sexta-feira, janeiro 11, 2008

Síndrome de Aesperger

Eu já levantei a teoria de que eu tenho isso, mas algo fez com que eu me interessasse novamente e, enfim, checando os sintomas.
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Isso é complicado porque muitos sintomas de Síndrome de Aesperger são dispensados como alguma estranheza natural da pessoa e talvez seja mesmo sei lá, mas enfim.
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"The lack of demonstrated empathy is possibly the most dysfunctional aspect of Asperger syndrome."

Por exemplo, pra começar, eu de fato tenho problema em demonstrar empatia, de demonstrar que eu me importo com o sentimento com os outros, mas pode ser que eu seja simplesmente insensível ou pode ser simplesmente a era em que nós vivemos, eu sei que a maioria das vezes em que eu demonstro preocupação soa meio "atuado", mas até aí, tudo que eu faço soa como atuação, então whatever

"Individuals with AS experience difficulties in basic elements of social interaction, which may include a failure to develop friendships or enjoy spontaneous interests or achievements with others, a lack of social or emotional reciprocity, and impaired nonverbal behaviors such as eye contact, facial expression, posture, and gesture"

Embora eu tenha dificuldades com os "elementos básicos de interação social", eu não acho que tenha problema com contato visual, expressão facial, postura ou gesto; mas de novo, essas foram coisas que eu fui me treinando a fazer com o tempo, aos 18 anos uma namorada disse que eu me comunicava com os olhos, então eu passei a treinar isso, minha postura é uma droga e sempre me disseram que eu "ando caído", mas nunca me preocupei com isso, então continua até hoje, gestos por outro lado, foi algo que eu claramente me treinei a fazer e praticamente todo gesto meu eu consigo traçar a uma pessoa específica, então pode ser só que eu seja estranho ou pode ser que eu seja alguém com uma disordem neurológica que aprendeu a imitar bem os outros. Fico com a alternativa mais divertida.

"Unlike those with autism, people with AS are not usually withdrawn around others; they approach others, even if awkwardly, for example by engaging in a one-sided, long-winded speech about a favorite topic while being oblivious to the listener's feelings or reactions, such as signs of boredom or haste to leave."

Check.
E minha mãe dizia que meu vô era assim também e tem sempre aquela suspeita de que isso tenha algo de genético.
Quando eu era pequeno, chegava ao ponto da pessoa sair de perto de mim e eu continuar falando, hoje eu falo muito sozinho... tipo, MUITO, passo horas a noite andando pra lá e pra cá falando comigo mesmo.

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"where they may be able to show a theoretical understanding of other people’s emotions; however, they typically have difficulty acting on this knowledge in fluid, real-life situations."

Check.
Minhas ações em casos que as pessoas apresentam emoções fortes (que alguém está chorando ou algo do tipo) são uma cópia forçada do que eu vi outras pessoas fazendo no passado, algumas vezes com minha mãe muito deprimida, eu não conseguia fazer nada a não ser ficar parado olhando ela chorar enquanto minha cabeça ficava que nem uma bola de pinbolim pensando sobre o que fazer.

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"People with AS may analyze and distill their observation of social interaction into rigid behavioral guidelines and apply these rules in awkward ways—such as forced eye contact—resulting in demeanor that appears rigid or socially naive."

Check.

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"People with Asperger syndrome display behavior, interests, and activities that are restricted and repetitive and are sometimes abnormally intense or focused. They may stick to inflexible routines or rituals, move in stereotyped and repetitive ways, or preoccupy themselves with parts of objects."

Check, mas de forma sutil.
De fato, eu sempre estou obcecado por *algum* assunto, eu sempre me preocupo sobre o jeito que eu ando, sobre se eu estou andando dessa ou daquela maneira e procuro sempre manter um padrão, eu tento me manter em rotinas inflexíveis, não consigo e isso sempre me frustra, mas tudo que eu faço faz parte de uma agenda (que eu nunca consigo cumprir, mas enfim, eu nunca faço algo "não-planejado").

"Pursuit of specific and narrow areas of interest is one of the most striking features of AS.[1] Individuals with AS may collect volumes of detailed information on a relatively narrow topic such as dinosaurs or deep fat fryers, without necessarily having genuine understanding of the broader topic."

Check.
Por exemplo, eu não me interesso em "autismo" ou "psicologia" num geral, mas hoje já li uma porção de artigos sobre síndrome de aesperger, não me interesso em quadrinhos, mas em "quadrinhos da marvel" ou "quadrinhos independentes" (nunca os dois ao mesmo tempo), não me interesso em música, mas em um único estilo ou uma única banda, mas enfim, eu não sei o quanto isso é estranho, só é que, de novo, eu *sempre* estou obcecado por algum assunto "estreito".

"Although these special interests may change from time to time, they typically become more unusual and narrowly focused"

Então, o assunto muda, mas às vezes eles desenvolvem essa característica.

Primeiro estou obcecado por "indie rock", aí por "indie pop", aí por "twee", então por "talulah gosh", aí pela "amanda fletcher", então muda totalmente.
Aí fico obcecado por "filosofia", aí por "filosofia alemã", então por "Kant", aí pela "visão de Kant da psicologia transcedental", aí "primeiro paralogismo da razão pura", então volta a algo relativamente amplo, pra depois se tornar gradativamente mais estreito de novo.

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"Stereotyped and repetitive motor behaviors are a core part of the diagnosis of AS and other ASDs.[15] They include hand movements such as flapping or twisting, and complex whole-body movements.[12] These are typically repeated in longer bursts and look more voluntary or ritualistic than tics"

De novo, eu tenho uma biblioteca de movimentos que repito frequentemente e de fato, não são tics, eu não fico batendo a mão impacientemente, eu faço alguma batidinha especifica, "hand twists" são bem comuns, embora eu meio que deixei de fazê-los em público depois de ser ridicularizado por isso no colégio e de fato, parecem sempre voluntários, são bem mais longos e complexos que tics.

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"Although children with Asperger syndrome acquire language skills without significant general delay, and the speech of those with AS typically lacks significant abnormalities, language acquisition and use is often atypical.[3] Abnormalities include verbosity; abrupt transitions; literal interpretations and miscomprehension of nuance; use of metaphor meaningful only to the speaker; auditory perception deficits; unusually pedantic, formal or idiosyncratic speech; and oddities in loudness, pitch, intonation, prosody, and rhythm.[1]"

Nunca reparei nessas coisas, mas minha irmã sempre reclama que de repente eu começo a falar alto demais, às vezes eu não entendo nuances, mas acho que todo mundo não compreende nuances às vezes, eu não sei o que eles querem dizer por "abrupt transitions", mas se é sobre temas, então sim, acontece e eu não sei se chego a se "unusually pedantic", mas dificilmente eu falo "por instinto", as gírias que eu uso geralmente passam por algum estudo dentro da minha cabeça antes de serem usadas, então acho que talvez dê pra considerá-las uma forma "pedante" de falar.

"uso de metáforas significativas apenas para o falante"

totally check.

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"Speech may convey a sense of incoherence; the conversational style often includes monologues about topics that bore the listener, fails to provide context for comments, or fails to suppress internal thoughts. Individuals with AS may fail to monitor whether the listener is interested or engaged in the conversation. The speaker's conclusion or point may never be made, and attempts by the listener to elaborate on the speech's content or logic, or to shift to related topics, are often unsuccessful"

check.

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"Children with AS may have an unusually sophisticated vocabulary at a young age and have been colloquially called "little professors", but have difficulty understanding metaphorical language and tend to use language literally"

Não lembro disso, mas acho que esse é um problema que eu não tinha.

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"Children with AS may be delayed in acquiring motor skills that require motor dexterity, such as bicycle riding or opening a jar, and may appear awkward or "uncomfortable in their own skin"."

Nunca aprendi a andar de bicicleta (tentei sem sucesso algumas vezes), não sei abrir potes até hoje, não sabia usar tesoura (meio que não sei até hoje também) e eu TOTALMENTE me sinto "inconfortável dentro da minha própria pele".

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"They may be poorly coordinated, or have an odd or bouncy gait or posture, poor handwriting, or problems with visual-motor integration, visual-perceptual skills, and conceptual learning.[1][3] They may show problems with proprioception (sensation of body position) on measures of apraxia (motor planning disorder), balance, tandem gait, and finger-thumb apposition."

Check pra tudo.
Tandem Gait é quando você anda encostando o dedão do pé de trás no calcanhar do pé da frente. Tentei fazer agora e não fui assim tão bem sucedido.

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"They may have superior performance in tasks like visual search problems that require processing of fine-grained features rather than entire configurations.[18] They may be unusually sensitive or insensitive to sound, light, touch, texture, taste, smell, pain, temperature, and other stimuli, and they may exhibit synesthesia, for example, a smell may trigger perception of color;[19] these sensory responses are found in other developmental disorders and are not specific to AS or to ASD"

Não-check pra essas coisas.

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"Children with AS are more likely to have sleep problems, including difficulty in falling asleep, frequent nocturnal awakenings, and early morning awakenings."

Toootally check.
Eu durmo muito, mas dificilmente muitas horas seguidas e mesmo quando eu durmo muitas horas seguidas, "frequen nocturnal awakenings" é uma realidade *todas* as noites.

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Ou eu posso ser só neurótico.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Sobre a pergunta "o quanto a sua vida influencia sua vida"

Ou "como você seria se não tivesse ninguém mais legal que você por perto"
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Você já pensou que tipo de pessoa você seria se sua vida não fosse uma droga?
Acho que existem diversos tipos de amaldiçoados nesse mundo, quero me focar em dois.
O primeiro tipo é o tipo que tem uma vida que é uma droga, mas se acostuma, acha algum hobby qualquer, se deprime, se apaixona, mas não vê como poderia ser diferente ou não quer pensar na possibilidade.
O segundo tipo é o tipo que tem uma vida que é uma droga, mas que foi brutalmente atropelado por estilos de vida mais atraentes. É o sujeito que vislumbra uma maneira melhor de viver (nada dessa besteira de "ter mais dinheiro") e então se sente pertubado porque é patético demais para alcançar esse ponto.
E aí voltamos a pergunta do começo (reelaborada) : "o quanto a pessoa que você não é influencia sua vida", quanto você sofre ao descobrir, um dia, que você poderia ser simplesmente mais, se ao menos tivesse alguém mais legal por perto?
Pra começar, a vida é caótica, ela é uma coleção de coisas tão diversas e numerosas que me parece absurdo a tentativa de catalogar os motivos pelo qual alguém se torna o que é, mas se tem um fator que me interessa é o quanto você é desapontado pela própria vida, afinal de contas, se sentir pequeno é uma qualidade? Falta de auto-estima pode ser uma força criativa?
É notório que a necessidade de sobrevivência por vezes faz você se superar, mas e quando seu estímulo não é sobrevivência, mas estética? Até onde você está disposto a ir para se tornar mais legal ou mais bonito, me parece a pergunta mais importante dessa realidade onde sobrevivência está garantida e toda a questão material se resume a uma estúpida questão de quantos carros você tem na garagem.
E enquanto os comerciais de carro tentam te convencer que o produto deles é "pra você que é diferente" ou qualquer besteira do tipo, quanto da sua vida depende de você encontrar uma pessoa no ponto de ônibus que é tão incrivelmente bela que faz você se perguntar porque estão no mesmo ponto de ônibus e não na mesma vida?
O quanto a beleza atropela sua vida? O quanto você corre atrás dela? O quanto você sofre?

