me divirto e tal, eu me sinto um tanto deslocado, um tanto fora... mas putz, ontem foi diferente.
Eu tava lá, entende? Eu fazia parte daquilo. Sei lá, pela primeira vez na minha vida, eu fazia parte de algo.
Eu ia oferecer fanzine pras pessoas (aliás, o número 4 de Chuva Contra o Vento já saiu, quem for de fora de São Paulo, eu mando por correio, me dá um toque, quem for de São Paulo, nós combinamos de nos encontrar e talz...) e elas já tinham.
Entende isso? Eu ia vender um fanzine pra elas. Um gibi que eu escrevi. E as pessoas olhavam pra mim e diziam "Pô, eu já tenho isso. Achei muito bom. Já tem o número 4! Tava esperando mesmo" e tipo... porra! Sabe? Porra.
Depois rolou pizza e cerveja com uns velhos de guerra dos salões de humor afora (destaque ao Bira e ao Mastrotti, quem encontramos no trem e é gente incrivelmente fina) e também com o pessoal da Mosh.
A Mosh é uma fanzine de rock que já vendeu suas mil e poucas edições. Como os caras são do rio, naturalmente é lá que rola maior distribuição, mas é um projeto grande. Qualquer comic shop rola Mosh. Procure, custa 3 reais e pode ter certeza absoluta que é um marco nos quadrinhos brasileiros. Juro. Daqui a 40 anos alguém vai escrever um livro sobre quadrinhos com o título "Como A Mosh Salvou Nossas Vidas".
Enfim, nós (eu e Cunha), conversamos muito com esse pessoal todo e eu senti uma esperança enorme. No sentido de, ahn... eu sei que dificilmente eu vou viver de quadrinhos, embora pretendo mesmo fazer isso. Quero me tornar um roteirista sério de HQs, confio que se eu me esforçar o bastante, consiga fazer careira nesse sentido. Posso estar sendo ingênuo, mas ei, eu não tenho pressa, eu consigo viver de sub-empregos até esse dia mágico chegar. Contanto que os sub-empregos sejam só uma distração chata que renda dinheiro. E que eu nunca pare de escrever. Nunca pare. Há muitas histórias para ser contadas ainda. Eu vou contar o máximo que eu puder.
Finalizando de forma triste como não poderia deixar de ser.
Esses dias ótimos tem um efeito colateral um tanto quanto amargo. É quando você chega em casa e pensa "cadê minha alma gêmea que não está vivenciando isto comigo?"
Enfim.
Como diz o titulo do post, eu pretendia dar uma de rebs e por a letra de "Life On Mars?" do Bowie aqui. Mas o destino trabalha de formas estranhas e o que ta rolano no winamp é "Yet Another Movie" do Pink Floyd.
Vai essa mesmo. Bem mais a ver.

Yet Another Movie
Pink Floyd

One sound, one single sound
One kiss, one single kiss
A face outside the window pane
However did it come to this?

A man who ran, a child who cried
A girl who heard, a voice that lied
The sun that burned a fiery red
The vision of an empty bed

The use of force, he was so tough
She'll soon submit, she's had enough
The march of fate, the broken will
Someone is lying very still

He has laughed and he has cried
He has fought and he has died
He's just the same as all the rest
He's not the worst, he's not the best

And still this ceaseless murmuring
The babbling that I brook
The seas of faces, eyes upraised
The empty screen, the vacant look

A man in black on a snow white horse,
A pointless life has run its course,
The red rimmed eyes, the tears still run
As he fades into the setting sun


Mas concluindo... foi um dia ótimo e rola um site a la alltv que chama It´s Tv
Então, toda segunda ao meio-dia rola programa do Mastrotti sobre quadrinhos. Vale muitissimo a pena. Assim como o falecido (e saudoso) On The Rocks do AllTV, é um daqueles programa que faz você desejar que a tv aberta tivesse 2 neurônios e visse essas pessoas.
(Não me leve a mal, eu sei de todos os defeitos dessas WebTVs, tenho consciência de que elas tem uma qualidade técnica lamentável e que muitas coisas que rolam não são desculpadas nem pela falta de recurso, mas isso tudo acaba indo pra segundo plano quando alguém que realmente entende de um assunto fala livremente)

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

A Exemplo do Moon - Uma foto de minha prancheta

Ok, screenshot, dá na mesma... quase... não é tão artistico... e é revelador demais... mas enfim, até a história estar pronta (com o tanto de projetos que temos), até vocês verem isso desenhado já terão esquecido. Então, aí vai.
PS: É só clicar na fotinho abaixo, eu não coloquei ela em tamanho real pra não foder o template que o Bernardo teve tanto trabalho em fazer.

