quarta-feira, março 12, 2008

Parmênides de Eléia

Parmênides desenvolveu sua obra em duas partes, a primeira, "O Caminho Da Verdade"; contém seus discursos sobre a realidade e a segunda, "O Caminho Da Opinião"; contém seus discursos sobre a natureza. Essa divisão já diz muito sobre seu pensamento.
Discípulo de Xenófanes, herdou de seu mestre um certo ceticismo em relação aos sentido e uma certa confiança na realidade da razão (até onde eu sei, Xenófanes limita tal ceticismo/confiança ao conhecimento dos deuses), parmênides leva tal dicotomia ao seu limite.
Diz Parmênides, que existem dois tipos de investigações:
"O primeiro, que é e não pode não ser,
é o caminho da persuasão (pois que é acompanhado pela verdade);
o outro, que não é e que não deve ser -
refiro-me a uma trilha destituída de todo conhecimento"
Além disso, "jamais se provará isso, que o não-ser é".

Sobre o que é; ele diz:
"Sobre este abundantes são os indícios
de que, sendo, é não-gerado e imperecível,
total, único, inabalável e completo.
Tampouco foi, ou será, uma vez que é agora, tudo junto,
uno, contínuo."

E continua com sua argumentação, dizendo que aquilo que é não pode ter vindo do que não-é, pois que não-ser seja, é "impronunciável e inconcebível".

Quando ele fala sobre a natureza, ele diz que relata apenas opinião e diz que é enganoso; não porque seja falso, mas porque está falando sobre o mutável e contraditório mundo das aparências, ele fala sobe astronômia, diz que a terra é redonda e se encontra no centro do universo, e, ao final do seu "Caminho da Opinião", reitera que tudo o que foi escrito lá é enganoso.

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Parmênides afasta de si toda as contradições e as explica declarando o mundo sensível enganoso e falso.
O que é, é. O que é não foi, não será, não deixa de ser. Simplesmente, o que é, é. E o que não é, não pode ser, nem vir a ser, nem ter sido. Simplesmente o que não é, não é.
Daí se conclui que não "ser" é imutável (pois ele não pode ser algo que já não seja), é eterno (pois ele não pode não ter sido e nem deixar de ser).
Tal mundo não existe nos sentidos, que estão sempre nos mostrando contradições, mudanças, destruição e inicíos; mas ele é compatível com as regras da razão, do discurso lógico; o ser não pode ser visto, mas pode ser pensado; é este, portanto, o "Caminho da Verdade".

Um comentário:

Thaís France disse...

Atualiza, Rodrrrigo. Venho pro CSP só pra acessar, haha...