Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

Nostalgia do contemporâneo


Nostalgia musical com rock é sempre estúpido. Anos 60 ou anos 90 ou anos 00 é uma diferença irrelevante, tudo é contemporâneo, quer você tenha ido pessoalmente na baladinha x de tal década ou não.
Estava ouvindo Smashing Pumpkins agora e sempre rola no youtube algo do tipo "ah, essa época sim tinha música. Não essa droga de hoje"
Meu rock favorito é algo que eu nunca participei, nem como nostalgia, twee é alien pra um bocado de gente que viu as bandas pessoalmente, mas de novo, não importa, os anos 80 são tão contemporâneos quanto o que aconteceu ontem. É tudo parte de um processo que é tão o mesmo processo e é tão sem rupturas relevantes... enfim.
Musicalmente, a época que mais marcou enquanto aconteceu - e assim será por toda a vida, pois ter 21 anos não acontece duas vezes - foi aquele momento entre 2003 - 2005 que tinham as coisas do tipo Strokes, Yeah Yeah Yeahs, Franz Ferdinand, Killers, etc e tal.
Crianças burras que eramos na época, sentamos a inveja do nosso clubinho e ó que medo de Strokes ficar mainstream.
O que aconteceu com o pós-guerra foi uma constante necessidade por algo novo que leva as pessoas a cometerem o erro de pensar que coisas novas de fato estão acontecendo. Não há ruptura relevante entre Beatles, Velvet Underground, Sonic Youth, Yeah Yeah Yeahs e seja lá o que acontece hoje; se o Rock quer se compreender como arte, ele tem que pensar um pouco mais em eternidade e um pouco menos em ciclos de 10 anos e cortes de cabelo. A "nossa" geração ainda é a geração dos nossos pais e até dos nossos avós; a última ruptura foi a segunda guerra mundial (e olhe lá); desde então, a juventude dos Beatles é a mesma juventude do Restart e pensar as coisas do ponto de vista dos corpos que envelhecem nunca foi uma boa estratégia de análise histórica ou cultural. Que importa você e seu corpo mortal no esquema das coisas? Pensar a diferença entre hoje e os anos 60 vai ser uma curiosidade acadêmica (e arbitrária e cheia de problemas e útil só como ponto de partida) como pensar a diferença entre a Grécia de Sócrates e a de Aristóteles e estamos falando aqui da diferença entre uma geração sem escrita e uma geração com escrita. A diferença entre nós e os anos 60 é muitíssimo menor.
A internet é basicamente um telefone muito eficiente, mesmo tentando construir essa frase, eu não consigo ver a enorme diferença.... ou qualquer diferença. Não é como se esse blog não fosse existir como um fanzine e ser tão pouco lido e irrelevante
O que muitas pessoas experimentam como nostalgia de uma época que nunca viveram é uma experiência da própria época; confusa por esse conceito estranho de um ciclo cultural que dura risíveis 10 anos.
Talvez a grande prova que somos exatamente a mesma geração que nossos avós é que continuamos a cometer exatamente os mesmos erros. Algumas coisas dependem de avanço tecnologico - essa ou aquela doença foram curadas - as que dependem de qualquer mudança de espírito (o tal do Zeitgeist) continua na mesma. Nós ainda estamos parados no exato mesmo ponto da família dos anos 60 que de repente tinha todas essas tranqueiras novas para o lar sem saber o que fazer com elas a não ser afundar-se em mais depressão.
Se o sujeito do clube da luta se acha niilista, ele deveria ver quanto antidepressivo uma dona de casa norte-americana engole furiosamente, aí você me fala de não acreditar em nada, não ter esperança no futuro, ter tranqueiras e perceber que elas são inúteis, etc e tal.
Os problemas são os mesmos, a falta de solução também, a ansiedade da juventude idem, logo, o mesmo rock n roll. Desde os anos 80 nos chamam de década perdida, eu incluiria aí os anos 60 também já que estamos falando de contribuições culturais geneeralizadas e significativas ao invés de um bom momento aqui e lá (ah é, os hippies foram muito importantes, olha todo mundo vivendo como eles e rejeitando o cristianismo conservador).
A ruptura da segunda guerra mundial foi basicamente nos forçar a olhar as minorias. O problema judeu é também o problema negro, homossexual, etc e tal. As conquistas que esses grupos estão tendo é o exato mesmo processo que se originou (e nem assim originou originou no sentindo forte da palavra) desse trauma causado pelo holocausto.
A característica da atualidade envolve esse trauma; o niilismo, o fanatismo religioso, a democracia confusa, o hedonismo, isso tudo vem de antes, são problemas do século XIX que meio que entraram em pausa pelas guerras mundiais. Lidar com a tecnologia eu diria que é um problema do começo do século XX (a questão da técnica está pelo menos em Heidegger). Se eu posso profetizar a próxima geração, vai ser aquela que vai sinceramente olhar o fim do mundo nos olhos por conta dos problemas ambientais; hoje nós brincamos de nos preocupar com problemas ambientais, vai chegar a época que um ataque terrorista intencional vai ser irrelevante, pois você está com medo que a chuva mate todos aqueles que você conhece; essa é a próxima etapa, acredito (mas sei lá, especular demais o futuro é pamonha); até lá, os Beatles são tão jovens quanto você.

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