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Caso alguém esteja curioso, a banda é Boards Of Canada e a música que tava rolando na hora é Pete Standing Alone, do album Music Has The Right To Children
Boards Of Canada
é uma banda que eu classifico como música eletrônica progressiva, mas enfim, esse sou eu, eu não manjo nada...
A pessoa no msn é o Felipe Cunha (que muitissimo provavelmente é quem desenhará essa história), o link pro blog dele rola aí no lado, visitem, apesar de levemente desatualizado, tem todas as informações sobre que pé anda nosso fanzine.
E o programinha Screenshot Assistant é o que eu uso pra não ter que fazer a tortuosa tarefa de ter que colar as screens no paintbrush ou algo assim.
Enfim, toda minha vida. Valeu.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

O Roteirista

É isso ae. Eu sou um roteirista. De quadrinhos. Um bravo e nobre representante da nona arte.
Eu to escrevendo isso inspirado pela foto que o Fábio Moon tirou de sua prancheta. O cara é uma inspiração para nós mesmos.
Enfim, eu acabei de ler Preacher, os 60 números inteiros. E fiquei na minha cama pensando "putz, é isso que eu quero fazer". E é o que eu vou fazer, eu tenho uma certeza filha da puta disso.
Aliás, outra coisa que me bolou é que eles ganharam o prêmio agostini e um cara disse "Só no Brasil mesmo pros gêmeos ganharem prêmio de melhor roteirista", agora, eu não sei se ele disse no sentido "esses bostas ganharem prêmio de melhor roteirista" ou "esses gênios ficarem apenas com prêmio de melhor roteirista".
Pô, toda vez que eu mostro um "Chuva Contra O Vento" pra alguém a pessoa fala "Pô, mto bom esse seus desenhos" e eu tipo "ahn... não... eu escrevo... quem desenha é o Cunha..." "Ah... legal... ele desenha muito bem!"
SIM, ELE DESENHA MUITO BEM, PORRA!
Hahahaha.
Acho que a única expressão de arte que respeita o roteirista é o teatro, mas nem fodendo, não é isso que eu faço, eu faço quadrinhos, por mais que eu não saiba fazer nem um boneco palito direito, eu me considero um quadrinista, desculpa se soa arrogante, não sou "tipo, um quadrinista" ou "mais ou menos um quadrinista", nããão senhor, sem essa. Eu sou um quadrinista. É um lance tipo... eu não conheço nenhum roteirista brasileiro... é impressionante isso, é um ramo tão restrito no Brasil, que parece não existir a possibilidade de uma pessoa fazer quadrinhos sem saber desenhar.
Pois bem, eu não sei eu faço. E mesmo que eu soubesse, dificilmente eu iria preferir meus próprios desenhos aos do Cunha. O cara manja, fazer o que? É a arte dele. Escrever é a minha. Juntos nós fazemos nosso trabalho e esperançosamente fazemos bem feito.
Então é isso crianças. A próxima vez que vocês lerem um gibizinho, lembre-se que além daqueles desenhos maravilhosos, ele tem umas letrinhas lá também e que essas palavrinhas dizem coisas importantes para os desenhos ficarem ainda mais legais.
Grato pela atenção e keep on shining.

domingo, fevereiro 20, 2005

The Ticking Crocodile

Tic Tac crocodile
Show me your teeth
Scare me to a corner
Don´t let me leave

Tic Tac crocodile
Make me think
Make me dream
Then rip it from me

Tic Tac crocodile
Make me believe
That the day will come
And the nightmare won´t live

