Romantismo é um estado de época que exige um certo conjunto de forças em que a vida é avaliada de acordo com a sua própria condição de vida.
À primeira vista, isso pode soar como aqueles argumentos acerca da ociosidade onde se fala sobre o passo além da necessidade de sobrevivência, mas o amor jamais pode estar no estado de coisas dissociadas de uma necessidade de sobrevivência; ele vem, afinal, com toda a bagagem da reprodução da espécie e por aí que entendemos o seu valor como "vida".
O romantismo é um estado de época em que a vida é apreciada na sua condição de miséria, luta e ímpeto ao contrário de uma época tão desesperadamente afogada em miséria, luta e ímpeto que necessita sonhar com prosperidade, paz e autonomia.
O sentimento romântico, ultra-sensual, profundamente ligado ao corpo e à natureza, é acompanhado de um sentimento pagão incapaz de compactuar com a racionalidade pagã. O romântico não busca, como o epicurista, o prazer como via para a tranquilidade e definitivamente não busca, como o estóico, inserir-se na ordem do cosmo; o romântico, de certa forma, não busca nada, ele está, afinal, alheio ao conceito de autonomia. O romântico não é dono de si próprio e vê como pobreza de espírito ser dono de si próprio, não se trata de uma rendição ao desejo, mas do reconhecimento da condição de ser que deseja. Trata-se de não se enganar, mas, ao mesmo tempo, é uma sabedoria sem virtude.
O romântico, que reflita uma verdade, não tem na verdade uma virtude, pois a verdade não é buscada, ela, bem literalmente, encarna-se no romântico. A verdade também não leva à felicidade ou à lugar algum na verdade. É uma verdade destituída de noções de progresso ou retrocesso; como verdade encarnada, ela simplesmente é, ela simplesmente um caminhar no ciclo cego do desejo e da beleza
É como se a luz do sol não apenas cegasse, mas também queimasse a pele. O romântico, em sua união entre corpo, natureza e consciência, não tem escolha senão seguir os comandos no corpo na medida em que este segue os comandos da natureza ao passo em que são apenas presenciados pela consciência.
Sim, o sujeito transcendental põe o mundo, mas ele põe um mundo apesar de si. Como a monarquia contemporânea, ele senta em um trono meramente simbólico. O sujeito é a fundação e centro de uma nação que não comanda. É um mundo bem estruturado que é posto pelo sujeito: ele no mínimo é lógico, pois essa é a condição inicial desse ato de criar mundos com a mente e ele é ao menos passível de sobrevivência, pois essa é a condição inicial de se ter um corpo, então a vida não é de modo algum aleatória e intransitável, mas a consciência é ainda mais um peão ao invés de um rei ou mesmo de quem observa a partida, sim, a vida é um jogo de xadrez onde todas as peças são o peão (e ninguém, os coitados só ficam andando pra lá e pra cá esperando uma chance de ir pra diagonal).
O romântico não é um animal mais escravo do que o resto, mas ele é genuinamente o animal com uma alma. Uma alma que não se confunde com a razão, que é incapaz de abdicar da razão, que não se destaca da vida e que, em sua plena força de vida é, ao mesmo tempo, plena força de espírito.
O romântico não é um animal mais escravo do que o resto, mas ele é genuinamente o animal com uma alma. Uma alma que não se confunde com a razão, que é incapaz de abdicar da razão, que não se destaca da vida e que, em sua plena força de vida é, ao mesmo tempo, plena força de espírito.

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