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Pesos

Quem convive comigo sabe que passei boa parte do ano correndo atrás de um projeto de site sobre "cultura pop" que acabou fracassando principalmente porque, bem, era eu quem estava a frente do projeto e eu não consegui fazer nada.
Mas hoje eu estava vendo a tal revista eletrônia "O Grito" (que eu não vou me dar trabalho de fazer um link) e me deu vontade de fazer tal site de novo porque minha proposta mudou um milhão de vezes, mas a constante era que sempre era o oposto desse tipo de sitezinho "indie" óbvio ao mais absurdo extremo que a obviedade pode alcançar.
Se você entra no site hoje, tem todas aquelas listas típicas de "top 10 vídeos" e "top 25 álbuns" e enfins que todo site tem no fim de ano e é impressionante como todos os álbuns citados são aqueles que, no lançamento, você dizia "esse álbum vai estar em linha de "top melhores albuns" no fim do ano.
Alguns como Myths of Near Future do Klaxons e Back to Black da Amy Winehouse são óbvios por serem bons mesmo, mas gente como Battles, Bonde do Rolê, PJ Harvey, LCD Soundsystem, Radiohead e Spoon só aparece nessas listas por terem aparecido na NME (no caso do "bonde do rolê" por serem molecadinha cool); claro que eles são bons, mas eles estão entre os MELHORES?
Não vou dizer que deveria ser julgada só a música sem contexto porque é isso é impossível, mas o contexto deveria ser algo bem melhor do que "o que a molecadinha besta que acessa esse site vai gostar de ver aqui como melhores albuns do ano"
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Mas olha só, se você entra nesse link http://www.metacritic.com/music/bests/2007.shtml vai ver que o site escolheu como melhores albuns boa parte dos "criticamente aclamados pela mídia".
Pra começar, acho essas listas toscas; se eu, Rodrigo, faço uma lista pra você saber o que eu gostei esse ano é uma coisa, agora colocar uma manchete "MELHORES ALBUNS DE 2007" é idiotice demais, não vai ser eu, "O Grito", sua mãe e nem os DJs da Funhouse que vão te dizer quais são os melhores albuns de 2007.
Digo, olha isso:
"Para fechar o ano, O GRITO! publica a lista anual de melhores discos do ano, elaborada pelos editores da revista, com ajuda de listas individuais de críticos, jornalistas, produtores e músicos."

E que porra eu to me fodendo pra "críticos, jornalista, produtores e músicos" tem a dizer? Críticos são publicitários que podem falar mal da sua banda se não forem bem pagos, jornalistas são especialistas em nada, produtores são especialistas em analisar o óbvio, achar gente aleatória e dizer "faça igual" e músicos, bom, façam sua música e não venham tentar me dizer que tal banda que tem um estilo "mais ou menos igual o meu" é boa.

Mas claro que essa gente toda está protegida sob o selo de "cultura pop" e confesso que foi uma frasezinha de efeito que me pegou por um tempo, mas sério, "cultura pop" não faz sentido. Você quer analisar "cultura pop" vai ver os lançamentos do pagode, do axé, do forró, do sertanejo e daquelas bandinhas da MTV; você quer falar do Battles, você está supostamente na cena "alternativa", mas você não quer ser alternativo porque vai ter que falar do Husky Rescue e seus ouvidinhos são sensíveis demais pra qualquer coisa que não toque na baladinha de fim de semana, então você também não ta falando de nada "alternativo", você está naquele limbo estúpido de "vou ler o Pitchfork Media e imitar o que eles dizem". Oras, desenvolvam testículos, putos.

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Além disso, eles tem aquela irritante crise de "Rolling Stone".
A saber
"Ei, estamos na internet, podemos escrever qualquer coisa, do modo que quiser, seguindo as regras que quisermos, convidando quem quisermos pra escrever, sem dar satisfação pra publicidade, editor, nem ninguém, o que vamos fazer?"
"Hummm, que tal imitar a Rolling Stone e escrever como os bem comportados e clichés jornalistazinhas que são proibidos por um código de ética de terem uma opinião própria? Além disso, podemos fazer matérias puxando o saco da cena musical mainstream, da forma mais segura e universal possível porque deus nos perdoe alguém entrar no nosso site e ver alguma opinião pré-estabelecida desafiada de qualquer forma, afinal, precisamos ser amigos do Rogerio Skylab e não podemos perder isso jamais, ok?"

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É ruim a responsabilidade que isso trás.
Porque eu tenho na minha cabeça um modelo ótimo de site que seria legal, informativo, real, elitista e auto-suficiente, mas depois de um ano todo correndo atrás disso em vão, eu não tenho mais forças e com tudo que tem acontecido na minha vida, nem me sinto muito mais digno de fazer isso.

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Nunca achei que a vida fosse boa, mas é impressionante com as coisas dão um jeito de ficar um pouquinho piores cada vez mais. Como o universo parece um moleque do colegial que aponta o dedo pra você e dá risada e grita "olha aquela gente óbvia e estúpida, é aquela gente que faz sucesso"

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E afinal, tem o Tullycraft:

But spite who she might leave the club with
In the morning she wakes up alone
No place in the world
For one Essex girl
Who waits to be found

sábado, dezembro 22, 2007

A MTV é um canal formado pelos profissionais mais burros da área e tudo que ruim que acontece com eles é totalmente merecido

"A cúpula da MTV achou que Daniella Cicarelli não jogou limpo ao deixar de admitir que estava negociando com outro canal. Ela conversou com a Rede TV!, mas assinou contrato com a Band. Cicarelli enrolou a MTV, dando esperanças de que iria renovar o contrato, que venceria no fim do mês. Chegou até a gravar pilotos de novos programas. A assessoria dela não comenta o assunto."

Ok, eu conheço gente que trabalha lá, mas há de se admitir que se existe um canal verdadeiramente demente que tem uma placa gigante na testa de "estamos aceitando qualquer taticazinha suja, imbecil e sem criatividade para conquistar nosso público alvo e ficamos 'chocados' quando o tiro sai pela culatra e entra em nossos olhos explodindo nosso crânio" é a MTV.
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Mais tarde talvez eu poste algo que não seja tão bobinho.

domingo, dezembro 16, 2007

Máquinas de Deus e Máquinas do Homem

Ou:
Porque eu sou tecnofílico.
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"You'd better take drugs and learn to love PLASTIC. All different kinds of plastic, pliable, rigid, colored, colorful, nonattached plastic."
- Lou Reed

"De fato, nada pode haver de mais prejudicial e indigno num filósofo do que chamar de vulgar uma suposta experiência contraditória"
-Imannuel Kant

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Tudo se resume a Tales de Mileto. Sempre. Todo pensamento ocidental que você ler, é bom se lembrar de alguém que foi chamado de sábio há milhares de anos atrás olhou para a natureza, para o homem, para as estrelas e para a alma e disse "isso tudo é água" e desde então existe a noção que quer a natureza seja assim por conta própria, quer Deus tenha criado dessa forma, quer exista uma idéia essencial acima de tudo ou leis físicas que regem todas as coisas, há unidade, há algo por trás de tudo e esse "algo" é o mesmo "algo" para todas as coisas. Quer seja a água, o fogo, o Deus, a Virtude ou o choque entre os átomos, tudo que a alma humana pode conceber como existente está bonitinho debaixo do mesmo teto.
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Então veio Kant.
E Kant disse que o problema não é bem que existe uma tal "realidade" com algo "por trás" esperando a ser descoberto. O problema é que nós vemos a realidade de uma tal maneira específica, que nós só conseguimos imaginar e pensar sobre aquilo que nós temos contato, mas não temos contato com a realidade, temos contato com algum tipo de "interpretação" que nossa mente faz da realidade. Então se existe essa tal unidade fundamental no universo, nós não podemos ver e se existem certas coisas "universalmente certas" (como leis da física ou da aritmética) é porque nossas mentes funcionam todas da mesma maneira e interpreta certas informações de maneira igual, mas não há nada na razão que garanta que exista esse mundo perfeitamente lógico e bonito aí fora só esperando ser descoberto.
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E o que isso tem a ver com tecnologia?
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Existem dois tipos de razão que se referem a respectivos "mundos" diferentes.
Existe a razão pura, que se refere ao transcedental, ao que não é formado por experiência, nem por conceitos, mas por "algo" além do alcance da experiência e da razão e existe a razão prática, que se refere não ao mundo em que vivemos, mas ao mundo em que nos percebemos como seres que vivem. Esse é um mundo, para todos os efeitos, dilacerado por uma razão que não consegue compreendê-lo todo; é como se um circulo passasse por um buraco triangular nos fazendo acreditar que aquela forma distorcida pelo molde é "de fato" um circulo.
Além disso, os próprios funcionamentos dessa mesma razão que distorce coisas está um tanto além do nosso alcance, então o que temos é vivemos em uma realidade que sabemos pouco a respeito, que vemos por óculos que funcionam com lentes que não conseguimos entender como funcionam; dito isso, qual o valor da razão prática?
O valor da razão prática é exatamente que por meio dela podemos existir.
Por mais que a realidade seja estranha, é inegável que aqui estamos, existindo e fazendo filosofia, o que vemos e sentimos e "andamos" é simplesmente algo moldado por uma razão que dá regras a si própria? Sem problema, então que andemos pelo mundo como reis por uma razão que dá regras a si própria.
E isso é tecnologia.
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Não é para pensar que a tecnologia é mais ou menos "transcedental" que a natureza; tanto natureza quanto tecnologia são guiados pelas mesmas regras, são vistos da mesma forma, são julgados pela mesma razão prática; a diferença é que quando temos a natureza como paradigma da virtude (estou olhando pra vocês, seus estóicos safados), estamos tomando como modelo de virtude algo que simplesmente existe, criado pelo caos, interpretado por uma mente esquisita, mas a tecnologia é o que temos de mais próximo de algo que pode ser chamado de "razão prática"; se na natureza interpretamos o mundo de acordo com regras que a razão cria para si própria, com a tecnologia nós modificamos o mundo de acordo com essas regras e modificar o mundo é, oras bolas, modificar o mundo em si, mesmo que não entendamos como, é dizer "seja caótico o quanto você quiser, estou criando o *meu* caso", pois acredito que o grande erro da humanidade em relação a tecnologia foi pensar que ela veio para "organizar" o mundo ou para sistematiza-lo; tecnologia existe porque é divertida e porque nos faz andar no mundo com maior confiança.
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Novamente, existe tão pouca razão na tecnologia quanto existe na natureza; afinal, tecnologia segue as mesmas regras da natureza; a diferença é que a natureza é um caos "de Deus" e a tecnologia um caos do homem. Tentar organizar um mundo caótico além dos limites da razão por tecnologia é falho logo de cara; existe mais no mundo do que conhecemos, logo nosso conhecimento não pode abraçar o mundo e nem as máquinas criadas com esse conhecimento sempre incompleto; mas o que nós podemos fazer é caos rosa-choque, com Keith Richards fumando e bits atravessando servidores para entregar pornografia a meninos de 12 anos. Continuamos tão podres e estranhos quanto homens da caverna, mas somos belos e andamos pelo mundo com arrogância e é o direito que a tecnologia me da a arrogância o motivo pelo qual eu escrevo esse post confuso e sem tanto sentido para elogia-la.

Oh. My. God.

Novos trailers de Final Fantasy XIII e Final Fantasy XIII versus.

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Final Fantasy XIII (e esse tem actual gameplay footage - Rá! E Shiva!!!)