Tic Tac crocodile
What you want from me?
Tickin´s pretty far, you know?
But I can hear it, I can hear it

sábado, fevereiro 19, 2005

OMFG! Ele ta sendo sentimental de novo e acha que alguém se importa

Acabei de ler Preacher nº 50
A busca por Jesse Custer por Deus está definitivamente se tornando interessante (na verdade já ta faz muito tempo) e mesmo que Garth Ennis tenha criado a série certamente pra ser uma zoeira com religião, a série criou vida própria e 50 edições depois, estou chorando.
Não vou contar mto da história pra não estragar, quem quiser que eu passe (sei lá como porque são uns 300 mega de arquivo) eu passo, mas a moral é.
Jesse Custer é um padre que recebe em seu corpo uma entidade, a partir daí ele começa a procurar respostas e uma dessas respostas o traz a busca principal da série. Achar Deus e mandar ele se foder.
Como eu disse, com certeza começou como zoeira, mas Jesse ganhou vida própria, fez amigos próprios, virou um herói lendário. Sua busca não é só por deus, mas é por entedimento, ele quer saber porque o mundo foi criado, porque uma coisa tão ruim e suja como a terra existe.
Na edição 50 Jesse encontra pela segunda vez um amigo de seu falecido pai, um ex-soldado, da época do vietnam. E a história é o velho negro (chamado na época de Spaceman) e o pai de Jesse (apelidado de Texas) em sua última busca por vietnam.
Garth tem alguma coisa com o vietnã, não sei o que, é uma espécie de misto de respeito por aqueles soldados e repulsa pelos governantes. O sentimento ideal se me pergunta, nunca achei certo tratar soldados como assassinos cruéis. Ele põe isso perfeitamente no papel. A voz do velho spaceman reflete a dor e a confusão dos soldados.
A primeira história de Vietnam do Preacher, trazia como final uma citação de um soldado anônimo que dizia
"Algumas vezes eu desejo, só por um momento, estar lá de volta, só um pouco e então voltar. Queria voltar pra lá só para lembrar como é bom estar em casa"
Essa segunda se passa toda em frente ao memorial, quem não sabe, é um gigante muro (não lembro o material) que tem escrito o nome de todos que morreram na guerra do vietnam. E de fundo há uma estátua.
Spaceman diz que gostou do memorial, que é silencioso e que achou digno que estivessem lá os nomes, um por um, daqueles homens, do que uma estátua com a data da guerra ou algo assim.
Então, ele olha para a estátua dos soldados e diz. (uma foto da estátua está no final deste tópico)
"Eu gostei também daquela estátua, é como três garotos que acabaram de voltar de patrulha e então viram o monumento e disseram 'porra... alguém se lembrou'."
Ao final da história, Jesse se inspira pela história e continua sua busca pelo todo-poderoso; Spaceman olha para o memorial, o nome de todos aqueles soldados mortos no vietnam e diz "Me digam algo..."
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E assim acaba... 50 edições... Preacher pegou meu coração, de jeito, de forma que eu nunca esperava, por que o trabalho, é, em enorme parte, humorístico. Mas Garth Ennis é um homem de alma, ele certamente se esforça para ser um comediante, mas as vezes o drama vem a tona, e quando vem... ele se supera...
E como prometido, a tal estátua
