Do site "Friendly Atheist"
"What has kept me relatively sane in the matter is that I try to focus the conversation on things we can agree on.
I talk about the need for separation of church and state, the importance of teaching kids to question their beliefs and seek out their own answers (Christians, of course, think this will lead them toward faith), the lack of politicians who represent our constituency, why we need to keep forced religion out of public schools, the myriad cases of discrimination against atheists, etc.
I talk about the need for them to take those ideas back to their churches and pastors. They have a hard time saying no to those ideas above. So that’s where I keep my focus.
It’s more important to me that Christians get on board with those ideas than whether they believe in a god or not."
Particularmente, eu não tenho o mínimo interesse em que alguém deixe de acreditar em deus; na verdade, eu vejo lados bons em ter uma religião. A pessoa está em uma comunidade, ela pode exercitar compaixão e caridade, ela tem motivos (legítimos ou não) para agir de forma decente e honesta, etc.
É claro que, sendo ateu, eu vou defender meu lado da questão; religiosos são o tipo de maioria que espera algum tipo de respeito especial sem oferecer nenhum em troca; é difícil dialogar sobre religião porque todo mundo se ofende tão fácil.
Esses dias numa comunidade do orkut, eu argumentava que deus, como entendido tradicionalmente pela filosofia, não podia ser panteísta ou "uma energia"; que deus tinha atributos bem específicos, ele era o criador onipotente, onisciente, racional, infinitamente bom, etc; é claro, disseram que eu queria censurar alguém, que eu era um inimigo da liberdade de crença e tal.
Mas é o orkut. Quem se importa com o orkut?
Mas é um assunto onde as pessoas não sabem como se comportar, em termos de etiqueta, e aqui há um problema que atrapalha mais a questão do que a lógica da coisa.
Eu me ofendo fácil demais porque, bom, nesses dias, no Washington Post, um dos jornais mais lidos e mais respeitados nos Estados Unidos, rolou um artigo do presidente da liga católica dos Estados Unidos em que ele dizia (e agora já não é mais "orkut, quem se importa com orkut?")... bom, eu vou citar, é tão assustador que parafraseando parece mentira:
Nota que quando ele fala em "radicais", ele não quer dizer "radicais", ele quer dizer secularistas, gays, pessoal pró-aborto, artistas ateus; ele não está falando de ninguém jogando bombas ou assassinando pessoas, ele está falando de gente normal com opiniões diferentes das dele.
"Yesterday's radicals wanted to tear down the economic structure of capitalism and replace it with socialism, and eventually communism. Today's radicals are intellectually spent: they want to annihilate American culture, having absolutely nothing to put in its place. In that regard, these moral anarchists are an even bigger menace than the Marxists who came before them.
If societal destruction is the goal, then it makes no sense to waste time by attacking the political or economic structure: the key to any society is its culture, and the heart of any culture is religion. In this society, that means Christianity, the big prize being Catholicism. Which explains why secular saboteurs are waging war against it.
When Jesse Jackson led students at Stanford University in the late 1980s screaming, "Hey, Hey, Ho, Ho, Western Culture's Got to Go," it was a way of undermining this nation's Judeo-Christian heritage. When Yale University returned $20 million to Lee Bass in the 1990s because the faculty objected to its being used to expand its Western civilization curriculum--they wanted multiculturalism--it showed the power of radical secularists.
Sexual libertines, from the Marquis de Sade to radical gay activists, have sought to pervert society by acting out on their own perversions. What motivates them most of all is a pathological hatred of Christianity. They know, deep down, that what they are doing is wrong, and they shudder at the dreaded words, "Thou Shalt Not." But they continue with their death-style anyway. "
continua por um pouco e, fecha com o brilhante parágrafo final:
"The culture war is up for grabs. The good news is that religious conservatives continue to breed like rabbits, while secular saboteurs have shut down: they're too busy walking their dogs, going to bathhouses and aborting their kids. Time, it seems, is on the side of the angels."
Reinaldo Azevedo também chama quem é a favor do aborto de pessoas "pró-morte"; sujeito aqui nos meus comentários (ele vai jurar que não, mas ah, ele sabe que ele fez) deu a entender que eu era a favor de infanticídio por causa do meu vegetarianismo baseado em compaixão, minha mãe acha impossível eu ser ateu porque não é possível um filho tão adorável não acreditar em deus, (não fuma, bebe pouco, não usa drogas, passa o dia todo estudando, é bom com os animais, é bem educado, mesmo se um pouco antissocial e não acredita em deus? Ah, isso é uma fase que ele vive faz uns 5 anos, daqui a pouco passa).