Final Fantasy XIII Versus



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Em termos de gráficos puros e simples, eu acho que Metal Gear 4 (por exemplo) é melhor, mas nossa, a direção de arte da Square continua perfeita como sempre.
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E só pra esclarecer um pouco.
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Final Fantasy XIII é feito pelo time "principal" da Square-Enix e pelo jeito vai ser mais tradicional, com combates mais baseados em escolhas de ações em menu e, como pode ser visto pelo trailer, tem cores bem mais vivas e uma direção mais "alegre" em um geral. A história, do pouco que dá pra saber, gira em torno de Lightning (Essa menina super bacana do trailer) invadindo uma suposta utopia que carrega presos políticos em seus trens.

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Final Fantasy XIII Versus se passa no mesmo "mundo" (embora eu acho que as histórias não irão se cruzar em nenhuma momento, acho que a square só vai colocar os dois personagens no mesmo jogo em um futuro distante) e até onde se sabe vai ser mais voltado a ação, o que eu imagino que significa que é um estilo mais parecido com Kingdom Hearts onde existem os menus e as magias, mas você passa a maior parte do tempo pulando e apertando botão desesperadamente sem nem saber exatamente como está matando tanta gente ao mesmo tempo (absurdamente mais divertido do que eu faço parecer; Kingdom Hearts é um dos jogos mais divertidos que já joguei) e a direção de arte, como dá pra ver, tem um tom imensamente mais melancólico do que FFXIII e a história, até onde se sabe, é sobre um rei/presidente de um país que não é a tal utopia de Final Fantasy XIII lutando para proteger um cristal dentro de seu castelo.

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"proteger um cristal?"

Então, a história de ambos se cruzam no seguinte: Esse é um mundo habitado por monstros e perigos e as cidades só conseguem se desenvolver em locais protegidos por cristais especiais, então logicamente, quem controla esses cristais, tem o poder.
O que eu entendo por "this is fantasy based on reality" no trailer de Final Fantasy XIII é que o jogo te coloca no papel de um país que está sendo invadido por um exército atrás de seus recursos naturais, que faz referência não só as guerras norte-americanas, mas a um sem número de guerras através da história.

Então a moral do Final Fantasy XIII parece ser mostrar que existe algo de podre por debaixo desses países perfeitos demais onde todo mundo vive feliz, alegre e vestindo cores amarelas e de Final Fantasy XIII Versus mostrar como que o outro lado do mundo vive tentando sobreviver sendo odiado por uma superpotência.
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E além de tudo, os jogos são lindos.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Ah... mas mas... ah... como assim? Pfff



Ahhh!
Onde foi que essa vaca adquiriu a noção de que é Amanda Palmer?
Eu sei que esse ramo da música não tem muita ética, mas vá lá, né vadia? Quem você acha que é? Você já tem o seu nicho no meio de adolescentezinhos nerds que compram CDs porque você parece capa de livro de RPG.
Stick with the long dresses, the cliché eyeliners and the MTV aesthetics, Bétch.
Deixe o papel de mocinha problemática ao piano pra quem faz melhor.
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Aham.
É assim que se faz:



E é assim que se copia alguém com autoridade.



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Dresden Dolls >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Vadiazinha cuja bandinha mainstream eu não vou nem citar que é pra não atrair os imbecis que ouvem sua música.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Tweeeeeee

La Casa Azul - Como Un Fan



Tullycraft - How To Stuff A Wild Bikini



Talulah Gosh - Talulah Gosh



Camera Obscura - Lloyd, I'm Ready To Be Heartbroken



The Pipettes - It's Not Love (But It's Still A Feeling)



The Pastels - Crawl Baby



The Go! Team - Junior Kickstart



The Vaselines - Dying For It



E por fim, um bônus.
As Pipettes te ensinam a dançar!

quarta-feira, dezembro 05, 2007

You're so weird, Peter Parker



Ahh, eu gostei.
O estilinho manga irrita quando aparecem as gotinhas e risquinhos aleatórios pra indicar tal emoção, mas tirando isso, é uma historinha bem sossegada e light.
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O título do post passado (que eu escrevi há tipo, 5 minutos atrás) vem de uma música do Camera Obscura que chama "Books Written For Girls" e a letra goes like this.
=

Camera Obscura
Books Written For Girls

You can compliment me on the style of my hair
Give me marks out of ten for the clothes I wear
You probably thought I had more upstairs
I disappoint you, I can see through your perfect smile
He likes to read books written for girls
Prides himself on being a man of the world
It’s in the darkest places he gets his thrills
He will disappoint you, if you see through his perfect smile

Chorus

I think separation is ok
You’re no star to guide me anyway
You only wanted me to play the fool
Play by your rule
Now my door has swollen from the rain
God knows we’ll never see her face again
People get shattered in many ways
They can disappoint you if you see through their perfect smiles

Chorus

I think separation is ok
You’re no star to guide me anyway
You only wanted me to play the fool
Play by your rule
=
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Olha o que eu acabei de descobrir!!!!!!!!!!!!!

Terry Moore--celebrated creator of Strangers in Paradise--has signed on with Marvel Comics! His first project? Taking over SPIDER-MAN LOVES MARY JANE!

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A edição número 20 saiu esses dias e foi a última escrita por Sean McKeeven e quando o Terry Moore começar a escrever, vai voltar pra edição número 1 e poderemos, portanto, acompanhar isso desde o comecinho! \o/

Comic Books Written For Girls

Se eu tiver meios e dinheiro de comprar coisas dos Estados Unidos, acho que vou investir em colecionar os TPB do Estranhos No Paraíso; o mais caro é 16 dólares e eu sempre quis entrar numa coleção de Estranhos No Paraíso, só nunca tive saco pra andar em sebo procurando as edições certinhas e tal.
Quanto a coisas que eu não-tão-legalmente baixo da internet, nesse momento estou lendo "Spider-Man Loves Mary Jane", que é uma série da Marvel que começou em 2006 e tem como público alvo meninas adolescentes, que é um público alvo que eu sempre quis ter, mas nunca consegui desenvolver habilidade para escrever pra elas.
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A gente aqui no Brasil, que ta nessa de quadrinhos, é tão acostumado com os gemêos que acaba pensando que tudo que existe são historinhas de amor, mas a verdade é que é tão difícil encontrar bons gibis que contam historinhas de amor; já é difícil encontrar maus gibis, quanto mais bons.
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Eu não gosto do estilo quase mangá dos desenhos de Spider-Man Loves Mary Jane, mas a proposta de uma história para menininhas adolescentes baseado na Mary Jane (que é a personagem principal apesar do nome do homem-aranha vir primeiro) é irresistível demais para eu não ler. Se eu gostar, talvez seja outro TPB que entre nos meus planos de compra.
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No mais, restam os independentes, em Amazing Spider-Man (que é a revista principal do Homem-Aranha) a Mary Jane está pra sair da vida de Peter Parker por causa daquela velha questão imbecil da Marvel de que super-heróis "adultos demais" alienam os leitores (porra, eu comecei a ler homem-aranha com 13 anos e ele já era casado e as únicas vezes que eu me senti alienado é quando ele não tem uma esposa; porque o personagem que eu conheço é um cara casado de 20 e poucos anos e não um adolescente de 16 que é zoado no colégio; que é um bom personagem também, mas enfim, ele não vai voltar a 16 anos, ele vai ser simplesmente um nerd solteirão, way to go Marvel por alienar todo seu público feminino e seus leitores que não jogam RPG e que gostavam de ter como ler histórias de um professor molecão)
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Escrevendo esse post algo me preocupa. Se o Homem-Aranha não vai ser mais casado com a Mary Jane, o que vai acontecer com Spider-Man Loves Mary Jane?
Pois é, nunca se poder ter músicas de amor demais e nem histórias de amor demais, a dificuldade em encontrar boas HQs bonitinhas me estimula a continuar escrevendo histórias onde o problema mais importante do universo é o que fazer quando finalmente se encontrar AQUELA pessoa.
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Porque afinal, you can't always go home... you can't always feel warm inside, without love, we're never more than strangers in paradise.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Talulah Gosh




Todas as músicas. ;)

(sim, a carreira da banda foi tão incrivelmente longa que todas as músicas estão em um único CD)

http://www.sendspace.com/file/jppvyc

quarta-feira, novembro 28, 2007

domingo, novembro 25, 2007

Legal não é só comentarem um post de agosto de 2002, legal mesmo é não entenderem o tipo de ironia óbvia e bobinha que eu fazia com 17 anos.

sábado, novembro 24, 2007

Sono... são 4 da manhã, faz sentido estar com sono, mas não quero dormir.
Na verdade estava passando Top Gun e tocou alguma música que fez eu querer ouvir música. Ouvindo Blondie agora, que como todo mundo sabe, é a única banda boa que surgiu do movimento punk e só conseguiu ser boa por não ser punk.
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You asked me what was my pleasure
A movie or a measure
I'll have a cup of tea
And tell you of my dreaming.
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Sabe, essa questão de sonhos e histórias... (aliás, a genialidade grande do Neil Gaiman foi fazer sandman tanto o mestre dos sonhos quanto das histórias; talvez algo a ver com Joseph Campbell - "mitos são sonhos públicos; sonhos são mitos privados")
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Essa música me afeta tanto por que eu gostaria de contar pra alguém meus sonhos... não é como se eu não tivesse pra quem falar, mas é estranho, eu gostaria de saber quais sonhos são esses, eu sei que eles estão perdidos em algum lugar na minha cabeça, mas é isso, eles estão perdidos, fragmentados, eu não saberia o que dizer se tivesse que contar para alguém meus sonhos.
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Então eu conto histórias e não é nenhuma surpresa ou segredo que as histórias que eu escrevo são incrivelmente pessoais, mas é impressionante o tanto de idéias que eu tenho que eu simplesmente não posso escrever porque não seriam nada interessantes, mas só desejos e coisas do tipo "que bom que isso acontecesse comigo"; geralmente em relação as historinhas bobinhas de amor.
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Esses dias eu pensei em uma história onde um personagem falava pra namorada por algum motivo algo do tipo "isso é tão estúpido quanto aquela gente que diz que nirvana é ruim porque o kurt não sabia tocar guitarra" e ela responde "o que é nirvana?" e ele fica puto e vai lá e pega um CD qualquer (o In Utero acho) e põe lá e diz "agora a gente ouve" e ela vai falar alguma coisa e ele responde emburrado "naaah, a gente ouve" e ele ficam lá emburrado ouvindo e ela acha aquilo super bonitinho da parte dele e é *essa* a parte imbecil do lance todo porque eu vivo tentando fazer esse tipo de coisa na vida real e a reação dela *nunca* é bonitinha, é sempre tédio... e sei lá, eu sinto estar perdendo minha habilidade de contar histórias (se é que tive isso um dia) porque estou perdendo minha habilidade de levar uma vida interessante pros outros...
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Eu acho minha vida super interessante, mas é porque eu gosto de ficar em casa estudando e escrevendo em um blog que ninguém lê, mas eu não tenho saído, bebido, nem me apaixonado, nem vendido fanzine, nenhuma dessas coisas que acabavam virando material para as histórias interessantes.
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Tenho medo de não conseguir sonhar e de ter alguém pra quem contar meus sonhos, mas não ter sonhos pra contar.