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Então é isso. Sei lá o que dizer mais... um monte de coisa que tenho que tirar do peito... eu tenho mais umas 4 ou 5 fototirinhas pra fazer. Hahahhaa, qu eu tive idéias boas e outras nem tanto, mas num geral... sei lá... muita coisa me indica que esse é o momento da minha vida... entende? Que é agora... que eu nunca vou conseguir ser mais feliz quanto eu conseguir ser agora... e aí vem aquele medo de ferrar tudo... e se tem algo que tem me dado força são essas histórias... de super-heróis eu sei, a forma de arte mais baixa da terra é um gibi do homem-aranha, bla bla bla, digam o que quiser. ME FAZ BEM PRA CARALHO. Homem-Aranha, Demolidor, Jesse Custer, esses são heróis, entende? E por mais que sejam ficção, eles fazem parte da minha vida... toda minha vida foi acompanhada por esses heróis... eles são reais pra mim, eles vivem dentro de mim, respiram através de mim. É importante.
Tão heróis quanto os astros do rock que estão sentados em seus tronos multi-milhonários pouco se fodendo pro que eu penso... não importa... eles são meus heróis... por mais drama e brigas judiciais e podres que eles tenham... eles são meus heróis, eles fazem minha vida.
Cada vez que Pink Floyd ou Led Zeppelin tocam no meu winamp. Cada vez que o Homem-Aranha supera um desafio que julgava impossível. Cada vez que alguma coisa dessa de nerd acontece. Eu sinto que posso dar um passo adiante. Eu sinto que posso ter fé no mundo por um pouco mais de tempo.
Chame do que quiser, não precisa vir com antropologia barata pra cima de mim, eu sou inteligente demais pra isso, então eu sou um sub-produto patético do século 20, sem heróis reais que precisa inventar seus próprios. Pois eu sou, bela merda, não preciso nenhum velho me dizendo isso. Quem tem algo contra heróis fictícios deveria parar de adorar Jesus agora mesmo. Deveria parar de usar camiseta do Chê Guevara. Triste de quem precisa de heróis, triste mesmo, mas você vai fazer o que? É um mundo triste. E para deixar de ser triste temos que lutar e para lutar precisamos de algo que nos inspire.
Pra mim é uma música... um ser de uniforme colorido... um ato de heroísmo. É disso que eu preciso. Atos de heroísmo, que me mostrem que eu também posso ser um herói nos meus próprios termos, alguém que me diga que eu posso fazer as coisas, que é só ter coragem. Porque no final, é isso que um herói faz. sentido de aranha nenhum poderia superar o fato que o Homem-Aranha é tão querido por causa do homem por baixo da máscara. Essa é a diferença clara entre heróis que funcionam e heróis que não funcionam. Quem é o homem por trás dos atos? Porque ele fez? Qual a história da vida deles? Ora, Michael Jackson vendeu muito mais álbuns que os Beatles. Porque os Beatles são heróis e Michael Jackson não passa de uma piada sem graça? Porque os anos 60 e 80 foram tão importantes pros heróis de quadrinho? Porque os 90 foram tão ruins? Naquela palhaçada que eram os gibis da década de 50, Stan Lee criou um herói que tinha alguém debaixo da máscara. Não era um soldado valioso, nem um milhonário sem problemas, era um garoto. Porra, um simples garoto. Que ficava puto e fazia besteira. Que perdia o dinheiro. Que era impulsionado pelo desejo de sair com a vizinha. Porque os anos 80 foram importantes? Porque finalmente perceberam que um ser humano complexo estava debaixo da máscara. O demolidor era um católico de dia que se vestia de demônio a noite ao mesmo tempo que era um advogado de dia que se caçava bandidos a margem da justiça a noite. Frank Miller descobriu a sacada genial que estava por trás disso, ele deu profundidade ao personagem, nem o anjo e nem o demônio são falsos. Ele é sinceramente um anjo, temedor de deus e sinceramente um demônio, agindo pelas próprias regras. Ele luta pela justiça fielmente nos tribunais e fielmente a desafia nas ruas. Ele é um herói. O mito do herói é algo que tem nos acompanhado pela humanidade. Jesus é um herói e o erro todo do cristianismo foi não perceber o herói incrivel que eles adoram.
