Quarta-feira, Julho 12, 2006

The Madcap

Lime and limpid green, a second scene
A fight between the blue you once knew.
Floating down, the sound resounds
Around the icy waters underground.



Eu fiquei sabendo hoje que, na sexta-feira dia 7, o fundador do Pink Floyd Syd Barrett morreu.
Durante muito tempo na minha vida eu quis ser ele.
Acho que durante minha adolescência, ele foi meu maior guia, a figura do herói trágico que eu queria ser, o patrono da minha loucura, o que quer que seja.
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Sid Barrett não foi só o fundador do Pink Floyd, ele foi talvez o nome mais importante em termos de psicodelia e cultura de LSD e space rock ou qualquer coisa que seja, mas nada disso importa, o que importa é que ele criou essa banda gigante e não fez parte disso. É uma história genial.
Eu nasci em 1985, comecei a me interessar por música em meados de 98 ou 99, meu primeiro contato sério com a música foi através do Pink Floyd, nessa época não eram raras as histórias de astros do rock que cresceram e morreram, mas o Syd Barrett teve uma diferença essencial que foi que ele não morreu, ele não alcançou o estrelato, ele simplesmente enlouqueceu e sumiu, mas, em outra coisa diferente de tantos outros que enlouqueceram e sumiram, a banda que ele criou prosseguiu, carregando em sua discografia a música dele.
Já há anos, ele não podia falar sobre Pink Floyd, ele não podia ver nenhum dos membros do grupo, ele não podia ouvir nenhuma das músicas, nem as próprias músicas, porque isso causava nele crises horriveis de depressão.
Ele foi o sujeito que criou toda uma nova maneira de se pensar música e então explodiu dentro de sua própria mente não podendo jamais ter contato com sua arte para não danificar o pouco que restava de seu decadente estado mental.
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A história de Syd é bem conhecida, ele fundou o Pink Floyd, ficou poucos anos na banda, mas o excesso de LSD eventualmente levou a total destruição de sua sanidade, ao ponto de ele não conseguir tocar, de subir em palcos e ficar apenas horas e horas olhando para algum ponto fixo sem se mover.
Eu queria ser ele.
Eu queria ser o cara que conseguia se esconder tão bem dentro da própria mente, apagar o mundo externo de forma tão eficiente a ponto de conseguir me desligar.
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É uma tentação dizer que o Madcap Laughs, seu principal album solo, é uma das melhores coisas que já ouvi, se fosse ele não teria sua beleza; esse album é na verdade uma das mais autênticas formas de expressão que um louco poderia fazer, mas não um louco no sentido que estamos acostumados, do sujeito totalmente aleatório.
Era um louco consciente até, um louco consciente o suficiente para fazer músicas ao menos.
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É dificil encontrar passagens tão sinceras quanto "It's no good trying to place your hand where I can't see because I understand that you're different from me" e poucas coisas fazem tanto sentido pra mim quanto "I'm only a person with Eskimo chain I tattooed my brain all the way..." e depois perguntava já prevendo que não conseguiria se manter nesse mundo por muito tempo "Won't you miss me? Wouldn't you miss me at all?"
Porque é esse o cara que eu queria ser, talvez esse seja o cara que eu ainda quero ser e é isso que eu quero dizer, é isso que eu sempre quis dizer minha vida toda, que eu só sou um cara acorrentado com o cerebro inteiro tatuado.
Vocês sentiriam minha falta?
Vocês sentiriam alguma saudade?
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Eu não sinto saudades dele, é como eu disse, de muitas e muitas formas ele morreu faz tempo, mas mesmo assim é dificil encarar um fim assim tão definitivo, nós sempre sonhamos que um dia ele iria acordar e em um surto de sanidade nos brindaria um pouco mais com sua doce insanidade, que ele nos fizesse viajar de novo por cavernas azuis e cristalinas gélidas, por entre os planetas, por dentro de sua mente deteriorada e sua alma destruida, dizendo que tipo de pessoa você é, que tipo de pessoa eu quero ser, essa figura que pouquissimos conheciam, mesmo de nome e que foi o meu herói trágico que ousou se aventurar não apenas por algo tosco e insignificante como os preconceitos da sociedade londrina, mas por algo muito mais grandioso e muito mais periogo que era sua mente.
Mas agora nós temos a confirmação de algo que já tinhamos certeza.
Que isso não vai acontecer.
Ele não vai se levantar, não vai nos brindar com nada de novo.
Tudo que jamais saberemos de Syd Barrett é o que ele já nos deu... e por mais que seja, parece pouco, por mais que ainda tenha material que eu ainda não ouvi, parece pouco... nunca seria o suficiente... talvez a morte dele venha pra ensinar isso também... que nada vai mudar, porque como ele mesmo disse em Jugband Blues "It's awfully considerate of you to think of me here and I'm much obliged to you for making it clear that I'm not here."
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Eu não acredito em céu...
Mas eis que está tocando agora a música Flaming do The Piper At The Gates Of Dawn e eu não consigo pensar em nada mais apropriado para terminar esse post... que não é uma homenagem a altura dele... mas de novo... nenhum numero de palavras jamais será homenagem a altura dele.
No fim, se eu quero realmente homenagear esse meu herói, eu terei que fazer que nem ele fez e expôr ao mundo a minha loucura e rir.

Flaming

Alone in the clouds all blue
Lying on an eiderdown.
Yippee! You can't see me
But I can you.

Lazing in the foggy dew
Sitting on a unicorn.
No fair, you can't hear me
But I can you.

Watching buttercups cup the light
Sleeping on a dandelion.
Too much, I won't touch you
But then I might.

Screaming through the starlit sky
Traveling by telephone.
Hey ho, here we go
Ever so high.

Alone in the clouds all blue
Lying on an eiderdown.
Yippee! You can't see me
But I can you.

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