terça-feira, novembro 13, 2007

Sobre influências e metrópoles



Se existe alguma utilidade em estudar história da filosofia (ou do pensamento num geral) é saber de onde vem as coisas que você pensa que você ou acha que é senso comum que simplesmente existe do nada ou acha que é algo que você descobriu "sozinho".
O mesmo acontece com bons filmes. Ontem eu assisti pela primeira vez Taxi Driver e fiquei surpreso do quão o filme foi familiar, do quanto ele é diferente, mas sem ser surpreendente; ele não poderia mesmo ser surpreendente, ele é (mesmo sem eu nunca o ter assistido antes) uma grande influência minha e boa parte das minhas histórias, eu acabo tentando (com bem menos sucesso que o Scorsese) criar o mesmo clima estético do filme.
Esse "clima estético" é aquela coisa, cidade é uma coisa suja, claustrofóbica, é um amontoado de gente solitária e podre sorrindo de dia nos seus empregos entediantes enquanto choram, pagam prostitutas ou espancam suas esposas a noite.
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É impressionante, no fim das contas, como uma grande cidade te engole, como ela te mantém preso em um ambiente que você sente que não pertence, porque afinal, ninguém pertence a esse ambiente.
Eu sou uma pessoa bem urbana, ir para algum lugar mais rural, nem que por um fim semana, já faz meu nariz ficar todo zoado, gosto de neon, gosto de prédios, gosto de barzinhos, gosto da superlotação, gosto de prostitutas na rua, de ter que olhar para os dois lados antes de atravessar, gosto das pessoas desde que eu não tenha que de fato interagir com elas, gosto das pessoas estranhas, das que se esforçam pra parecer estranhas, gosto do quanto as noites são cinzentas com bolas amarelas no chão vindas dos postes de luz, não gosto da miséria, mas acredito que ela não existe em uma escala tão assustadora quanto dizem as pesquisas oficiais (feitas por gente que ou querem verba para "acabar com a pobreza" e que portanto precisam de uma imagem de calamidade e caos para receber seus fundos ou que se baseiam em impostos e documentos oficiais, ignorando o quanto as pessoas vivem bem "off the records").
Enfim, esse quadro todo que faz uma São Paulo ser uma São Paulo, eu acho isso tudo muito belo, fiquei chateado com a tal lei "cidade limpa" porque é uma tentativa de acabar com a espontaneidade que faz São Paulo ser São Paulo. Acabar com os outdoors é tão absurdo quanto acabar com os grafites ou as pixações ou as luzes de neon dos puteiros da Augusta.
Esteticamente falando, a cidade se beneficia do fato de não ter sido planejada, da poluição visual que seus professores de geografia sem graça tentaram te convencer que é um mal. O caos da cidade é bom porque permite que nos indentifiquemos com a cidade em sim, pois nossa vida na cidade é caótica e é caótica, em parte, por causa da cidade.
Mas o caos de um centro urbano sempre vai ser mais poderoso e mais lindo do que o delírio de algum burocrata, bastou que se tirassem os outdoors e surgiram em baixo deles prédios sujos, rachaduras gigantes, pinturas mal feitas e todo tipo de beleza suja que faz São Paulo um lugar tão bom de se viver.
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Voltando ao Taxi Driver, uma cena importantissima do filme mostra Travis conversando com o Senador Palantine e o senador pergunta "o que mais te incomoda nesse país?" esperando uma resposta do tipo "a guerra do Vietnã" ou "a falta de um sistema de saúde", a supresa foi quanto Travis não conseguiu pensar nacionalmente, a cidade o engoliu, não existe "Estados Unidos" para ele, existe "Nova York" e "essa cidade é como um esgoto aberto", o que foi a segunda surpresa do senador, uma que causou até nojo. Oras, Travis não é um neonazista, ele é racista e ele deseja "limpar a escória", mas ele não tem uma ideologia por trás, ele é simplesmente alguém vivendo na cidade e o que a "mente política" não consegue absorver é o quão clara é a metáfora do "esgoto aberto"; mas acho que isso vai ficar mais claro quando eu analisar esse personagem mais adiante.
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Existem, no filme, três personagens que são três pontos de vista.
Betsy é o ponto de vista "oficial" da cidade; ela acorda de manhã, troca piadinhas bobas com os co-workers e quando ela flerta com Travis, ela está flertando com o lado "não-oficial" da cidade, um lado que ela sente que deveria se sentir confortável, afinal, ela usa um broche dizendo "nós somos o povo" (da mesma forma que o senador que sentiu nojo de Travis se sentia parte "do povo" e acho que o que Scorsese tentou passar aqui é o quão ridículo que essa gente engravatada vivendo das 7h as 17h diga "nós somos o povo"; não concordo com isso, mas acho que foi o que ele tentou passar), só que quando ela entra um pouquinho na sujeira que é a vida do Travis (na forma de um filme pornô, que é algo tão rotineiro para ele, que tem tanto nojo dos outros, que sequer passa pela sua cabeça que ela pudesse se sentir ofendida) ela logo foge, diz que eles são diferentes e sua fachada de "liberal" cai como uma bomba atômica devastando seu relacionamento com o personagem principal.

Iris é o ponto de vista oposto, ela tem "doze anos e meio", é prostituta, seu namorado é seu cafetão e a vida "no esgoto" é tão comum que ela não consegue nem entender o conceito de "vim te tirar daqui", se Betsy se ofendeu em um mero cinema pornô, imagino a reação dela se ela tivesse que viver a vida de Iris por 5 minutos que seja. É uma vida suja, amoral, irracional, linda em todos os aspectos, ela sofre, ela ama, ela se sacrifica, se diverte, se defende, ela está tão completamente em sintonia com a cidade que anda pelas suas ruas como se fosse parte do cenário.

Travis é algo como o meio termo e ele é, como Betsy diz, uma contradição (o que o torna um personagem tão interessante).
Ele faz parte do "esgoto" em relação a Betsy e é "quadrado" em relação a Iris.
Ele acha que a cidade é um "esgoto aberto", não aguenta a vida de lá, odeia as pessoas e o ambiente, mas quando Iris propõe que eles fujam para uma "comuna" hippie em outro estado, ele recusa e não consegue sequer se imaginar fora da cidade.
Minha opinião sobre Travis é que ele é uma pessoa naturalmente organizada que não conseguiu absorver o caos da cidade; caos que o transformou e essa contradição entre ser, ao mesmo tempo, organizado e caótico, é o que o deprime.
Os problemas reais do filme começam (acredito) a primeira vez em que vemos na casa dele a plaquinha "one of these days I will get organized"; isso causa a contradição absurda que é a lei "cidade limpa" ou os grupos neonazis, não dá pra se organizar e ficar em sintonia com a cidade ao mesmo tempo.
Quando Travis consegue se organizar, quando ele compra as armas, passa a fazer exercícios, passa a comer direito, etc e tal; o filme nem mostra ele mais no taxi, a vida de taxista com os tipos estranhos que ele pega, a falta de destinos certos e a imprevisibilidade toda é simplesmente estranha demais para um estilo de vida "organizado".
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Por fim, ele faz o que a "mente política" considerou um nojo e é aclamado como herói, mostrando a contradição que a esquerda permanentemente vive, a saber, que se posiciona "a favor do povo" sendo anti-racismo e anti-preconceito e "mente aberta", mas tal povo sendo racista, preconceituoso e pronto pra aclamar como herói alguém que mata um cafetão.
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Enfim, acho que tem muita coisa a ser dita sobre esse filme, assim como tem muita coisa a ser dita sobre a vida na cidade, sinceramente, eu não consigo imaginar a pessoa que eu sou distinta de São Paulo, da beleza da cidade e da sujeira da cidade e claro, existe bem mais sujeira do que eu poderia suportar, estou mais perto da Betsy do que do Travis e seria absurdo começar a me comparar com Iris, mas todos os personagens fazem parte desse caos urbano a sua própria forma, ninguém é completamente puro ou completamente sujo e tanto "pureza" como "sujeira" estão em igualdade, ninguém é melhor, "mais real", mais útil ou mais fútil; é a mesma cidade que atinge as pessoas de maneira diferente e que se revela de maneira diferente e nenhuma dessas maneiras está mais próxima da realidade do que outra, no fim, não é uma questão de opinião ou de ponto de vista, mas também de que sua cidade tem máscaras que influenciam e respondem às suas máscaras.
Fica a pergunta, como sua cidade se revela para você?

quinta-feira, novembro 08, 2007

X-men: The Messiah CompleX



Impressionante como a Marvel sempre tem um truquezinho na manga pra fazer com que eu me interesse de novo.
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Só pra não ficar muito no ar.
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Não sei a quanto tempo atrás, a Feiticeira Escarlate endoidou, causou a morte do Gavião Arqueiro, do Homem-Formiga, do Visão, criou uma linha do tempo alternativa onde Magneto era o rei do mundo e, no final de tudo, fez um encanto mágico para desaparecer com os mutantes.
O chamado "Dia M" fez com que a maioria dos mutantes perdessem seus poderes, o que os fez voltar para a condição de minoria.
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No enterro de um mutante que morreu em um acidente de carro, os X-Men percebem que a espécie talvez esteja chegando ao fim. O Fera procura um meio de reverter o Dia M, mas ao final, o Doutor Estranho diz que a magia da Feiticeira Escarlate foi poderosa a ponto de que meramente tentar reverter o universo poderia fazer com que a realidade implodisse.
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Enquanto isso, Senhor Sinistro e os Acólitos atacam todo mundo que tenha vindo do futuro ou que tenha capacidade de prever o futuro, eles conseguem matar Nathan Gray (Cable - filho de Ciclope e Jean Gray - que viveu no futuro por motivos que eu sinceramente não quero ter que explicar); no processo, Mística e Gambit traem os X-Men, Vampira tem na sua mente página por página dos Diários da Sina (uma mutante que conseguia prever o futuro e morreu há um tempão atrás), mas ela acabou absorvendo as memórias de bilhões de alienigenas, o que fez com que fosse impossível ler sua mente. (de qualquer forma, graças ao Gambit, ela agora está nas mãos do Senhor Sinistro)
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Então a história se desenrola da seguinte forma:
Existe uma profecia que o Senhor Sinistro tem uma vaga noção qual é - tem a ver com mutantes dominando o mundo - mas ainda assim ele precisa das memórias que a Vampira absorveu da Sina a muito tempo atrás para saber exatamente o que vai rolar.
Enquanto isso, tudo que os X-Men sabem é que eles foram atacados e que os alvo tinham alguma coisa a ver com o futuro; o que é exatamente o plano do Sinistro; fazer o que quer que eles tenham que fazer sem que os X-Men sequer saibam quais são seus planos.
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Tal profecia está provavelmente relacionado a um novo mutante que vai surgir - o primeiro a nascer desde o Dia M. (O tal Messias)
A série então vai consistir em uma corrida entre três facções - O Senhor Sinistro e os Acólitos que são os que mais sabem o que está acontecendo; os X-Men que têm que descobrir o que está acontecendo, salvar a Vampira e impedir os vilões porque seja lá o que eles estão tramando não pode ser bom e, afinal, os Purifiers (não sei como traduziram isso) que são uma seita religiosa destinada a acabar com mutantes.
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Isso é legal porque aqui nós temos a típica trinidade que faz os X-Men serem tão legais.
De um lado você tem os mutantes do mal, do outro os mutantes do bem e enfiados de alguma forma no meio, os humanos anti-mutantes.
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Além disso, a Marvel está com um costume legal (sem ironia) de usar um evento pra complicar o mundo e o outro pra acertar e os dois tipos podem ser legais ou não dependendo do quão bem foram feitos.
E for Extinction foi uma das coisas mais bacanas que já foram escritas em todas essas décadas de X-Men e complicou fodidamente o universo Marvel, tanto que o tal "Dia M" surgiu, em parte, para consertar a bagunça que o Morrissom criou, mas tudo bem, porque esse tipo de equilibrio faz parte dos gibis, essa coisa de "no final, tudo volta ao normal".
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Esse parece ser do tipo que conserta as coisas. Os X-Men não estão bem atualmente e parece que o propósito dessa série "Endangered Species" foi mostrar isso - os mutantes estão ficando extintos, é a típico problema excelente para os X-Men porque eles não estão tentando salvar o mundo, mas a si próprios; até onde o mundo sabe, que os mutante sumam da terra é uma coisa boa.
As equipes X restantes estão todas meio perdidas e simplesmente lamentando isso; a série parece ter como objetivo estabelecer, pra valer, que o Ciclope (e não o professor X) é o líder dos X-Men e pronto; porque até então ele não tem sido um bom líder e ele sabe disso.
Dessa vez ele vai ter que ser um bom líder. Acho excelente que ele seja um foco da série ao invés, sei lá, do Wolverine.
O Wolverine tem seus momentos, mas esse tem que ser o momento do Ciclope; lá na década de 80, Chris Claremont não gostava dele e escreveu o personagem como o certinho bundão de propósito, mas agora Ciclope não é o cara supervisionando as ordens do professor X; ele é, de fato, o novo professor X e é bom ver que talvez agora ele comece a agir como tal.
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Enfim, estou empolgadissimo. =)

terça-feira, novembro 06, 2007

Um ano...