Os tolos adoram o vinho que ele transformou, os tolos adoram o fato que ele voltou dos mortos, os tolos adoram a fé que move montanha e a caminhada pela água. Os tolos, por algum motivo que eu não entendo até hoje, adoram o sofrimento que ele passou. Os tolos não percebem que seu maior ato de heroísmo foi ter passado dor sem ter sofrimento. Jesus não sofreu. Sentiu dor, muita dor, mas ele encarou, o maior heroísmo de todos é encarar a dor de olhos bem abertos. Ele abriu os olhos, ele caiu e se levantou. Gosh, como eu odeio os cristão, todo tipo de cristãos, raça burra, o herói maravilhoso que eles adoram e o adoram pelos motivos mais fúteis e banais do mundo. A questão não é certo ou errado. A questão não é quem é gay ou maconheiro. Puta que pariu, isso não chega perto de ter alguma coisa a ver. A questão não é quem morre ou quem ressucita. A questão é quem luta. Não é nem quem vence ou perde a luta. Mas quem tem coragem de lutar. Quem se levanta. Puta que o pariu. Fãs de Rocky - o lutador, entendem mais de cristianismo do que aqueles malditos padres. E não me venham com essa baboseira de "bem, é assim que você vê, eu vejo diferente" você não leu a porra do livro, esse é o problema. Não com os olhos certos. Você já leu tendo em mente alguém pra culpar pelos problemas do mundo, gente, a bíblia tem uma certo senso de continuidade. Você não pode pegar uma passagem das primeiras páginas, como a destruição de gomorra e sodoma e tomar aquilo como lição. Não funciona assim. O livro é um todo. Você aprende ao decorrer dele, e não em frases isoladas. Se matar tarados pervertidos é uma boa idéia, porque diabos deus parou de matar pessoas?
Não me levem a mal, eu sou ateu, mas acredito na bíblia. Sou ateu e desculpa ser arrogante, mas sou inteligente demais pra levar aquela coisa ao pé da letra. NÃO FOI ESCRITO PARA SER LEVADO AO PÉ DA LETRA. Talvez uma parte ou outra por ditadores romanos ou reis medievais tenha sido escrita para o povo levar tudo ao pé da letra, mas puta que o pariu, a intenção era deliberadamente manipular as pessoas. Acreditar que um barbudo andou por aí com dois buracos na mão dizendo "simão, acredite" é atestado de burrice. E não me vem com essa bullshitagem de "eu acredito em x, você em y" repito, você não leu a porra do livro. Você não sabe nada sobre ele e sobre as pessoas que o escreveram. O que você sabe é o que uma INSTITUIÇÃO POLÍTICA com o claro propósito de fazer você PAGAR DÍZIMOS disse pra você. Eu te perdoô, neste momento, por ter sido cristão, ao admitir que "Fé" é a maior jogada de marketing que existe no mundo, mas agora vá atrás e leia. Leia Joseph Campbell, leia mitos de outros lugares, aprenda mais sobre budismo. Se depois de tudo isso você ainda acreditar num maconheiro que andou por aí com dois buracos no meio da mão, me desculpe, você provou ser mais ignorante que eu, escrevendo um texto desse tamanho, num blog onde entram 10 pessoas por mês.
Fé é marketing.
Marvel Comics é marketing.
Kurt Cobain ser considerado um anjo imortal é marketing.
Heroísmo é real.
Esse texto todo foi pra dizer isso.
Essas histórias, essas músicas podem despertar o melhor que existe em você, basta você se abrir para elas, deixá-las fluir em seu ser e deixá-las te libertar das suas amarras. É assim que funciona. Simples assim. Deixe aquilo que te faz completo, que te faz uno, entrar em você, te completar, te unificar, depois disso, faça o que tem que fazer. Simples assim.

