Rent-a-validator
Isso eu li sobre aqui. É sobre um crítico de Israel, mas se aplica a qualquer coisa really.
(e pra contexto completo pra quem acha que eu passo o dia todo lendo só quem elogia Israel, o autor do texto passou os últimos tempos apoiando [e esse site é bem influente] que um sujeito que abertamente não gosta de Israel tivesse um posto bem importante supervisionando agências de inteligência norte-americanas. O sujeito não conseguiu o emprego e o autor do texto está bem frustrado sobre isso, mas o que ele está *realmente* frustrado é com a noção de que um crítico de Israel não conseguiu tal emprego porque um tal de "Israel Lobby" impediu. Não influenciou a decisão, mas ativamente impediu.
O Lobby de Israel, como todos nós sabemos, é um grupo de super-heróis judeus com os super-poderes de usar seus dotes judaicos para manipular todas as decisões que a Casa Branca toma envolvendo todo e qualquer tema referente ao Oriente Médio.
Claro, afirmar que os judeus são um grupo amorfo e traiçoeiros de pessoas que usam suas misteriosas super-riquezas, super-bancos e super-hollywood para manipular não-judeus em causa própria não é o mais clássico de todo antissemitismo, é uma teoria acadêmica muito bem pesquisada e fundamentada... estranhamente, eu entrei no tema do post no parenteses... que ficou maior que o post)
Enfim, à quote:
"They did what the most desperate members of academia do, they signed up to be rent-a-validators, akin to expert witnesses who support the defense of felons with specious theories served up on fancy diplomas. They would argue that they were daring to speak truth to power. In reality they were giving one crowd in particular precisely what it wanted to hear."
Por incrível que pareça, eu acredito que esse é o tipo mais raro de acadêmico, mas, por motivos óbvios, a maioria dos acadêmicos estão escrevendo teses de 200 páginas que nós nunca vamos ler, mas existe uma minoria de acadêmicos que descobriu que podem ganhar muito dinheiro dando opiniões e vendendo livros sobre essas opiniões.
Então todo e qualquer movimento nascido de preconceitos populares (da maioria ou de minorias) tem pelo menos um intelectual que usam suas "speciou theories served up on fancy diplomas" para justificá-los.
Pondo de outra maneira.
Não existe idéia estúpida no mundo que não tem um filósofo para defender.
Ou mesmo um biólogo, economista, antropólogo, físico, etc.
Certamente existem PHDs em biologia defendendo criacionismo; PHDs em economia defendendo estalinismo; PHDs em física defendendo consciência universal e por aí vai.
A questão é que vivemos em um livre mercado e se há alguém que, de antemão, por preconceito qualquer, quer reeeealmente acreditar em algo, mas se vê em dificuldade de argumentar sobre o assunto no orkut, então pode ter certeza que o mercado vai produzir um fazedor de argumentos profissional para explicar em 100 páginas como, veja só, você sempre esteve certo.
Só que agora você não está mais certo por intuição, sentimento ou porque sua mãe te disse, agora você tem razões! Razões, veja só! E em parágrafos que podem ser facilmente transcritos pra que qualquer um no orkut compreender!
Então, de antemão, eu tendo a ver com certo desprezo quem já entra numa discussão oferecendo argumentos. Porque argumentos são mercadorias. Entre no site da Amazon e você encontrará à venda argumentos sobre qualquer coisa bobinha que você queira defender.
Logo, dadas essas premissas, concluo que não acredito em argumentos.
Ok, óbvio que não, abdicando da razão e de uma pretensão de objetividade, não conseguimos sequer nos comunicar, mas sei lá, a única coisa que eu queria dizer com esse post é que qualquer posição que exista sobre dado tema polêmico existem razões para defendê-las. E que ter argumentos para defender aquilo que você acha tão bacana não é algo difícil, com 30 reais você compra uma série de argumentos para defender aquilo que você acha tão bacana, mas que, afinal, infelizmente, ter razões não significa que você tem razão.

1 comentários:
As opiniões, teorias da conspiração, idéias reacionárias, não existem por acaso.Elas nascem da realidade, mas não possuem o crédito ''científico'' necessário para serem consideradas como verdade, ou pelo menos como frações da verdade. O academicismo vem sendo usado(isso acontece com mais frequência no exterior, no Brasil o ambiente acadêmico ainda é conservador)para dar legitimidade a essas opiniões, que a princípio sempre parecem superficiais/preconceituosas/senso comum. Resumindo a ópera, não é que se possa defender qualquer idéia estúpida, é que as idéias estúpidas tem sua fração de verdade. Agora determinar a medida correta dessa fração de verdade é que vai depender do juízo de valor que cada um faz dos ''fazedores profissionais de argumentos''.
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