-
Humor Negro
É sobre o Lars Von Trier.
Primeiro: Humor tem que ser engraçado. Humor não serve pra provocar, abrir os olhos, desafiar; serve pra eu fazer "há há", senão de "humor" passa pra "rabugentice" e, no contexto atual, geralmente rabugentice de quem quer falar bobagem impunemente. A piada, então, vira um escudo pra gente covarde que quer ser polêmico sem ter que se explicar.
E o humor brasileiro passa por uma fase covarde, que parasita a covardia de seu público. Sujeito se sente pequeno em relação a celebridade, aí vai um humorista lá encurralar ela com câmera e microfone. Sujeito se sente pequeno em relação aos políticos, aí vai um humorista lá fazer "perguntas embaraçosas" (e, na maior parte das vezes, completamente fútil). Sujeito se sente "censurado" porque não poder ser racista ou sexista ou whatever e vai um humorista ser rabugento escondido atrás da piada.
Não que humor não tenha o seu lado de parasitar emoções baixas e infantis. Piada de pau e peido é toda sobre esse lado, mas uma piada de pau e peido brinca com coisas que a civilização toda tenta meio que deixar de lado ou esconder; o tal humor negro de hoje em dia é uma versão mais mesquinha disso, ele gira todo em cima de um revanchismo sem alvo definido, coisa de gente frustrada e ressentida e sequer com esclarecimento o suficiente pra direcionar essa frustração e ressentimento. É o sujeito que apanha da vida, mas nem sabe de que lado vem o soco. É o que há de mais baixo. Mais baixo que um peido.
Mas a função do humorista também não é direcionar ódio pro lugar certo, nem nada, de novo, o lance é ser engraçado; se o sujeito consegue pegar esse sentimento geral e fazer graça, está valendo, senão, de novo, gente mesquinha, frustrada, ressentida e burra sendo rabugenta. Eu não consigo pensar em algo mais oposto a humor do que isso.
Que o valha, fizeram pesquisas em algum país europeu, acho que Holanda, e contavam a mesma piada pra diferentes pessoas, mudando entre uma pessoa e outra os elementos pra ela ir de "zé qualquer é burro" pra "minoria estrangeira do país é burra" e quanto mais a piada era xenófoba, mais ela perdia a graça. Então pra quem vê o que eu digo uma defesa de uma piada racista, desde que engraçada, meu contra-argumento é que uma piada racista precisa de um contexto racista pra, em primeiro lugar, ser engraçada e se ela acha esse contexto, ela não o expõe, mas sim o valida.
Dar risada de piada racista é sim, sinal de racismo. E se você é negro/gordo/gay e ri com aqueles que estão rindo de você; não sentir em orgulho em levantar a bandeira da fala de respeito próprio.
(Há, claro, variações e graus e uma piada que é um tiquinho preconceituosa e muito engraçada, enfim, eu escrevo as coisas esperando de quem lê bom senso e não axiomas éticos que valem daqui para a eternidade)
A Banda Mais Bonita Da Cidade
Não falemos de açúcar. Eu ouço as coisas açucaradas, ok? As capas dos álbuns das minhas bandas tem gatinhos e corações. As coisas açucaradas são propriedade minha. É o meu lado hipster, as pessoas perguntam o que eu ouço e, mesmo os amigos mais antenados em cultura pop, eu evito responder porque vocês não conhecem! Mas elas são açucaradas. Olha só, uma muito parecida com a propósita da Banda Mais bla bla.
Então quando eu não gostei dessa banda, vocês dizem: "é porque eles ficaram famosos".
Haha
HAHA
HAJADHKSA
*risos nervosos*
Não não não.
Vamos contar as vezes em que, em toda minha vida, uma de minhas bandinhas veio pro Brasil.
Teve aquela, aí aquela outra, aí... hum.
UMA
UMA ÚNICA VEZ em TODA MINHA VIDA eu tive a chance de ver uma banda que gosto ao vivo (Camera Obscura) . E eu não pude, porque o ingresso se esgotou rapidíssimo, em parte porque os donos da casa de show que eles vieram reservaram parte dos ingressos pra amigos... ou assim dizem os boatos, eu sei lá.
Então eu *quero* que isso se torne famoso, sabe aquela experiência que você teve vendo um músico que você gosta? EU NÃO A TENHO. Não tenho. Quero ter. Quero que seja famoso, quero que venha pra cá. Desesperadamente até. É um buraco na minha alma que isso não ocorra.
Aí pensa que bom se eu gostasse dessa banda, já que ver show deles será muito fácil provavelmente. Mas não dá. O problema não é o açúcar. O problema não é o ambiente feliz e positivo e inocente. Isso é o que eles tem de bom.
O problema é uma música ruim. É um riminha panaca e com um sentimento nada genuíno. Esse é o problema mais importante, eu sou daquela crença que diz: falte tudo na música pop, mas não deixe faltar a honestidade. Eles não são honestos, eu vejo nos seus olhos. O sujeito hipster se esforçando pra ser um hipster poser no clima que eu postei é muito mais honesto do que o povo daquele clipe. Além de que, urgh, de novo, essas letras. Ser simples é diferente de ser simplesmente brega.
Mais fofice após o comercial. Mas esse clipe que eu postei, olha como esse pessoal tá feliz de verdade em cantar. É isso, cara. Não peço mais nada de uma música além de me colocar um sorrisinho assim.
Eu não sou muito de gostar de cover, mas...
lol, não sou muito de gostar de cover, mas...
Emma's House é um pouco do motivo pelo qual eu parei de ouvir música:
"Emma's house is empty
So why do I call it Emma's house?"
Essas estrofes alcançam um tipo de auge em todo o sentimento que a música pop é capaz. Parte de mim sentiu precisar de algo completamente outro, daí ando me dedicando mais a literatura. Gostaria de escrever um post todo só sobre essas duas estrofes, mas minha capacidade crítica e estética jamais estará a altura deles. Aliás, eu estou meio que escrevendo um romance. Ele não será tão bom quanto essas estrofes. Ela é mesmo um dos picos da civilização. Um perfeito encapsulamento de dores e alegrias.
Essa música tem um movimento que gosto muito.
"I want to build her up.
Up as tall as a church.
Just to watch her.
Just to watch her falling down"
Minha banda favorita - Heanvenly - tem músicas melhores, mas isso é o que o Youtube oferece de clipe. Seja como for, o mundo existe de tal modo que é impossível que o Heavenly tenha uma música ruim.
What the what?
Chorando agora!
Bom, pra finalizar. O hino, aí o clássico.
0 comentários:
Postar um comentário