Daqui há uns 20 minutos vai ser meu aniversário.
Do jeito que eu demoro pra escrever essas coisas, provavelmente o dia vai chegar e eu ainda vou estar no meio disso. Mas não importa.
Mais uma vez eu estou ouvindo Theresas's Sound-World e pensando como eu cheguei até aqui.
Um ano...
Foi uma ano que eu tive, acima de tudo, expectativas e acima de tudo, desapontamentos. Não consigo nem listar o número incrível de coisas que deram erradas esse ano.
Não comprei meu videogame, não consegui arranjar um emprego, não escrevi muita coisa que tenha considerado decente (embora tenha melhorado enormemente coisas que escrevi no passado).
2006 foi um ano tão parado que eu achei que 2007 *tinha* que acontecer algo ou eu ia explodir e 2007 aconteceu tanta coisa, mas nenhuma delas teve significado.
Eu mudei bastante, eu comecei a usar antidepressivos, parei de usar antidepressivos, passei por três psicólogas diferentes: uma eu gostava, mas ela teve que prosseguir com a vida dela e não tinha espaço pra mim; outra eu não gostei e a terceira eu acho que gostaria se não tivesse sido dispensado por falta de dinheiro.
Pensando agora eu nem tenho certeza se estou fazendo 21 ou 22 anos, não importa, é tão igual.
Eu tinha tantos projetos e todos falharam. Meus projetos agora se referem simplesmente a posturas em relação a vida.
Hoje eu me sinto bem deprimido e desanimado, acho que é a terceira vez que o orkut faz isso comigo e é sempre doloroso e é sempre imbecil e nunca passa completamente.
Nenhum dos erros passa, não dá pra deixar o passado pra trás e aprender com ele não muda o fato que dói.
O que eu quero fazer agora... é não julgar.
Estudar mais, me importar mais com idéias do que com pessoas.
O mundo gira por conta própria, não precisa de mim.
Essa última vez -- isso foi burrice demais.
Foi uma burrice de longa data, foi uma atitude burra que eu tomei em relação a vida que acabou me levando a isso.
Eu percebi uma fraqueza minha e abracei ela, pensei que um dia ia simplesmente passar, mas não passou, eu só esqueci que era uma fraqueza, eu tentei transformar isso em idéia, em teoria, eu caí na armadilha mais besta, mais manjada e mais destrutiva.
Sabe, não é tão fácil indentificar suas fraquezas, ainda mais quando você tem algum talento com palavras e com conceitos, fica fácil dar força às suas fraquezas, fica fácil proteger seu lado mais podre atrás de ideais lindos. A gente vê isso acontecendo e portanto acha que não vamos cair no mesmo erro, mas nós caímos.
O meu problema foi ter dado espaço a esse meu lado que gosta de julgar e eu encontrei gente que julgava e se escondiam atrás de algo que eles chamavam (com letras maiúscula) de Objetivo.
Eu não cheguei a compartilhar disso, mas ficar em um meio dedicado a apontar o dedo e dizer que os outros agem errado e a tentar explicar como os outros funcionam e a tentar entender os motivos dos outros, isso tudo é muito fodido, é lindo pra quem gosta de se ver na crista de uma onda moralista, é auto-destrutivo pra mim, ter dado vazão a isso me tornou uma pessoa ruim em pouquissimo tempo.
Não quero mais.
Uma pessoa que julga nunca é justa, não dá pra esperar justiça de alguém que diz que o outro age errado; existe algo inerentemente fodido em achar que outro estilo de vida é vazio ou ruim.
Não quero julgar, não quero dizer que ninguém está certo e não quero dizer que ninguém está errado, não quero esconder "certo" e "errado" atrás de outras palavras e não quero esconder o impulso de julgar atrás de uma máscara mais bonitinha qualquer.
Apontar o dedo e dizer "você não leva sua vida de uma forma 'direita'" não pode ser bom e se você entra em um meio que tem esse propósito exclusivo não tem como algo de bom sair disso.
É claro que terão conflitos de ego, é claro que terá falsidade. Esse tipo de ambiente traz o que há de pior na humanidade.
Costuma-se dizer que uma guerra traz o que há de pior no ser humano, mas matar não é o pior do ser humano, existem n motivos verdadeiramente nobres pelos quais pessoas foram a guerra, o que há de pior no ser humano é tentar, de uma forma ou de outra, esse impulso de julgar o outro, de querer que o outro tenha vergonha de como vive, de deixar de viver uma vida que você considera virtuosa para tentar fazer com que o outro viva essa vida.
Eu não consigo chegar perto de ser quem eu quero ser, como é que eu vou dizer que o outro não faz isso?
O tipo de ambiente que se dedica a dizer aos outros como viver, sob a máscara do altruísmo e do "Objetivo" que seja é destrutivo e eu sou uma pessoa carente que se deixa influenciar demais por qualquer grupo que me dê esperança de finalmente ter encontrado "o meu lugar".
E eu tenho uma série de características estranhas que torna isso tudo muito pior.
Eu não tenho indentidade própria, eu me modifico muito rápido, eu me deixo levar muito fácil, eu me envolvo muito.
É bom que eu me envolva muito, mas o problema é que isso faz com que eu tenha que ser muito mais seletivo. Que eu me envolva dessa forma nas minhas histórias e em filosofia é excelente, mas me envolver em julgar a vida dos outros; isso é ridículo.
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Enfim, escrever esses posts é bom porque eu posso sempre ler isso mais tarde e me lembrar do quanto eu erro e do quanto eu preciso estar atento pra não errar no futuro. O que entristece é que eu sei que eu vou errar e eu vou voltar nesse blog chorar as pitangas...
Insônia, nervosismo, mais um projeto que falha, mais uma rejeição.
Não me sinto bem; me sinto doente, me sinto triste, sinto ódio de mim mesmo, arrependimento; é a hora que você estuda as coisas, vê aonde errou e prossegue; vários erros em vários lugares diferentes ao mesmo tempo.
Erro de postura, erro de julgamento, erro de tema; é o que acontece quando se sai da toca, agora vergonhosamente pegar as coisas e voltar. Não existe cima, mas o baixo está bem visível, o fundo tem o formato exato do seu corpo, feito pra que você sobreviva, mas triste, imóvel.
Não tem como fugir das pessoas, das suas frescurinhas, dos seus rituais; mais uma derrota, tudo bem, teve um monte, vencer é tedioso de qualquer forma, ficar triste me dá um tema, preciso ter algo no que pensar.
Me sinto triste e derrotado, quero dormir, mas não consigo, quero ficar acordado, mas dói, quero conversar, mas não tem com quem. Carente, burro, fracassado e sozinho.
Não quero mais ter forças para tolerar viver, está enchendo o saco.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Nada pra dizer, na verdade. Só deu vontade de escrever.
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Estou ouvindo Theresa's Sound-World do Sonic Youth; essa música me causa tantas coisas.
Sonic Youth é uma banda surpreendente demais, não conheço nada no mundo parecido com eles, por um lado eles tem um certo "esquema" de música, seus álbuns, num geral, são todos mais ou menos parecidos; mas ainda assim, não é um esquema muito rígido, argh, eu não sei explicar, eu não entendo, eu só sinto coisas estranhas quando ouço, é bom demais, é um sentimento elevado mesmo.
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Mania de dizer que as coisas são "elevadas", não sei o que isso quer dizer exatamente, acho que é algo do tipo... sentimentos que me fazem querer ser algo maior do que eu sou agora, sentimentos que me fazem querer ser mais, me aproximar mais daquele tipo de pessoa que eu admiro e que eu espero ser um dia.
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Porque afinal, é nisso que eu tenho confiado ultimamente... eu não sei descrever de nenhuma forma que tipo de pessoa eu quero ser, mas existe na mente humana esse algo de irracional, esse impulso em direção a algo... existem muitas pessoas dentro de mim, existem as que eu gosto e as que eu não gosto e eu não sei explicar porque gosto das que gosto e vice-versa, mas eu tenho me esforçado ultimamente e encontrar essa pessoa que eu me orgulho, essa pessoa que é só uma partezinha de mim, e indo em direção a tornar ela cada vez mais e mais parte de mim.
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Sinto inveja das outras pessoas porque elas parecem estar tão em contato com essa "pessoa boa" dentro delas. É claro que os outros disfarçam esse tipo de coisa melhor que eu, mas eu não tenho como saber, não posso entrar na cabeça dos outros e dizer "todos vivem confusos" ou "todos vivem tristes", eu só sei que eu vivo confuso e que eu tenho me sentido triste, que tem alguns lados meus que eu gosto muito e outros que eu queria que simplesmente me deixassem em paz. Queria poder abraçar a esquizofrênia, queria poder abraçar o múltiplo e a diversidade de Rodrigos e conseguir conviver com isso tudo, mas... ah, eu não sei, se for pra falar objetivamente da mente humana, acho que existe esse impulso de unificação, de ver um milhão de coisas e dizer que isso tudo é uma coisa só e pra reparar em um detalhe você tem que meio que ignorar o contexto simplesmente por causa dessa mania de ver tudo em unidades... eu não sei, não quero elaborar nisso agora, é uma teoria em progresso e eu preciso ler mais pra continuar falando, talvez eu esteja errado, talvez essa questão de múltiplo e uno seja um problema cultural (como já me foi sugerido) e não da mente humana, mas eu não sei, eu só queria concilizar o múltiplo e o uno dentro de mim. Existe *uma* pessoa que eu quero ser, essa pessoa está inteira dentro de mim, mas ela está toda espalhada, um braço dela está em um tronco que eu não gosto e um olho dela está em um rosto que eu não gosto e são infinitas pessoas dentro de mim, então eu preciso fazer infinitas cirurgias e nada me garante que caso eu monte esse frankenstein que ele seja, afinal, alguém bom como eu espero que seja porque de novo, eu não sei descrever essa coisa, eu só tenho esse impulso meio-cego em direção a ela, algo quase no sentido de tentativa e erro, eu faço algo e me sinto bem e sinto que é certo e sinto "ah, esse é o Rodrigo", então eu vou na direção desse e eu faço algo e me sinto mau, sinto que é errado e sinto "ah, esse é o Rodrigo", mas é tão confuso, é tão difícil, daonde vem esse sentimento de certo e errado? Esse sentimento do Rodrigo bom e do Rodrigo mau? Até onde eu sei estou seguindo algo completamente errado.
Ah, é um mundo fodido esse, eu não posso confiar na racionalidade porque ela não dá conta do real, das contradições, da mundo-em-si de vontades desesperadas e forças misteriosas em que eu vivo, não dá pra confiar nos instintos porque sabe-se lá o que são esses instintos, se tudo se resumir a um impulso irracional em direção a reprodução da espécie, eu dispenso, no mais, pode ser ideologia, recalque, Vontade, ocidentalismo, cristianismo, sei lá mais o que; é tão confuso, é tão fodido e as pessoas parecem que simplesmente *sabem* o que é certo e pra onde ir e o que fazer e eu não faço idéia e eu me sinto tão incrivelmente burro. Não quero mais me sentir burro...

quinta-feira, novembro 01, 2007

Manter a motivação em alta é...