sábado, fevereiro 05, 2005

A Balada do Desbarbado

Era uma vez um homem de verdade (de verdadeeeeeee)
Macho pra caralho que comia todas as menininhas (de mentiraaaaaaa)
Ele tinha uma bela plumagem (ahhhhhhh)
Que bela pelugem (uuuuuuugem)
Rodrigo era um homem barbado
Motivo de orgulho
Admirado por gerações
Um homem de verdade
Agora não é mais nada (aaaaaaada)
É um gato pelado (aaaaaaaaado)
Vive triste e sozinho (iiiiiiinho)
No espelho não se vê mais pêlo (eeeeeeeelo)
Pelas ruas abandonado (aaaaaaaiai)
Nem suas back vocal são mulheres (somos traveeeeeecos)
Rodrigo era um homem barbado
Motivo de orgulho
Admirado por gerações
Um homem de verdade
E agora? (agoooooora?)
Es un porco miserável.

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quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Carta Aberta à população e à imprensa, em prol da solidariedade ao Squatt Teimosia

Carta Aberta à população e à imprensa

Devido a larga e deturpada cobertura dada pela imprensa sobre o ocorrido no dia 28 de janeiro de 2005, quando a polícia adentrou o "Espaço Kultural Autônomo Autogerido Squatt Teimosia", cituado na R. João Telles, 369, Bairro Bom Fim, Porto Alegre/RS, em busca de materiais explosivos alegando ter recebido uma denúncia anonima de que punks estariam prontos para os participantes do FSM no Acampamento da Juventude; sentimos a necessidade, enquanto gestores do Espaço Kultural, de desmistificar esta fantasiosa e oportunista armação. O imóvel, que estava abandonado por mais de 7 anos, se tornando um estorvo para a comunidade local e não cumprindo com sua função social como determina o Plano Diretor do Município, hoje é um espaço ocupado, onde se realizam diversas atividades culturais gratuitas, como oficinas de malabares, fanzines, palestras diversas assim como o funcionamento de uma biblioteca comunitária, não sendo mais uma casa abandonada e tampouco um mero alojamento. No dia do acontecido, os vários visitantes presentes aguardavam o início de mais uma atividade artística que estava programada para acontecer dentro da casa. Porém, com a inesperada invasão da polícia o que era para ser uma tarde descontraída reverteu-se em horas de tensão, humilhação, detenção e acusações infundadas. Nos assusta como materiais tão comuns foram transformados em artefatos de guerra: garrafas de cerveja vazias recolhidas para reciclagem (um dos projetos desenvolvidos pelo espaço)se converteram em cocktaill' s molotov's; sinalizadores e fogos de artifício utilizados em apresentações teatrais desenvolvidas pelo nosso grupo de teatro se transformaram em rojões de poder ampliado; facas de uso doméstico tão presentes nos lares, foram encarados como parte do suposto armamento bélico. Para completar a apreensão de ditos materiais perigosos, foram incluídos e confiscados fitas de vídeo VHS tais como o clássico Nosferatu, eventos realizados e documentários políticos históricos, além de um livro da Ed. L&M Pocket sobre anarquismo. É com receio que manifestamos aqui nossa indignação, tendo em vista que diante deste ocorrido nossa liberdade de pensamento e vivência se encontram à mercê de manipulações e repressões. Esta é a cultura do medo, que distorce e os fatos para coagir as pessoas e tentar acabar com as manifestações culturais que não são controladas pelas instituições e órgãos estatais e privados. Afinal, num mundo onda a cultura é um produto a ser vendido e consumido, a cultura como vida incomoda, e esta é a única ameaça que representamos. Esta é a nossa teimosia.

Squatt Teimosia 30 de Janeiro de 2005

" Ocupa e Resiste!!!"

Email:: solidariedadesquattteimosia@yahoo.com.br


Então, taí minha pequena parte pra divulgar esse ato de barbárie da polícia de Porto Alegre. Iniciativas como a deste grupo ajudam tanto a comunidade a que pertence e é uma vergonha que as pessoas tenham essa imagem de anarquismo tão ligada a violência niilista, culpa talvez dos próprios punks, mas agora não é hora de apontar dedos e sim de tomar ação contra esse ato absurdo. Ajudem a divulgar isso por favor, porque é uma vergonha.
Aliás, eu tava pesquisando aqui e parece que a globo noticiou o fato ao mostrar as supostas bombas e os supostos coquetéis. Não mostraram, claro, panfletos do grupo que vinham com símbolos explícitos dizendo "não as armas". Agora grande parte da população acha que os malvados anarquistas estavam com planos de bombardear o fórum mundial. Esse mundo desanima às vezes... mas enfim, por favor, publiquem essa carta, vamos esclarecer esse mal entendido.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Bloqueio.
Bloqueio.
Não consigo escrever.
Não consigo pensar em nada.
Bloqueio.
Bloqueio.
Nada bom.
Nada bom.
Nõa consigo escrever.
Não consigo pensar em nada.
Bloqueio.
Bloqueio.

Alguém aí tem alguma receitinha de chá ou simpatia qualquer pra acabar com isso?
...
Bom...

Rodrigo era um sujeito engajado em política, ia a protestos e reclamava dos governantes, mas passou a jogar Sim City e percebeu que a vida de um prefeito é bem díficil e passou a respeitar seus governantes.

Não, sério, vocês já jogaram o Sim City 4000? É muito foda. Eu demoro uns 10 a 15 anos pra ter uma cidade de 10.000 habitantes, mas até aí tudo bem, as coisas andando, eu não sou muito popular, mas também não sou odiado pela população, orçamento ta beleza. Mas aí alguma coisa acontece e o jogo desanda! Simplesmente isso! Em questão de meses, eu de repente perco toda a grana, tenho que fazer cortes em polícia, saúde, educação, tudo! A cidade vira um caos de uma hora pra outra!
Ah... vida díficil.
Eu vou começar a postar screenshots aqui. Isso mesmo! Enquanto meu bloqueio não passar, esse daqui virará um blog sobre a íncrivel sblarghland! Aguardem!