A maior parte do meu tempo como ateu, eu passei debatendo a questão com outros ateus; eu não acho, por exemplo, que acreditar em deus é um tipo de burrice automática, eu acho uma crença bem legítima (que eu não tenho) e que religiosos que fazem coisas ruins por causa de religião, são ou charlatães ou, sim, uma minoria de radicais. A maioria das pessoas que você conhece são religiosas e elas são tão falhas quanto você; siginifica, elas podem ser bem chatas e mesquinhas, de nenhuma forma são santas, mas de nenhuma forma são pessoas cuja ruindade vai além de "ela é realmente invejosa" ou "olha quanta fofoca ela faz".
Nos últimos tempo, eu tenho debatido com teístas; querelas filosóficas a parte, enquanto Bush era presidente, o ateu era só uma figura engraçadinha a se passar o tempo, agora, com a eleição do Obama, que passou por umas 3 igrejas no dia da posse, de repente nos tornamos essa ameaça vista acima.
Somos uma raça de pervertidos sexuais e anarquistas morais querendo aniquilar a sociedade e censurar os religiosos porque odiamos deus e temos medo do "você não deverás", etc.
Eu ainda não me considero nenhum tipo de minoria oprimida, mas vou dizer, estou começando a ficar preocupado, não em ser perseguido, mas em ter que tomar um lado. O que eu sempre briguei com todo ateu é essa mania que alguns têm de tratar religiosos como o inimigo, mas cada vez mais eu me vejo tratado como sendo o inimigo e, tipo, olha pra mim, eu não sou inimigo de ninguém, eu sou só o cara que passa o dia lendo Kant, Schopenhauer e jogando videogame.
O grande triunfo dos cristãos extremistas norte-americanos está sendo esse:
Transformar questões bobinhas em grandes questões (ele não é só um vegetariano que gosta de reciclar e acha que duas pessoas do mesmo sexo merecem todas as garantias legais ao casarem que heterossexuais geralmente tem - eles são O INIMIGO DA CIIVILIZAÇÃO OCIDENTA!) e eles estão cada vez mais criando uma equivalência entre um tipo muito específico e muito norte-americano de conservadorismo econômico (que, num geral, eu concordo) e social (que, num geral, eu discordo) e "Civilização Ocidental", basicamente jogando toda a cultura que começa na Grécia no lixo e substituindo por coisas que Nixon e Reagan defendiam enquanto discursando antes de uma corrida de NASCAR no Texas.
Não é que eu reduza tudo a política, eu reduzo boa parte da religiosidade atual (teísta ou atéia) à política, porque tudo que cristãos fazem hoje em dia é politizar questões; o seu cristão médio vai passar 10% do tempo falando sobre compaixão, caridade, salvação da alma e os mistérios da bíblia e 90% do tempo discutindo como os gays e os negros estão tentando destruir a cultura ocidental.
Não que eles não possam, obviamente, falar sobre esses assuntos, o que me preocupa é que se você me diz que você frequenta a igreja, eu vou deduzir que você é contra as cotas raciais na universidade, que você acha que o BNDES deveria ser limitado (ou até extinto) e que os hospitais públicos não deveriam tratar obesidade. Eu não sei se essa é uma associação que eu deveria ser feita, eu até entendo que junto com uma crença metafísica venha uma política, eu só acho impressionante que seja uma política tão específica, onde eu posso deduzir se você é contra ou a favor dessa lei aqui de 2009 baseado na sua crença.
Numa nota mais particular, acho interessante notar que sempre que eu faço um post sobre esse assunto, nunca é pra dizer que deus não existe, é só pra reclamar que os religiosos estão próximos demais de um grupo político a ponto de que não dá mais para diferenciar crença em deus e crença em Nixon. E sim, Nixon! Não estou nem falando de Hume, Locke, Montesquieu, Adam Smith, Rousseau (a interpretação liberal), mas sim Nixon.
É só, de novo, ler o texto do *presidente* da liga católica: ele não está defendendo grandes ideais, ele está defendendo a proibição de casamento gay e escolas levemente menos seculares, mas ele está defendendo essas coisas como se fosse a grande salvação da civilização ocidental. Ele não está casualmente dando a opinião dele sobre duas questões, ele está transformado aquilo que será votado no meio do ano que vem nas eleições para o senado norte-americano na grande luta dos católicos que seguem a grande civilização que teve origem quando Tales de Mileto disse: "É água!" e é assim que Nixon se tornou o mais importante comentador contemporâneo de Santo Agostinho.
Isso me preocupa.