"...transformar o que precisa ser feito num jogo e se envolver com isso, como se estivesse numa gincana. Use o alarme do celular para marcar o tempo de uma tarefa, crie recompensas para cada meta alcançada, mantenha o foco no resultado final e no que ganhará ao cumprir aquilo que precisa fazer."

- Jael Coaracy

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Pois é, amigos.
A dica é bem sábia: Vamos tratar o que precisa ser feito como se fosse um jogo, como se fosse uma brincadeira!
Então se você for demitido do seu emprego, não desmotive! Marque no alarme do seu celular que até as 15h conseguirá um emprego novo e então vá para a rua!
Se você não conseguir... bem, quer dizer que você perdeu o jogo, que você não ganha nada, que a recompensa que você criou pra si próprio terá que esperar... volte pra casa, se sente na sua cama, chore um pouquinho, fique pensando sobre o quão inútil e patético você é por não ter cumprido sua meta. Calma calma, isso, pode chorar.
E no dia seguinte! Mais uma vez! Alarmezinho do celular e vamos para a rua! Motivação!
Ah, mas você perdeu de novo! Pôxa! Cade a motivação, irmão? Depende de você cara! Só de você! Desse jeito você fica sem recompensa!
Mas vai lá! De novo! Não perde o ânimo, chora mais um pouquinho, sua familia não te odeia completamente *ainda*, mas vai acontecer! Lembre-se! Só depende de você!
...pôxa, amigo! Você não conseguiu cumprir sua meta MAIS uma vez? Tem certeza que você está motivado? Você está *mesmo* encarando isso como um jogo? Como uma gingana? Acho que não, hein, veja bem, você não está aplicando o método corretamente.
Olha só, lembra quando você era criança e tinha que fazer uma gincana onde tinha um objetivo do tipo "conseguir um ovo", o que você fazia?
Corria na casa mais próxima e dizia "aaahhhh ahhhh tia! Tia! Tia! Dá um ovo!" e ela dizia "nem te conheço moleque vagabundo! Vai embora!" aí diz "Tia! Tia! Tiaaaaa, dá um ovo! Dá um ovoooo tiaaaa! É pra um jogo!" aí ela enchia o saco, te dava um ovo e você vencia! Ou perdia porque o outro grupo tinha um menino que morava perto e simplesmente foi em casa pegar o ovo, mas não importa! Você estava motivado! Você está motivado agora?
Quando você vai procurar emprego, tudo o que você faz é entregar o curriculo, fazer uma dinâmica e ir pra casa quando eles dizem "te ligamos pra avisar sobre a vaga"? Cadê a motivação? Tem que ficar lá, pulando na frente deles dizendo "Tio! Tio! me dá um emprego! Vai tio! Um emprego! Olha só aqui tio, tenho inglês básico e curso intermediário de Word e Excel! Word e Excel, tio!"
Agora vá lá e sem essa de voltar de mãos fazias! Marque no relógio um horário! Uma gincana! Lembre-se! Gingana!
...mas amigo, tu és um fracassado mesmo, hein...

quarta-feira, outubro 31, 2007

Playstaaaaaaaatiooon threeeeeeeeee *gruaaaaaaa*

Não, eu não ganhei o meu.
Só em janeiro. =/
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Mas tem coisas bem legais acontecendo nesse universo.
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Primeiro uma coisa bem chata.
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Metal Gear Solid 4 foi adiado DE NOVO pro segundo trimestre de 2008!
Argh! Eu lembro de um trailer de 2005 ou 2006 do MGS4, que mostrava um "coming soon 2008" então riscava o 2008 e escrevia no lugar "2007"
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O que isso queria dizer? Bem, todos estavam criticando a Konami porque o jogo ia demorar pra ser lançado, então eles fizeram essa piadinha dizendo "mortais incrédulos, eis que nossa super-equipe lançará o jogo em 2007" e o que aconteceu? Bem, eles tiveram que adiar pra Março de 2008 e agora o que aconteceu? Eles adiaram pra *além* de Março de 2008, ninguém sabe exatamente quando.
Argh.
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Abaixo vai o mega trailer de 15 minutos de MGS4 pra mostrar pra todo mundo quão incrivel obra de arte pode um jogo de videogame ser.
E assistir esse trailer até perdoa o quanto ele vem sido adiado (mas argh... seria tão bom se ele saísse agora em 2007 pra poder começar o ano com Metal Gear)

A grande pena desse trailer é estar em japonês. Existem legendas em inglês, mas a voz do Snake em inglês (feita por David Hayter - que também foi (um) roteirista dos filmes dos X-Men entre outros) é insuperável. O cara deve ser um dos melhores dubladores do mundo.



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Mas apesar disso, nossa, tem tantos jogos legais surgindo nesses meses.
Acho que nesses últimos meses do ano estão surgindo muito mais jogos impressionantes do que em toda a vida do Playstation 3 (que foi lançado no começo do ano).
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Abaixo as resenhas de Clive Baker's Jericho, Folklore e Heavenly Sword.
Mais abaixo ainda o trailer do que parece que será incrível Uncharted: Drake's Fortune.
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Divirtam-se. =)
Eu sei que eu irei se chegar o dia mítico em que eu terei dinheiro pra um playstation 3...
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Ah, o Gametrailers.com costuma ser bem malvado e rígido nas resenhas deles, mas é engraçado que eles mostram uma coisa e dizem "isso é uma droga" e não muda o fato que eu ainda estou babando.
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Clive Baker's Jericho



Ok, sobre essa resenha.
Eles jogaram o jogo e eu não, mas eu desconfio que, embora a história não seja assustadora... sei lá, eu fico com medo só assistindo esses vídeos, imagino que jogar ele na sala com as luzes apagadas deve ser absurdo.
O que ele critica é que os personagens nunca parecem assustados, mas oras, eles são paranormais especializados nisso mesmo, a questão é que ele parece que deixa o jogador assustador e a resenha não menciona se o jogador fica com medo ou não.
(Nenhum personagem de Resident Evil nunca me pareceu com medo...)

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Heavenly Sword



Essa resenha tem algo de engraçado no fato que o sujeito fica o vídeo todo falando bem do jogo pra no final dar uma nota relativamente baixa...
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Folklore



De todos esses jogos Folklore é o que tem mais me atraído.
Dados os jogos que vão estar a venda em Janeiro e dado que eu provavelmente só vou poder comprar um jogo junto com o videogame, vai ser difícil escolher entre esse, Uncharted e Assassin's Creed (que eu não coloco vídeo aqui porque ainda não tem resenha e nem "trailer oficial")
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E enfim!
O trailer de Uncharted: Drake's Fortune.



Eu passei meses vendo imagens desse jogo sem me impressionar, então eu comecei a ver vídeos e - minha nossa - a atuação dos dubladores, o ambiente, a história, a ação rápida e constante; esse jogo vai ter de tudo.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Fotologgers celebridades

Estava lendo o engraçadissimo blog "anti fotologger" e pensando em algo a dizer a respeito.
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Não queria entrar nessa coisa tosca de "sou contra" ou "sou a favor" ou "deixa eles fazerem o que quiserem" ou "essa gente é burra" que, afinal, tudo que acontece no mundo dos humanos gera esse tipo de postura.

Mas só pra dizer algo, acho que o acaba *machucando* nos blogueiros que esses fotologgers virem celebridades é porque a internet teve três fases que passaram muito rápido. (e isso eu pensei lendo o textinho da rebs no alcool com açucar impresso)
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Primeiro, só os nerds tinham internet e só falavam sobre videogame e RPG (eu até gostava dessa época), então pessoas com de fato algo a dizer tiveram acesso e criaram blogs e começaram a escrever coisas, eis que a internet estava *começando* a se tornar quase que um platônico mundo das idéias. Era um lugar sem aparência (pouquissimas fotos que tinham que ser *escaneadas* - vídeo então nem sonhando), onde as pessoas expunham suas idéias, não era o mundo das idéias essenciais e certas por definição, mas enfim, era um lugar formado pela linguagem.
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Antes que isso pudesse de fato se concretizar, em termos de pouquissimos anos, as maquinas fotográficas digitais se tornaram populares e então, bem... a internet ficou tão enfadonha quanto a vida real.
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Mas não foi só isso que aconteceu; teve alguma mudança de valores em relação a internet também.
O que aconteceu foi uma gradual ligação da internet com o mundo fora dela.
Fazer a analisezinha histórica tosca de novo.
Antes era uma coisa de nerds e seus mundos imaginários, então foi para o mundo das angústias internas, dos debates políticos, dos textos de opinião sobre assunto X e já não é o mundo imaginário, mas também não é o dia a dia, quando "se tornar popular na internet" se transformou em "se tornar popular na vida real", uma linha bem vital foi apagada. Quando "se tornar popular no colégio" se traduziu em "ter um fotolog que o pessoal do colégio gosta de ver", eis que a porta se abriu para que os *vícios* do mundo real contaminassem a internet.
O resto é detalhe.
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Que tipo de coisa é detalhe?
Bem, o fato das marimoons e suas cópias, das pessoas se dizerem bissexuais, tirarem fotos com vinte pessoas se beijando ao mesmo tempo, tudo isso é detalhe, vai por mim.
Poderiam ser pessoas lotando a internet com imagens de santo ou com fotos da igreja que frequenta. Poderiam ser hordas de adolescentes que ao invés de gritar "bissexualidade" grita, sei lá, "sorvete", isso tudo é detalhe.
Poderia até nem ser imagem. Essa gente poderia estar lotando a internet com poesias, com receitas de bolos, com manuais sobre "como ser hacker".
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Os valores exatamente que essas pessoas abraçam indiferem, nem elas sabem direito o que são.
O importante, na minha opinião, é a linha que se apagou entre a internet e o colégio e a consequência lógica disso; a internet se tornando uma imensa high school.
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O problema disso é que aconteceu dessa "entidade" chamada adolescente deixar de ser uma faixa etária e englobar tudo. Não há mais idade para ser um adolescente, é mais uma questão de atitude mesmo; se você age de maneira X você é um adolescente, quer tenha 12 ou 30 anos.
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E o que *dói* nas pessoas é essa inversão do platônismo.
Nesse caso, a Marimoon é MESMO marxista.
Porque de acordo com Platão, o mundo material era uma cópia tosca do mundo das idéias, já o marxismo diz o contrário, que são as idéias que copiam o mundo material.
Marimoon faz exatamente isso, ela pegou o apartamento dela, as roupas dela, a faculdade cara dela, tudo isso e transportou pro mundo das idéias e tendo ela dinheiro e sendo isso algo dependente de tecnologia, o que aconteceu foi ela ter comprado a primeira cadeirinha desse mundo que logo se tornaria barato e logo estaria populado por cada vez mais adolescentes.
Ou seja, é um mundo onde você pega suas coisas materiais (principalmente seu corpo porque é a coisa material que você tem acesso mais direto) e transforma em idéia.
É por isso que fotologs tendem a ser iguais, ele é simplesmente *empírico* demais e o mundo empírico se esgota rápido demais.
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Então começa com "meu rosto", aí passa pra "meu corpo", então "minha roupa", aí "meu cabelo", então "minha pose" e logo vai se esgotando as possibilidades, afinal, é enfadonhamente parecido com o mundo real.
Então mais uma vez a marimoon se torna o marxismo personalizado.
Ela não consegue separar o material da idéia, mas quer que a idéia pareça algo maior que o material, então o mundo das idéias se torna uma cópia tosca e exagerada do mundo real.
Se fossem cristãos ao invés de "liberados sexuais", estariam então tirando fotos de ângulos inesperados de suas igrejas, estariam photoshopando imagens próprias para parecerem mais angelicais, mais puros, estariam logo apagando suas genitais com o photoshop para parecerem mais perfeitos do que realmente são.
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Mas sendo como são, fazem o que fazem; não gosto de materialismo exatamente porque o material se esgota rápido demais e como a Marimoon é marxista e materialista, o material dela se esgotou rápido demais, então ela precisa liberar de vez em quando um pouco de nudez, precisa de uma pose nova, precisa de uma foto diferente. Mas oras, quantas vezes uma pessoa pode ser fotografada de maneira diferente?
Os fotologgers tentaram, afinal, transformar a internet em um elogio a si próprios, elogios pomposos que, como os bons elogios, são maiores que a vida. É óbvio que o resultado ficaria ridiculo. Quem não dá risada do glutão que se gaba do seu auto-controle?
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Isso é ideologia, caros. É a idealização do material.
Marimoon como boa marxista e burguesa só faz o que marx diz que os burgueses fazem.
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Nada de novo. Só mais colorido.
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Quanto as pessoas que se incomodam com isso.
Bem, é triste que o nosso mundinho das idéias tenha sido invadido pela vulgaridade e mediocridade da realidade, mas isso era inevitável. Então que ajamos como fazemos na realidade.
Deixe os medíocres com seu gregarismo. Sou elitista lá, serei elitista aqui.
Existe um ressentimento por essa impressão que perdemos nosso espaço para algo mais tosco.
E de fato, isso aconteceu, mas não é a primeira vez e ressentimento é uma coisa ruim, tem algumas vezes naquele anti-fotologger que a pessoa que escreve sacrifica a inteligência em prol desse ressentimento.
É fácil nesse post apontar alguma ou outra frase que diz "você só está tristonho porque dão atenção pra essas pessoas e não pra você" e eu não vou fingir que isso não machuca. Internet costumava ser um espaço onde era fácil ser reconhecido pela sua inteligência, coisa que não acontecia no mundo real, agora se tornou difícil de novo. É uma repetição do colégio. Você faz textos lindos, mas a única pessoa que elogia é a professora, mas as 50 pessoas ao seu redor se dividem entre te ignorar e te achar um imbecil por ser diferente.
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Mas digo isso por mim. Doeu ser diferente no colégio, ainda dói; doeu ver pessoas estúpidas ganhando atenção sendo óbvias, ainda dói; mas passa. Daqui a pouquinho vou pra sala pegar meu Kant e estudar. Afinal, elitismo se torna sobrevivência, as pessoas vão sempre preferir os óbvios; a internet nos deu uma ilusão de mudança, mas a internet é tão mundo quanto o mundo encarado pela tela do computador, era inevítavel que a mediocridade se tornasse lei mais cedo ou mais tarde.
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Ainda dói.
Mas ainda existe aquela coisinha, de se olhar no espelho e dizer, *realmente dizer*, sem ser uma auto-afirmação vazia, que sua dignidade está mantida; que seu centímetro está preservado.
E dói. Mas faz um bem.

Coração

Coração... porque parece tão cansado de bater?
Tão desesperado, parece que está nas últimas.
Bate bate sem parar coração, eu me pergunto
Como poderia não estar cansado?
Bate sem propósito
Bate sem pensar
Bate sem objetivo
Coração
Essa vida que você mantém
Ela vale a pena?
Descanse um pouco, coração.
Pode parar.
Pode se deitar e ficar em paz.
Essa vida que você garante, coração...
Ela não sente assim tanto prazer em ser vivida.
Essa existência que você perpétua, coração...
Ela não vê sentido em si própria.
Pode parar, doce coração.
Tão fiel, tão leal.
Tanto trabalho.
Não queria desmerecê-lo, mas é inevitável.
Pode parar.
Admiro seu esforço.
Sempre batendo.
Toda hora.
Todo dia.
Pobre coração.
Doce coração.
Amado coração.
Eu sei que você se esforça.
Eu sei que você quer.
Afirmar a vida não é fácil.
E você o faz tão orgulhosamente.
Tão sem razões.
E ainda por cima, nem é a própria vida que você sustenta.
É uma vida que não faz tanta questão assim.
É uma vida que se sente indigna do seu esforço.
Pode parar, coração.
Você fez sua parte, eu que não fiz a minha.
Obrigado.
Pode parar.

sábado, outubro 20, 2007

Algo sobre a realidade

Oh, a distância entre nós e a realidade.
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Existe, entre nós e a realidade como ela realmente é, a intransponível barreira do sujeito que a observa. Desse ser por detrás dos nossos olhos que só capta uma informaçãozinha aqui e ali sobre essa realidade.
Toda a realidade acaba por se resumir a sinais elétricos no cérebro... não é possível que alguma informação não se perca nessa transformação. Não é possível que algo não seja transformado e, ao invés de ser belamente transformado em dados pelo nosso corpo, simplesmente nos atinja como um trem, direto no coração, nos deixando atordoado e confusos... ou ainda que não nos atinja e continua aí, a ajudar a mover o universo, livre do fardo de ser estudado por humanos.
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E quanto àquilo que conseguimos pegar da realidade? E quanto daquilo que entra em nossos olhos e nossa pele e se faz perceber? Ainda isso tem que se organizar de acordo com nossa mente. Tem que ocupar seu lugarzinho no espaço e no tempo, tem que ter uma substância, tem que ser nomeável, tem que ser formado por universais, tem que se distinguir do todo ainda fazendo parte dele, tem que ter uma unidade própria. Regrinhas e regrinhas de nossa mente para fazer uma realidade quadrada caber em um buraco redondo. É só aparar umas arestras.
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E depois que aquilo faz parte do nosso mundo percebido? Depois que ele se adequa a todas as regrinhas? Ainda resta a barreira da nossa razão e nossa razão precisa se adequar as regras dos nossos preconceitos.
É preciso que aquela coisa seja boa ou má ou gostosa ou ruim ou benéfica ou nociva ou vinda de Deus ou vinda da exploração ou vinda do mercado ou aqui pra isso ou praquilo.
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E se tirarmos os preconceitos da razão? Ah, ainda sobra a ciência... é preciso dissecar, cortar, olhar no microscópio, então em um microscópio mais potente, então em outro mais potente ainda, é preciso decidir se está olhando com olhos da física ou da química e é sempre preciso olhar mais perto, sempre mais perto e nunca chega ao fim, tem sempre uma pecinha menor, sempre um pedacinho após a divisão, sempre alguma quantidadezinha de energia errática que ainda está lá, é preciso olhar mais de perto e mais de perto.
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E depois que olhamos de perto o bastante? É preciso aprender a falar, para traduzir aquilo que vimos em conceitos para nós mesmos. E temos uma linguagem limitada, temos uma meia dúzia de palavras para descrever uma infinidade de coisas e modificamos essas palavras a nosso bel prazer, damos a elas significados novos, ressucitamos significados antigos, às vezes estamos por demais no senso comum, às vezes somos demasiados técnicos, estamos vendo, mas precisamos entender, então precisamos escrever em um caderninho, mais regrinhas da realidade, mais transformações, mais informação perdida, mais informação ignorada.
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E depois que escrevemos? Oras bolas, é preciso que os outros entendam! É preciso que dentro da cabeça deles, de alguma forma, a palavra que você usou para si próprio (e que já foi um bocado díficil definir para si próprio) tenha o mesmo sentido, é preciso que se comuniquem, é preciso que o que você tenha visto ele também veja, é preciso conciliar opiniões, pontos de vista, preconceitos, problemas de visão, mais informação perdida, mais um tanto da realidade que fica pra trás.
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Muito complicada essa história de realidade.
Prefiro minhas historinhas de amor.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Meh

Só estou com vontade de escrever e não consigo pensar em nada específico.
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O Universo HQ publicou uma resenha da segunda edição do Eterno sem que eu tenha sequer visto o gibizinho em mãos! =D
Pra quem não sabe (e quem não sabe provavelmente é só umas duas leitoras novas que eu tenho porque esse blog é tão imensamente popular que eu consigo de fato acompanhar quem está ou não atualizado sobre minha vida), Eterno é um história que eu escrevi e que está sendo desenhada por Felipe Cunha.
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Enfim, eu acho que é a melhor história que já vi em fanzines na minha vida assim como eu acho que sou um dos grandes escritores de nossa geração, mas também acredito que irei morrer pobre e falido e que alguma pessoa bem menos talentosa que eu, mas mais "humilde" e com mais amigos vai garfar todos os HQ Mixs de 2008 que eu deveria receber.
MAS EU LIGO?
Claro que não.
Faz bem pro caráter.
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Mas falando sério, eu acho que a história está boa mesmo e se as pessoas estão gostando dela agora - na segunda edição - eu nem consigo prever a reação delas nas próximas edições, porque coisas incrivelmente fodidas acontecem.
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Eu queria colocar no gibi algum textinho filosófico que explicaria um pouco do pano de fundo das coisas que acontecem na história, mas a rebs não gostou da idéia, então eu deixei pra lá.
Dito isso, acho que farei isso nesse blog.
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Então la la la, deixa eu pegar o Eterno #1, ver do que se trata e fazer um texto a respeito. (que só vai fazer algum sentido pra quem leu o treco)
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Bom, eu não to achando nenhuam cópia aqui, então eu vou pegar pelo roteiro, que talvez esteja um pouco diferente do gibi.
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Sobre a parte 1 - Vida Pequena

Por mais que pensemos que vivemos em uma época sem valores, a verdade é que sempre no fundo de tudo que é dito publicamente ou considerado "bom", está o ideal da democracia, a saber, igualdade, liberdade e fraternidade.
É claro, que essas palavras tem significados dos mais variados dependendo da sua filiação política, mas é sempre igualdade, liberdade e fraternidade e quem quer ser uma pessoa "boa" é preciso utilizar essas três coisas, estuprando o significado das palavras o quanto quiser, mas utilizando as três palavras.
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O que isso tem a ver com nosso herói?
Bem, nosso herói logo de cara propõe algo que é muito comum de ser visto em conversas de boteco, mas que nunca chega a ser falado em debates.
É um tema muito antigo, que acabou sendo considerado incoerente com os ideais democráticos, ou seja, que algumas pessoas aproveitam melhor a vida e que outras a desperdiçam.
Como nada que é sólido se desmancha completamente, esse não é um tema assim tão polêmico, mas ainda assim, alguém declarar que a vida dos outros é estúpida ou um desperdício é algo simplesmente elitista demais para ser considerado pra valer.
Nossa sociedade, que ainda bem abraça a liberdade de expressão, aceita que expressemos nosso elitismo, mas não há nada direcionado a uma "melhoria do homem".
Fato, o propósito da vida não é ser um "homem bom" ou um "homem sábio", é só que embora essas coisas não sejam pressupostos da existência, não seria mau que elas aparecessem como valor; os valores, por sua vez, são algo do tipo "deixe eu pensar o que quiser, nenhum pensamento é errado; mas pague seus impostos, pois é sua função manter os outros vivos", eu prefereria que fosse o contrário, que tivessemos uma sociedade aberta ao debate (liberdade de expressão não é sinônimo de debate - obviamente, não existe debate sem liberdade de expressão, mas o contrário é o que eu vejo hoje), ou seja, uma sociedade aberta ao "apontar o dedo e chamar de burro" e que em relação as coisas materiais imperasse o "cada um cada um", mas né...
Enfim, nosso herói reconhece a pequenez dos outros e quer evitar isso, ao mesmo tempo, o que ele percebe de errado nos outros, não percebe em si próprio, se os outros desperdiçam a vida, ele sequer gosta da própria, acho que é uma maneira minha de dizer que embora, de fato, a vida cotidiana é imbecil e sem sentido, só perceber isso não faz a sua vida melhor, o passo seguinte ao "perceber que a vida é sem sentido" é de fato construir um sentido pra sua vida, se você não dá esse passo, só está desperdiçando a existência maneira mais consciente.
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Um dia talvez eu escreva sobre a Parte 2 (que na verdade é a primeira edição porque a parte 1 é a introdução e tal)

terça-feira, outubro 16, 2007

Argh
Terceiro texto gigante que eu apago hoje por estar escrevendo mal.
Minha mente hoje não está colaborando em nada.
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Ah vai, já que não consigo escrever.
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Angélica, bem se vê que você não manja de blogs, querida, porque sem e-mail eu não tenho como te responder, ou seja, tenho que falar com você via posts, o que acredito que seja uma ofensa as minhas preciosas concubinas, porque eu não faço posts dedicados a elas, mas eis que tenho que fazer um dedicado a você.
Mas respondendo a pergunta, não, eu não escrevo em nenhum lugar mais, o Rodrigo é um infeliz e um miserável, ninguém contrataria o Rodrigo pra escrever nem em papel higiênico.
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Se eu tivesse feito algum curso de jornalismo, hoje eu estaria ganhando 470 milhões de reais a hora porque eu sou um gênio e tal, mas acho que existe algo de muito errado em considerar jornalismo uma "profissão".
Afinal, que porra que é um jornalista? É um cara que se especializa em não saber nada que é pra poder, da forma mais cega e imbecil possível, escrever o que os outros ordenam que ele escreva sem questionar.
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Neutralidade meu ânus. Eu chamo é de covardia mesmo.
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Se alguma coisa, jornalista deveria dar notícia e só. Ainda assim, não vejo porque uma faculdade disso já que qualquer asno alfabetizado sabe pagar o reuters pra dar ctrl+c ctrl+v nas matérias.
De resto, a Super Interessante deveria ser feita por físicos e biólogos e químicos e etc.
Revista de história deveria ser escrita por historiadores, de filosofia por filósofos, de economia por economistas e assim vai.
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Fato, esse povo não escreve de forma tão agradável, então acho que a empresa deveria pagar algum cursinho de estética linguistica e that's that. Pronto. Sem mais esses asnos superestimados escrevendo sobre física quântica.
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Pessoal que sai na rua conseguir notícia deveria ser próprio pessoal que sai na rua. A polícia deveria ter um "jornalista" deles, associações diversas de moradores deveriam ter um jornalista deles (pra denunciar a polícia).

No fim das contas, acho que ao invés desses macacos inúteis, um jornal deveria apenas ter editores de cartas abertas e todo mundo que abrisse um jornal, ao invés de imaginar que lá está "a voz da verdade" saberia que teria apenas relatos de gente comum.
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A questão é que "mídia" é uma coisa ligada demais a democracia pra deixar nas mãos de um grupo de pessoas diplomadas; democracia pra mim funciona por checks and balances, ou seja, ao invés de você ter um juiz procurando ser oh tão melhor que todo mundo (porque é isso que um jornalista é; ou seja; alguém que não tem nenhum conhecimento, mas ainda assim acha que sabe mais o que os outros a ponto de decidir o que é justo de ser relatado), você teria relatos de gente que você sabe "de que lado está" e você teria esses relatos lado a lado para serem facilmente comparados.
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Então ao invés de uma "noticia", você teria uma carta dizendo "ontem, na rua tal, tal hora, eu vi policiais atirando em adolescentes" e do lado "os policiais estavam se defendendo" e logo abaixo "os policiais atiraram sem terem sido provocados" e assim ia, antes de ser um leitor passivo, o sujeito estaria no meio de um debate com as várias opiniões apresentadas pra ele. Mais ou menos como funciona em fóruns de internet mesmo. A diferença é que não seria uma discussão em tempo real, ou seja, não seria bem um debate, seria sim coletâneas de relatos simultâneos.
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O mundo seria tão bom se as pessoas ouvissem o Rodrigo.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Estava fuçando o orkut de um amigo antigo meu (com quem eu não converso - de propósito - sem motivo senão falta de vontade - faz uns 5 anos).

Pra começar, sempre espanta como o tempo passa rápido, essa sensação de ter memórias vívidas de acontecimentos de uma década atrás... isso não é legal, é quando você percebe que há 10 anos atrás estava se apaixonando pela primeira (em uma sala de chat! Há! Por uma menina que tinha uma personagem que tinha 12 anos, mas que na real era bem mais velha) é quando você percebe como é que o tempo não volta.
Digo, nós sempre sabemos que o tempo não volta (porque tempo é só uma intuição pura do pensamento e sua regressão iria contra as leis do entendimento - haha - ).
Enfim, esse amigo em questão (que eu não vou dizer o nome pra ele não googlar e achar isso - porque uma coisa que é diferente do eu de hoje e do eu de antes é que o eu de hoje quer manter algumas coisas escondidas de algumas pessoas... mas o cunha vai sacar quem é... mas o cunha nunca lê essas porras de posts) tocava bateria, aliás, ele tocou na banda do cunha e ele abandonou essa banda e a gente nunca entendeu ele.
Nós sempre sabíamos que tocar bateria era a vida dele, mas ele nunca parecia estar se dedicando direito a isso. Ele ensaiava, mas parecia sempre ter medo de levar isso adiante. E eu julguei ele muito por isso.
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No orkut dele tem uma foto dele ganhando um prêmio de melhor bateirista sei lá da onde (mas tinha uma porrada de gente na audiência vendo ele ganhar o prêmio) e ele está tendo aula em conservatório e... enfim, ele sabia algo que nós não sabiamos, abandonar bandas que tinham tudo pra dar certo não era um jeito de desistir de projetos, mas sim de se focar direito no que ele queria fazer e não se distrair pelo que não queria, mesmo que isso fosse eventualmente dar certo.
O lado mais dificil de fazer escolhas é deixar coisas pra lá e somos tão bombardeados diariamente por frazezinhas de efeitos do tipo "é melhor tentar e se arrepender do que nunca tentar" e não necessariamente, o tempo rola, as coisas acontecem, é preciso coragem e visão pra saber que estradas você não vai nem tentar tomar.
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Eu já visualizei todo tipo de futuro pra mim; um dia eu seria um profissional de radio e tv, no outro eu seria algum tipo de escritor, então roteirista, aí roteirista de quadrinhos, então teria um site e falaria sobre música e agora filosofia.
Dessas coisas todas eu só espero continuar sendo roteirista, mas agora não tenho nenhuma pretensão em fazer carreira disso, só espero poder continuar escrevendo os melhores fanzines do mundo pra sempre, acho que eu vou ser publicado um dia, mas não está na minha lista de prioridades.
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Minha prioridade atual é a filosofia.
Eu estou decidindo agora abandonar a idéia de fazer um site. Não achei webmaster quando eu tinha saco de ter o site e agora não tenho saco mais, música pra mim não é mais o que era.
Na época em que eu trabalhei escrevendo sobre música (sem receber, pois a revista em questão foi a falência), eu achava que gostava de escrever sobre música, pensando hoje, eu não sou bom nisso.
Em termos de jornalismo, na minha curta carreira, teve UMA coisa boa que eu fiz, um único texto que eu senti orgulho imenso e esse texto foi uma biografia do Damien Rice (alguém que eu nem gosto muito) pra revista transamérica (por esse sim eu recebi - haha), mas a minha postura ao escrever essa biografia foi a de que eu estava relatando um épico e eu não mudei nenhum fato, mas eu dei a elas uma grandiosidade linda e tornei heróica a vida desse cara e, afinal, música pra mim não é o que costumava ser.
Não quero mais me importar com os lançamentos mais recentes, eu encontrei o tipo de música que eu gosto, que é twee pop ou indie pop ou simplesmente música alternativa que também é bonita e eu não quero mais falar a respeito, eu quero só ouvir e eu não me importo as bandas que vêm ou não pro Brasil, mesmo essas bandas que eu gosto, não quero ver seus shows, quero só ouvir suas músicas, aqui mesmo, em MP3 de qualidade duvidosa, com fone de ouvido, em madrugadas que eu deveria estar dormindo.
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Como carreira me resta a filosofia e mesmo isso eu me pergunto se quero seguir como carreira profissional... eu acho hoje que quero estudar filosofia pra sempre (como eu achei antes que iria querer fazer outras coisas pra sempre), mas essa área, assim como toda área, tem muita máfia, muita dor de cabeça.
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Se a carreira de filosofia for, de fato, dar aula - estudar - escrever, isso me parece perfeito. Até dar aula, que eu costumava ver como um peso, hoje é algo que eu quero fazer, que eu quero tentar ao menos, mas eu não quero... tsc... .... eu não quero ter que dar satisfações a ninguém, não no sentido "emprego" da questão, mas no sentido filosofia mesmo, eu não quero ter que explicar porque o que eu estudo é útil ou interessante, porque, no momento, eu tenho certeza que meus interesses na filosofia são tão inúteis quanto possível e quanto a interessantes... bom, digamos que eles não fazem parte do interesse de ninguém... você não pode usar o que eu estudo como base de nenhum projeto pedagógico, não pode usar como base de nenhuma plataforma política, não pode usar como auto-ajuda e enfim, ninguém que vive no mundo se interessaria por isso.
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Porque na verdade, é essa visão de filosofia que eu tenho tido ultimamente, que filosofia é justamente um estudo desinteressado da realidade... digo, não é possível ser completamente desinteressado, mas não é algo que eu possa justificar pra alguém porque eu estou estudando senão pelo fato que eu acordei afim.
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E claro, como pessoa eu dou minha opinião sobre assunto que eu quiser, mas e como profissional? Eu não posso ajudar ninguém a viver melhor, não posso dizer qual presidente é o mais indicado, qual plano econômica é o mais vantajoso, não posso te dizer como se livrar dos seus medos, como ser feliz, nem como comer melhor. Pelo menos não por enquanto, se um dia meus estudos me levarem pra esse lado tudo bem, mas por enquanto eu não consigo dizer muita coisa além do que explicar porque vemos 3 dimensões ao invés de 17 ou porque vemos as coisas como unidade enquanto por trás delas existe todo um caos metafísico.
E mesmo essas coisas não se pode provar.
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Esses dias um professor citou Quine quando ele disse que "na filosofia não estar certo, mas tem estar errado".
É um ramo legal esse, a sua única possibilidade de sucesso é que não descubram aonde você está errado, porque você também não tem como provar que está certo.
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Enfim, eu só quero uma vidinha tranquila.
Mas eu sempre escolho os caminhos mais bélicos.